1225: Os neandertais respiravam de forma diferente do Homo Sapiens

CIÊNCIA

Kojotisko / Flickr

A primeira reconstrução virtual em 3D da caixa torácica do mais completo esqueleto de neandertal até agora encontrado – o Kebara 2 – revelou uma mecânica respiratória diferente da utilizada pelo Homo Sapiens.

Levada a cabo por uma equipa internacional de cientistas, a investigação revelou informação bastante distinta da imagem estereotipada que temos do homem das cavernas.

De acordo com a investigação, publicada esta semana na revista científica Nature, a capacidade pulmonar dos neandertais era maior do que imaginávamos, e a sua coluna era também mais estável – mas há mais novidades.

“Determinar a forma do tórax é fundamental para compreender como é que os neandertais se movem no seu ambiente porque nos dá informações sobre sua respiração e equilíbrio”, explicou Gómez-Olivencia, da Universidade do País Basco, citado pela EFE.

A análise ao Kebara 2 revelou que as costelas inferiores dos neandertais são orientadas de forma mais horizontal, levando os cientistas a acreditar que a sua respiração era mais dependente do diafragma, em comparação ao Homo Sapiens, onde quer o diafragma como a caixa torácica interferem.

Para criar este modelo virtual do tórax, os cientistas realizaram basearam-se tanto nas observações directas do esqueleto do Kebara 2, actualmente na Universidade de Tel Aviv, em Israel, bem como em tomografias das vértebras, costelas e ossos pélvicos. Reunidos todos os elementos anatómicos, a reconstrução virtual foi feita através de um software especialmente desenhado para este fim.

Diferenças são impressionantes

De acordo com Daniel García Martínez e Markus Bastir, investigadores do Museu Nacional de Ciências Naturais e co-autores da investigação, as diferenças entre um tórax de neandertal e de um ser humano moderno são “impressionantes”.

“Nos neandertais, a posição da coluna em relação às costelas sugere uma coluna mais estável, sendo também o tórax é mais largo na parte inferior”, explicaram.

“Um tórax mais alargado na sua parte inferior e as costelas orientadas mais horizontalmente, como pode ser visto na reconstrução, sugerem que a respiração dos neandertais dependia mais do diafragma”, explicou Ella Been do Ono Academic College, em Tel Aviv, Israel.

Been acrescentou ainda que, em sentido oposto, a respiração da nossa espécie depende do diafragma, mas também da caixa torácica.

“Neste estudo, podemos ver como é que o uso de novas tecnologias e metodologias no estudo de restos fósseis fornecem novas pistas para entender espécies extintas“, acrescentou Mikel Arlegi da Universidade de Bordéus, em França.

Em comunicado, e em tom de conclusão, Patricia Kramer, da Universidade norte-americana de Washington, afirma: “Este é o culminar de 15 anos de pesquisa sobre o tórax de neandertal e esperamos que futuras análises genéticas nos deem pistas adicionais sobre a sua fisiologia respiratória.

Os neandertais eram caçadores-colectores que habitavam a Eurásia Ocidental durante mais de 200 mil anos, durante períodos glaciais e interglaciais, até se extinguirem há cerca de 40 mil anos.

ZAP // EFE / EuropaPress

Por ZAP
1 Novembro, 2018

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1208: Vídeo de floresta a “respirar” colocou as redes sociais em alvoroço (mas já há uma explicação)

-. Este vídeo não faz parte do artigo abaixo. Fui descarregá-lo ao Youtube e deveria fazer parte do artigo publicado no ZAP…

CIÊNCIA

(CC0/PD) Kai Dörner / Unsplash

Um vídeo, filmado no início deste mês numa floresta em Sacre-Coeur, Quebec, no Canadá, mostra aquilo que parece ser a Terra a fazer um exercício de respiração profunda. Estará ela descontente ou a respirar de alívio?

Não é um terramoto, nem o ressonar de uma divindade da floresta. Aliás, a explicação real para este fenómeno é muito menos interessante do que poderíamos imaginar, e muito menos aterrorizante também. Vento: este é o verdadeiro culpado.

No início deste mês, foi filmado um vídeo intrigante numa floresta em Sacre-Coeur, Quebec, no Canadá, que mostra aquilo que parece ser a Terra a fazer um exercício de respiração profunda. Mil e um teorias à volta deste fenómeno, muitas que nos poderiam levar a pensar que sim, a Terra pode estar mesmo muito chateada connosco. Mas, afinal, é só vento.

“Durante um evento de chuva e tempestade de vento, o solo fica saturado, ‘afrouxando’ a coesão do solo com as raízes enquanto o vento sopra na copa de uma árvore”, explicou Mark Vanderwouw, arborista que trabalha na Shady Lane Expert Tree Care em Ontário, no Canadá.

“O vento está a tentar empurrar as árvores, e à medida que a força é transferida para as raízes, o solo começa a ‘levantar’.” Na verdade, o que acontece é um choque entre os elementos: vento versus raiz; ar versus terra.

De acordo com o especialista, se o vento soprasse um bocadinho mais forte, as raízes das árvores provavelmente começariam a partir, e a floresta, consequentemente, a cair. Um cenário que não deveria ser assim tão bonito de se assistir.

Se estava à espera de uma razão mais emocionante do que o vento, não desespere. Lembre-se que a floresta respira mesmo. As árvores substituem o dióxido de carbono (CO2) por oxigénio através da fotossíntese. No solo, pequenos micróbios devoram o CO2, armazenado nas raízes e nas folhas mortas, e libertam-no de volta para o ar.

Por isso, sim, as florestas devem respirar, mas não de uma forma notória. A chamada respiração do solo, por exemplo, tem acontecido com muita mais frequência nos últimos 25 anos, tudo por causa das alterações climáticas. No fundo, as mudanças que estão a ocorrer no nosso planeta estão a causar a hiperventilação da natureza.

ZAP // Live Science

Por ZAP
28 Outubro, 2018

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