759: INVESTIGADORES DESCOBREM QUE ROSS 128 B É VIÁVEL PARA ABRIGAR VIDA

Esta imagem artística mostra o planeta temperado Ross 128 b com a sua estrela anã vermelha progenitora ao fundo. Este planeta, que se situa a apenas 11 anos-luz de distância da Terra, foi descoberto por uma equipa que utilizou o instrumento HARPS, o caçador de planetas único do ESO. O novo mundo é o segundo planeta temperado mais próximo a ser detectado depois de Proxima b. Trata-se também do planeta mais próximo a ser descoberto em torno de uma estrela anã vermelha inactiva, o que aumenta a probabilidade deste planeta poder potencialmente sustentar vida. Ross 128 b será o alvo principal do ELT (Extremely Large Telescope) do ESO, o qual terá a capacidade de procurar marcadores biológicos na atmosfera do planeta.
Crédito: ESO/M. Kornmesser

O exoplaneta Ross 128 b tem características viáveis para abrigar vida. Uma equipa coordenada por investigadores do Observatório Nacional do Brasil analisou as características físico-químicas do sistema extra-solar Ross 128, e constatou que este sistema guarda muitas semelhanças com o Sol e a Terra.

O grupo realizou um estudo detalhado das propriedades da estrela visando compreender melhor o exoplaneta Ross 128 b, descoberto em 2017 por cientistas liderados pelo Instituto de Planetologia e Astrofísica de Grenoble, na França.

Ross 128 b tem massa equivalente à do nosso planeta, está localizado na zona habitável da sua estrela e tem uma temperatura média na superfície da ordem de 21ºC. Além disso, está muito próximo da Terra, a 10 anos-luz (cada ano-luz corresponde a 9,46 biliões de quilómetros).

“Desenvolvemos um estudo detalhado das propriedades físico-químicas da estrela Ross 128 com o intuito de inferir propriedades sobre o exoplaneta Ross 128 b e, assim, conhecê-lo melhor. Para tal, usamos modelos de formação planetária e verificamos que o exoplaneta deve ser composto por minerais similares aos da Terra, no entanto, com um núcleo um pouco maior”, explica o cientista Diogo Souto, primeiro autor do estudo.

O exoplaneta Ross 128 b tem uma massa mínima 30% superior à massa terrestre, enquanto o seu raio é 10% maior que o da Terra. A razão entre a massa e o raio deste exoplaneta coloca-o no grupo de planetas rochosos, assim como a Terra.

Entre as características que assemelham Ross 128 b à Terra, o grupo concluiu que a radiação que Ross 128 b recebe de sua estrela hospedeira é similar à que a Terra recebe do Sol. A estrela Ross 128 tem uma temperatura de 2958ºC, quase metade do nosso Sol (5499ºC); um raio de 145.401km, o que corresponde a cerca de um-quinto do raio do Sol. Ross 128 b está a uma distância de 6 milhões de km da sua estrela, enquanto a Terra está a 150 milhões de km do Sol, aproximadamente.

“Nunca foi feito um estudo tão detalhado de uma estrela fria como Ross 128. É difícil estudar estrelas frias porque o espectro óptico destes objectos apresenta fortes bandas moleculares que atrapalham a análise. Usando a espectroscopia no infravermelho, estas bandas são mais fracas e é possível estudar as moléculas atómicas para extrair informações que ajudem a caracterizar a estrela”, explica Katia Cunha, pesquisadora da Coordenação de Astronomia e Astrofísica do Observatório Nacional do Brasil.

“Este estudo traz como novidade a técnica desenvolvida para o estudo químico detalhado deste tipo de estrela, que povoa o universo e concentra exoplanetas que podem ser objecto de pesquisas futuras”, comemora Diogo Souto. O estudo utiliza dados do projecto Sloan Digital Sky Survey (SDSS), do qual o Observatório Nacional do Brasil faz parte.

A estrela Ross 128 é uma estrela de baixa temperatura, classificada como estrela anã M – tipo que corresponde a 65 a 75% das estrelas da nossa Galáxia, por isso é tão importante conhecer mais sobre elas.

“Um dos diferenciais entre as estrelas é a abundância dos seus elementos químicos. A composição química da estrela Ross 128 é, de certa forma, parecida com a do Sol. Neste estudo, conseguimos estudar a assinatura de oito elementos: carbono, oxigénio, magnésio, alumínio, potássio, cálcio, titânio e ferro. As proporções entre alguns destes elementos como Fe/Mg, Ca/Mg e Al/Mg são parecidas com o que observamos no Sol e na Terra, e, segundo a nossa análise, também são similares ao exoplaneta Ross 128 b. Com isso, temos indícios de que a formação e a composição de Ross 128 b sejam parecidas com a da Terra. Verificamos também que não há indicativo de um forte campo magnético em Ross 128, o que poderia reduzir as suas chances de habitabilidade”, explica o pesquisador.

Astronomia On-line
13 de Julho de 2018

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125: Descoberto planeta que pode albergar vida

Este exoplaneta, intitulado de Ross 128 b, é o mais próximo do tamanho da Terra e tem hipóteses de albergar vida, segundo o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço

Uma equipa internacional, da qual faz parte um investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), descobriu o planeta fora do sistema solar mais próximo da Terra, onde pode existir vida.

© ESO/M. Kornmesser Imagem artística do planeta Ross 128 b com a sua estrela anã vermelha progenitora ao fundo

O Ross 128 b “é o mais próximo exoplaneta [que gira em torno de uma estrela fora do sistema solar] do tamanho da Terra, a orbitar uma estrela anã vermelha [estrela com pequena massa e de temperatura “baixa”] pouco activa, o que aumenta as hipóteses de poder albergar vida”, indica um comunicado remetido à agência Lusa pelo Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA).

“Muitas estrelas anãs vermelhas, incluindo a Próxima Centauri (a mais próxima do Sol), têm ocasionalmente fenómenos explosivos, que banham os planetas com doses letais de raios X e radiação ultravioleta, fenómenos podem esterilizar potenciais formas de vida nesses planetas”, acrescenta a nota informativa.

Este exoplaneta, detectado pelo espectrógrafo HARPS – instalado no telescópio ESO, no Chile -, encontra-se a 11 anos-luz de distância da Terra e orbita a sua estrela uma vez a cada dez dias, a uma distância cerca de 20 vezes mais próxima do que a que separa a órbita da Terra do Sol.

No entanto, “por ser uma estrela anã vermelha pouco activa, com pouco mais de metade da temperatura do Sol, a radiação com que a estrela banha o planeta é apenas 1,38 vezes superior à irradiação que chega à Terra”, lê-se no comunicado.

Como resultado disto, “as estimativas para a temperatura do planeta variam entre -60 graus centígrados e 20 graus centígrados, mas devido à incerteza nestes cálculos, ainda não é certo se o planeta está dentro, ou imediatamente fora, da zona de habitabilidade da sua estrela”, acrescenta a nota informativa.

De acordo com Ricardo Reis, do grupo de comunicação do IA, a zona de habitabilidade é a zona a partir da qual um planeta está à distância correta da sua estrela para poder ter água líquida à superfície.

“Em estrelas anãs vermelhas como esta, a zona de habitabilidade é mais próxima, podendo o exoplaneta ter condições para albergar vida, mas há outros factores determinantes, como o facto de haver radiação ou se tem massa suficiente para ter atmosfera”, disse Ricardo Reis à Lusa.

Apesar de actualmente estar a 11 anos-luz da Terra, o sistema Ross 128 vai-se aproximando da Terra, e espera-se que se torne o vizinho mais próximo dentro de 71.000 anos, ultrapassando o Próxima b, que orbita a estrela Próxima Centauri.

A descoberta deste planeta “ilustra a capacidade já existente para encontrar, e no futuro caracterizar em detalhe e de forma recorrente, planetas que reúnam as condições necessárias para a presença de vida”, referiu Nuno Cardoso Santos, astrofísico do IA e da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP).

A equipa do IA, referiu, está a trabalhar “arduamente para atingir esse objectivo”, tendo traçado um plano que inclui participações em missões espaciais da Agência Espacial Europeia (ESA) e em vários equipamentos do ESO, como o ELT ou o espectrógrafo ESPRESSO, que entrará em funcionamento ainda este mês e tem por objectivo procurar e detectar planetas parecidos com a Terra, capazes de suportar vida.

O resultado desta descoberta deu origem ao artigo “A temperate exo-Earth around a quiet M dwarf at 3.4 parsecs”, publicado na Astronomy & Astrophysics, estando disponível na versão ‘online’.

MSN notícias
DN/Lusa
15/11/2017

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