1895: Algumas rochas são painéis solares naturais (e convertem luz em electricidade)

CIÊNCIA

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Antes de os humanos construírem células solares para transformar a luz em electricidade – e talvez até antes de as plantas a armazenarem como energia química – as rochas já faziam isso.

Os primeiros exemplos de conversão natural, mas não biológica, de luz em electricidade foram encontrados, e parece que é realmente comum, a ocorrer em revestimentos de superfície de rochas encontradas em desertos chineses. O processo pode até desempenhar um papel importante em tornar a Terra habitável.

Muitas rochas do deserto têm revestimentos finos de ferro e manganês. Ao examinar amostras do deserto de Gobi sob luz forte, Anhuai Lu, da Universidade de Pequim, encontrou correntes eléctricas na superfície, mas apenas nas proximidades de depósitos destes metais.

Quanto mais fraca a luz, menos corrente, demonstrando que os revestimentos estão a transformar os fotões em electrões em movimento. Os revestimentos também são bastante estáveis, por isso a geração provavelmente dura o dia todo.

No entanto, não se poderia carregar o telefone nas pedras se estivesse preso no deserto com uma bateria descarregada. As correntes são minúsculas, relata Lu na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, mesmo quando as rochas são expostas a uma luz várias vezes mais potente que o sol.

Menos de um em 10 mil dos fotões na luz do sol são convertidos em electrões móveis pelos revestimentos ricos em manganês. Isto compara-se às células solares comerciais, que chegam perto de 100% nos comprimentos de onda correctos.

Por outro lado, se os vernizes cobrem grande parte dos 35 milhões de quilómetros quadrados de desertos em todo o mundo, isto poderia ter efeitos cumulativos substanciais. Os seres humanos podem não ter como aproveitar este recurso, mas as bactérias foto-electrotróficas são uma questão diferente.

Outros investigadores estimularam o crescimento de certas bactérias usando minerais que convertem a luz solar em electricidade. Há sempre uma esperança de que descobertas como esta possam levar à busca de melhores painéis solares por caminhos novos e melhores.

Essa pode ser uma esperança vã, dada a baixa eficiência, mas as descobertas podem ter outros usos. Algumas das bactérias que Lu acha que se estão a alimentar dessas correntes extraem dióxido de carbono do ar e transformam-no em acetato.

Lu descobriu que as concentrações de manganês podem ser cem vezes maiores do que as do corpo da rocha, mas apenas nas superfícies expostas à luz solar. Experiências mostraram que revestimentos ricos em manganês crescem rapidamente sob forte luz visível ou ultravioleta, mas lentamente na sombra.

Os revestimentos ricos em manganês têm potencial químico suficiente para converter água em oxigénio, embora não se saiba o quão significativo é.

ZAP // IFL Science

Por ZAP
27 Abril, 2019

 

1522: A rocha mais antiga da Terra foi encontrada na Lua

© TVI24 PIXABAY

A rocha mais antiga da Terra foi encontrada na Lua pela tripulação do Apollo 14. Esta é a conclusão de um estudo publicado esta quinta-feira pela revista Earth and Planetary Science Letters, que indica que esta rocha, que se originou no planeta azul, colidiu com a Lua há 4 mil milhões de anos.

Os cientistas acreditam que a Terra foi atingida por um cometa ou por um asteróide e que foi este fenómeno que enviou a rocha para o Espaço.

Na altura, a Terra encontrava-se três vezes mais próxima da Lua. Por isso, a rocha acabou por colidir acidentalmente com a Lua e misturar-se com o solo lunar. Terá viajado mais de 128.000 quilómetros.

É uma descoberta extraordinária que ajuda a pintar uma imagem melhor da Terra primitiva e a colisão que modificou o nosso planeta durante a aurora da vida”, disse David Kring, principal investigador do Centro de Ciência e Exploração Lunar.

Todas as características da rocha apontam para que esta se tenha formado num ambiente com temperaturas semelhantes às registadas na Terra. Mais, foram encontrados diversos minerais muito comuns no nosso planeta, como o quartzo e o feldspato. Pelo contrário, já não foram encontrados muitos minerais característicos do solo lunar.

Os cientistas acreditam que a rocha se formou abaixo do nível da superfície da Terra. Só um grande impacto tornou possível o lançamento da rocha para o Espaço.

TVI24

Redacção TVI24
25/01/2019

 

996: Queda de rochas no Alasca criou onda de 193 metros de altura

Estudo do jornal Scientific Reports descobriu o fenómeno que não fez vítimas, mas que pode repetir-se mais vezes devido às alterações climáticas

© AP Photo/Fairbanks Daily News-Miner, Nora Gruner

Um estudo do jornal online Scientific Reports revelou que em 2015 colapsaram 163 toneladas de rochas [errata: foram 180 milhões de toneladas de rocha e não 163 toneladas] de uma montanha no fiorde de Taan, Alasca nos Estados Unidos, que originou uma onda no mar com 193 metros de altura, que acabou por ser a quarta maior registada desde o século passado.

Esta onda gigante ocorreu, no entanto, numa zona desabitada, mas este estudo admite a possibilidade deste fenómeno voltar-se a repetir noutras zonas do globo. “É possível que ocorram outro tipo de deslizamentos de terra, à medida que os glaciares de montanha continuem retrocedendo e o gelo derreta”, assumem os 32 autores do estudo dirigido pelo geólogo Bretwood Higman.

Através da reconstrução daquilo que aconteceu no Alasca, os cientistas procuram “chamar a atenção sobre o efeito indirecto das mudanças climáticas, que está a aumentar a sua frequência e magnitude perto dos glaciares de montanha”. É por isso que este estudo procurou prever os riscos e as implicações de fenómenos como este registado há três anos.

Outro dos autores deste estudo, Dan Shugar, revelou ao jornal The Washington Post que este fiorde não existia há 40 anos, pois “estava coberto de gelo”. Contudo, o gelo recuou mais de 300 metros entre 1961 e 1991, o que terá originado com que as ladeiras da montanha se tornassem instáveis, acabando por cair.

O impacto da rocha com a água criou então uma onda que atingiu uma velocidade de 96,5 quilómetros por hora, atingindo cerca de 200 metros de altura. E é nesse sentido que os autores do estudo da Scientific Reports consideram que por sorte ninguém foi atingido pela devastação que a onda originou e que provocou a destruição que afectou a costa e a vegetação que encontrou pela frente.

Shugar alertou para a possibilidade de um fenómeno destes poder atingir num destes dias algum barco com turistas junto dos fiordes. Aliás, em 2017, na Gronelândia, uma onda causada por um deslizamento de terra matou quatro pessoas e feriu onze. Conforme documenta um vídeo amador que apanhou parte do acontecimento.

DN
10 Setembro 2018 — 22:32

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