1949: Os seres humanos estão a secar o planeta desde 1900

CIÊNCIA

martin_heigan / Flickr

Os humanos têm impactado o ambiente desde mais cedo que se pensava. Uma investigação da NASA mostra que a influência humana na seca pode ser encontrada até no início do século XX.

Analisando dados do solo, anéis de árvores e modelos climáticos, os investigadores sugerem que o impacto das emissões de gases de efeito estufa começou a afectar os padrões de seca e precipitação em 1900. Embora seja baseado em dados extrapolados, o mesmo modelo corresponde aos dados do mundo real de meados do século XX em diante.

É o primeiro estudo a analisar a ligação histórica entre as emissões causadas por seres humanos e a seca em uma escala quase global. A má notícia é que a situação está a piorar – a “impressão digital” humana nos ciclos húmido e seco do nosso planeta está a ficar cada vez mais perceptível.

“Esses registos remontam a séculos”, disse uma das integrantes da equipa, Kate Marvel, do Instituto Goddard de Estudos Espaciais (GISS) e da Universidade de Colúmbia, em Nova Iorque. “Temos uma visão abrangente das condições globais de seca que remontam à história e são incrivelmente de alta qualidade”.

Uma parte importante dos cálculos da equipa foi o Índice de Gravidade da Seca de Palmer, ou PDSI, que estima a humidade média do solo no verão ao longo de muitos anos através de dados como velocidade do vento e precipitação.

Os investigadores também analisaram os “atlas de seca”, que usam a espessura dos anéis das árvores para avaliar a precipitação da seca num ano específico. Os modelos combinaram variáveis ​​naturais (como vulcões) com influências humanas (como mudanças no uso da terra).

Essa combinação de dados e fontes significou que o novo estudo, publicado na revista Nature, poderia superar alguns dos problemas que os investigadores enfrentaram no passado neste campo: muita variabilidade entre as regiões e grandes lacunas nos registos observacionais.

Os dados mostraram que as emissões de gases do efeito estufa do início do século XX provavelmente estavam a ter um efeito significativo nas temperaturas e na precipitação em todo o mundo. “A combinação de muitas regiões num atlas global da seca significou que havia um sinal mais forte se as secas acontecessem em vários lugares simultaneamente”, disse um dos investigadores, Ben Cook, da GISS e da Columbia University.

“Ficamos muito surpreendido que se possa ver a impressão digital humana, o sinal humano de mudança climática, surgir na primeira metade do século XX”.

Além de traçar o nosso impacto sobre a seca global há mais de um século, a equipa também detectou um período mais frio e húmido entre 1950 e 1975 – talvez causado por aerossóis como fumo, fuligem e dióxido de enxofre na atmosfera. As partículas de aerossóis podem ter bloqueado a luz do sol e neutralizado o efeito da acumulação de gás de efeito estufa.

Os modelos estão a prever secas mais frequentes e severas no futuro, à medida que as temperaturas aumentam – e isso provavelmente levará a escassez de alimentos e água, impactos na saúde e aumento do conflito global.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
10 Maio, 2019

[vasaioqrcode]

 

1358: Um simples ingrediente que usamos à mesa pode ter gerado a vida na Terra

CIÊNCIA

esparta / Flickr

Um novo estudo levado a cabo por investigadores do Earth-Life Science Institute (ELSI) no Instituto de Tecnologia de Tóquio, no Japão, sugere que o cloreto de sódio – ou seja, o sal comum – pode ter estado na origem da vida na Terra.

Como é que começou a vida na Terra? Esta é uma das questões fundamentais para as quais a Ciência ainda não tem uma resposta. Uma das hipóteses mais aceites na comunidade científica aponta que terá sido um caldo primordial – uma mistura de aminoácidos, nucleotídeos e outros elementos básicos – a surgir nos oceanos após o impacto de raios cósmicos e das altas temperaturas – assim terá surgido a vida.

Esta teoria foi apoiada pelo famoso procedimento de Miller e Urey, que mostrou que as moléculas orgânicas necessárias para gerar vida podem ser formadas a partir de componentes inorgânicos. A investigação revelou que as descargas eléctricas que imitavam os raios contribuíram para a criação em tubos selados com água, metano, amoníaco e hidrogénio de elementos orgânicos como os aminoácidos, considerados pilares fundamentais para a existência de vida.

Agora, e de acordo com o novo estudo, a equipa do ELSI contribui para a compreensão de como o ácido ribonucleico (RNA) – considerado como a molécula chave para a formação da vida, sugerindo que o ácido pode ter surgido de forma abiótica (ou seja, num meio onde não há condições para que surja vida).

Os cientistas descobriram que o elemento que acabou por ser crucial na criação dos blocos de construção que compõem o RNA foi o cloreto de sódio ou, noutras palavras, o sal comum que diariamente usamos à mesa.

O trabalho, publicado recentemente na revista Chemistry Select, mostrou que há uma série de componentes necessários para a síntese de RNA que apenas são formados quando um único elemento, combinado com o cloreto de sódio, é exposto aos raios gama.

Por norma, os químicos não costumam dar muito valor ao cloreto de sódio nas reacções, mas, argumentam os cientistas, é exactamente o sal de mesa, uma vez exposto à radiação gama, que ajuda a criar composto de alta energia que, por sua vez, podem ajudar a construir as moléculas complexas de RNA.

“Agora a questão não é tanto sobre como fazer todos os elementos principais para criar o RNA, mas antes como combiná-los num ‘pequeno lago morno’ para criar os primeiros polímeros de RNA”, explicou a equipa do instituto japonês em comunicado.

“Um dos principais desafios é entender como é que outras moléculas, e não aquelas que são importantes na criação de RNA, podem afectar este processo”, remataram.

ZAP // RT

Por ZAP
1 Dezembro, 2018

[vasaioqrcode]

 

715: Humanos para quê? Inteligência Artificial recria tabela periódica

maveric2003 / Flickr

Os humanos demoraram quase um século para organizar a tabela periódica, mas um novo programa de Inteligência Artificial realizou a mesma tarefa em apenas algumas horas.

Tabela periódica é indiscutivelmente uma das maiores realizações científicas em química, mas demorou quase um século para estar completamente concluída. Agora, um novo programa de Inteligência Artificial, desenvolvido por físicos da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, conseguiu o mesmo feito mas em apenas algumas horas.

O Atom2Vec, programa que conseguiu igualar o feito humano num período de tempo menor, aprendeu a distinguir diferentes átomos depois de analisar uma lista de nomes de compostos químicos a partir de um banco de dados online.

A Inteligência Artificial usou conceitos emprestados do campo do processamento de linguagem natural para agrupar esses elementos de acordo com suas propriedades químicas, sem qualquer ajuda humana.

“Queríamos saber se uma IA podia ser inteligente o suficiente para descobrir a tabela periódica por conta própria”, disse o principal autor do estudo, Shou-Cheng Zhang. E pode mesmo!. Este é um importante passo – e o primeiro – em direcção a uma meta muito mais ambiciosa: projectar um substituto para o teste de Turing, um dos mais importantes para definir a inteligência de uma máquina.

Para passar no teste de Turing, a IA deve ser capaz de responder a perguntas de maneira indistinguível à de um ser humano.

“Os seres humanos são produto da evolução e as nossas mentes estão cheias de qualquer tipo de irracionalidade. Para uma IA passar no teste de Turing seria necessário reproduzir todas essas irracionalidades humanas. Isso é muito difícil de fazer”, diz Zhang.

Em vez disso, Zhang propõe um novo marco para a inteligência da máquina. “Queremos tentar projectar uma Inteligência Artificial capaz de derrotar humanos ao descobrir uma nova lei da natureza. Para fazer isso, temos de testar, em primeiro lugar, se a nossa IA consegue fazer algumas das maiores descobertas já feitas por humanos”, como a tabela periódica.

Zhang e a sua equipa desenvolveram o Atom2Vec a partir de um programa de Inteligência Artificial que engenheiros da Google criaram para analisar a linguagem natural, o Word2Vec. A IA da Google converte palavras em códigos numéricos ou vectores. Ao analisar os vectores, o programa consegue estimar a probabilidade de uma palavra aparecer num determinado texto. “Podemos aplicar a mesma ideia aos átomos”, explicou Zhang.

“Em vez de alimentar todas as palavras e frases de uma colecção de textos, fornecemos ao Atom2Vec todos os compostos químicos conhecidos“, adianta a investigadora. O estudo foi publicado recentemente na Phys Org.

A partir destes dados, o Atom2Vec descobriu, por exemplo, que o potássio (K) e o sódio (Na) devem ter propriedades semelhantes, porque ambos os elementos podem-se ligar ao cloro (Cl).

Aplicações práticas

Os investigadores esperam que, no futuro, o conhecimento do Atom2Vec seja aproveitado para descobrir e projectar novos materiais, como “um material altamente eficiente na conversão de luz solar em energia”, sugeriu Zhang.

A sua equipa está agora concentrada em desenvolver a versão 2.0 do programa, que se irá preocupar com a resolução de um problema intratável na investigação médica: desenvolver o anticorpo certo para atacar antígenos específicos de células cancerígenas.

ZAP // HypeScience

Por ZAP
1 Julho, 2018

[vasaioqrcode]

[SlideDeck2 id=1476]

[powr-hit-counter id=cfe01956_1530442342170]

– Não sei se foram os cientistas que afirmaram isto se foi o anormal que transcreveu este texto e colocou um cabeçalho paranormal: “Humanos para quê? Inteligência Artificial recria tabela periódica“. Claro, pá! Acabe-se, extermine-se a raça humana que a Inteligência Artificial toma conta disto…

“O tempo está a esgotar-se”. 15 mil cientistas assinam aviso alarmante

Vinte e cinco anos depois de cientistas de todo o mundo terem emitido um “alerta à humanidade” sobre o perigo de ignorar o ambiente, um novo alerta, divulgado esta segunda-feira, avisa que a maioria dos grandes problemas do planeta estão a piorar significativamente. Excepção feita para o buraco na camada do ozono, graças à redução do uso de aerossóis e poluentes que o originaram.

Publicada no BioScience, este “segundo aviso” é assinado por mais de 15 mil cientistas de um total de 184 países. A primeira carta, datada de 1992, foi subscrita por 1700 especialistas. Desde então, praticamente todas as grandes ameaças ao ambiente agravaram-se, com destaque para o crescimento da população mundial – mais 2 mil milhões, equivalentes a um aumento de 35 por cento. As emissões de dióxido de carbono provocadas pelo uso de combustíveis fósseis, a agricultura insustentável, a desflorestação, a falta de água potável, a perda de vida marinha e o aumento das chamadas zonas mortas nos oceanos são outras ameaças graves.

© Reuters “O tempo está a esgotar-se”. 15 mil cientistas assinam aviso alarmante

“Estamos a arriscar o nosso futuro”, avisam, sublinhando que é “especialmente preocupante” que o mundo continue a encaminhar-se para “alterações climáticas potencialmente catastróficas devido ao aumento dos gases de estufa provenientes da queima de combustíveis fósseis”.

Os cientistas alertam também para os efeitos das actividades humanas nos animais, que estão a desaparecer “a um ritmo sem precedentes”.

“Desencadeámos um evento de extinção em massa, o sexto em cerca de 540 milhões de anos, em que muitas formas de vida actuais poderão ser aniquiladas ou pelo menos ameaçadas de extinção quando chegarmos ao fim deste século”, lê-se ainda no documento.

“Em breve vai ser tarde demais para mudar o rumo da nossa trajectória descendente e o tempo está a esgotar-se”, escrevem os cientistas, lembrando que é preciso “reconhecer, na nossa vida do dia a dia e nas nossas instituições de governo que a Terra, como toda a sua vida, é a nossa única casa”. E para melhorar as perspectivas da humanidade nessa casa, os signatários apontam alguns passos necessários, que vão desde tornar a contracepção mais acessível a apostar numa alimentação à base de plantas e nas energias renováveis.

MSN notícias
13/11/2017

[vasaioqrcode]

[SlideDeck2 id=42]

[yasr_visitor_votes size=”medium”]

[powr-hit-counter id=59b72efc_1510669275517]