4415: Depois de Neptuno, há um objecto binário que está a intrigar cientistas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A tecnologia está a dar passos largos na descoberta de informação espacial que, eventualmente, poderá chocar os cientistas. Segundo o que foi agora descoberto por uma rede de observatórios dos EUA, há um objecto transneptuniano (TNO) binário. Estes TNOs consistem em pequenos corpos gelados que orbitam o Sol a uma distância longínqua, muito depois de Neptuno.

Apesar das estrelas binárias e os objectos binários não serem incomuns, é intrigante sim que exista um TNO binário a ocultar uma estrela binária. Esta descoberta é muito interessante.

Para lá de Neptuno há um universo a ser descoberto

Um novo estudo foi conseguido com a apoio do RECON (Research and Education Collaborative Occultation Network). Este observatório é uma colecção de 56 estações de observação que se estendem de Yuma, Arizona, a Orville, Washington. Cada estação utiliza uma série de equipamentos de observação, incluindo telescópios de 11 polegadas.

Estas observações resultaram na descoberta de dois objectos que orbitavam entre si enquanto giravam ao redor do Sol.

Segundo o estudo, publicado na segunda-feira (28) na revista científica The Planetary Science Journal, os autores da investigação, os cientistas Rodrigo Leiva e Marc Buie, deram a conhecer o objecto binário em estudo foi descoberto graças ao fenómeno de ocultação estrelar. Este acontecimento ocorre quando um corpo espacial passa entre a Terra e uma estrela, resultando na ocultação da última.

Assim, os observadores que estejam localizados na rota da sombra produzida pela ocultação podem determinar o tamanho e, possivelmente, a natureza do objecto bloqueador.

Fenómenos neptunianos raros que cativaram a atenção da comunidade científica

Como resultado, a descoberta tornou-se ainda mais surpreendente quando os cientistas perceberam que o objecto transneptuniano binário estava a ocultar uma estrela binária, fenómeno que Buie classifica como raro. Leiva acrescenta outras características únicas desta descoberta, tais como a distância de órbita entre os dois objectos.

Nesse caso, a estrela oculta também acabou por ser um sistema binário. Estrelas binárias não são incomuns e objectos binários não são incomuns, mas é incomum que tenhamos um TNO binário a ocultar uma estrela binária.

O que também é interessante e incomum são as características desse objecto. Os dois componentes estão bem próximos, separados por apenas 350 quilómetros. A maioria dos TNOs binários são muito separados, geralmente 1.000 quilómetros ou mais. Esta proximidade torna esse tipo de TNO binário difícil de detectar com outros métodos, que é o que RECON foi projectado para realizar.

Referiram os cientistas.

Com esta descoberta, abre-se uma nova janela de possibilidades e mais conhecimento sobre algo menos incomum. Assim, as observações de objectos espaciais irão continuar.

Posteriormente, com mais tempo de estudo, será possível entender se corpos como os objectos transneptunianos trarão mais conhecimento para a construção de novos modelos que expliquem como se formou o Sistema Solar.

Autor: Vítor M.
01 Out 2020