1852: O exoplaneta mais próximo da Terra parece ter um mundo vizinho

M. Kornmesser / European Southern Observatory
Conceito artístico do planeta Próxima b em órbita da sua estrela, Próxima Centauri

O exoplaneta mais próximo da Terra pode ter um vizinho. Uma equipa de astrónomos detectou um planeta candidato a orbitar a estrela Próxima Centauri, localizada a apenas 4,2 anos-luz do Sistema Solar e que abriga o mundo mais próximo da Terra, o Próxima b.

“É apenas um candidato. É muito importante sublinhar”, disse Mario Damasso, da Universidade de Turim, em Itália, durante uma apresentação na conferência Breakthrough Disc na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, citado pela agência Europa Press.

Damasso e a sua equipa analisaram as observações de Próxima Centauri captadas pelo HARPS (High Precision Radial Velocity Planet Searcher), instrumento que foi instalado num telescópio do Observatório La Silla do European Southern Observatory (ESO), no Chile, que acompanha e regista os pequenos movimentos estelares induzidos pela atracção gravitacional dos planetas em órbita.

Os dados deste instrumento ajudaram a descobrir o exoplaneta Próxima b (o mais próximo do Sistema Solar), entre muitos outros mundos extra-solares.

O Próxima b orbita a zona habitável da anã vermelha Próxima Centauri a uma distância orbital onde pode existir água líquida na superfície de um planeta. Contudo, não é ainda certo que o exoplaneta possa abrigar vida como a Terra. Tal como os cientistas explicam, é provável que o exoplaneta esteja bloqueado pela sua estrela, tendo, por isso um lado escaldante e um outro lado nocturno gelado. Além disso, as explosões na sua estrela podem ter-lhe retiro a sua atmosfera há muito tempo.

A discussão sobre a habitabilidade não será, à partida, arrastada para a confirmação do novo planeta (o potencial Próxima c), caso esta venha a acontecer. O mundo “vizinho” tem uma massa mínima aproximada de cerca de seis vezes a da Terra e orbita a 1,5 unidades astronómicas da Próxima Centauri e, por isso, será provavelmente muito frio.

Tal como relata o portal Space.com, esta distância orbital também faz com que seja mais difícil detectar o Próxima c, uma vez que a atracção do planeta na estrela é muito fraca.

A equipa acredita na detecção do novo planeta, mas sublinha que os dados são ainda preliminares. Além disso, o documento foi enviado para a revisão de pares e posterior publicação, não tendo, até ao momento, sido aceite para publicação.

Os cientistas disseram que a confirmação pode ser feita através de observações adicionais do HARPS, instrumentos semelhantes ou até pela medições feitas pela missão espacial europeia Gaia que produz mapas estelares. Se o Próxima c for realmente verdadeiro, o Gaia poderá ser capaz de o detectar. 

E se o planeta for real, múltiplas oportunidades se poderão abrir: os telescópios espaciais poderão, muito em breve, fotografar este mundo exótico. “Potencialmente, este é um laboratório espectacular para imagens directas”, disse Del Sordo, que participou na investigação e na apresentação dos seus resultados.

ZAP //

Por ZAP
16 Abril, 2019

 

O exoplaneta mais próximo da Terra pode ser “altamente habitável”

Próxima Centauri b terá grandes massas de água na sua superfície e pode permitir a vida humana, diz um novo estudo

© NASA

Desde que o astrónomo espanhol Guillem Escude descobriu em 2016 o exoplaneta mais similar à Terra que os estudos se têm aperfeiçoado na descoberta da sua superfície e atmosfera. E o Próxima Centauri b pode mesmo ser habitável por humanos devido à grande quantidade de água que parece albergar, conclui um novo estudo, agora divulgado pela revista Astrobiology.

Com o recurso a modelos similares aos usados para estudar as alterações climáticas na Terra, uma equipa de investigadores liderada por Anthony del Genio, do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA, acaba de descobrir que Proxima b é perfeitamente capaz de manter grandes áreas de água líquida na sua superfície, o que aumenta enormemente as hipóteses de abrigar organismos vivos.

“A principal mensagem das nossas simulações é que há uma hipótese, mais do que decente, que o planeta seja habitável”, afirmou Del Genio à revista Live Science.

Este exoplaneta situa-se na órbita da Próxima Centauri, a estrela mais próxima do Sol, mas muito menor e mais fria. Explicam os cientistas que a sua zona habitável é extremamente próxima da estrela e é muito provável que o Próxima b, bloqueado por marés gravitacionais, exiba sempre a mesma face para a estrela, semelhante à Lua para a Terra.

Estudos anteriores tinham apontado que o hemisfério sempre iluminado do planeta estará submetido a temperaturas muito altas, enquanto o hemisfério escuro será extremamente frio. Isto seriam más notícias para a existência de possíveis reservas de água, que evaporariam numa parte de Próxima b e congelariam na zona oposta. Nesse cenário, a água líquida só poderia manter-se numa área muito limitada do planeta.

Oceano dinâmico

Mas as novas pesquisas efectuadas por esta equipa foram muito mais exaustivas e incluem já um oceano dinâmico e circulante, capaz de transferir o calor de um hemisfério para o outro de forma muito eficaz. Os investigadores também descobriram que os movimentos do oceano e da atmosfera combinam de tal forma que “embora o lado da noite nunca veja a luz da estrela, há uma faixa de água líquida que permanece em redor da zona equatorial”.

Del Genio compara a circulação de calor no exoplaneta aos climas costeiros da Terra. A costa leste dos Estados Unidos da América, por exemplo, é mais quente do que deveria, porque a corrente do Golfo transporta água quente dos trópicos. Na Califórnia, ao invés, as correntes oceânicas trazem água fria do norte, de modo que a costa oeste é mais fria do que seria sem essa situação.

Para o Proxima b, explica o diário espanhol ABC, os investigadores executaram até 18 simulações diferentes, tendo em conta os efeitos de continentes gigantescos, diferentes composições atmosféricas e até mesmo mudanças na salinidade do oceano global. E em quase todos os modelos, o Próxima b acabou por ter grandes mares abertos e duráveis em pelo menos parte de sua superfície.

Diário de Notícias
David Mandim
13 Setembro 2018 — 18:51

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364: Névoas e nuvens: ambiente alienígena é recriado na Terra

European Southern Observatory / Flickr
Conceito artístico da superfície de Proxima Centauri b em órbita de sua estrela

Os cientistas determinaram que as névoas químicas e as nuvens são capazes de impactar a temperatura da superfície de um planeta, bem como a sua capacidade de suportar vida.

Uma equipa de cientistas da Universidade Johns Hopkins em Baltimore conseguiu pela primeira vez recriar a atmosfera de nove exoplanetas em condições laboratoriais.

“Acredito que vamos aprender muito sobre o nosso Sistema Solar em resultado destas experiências. Não estamos apenas à procura de conhecer um planeta, mas sim de estudar como os planetas funcionam”, afirmou à BBC Sarah Horst, investigadora-sénior da Universidade de Johns Hopkins e um dos autores do estudo publicado no jornal Nature Astronomy.

Christiane Helling, cientista do Centro de Estudos de Exoplanetas da Universidade de St. Andrews, afirmou que a descoberta foi “um grande passo em frente no estudo dos exoplanetas”.

Há muito que os cientistas procuram exoplanetas, grandes corpos celestes a orbitar estrelas parecidas com o Sol, ou seja, pertencentes a um sistema planetário diferente do nosso.

O exoplaneta mais próximo do Sol, o Proxima Centauri b, está localizado a mais de 40 biliões de quilómetros do nosso planeta, sendo extremamente difícil de ser observado. Contudo, os cientistas acreditam que as nuvens e névoas que cobrem os exoplanetas podem ajudar a determinar a temperatura e composição química da sua atmosfera.

Os investigadores acreditam que as nuvens e névoa são compostas por minerais gaseificados que podem dispersar a luz e afectar a temperatura da superfície, ou voltam à superfície na forma de precipitações.

Construindo planetas

Sarah Horst e a sua equipa recriaram as atmosferas de nove potenciais mundos, visando estudar como a química atmosférica realmente funciona.

Os investigadores expuseram diversas misturas de gases, ricas em hidrogénio, água ou dióxido de carbono a uma descarga de plasma a frio, dando início a processos químicos semelhantes às auroras polares visíveis no nosso Sistema Solar.

Quando o telescópico espacial James Webb for lançado em 2019, permitirá aos cientistas entender melhor o funcionamento da atmosfera dos exoplanetas. Além disso, o aparelho ajudará a saber mais sobre potenciais sinais de vida nestes corpos celestes.

Sarah Horst acredita que os resultados obtidos pela sua equipa mostram que os exoplanetas são capazes de criar as condições para o aparecimento de vida.  “Se houver vida em qualquer desses planetas, há uma grande probabilidade de que as substâncias orgânicas na atmosfera tenham desempenhado um papel na sua origem ou evolução”, assinalou.

ZAP // Sputnik News / BBC / JHU

Por ZAP
11 Março, 2018

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