4389: Empresa portuguesa lidera missão de remoção de lixo espacial, bem ao estilo do filme Gravity

CIÊNCIA

Satélites inactivos a pairar no espaço representam um risco de colisão cada vez maior, tendo em conta o acumular de peças à solta. Deimos Engenharia participa na missão Clearspace-1, a primeira de sempre que tem como objectivo rebocar estes objectos perdidos

Neste caso, a ficção só leva sete anos de avanço. Em 2013, a astronauta interpretada por Sandra Bullock, no filme Gravity, fica perdida no espaço depois de a nave em que seguia ter sido abalroada por um pedaço de lixo a vaguear pelo espaço. Em 2020, a Agência Espacial Europeia (ESA) lança a primeira missão de sempre dedicada a detectar, agarrar e remover lixo espacial – o problema que o cineasta mexicano Alfonso Cuarón quis denunciar e que é cada vez mais relevante tendo em conta esta nova corrida ao espaço. Aos comandos do sistema de orientação, navegação e controlo da Clearspace-1, com lançamento previsto para 2025, estará a empresa portuguesa DEIMOS Engenharia que assume um papel determinante na empreitada. “É o subsistema mais nobre de uma missão”, sublinha o engenheiro aeroespacial e Director da Deimos Engenharia Nuno Ávila.

A equipa liderada pela empresa portuguesa, que irá reforçar a equipa em seis pessoas, alocadas a esta missão, irá desenvolver o ‘piloto automático’ do satélite e realizar todos os testes para apoiar a Clearspace na montagem, integração, teste e operação da missão. “Os requisitos do piloto automático afectam todo o projecto”, continua. A nave Clearspace irá voar até ao espaço, apanhar um objecto às cambalhotas, do tamanho de uma mota, e removê-lo antes que faça estragos. “Será o primeiro serviço de rebocador espacial de sempre”, afirma Nuno Ávila.

Lusospace e ISQ também na missão

Até agora ainda não há legislação que torne obrigatória a remoção ou destruição de detritos espaciais – satélites descontinuados, sobras de naves, peças soltas. “Hoje não existe uma regulamentação que imponha a remoção, apenas guidelines”, nota Nuno Ávila. “Mas vai ter que haver, num futuro próximo. A emergência de mega-constelações a isso irá obrigar”, avança o engenheiro que recorre à comparação com o filme para lançar a questão do perigo do lixo espacial.

Mesmo sem ter ainda carácter obrigatório, a Europa está comprometida a combater o problema e a missão Clearspace é um claro sinal desta linha orientadora, tendo sido aprovada na última reunião ministerial da ESA, que aconteceu em Novembro do ano passado. O conceito da missão foi desenvolvido pela start-up suíça Clearspace e a participação portuguesa inclui ainda a além a Lusospace e o ISQ.

Actualmente, existem mais de 34 mil objectos feitos pelo homem com mais de dez centímetros de diâmetro em órbita à volta da Terra e mais de dois mil satélites operacionais. “Prevê-se que este número duplique nos próximos cinco anos”, refere o comunicado de imprensa da Deimos. “A acumulação de lixo espacial em órbitas terrestres baixas, na sua maioria detritos e partes de satélites, é uma das ameaças mais prementes à sustentabilidade a longo prazo das operações espaciais, uma vez que representa uma série de riscos e custos que vão desde a perda da carga útil dos satélites, atrasos de lançamento e interferências radio-eléctricas até à poluição luminosa para observações astronómicas.” A Sandra que o diga.

Exame Informática

 

 

1879: Cientistas russos propõem combater lixo espacial com um “laço”

YouTube / ESA

Um equipa de cientistas russos propõe capturar e remover os detritos espaciais que orbitam a Terra através de um módulo especial que seria ligado através de um cabo aos níveis superiores dos foguetes – seria uma espécie de “laço”. 

O projecto – apelidado por vários média internacionais, incluindo a Russia Today como “Laço Espacial” – é descrito num relatório que será apresentado numa conferência em Moscovo sobre o lixo espacial e as suas consequência.

O módulo, adianta a emissora russa, seria separado do veículo de lançamento, ao qual ficaria ligado através de um cabo. Posteriormente, o módulo seria acoplado ao detritos espaciais, o cabo seria puxado e o veículo de lançamento retiraria os detritos em órbita.

Ou seja, para levar a cabo este projecto é necessário desenvolver um módulo de acoplamento de transporte, um sistema de cabos, bem como um sistema de acoplamento com detritos espaciais, precisa o mesmo relatório.

Outra das ideias que será apresentada na conferência defende a integração de um laser na Estação Espacial Internacional para combater os detritos em órbita.

Em Outubro de 2018, uma equipa de cientistas do Japão desenvolveu também uma “arma” para combater este problema, um satélite de feixes de plasma (propulsor de iões). A investigação foi publicada na revista científica Nature no dia 26 de Setembro.

Actualmente, existem na órbita terrestre mais de 7 mil fragmentos de destroços – satélites abandonados, propulsores, lixo genérico e até lascas de tinta. Com dimensões maiores ou menores, todos estes destroços têm potencial para causar uma colisão devastadora entre satélites ou naves.

ZAP //

Por ZAP
24 Abril, 2019

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1044: Satélite do Reino Unido RemoveDebris realiza o primeiro teste de remoção de lixo espacial

CIÊNCIA

Há dados recentes que dão conta da existência de quase 8000 toneladas de lixo espacial em órbita, incluindo cerca 29.000 objectos com mais de dez centímetros e mais de um milhão pequenos demais para poderem ser seguidos. As colisões acontecem e todos os pedaços, mesmo os mais pequenos de apenas um milímetro, revelam-se perigosos.

Para combater o problema dos detritos no espaço está em desenvolvimento um projecto europeu, liderado pelo Centro Espacial Surrey da Universidade de Surrey, que realizou a primeira demonstração bem-sucedida da tecnologia de remoção de lixo espacial.

Projectado e fabricado por um consórcio que inclui a Airbus, o ArianeGroup e a Surrey Satellite Technology (SSTL), subsidiária da Airbus, o satélite RemoveDebris, usou uma rede especialmente desenvolvida para capturar um alvo implantado simulando um fragmento espacial.

Num vídeo do teste realizado pelo satélite, podemos ver a rede a ser disparada, envolvendo com sucesso os detritos simulados, que estão no espaço a cerca de 10 metros de distância da nave espacial. Durante os testes, a rede é separada do satélite. No entanto, a visão final é que este dispositivo permaneceria ligado para que o satélite pudesse arrastar os resíduos para fora da órbita.

O dispositivo foi implantado na Estação Espacial Internacional (ISS), tendo sido lançado a bordo do veículo espacial SpaceX Dragon em Abril de 2018.

Como já falámos atrás, os destroços espaciais são um problema crescente, com cerca de 8000 toneladas de ‘lixo espacial’ a orbitar a Terra e representando um risco para os satélites e outras naves espaciais. RemoveDebris é um dos vários esforços em todo o mundo para desenvolver tecnologia para resolver este problema.

Este primeiro teste recebeu algumas ilações do Professor Guglielmo Aglietti, Diretor do Centro Espacial de Surrey, este referiu que:

Estamos absolutamente encantados com o resultado da tecnologia da rede. Embora possa parecer uma ideia simples, a complexidade de usar uma rede no espaço para capturar uma peça de detritos levou muitos anos de planeamento, engenharia e coordenação entre o Surrey Space Center, a Airbus e os nossos parceiros – mas há mais trabalho a ser feito. Estes são tempos muito emocionantes para todos nós.

Segundo os responsáveis deste projecto, para desenvolver a tecnologia de rede para capturar detritos espaciais, foram necessários 6 anos a testar o dispositivo recorrendo a voos parabólicos, em torres de queda especiais e também câmaras de vácuo térmicas.

O objectivo mais amplo da missão é testar várias tecnologias de remoção de detritos activos num alvo simulado em órbita terrestre baixa.

Nos próximos meses, o RemoveDebris testará ainda mais as chamadas tecnologias de remoção de detritos activos (ADR), incluindo um sistema de navegação baseado num tipo de visão que utiliza câmaras e tecnologia LiDaR para analisar e observar possíveis fragmentos de detritos.

O sistema usa um arpão para chegar ao detrito, depois abre-se uma vela que envolve o lixo. Posteriormente esse lixo é arrastado para fora da órbita e a atmosfera da Terra faz o restante trabalho de destruição.

pplware
19 Set 2018
Vítor M.
Responsável pelo Pplware, fundou o projecto em 2005 depois de ter criado em 1993 um rascunho em papel de jornal, o que mais tarde se tornou num portal de tecnologia mundial. Da área de gestão, foi na informática que sempre fez carreira.

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