2925: Rochas lunares ajudam a formar nova imagem da Terra e Lua primitivas

CIÊNCIA

Os cientistas pensam que a Lua foi formada após a colisão de um grande objecto com a Terra, mas os detalhes são escassos acerca do que aconteceu depois.
Crédito: William Hartmann

A maioria das pessoas só encontra rubídio como a cor púrpura dos fogos-de-artifício, mas o metal obscuro ajudou dois cientistas da Universidade de Chicago a propor uma teoria de como a Lua se pode ter formado.

Realizado no laboratório do professor Nicolas Dauphas, cuja investigação pioneira analisa a composição isotópica das rochas da Terra e da Lua, o novo estudo mediu o rubídio nos dois corpos planetários e criou um novo modelo para explicar as diferenças. A descoberta revela novas ideias sobre um enigma acerca da formação da Lua que tem dominado ao longo da última década o campo da ciência lunar, conhecido como “crise isotópica lunar.”

Esta crise começou quando novos métodos de teste revelaram que as rochas da Terra e da Lua têm níveis surpreendentemente semelhantes de alguns isótopos, mas níveis muito diferentes de outros. Isto confunde os dois principais cenários de como a Lua se formou: um diz que um objecto gigante colidiu com a Terra e levou com ele um grande pedaço da Terra para formar a Lua (neste caso a Lua deve ter uma composição decisivamente diferente, principalmente o outro objecto); e o outro cenário é que esse objecto obliterou a Terra e os dois corpos celestes acabaram-se formando a partir dos destroços resultantes (neste caso, as duas composições devem ser virtualmente idênticas).

“Há claramente algo aqui em falta,” disse Nicole Nie, doutoranda e autora principal do estudo publicado recentemente na revista The Astrophysical Journal Letters. Ex-aluna do laboratório de Dauphas, Nie está agora no Instituto Carnegie para Ciência.

Para testar diferentes teorias, o laboratório de Dauphas tem uma colecção de rochas lunares emprestadas pela NASA (representando cada uma das missões Apollo que recuperaram amostras). Nie criou uma maneira rigorosa de medir os isótopos de rubídio – um elemento que nunca havia sido medido com precisão nas rochas da Lua porque é tão difícil isolar do potássio, que é quimicamente extremamente semelhante.

O rubídio faz parte de uma família de elementos que sempre aparece com diferentes proporções de isótopos na Lua em comparação com a Terra. Quando Nie examinou as rochas lunares, descobriu que continham menos isótopos leves de rubídio e mais isótopos pesados do que as rochas da Terra.

“Não havia realmente nenhuma estrutura para explicar esta diferença,” disse Dauphas, professor no Departamento de Ciências Geofísicas. “De modo que decidimos fazer uma.”

Começaram com a ideia de que tanto a Terra quanto o objecto gigante foram vaporizados após o impacto. Neste cenário, uma massa que se tornará a Terra coalesce lentamente e um anel exterior de detritos forma-se em seu redor. Ainda está tão quente, com mais de 3300º C, que este anel é provavelmente uma camada exterior de vapor em redor de um núcleo de magma líquido.

Com o tempo, Nie e Dauphas supõem, os isótopos mais leves de elementos como o rubídio evaporam-se mais rapidamente. Estes condensam-se na Terra, enquanto o resto dos isótopos mais pesados deixados para trás no anel eventualmente formam a Lua.

Isto disse-lhes mais sobre o aspecto da Terra e da Lua primitivas. Como sabem exactamente quanto mais dos isótopos leves evaporaram, trabalharam para trás para descobrir o aspecto da camada de vapor – quanto mais saturada, mais lenta a evaporação (pense em tentar secar a sua roupa num dia muito húmido nos trópicos, vs. num dia muito seco no deserto).

Isto é útil porque as características exactas desta fase inicial são difíceis de determinar. Os resultados também encaixam bem com medições anteriores de outros isótopos em rochas lunares, como o potássio, cobre e zinco. “O nosso novo cenário pode explicar quantitativamente o esgotamento lunar não apenas do rubídio, mas também da maioria dos elementos voláteis,” salientou Nie.

O estudo é um passo há muito necessário para ligar as linhas entre medições isotópicas e modelos físicos dos corpos proto-planetários, acrescentou Dauphas.

“Este elo estava em falta e esperamos que ajude a restringir, no futuro, os cenários para a formação da Lua e da Terra,” concluiu.

Astronomia On-line
29 de Outubro de 2019

 

2386: NASA alimentou baratas com rochas lunares da Apolo 11 e fez outros testes estranhos

CIÊNCIA

A NASA guarda ainda a maioria das rochas lunares que a tripulação da Apolo 11 trouxe para casa. No entanto, uma pequena fracção da recompensa dos astronautas foi usada num conjunto de experiências pouco conhecidas. Segundo a agência são testes de vital importância, que garantiram a segurança das amostras lunares na Terra.

Nessas experiências com as rochas da Lua, a agência espacial abrigou moscas e alimentou plantas. Ao que parece, as coisas ficaram estranhas!

NASA guarda muita informação “secreta” do que veio da Lua para a Terra

Com a comemoração dos 50 anos do homem ter ido à Lua, a NASA tem libertado muita informação relevante. São dados históricos de várias acções levadas a cabo por cientistas em rochas, no pó e noutros produtos que sofreram reacções por terem estado no nosso satélite natural.

Uma das histórias mais estranhas foi divulgada na última semana pelo site Space.com refere que a NASA alimentou baratas com rochas lunares. Além disso, deu a conhecer que há mais coisas esquisitas nestes estudos.

Os cientistas tinham a certeza de que não haviam germes potencialmente perigosos a viver na Lua. Contudo, não podiam ter absoluta certeza. E enquanto a recuperação de rochas lunares era um presente incrível para a ciência, poderia ter sido uma maldição na Terra se essas rochas se tivessem revelado um risco para a vida terrestre. Então, como parte dos preparativos da agência para a missão, a NASA teve que montar um programa de testes.

Nós tínhamos que provar que não iríamos contaminar não apenas os seres humanos, como também não iríamos contaminar os peixes, pássaros, animais, plantas, etc…

Tínhamos que provar que não iríamos afectar qualquer biosfera da Terra. Então tivemos que desenvolver um programa incrível que foi realizado realmente durante três voos. Muitos problemas.

Explicou em 1999, na história oral, Charles Berry que estava encarregado das operações médicas durante a operação Apolo.

Quarentena na Terra ajudou a perceber se existia perigo de contaminação

Os próprios astronautas foram arrastados para a quarentena após o seu regresso à Terra. Estes permaneceram isolados do mundo (excepto 20) durante três semanas, a partir do momento em que Neil Armstrong e Buzz Aldrin deixaram a lua. Além destes, também ganharam fama uma colecção de ratos. Isto porque foram igualmente para a quarentena depois de ter-lhes sido injectado material lunar. Posteriormente foram seguidos pela equipa de investigadores e seguidos tal como estavam a ser seguidos os astronautas em quarentena.

Apesar de alguns receios, tanto os humanos como os roedores mostraram-se livres de problemas. Contudo, para a ciência, ver apenas pequenas erupções cutâneas não era suficiente para descansar um planeta. Um documento da NASA refere as tentativas para estabelecer procedimentos de actuação quando se estivesse a navegar num “mar de ignorância” e enfatizou que os autores não poderiam prever o que se conseguiu com os testes delineados.

Testes estranhos e resultados incógnitos

A NASA alimentou, com algumas das suas preciosas amostras lunares da Apolo 11, baratas. E lançou-as em aquários com peixes. Também injectou amostras de material em ratos. Testes que não se sabe o proveito dos resultados, mas que a ciência da NASA entendeu ser “de importância vital”. Possivelmente foram estes resultados que permitiram à Agências Espacial Americana referir que as amostras de material da Lua estavam seguras na Terra.

Segundo informações, metade da poeira lunar utilizada foi esterilizada e a outra metade não. Posteriormente, as amostras foram usadas de formas diferentes de acordo com as espécies: ratos e codornizes receberam injecções, as amostras dos insectos foram misturadas na sua comida e, no caso dos animais aquáticos, o material lunar foi misturado à água em que eles viviam.

Testes foram conclusivos, mas com resultados discretos

Com efeito, após observação durante 30 dias, os animais saíram-se relativamente bem. As baratas que comeram poeira lunar – de acordo com a sua reputação – também estavam bem, apesar da sua dieta exótica. Além disso, os dados indicaram que quase todas as outras cobaias não apresentaram nada de relevante.

No entanto, houve uma excepção: na água, que continha poeira lunar misturadas, as ostras lá colocadas morreram. Os cientistas, no entanto, creditaram que esse resultado se deveu ao timing da experiência. As ostras estavam na temporada de reprodução.

Os resultados desses testes não forneceram nenhuma informação que indicasse que as amostras lunares trazidas pela missão Apolo 11 contivessem agentes replicantes perigosos para a vida na Terra.

Concluíram os autores de um artigo que relata os testes sobre “animais inferiores” publicado na revista “Science” um ano depois da Apolo 11.

A NASA também testou plantas para avaliar reacções adversas ao material lunar. As experiências incluíram cultivar sementes em solo lunar e testaram tomate, tabaco, repolho, cebola e fetos. Diferentemente dos testes com animais, algumas das plantas cresceram melhor no regolito – a camada solta de material heterogéneo e superficial que cobre uma rocha sólida e o tipo de material lunar em que as sementes foram plantadas – do que na areia que os investigadores usaram como parâmetro de comparação.

Procurar por seres vivos

Posteriormente houve um grande número de outras experiências semelhantes recorrendo a amostras das missões Apolo 12 e 14. Assim, no total, a agência testou 15 espécies diferentes de animais.

Simultaneamente, o material lunar também foi testado por si só em caixas de Petri para perceber se havia desenvolvimento de qualquer microorganismo.

[Os cientistas] não encontraram nenhum crescimento microbiano nas amostras lunares e não tinham nenhum microorganismo que eles, ao menos inicialmente, atribuíam a qualquer fonte extraterrestre ou lunar.

Referiu Hayes.

As baratas comeram a Lua

Finalmente, a NASA estava confiante de que o regolito lunar era inofensivo. Depois da Apolo 14, em 1971, a agência parou de testar animais e acabou com os rigorosos procedimentos de quarentena para os astronautas que voltavam da Lua. Além disso, também foram terminados os procedimento de quarentena para os técnicos de laboratório que trabalharam nas amostras lunares.

A NASA tinha bons motivos para eliminar os testes com animais.

Os cientistas planetários estavam descontentes com a quantidade de material que consideravam desperdiçado nestes testes e com a medida em que a quarentena diminuía o foco na investigação planetária.

Conforme informações publicadas num relatório da NASA.

Na verdade, quem acabou com a rocha lunar foram as baratas, que delas se alimentaram durante alguns anos. Assim, podemos dizer que baratas comeram a Lua.

pplware

Imagem: Space.com
Fonte: Space.com

[vasaioqrcode]

 

2312: Rocha lunar roubada em Portugal. Legado científico continua perdido

Bre Pettis / Flickr

Em 1973, Richard Nixon ofereceu a cada país um pequeno pedaço de rocha da Lua. Em 1985, a pedra lunar foi roubada do Planetário — um legado científico que, quase 35 anos depois, continua perdido.

Portugal teve uma rocha lunar de entre as muitas recolhidas pelos astronautas, há quase 50 anos, e que permitiram aos cientistas desvendarem mistérios. Algumas das amostras que se mantêm intactas vão agora ser estudadas.

Entre 1969 e 1972 foram recolhidos e trazidos para a Terra cerca de 400 quilos de rocha lunar, incluindo os 22 quilos de fragmentos extraídos pelos primeiros astronautas na Lua, há 50 anos.

Em 1973, num gesto de amizade para com o mundo, o presidente dos Estados Unidos Richard Nixon ofereceu a cada país um pequeno pedaço de rocha trazido da Lua.  Portugal foi um dos contemplados com a oferenda, mas por pouco tempo.

“Roubaram a pedra lunar do Planetário”. A expressão é de um título de uma notícia da edição de 11 de Julho de 1985 do extinto jornal Diário de Lisboa, que cita a antiga agência Notícias de Portugal.

O fragmento de rocha lunar que estava desde 1976 em exposição no Planetário Calouste Gulbenkian, da Marinha, em Lisboa, tinha sido furtado, desconhecendo-se o seu paradeiro. “Era o único exemplar que existia em Portugal”, lê-se na notícia. A exposição tinha sido inaugurada em Outubro desse ano pelo astronauta das missões Apolo 8 e 13 James Lovell Jr, que não esteve na Lua.

O pedaço de Lua dado a Portugal foi retirado em Dezembro de 1972 pelos astronautas da missão Apolo 17, a última, até hoje, a colocar humanos na superfície do satélite natural da Terra.

“Houve, de facto, uma pedra da Lua no Planetário que foi furtada em data anterior a 1988, não temos a data precisa”, respondeu à Lusa o serviço de informação da Marinha, sem dar mais detalhes, alegando que as pessoas que podiam contar o que se passou “já não estão vivas”.

Uma fotografia de Acácio Franco, que consta do arquivo da Lusa, mostra a caixinha com a bandeira portuguesa oferecida pelos Estados Unidos, mas sem a amostra da rocha lunar, que foi recolhida do Vale Taurus-Littrow e oferecida como “um símbolo da cooperação e do esforço de toda a humanidade”, lê-se numa inscrição.

O caso de Portugal não foi único. Há relatos sobre outros países onde fragmentos de rocha lunar foram furtados ou vendidos a coleccionadores privados, ou simplesmente desapareceram ou foram destruídos.

Graças às amostras enviadas para a Terra, os cientistas puderam estudá-las e determinar, por exemplo, a idade de Marte e Mercúrio e determinar que Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar, se terá formado próximo do Sol, afastando-se depois.

Conseguiram também compreender que a Lua nasceu praticamente ao mesmo tempo que a Terra, há 4,4 mil milhões de anos, em resultado de um impacto, e que a sua estrutura interna é constituída igualmente por uma crosta, um manto e um núcleo.

Em Março, a agência espacial norte-americana NASA, que levou o Homem à Lua, seleccionou equipas para “prosseguirem o legado científico” das missões Apolo e estudarem amostras de rocha que “foram guardadas cuidadosamente” e estiveram “intocáveis durante quase 50 anos”.

As equipas irão analisar fragmentos recolhidos pelos astronautas, com o auxílio de veículos, nas missões Apolo 15, 16 e 17, entre 1971 e 1972. As amostras, conservadas em vácuo, no gelo e em hélio, nunca foram expostas à atmosfera da Terra.

Com elas, os cientistas esperam aprofundar estudos sobre a actividade vulcânica da Lua e saber como o impacto de meteoritos afectou a geologia e a sua superfície, como corpos sem atmosfera reagem ao ambiente do espaço, como a água é retida em minerais ou na radiação e como pequenas moléculas orgânicas, precursoras dos aminoácidos, os alicerces da vida, foram preservadas.

ZAP // Lusa

Por Lusa
14 Julho, 2019

[vasaioqrcode]

 

1533: Estudo sugere que rocha lunar, trazida para a Terra, é originalmente oriunda do nosso planeta

Amostra de rocha lunar recolhida pela missão Apollo 14.
Crédito: NASA

Investigadores da Universidade Curtin (Austrália) que estudavam amostras de rochas lunares recuperadas por astronautas há quase 50 anos descobriram que uma das amostras pode ser originalmente da Terra, lançada para o espaço quando um asteróide atingiu o nosso planeta há milhares de milhões de anos.

O artigo, publicado na revista científica Earth and Planetary Science Letters, divulga que uma amostra recolhida durante a missão da Apollo 14, em 1971, contém vestígios de minerais com uma composição química comum na Terra mas muito invulgar para a Lua.

A amostra foi emprestada à Universidade Curtin pela NASA, onde foi investigada em cooperação com cientistas do Museu Sueco de História Natural, da Universidade Nacional Australiana e do Instituto Lunar e Planetário em Houston, EUA.

O professor Alexander Nemchin, autor do artigo, disse que a amostra de 1,8 gramas apresenta uma mineralogia semelhante à de um granito, o que é extremamente raro na Lua, mas comum na Terra.

“A amostra também contém quartzo, que é um achado ainda mais invulgar na Lua,” comenta o professor Nemchin.

“Ao determinar a idade do zircão encontrado na amostra, conseguimos identificar a idade da rocha hospedeira – cerca de 4 mil milhões de anos, tornando-a similar às rochas mais antigas da Terra.

“Além disso, a química do zircão nesta amostra é muito diferente da de qualquer outro grão de zircão já analisado em amostras lunares e notavelmente semelhante à dos encontrados na Terra.”

O professor Nemchin realça que a química do zircão na amostra lunar indica que se formou a baixas temperaturas e provavelmente na presença de água e em condições oxidadas, tornando-a característica da Terra e altamente irregular para a Lua.

“É possível que algumas dessas condições invulgares possam ter ocorrido muito localmente e muito brevemente na Lua, e a amostra é o resultado desse breve desvio da normalidade,” acrescentou.

“No entanto, uma explicação mais simples é que esta rocha foi formada na Terra e trazida para a superfície da Lua como um meteorito gerado pelo impacto de um asteróide que atingiu o nosso planeta há 4 mil milhões de anos, lançando material para o espaço e para a Lua.

“Impactos posteriores na Lua teriam misturado as rochas da Terra com as rochas lunares, incluindo no local da alunagem da Apollo 14, onde foi recolhida pelos astronautas e levada de volta para a Terra.”

Astronomia On-line
29 de Janeiro de 2019

[vasaioqrcode]