674: Há uma relação entre o racismo e a negação das alterações climáticas

B. Bannon / UNHCR

Os motivos que estão por trás da negação das alterações climáticas parecem ser ainda mais complexos do que pensávamos. Um estudo concluiu que há uma ligação entre atitudes racistas e o cepticismo no que toca à mudança climática.

Um novo estudo examinou atitudes em relação às alterações climáticas durante a presidência de Barack Obama, nos Estados Unidos, e descobriu que os americanos brancos ficaram significativamente menos preocupados com as mudanças climatéricas durante a presidência.

Além disso, mostrou também que as atitudes racistas dos brancos poderiam estar a ajudar a alimentar o cepticismo em relação às alterações climáticas.

A mudança do clima é um problema real, atual, sobre o qual é preciso alertar, mas também um problema que parece ser ignorado por alguns.”Não estou a afirmar que a raça é o componente mais importante para explicar as atitudes ambientais, mas é algo significativo com que devemos estar preocupados”, disse o cientista político Salil Benegal, da Universidade DePauw.

Para chegar a esta conclusão, o cientista analisou até que ponto as atitudes racistas podem estar associadas ao cepticismo em relação às alterações climáticas. Para isso, Benegal estudou as tendências de opinião pública durante a presidência de Obama.

Barack Obama foi o primeiro Presidente negro e dedicou-se muito às causas ambientais, tornando-se num defensor nato. A equipa de cientistas queria, com base neste facto, estudar até que ponto o atual debate sobre o tema poderia ter sido influenciado pelo Presidente norte-americano.

No entanto, Benegal apercebeu-se de que, num período em que os problemas climáticos ganharam destaque nos Estados Unidos, o interesse sobre este tema diminuiu por parte de 18% da população apontada como racista.

Apesar de o raciocínio por trás desta divergência racial permaneça hipotético, Benegal sugere que é possível que os eleitores caucasianos com elevado nível de racismo tenham associado Obama às alterações climáticas e, consequentemente, ao poder político.

Estas conclusões basearam-se nas respostas a inquéritos desde os anos 60, recolhidos pela American National Election Studies (ANES). Estes inquéritos permitiram comparar as mudanças de opinião aquando do novo presidente.

Assim, os dados da ANES mostraram que, à medida que aumenta o ressentimento racial entre os eleitores caucasianos republicanos, é mais provável que discordem de que as alterações climáticas estejam mesmo a acontecer ou que sejam consequentes da actividade humana.

Na opinião do cientista, estes dois factores são evidências de “transbordamento racial” – a identidade racial e a preocupação com as alterações climáticas relacionaram-se de alguma forma ao longo de uma presidência de dois mandatos.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
21 Junho, 2018

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653: Diários de viagem revelam o lado racista de Einstein

(dr) Arthur Sasse / Nate D Sanders Auctions

Albert Einstein defendia que o racismo era “uma doença de pessoas brancas”, mas escreveu um diário no qual descreveu os chineses como um povo “imundo”.

Além dos contributos científicos, Albert Einstein é também lembrado por defender os direitos humanos, posicionando-se contra a discriminação. No entanto, certas passagens dos seus diários de viagens contradizem esta imagem de homem tolerante.

Os textos que escreveu durante visitas ao Japão, à China e ao Sri Lanka, contêm comentários xenófobos que só agora se tornaram conhecidos.

Num discurso proferido na Universidade Lincoln, nos Estados Unidos, em 1946, Einstein disse que o racismo era “uma doença de pessoas brancas”. Contudo, duas décadas antes, o prémio Nobel terá escrito num dos seus diários de viagens que os chineses eram “povo diligente, imundo, e obtuso”.

Estes textos não se destinavam a ser publicados. Mas, 90 anos depois, os cadernos foram traduzidos do alemão e publicados pela primeira vez em inglês pela Princeton University Press. Estes diários já tinham sido publicados em alemão, enquanto parte de uma colectânea de ensaios e trabalhos académicos de Albert Einstein, adianta o Público.

Seria “uma pena se os chineses suplantassem as outras raças”. Esta frase escrita por Einstein pode chocar muitos de nós, devido ao contraste “com a imagem pública do grande ícone humanitário”, explica Ze’ec Rosenkranz, responsável pela tradução do texto e director assistente do Projecto Einstein Papers, do Instituto de Tecnologia da Califórnia.

“É um pouco chocante lê-los e contrastá-los com as afirmações públicas. Estão mais desprotegidos, ele não os escreveu para serem publicados”, continua.

Além destes comentários xenófobos, o Nobel tece ainda comentários de “extrema misoginia” contra as mulheres chinesas: “pouca diferença entre homens e mulheres“.

“Notei a pouca diferença que há entre homens e mulheres e não percebo que tipo de atracção fatal têm as mulheres chinesas que enfeitiçam os homens a tal ponto que são incapazes de se defenderem contra a bênção extraordinária da descendência”, escreveu.

Já em relação ao Sri Lanka, Einstein escreveu que os autóctones vivem “em grande imundice e grande fedor“, acrescentando que “fazem pouco e precisam de pouco”.

Os japoneses, porém, destacam-se ao receberem comentários mais positivos. “Os japoneses são modestos, decentes e muito atraentes. Almas puras, como ninguém. Uma pessoa ama e admira este país.”

Apesar do clima de intensa paixão pelo povo japonês, Einstein termina com um comentário depreciativo: “As necessidades intelectuais desta nação parecem ser mais fracas do que as necessidades artísticas – disposição natural?”, questiona.

Rosenkranz refere que os comentários de Albert Einstein em relação á alegada inferioridade dos japoneses, chineses e indianos podem ser vistos como racistas.

Ainda assim, embora as visões de Einstein fossem prevalecentes à época, não eram universais, sublinha o editor. “Havia mais pontos de vista, e pontos de vista mais tolerantes. Parece que Einstein teve algumas dificuldades em reconhecer-se na face do outro”, conclui Rosenkranz.

ZAP // BBC

Por ZAP
14 Junho, 2018

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