3055: Rover Mars 2020 vai procurar fósseis microscópicos

CIÊNCIA

As cores mais claras representam elevações mais altas nesta imagem da Cratera Jezero em Marte, o local de aterragem da missão Mars 2020 da NASA. A oval indica a elipse de aterragem, onde o rover vai pousar em Marte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS/JHUAPL/ESA

Cientistas do rover Mars 2020 da NASA descobriram o que poderá ser um dos melhores locais para procurar sinais de vida antiga na Cratera Jezero, onde o veículo vai pousar no dia 18 de Fevereiro de 2021.

Um artigo publicado a semana passada na revista Icarus identifica depósitos distintos de minerais chamados carbonatos ao longo da orla interna de Jezero, o local de um lago há mais de 3,5 mil milhões de anos. Na Terra, os carbonatos ajudam a formar estruturas suficientemente resistentes para sobreviver em forma de fóssil durante milhares de milhões de anos, incluindo conchas do mar, corais e alguns estromatólitos – rochas formadas no nosso planeta pela antiga vida microbiana ao longo de antigas linhas costeiras, onde a luz do Sol e a água era abundantes.

A possibilidade de estruturas semelhantes a estromatólitos existentes em Marte é o motivo pelo qual a concentração de carbonatos que rastreiam a linha costeira de Jezero, como água suja numa banheira deixa anéis de resíduos para trás, faz da área um campo de caça primordial científica.

Mars 2020 é a missão de próxima geração da NASA com foco na astrobiologia, ou no estudo da vida pelo Universo. Equipado com um novo conjunto de instrumentos científicos, o objectivo é aproveitar as descobertas do Curiosity da NASA, que descobriu que partes de Marte podem ter suportado vida microbiana há milhares de milhões de anos. Mars 2020 vai procurar sinais reais de vida microbiana passada, recolhendo amostras de rochas que serão depositadas em tubos de metal na superfície marciana. As missões futuras poderão transportar essas amostras para a Terra para um estudo mais aprofundado.

Além de preservar sinais de vida passada, os carbonatos podem ensinar-nos mais sobre como Marte passou de albergar água líquida e uma atmosfera mais espessa para o deserto gelado de hoje. Os minerais de carbonato formaram-se a partir de interacções entre o dióxido de carbono e a água, registando mudanças subtis nestas interacções ao longo do tempo. Nesse sentido, agem como cápsulas do tempo que os cientistas podem estudar para aprender quando – e como – o Planeta Vermelho começou a secar.

Com 45 quilómetros de largura, a Cratera Jezero também já foi o lar de um antigo delta de rio. Os “braços” deste delta podem ser vistos a alcançar o fundo da cratera em imagens obtidas a partir do espaço por missões como a MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA. O instrumento CRISM (Compact Reconnaissance Imaging Spectrometer for Mars) deste orbitador ajudou a produzir mapas minerais coloridos do “anel da banheira” detalhado no novo artigo.

“O CRISM avistou carbonatos aqui há anos atrás, mas apenas recentemente notámos como estão concentrados exactamente onde seria a linha costeira,” disse a autora principal Briony Horgan, da Universidade Purdue em West Lafayette, no estado norte-americano de Indiana. “Vamos encontrar depósitos de carbonatos em muitos locais ao longo da missão, mas o ‘anel da banheira’ será um dos lugares mais interessantes de visitar.”

Não é garantido que os carbonatos da costa tenham sido formados no lago; podem ter sido depositados antes que o lago estivesse aí presente. Mas a sua identificação faz da orla oeste do local, de nome “região marginal portadora de carbonatos”, um dos tesouros mais ricos destes minerais em qualquer lugar da cratera.

A equipa Mars 2020 espera explorar tanto o chão da cratera quanto o delta durante a missão principal do rover com a duração de dois anos. Horgan disse que a equipa espera alcançar a borda da cratera e os seus carbonatos perto do final desse período.

“A possibilidade de os ‘carbonatos marginais’ terem sido formados no ambiente do lago foi uma das características mais emocionantes que nos levaram à decisão de aterrar na Cratera Jezero. A química dos carbonatos numa antiga margem de lago é uma receita fantástica para preservar registos de vida e do clima do passado de Marte,” disse o cientista adjunto do projecto Mars 2020, Ken Williford, do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia. O JPL lidera a missão do rover Mars 2020. “Estamos ansiosos por chegar à superfície e descobrir como estes carbonatos se formaram.”

A margem do antigo lago da Cratera Jezero não é o único local que os cientistas estão ansiosos por visitar. Um novo estudo publicado na revista Geophysical Research Letters aponta para um rico depósito de sílica hidratada na beira do antigo delta do rio. Como os carbonatos, este mineral é excelente para preservar os sinais de vida antiga. Se este local provar ser a camada inferior do delta, será um local especialmente bom para procurar fósseis microbianos enterrados.

O rover Mars 2020 será lançado em Julho ou Agosto de 2020 a partir de Cabo Canaveral, Florida. Mars 2020 faz parte de um programa maior que inclui missões à Lua como preparação para a exploração humana do Planeta Vermelho. Encarregada de fazer regressar astronautas à Lua até 2024, a NASA estabelecerá uma presença humana sustentada na Lua e em órbita até 2028 através dos planos de exploração lunar Artemis da NASA.

Astronomia On-line
19 de Novembro de 2019

 

2552: NASA procura nome para rover marciano. Sugestões reservadas a crianças

A NASA lançou uma competição de nomes para o seu rover que vai a Marte em 2020. O detalhe curioso é: apenas crianças podem participar.

A NASA lançou uma competição de nomes para o seu rover que vai a Marte em 2020. O detalhe curioso é: apenas crianças podem participar.

Com a intenção de dar ao robô explorador uma identidade própria, a NASA tem em vigor uma iniciativa que inclui a participação dos alunos do ensino básico e secundário. Os interessados devem enviar um texto com a sua sugestão de nome para o rover até o dia 1º de Novembro. Os textos serão avaliados consoantes a adequação, originalidade e relevância e vão ser seleccionados e separados em três grupos.

A competição terá 52 semifinalistas por grupo e cada um destes vai representar o seu Estado ou país. A decisão final será dada de acordo com a participação do público.

O voto popular terá a possibilidade de escolher nove finalistas. A votação está prevista decorrer em Janeiro de 2020. E, no dia 18 de Fevereiro de 2020, o resultado é revelado, um ano antes de o rover aterrar na superfície marciana.

Dinheiro Vivo
30.08.2019 / 00:29

 

1318: Rover Marte 2020: NASA já escolheu o local de aterragem

NASA

A NASA anunciou na segunda-feira o local de aterragem para sonda da missão Marte 2020: um delta de um rio ancestral. A missão tem como objectivo provar que existiu vida no Planeta Vermelho.

Mesmo que Marte esteja frio e seco, o local de aterragem – a cratera Jezero – já foi preenchido com um lago com 500 metros de profundidade que formou uma rede de rios entre cerca de 3,5 e 3,9 mil milhões de anos atrás.

“O delta é um bom lugar para a evidência de vida serem depositadas e, em seguida, preservadas durante os mil milhões de anos que se passaram”, disse Ken Farley, integrante do projecto Marte 2020.

Especialistas acreditam que os 45 quilómetros de largura da bacia poderiam ter preservado antigas moléculas orgânicas e outros sinais de vida microbiana.

Pelo menos cinco tipos diferentes de rochas, incluindo “argilas e carbonatos que têm alto potencial para preservar evidências de vida passada”, devem existir na cratera, a norte do equador marciano. A rocha carbonática é produzida pela interacção de água, gases atmosféricos e rochas, e deixa pistas sobre ambientes habitáveis.

Os investigadores debateram sobre o local de aterragem do rover nos últimos quatro anos e reduziram a sua decisão a mais de 60 locais possíveis.

O rover, com o valor de 2,1 mil milhões de euros, deve ser lançado em Julho de 2020 e pousar em Fevereiro de 2021. O Marte 2020 foi projectado para aterrar dentro da cratera e recolher amostras que eventualmente serão devolvidas à Terra para análise posterior, talvez até o final dos anos 2020.

Aterragem perigosa

Mas, primeiro, o rover tem de chegar intacto à superfície, evitando um campo de pedregulhos, armadilhas de areia e as bordas do delta. O Marte 2020 usará o mesmo método que entregou com êxito o veículo não tripulado Curiosity da NASA num local chamado Cratera Gale em 2012.

A Cratera Gale, com muitas camadas de sedimentos, foi escolhida para contar a história de como Marte passou de um planeta quente e húmido para o planeta gelado e poeirento que é hoje. O local de pouso da Cratera Jezero é diferente por causa de abundantes rochas carbonáticas.

Em vez de ter um laboratório analítico a bordo – como o Curiosity tem – o rover 2020 foi projectado para observar rochas numa escala mais fina, observando as bio-assinaturas preservadas. Depois, irá guardá-las para um estudo mais aprofundado na Terra. Uma missão separada, ainda a ser definida, trará as rochas de volta ao nosso planeta.

JPL-Caltech / MSSS / NASA
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