2513: Ainda há esperança. Corais do Atlântico reproduziram-se pela primeira vez em laboratório

CIÊNCIA

(dr) Florida Aquarium

Este é um avanço histórico que poderia ajudar a salvar corais em todo o mundo, incluindo o ameaçado recife da Florida, nos Estados Unidos.

O Aquário da Florida, nos Estados Unidos, conseguiu que o coral Dendrogyra cylindrus, que pode ser encontrado no Oceano Atlântico e no Mar das Caraíbas, conseguisse desovar pela primeira vez em laboratório, avança o site IFLScience.

De acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), a reprodução de corais é um processo sensível e pode ocorrer tanto de forma assexuada como sexuada. Muitos corais produzem muitos gametas masculinos e femininos para eventualmente libertarem enormes nuvens de espermatozóides e óvulos na coluna de água.

As condições para que isso aconteça têm de ocorrer sob as circunstâncias certas e, embora os cientistas ainda não tenham a certeza de todas as variáveis, acreditam que estão relacionadas com a temperatura, a duração do dia e talvez até os ciclos lunares. Conclusão: todas fazem com que a reprodução em laboratório seja extremamente difícil.

Como parte do Project Coral, cientistas do Centro de Conservação do mesmo aquário conseguiram induzir a desova em corais com recurso a tecnologia inovadora. Especialistas imitaram o ambiente natural destes animais ao manipular a iluminação, incluindo a reprodução do momento do nascer e pôr do Sol e da Lua.

“Quando temos uma boa criação, uma boa qualidade da água e todos os estímulos ambientais certos, isto é o que podemos fazer, podemos mudar o jogo para a restauração de corais”, afirma Keri O’Neil, cientista especializado em corais.

Os conservacionistas de corais acreditam que este trabalho poderá salvar corais em todo o mundo, incluindo o ameaçado recife da Florida, que já viu serem afectadas nos últimos anos cerca de 25 espécies de corais.

“Muitos especialistas em corais não acreditavam que isto seria possível, mas nós aceitámos o desafio e dedicámos os nossos recursos e conhecimento para alcançar este resultado monumental. Continuamos firmemente comprometidos em salvar a única barreira de coral da América do Norte e agora vamos trabalhar ainda mais para proteger e restaurar o nosso Planeta Azul”, afirmou num comunicado Roger Germann, presidente e CEO do aquário.

De acordo com o aquário, a equipa conseguiu induzir artificialmente uma desova em 2013 e, desde então, gerou 18 espécies de corais do Pacífico, mas a desova do Atlântico tinha sido um desafio até agora.

ZAP //

Por ZAP
25 Agosto, 2019

 

2355: Os recifes de coral estão a morrer (e a culpa também é nossa)

CIÊNCIA

usfwspacific / Flickr

.

Os recifes de coral, um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta, estão a morrer. As alterações climáticas são apontadas como o principal factor mortal, mas o aumento da temperatura dos oceanos conta apenas uma parte da história.

Trinta anos de pesquisa na Área de Preservação do Santuário de Looe Key (LKSPA), no extremo sul de Florida Keys, teve como resultado uma descoberta surpreendente: a poluição humana directa é uma ameaça devastadora para os corais e rivaliza com as alterações climáticas.

Durante vários anos, o escoamento agrícola e os esgotos indevidamente tratados fluíram para as águas oceânicas da Florida desde o norte de Everglades, elevando os níveis de nitrogénio e diminuindo o limiar de temperatura do recife para o branqueamento. Como consequência, a cobertura de corais na região reduziu de quase 33%, em 1984, para menos de 6%, em 2008.

Na sua análise, os cientistas descobriram que o branqueamento em massa ocorreu após fortes chuvas e como consequência de escoamentos terrestres. Por outras palavras, a quantidade de poluição local que entra nos oceanos representa o pior dos danos.

“Citando a mudança climática como a causa exclusiva do fim dos recifes de coral em todo o mundo, falta o ponto crítico de que a qualidade da água também desempenha um papel importante”, explica o ecologista James Porter, da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos.

“Apesar de haver muito pouco a fazer para deter o aquecimento global, as populações locais podem reduzir o escoamento de nitrogénio. O nosso estudo mostra que a luta para preservar os recifes de coral requer acção local, e não apenas global“, rematou, citado pelo Science Alert.

Elevados níveis de nitrogénio causam stress metabólico aos corais, aumentando a sua susceptibilidade a doenças e aumentando a proliferação de algas que, por sua vez, reduzem a luz e aceleram o declínio dos corais. No entanto, os cientistas ainda não estão certos de como essas mudanças se relacionam com o crescente problema do branqueamento em massa de corais, doenças e mortalidade.

Estudos anteriores mostraram que entre 1992 e 1996 – quando os fluxos de água doce da Florida foram direccionados para o sul – houve um aumento de 404% nas doenças dos corais no Santuário de Florida Keys.

Alguns sugeriram que estas mudanças estão ligadas aos anos do El Niño de 1997/1998, mas as datas não batem propriamente certo. Além disso, os cientistas deram muito pouca atenção ao papel que o escoamento poderia ter representado.

O mais recente estudo, publicado recentemente na Marine Biology, sugere que os recifes de coral estavam a morrer muito antes de serem afectados pelo aumento da temperatura da água.

A menos que tomemos medidas contra estas ameaças humanas, as coisas só vão piorar, alertam os investigadores. A comunidade científica prevê que a poluição de nitrogénio que flui para a costa aumente em 19%, como resultado de mudanças na precipitação devido às alterações climáticas.

No artigo científico, os cientistas deixam alguns conselhos: melhorar o tratamento dos esgotos, reduzir o uso de fertilizantes e aumentar o armazenamento e tratamento das águas fluviais.

ZAP //

Por ZAP
23 Julho, 2019

[vasaioqrcode]