2463: O Pólo Norte está a ser atingido por relâmpagos (e isso não é normal)

CIÊNCIA

Mathias Krumbholz / wikimedia

Uma tempestade perto do Pólo Norte pode não parecer a maior preocupação, tendo em conta o rápido aquecimento do Árctico. Mas é mais um sinal de que o Árctico continua a ter um verão anormal.

A Terra é atingida por raios, cerca de 8 milhões de vezes por dia. São 100 ataques por minuto. Mas muito poucos desses raios atingem o nível norte do planeta – e muito raramente perto do Árctico. No entanto, no fim de semana passado, o escritório do Serviço Nacional de Meteorologia de Fairbanks relatou um raio a 482 quilómetros do Pólo Norte.

Brian Brettschneider, especialista em clima, destacou pela primeira vez a bizarra previsão do tempo no sábado. Os dados vieram do Global Lightning Dataset, um conjunto de dados criado de forma privada usando sensores implantados em todo o mundo que conseguem detectar raios a quase seis mil quilómetros de distância. Imagens de satélite confirmaram as tempestades sobre o Oceano Árctico.

“Este é um dos mais distantes raios do norte do Alasca na memória de previsão meteorológica”, disse o NWS. Um meteorologista citado pelo Capital Weather Gang sustenta que o evento foi “certamente incomum e chamou a nossa atenção”.

Nos trópicos – ou mesmo nas latitudes médias -, as tempestades são comuns. Porém, é uma história completamente diferente sobre o Oceano Árctico. São necessários alguns ingredientes-chave para gerar raios, mas o principal deles é a instabilidade atmosférica. Especificamente, a atmosfera inferior deve ser quente e húmida, enquanto a camada acima é fria e seca. Esse tipo de ambiente ajuda a estimular a convecção, que, por sua vez, pode gerar nuvens altas com relâmpagos.

O Árctico não é estranho ao ar frio e seco. Mas condições quentes e húmidas no solo não são a norma para a região. Mas neste verão as temperaturas do Árctico aumentaram e o gelo do mar atingiu quase o recorde quase diário.

A number of lightning strikes were recorded Saturday evening (Aug. 10th) within 300 miles of the North Pole. The lightning strikes occurred near 85°N and 126°E. This lightning was detected by Vaisala’s GLD lightning detection network. #akwx

Há sinais de que as latitudes do norte estão a tornar-se mais propensas a tempestades eléctricas. De acordo com o Gizmodo, um artigo publicado em 2017 revelou que os incêndios provocados por raios aumentaram de 2 a 5% por ano nos últimos 40 anos. Com a mudança climática a aumentar o calor duas vezes mais rápido no Árctico do que no resto do mundo, é provável que as condições instáveis ​​necessárias para provocar um raio se possam tornar mais comuns no futuro.

Este verão foi particularmente estranho para o Árctico. De maciços incêndios florestais a um dos mais extensos derretimentos da camada de gelo da Gronelândia, esta estação do ano tem sido de crise para a zona norte do globo.

ZAP //

Por ZAP
18 Agosto, 2019

 

1861: Nova teoria sobre a origem dos raios contradiz tudo o que se sabia antes

CIÊNCIA

Burton Fitzsimmons / Twitter

Apesar de ser um dos fenómenos visíveis que acompanham o homem, a origem dos relâmpagos nas tempestades ainda é um enigma. 

No entanto, recentemente, o problema de como os raios se originam parecia ser resolvido graças à descoberta de uma “ruptura rápida e positiva” do ar, que envolvia o desenvolvimento descendente de uma passagem na nuvem, passando da carga positiva no topo da nuvem para a carga negativa no centro. O caminho de passagem era formado a uma quinta parte da velocidade da luz e disparava raios.

Tudo coincidia com a teoria mantida durante séculos. Mas um grupo de cientistas da Universidade de New Hampshire, nos EUA, acaba de encontrar evidências que refutam o contrário.

Num artigo publicado na revista Nature Communications, os investigadores relatam como documentaram um evento “rápida ruptura negativa”, que mostra uma nova maneira possível de o raio se originar: um caminho ascendente também pode ser criado dentro da nuvem, que vai na direcção oposta e tão rápida como a anterior, o que indica que há outra maneira de ligar a electricidade no ar. É um fenómeno que era conhecido, mas não se havia conseguido constatar.

“Esta é a primeira vez que uma rápida ruptura negativa é observada, por isso é muito emocionante”, disse Ningyu Liu, professor de física em comunicado. “Apesar de mais de 250 anos de estudo, a forma como o relâmpago começa permanece um mistério. A descoberta foi totalmente inesperada e dá mais informações sobre como os raios começam e se espalham”.

“Estas descobertas indicam que a criação de raios dentro de uma nuvem poderia ser mais bi-direccional do que pensávamos inicialmente”, referiu Julia Tilles, candidata a doutorado no Centro de Ciências Espaciais da UNH.

Em colaboração com uma equipa de investigação de raios do Instituto de Mineração e Tecnologia do Novo México, os cientistas documentaram uma ruptura rápida e negativa numa tempestade na Florida no Centro Espacial Kennedy, usando ondas de rádio originadas nas nuvens de tempestade.

Uma série de antenas terrestres captou as ondas de rádio, o que permitiu aos investigadores criar uma imagem muito detalhada das fontes de rádio e identificar este fenómeno incomum.

Os investigadores continuam a desenvolver imagens a partir dos dados e esperam aprender mais sobre a frequência com que ocorrem os eventos de rápida ruptura negativa e que fracção destes pode iniciar um raio real.

ZAP //

Por ZAP
18 Abril, 2019

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438: Os relâmpagos já podem ser vistos a partir do espaço

Mecanismo vai permitir fazer novos estudos sobre o fenómeno atmosférico. Conheça algumas curiosidades sobre os relâmpagos.

Cada descarga de uma trovoada contém 30 milhões de volts.

A Agência Espacial Europeia lançou esta segunda-feira, 2 de Abril, para o espaço o ASIM (Atmosphere-Space Interactions Monitor) – um conjunto de câmaras, medidores de luz rápida, raio-x e detectores de raios – que vai permitir a observação de relâmpagos a partir do espaço.

De acordo com o Independent, o mecanismo pesa 314 quilos e foi transportado através de um foguete Falcon-9, da SpaceX.

Desta forma, os cientistas vão conseguir perceber melhor o fenómeno atmosférico. Não só dos raios, mas também dos chamados «eventos luminosos transientes» – com menor duração que os típicos relâmpagos.

«Esta é a primeira vez que um dispositivo de medição tão avançado tecnologicamente vai ser transportado para o espaço e, espera-se, vai fornecer novos conhecimentos sobre os raios, bem como as suas propriedades e como podem afectar o nosso dia-a-dia»

Martin Fullekrug, especialista da Universidade de Bath que trabalhou no desenvolvimento do equipamento, disse à Time que «há mais de 15 anos» que investiga relâmpagos mas que só agora sente que atingiu o «auge» do seu trabalho para perceber realmente o fenómeno atmosférico.

«Esta é a primeira vez que um dispositivo de medição tão avançado tecnologicamente vai ser transportado para o espaço e, espera-se, vai fornecer novos conhecimentos sobre os raios, bem como as suas propriedades e como podem afectar o nosso dia-a-dia», explicou Fullekrug, antes do lançamento do dispositivo.

Esperança semelhante à de Graham Turnock, chefe executivo da Agência Especial do Reino Unido: «esta experiência vai dar aos cientistas por todo o mundo a oportunidade de estudar os efeitos das tempestades eléctricas».

Notícias Magazine
Texto de Alexandra Pedro | Fotografias Shutterstock
04/04/2018

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