1793: Rios fluíram em Marte durante muito tempo

A linha tracejada assinala a posição do canal de rio preservado.Crédito: NASA/JPL/Universidade do Arizona/Universidade de Chicago

Há muito tempo, em Marte, a água esculpiu leitos de rios profundos à superfície do planeta – mas ainda não sabemos que tipo de clima os alimentou. Os cientistas não têm a certeza porque a sua compreensão do clima marciano, há milhares de milhões de anos, permanece incompleta.

Um novo estudo por cientistas da Universidade de Chicago catalogou esses rios para concluir que um escoamento significativo de rios persistiu em Marte durante mais tempo do que se pensava anteriormente. Segundo o estudo, publicado na edição de 27 de Março da revista Science Advances, o escoamento foi intenso – os rios em Marte eram mais largos do que os da Terra de hoje – e ocorreram em centenas de locais no Planeta Vermelho.

Isto complica a imagem para os cientistas que querem modelar o antigo clima marciano, disse o autor principal do estudo, Edwin Kite, professor assistente de ciências geofísicas e especialista tanto da história de Marte quanto dos climas de outros mundos. “Já é difícil explicar rios ou lagos com base nas informações que temos,” disse. “Isto torna um problema difícil ainda mais complexo.”

Mas, disse, as restrições podem ser úteis para analisar as muitas teorias que os investigadores propuseram para explicar o clima.

Marte é atravessado por trilhas distintas de rios extintos há muito tempo. As naves da NASA tiraram fotos de centenas destes rios a partir de órbita e, quando o rover Curiosity pousou em 2012, enviou imagens de seixos arredondados durante muito tempo no fundo de um rio.

Mas o porquê de Marte, no passado, ter tido água líquida, é um enigma. Marte tem hoje uma atmosfera extremamente fina e no início da sua história também recebia apenas um-terço da luz solar que a Terra de hoje recebe, o que não deveria fornecer calor suficiente para manter a água líquida. “De facto, mesmo no passado de Marte, quando havia água suficiente para a existência de rios durante algum tempo, os dados indicam que Marte era extremamente frio e seco no tempo restante,” explicou Kite.

Procurando uma melhor compreensão da precipitação marciana, Kite e colegas analisaram fotografias e modelos de elevação de mais de 200 antigos leitos de rios marcianos, abrangendo mais de mil milhões de anos. Estes leitos de rio são uma rica fonte de pistas sobre a água que os atravessou e o clima que os produziu. Por exemplo, a largura e a inclinação dos leitos dos rios e o tamanho do cascalho informam os cientistas sobre a força do fluxo da água e a quantidade de cascalho restringe o volume de água que passa.

A sua análise mostra evidências claras de escoamento persistente e forte que ocorreu no último estágio do clima húmido,” acrescentou Kite.

Os resultados fornecem orientação para aqueles que tentam reconstruir o clima marciano, disse Kite. Por exemplo, o tamanho dos rios implica que a água estava a fluir continuamente, não apenas ao meio-dia, de modo que os modeladores climáticos precisam de explicar um forte efeito de estufa para manter o clima aquecido o suficiente para temperaturas diurnas médias acima do ponto de congelamento da água.

Os rios também mostram forte fluxos até ao “último minuto” geológico antes do clima húmido ter secado. “Esperaríamos que diminuíssem gradualmente com o tempo, mas não é isso que vemos,” realça Kite. Os rios ficam mais curtos – centenas de quilómetros, em vez de milhares -, mas a descarga ainda é forte. “O dia mais chuvoso do ano ainda é muito molhado.”

É possível que o clima tenha tido uma espécie de interruptor ‘ligado/desligado’,” especulou Kite, que oscila entre os ciclos secos e molhados.

“O nosso trabalho responde a algumas perguntas existentes, mas levanta uma nova. O que está errado: os modelos climáticos, os modelos de evolução atmosférica ou a nossa compreensão básica da cronologia do Sistema Solar interior?”, concluiu.

Astronomia On-line
2 de Abril de 2019

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1774: Rios em Marte fluíam intensamente e eram mais largos do que os da Terra

ESA

Os rios em Marte fluíam intensamente e eram mais recentes do que se pensava anteriormente, conclui um estudo hoje divulgado, que estima que os rios marcianos eram quase duas vezes mais largos do que os actuais da Terra.

A síntese dos resultados da investigação é divulgada em comunicado pela American Association for the Advancement of Science (Associação Americana para o Avanço da Ciência), que edita a revista Science.

Segundo o estudo, Marte terá tido, há entre 3,6 mil milhões de anos e mil milhões de anos, e mesmo em períodos mais recentes que mil milhões de anos, escoamentos de água intensos, que estariam distribuídos por toda a superfície do planeta.

Se as estimativas das datas estiverem certas, os resultados podem sugerir, de acordo com os autores da investigação, que o planeta vermelho estaria a perder atmosfera mais rapidamente do que se calculava antes e que teria outros ‘condutores’ de precipitação na camada mais baixa da atmosfera.

De acordo com a mesma publicação, a perda destes rios não foi gradual, mas antes súbita, tal como menciona a mesma nota de imprensa. Os resultados complicam a imagem que os cientistas tentam modelar do antigo planeta marciano.

“Já é difícil explicar os rios e os lagos com as informações que temos. [As novas tornam um problema difícil ainda mais difícil, explicou o líder da investigação Edwin Kite, do Departamento de Ciências Geofísicas da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos.

A equipa de cientistas liderada por Edwin Kite, do Departamento de Ciências Geofísicas da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, baseou-se em imagens de vestígios de canais e calculou a intensidade do fluxo dos rios usando vários métodos, incluindo a análise do tamanho dos canais.

“O nosso trabalho responde a algumas questões, mas levanta uma nova: o que há de errado? Os modelos climáticos, os modelos de evolução da atmosfera ou a nossa compreensão básica da cronologia do Sistema Solar interior?” indagou.

A publicação foi esta quarta-feira publicada na Science.

ZAP // Lusa

Por ZAP
28 Março, 2019

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1630: Detectada uma rede ancestral de rios que fluía em Marte

ESA

Novas imagens da Mars Express da ESA mostram um belo exemplo de uma rede de rios secos em Marte, um sinal de que a água fluía na superfície do Planeta Vermelho.

Trata-se de um sistema de vales nas terras altas do sul de Marte, localizado a este da cratera gigante conhecida como Huygens e a norte de Hellas, a maior bacia do planeta.

Com entre 3500 e 4500 milhões de anos de idade, as terras altas do sul são algumas das partes mais antigas e com mais crateras de Marte, onde se observam muitos sinais ancestrais de fluxo de água.

A topografia desta região sugere que a água fluía costa abaixo desde o norte, formando vales de até dois quilómetros de largura e 200 metros de profundidade. Estes vales estão patentes hoje, mesmo após ter sofrido uma erosão significativa desde que se formaram. A erosão é visível em forma de bordas de vales quebradas, amolecidas, fragmentadas e dissecadas, especialmente em vales que se estendem de leste a oeste.

Este tipo de estrutura dentrítica também é observado em sistemas de drenagem na Terra. Um exemplo particularmente bom é o rio Yarlung Tsangpo, que serpenteia desde a sua nascente no Tibete ocidental através da China, Índia e Bangladesh.

No caso desta imagem de Marte, divulgada pela ESA, estes canais de ramificação provavelmente foram formados pelo escoamento de água da superfície de um rio, combinado com uma grande quantidade de chuva.

Acredita-se que este fluxo tenha cruzado o terreno existente em Marte, forjando novas estradas e esculpindo uma nova paisagem.

Em geral, o sistema de vales parece ramificar-se significativamente, formando um padrão parecido com ramos de árvores que vêm de um tronco central. Este tipo de morfologia é conhecido como “dendrítico”: o termo deriva da palavra grega para árvore (dendron). Vários canais separam-se do vale central, formando pequenos afluentes que frequentemente se dividem novamente.

Contudo, desconhece-se a origem de toda a água, estando entre as possibilidades a precipitação, os lençóis freáticos e/ou o derretimento de glaciares. Porém, todas estas opções exigiriam um passado muito mais quente e aquático de Marte do que o planeta que vemos hoje.

ZAP // Europa Press

Por ZAP
24 Fevereiro, 2019

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