2837: Cientistas descobriram como extrair oxigénio da poeira da Lua

CIÊNCIA

Edwin Aldrin / NASA
Pegada do astronauta Edwin Aldrin na Lua

Cientistas conseguiram extrair oxigénio do regolito lunar. A equipa demorou cerca de 50 horas para extrair 96% do oxigénio na amostra.

A Lua é um lugar bastante inóspito para humanos. Ambiente seco, poeira e não há atmosfera para respirarmos. Mas isso não significa que não haja oxigénio. Na verdade, o regolito lunar — camada superior na superfície com uma grande quantidade de sedimentos finos — está carregado dele. E agora os cientistas descobriram como retirá-lo.

De acordo com o Science Alert, para além de nos dar oxigénio, este processo fornece ainda as ligas metálicas às quais estava ligado, sendo que ambos seriam realmente úteis em futuras bases ou colónias lunares. Só há um problema.

“Este oxigénio é um recurso extremamente valioso, mas está quimicamente ligado ao material como óxidos na forma de minerais ou de vidro e, por isso, não está disponível para uso imediato”, disse a química Beth Lomax, da Universidade de Glasgow, na Escócia, cujo estudo foi publicado em Setembro na revista científica Planetary and Space Science.

Essas amostras são demasiado valiosas para serem testadas directamente, mas tê-las significa que podemos recriar com precisão a sua consistência usando materiais terrestres. Esta poeira lunar falsa é chamada “simulador de regolito lunar”.

Anteriormente, os cientistas já tentaram extrair oxigénio do regolito lunar através de várias formas: redução química de óxidos de ferro usando hidrogénio para produzir água e, de seguida, electrólise para separar o hidrogénio do oxigénio na água; ou um processo semelhante com metano em vez de hidrogénio. No entanto, essas técnicas não foram eficazes, tornaram-se excessivamente complicadas ou até demasiado quentes, chegando a temperaturas tão extremas que fizeram com que o regolito derretesse.

Lomax e o resto da equipa saltaram a etapa da redução química e passaram directamente para a electrólise do regolito. “Este processo foi realizado através de um método chamado electrólise de sal derretido. Este é o primeiro exemplo de processamento directo de pó a pó do simulador de regolito lunar sólido que pode extrair praticamente todo o oxigénio”, explicou a cientista.

Primeiro, o regolito é colocado num cesto forrado de malha. O cloreto de cálcio (o electrólito) é adicionado e a mistura é aquecida a cerca de 950 ºC, uma temperatura que não derrete o material. Depois, é aplicada corrente eléctrica, extraindo o oxigénio e migrando o sal para um ânodo, onde pode ser facilmente removido.

A equipa demorou cerca de 50 horas para extrair 96% do oxigénio na amostra do regolito, mas 75% do oxigénio foi conseguido nas primeiras 15 horas. Aproximadamente um terço do oxigénio total da amostra foi detectado sem gás, e o restante foi perdido.

Além disso, o metal deixado para trás pode ser utilizado, sendo esta a primeira vez que uma técnica de extracção de oxigénio com regolito lunar produz este resultado. Havia três grupos principais, às vezes com pequenas quantidades de outros metais misturados: ferro-alumínio, ferro-silício e cálcio-silício-alumínio.

Esta descoberta mostra que a técnica ainda pode ser valiosa, mesmo que seja possível extrair oxigénio das suspeitas reservas de gelo na Lua.

ZAP //

Por ZAP
15 Outubro, 2019

 

1798: Estamos a um passo de iniciar a exploração de minério na Lua

Bre Pettis / Flickr

Com os olhos postos nos valiosos recursos naturais presentes noutros mundos além da Terra, a humanidade está prestes a iniciar a exploração mineira da superfície da Lua.

Estamos a poucos anos de abrir explorações mineiras na Lua. Cientistas europeus anunciaram, recentemente, os seus ambiciosos planos para iniciar a exploração mineira da Lua já em 2025. O objectivo é minerar um material que pode valer milhões de dólares, o regolito.

O regolito é uma camada solta de material heterogéneo e superficial que cobre uma rocha sólida. Trata-se, portanto, de um material não consolidado e residual, uma vez que é formado por material originário da rocha fresca imediatamente subjacente. A sua mineração pode extrair água, oxigénio, metais e um isótopo chamado hélio-3, que pode abastecer reactores de fusão nuclear, gerando energia livre de resíduos.

A superfície da Lua está coberta por um material fino em pó que os cientistas chamam de “regolito lunar”. Quase toda a superfície é coberta por regolito e o leito rochoso só é visível nas paredes de crateras muito íngremes.

Este pó é o resultado de vários milhões de anos de impactos dos meteoritos e de outros corpos celestes a superfície da Lua. Mas este material é valiosíssimo não só pela produção de energia nuclear, mas também pelo facto de poder ser utilizado na construção de estruturas futuras na superfície lunar.

Segundo o CanalTech, a Europa não é a única que está de olho na exploração mineira da superfície da Lua. Índia, Canadá e China têm também os seus próprios planos para extrair o hélio-3 do nosso satélite natural.

Estima-se que exista um milhão de toneladas de hélio-3 na Lua, ainda que apenas 25% possa ser trazido para a Terra. No entanto, esta quantidade é suficiente para atender as demandas de energia do nosso planeta durante, pelo menos, dois séculos. O hélio-3 pode valer quase 5 mil milhões de dólares por tonelada – e pode mesmo tornar-se no novo “ouro negro”, mas da Lua.

De acordo com o Pplware, a missão, que já se encontra em preparação, estará a cargo da Agência Espacial Europeia em parceria com o ArianeGroup, e contará também com a participação do Part-Time Scientists, um grupo alemão e ex-concorrentes do Google Lunar XPrize.

LM, ZAP //

Por LM
3 Abril, 2019

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