1862: Nova teoria sobre a origem dos raios contradiz tudo o que se sabia antes

CIÊNCIA

Burton Fitzsimmons / Twitter

Apesar de ser um dos fenómenos visíveis que acompanham o homem, a origem dos relâmpagos nas tempestades ainda é um enigma. 

No entanto, recentemente, o problema de como os raios se originam parecia ser resolvido graças à descoberta de uma “ruptura rápida e positiva” do ar, que envolvia o desenvolvimento descendente de uma passagem na nuvem, passando da carga positiva no topo da nuvem para a carga negativa no centro. O caminho de passagem era formado a uma quinta parte da velocidade da luz e disparava raios.

Tudo coincidia com a teoria mantida durante séculos. Mas um grupo de cientistas da Universidade de New Hampshire, nos EUA, acaba de encontrar evidências que refutam o contrário.

Num artigo publicado na revista Nature Communications, os investigadores relatam como documentaram um evento “rápida ruptura negativa”, que mostra uma nova maneira possível de o raio se originar: um caminho ascendente também pode ser criado dentro da nuvem, que vai na direcção oposta e tão rápida como a anterior, o que indica que há outra maneira de ligar a electricidade no ar. É um fenómeno que era conhecido, mas não se havia conseguido constatar.

“Esta é a primeira vez que uma rápida ruptura negativa é observada, por isso é muito emocionante”, disse Ningyu Liu, professor de física em comunicado. “Apesar de mais de 250 anos de estudo, a forma como o relâmpago começa permanece um mistério. A descoberta foi totalmente inesperada e dá mais informações sobre como os raios começam e se espalham”.

“Estas descobertas indicam que a criação de raios dentro de uma nuvem poderia ser mais bi-direccional do que pensávamos inicialmente”, referiu Julia Tilles, candidata a doutorado no Centro de Ciências Espaciais da UNH.

Em colaboração com uma equipa de investigação de raios do Instituto de Mineração e Tecnologia do Novo México, os cientistas documentaram uma ruptura rápida e negativa numa tempestade na Florida no Centro Espacial Kennedy, usando ondas de rádio originadas nas nuvens de tempestade.

Uma série de antenas terrestres captou as ondas de rádio, o que permitiu aos investigadores criar uma imagem muito detalhada das fontes de rádio e identificar este fenómeno incomum.

Os investigadores continuam a desenvolver imagens a partir dos dados e esperam aprender mais sobre a frequência com que ocorrem os eventos de rápida ruptura negativa e que fracção destes pode iniciar um raio real.

ZAP //

Por ZAP
18 Abril, 2019

 

438: Os relâmpagos já podem ser vistos a partir do espaço

Mecanismo vai permitir fazer novos estudos sobre o fenómeno atmosférico. Conheça algumas curiosidades sobre os relâmpagos.

Cada descarga de uma trovoada contém 30 milhões de volts.

A Agência Espacial Europeia lançou esta segunda-feira, 2 de Abril, para o espaço o ASIM (Atmosphere-Space Interactions Monitor) – um conjunto de câmaras, medidores de luz rápida, raio-x e detectores de raios – que vai permitir a observação de relâmpagos a partir do espaço.

De acordo com o Independent, o mecanismo pesa 314 quilos e foi transportado através de um foguete Falcon-9, da SpaceX.

Desta forma, os cientistas vão conseguir perceber melhor o fenómeno atmosférico. Não só dos raios, mas também dos chamados «eventos luminosos transientes» – com menor duração que os típicos relâmpagos.

«Esta é a primeira vez que um dispositivo de medição tão avançado tecnologicamente vai ser transportado para o espaço e, espera-se, vai fornecer novos conhecimentos sobre os raios, bem como as suas propriedades e como podem afectar o nosso dia-a-dia»

Martin Fullekrug, especialista da Universidade de Bath que trabalhou no desenvolvimento do equipamento, disse à Time que «há mais de 15 anos» que investiga relâmpagos mas que só agora sente que atingiu o «auge» do seu trabalho para perceber realmente o fenómeno atmosférico.

«Esta é a primeira vez que um dispositivo de medição tão avançado tecnologicamente vai ser transportado para o espaço e, espera-se, vai fornecer novos conhecimentos sobre os raios, bem como as suas propriedades e como podem afectar o nosso dia-a-dia», explicou Fullekrug, antes do lançamento do dispositivo.

Esperança semelhante à de Graham Turnock, chefe executivo da Agência Especial do Reino Unido: «esta experiência vai dar aos cientistas por todo o mundo a oportunidade de estudar os efeitos das tempestades eléctricas».

Notícias Magazine
Texto de Alexandra Pedro | Fotografias Shutterstock
04/04/2018

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