3959: Reconstrução 3D mostra rosto de homem da Idade da Pedra

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA

(dr) Oscar Nilsson

Oscar Nilsson, um artista forense sueco, reconstruiu virtualmente a aparência de um homem da Idade da Pedra, cujo crânio sem mandíbula foi encontrado em 2012.

Em 2012, arqueólogos suecos encontraram um cemitério de pessoas que terão vivido há cerca de 8 mil anos. Lá, descobriram 11 crânios submersos que, segundo a investigação, foram datados da época da Idade da Pedra. Apenas dois crânios tinham mandíbulas.

Oscar Nilsson, um artista forense sueco, decidiu fazer uma reconstrução em 3D de um homem da Idade da Pedra, utilizando a informação genética e anatómica disponível. O artista criou um busto de um homem com, aproximadamente, 50 anos, de olhos azuis, cabelo castanho e pele pálida, que seguramente pertencia a um grupo de caçadores-colectores.

Para recriar o rosto sem danificar o crânio, o especialista realizou uma tomografia computorizada e imprimiu uma réplica tridimensional em plástico.

Pelo facto de não possuir mandíbula, Nilsson baseou-se nas medições do crânio para o recriar proporcionalmente. Segundo o Live Science, o especialista também utilizou métodos forenses para determinar como seriam os músculos, a pele e outras características faciais.

Para escolher a indumentária e o penteado do homem, Nilsson inspirou-se nos restos de animais selvagens (ursos pardos, veados, javalis e alces) que foram encontrados no cemitério sueco.

“Acredito que os animais eram muito importantes para estas pessoas. Este homem está, de alguma forma, conectado com javalis: além de usar a pele dos animais, o seu penteado é inspirado neles”, explicou.

O homem da Idade da Pedra apresenta ainda uma ferida, de cerca de 2,5 centímetros, na cabeça. Por apresentar sinais de cicatrização, os investigadores concluíram que o ferimento não foi a causa da morte do indivíduo.

As pinturas de giz branco no peito é uma alusão a uma das práticas mais conhecidas entre estes povos da Idade da Pedra. “É um lembrete de que não podemos entender o gosto estético, apenas observá-lo. Não temos motivos para acreditar que estas pessoas estavam menos interessadas na sua aparência e em expressar a sua individualidade do que estamos hoje”, justificou Nilsson.

O artista salvaguarda que esta ideia é totalmente especulativa, mas sublinha que “uma descoberta tão específica como esta exige uma interpretação correspondente”.

Esta nova reconstrução facial fornece um raro vislumbre do passado. Apesar de não ser perfeita, nem totalmente precisa, é bem-sucedida.

ZAP //

Por ZAP
6 Julho, 2020

 

spacenews

 

2115: Milhares de réplicas de um terramoto de 1959 espalharam-se por Yellowstone 60 anos depois

CIÊNCIA

Acroterion / Gaendalf / Wikimedia

Um enxame de milhares de minúsculos terramotos que se espalharam por baixo do Parque Nacional de Yellowstone em 2017 e 2018 podem ser os muito aguardados tremores secundários de um terramoto muito maior – que atingiu há 60 anos.

Num artigo publicado em 30 de Abril na revista Geophysical Research Letters, os investigadores examinaram a sismicidade de cerca de 3.345 terramotos que ocorreram perto de Maple Creek em Yellowstone, no canto noroeste do parque, entre Junho de 2017 e Março de 2018.

Os cientistas descobriram que, por cerca de metade destes terramotos menores, as ondas sísmicas abaixo do parque ondularam ao longo da mesma linha de falha, e na mesma direcção exacta, como as ondas do chamado evento Lago Hebgen – um terramoto gigantesco de magnitude 7,2 que ocorreu em 1959 e matou 28 pessoas.

A equipa não viu nenhum sinal de que este grupo de terramotos tivesse sido causado pelo movimento do magma sob o parque, levando-os a concluir que os terramotos eram, na verdade, um conjunto de tremores sísmicos que aconteceram há seis décadas.

“Este tipos de terramotos em Yellowstone são muito comuns”, disse o co-autor do estudo, Keith Koper, director das Estações Sismográficas da Universidade de Utah, em comunicado. No entanto, este enxame “foi um pouco mais longo e teve mais eventos do que o normal”.

Segundo os autores do estudo, este evento não é inédito e casos semelhantes surgiram nas proximidades na América do Norte. O terramoto de magnitude 6,9 ​​que atingiu Borah Peak, Idaho, em 1983, ainda produzia tremores secundários em 2017, segundo os investigadores. A hipótese é que, sob certas condições, os tremores secundários podem durar centenas de anos.

Ao contrário das inundações, furacões e outros desastres naturais, os terramotos “não acontecem como um único evento no tempo”, disse Koper, mas podem evoluir ao longo de décadas ou séculos.

Enquanto cerca de metade dos mini-terramotos de Maple Creek pareciam ser ondas do desastre de 1959, a outra metade, que ocorreu um pouco mais ao sul, parecia ligada à actividade natural no poço de magma abaixo do parque.

Yellowstone continua a ser um viveiro de actividade sísmica e vulcânica. Grande parte do parque fica sobre uma grande caldeira vulcânica, que é responsável pelas erupções de rotina de amados géiseres como o Old Faithful. O gigantesco vulcão sob o parque entrou em erupção três vezes nos últimos 2,1 milhões de anos e alguns cientistas especulam que uma quarta erupção pode estar para acontecer.

Segundo os autores do novo estudo, os tremores secundários do terramoto no Lago Hebgen estão localizados fora da caldeira de Yellowstone e provavelmente têm pouca ou nenhuma relação com a sua actividade vulcânica.

ZAP //

Por ZAP
5 Junho, 2019



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