5291: O maior lagarto do mundo tem uma peculiar história de reprodução

CIÊNCIA/BIOLOGIA

zoofanatic / Flickr

O dragão de Komodo (Varanus komodoensis), o maior lagarto à face da Terra, tem uma estranha história de reprodução, de acordo com uma nova investigação científica levada a cabo pela Universidade Nacional da Austrália.

De acordo com o novo estudo, cujos resultados foram publicados na revista Systematic Biology, é muito provável que este animal, que agora “mora” na Indonésia, se tenha originado na Austrália, tal como evidenciam registos fósseis anteriormente documentados.

Durante o tempo em que habitou a Austrália, sugerem os cientistas na mesma investigação, o dragão de Komodo cruzou-se com uma espécie diferente de lagarto, um ancestral de lagarto-monitor de areia, uma espécie de goanaa.

Em comunicado, o principal autor do estudo afirma que a sua equipa descobriu a primeira evidência clara de que este tipo de cruzamento, conhecido como hibridização, ocorre com lagartos-monitores selvagens. “Este estudo prova que a hibridização pode ter um efeito de longa duração”, começa por explicar Carlos Pavón Vázquez.

“Neste caso, aconteceu há milhões de anos, mas os sinais ainda estão presentes nos [lagartos] monitores de areia. [Estes animais] têm mais em comum com o dragão de Komodo do que esperávamos”, continua o especialista, detalhando: “Os [lagartos] monitores de areia existem apenas na Austrália e no sul da Nova Guiné, enquanto o dragão de Komodo só se encontra em meia dúzia de ilhas da Indonésia. Para se terem cruzado, devem ter vivido juntos em algum período de tempo no passado”.

Os novos resultados, sustenta, “apoiam a teoria de que os dragões de Komodo se originaram na Austrália e seguiram para a Indonésia antes de se extinguirem aqui [na Austrália]”.

Vázquez considera que a investigação abala todo o conhecimento existente sobre a Biologia dos dragões de Komodo, animais cujo comprimento pode chegar aos três metros.

“Anteriormente, presumia-se que o dragão de Komodo era um bom exemplo daquilo que os biólogos chamam de “regra da ilha” – com animais menores a crescer num ambiente insular. Mas as nossas descobertas oferecem evidências mais fortes de que o dragão de Komodo já era enorme quando se originou na Austrália”, disse o investigador.

O autor principal do estudo destaca ainda que quanto mais conhecimento se reunir sobre a Biologia deste gigante réptil, mais fácil será protegê-lo de eventuais ameaças, sejam estas de origem ambiental ou humana.

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Por ZAP
9 Março, 2021


2681: Mosquitos geneticamente modificados estão a reproduzir-se no Brasil

CIÊNCIA

Frank Hadley Collins / Sanofi Pasteur / Flickr
Fêmea de Aedes aegypti, mosquito que pode transmitir três doenças: zika, dengue e chikungunya

Mosquitos geneticamente modificados estão a reproduzir-se no Brasil, segundo uma investigação recentemente publicada. A empresa responsável pela criação destes insectos mutantes realça que não há perigo para a saúde das pessoas.

O plano para reduzir a população local de mosquitos na cidade de Jacobina, no Brasil, saiu totalmente furado. Com a ideia geral de travar a disseminação de doenças transmitidas por este insecto, como febre amarela, dengue e zika, os cientistas soltaram 450 mil mosquitos geneticamente modificados.

“A alegação era de que os genes da cepa libertada não entrariam na população geral porque as suas crias morreriam. Isso obviamente não foi o que aconteceu“, explicou Jeffrey Powell, autor do estudo publicado na semana passada na revista Scientific Reports.

A verdade é que os mosquitos geneticamente modificados conseguiram reproduzir-se com os outros mosquitos, elevando ainda mais a sua população na região. A experiência iniciada em 2013 foi realizada pela empresa de biotecnologia britânica Oxitec e os resultados conseguidos estão a levantar preocupações em relação à sua segurança.

O objectivo inicial da Oxitec era reduzir a população em 90%, sem afectar a sua integridade genética. De acordo com o Gizmodo, apesar de assegurarem o contrário, cientistas da Universidade de Yale acompanharam o desenvolvimento da experiência e detectaram material genético dos mosquitos geneticamente modificados na população local.

Os investigadores descobriram “claras evidências” de que partes do genoma dos mosquitos transgénicos “foram incorporados na população-alvo”.

“Baseado amplamente em estudos de laboratório, é possível prever qual será o resultado provável da libertação de mosquitos transgénicos, mas estudos genéticos do tipo que fizemos devem ser feitos durante e após essas libertações para determinar se aconteceu algo diferente do previsto”, explicou Powell.

A Oxitec previa que três quartos das crias de mosquitos conseguiriam sobreviver até à idade adulta, mas que seriam demasiado fracos para se reproduzirem. Contudo, não foi isso que se verificou.

Inicialmente, as suas aspirações até estavam bem encaminhadas, com a população de mosquitos em Jacobina a decrescer significativamente. Porém, viria a recuperar, chegando quase aos níveis iniciais. Os cientistas acreditam que isto se tenha devido a uma discriminação por parte das fêmeas, que se recusaram em acasalar com machos modificados geneticamente.

Um porta-voz da Oxitec disse à Gizmodo que a empresa está “actualmente a trabalhar com os editores da Nature Research [a revista científica responsável pela publicação] para remover ou corrigir substancialmente o artigo, que contém inúmeras alegações e declarações falsas, especulativas e sem fundamento sobre a tecnologia dos mosquitos da Oxitec”.

De acordo com o porta-voz, a investigação não identificou nenhum “efeito negativo, deletério ou imprevisto para as pessoas ou para o meio ambiente da libertação dos mosquitos”.

Entretanto, a Scientific Reports adicionou uma nota no artigo em que realça que a investigação está sujeita a críticas que estão a ser consideradas por responsáveis da revista científica.

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21 Setembro, 2019

 

2513: Ainda há esperança. Corais do Atlântico reproduziram-se pela primeira vez em laboratório

CIÊNCIA

(dr) Florida Aquarium

Este é um avanço histórico que poderia ajudar a salvar corais em todo o mundo, incluindo o ameaçado recife da Florida, nos Estados Unidos.

O Aquário da Florida, nos Estados Unidos, conseguiu que o coral Dendrogyra cylindrus, que pode ser encontrado no Oceano Atlântico e no Mar das Caraíbas, conseguisse desovar pela primeira vez em laboratório, avança o site IFLScience.

De acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), a reprodução de corais é um processo sensível e pode ocorrer tanto de forma assexuada como sexuada. Muitos corais produzem muitos gametas masculinos e femininos para eventualmente libertarem enormes nuvens de espermatozóides e óvulos na coluna de água.

As condições para que isso aconteça têm de ocorrer sob as circunstâncias certas e, embora os cientistas ainda não tenham a certeza de todas as variáveis, acreditam que estão relacionadas com a temperatura, a duração do dia e talvez até os ciclos lunares. Conclusão: todas fazem com que a reprodução em laboratório seja extremamente difícil.

Como parte do Project Coral, cientistas do Centro de Conservação do mesmo aquário conseguiram induzir a desova em corais com recurso a tecnologia inovadora. Especialistas imitaram o ambiente natural destes animais ao manipular a iluminação, incluindo a reprodução do momento do nascer e pôr do Sol e da Lua.

“Quando temos uma boa criação, uma boa qualidade da água e todos os estímulos ambientais certos, isto é o que podemos fazer, podemos mudar o jogo para a restauração de corais”, afirma Keri O’Neil, cientista especializado em corais.

Os conservacionistas de corais acreditam que este trabalho poderá salvar corais em todo o mundo, incluindo o ameaçado recife da Florida, que já viu serem afectadas nos últimos anos cerca de 25 espécies de corais.

“Muitos especialistas em corais não acreditavam que isto seria possível, mas nós aceitámos o desafio e dedicámos os nossos recursos e conhecimento para alcançar este resultado monumental. Continuamos firmemente comprometidos em salvar a única barreira de coral da América do Norte e agora vamos trabalhar ainda mais para proteger e restaurar o nosso Planeta Azul”, afirmou num comunicado Roger Germann, presidente e CEO do aquário.

De acordo com o aquário, a equipa conseguiu induzir artificialmente uma desova em 2013 e, desde então, gerou 18 espécies de corais do Pacífico, mas a desova do Atlântico tinha sido um desafio até agora.

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25 Agosto, 2019

 

2510: Planta que não se reproduzia há 60 milhões de anos no Reino Unido revivida pelas alterações climáticas

CIÊNCIA

(dr) Ventnor Botanic Garden
Um cone macho de Cycas revoluta.

Há 60 milhões de anos que as cicas não se reproduziam no Reino Unido. Agora, com a subida das temperaturas devido às alterações climáticas, fizeram-no pela primeira vez.

As cicas são plantas lenhosas muito parecidas com as palmeiras, com as quais são confundidas frequentemente. Os exemplares mais antigos podem ser encontrados no Japão junto a templos e santuários. A Cycas revoluta é considerada um “fóssil vivo”, porque as suas características mantêm-se praticamente inalteradas desde a sua origem no início da era Mesozoica.

Encontradas com maior frequência em habitats tropicais e subtropicais, estas plantas estão agora a fazer um regresso natural ao Reino Unido, 60 milhões de anos depois. Segundo a VICE, com o agravamento do aquecimento global, tanto fêmeas como machos estão a surgir em ilhas britânicas.

Cicas são normalmente mantidas em jardins interiores nas grandes latitudes, mas no Jardim Botânico de Ventnor, na Ilha de Wight, são mantidos no exterior, onde normalmente é demasiado frio para que desenvolvam os cones necessários para se reproduzirem.

Um cone macho surgiu pela primeira vez no verão de 2012, em Ventnor, mas sem companhia feminina à vista. No entanto, este mês, o jardim botânico anunciou no seu blogue oficial o primeiro cone fêmea fora de portas no Reino Unido.

“Isto dá-nos uma excelente oportunidade de transferir o pólen e gerar sementes pela primeira vez no Reino Unido em 60 milhões de anos”, lê-se no blogue. Com a subida das temperaturas no país, as plantas sentiram-se em condições para produzir os cones necessários à reprodução.

Apesar de naturalmente as cicas serem polinizadas por besouros, o Jardim Botânico de Ventnor vai fertilizar as sementes manualmente. Esta será a primeira nova geração desta plantas nos últimos milhões de anos.

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Por ZAP
25 Agosto, 2019