1404: Réptil mais misterioso do Jurássico pode ter tido sangue quente

CIÊNCIA

(dr) Dean R. Lomax
Ilustração de um Ichthyosaurus

Com mais de 180 milhões de anos de idade, um fóssil do réptil marinho possui a primeira evidência química directa de sangue quente.

Um grupo internacional de cientistas estudou o fóssil extremamente bem preservado de um réptil antigo, primo dos actuais golfinhos, que viveu no oceano que se situava no território actual da Alemanha há cerca de 180 milhões de anos.

Os resultados da investigação, conduzida por investigadores da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos EUA, e da Universidade de Lund, na Suécia, foram publicados pela revista Nature a 5 de Dezembro.

De acordo com o estudo, as análises molecular e micro-estrutural do fóssil mostraram que o réptil marinho antigo, classificado como Stenopterygius ichthyosaur, era semelhante a um golfinho moderno e não só em aparência – provavelmente tinha sangue quente, gordura isolante e usava a coloração como camuflagem contra predadores.

“Os ictiossauros são interessantes, porque têm muitas características em comum com os golfinhos, mas não estão relacionados em tudo com estes mamíferos que vivem no mar”, disse a co-autora da pesquisa, Mary Schweitzer, paleontóloga e bióloga da Universidade Estadual da Carolina do Norte.

“Não estamos seguros da sua biologia. Têm muitas características em comum com os répteis marinhos vivos, como as tartarugas, mas sabemos, graças ao registo do fóssil, que eles eram vivíparos, que está associado com o sangue quente”, acrescentou.

Primeira evidência directa de sangue quente

Johan Lindgren, professor da Universidade de Lund e principal autor do estudo, ressalta que “tanto o contorno do corpo como os restos dos órgãos internos são visíveis”. “É surpreendente que o fóssil esteja tão bem preservado ao ponto de ser possível observar camadas celulares individuais dentro da pele”, sublinhou o cientista.

Também foi observado o material quimicamente compatível com gordura de vertebrados, que só é encontrada em animais capazes de manter a temperatura corporal independente das condições ambientais. Ao aplicar uma série de técnicas especiais de alta resolução, os investigações encontraram evidências químicas de gordura subcutânea no fóssil.

“Esta é a primeira evidência química directa de sangue quente num ictiossauro, porque a gordura é uma característica de animais de sangue quente“, disse Schweitzer.

O estado de conservação permitiu ainda que fossem identificadas micro-estruturas do tipo celular que continham pequenos órgãos de pigmentos dentro da pele, assim como vestígios de um órgão interno que poderia ter sido o fígado do dinossauro.

ZAP // Sputnik

Por ZAP
10 Dezembro, 2018

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1272: As mais antigas pegadas de réptil já encontradas estão no Grand Canyon

CIÊNCIA

Stephen Rowland

Milhares de pessoas passam todos os dias no Parque Nacional do Grand Canyon, nos EUA. Até agora, passaram despercebidas 28 pegadas deixadas por uma criatura pequena, semelhante a um réptil, com 310 milhões de anos.

“É o trilho de pegadas mais antigo já descoberto, num intervalo de rochas que ninguém achava que teria caminhos, e estão entre as primeiras pegadas de répteis do planeta“, disse Steve Rowland, professor de geologia da Universidade do Nevada que estuda caminhos fósseis na região.

Rowland, que apresentou as descobertas no recente encontro anual da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados, referiu que as pegadas foram criadas na altura em que o super-continente Pageia ainda se estava a formar.

O investigador foi alertado pela primeira vez para o fóssil na primavera de 2016 por um colega que estava a percorrer o trilho com um grupo de estudantes.

“A minha primeira impressão foi que parecia muito estranho por causa do movimento lateral”, disse Rowland. “Parecia que dois animais estavam a andar lado a lado. Não fazia nenhum sentido”.

Quando chegou em casa, fez desenhos detalhados e começou a formular hipóteses sobre a “peculiar linha” deixada pela criatura. “O animal poderia estar a andar contra um vento muito forte que soprava de lado”, disse ele.

Stephen Rowland
Ilustração do movimento do réptil feito por Stephen Rowland

Outra possibilidade era o declive ser muito íngreme e o animal ter-se esquivado enquanto subia a duna de areia. Mais uma alternativa: o animal poderia estar a lutar com outra criatura ou envolvido num ritual de acasalamento.

Rowland planeia publicar as descobertas com o geólogo Mario Caputo, da Universidade de San Diego, em Janeiro. O investigador também espera que a pedra seja colocada no museu de geologia do Parque Nacional do Grand Canyon para fins científicos e interpretativos.

Enquanto isso, Rowland considera a possibilidade de as pegadas pertencerem a uma espécie de réptil que ainda não foi descoberta.

Os primeiros dinossauros, de acordo com paleontólogos, surgiram no fim do período Triássico, ou seja, há 240 milhões de anos. O concorrente principal dos dinossauros eram os crocodilos. Dinossauros e crocodilos são parentes próximos, cujos antepassados se dividiram em meados do período Triássico.

A criatura, cujas pegadas foram encontradas, terá sido um dos primeiros representantes da sua espécie, deixando pegadas que resistiram 310 milhões de anos, ou seja, 2 milhões de anos após o possível aparecimento dos répteis.

ZAP // Sputnik

Por ZAP
12 Novembro, 2018

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1270: Antigos monstros marinhos encontrados em Angola contam história do Atlântico

CIÊNCIA

5telios / Flickr
Crânio de um mosassauro

Nos primeiros tempos de vida do Oceano Atlântico Sul, eram os monstros marinhos que assumiam o comando. Alguns dos seus ossos apareceram ao longo da costa da África Ocidental e estão agora em exposição no Smithsonian Institution, em Washington, contando uma história sobre o nascimento sangrento do oceano.

Os fósseis de gigantescos répteis nadadores chamados de mosassauros foram encontrados nas falésias rochosas de Angola. Não é um país conhecido por fósseis. Aliás, poucos cientistas deram atenção, mas geologicamente, Angola é especial.

Há cerca de 200 milhões de anos, a África fazia parte do super-continente Gondwana. Há 135 milhões de anos atrás, esse continente começou a “partir-se” ao meio e entre os remanescentes  estavam a África e a América do Sul, que lentamente se afastaram.

O Oceano Atlântico Sul preenchia a lacuna entre eles. Como conta o NPR, esta foi uma época de grande turbulência oceânica, na qual ocorreram grandes mudanças no nível médio da água do mar e na temperatura. Criava-se assim um novo habitat, e as criaturas do mar lutavam para possuí-lo.

Dessa luta, saíram vitoriosos os mosassauros que se mantiveram durante mais de 30 milhões de anos. O paleontólogo Louis Jacobs, da Universidade Metodista do Sul, em Dallas,refere que os fósseis encontrados no litoral do país contam a história dos primeiros dias do oceano e de algumas das primeiras criaturas que viveram lá.

O cientista, juntamente com os seus colegas, está a reconstruir uma esqueleto de um mosassauro. Michael Polcyn começou esta tarefa na sua sala de jantar, mas o esqueleto ficou tão grande que agora está pendurado no porão do departamento da universidade. A cauda e pescoço sinuosos, a caixa torácica e um braço de aparência fraca estão pendurados por hastes e fios.

Os mosassauros eram um monstro marinho que parecia ser metade lagarto e metade orca e eram tão grandes que chegavam a medir cerca de 15 metros de comprimento. Muito provavelmente, dizem os cientistas, estes animais tinham escamas e uma poderosa barbatana caudal semelhante à de um tubarão.

Jacobs adianta que os mosassauros, estas criaturas de um passado longínquo, movimentavam-se como os lagartos. “Os seus corpos flexionavam-se de um lado para o outro.” Polcyn acrescentou que estes animais eram verdadeiros nadadores e predadores de perseguição.

Mas no Atlântico antigo, os mosassauros não estavam sozinhos: havia também tartarugas, tubarões e outros grandes répteis na época. Ainda assim, os mosassauros eram o equivalente marinho dos tiranossauros em terra.

Para Polcyn, Angola foi um verdadeiro jackpot de mosassauros. “A primeira vez que pisamos este país, foi incrível”, diz ele. “Não podíamos dar um passo sem encontrar um novo fóssil. O solo estava repleto deles.”

Os investigadores encontraram seis espécies no país africano. Jacobs diz que esta descoberta adianta mais do que a simples (mas enorme) dimensão destes animais: esta descoberta conta a história de como um novo oceano surgiu e que tipo de condições foram criadas para que isso acontecesse.

Conta como o novo Oceano Atlântico se elevou e aqueceu; como os ventos agitaram as águas profundas cheias de nutrientes, como é que os nutrientes atraíram peixes e grandes tartarugas e como é que esses animais, por sua vez, atraíram grandes tubarões e, finalmente, uma explosão de répteis gigantes.

Esta era uma história que poderia ter continuado se um asteróide não tivesse atingido a Terra e acabado com os répteis gigantes e com os dinossauros, dando lugar a mamíferos peludos como nós.

ZAP //

Por ZAP
10 Novembro, 2018

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1026: Descoberta nova espécie de réptil que viveu no Brasil há 237 milhões de anos

CIÊNCIA

(dr) Renata Cunha
Ilustração da espécie recém-descoberta

Um fóssil doado anonimamente para o Museu Municipal Aristides Carlos Rodrigues, na região do Rio Grande do Sul, está a fomentar o conhecimento sobre o Período Triássico no território que hoje conhecemos como o Brasil.

Cientistas das universidades federais do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Vale do São Francisco (Univasf) descobriram que os restos fossilizados pertenciam a uma espécie de réptil até então desconhecida, que viveu há 237 milhões de anos.

A nova espécie foi descrita recentemente num artigo publicado na revista científica Zoological Journal of the Linnean Society.

O Triássico é o primeiro período da Era Mesozoica – que teve ainda o Jurássico (entre 195 a 136 milhões de anos) e o Cretáceo (entre 136 a 65 milhões de anos). Este é um momento especialmente importante na história da vida dos animais terrestres, uma vez que é o intervalo de tempo no qual surgiram os primeiros dinossauros, além dos ancestrais dos lagartos, crocodilos e mamíferos actuais.

Compostos por um crânio, uma mandíbula, algumas vértebras do pescoço e placas ósseas do dorso do animal, os vestígios fossilizados foram analisados com recurso a técnicas de tomografia computorizada. A partir desta análise, os cientistas obtiveram muita informação sobre a anatomia dos ossos do animal sem danificá-los.

(dr) Marcel Lacerda
O fóssil doado ao museu brasileiro

Quando descreveram a nova espécie, os investigadores não sabiam exactamente onde é que fóssil tinha sido encontrado e, por isso, baptizaram-na de Pagosvenator candelariensis, em homenagem à cidade de Candelária – município onde se localiza o museu, conhecido pela sua riqueza em locais paleontológicos de grande valor científico.

O “caçador dos pagos”

O nome atribuído à espécie significa “caçador da região de Candelária”. Na gíria brasileira, “pago” ou “pagos” é um jargão utilizado para se referir à cidade natal ou à origem de alguém. O termo, que deriva do latim pagus, significa aldeia, região ou província. Venator, também do latim, quer dizer caçador.

De acordo com o líder da investigação, Marcel Lacerda, da UFRGS, o Pasgosvenator era um animal de porte médio, com até 3 metros de comprimento e há fortes evidências – tendo em conta espécies semelhantes – de que seria um quadrúpede.

“Devido aos dentes longos, recurvados e com serrilhas que o animal possuía, podemos inferir também que provavelmente era carnívoro“, revelou, acrescentando que o animal alimentava-se provavelmente de animais pequenos e ou médios.

Marco França, professor de Paleontologia da Univasf e co-autor do estudo, foi responsável pela análise mais detalhada da linhagem evolutiva e dos parentescos da nova espécie.

De acordo com França, o Pagosvenator pertence ao grande grupo dos arcossauros, que, por sua vez, se divide em dois subgrupos: um formado por dinossauros, pterossauros e aves, e outro pelos ancestrais dos crocodilos modernos.

“O animal não tem relação com as aves nem com os dinossauros, mas está na linhagem que deu origem aos crocodilos, embora seja ainda muito distante deles”, explica. Especificamente, o grupo a que pertence o Pagosvenator é chamado de Erpetosuchidae.

“Apesar de ser conhecido e estudado há muito tempo – desde o século XIX -, não há muitas informações sobre a anatomia e as relações de parentesco entre os elementos deste grupo”, explica Marco França.

(dr) Renata Cunha

A pesquisa revela-se especialmente importante porque dá continuidade a outros estudos que visam compreender a região onde o réptil viveu há 230 milhões de anos. “Graças a estas pesquisas, hoje sabemos que os predadores desta época eram bem diversos”. “Vários destes animais, como o próprio Pagosvenator candelariensis, eram maiores do que os dinossauros do mesmo período”.

Dessa forma, a descoberta amplia o conhecimento das espécies fósseis do Rio Grande do Sul e do Brasil, e aumenta a compreensão dos processos evolutivos que levaram à diversidade de registos fósseis do país.

“Toda a nova informação é útil para conseguirmos entender como eram o ambiente e a fauna da época. São dados que ajudam a contar a história da diversidade da vida daquele período”, concluiu Marcel Lacerda.

ZAP // BBC

Por ZAP
17 Setembro, 2018

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959: Primo mais novo de Godzilla lança o pânico na Florida

CIÊNCIA

Jennifer Stahn / Flickr
Apesar de a espécie não ser nativa da Florida, estes animais estão espalhados por todo o estado norte-americano

Uma família da Florida tem medo de usar a sua piscina – e tem boas razões para isso. Na semana passada, a família viu um lagarto gigante (Varanus salvator) do tamanho de um humano adulto à espreita no seu quintal.

A família Lieberman vive em Davie, uma vila norte-americana localizada na Florida, e descobriu um estranho visitante a preambular no seu quintal – sem que para isso fosse convidado. Zack e Maria Lieberman, proprietários da habitação, disseram aos média locais que os animais eram tão grandes que temiam pela segurança dos seus dois filhos.

O enorme réptil – que foi identificado como uma lagarto monitor de água asiático (Varanus salvator) tem cerca de 2 metros de comprimento, de acordo com o Local 10 News. Durante vários dias, o gigante réptil aparece diversas perto da casa dos Lieberman, mas conseguiu sempre escapar aos caçadores locais e às autoridades da vida animal.

“O primo mais novo do Godzilla estava bem ali [no jardim]. Foi alarmante para mim e aterrorizador para a minha esposa e filhos”, disse Zach Lieberman.

Um vizinho da família alegou que o animal era um lagarto de estimação que tinha fugido. No entanto, como ninguém reportou o seu desaparecimento, o animal pode ser capturado por qualquer pessoa com uma permissão, segundo o Florida Fish and Wildlife Conservation Commission.

De acordo com o Miami Herald, um cão que está a ajudar as autoridades durante as buscas conseguiu rastrear o cheiro do réptil, levando os investigadores até uma toca que parecia promissora, mas que se encontrava vazia.

Enormes invasores

Os lagartos Varanus salvator pertencem a um grupo de répteis predadores com pescoços longos, línguas bifurcadas e caudas e corpos musculados. Estes animais são nativos da Ásia, África e Oceânia porém, muitos destes espécimes se tenham estabelecido nas Américas como espécie invasora.

O Varanus salvator é um familiar próximo do famoso dragão-de-Komodo (Varanus komodoensis), que é considerado o maior lagarto do mundo, podendo crescer até aos 3 metros de comprimento.

Felizmente para os habitantes da Florida, os dragões de Komodo só foram encontrados em habitats insulares da Indonésia, mas os seus familiares próximos foram levados para os EUA como animais de estimação exóticos, acabando por ser libertados na natureza.

Entretanto, a perseguição ao lagarto continua. As equipas continuam com as buscas, tentando atrair o enorme invasor com coxas de frango, revelou o 7 News Miami.

Por ZAP
4 Setembro, 2018

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