3044: Reconstruida mulher xamã que foi uma das últimas caçadoras-colectoras da Suécia

CIÊNCIA

Uma mulher caçadora-colectora que viveu há sete mil anos no que é actualmente a Suécia foi trazida à vida numa reconstrução.

A mulher de olhos azuis usava uma capa de penas, um colar de ardósia e um cinto feito de 130 dentes de animal. A sua pele escura estava pintada com padrões brancos e sentava-se pernas cruzadas num “trono” de chifres de veado, de acordo com a descrição do LiveScience.

O seu corpo foi encontrado nos anos 80, enterrado na vertical numa sepultura em Skateholm – um sítio arqueológico na costa sul da Suécia – entre outros enterros que datam de 5.500 a.C. a 4.600 a.C, de acordo com a National Geographic.

Como o seu corpo estava tão ricamente enfeitado, acredita-se que a mulher tenha sido uma pessoa importante na sua comunidade de caçadores-colectores.

A reconstrução em tamanho real será revelada ao público numa exposição que será inaugurada em 17 de Novembro no Museu Trelleborg da Suécia, segundo anunciaram representantes do museu em comunicado.

Conhecida como Enterro XXII pelos arqueólogos, a mulher tinha entre 30 e 40 anos quando morreu e tinha cerca de dois metros de altura. Com base nas evidências de ADN recolhidas noutras sepulturas em Skateholm, os cientistas determinaram que as pessoas que viviam na região na época tinham olhos de cor clara e pele escura.

Durante esta época da Idade da Pedra, por volta de 10.000 a.C. até 8.000 a.C., os humanos europeus antigos estavam a voltar-se para a agricultura e a abandonar o estilo de vida de caçadores-colectores. No entanto, os enterros de Skateholm e outros locais na Europa sugerem que grupos de caçadores-colectores persistiram por quase 1.000 anos após o surgimento da agricultura, segundo Nat Geo.

Foi Oscar Nilsson, arqueólogo e escultor especializado em reconstruções faciais, que criou o rosto expressivo da mulher. Trabalhando a partir de uma tomografia computorizada do crânio, Nilsson juntou o rosto músculo por músculo, construindo a sua expressão singular através de camadas de cartilagem e tecidos moles.

“O rosto humano é um motivo que nunca deixa de me fascinar: a variação da estrutura subjacente e a variedade de detalhes parecem infinitas”, escreve Nilsson no seu site. “E todos os rostos que reconstruo são únicos. São todos individuais.”

Durante a reconstrução, Nilsson imaginou a mulher caçadora-colectora como xamã. De facto, o seu enterro ornamentado sugere que ocupava “algum tipo de posição especial na sociedade”, mas é impossível dizer com certeza qual era seu papel, segundo disse Ingela Jacobsson, directora do Museu Trelleborg.

ZAP //

Por ZAP
18 Novembro, 2019

 

2673: Cientistas reconstruiram pela primeira vez o rosto de uma Denisovana

CIÊNCIA

(dr) Maayan Harel

Feito o mapa metílico do genoma dos Denisovanos, os cientistas tentaram reconstruir pela primeira vez o rosto de uma mulher deste grupo de hominídeos. Mas nem todos os cientistas concordam com o resultado final.

Há 15 mil anos, os Homo sapiens partilharam as suas cavernas (e acasalaram) com os chamados hominídeos de Denisova ou Denisovanos, deixando uma escassa linha genética que ainda hoje é detectável em alguns povos dos dias de hoje.

Mas como é que eram estes hominídeos fisicamente? De acordo com o Live Science, foi a esta mesma pergunta que uma equipa internacional de investigadores tentou responder através de uma análise genética sem precedentes.

Ao fazer um mapa metílico do genoma dos Denisovanos, ou seja, um mapa que mostra como as alterações químicas na expressão genética podem influenciar características físicas, os cientistas reconstruiram pela primeira vez o rosto de uma Denisovana.

A mulher agora representada tem uma testa baixa, uns maxilares protuberantes e um queixo quase inexistente — uma anatomia não muito diferente dos Neandertais, outro grupo de humanos extintos que ocuparam a Terra na mesma época.

“Estava à espera que as características dos Denisovanos fossem semelhantes aos Neandertais, uma vez que estes são os seus parentes mais próximos. Porém, nos poucos traços em que diferem, as diferenças são extremas”, explica ao site David Gokhman, geneticista da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e o autor principal do estudo agora publicado na revista científica Cell.

No total, os investigadores encontraram 56 traços nos Denisovanos que previam ser diferentes dos Neandertais e dos humanos modernos, sendo que 32 deles resultaram em claras diferenças anatómicas.

A equipa descobriu, por exemplo, que estes hominídeos tinham arcadas dentárias significativamente mais longas, assim como o topo do crânio era também visivelmente mais largo, quando comparados com os Neandertais e com os humanos modernos.

De forma mais específica, também perceberam que a pélvis e a caixa torácica eram mais largas do que as dos humanos modernos e tinham também rostos mais finos e planos quando comparados com os dos Neandertais.

Estes resultados dão aos cientistas alguma esperança de que os dois crânios parciais recentemente encontrados na China possam pertencer a antigos Denisovanos e, assim, acrescentar mais uma descoberta à pequena lista que existe actualmente (composta por um maxilar, alguns dentes e um mindinho).

No entanto, nem todos os cientistas estão convencidos com este novo trabalho. Em declarações ao New Scientist, Sheela Athreya, professora associada da Texas A&M University foi bastante clara na sua opinião.

“Não, isto não nos dá uma ideia de como eram os indivíduos de Altai [região na Sibéria onde foi encontrada a caverna com ossos dos Denisovanos]. É baseado em tantas suposições que a minha cabeça anda às voltas com isto”.

“Embora este resultado pareça muito persuasivo, na verdade não é. Estudar as diferenças de metilação do ADN é uma avenida promissora de pesquisa, mas ainda estamos longe de entender como as suas diferenças podem estar relacionadas com as diferenças no esqueleto”, conclui também John Hawks, da Universidade de Wisconsin-Madison.

ZAP //

Por ZAP
20 Setembro, 2019