1103: Encontrado recipiente mediterrâneo com três mil anos com vestígios de ópio

CIÊNCIA

(dr) British Museum

Cientistas do Reino Unido descobriram um recipiente no Mediterrâneo, com cerca de três mil anos, que continha vestígios de ópio.

De acordo com o Live Science, esta descoberta contribui para o longo debate que questiona se este tipo de recipiente era propositadamente utilizado para transportar esta substância.

Estes recipientes foram amplamente comercializados no leste do Mediterrâneo entre 1650 e 1350 A.C. No início dos anos 60, alguns investigadores admitiram a hipótese de a sua forma ser uma pista porque, virados ao contrário, parecem-se com as cabeças das sementes das papoilas do ópio.

Tem sido difícil confirmar esta ligação mas, agora, cientistas da Universidade de York e do Museu Britânico, em Inglaterra, usaram uma série de técnicas analíticas para comprovar a primeira evidência rigorosa de que os vasos continham, de facto, ópio.

Os investigadores analisaram um recipiente do museu envolvido na pesquisa que, como estava selado, permitiu que o seu conteúdo fosse preservado. A análise inicial mostrou que os resíduos encontrados eram maioritariamente compostos por óleo vegetal, mas também sugeriu a presença de alcalóides do ópio.

Este grupo de compostos orgânicos incluem poderosos analgésicos como a morfina e a codeína, bem como outros compostos que não têm efeitos analgésicos.

“Os alcalóides de opiáceos que detectámos são aqueles que mostrámos serem os mais resistentes à degradação”, explica num comunicado Rachel Smith, co-autora do estudo do Departamento de Química da Universidade de York. Porém, a investigadora destaca que os compostos encontrados não incluem a morfina.

Os investigadores continuam sem perceber qual era o principal propósito deste tipo de recipiente. Uma das hipóteses era que o recipiente podia ter sido usado para guardar o óleo das sementes de papoila usadas para substâncias unguentas ou perfumes.

“É importante relembrar que se trata apenas de um recipiente, por isso, os nossos resultados continuam a levantar várias questões sobre o conteúdo ou o seu propósito”, afirma Rebecca Stacey, cientista do Departamento de Conservação e Investigação Científica do Museu Britânico. No entanto, “a presença dos alcalóides neste caso é inequívoca e dá-nos uma nova perspectiva”.

O estudo foi publicado, esta terça-feira, na revista científica Analyst, uma das publicações da Royal Society of Chemistry.

ZAP //

Por ZAP
5 Outubro, 2018

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