2465: Febre do lítio pede licença para chegar a Portugal

Com o potencial de ter as maiores reservas da Europa, a febre do lítio chegou a Portugal, onde se registaram duas dezenas de solicitações de prospecção este ano, embora as empresas mineiras continuem à espera dos concursos prometidos pelo Governo.

Perante a perspectiva de um aumento exponencial da procura pelo seu uso nas baterias de carros eléctricos, a descoberta de grandes reservas deste “ouro branco” em Portugal despertou o interesse pela sua exploração, levando ao aumento das vozes de preocupação com o seu impacto ambiental.

As estimativas apontam que as reservas nacionais de lítio rondem as 60.000 toneladas métricas, embora o número real seja desconhecido — ainda não se estudaram todas as zonas nas quais se poderá encontrar este metal, concentrado no centro e norte do país

Caso se confirme, Portugal estaria entre os países com mais depósitos do mundo, embora muito afastado dos cinco gigantes — Bolívia, Chile, China, Austrália e Argentina, onde as reservas se contam em milhões de toneladas métricas.

Em Portugal já se produz lítio, que é para já apenas destinado à indústria cerâmica, e as minas já activas não produzem o volume suficiente para abastecer as fábricas das baterias, explica à agência EFE o geólogo português e consultor John Morris Pereira.

Segundo o geólogo, o preço da matéria-prima para a cerâmica é “relativamente baixo”, pelo que depois “chega um momento em que deixa de ser económico aprofundar as explorações”. Mas o seu uso para a mobilidade eléctrica poderia dar uma reviravolta ao sector em Portugal.

O geólogo calcula que num prazo de dois anos já poderá haver pelo menos duas unidades a produzir lítio para as fábricas de baterias, já que os trâmites legais estão bastante adiantados.

A mais avançada é a mina de Barroso, no norte do país, onde a britânica Savannah Resources anunciou ter encontrado a maior reserva de lítio da Europa ocidental. Prevê investir cerca de 500 milhões e começar a produzir no final de 2020. Mas para que Portugal se posicione com força no mercado do lítio é necessário realizar mais prospecções, algo na agenda do Governo socialista português.

À espera de licenças

Em Janeiro de 2018, o Executivo aprovou uma estratégia para “dinamizar os concursos públicos para a atribuição de licenças de prospecção e investigação, assim como para a respectiva exploração”. No entanto, ano e meio depois, ainda não os lançou.

A previsão é que sejam abertos 8 concursos de prospecção nas zonas onde se identificaram reservas. No entanto, o Ministério de Ambiente e Transição Energética, que tem a tutela sobre estas concessões, não deu detalhes sobre a data prevista.

Nos últimos dois anos devemos ter perdido entre 8 e 10 milhões de euros em investimentos só em prospecção e investigação devido à demora nos concursos”, lamenta Morris Pereira.

Além da Savannah Resources, várias empresas estrangeiras mostraram um grande interesse no lítio português, como as australianas Fortescue, que este ano apresentou duas dezenas de solicitações de prospecção, ou a Dakota Minerals, que inclusivamente decidiu adaptar o seu nome ao português e trocá-lo para “Novo Lítio”.

Para as explorações que têm que esperar pelos concursos de prospecção, o processo de licenças pode demorar até uma década, segundo os geólogos. Em pleno Agosto e com eleições legislativas em Outubro, não têm muita esperança que cheguem antes do voto.

Contestação ambiental

Poderá a contestação ambiental que o assunto levantou no país estar a influenciar a demora? O geólogo considera que sim, uma opinião compartilhada pelas organizações “verdes”. Nas zonas nas quais se poderão lançar os concursos surgiram nos últimos anos movimentos de oposição liderados por moradores e municípios e apoiados pelas associações ambientais.

“Este processo não pode avançar da forma anárquica como se está a fazer”, disse à EFE o ambientalista Pedro Santos, da associação Quercus, que alertou sobre o impacto que as minas podem ter sobre a paisagem, os ecossistemas, os cursos de água e as populações.

A Quercus tem “muitas dúvidas” que a indústria do lítio, tal como se planeia em Portugal, com minas ao ar livre, possa ter um “impacto positivo”, apesar de se destinar à mobilidade eléctrica.

“Entendemos que o lítio tem um papel importante no contexto actual das baterias e da tecnologia, mas existem outras formas de extracção com menos impacto no meio ambiente e outras formas de mobilidade”, defende Santos, que apelou ao incentivo de soluções baseadas no hidrogénio.

#semcomentarios

Publicado por John Pereira em Sábado, 22 de junho de 2019

Por tudo isso, a Quercus pede o fim das concessões e que o Parlamento discuta na próxima legislatura uma estratégia para preservar os meios naturais e debater o impacto ambiental das minas de lítio.

ZAP // EFE

Por EFE
18 Agosto, 2019

 

1578: Rover que vai procurar vida em Marte homenageia Rosalind Franklin, a “mãe” do ADN

ESA/ATG medialab

A agência espacial europeia ESA, junto com a Roscosmos, agência espacial da Rússia, vem a desenvolver o projecto ExoMars, que enviará um rover à superfície de Marte em 2020 com o objectivo principal de procurar vida.

O novo rover marciano da ESA foi baptizado com o nome de Rosalind Franklin, a injustiçada “mãe” do ADN.

O veículo de seis rodas está a ser montado pela Airbus no Reino Unido, equipado com instrumentos científicos diversos e uma broca para perfurar o solo. Assim, dar ao rover o nome de uma cientista que desempenhou papel essencial na descoberta da estrutura do ácido desoxirribonucleico faz todo sentido.

A previsão de finalização da construção do robô é para o final de Julho, quando a máquina será transportada a um centro de testes da Airbus em França. Então, o rover Franklin será integrado à sua cápsula de transporte, ficando pronto para que os russos façam o lançamento. O robô será enviado entre os dias 25 de Julho e 13 de Agosto do ano que vem, chegando a Marte em Março de 2021.

A cientista conseguiu registar duas imagens de raios-X com a estrutura do ácido desoxirribonucleico, permitindo que James Watson e Francis Crick decifrassem a forma de dupla hélice do ADN.

Ou seja, a dupla, que ganhou os méritos e reconhecimento quanto à descoberta do ADN, não teria conseguido fazer nada disso se não fosse a descoberta inicial de Franklin, que morreu prematuramente devido a um cancro de ovário, aos 37 anos, e, portanto, sem o devido reconhecimento.

MRC Laboratory of Molecular Biology / Wikimedia
Rosalind Franklin

Em 1952, Rosalind Franklin investigava o arranjo atómico do ADN usando as suas habilidades na manipulação de raios-X para criar imagens a serem analisadas.

Uma das suas fotos foi usada pela dupla Crick e Watson para a construção do primeiro modelo tridimensional da macro-molécula de dois filamentos, o que permitiu a compreensão de com o ADN armazena, copia e transmite o “código genético da vida”.

A dupla recebeu o Prémio Nobel em 1962 e Franklin não foi mencionada pois Nobels não são concedidos postumamente.

Nascida em Londres em 1920, Rosalind Franklin destacou-se nas aulas de ciências desde muito nova, tendo estudado numa das poucas escolas para raparigas que ensinavam física e química na sua época.

Decidiu que queria ser cientista aos 15 anos, contrariando a vontade dos pais, que não viam futuro nessa área dominada por homens e gostariam que a sua filha estudasse serviço social. Em 1939, entrou no Newham College, da universidade de Cambridge, graduando-se em físico-química em 1941.

No ano seguinte, tornou-se investigadora, analisando a estrutura física de materiais carbonizados usando raios-x. Rosalind Franklin também era interessada nos avanços da ciência espacial da sua época.

Mas o que “Rosalind nunca poderia imaginar é que, mais de 60 anos depois, haveria um rover enviado a Marte com o seu nome, e de alguma forma isso torna esse projecto ainda mais especial”, disse a irmã da cientista à BBC.

ZAP // Canal Tech

Por CT
11 Fevereiro, 2019

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1487: NASA está à procura de estagiários em Portugal

Serão atribuídas até seis bolsas a estudantes portugueses.

Estão abertas até à próxima segunda-feira, dia 21 de Janeiro, as candidaturas à terceira edição do concurso para a atribuição de bolsas de investigação para estágios na NASA (National Aeronautics and Space Administration of the USA).

Recorde-se que, Portugal assinou um acordo com a NASA, em 2016, que permite que estudantes universitários portugueses possam estagiar na agência espacial norte-americana. À Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) cabe lançar os concursos e financiar a bolsa de estágio, enquanto a NASA assegura o alojamento.

As oportunidades de estágio para esta edição englobam 22 projectos, dos quais os candidatos podem indicar aqueles a que pretendem concorrer. Serão atribuídas até seis bolsas a estudantes portugueses que estejam a frequentar um doutoramento ou mestrado nas áreas das ciências, tecnologias, engenharias e matemática. Nas duas primeiras edições participaram 12 estudantes.

Milton Cordeiro, que participou na primeira edição, em 2017, quando estava a concluir o doutoramento em Biotecnologia na Universidade Nova de Lisboa, recebeu um convite para continuar a sua colaboração como investigador convidado na agência.

A FCT, organismo que subsidia a investigação em Portugal, coordena ainda programas de estágios tecnológicos na agência espacial europeia ESA, no Observatório Europeu do Sul e na Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear/CERN.

Diário de Notícias
Dinheiro Vivo
16 Janeiro 2019 — 11:06

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1485: Há vida pós-LHC. CERN planeia acelerador de partículas dez vezes mais potente

FCC Study / CERN
Modelo do interior do futuro FCC

O futuro da Física de Partículas começa a ganhar forma. O CERN (Laboratório Europeu de Física de Partículas) detalhou esta terça-feira os seus planos para o novo acelerador de partículas que irá suceder o Grande Colisionador de Hadrões (LHC), celebrizado pela descoberta do Bosão de Higgs.

De acordo com a instituição, que já em 2014 tinha avançado com um estudo de viabilidade do projecto, o novo acelerador de partículas, baptizado de Future Circular Collider (FCC), será quatro vezes maior e dez vezes mais potente do que o pioneiro LHC.

O documento elaborado pelo CERN apresenta diferentes opções para um grande e circular acelerador, projectado para ter 100 quilómetros de diâmetro – um número impressionante tendo em conta os 27 modestos quilómetros que formam o LHC.

“O relatório do projecto conceptual do FCC é feito notável. [O FCC] tem um imenso potencial para melhorar o nosso conhecimento sobre a Física fundamental e avançar em muitas tecnologias com grande impacto na sociedade” disse a directora-geral do CERN, Fabiola Gianotti, citada numa nota de imprensa

CERN
Layout proposto para o futuro acelerador de partículas

“O grande objectivo é construir um anel acelerador supercondutor de protões de 100 quilómetros [o LHC tem 27 quilómetros] com uma energia até 100 TeV [tera-electrão-volts, unidade de medida de energia], o que implica uma ordem de grandeza acima do LHC”, nota Frédérick Bordry, diretor de Aceleradores e Tecnologia do CERN

O CERN pretende que o sucessor do LHC continue a explorar o Bosão de Higgs, descoberto em 2014 e celebrizado como “Partícula de Deus” entre a comunidade científica. Para a organização europeia, a nova estrutura circular oferecerá “oportunidades únicas” para estudar esta partícula, podendo mesmo vir a ser uma “poderosa ‘fábrica de Higgs‘”, onde será possível detectar novos e raros processos, bem como medir partículas já conhecida com taxas de precisão nunca antes alcançadas.

O FCC custará cerca de 9 mil milhões de euros, incluindo já 5 mil milhões de euros em trabalhos de engenharia civil para perfurar um túnel destas dimensões. Segundo o CERN, este poderoso colisionador de partículas estaria ao serviço da comunidade científica durante 10 a 15 anos, podendo iniciar a sua actividade em 2040, época em que a actividade do LHC chegará ao fim.

Além deste custo, seriam ainda necessários 15 mil milhões de euros adicionais para um supercondutor de protões, que seria depois utilizado neste mesmo túnel e que que poderia começar a operar em finais de 2050.

Um “laboratório do mundo” substituirá o LHC

A nova estrutura circular “mostra à comunidades os princípios e a viabilidade do Colisionador Circular do Futuro pós-LHC”, explicou Michael Benedikt, físico do CERN e líder do novo projecto, em declarações ao Gizmodo. O FCC “mostra que existe um cenário físico coerente e confiável para a implementação de um projecto de maior escala que poderia continuar a alimentar a Física de alta energia”, sustentou o cientista.

O futuro acelerador do CERN, que contou na sua projecção com a colaboração de 1300 especialistas oriundos de 150 universidades, pode ter também um papel importante no estudo da matéria escura, que sabemos existir e em grande abundância no nosso Universo, mas apenas pela sua interacção gravitacional.

FCC Study / CERN
Um dos primeiros protótipos produzidos para o LCC

Não é ainda certo que esta enorme estrutura venha a ser construída, mas os cientistas estão confiantes: “Se o dinheiro puder ser encontrado de forma credível para iniciar o projecto, então estou convencido de que o CERN conseguirá construí-lo com sucesso“, considerou Brian Foster, professor de Física experimental na Universidade de Oxford, em declarações ao jornal britânico The Guardian.

“Idealmente, um projecto do tipo do FCC seria um catalisador para fundar um verdadeiro laboratório mundial, que é o próximo passo obviamente. Afinal, O CERN é claramente – e de forma não oficial o laboratório da Física de partículas do mundo. Mas isto não significa que os países asiáticos ou os Estados Unidos deixaria de ter os seus próprios programas regionais: a maioria dos físicos dos Estados Unidos já está envolvida no LHC”, rematou

A par da intenção do CERN em proliferar o trabalho do Grande Colisonador de Hadrões, só a China anunciou estar a construir um acelerador de partículas maior do que este, localizado na fronteira franco-suiça.

De qualquer das formas, há vida pós-LHC e o recém-planeado LCC tem potencial para nos fazer “esquecer” rapidamente do “pai” da mítica “Partícula de Deus“.

SA, ZAP //

Por SA
17 Janeiro, 2019

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1478: O que 100.000 fábricas estelares em 74 galáxias nos contam sobre a formação estelar em todo o Universo

Seis imagens obtidas pelo ALMA de uma colecção de 74. Fazem parte do levantamento PHANGS-ALMA, que tem o objectivo de estudar as propriedades das nuvens de formação estelar em galáxias de disco.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO); NRAO/AUI/NSF, B. Saxton

As galáxias têm uma ampla variedade de formas e tamanhos. No entanto, algumas das diferenças mais significativas entre as galáxias dizem respeito a onde e como formam novas estrelas. As investigações convincentes para explicar essas diferenças têm sido elusivas, mas isso está prestes a mudar. O ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) está a levar a cabo um levantamento sem precedentes de galáxias de disco próximas com o objectivo de estudar os seus berçários estelares. Com ele, os astrónomos estão a começar a desvendar a relação complexa e ainda pouco entendida entre as nuvens de formação estelar e as suas galáxias hospedeiras.

Um novo e vasto projecto de investigação com o ALMA, conhecido como PHANGS-ALMA (Physics at High Angular Resolution in Nearby GalaxieS), debruça-se sobre esta questão com muito mais poder e precisão do que nunca, medindo a demografia e as características de uns impressionantes 100.000 berçários estelares individuais espalhados por 74 galáxias.

A campanha de pesquisa PHANGS-ALMA, sem precedentes, já acumulou um total de 750 horas de observações e deu aos astrónomos uma compreensão muito mais clara de como o ciclo de formação estelar muda, dependendo do tamanho, idade e dinâmica interna de cada galáxia individual. Esta campanha é dez a cem vezes mais poderosa (dependendo dos parâmetros) do que qualquer outro levantamento anterior do género.

“Algumas galáxias produzem furiosamente novas estrelas, enquanto outras já consumiram a maior parte do seu combustível para a formação estelar. A origem desta diversidade pode muito provavelmente estar nas propriedades dos próprios berçários estelares,” comenta Erik Rosolowsky, astrónomo da Universidade de Alberta no Canadá e um dos principais investigadores da equipa de investigação do levantamento PHANGS-ALMA.

Rosolowsky apresentou os achados iniciais da investigação na 233.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana, que teve lugar a semana passada em Seattle, Washington, EUA. Vários artigos baseados nesta campanha também foram publicados nas revistas The Astrophysical Journal e The Astrophysical Journal Letters.

“As observações anteriores com as gerações anteriores de radiotelescópios fornecem algumas informações cruciais sobre a natureza dos berçários estelares densos e frios,” disse Rosolowsky. “No entanto, estas observações carecem de sensibilidade, de resolução e de poder para estudar a grande diversidade dos berçários estelares em toda a população de galáxias locais. Isto limitou seriamente a nossa capacidade para relacionar o comportamento ou propriedades dos berçários estelares individuais com as propriedades das galáxias em que residem.”

Durante décadas, os astrónomos especularam que existem diferenças fundamentais na forma como as galáxias de disco com vários tamanhos convertem o hidrogénio em novas estrelas. Alguns astrónomos teorizam que galáxias maiores e geralmente mais velhas não são tão eficientes na produção estelar quanto as suas primas mais pequenas. A explicação mais lógica seria que essas grandes galáxias têm berçários estelares menos eficientes. Mas tem sido difícil testar esta ideia com observações.

Pela primeira vez, o ALMA está a permitir com que os astrónomos realizem o censo abrangente necessário para determinar como as propriedades de grande escala (tamanho, movimento, etc.) de uma galáxia influenciam o ciclo de formação estelar à escala de nuvens moleculares individuais. Estas nuvens têm apenas algumas dezenas a centenas de anos-luz de tamanho, o que é fenomenalmente pequeno à escala de uma galáxia inteira, especialmente quando vista a milhões de anos-luz de distância.

“As estrelas formam-se de modo mais eficiente em algumas galáxias do que noutras, mas a falta de observações em alta resolução e à escala das nuvens fez com que as nossas teorias não fossem bem testadas, razão pela qual estas observações do ALMA são tão críticas,” explica Adam Leroy, astrónomo da Universidade Estatal do Ohio e co-investigador principal da equipa PHANGS-ALMA.

Parte do mistério da formação estelar, realçam os astrónomos, tem a ver com o meio interestelar – toda a matéria e energia que preenche o espaço entre as estrelas.

Os astrónomos entendem que existe um ciclo de feedback contínuo no interior e em redor dos berçários estelares. Dentro destas nuvens, regiões de gás denso colapsam e formam estrelas, o que perturba o meio interestelar.

“De facto, a comparação entre as observações iniciais do PHANGS e as posições das estrelas recém-formadas mostra que estas destroem rapidamente as suas nuvens natais,” acrescenta Rosolowsky. “A equipa PHANGS está a estudar como esta perturbação tem lugar em diferentes tipos de galáxias, o que pode ser um factor-chave na formação estelar.”

Para esta investigação, o ALMA está a observar moléculas de monóxido de carbono (CO) em todas as galáxias espirais relativamente massivas, vistas geralmente de face, visíveis do hemisfério sul. As moléculas de CO emitem naturalmente luz em comprimentos de onda milimétricos que o ALMA pode detectar. São particularmente eficazes em destacar a localização de nuvens de formação estelar.

“O ALMA é uma máquina incrivelmente eficiente a mapear monóxido de carbono em grandes áreas de galáxias próximas,” salienta Leroy. “Foi capaz de realizar este levantamento graças ao poder combinado das antenas de 12 metros, que estudam características de escala fina, e às antenas mais pequenas de 7 metros, no centro do complexo, sensíveis a características de grande escala, essencialmente preenchendo as lacunas.”

Um estudo complementar, PHANGS-MUSE (Multi-Unit Spectroscopic Explorer), está a usar o VLT (Very Large Telescope) para obter imagens ópticas das primeiras 19 galáxias observadas pelo ALMA. Ainda outro levantamento, PHANGS-HST, usa o Telescópio Espacial Hubble para estudar 38 destas galáxias e para encontrar os seus mais jovens enxames estelares. Juntos, estes três levantamentos fornecem uma imagem surpreendentemente completa de quão eficazmente as galáxias produzem estrelas ao estudar o gás molecular frio, o seu movimento, a localização de gás ionizado (regiões onde as estrelas já estão a ser formadas) e as populações estelares completas das galáxias.

“Em astronomia, não temos capacidade para observar o cosmos a mudar ao longo do tempo; as escalas de tempo simplesmente superam avassaladoramente a existência humana,” diz Rosolowsky. “Não podemos observar um objecto para todo o sempre, mas podemos observar centenas de milhares de nuvens de formação estelar em galáxias de diferentes tamanhos e idades para inferir como a evolução galáctica funciona. Esse é o valor real da campanha PHANGS-ALMA.”

“Também analisamos milhares a dezenas de milhares de regiões de formação estelar dentro de cada galáxia, capturando-as ao longo do seu ciclo de vida. Isto permite-nos construir uma imagem do nascimento e da morte dos berçários estelares nas galáxias, algo quase impossível antes do ALMA,” acrescenta Leroy.

Até agora, o PHANGS-ALMA estudou aproximadamente 100.000 objectos semelhantes à Nebulosa de Orionte no Universo próximo. Espera-se que a campanha acabe eventualmente por observar cerca de 300.000 regiões de formação estelar.

Astronomia On-line
15 de Janeiro de 2019

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1460: Planeta gasoso 23 vezes maior que a Terra descoberto fora do nosso sistema solar

Três novos planetas e seis super-novas fora do nosso sistema solar foram observados pelo “caçador de planetas” da NASA, o telescópio TESS. A mais recente descoberta é um exoplaneta gasoso 23 vezes maior que a Terra.

© NASA SIC Notícias

Desde que começou a observar o espaço em Julho do ano passado, o projecto do MIT descobriu um trio de exoplanetas e seis super-novas – entre vários outros objectos celestes.

A mais recente descoberta é um exoplaneta chamado HD 21749b que tem um período orbital de apenas 36 dias, em redor de uma estrela anã a cerca de 53 anos-luz de nós, na constelação de Reticulum. Tem uma temperatura de cerca de 1650ºC, o que é relativamente frio considerando a pouca distância que está da sua estrela.

“É o planeta mais fresco que orbita em redor de uma estrela que conhecemos”, revela a astrónoma Diana Dragomir citada pelo The Guardian. “É muito difícil encontrar pequenos planetas que orbitam mais longe de suas estrelas e são, por isso, mais frios. Mas tivemos sorte e agora vamos poder estudar este com mais pormenor”.

Este exoplaneta é 23 vezes maior que a Terra, o que significa que é mais provável ser gasoso que rochoso, e tem uma atmosfera mais densa que a de Neptuno ou Úrano.

Uma “Super Terra” e uma “Terra muito quente”

Lançado em Abril de 2018, o telescópio TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite, Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito), descobriu primeiro uma “Super-Terra” e, três dias depois, uma “Terra muito quente” em sistemas solares distantes.

A “Super-Terra”, primeiro exoplaneta descoberto pelo TESS, orbita a estrela Pi Mensae, ou HD 39091, a cerca de 59.5 anos-luz da Terra, na constelação Mensa, a mesa. Pi Mensae é uma estrela-anã amarela como o nosso Sol.

A “Terra muito quente” é ligeiramente maior que o nosso planeta e orbita a estrela-anã vermelha LHS 3844, a 49 anos-luz daqui – o que é considerado muito perto. Demora 11 horas a dar a volta à estrela – um ano muito curto o que significa que está demasiado perto para ser habitável.

Missão de dois anos à caça de exoplanetas

O telescópio TESS foi lançado a 18 de Abril a bordo do foguetão Falcon 9, da empresa aeroespacial privada SpaceX, da base de Cabo Canaveral, na Florida, nos Estados Unidos.

Poucos meses depois de entrar em órbita, o satélite artificial começou a sua missão, que tem uma duração inicial de dois anos.

Ao contrário do telescópio espacial Kepler, também da NASA, que ‘caçou’ mais de 2.600 exoplanetas numa determinada zona do céu, a maioria a orbitar estrelas pouco brilhantes, entre 300 e 3.000 anos-luz da Terra, o TESS vai procurar novos planetas fora do Sistema Solar em todo o céu.

No primeiro ano da missão será observado o hemisfério sul e no segundo ano o hemisfério norte, com o telescópio a concentrar-se em planetas que orbitam estrelas próximas da Terra, a menos de 300 anos-luz, e 30 a 100 vezes mais brilhantes do que as estrelas-alvo do Kepler.

Cientista português “a bordo” da missão

Na missão TESS participa o investigador Tiago Campante, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, que esteve envolvido no planeamento científico, nomeadamente na selecção de estrelas-alvo a observar.

Com o telescópio em funcionamento, o astrofísico vai estudar em particular a vibração (oscilações no brilho) das estrelas a partir da decomposição da sua luz.

Estas oscilações permitem caracterizar detalhadamente as estrelas, como a sua massa, o diâmetro e a idade, conforme explicou anteriormente à Lusa o cientista, contemplado este ano com uma bolsa europeia Marie Curie no valor de 160 mil euros.

Tiago Campante sublinhou que o telescópio vai fazer “a detecção, o levantamento” de exoplanetas “por todo o céu”.

Planetas que possam, inclusive, estar na chamada ‘zona habitável’ da estrela (planetas nem demasiado perto nem demasiado longe da estrela-mãe e que, por isso, poderão ter à superfície água líquida, elemento essencial para a vida tal como se conhece).

O astrofísico adiantou que a validação dos novos planetas extras-solares detectados será feita em terra com outros telescópios por outros investigadores, incluindo portugueses, do núcleo do Porto do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, especialista neste tipo de planetas.

msn notícias
09/01/2019

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1447: Cientistas perfuram mais de um quilómetro de gelo para alcançar misterioso lago da Antárctida

Christopher Michel / Wikimedia

O grupo de cientistas do projecto internacional SALSA conseguiu alcançar o misterioso lago Mercer, que fica sob o gelo da Antárctida à profundidade de mais de um quilómetro.

A equipa de cerca de 50 cientistas, perfuradores e staff encontraram o lago na noite de dia 26 de Dezembro. Embora grande parte da análise inicial das amostras seja feita no local, os dados recolhidos manterão os cientistas ocupados nos próximos anos.

Segundo declaram os especialistas, o estudo do lago sub-glacial, que é um dos 400 encontrados na Antárctida, dará a possibilidade rara de investigar a química e biologia de um dos ecossistemas mais isolados do planeta.

Os cientistas conseguiram encontrar o lago usando perfuração com alta pressão e água quente. Actualmente os especialistas preparam os aparelhos para estudar de modo mais detalhado a estrutura da água e para fazer uma gravação de vídeo no lago.

As investigações detalhadas podem demorar anos. No entanto, os cientistas admitem que podem ser encontradas formas de vida que “não viram o sol durante séculos”.

“Não sabemos o que vamos encontrar. Estamos apenas a aprender, trata-se apenas da segunda vez em que algo semelhante foi feito”, declarou John Priscu, cientista da Universidade de Montana e o principal investigador do SALSA (Acesso Científico aos Lagos Sub-glaciais Antárcticos).

(dr) SALSA

O único outro lago sub-glacial que os humanos perfuraram – o lago Whillans, em 2013 – demonstrou que estes ambientes extremos podem ser palco de diversas formas de vida microbiana.

De acordo com Priscu, a exploração do lago Mercer pode ajudar os cientistas a preencher uma lacuna importante no entendimento da história da Antárctida e determinar se este lago já foi, como o lago Whillians, um ambiente marinho.

Recentemente, o grupo internacional de investigadores encontrou na Antárctida oriental uma grande fonte de radiação geotérmica que pode ser a causa do derretimento dos mantos de gelo.

ZAP // Gizmodo

Por ZAP
3 Janeiro, 2019

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1018: Orçamento Participativo Portugal > Votação até 30 Setembro 2018

O Orçamento Participativo Portugal é um processo democrático deliberativo, directo e universal, através do qual as pessoas apresentam propostas de investimento e que escolhem, através do voto, quais os projectos que devem ser implementados em diferentes áreas de governação. A votação ocorre até 30 de Setembro. Cada cidadão pode votar num projecto de âmbito nacional e noutro de âmbito regional.

O Prof. Doutor Rui Agostinho, docente da FCUL e director do OAL propôs, como cidadão, um projecto a votação no Orçamento Participativo Portugal. Fique a conhecer o projecto e participe na votação:

Âmbito Nacional

Projecto #582 – AstroCosmos: Aprender na Escola, no Campo e na Cidade, no Céu de Portugal
Proposto por Rui Agostinho
Votar online

É um projecto de Astronomia dando muita ênfase às Escolas, à formação dos alunos e professores, mas também é para o público. O projecto contribuirá para o desenvolvimento da Educação em Ciência e da Cidadania do Conhecimento, através destas acções que serão realizadas com as Escolas e com o público.

O projecto tira partido da posição privilegiada de instituições de divulgação científica, os CCVs, apoiadas por uma instituição do Ensino Superior em Lisboa, que tem reconhecida competência em Astronomia, no ensino, divulgação e investigação.

Está na proposta que um CCV deve estar em Lisboa, com uma localização de eleição e infraestruturas muito boas. Isto permitirá a observação do Sol e da Lua integradas nas sessões públicas regulares, onde as Escolas têm um assento preferencial.

O complemento perfeito está na excelente qualidade do céu alentejano, a Sul de Grândola, num CCV onde aflui muito público com regularidade e onde se farão observações astronómicas no grande telescópio, mas também para as suas actividades regulares de observação do Sol, da Lua e dos planetas. O que está planeado é que seja o CCV do Lousal, onde se têm feito este tipo de acções: funcionará bem.

As acções de formação com as Escolas terão acesso (local ou remoto) ao telescópio, e será criada um base de dados com imagens e projectos, de acesso livre. O Prof. Rui Agostinho fará a coordenação dos projectos de Formação e Ensino com as Escolas.

Será preciso comprar equipamento como as cúpulas, pequenos telescópios solares em Hα além de outros equipamentos para imagem (CCD, filtros, espectroscópio, etc). Mas o grande telescópio já existe na FCUL/OAL: é um Ritchey-Chrétien de 45 cm, com montagem equatorial de garfo.

OAL – Observatório Astronómico de Lisboa
14 Set 2018

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965: Japão prepara-se para testar o mítico elevador espacial

A Terra  a Estação Espacial Internacional vão estar à distância de um elevador. Uma equipa de investigadores está preparada para dar início, já este mês, ao primeiro teste do tão esperado projecto do elevador espacial.

Uma equipa, composta por investigadores  da Universidade Shizuoka e outras instituições, no Japão, vai conduzir já este mês os primeiros testes de um protótipo de um projecto destinado a construir o tão esperado “elevador espacial“, que irá ligar a Terra à Estação Espacial Internacional (EEI).

O objectivo não passa apenas pelo transporte de carga para o espaço, mas também de pessoas, como um substituto viável ao uso de foguetões.

Para isso, os cientistas querem experimentar e observar como se comportam as peças mecânicas envolvidas num projecto desta dimensão fora da atmosfera e da gravidade da Terra. Assim, irão reproduzir o sistema em miniatura e testá-lo no Espaço.

E já há data marcada: 11 de Setembro. A próxima terça-feira será marcada não por uma tragédia, mas pelo envio de dois micro-satélites para a Estação Espacial Internacional, tão pequenos que cada um mede apenas 10 centímetros. Depois, serão enviados para o espaço pelos astronautas da EEI, ligados um ao outro por um cabo de aço de 10 metros.

Esta é a primeira experiência deste tipo a ser conduzida no espaço e deve servir para a condução de uma análise dos vários desafios que se colocam no estabelecimento deste elevador. Factores esses que se prendem com a necessidade de um cabo muito resistente, ou de uma estrutura capaz de evitar a colisão com detritos espaciais, por exemplo.

A estrutura deve ainda ser suficientemente resistente  para suportar a incidência de raios cósmicos. Até ao momento, um dos componentes mais aptos são os nano-tubos de carbono, adianta o CanalTech.

No entanto, mesmo que esta missão seja um sucesso, ainda vai demorar bastante tempo até que um projecto idêntico possa ser reproduzido em larga escala.

Kenn Brown / Mondolithic Studios
Elevador Espacial, conceito artístico

Mesmo assim, e ainda que sejam os primeiros passos de um grande projecto, esta é mais uma das importantes antecipações científicas de Arthur C. Clarke. O inventor e escritor britânico de ficção científica descreveu o “elevador espacial” na sua premiada novela The Fountains of Paradise.

No seu romance de 1978, o premiado autor previu que engenheiros iriam construir um elevador espacial no topo de uma montanha, na ilha fictícia de Taprobana, um dos primeiros nomes do Sri Lanka. A estrutura gigante iria então ligar a superfície da terra a um satélite geo-estacionário.

Clarke sonhava alto demais, mas a verdade é que conseguiu acertar mais uma vez. Não sabemos se teremos de esperar pelo século XXII para poder ir de elevador até ao espaço, mas, onde quer que se encontre, podemos tranquilizar o autor: sim, os primeiros passos estão (mesmo) a ser dados.

ZAP //

Por ZAP
5 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 10 erros ortográficos ao texto original)

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716: Astrónomos perplexos com “The Cow”, o mais recente (e misterioso) objecto espacial

Stephen Smartt / ATLAS

Foi avistado no céu havaiano um misterioso flash numa galáxia vizinha. Astrónomos de todo o mundo estão a lutar arduamente para entender a origem deste misterioso objecto incrivelmente brilhante.

“Nunca vi nada assim”, disse Stephen Smartt, astrofísico da Queen’s University, em Belfast. A detecção, no dia 16 de Junho, foi descrita no Astronomer’s Telegram, um serviço online para os astrónomos relatarem de imediato as suas observações de última hora que podem ter interesse científico.

Smartt, líder da equipa de cientistas do projecto ATLAS, do Havai, registou a observação nesse mesmo serviço e, graças ao sistema de nomes aleatórios de três letras que o site proporciona para baptizar as descobertas, o objecto foi apelidado de AT2018cow, ou “The Cow”.

O objecto espacial captou desde logo a atenção do astrofísico, por ser tão diferente de uma estrela explosiva padrão. A maioria destes eventos espaciais demora várias semanas para atingir o pico de luminosidade, algo que não aconteceu desta vez.

“The Cow” demorou apenas três dias para se tornar cerca de dez vezes mais brilhante do que uma supernova.

Smartt deixou de ser o único rendido. O objecto captou rapidamente a atenção de outros astrónomos. Na semana seguinte, a observação do ATLAS foi acompanhada por cerca de duas dúzias de equipas de astrónomos, que utilizaram telescópios nos quatro continentes e até no espaço.

Smartt suspeitou desde o início que a luminosidade do objecto celeste deveria ser originária de algum objecto da nossa própria galáxia, por ser tão brilhante. No entanto, quando outros cientistas conduziram análises espectroscópicas do objecto, separando a luz por comprimentos de onda, descobriu-se que o “The Cow” tinha características associadas à CGCG 137-068, uma galáxia na constelação de Hércules.

A luz tinha a assinatura de ter sido estendida ao longo de uma extenuante jornada de cerca de 200 milhões de anos-luz, daquela galáxia até à Terra.

Stephen Smartt / ATLAS

Mas, em termos astronómicos, esta distância não é assim tão longe, o que significa que a explosão pode ter produzido ondas gravitacionais detectáveis. Todavia, os detectores LIGO, em Washington e Lousiana, estão a sofrer algumas alterações, deixando assim em aberto a questão de saber se alguém notou (ou não) esses tais sinais.

No entanto, os pormenores surpreendentes não ficam por aqui: o objecto era extraordinariamente brilhante em todas as partes do espectro electromagnético – dos raios X até às ondas de rádio -, ao contrário do que acontece com a maioria das super-novas, que têm assinaturas espectrais chamadas “linhas de absorção”, porque absorvem os comprimentos de onda da luz.

Apesar das suas características fora do comum, o AT2018cow está a começar a perder o seu brilho (sem perder, contudo, o seu interesse).

Em cima da mesa estão ainda várias hipóteses. “The Cow” pode ser uma supernova Tipo 1c, causada pelo colapso do núcleo de uma estrela massiva que já perdeu a sua camada externa de hidrogénio e hélio. Ou, em vez disso, há cientistas que sugerem que a explosão pode ter produzido um jacto de partículas que se movem à velocidade da luz (ou muito perto disso).

“É, sem dúvida, um objecto muito raro. Só o facto de ser detectado em todos os comprimentos de onda deixa muita física por entender“, afirma Smartt.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
1 Julho, 2018

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570: ASTRÓNOMOS DIVULGAM LEVANTAMENTO ULTRAVIOLETA MAIS COMPLETO DE GALÁXIAS PRÓXIMAS

Estas seis imagens representam a variedade de regiões de formação estelar em galáxias próximas. As galáxias fazem parte do levantamento LEGUS do Telescópio Espacial Hubble, o mais compreensivo e detalhado alguma vez feito para galáxias com formação estelar no Universo próximo. As seis imagens consistem de duas anãs (UGC 340 e UGCA 281) e quatro grandes galáxias espirais (NGC 3368, NGC 3627, NGC 6744 e NGC 4258). As imagens são uma combinação de imagens visíveis e ultravioletas pelo WFC3 e ACS do Hubble.
Crédito: NASA/ESA/equipa LEGUS

Capitalizando a nitidez incomparável e o alcance espectral do Telescópio Espacial Hubble da NASA, uma equipa internacional de astrónomos lançou o mais abrangente levantamento ultravioleta de alta resolução de galáxias próximas com formação estelar.

Os investigadores combinaram novas observações do Hubble com imagens arquivadas de 50 galáxias espirais e anãs com formação estelar no Universo local, fornecendo um recurso amplo e extenso para entender as complexidades da formação estelar e da evolução das galáxias. O projecto, chamado LEGUS (Legacy ExtraGalactic UV Survey), reuniu catálogos estelares para cada das galáxias LEGUS e catálogos de enxames para 30 das galáxias, bem como imagens das próprias galáxias. Os dados fornecem informações detalhadas sobre estrelas jovens e massivas e aglomerados estelares, e sobre como o seu ambiente afecta o seu desenvolvimento.

“Nunca houve um catálogo de estrelas e de enxames estelares que incluísse observações no ultravioleta,” explicou Daniela Calzetti, líder do LEGUS e da Universidade de Massachusetts em Amherst, EUA. “A luz ultravioleta é um importante marcador das populações estelares mais jovens e quentes, que os astrónomos precisam para obter as idades das estrelas e uma história estelar completa. A sinergia dos dois catálogos combinados fornece um potencial sem precedentes para entender a formação das estrelas.

A formação estelar é ainda uma questão intrigante da astronomia. “Grande parte da luz que recebemos do Universo vem das estrelas, ainda assim não compreendemos muitos aspectos da sua formação,” diz Elena Sabbi, membro da equipa LEGUS e do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland. “Isto é fundamental para a nossa existência – sabemos que a vida não estaria aqui se não tivéssemos uma estrela por perto.”

A equipa de investigação seleccionou cuidadosamente os alvos LEGUS entre 500 galáxias, compiladas em levantamentos terrestres, localizadas entre 11 e 58 milhões de anos-luz da Terra. Os membros da equipa escolheram as galáxias com base na sua massa, taxa de formação estelar e abundância de elementos mais pesados do que o hidrogénio e hélio. O catálogo de objectos ultravioleta recolhidos pela nave GALEX (Galaxy Evolution Explorer) da NASA também ajudou a estabelecer o caminho para o estudo do Hubble.

A equipa usou os instrumentos WFC3 (Wide Field Camera 3) e ACS (Advanced Camera for Surveys) do Hubble durante um período de um ano para capturar imagens visíveis e ultravioletas das galáxias e das suas estrelas e enxames mais jovens e massivos. Os cientistas também adicionaram imagens ópticas de arquivo para fornecer uma imagem completa.

Os catálogos de enxames estelares contêm cerca de 8000 jovens aglomerados cujas idades variam entre 1 milhão e 500 milhões de anos. Estes agrupamentos estelares são 10 vezes mais massivos do que os maiores enxames vistos na nossa Via Láctea.

Os catálogos estelares compreendem cerca de 49 milhões de estrelas com pelo menos cinco vezes a massa do nosso Sol. As estrelas nas imagens visíveis têm entre 1 milhão e vários milhares de milhões de anos; as estrelas mais jovens, aquelas entre 1 milhão e 100 milhões de anos, brilham fortemente no ultravioleta.

Os investigadores explicaram que os dados do Hubble proporcionam todas as informações para analisar estas galáxias. “Também estamos a fornecer modelos de computador para ajudar os astrónomos a interpretar os dados nos catálogos estelares e de enxames,” realça Sabbi. “Os cientistas, por exemplo, podem investigar como a formação estelar ocorreu numa galáxia específica ou num conjunto de galáxias. Podem então correlacionar as propriedades das galáxias com a sua formação estelar. E depois derivar a história da formação estelar das galáxias. As imagens ultravioleta também podem ajudar os astrónomos a identificar as estrelas progenitoras de super-novas encontradas nos dados.”

Uma das principais questões que o levantamento pode ajudar os astrónomos a responder é a ligação entre a formação das estrelas e as grandes estruturas, como os braços espirais, que constituem uma galáxia.

“Quando olhamos para uma galáxia espiral, geralmente não vemos apenas uma distribuição aleatória de estrelas,” comenta Calzetti. “É uma estrutura muito organizada, seja ela braços espirais ou anéis, e isso é particularmente verdade para as populações estelares mais jovens. Por outro lado, existem várias teorias concorrentes para ligar as estrelas individuais em aglomerados estelares individuais a essas estruturas ordenadas.

“Ao observarmos as galáxias em grande detalhe – os enxames estelares – enquanto também mostramos a ligação com as estruturas maiores, estamos a tentar identificar os parâmetros físicos subjacentes à ordenação das populações estelares dentro das galáxias. A obtenção desta ligação final entre o gás e a formação estelar é a chave para compreender a evolução das galáxias.”

Linda Smith, membro da equipa, da ESA e do STScI, acrescenta: “Estamos a estudar os efeitos do ambiente, particularmente com enxames estelares, e como a sua sobrevivência está ligada ao ambiente em seu redor.”

O levantamento LEGUS vai também ajudar os astrónomos a interpretar as visões das galáxias no Universo distante, onde o brilho ultravioleta das estrelas jovens é esticado para comprimentos de onda infravermelhos devido à expansão do espaço. “Os dados nos catálogos de estrelas e de enxames destas galáxias próximas ajudarão a abrir caminho para o que vamos ver com o próximo observatório infravermelho da NASA, o Telescópio Espacial James Webb, desenvolvido em parceria com a ESA e com a CSA (Canadian Space Agency),” salienta Sabbi.

As observações do Webb serão complementares às do LEGUS. O observatório espacial penetrará em casulos estelares empoeirados para revelar o brilho infravermelho de estrelas infantis, que não podem ser vistas no visível e no ultravioleta. “O Webb será capaz de ver como a formação estelar se propaga ao longo de uma galáxia,” continua Sabbi. “Se temos informações sobre as propriedades do gás, podemos ligar os pontos e ver onde, quando e como a formação estelar acontece.”

Astronomia On-line
22 de Maio de 2018

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524: Astrónomo português investiga sinais do misterioso Planeta X em tapeçarias medievais

Queen’s University Belfast
O astrónomo português Pedro Lacerda e a investigadora italiana Marilina Cesario, junto a uma reprodução da Tapeçaria de Bayeux que mostra o Cometa Halley em 1066

O astrónomo português Pedro Lacerda integra uma investigação, no Reino Unido, que procura pistas sobre o misterioso Planeta X em pergaminhos e tapeçarias medievais. O investigador da Queen´s University, em Belfast, na Irlanda do Norte, explica ao ZAP os detalhes desta pesquisa.

O misterioso Planeta X ou Planeta 9, como é também conhecido, é uma mera hipótese, não havendo provas da sua existência.

Há cientistas que defendem que este planeta que será gelado e gigante, com 10 vezes a massa da Terra, será o responsável por algumas das forças gravitacionais do Cinturão de Kuiper, onde se acredita que têm origem os chamados cometas de período curto (os que se verificam com espaçamentos de até 200 anos).

É na busca por este enigmático Planeta X que o astrónomo português Pedro Lacerda está empenhado numa investigação realizada no Reino Unido, enquanto professor auxiliar do Departamento de Matemática e Física da Queen’s University em Belfast, em parceria com a especialista em Língua Anglo-Saxónica (o Inglês antigo), Marilina Cesario, docente italiana da mesma Universidade.

Os dois investigadores procuram pistas sobre o Planeta X em pergaminhos e tapeçarias medievais, cruzando os registos de cometas assinalados nesses documentos históricos com os dados actuais da NASA e de outras fontes.

Pedro Lacerda explica ao ZAP que, através de “simulações de computador”, consegue seguir até ao passado “centenas de cometas”, com “órbitas bem caracterizadas actualmente”, para “estimar em que datas estariam visíveis nos céus”.

As datas apuradas são depois comparadas com os registos detectados por Marilina Cesario na chamada Crónica Anglo-Saxónica, os escritos medievais de entre os Séculos IX e XI.

As simulações, nota Pedro Lacerda, “podem incluir ou não o hipotético Planeta X ou 9. A inclusão muda ligeiramente as datas em que os cometas seriam visíveis, e a comparação com as observações poderá porventura oferecer suporte ou ajudar a rejeitar a teoria do Planeta X”, explica o astrónomo português.

“Para já, não há certezas nem contra nem a favor da existência do planeta”, diz o astrónomo português, realçando que a investigação é condicionada pela imprevisibilidade dos cometas e que, “portanto, a maior parte dos cálculos estarão errados”.

“Ou porque o cometa decidiu não desenvolver uma cauda em determinada visita, permanecendo invisível, ou porque a sua órbita foi desviada do meu cálculo devido aos jactos que dão origem às caudas”, acrescenta.

Deste modo, serão “necessários muitos cometas e muitas observações para que, embora a maioria contenha erros, a média nos leve a bom porto”, refere o investigador português.

Queen’s University Belfast
Pedro Lacerda e Marilina Cesario junto a um dos pergaminhos medievais que fazem parte da investigação.

Apoio das principais academias científicas britânicas

O projecto de investigação é financiado pelo Prémio APEX (Academies Partnership in Supporting Excellence in Cross-Disciplinary Research) que foi criado pelas principais academias científicas britânicas – a Royal Society, a British Academy e a Royal Society de Engenharia – para promover pesquisas interdisciplinares.

O financiamento estende-se desde Setembro de 2017 a Março de 2019, mas Pedro Lacerda acredita que vão “precisar de mais tempo e de mais fontes” para chegar a conclusões.

A investigação foi seleccionada para ser apresentada em Londres, no primeiro Festival de Verão da British Academy, que se vai realizar entre 21 e 23 de Junho, como “um dos melhores projectos de pesquisa financiados no Reino Unido”, segundo comunicado da Queen´s University.

Mas, a título de “aperitivo”, Pedro Lacerda e Marilina Cesario inauguraram, neste mês, uma exposição alusiva à investigação no Museu do Ulster, em Belfast.

Até 3 de Junho, quem passar pela capital da Irlanda do Norte pode fazer uma “viagem cósmica desde a primeira descrição contemporânea de um cometa, em Inglaterra, no ano 891, sob o período de Alfredo O Grande, até ao avistamento do cometa em tom verde-nebuloso Lovejoy em 2013″, como aponta a Queen´s University na nota sobre a exposição.

Enquanto isso, Pedro Lacerda e Marilina Cesario vão continuar a procurar o fugidio Planeta X. E é certo que “quaisquer indicações” que apontem para a sua existência terão “um impacto notável no nosso conhecimento sobre o Sistema Solar“, conclui o astrónomo português.

SV, ZAP //

Por SV
9 Maio, 2018

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EarthNow quer ser um “Google Earth” com vídeo em tempo real

NASA

Empresa vai ter o apoio da Airbus na sua “constelação de satélites” e até de Bill Gates

Quem tem por hábito utilizar um serviço como o Google Earth consegue ver quase tudo o que se passa no planeta Terra – pelo menos à altura em que foram capturadas as imagens – e pode visitar qualquer lugar, mediante um já praticamente simples acesso à Internet. Agora, o projecto EarthNow pretende prestar um serviço semelhante, mas com uma pequena (que é grande diferença): quer fazê-lo em tempo real e com imagens, diz o projecto, que terão no máximo um segundo de delay.

No mesmo comunicado em que a EarthNow anuncia sair da Intellectual Ventures para se transformar num negócio próprio, embora ainda não se saiba bem qual o modelo que vão seguir, como refere o Mic, é também revelado que a ideia de mostrar todo o planeta em tempo real atraiu grandes investidores. Bill Gates, fundador da Microsoft, a empresa Airbus, o grupo SoftBank e Greg Wyler, conhecido investidor na área tecnológica, estão dentro desta aventura.

O projecto é, de acordo com Russel Hannigan, fundador e CEO da EarthNow, “ambicioso e sem precedentes”, acrescentando ainda que a empresa acredita que poder “ver e compreender a Terra ao vivo e sem filtros vai ajudar todos a apreciar e a cuidar melhor da nossa única casa”.

Usando uma “constelação de satélites” feitos pela Airbus, a EarthNow vai inicialmente fornecer informações a empresas e governos. Esses mesmos satélites serão produzidos em massa nas “avançadas linhas de produção” da Airbus, em Toulouse, França, e na Florida, EUA. “A Airbus tem uma herança única no design, produção e operação de sistemas de satélites para observação da Terra e será um parceiro valioso neste programa”, afirmou, responsável pelo departamento de sistemas espaciais da Airbus.

O Mic refere ainda que de acordo com um porta-voz da EarthNow, a protecção da privacidade individual é “obrigatória”.

DN
20 DE ABRIL DE 2018 23:36

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440: NASA financia projecto para levar abelhas robóticas a Marte

danelu / Flickr
Uma vespa asiática (Vespa velutina) ataca uma abelha

É esperado que as abelhas marcianas substituam os rovers como veículos primários de exploração e possibilitem estudos mais detalhados e extensos do planeta vermelho.

A NASA financia o desenvolvimento de um enxame de insectos robóticos que espera enviar para Marte, numa missão dirigida a explorar cantos e gretas inacessíveis par o planeta vermelho.

A agência espacial dos Estados Unidos afirma que essas máquinas, conhecidas como “marsbees” – uma mistura das palavras “mars” (Marte) e “bees” (abelhas) -, terão aproximadamente o tamanho de uma abelha, mas com asas do tamanho de uma cigarra, o que lhes permitirá voar na atmosfera ultra-fina do planeta, descreve a RT.

As abelhas estarão equipadas com sensores e dispositivos sem fios para mapear e digitalizar potenciais sinais de vida.

Espera-se que os “marsbees” substituam os rovers como veículos primários de exploração e conduzam a estudo mais detalhados e extensos sobre Marte.

Os rovers operam actualmente na superfície do planeta e movem-se muito lentamente. Sob o plano “marsbees”, só será necessário um rover para servir como ponto de carga para os novos robôs.

O projecto encontra-se actualmente na sua primeira fase, com cientistas concentrados no desenho de asas, movimentos e peso para que depois possam flutuar e mover-se na atmosfera marciana.

Para isso, o rendimento aerodinâmico destas máquinas será testado numa câmara de vácuo na qual a densidade do ar será 100 vezes mais ligeira do que a da Terra.

ZAP //

Por ZAP
5 Abril, 2018

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424: É possível que sejamos todos computadores quânticos ambulantes

(CC0/PD) Alexandre Chambon / unsplash

Considerando quão incríveis são os nossos cérebros e as coisas que podem fazer, será que nós próprios não somos computadores quânticos – que, ironicamente, estão a tentar construir outros computadores quânticos?

Cientistas em todo o mundo estão há algum tempo a tentar encontrar formas de construir computadores quânticos funcionais. Estes computadores revolucionários teriam uma capacidade de processamento de dados inimaginável, muito maior do que os melhores computadores que temos actualmente.

Mas, considerando quão incríveis são os nossos cérebros e as coisas que podem fazer, será que nós mesmos não somos computadores quânticos – que, ironicamente, estão a tentar construir outros computadores quânticos?

Esta é uma pergunta que o físico teórico Matthew Fisher, da Universidade da Califórnia, nos EUA, faz a si próprio há anos. Agora, como director científico do Quantum Brain Project – QuBrain, Fisher vai testar se os nossos cérebros são capazes de realizar processos de computação quântica.

Poderíamos ser, nós mesmos, computadores quânticos, em vez de robôs inteligentes que estão a projectar e construir computadores quânticos?”, pergunta Fisher numa nota de imprensa publicada no site da Universidade da Califórnia.

O nosso cérebro é uma máquina espectacular. Tão espectacular, que algumas das suas funções ainda não são completamente compreendidas pela ciência. O mecanismo que guarda memórias de muito longo prazo, a forma como opera, por exemplo, ainda não está claro.

A mecânica quântica, que lida com o comportamento da natureza a níveis atómicos e subatómicos, pode ser capaz de desbloquear algumas pistas. E isso, por sua vez, poderia ter grandes implicações a muitos níveis, desde a computação quântica e ciências dos materiais à biologia, saúde mental e até mesmo à filosofia – e terminando na derradeira pergunta: o que significa ser humano.

A ideia da computação quântica nos nossos cérebros não é nova, tendo sido ventilada tanto no campo científico como fora dele.

Fisher, especialista de renome mundial no campo da mecânica quântica, identificou um conjunto preciso – e único – de componentes biológicos e mecanismos-chave que poderiam fornecer a base para o processamento quântico no cérebro.

O cientista norte-americano está agora a lançar a colaboração QuBrain, um projecto composto por uma equipa internacional de cientistas de renome, abrangendo a física quântica, biologia molecular, bioquímica, ciência coloidal e neuro-ciência comportamental.

O objectivo da QuBrain é procurar evidências experimentais explícitas destes componentes e mecanismos para determinar se, de facto, podemos ser computadores quânticos.

“Se a questão sobre se os processos quânticos ocorrem no cérebro for respondida de forma afirmativa, isso pode revolucionar a nossa compreensão e tratamento da função cerebral e da cognição humana”, prevê Matt Helgeson, professor de Engenharia Química da UCSB e director associado da QuBrain.

Qubits orgânicos

A parte mais importante da computação quântica é que os bits normais dos computadores clássicos – todos aqueles 1s e 0s que armazenam dados – são substituídos por qubits.

Os qubits podem ser simultaneamente 1s e 0s, graças à ideia da sobreposição quântica: a ideia de que um objecto quântico pode estar em múltiplos estados de uma vez, pelo menos até ser medido – conceito que nos dá o famoso Gato de Schrödinger, que enquanto não for observado, não está nem vivo, nem morto, está vivomorto.

Isso significa que a computação quântica tem o potencial de criar redes de processamento muito mais complexas do que os computadores actuais podem gerir, ajudando-nos a resolver alguns dos problemas mais difíceis da ciência.

A pesquisa de Fisher irá caçar qubits no cérebro. Nos computadores quânticos que estamos a tentar construir, os qubits funcionam em ambientes altamente controlados e isolados e a baixas temperaturas. Assim, o nosso cérebro quente e húmido não é considerado um ambiente propício para apresentar efeitos quânticos.

No entanto, Fisher afirma que os spins nucleares podem ser uma excepção à regra. Uma das suas próximas experiências vai tentar verificar se os qubits poderiam ser armazenados nos spins nucleares no núcleo dos átomos, em vez dos electrões que os cercam.

(dr) Sonia Fernandez
A pesquisa de Matthew Fisher vai caçar qubits no cérebro.

Os átomos de fósforo, em particular, presentes em abundância nos nossos corpos, poderiam actuar como qubits bioquímicos. “Rotações nucleares extremamente bem isoladas podem armazenar – e talvez processar – informações quânticas em escalas de horas humanas ou mais longas”, diz Fisher.

A experiência que avaliará esta possibilidade irá analisar as propriedades quânticas dos átomos de fósforo, particularmente o emaranhamento entre dois spins nucleares de fósforo quando ligados numa molécula num processo bioquímico.

Entretanto, Matt Helgeson e Alexej Jerschow, professor de química na Universidade de Nova York, vão investigar a dinâmica e o spin nuclear das moléculas de Posner, nano-aglomerados de fosfato de cálcio de forma esférica, e tentar perceber se eles têm a capacidade de proteger os spins dos qubits nucleares dos átomos de fósforo – o que poderia promover o armazenamento de informações quânticas.

Os dois investigadores irão também explorar o potencial do processamento de informações quânticas não-locais que poderia ser activado pelo emparelhamento e dissociação de moléculas de Posner.

Outras experiências da equipa da QuBrain vão examinar o potencial de decoerência, que acontece quando os elos e a dependência entre os qubits começam a desfazer-se. Para os nossos cérebros serem computadores quânticos, deve haver uma forma nativa que faça com que os nossos qubits biológicos sejam protegidos da decoerência.

Rede quântica de neurónios

Em outro conjunto de experiências, Tobias Fromme, investigador da Universidade Técnica de Munique, na Alemanha, estudará o potencial contributo das mitocôndrias, as subunidades celulares responsáveis ​​pelo nosso metabolismo, para o emaranhamento e acoplamento quântico entre os neurónios.

Fromme irá determinar se estas organelas celulares podem transportar moléculas de Posner para o interior de e entre os neurónios, através das suas redes tubulares. A fusão e o fissão de mitocôndrias poderia permitir o estabelecimento de emaranhamento quântico intra e intercelular.

A subsequente dissociação das moléculas de Posner poderia desencadear a libertação de cálcio, activando a libertação de neurotransmissores e o disparo sináptico através do que seria essencialmente uma rede quântica de neurónios – um fenómeno que Fromme irá procurar emular in vitro.

Por outras palavras, os neurotransmissores e o disparo sináptico nos nossos cérebros poderiam estar a criar redes quânticas acopladas, exactamente como um computador quântico.

A possibilidade de processamento de spin nuclear cognitivo chegou a Fisher em parte através de estudos realizados na década de 1980 que relataram uma notável dependência de isótopos de lítio sobre o comportamento de cobaias, cujo comportamento mudava drasticamente, dependendo do número de neutrões nos núcleos de lítio.

O que para a maioria das pessoas seria uma diferença insignificante, para um físico quântico como Fisher era uma disparidade fundamentalmente significativa, sugerindo a importância dos spins nucleares.

Os processos de computação quântica podem eventualmente ajudar a explicar e entender as funções mais misteriosas do cérebro, como a forma como nos agarramos às memórias de longo prazo, ou de onde a consciência e a emoção realmente vêm.

Estes são processos físicos extremamente complexos, e não há garantia de que vamos obter respostas. Mas mesmo que seja cedo demais para dizer com certeza se o cérebro é um computador quântico ou não, a pesquisa deve revelar muito mais sobre como funciona o mais complicado e incrível dos órgãos.

ZAP // HypeScience / UCSB / Science Alert
Por HS
1 Abril, 2018

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168: Portugal participa em projectos para descobrir vida em Marte

Aos 38 anos, Zita Martins é considerada uma das maiores especialistas do mundo na astrobiologia. Depois de 15 anos fora do país, acaba de regressar às origens, trazendo para o Instituto Superior Técnico e para Portugal a participação em todos os projectos pioneiros internacionais em que está envolvida

© José Carlos Carvalho Portugal participa em projectos para descobrir vida em Marte

Portugal acaba de entrar em dois projectos da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), destinados a testar materiais que permitam detectar a existência de vida em Marte em futuras missões espaciais automáticas ou tripuladas ao planeta vermelho. A participação portuguesa deve-se à astrobióloga Zita Martins, que foi recentemente contratada pelo Instituto Superior Técnico (IST), depois de uma carreira de 15 anos de investigação, ensino e divulgação da ciência fora do país.

Considerada uma das maiores especialistas do mundo na astrobiologia – uma área científica emergente que estuda a origem da vida na Terra e os sinais de vida nos planetas e luas do Sistema Solar e nos planetas extras-solares – Zita Martins saiu do Imperial College de Londres e trouxe para Portugal todos os projectos de investigação internacionais em que participa, incluindo as duas missões da Agência Espacial Europeia (ESA) na ISS.

Chamam-se OREOcube e EXOcube, “e, como os nomes indicam, são dois cubos que vão ser transportados para a estação espacial, onde poderão ser colocadas várias amostras de diversas moléculas orgânicas que têm um papel diferente na célula, a unidade básica da vida”, explica Zita Martins ao Expresso. “Depois vão ser expostas à radiação cósmica e nalguns casos serão protegidas com certos minerais que existem em Marte e noutros vamos observar se são destruídas rapidamente ou não.”

O lançamento do OREOcube está previsto para 2019 e o do EXOcube mais tarde. As experiências são “um passo intermédio antes de haver uma nova missão espacial para Marte”, automática ou tripulada, porque essa missão terá de conhecer “os locais onde há um potencial maior para existir vida extraterrestre”. Portanto “os cientistas querem saber se um determinado mineral é melhor para proteger as assinaturas da vida em Marte, e a ISS é óptima para o conseguirem”, sublinha a astrobióloga portuguesa. Por outro lado, com as futuras viagens de naves tripuladas em missões a Marte, “é preciso encontrar a forma de proteger as células dos astronautas da radiação cósmica”.

Portugal já está a investir cerca de 20 milhões de euros por ano na ESA, tendo um retorno em contratos industriais e de prestação de serviços de 40 milhões. Zita Martins acha que os dois projectos vão, sem dúvida, contribuir para aumentar o nosso envolvimento na agência, “porque haverá uma promoção da imagem do país e novos financiamentos, contratos e empregos qualificados, o que é bom para a economia”.

A cientista traz também para Portugal a sua participação num projecto de oito milhões de dólares (6,7 milhões de euros) do Instituto de Astrobiologia da NASA, que termina em 2019, depois de ter estado ligada a outro de sete milhões de dólares até 2014.

Regresso a Portugal

A astrobióloga vai trabalhar como investigadora e professora associada no Departamento de Engenharia Química do IST. É um regresso às origens, porque Zita Martins fez a licenciatura em engenharia química precisamente no Instituto Superior Técnico. “Só vou mudar de país e de instituição onde estou afiliada, o que significa que Portugal pode ganhar com os conhecimentos, os contactos, e todas as colaborações internacionais que tenho. E agora trata-se de desenvolver uma equipa no país e promover a investigação e o ensino da astrobiologia” (veja a história de Zita Martins na Revista do Expresso, que sai amanhã, sexta-feira, 8 de Dezembro).

Os segredos dos meteoritos e das luas do Sistema Solar

Zita Martins está envolvida noutros projectos em equipas de investigação internacionais. “Continuo a analisar diferentes meteoritos, para perceber como é que eles poderão ter sido importantes para a origem da vida na Terra. E participo noutros projectos onde se investigam como os diferentes minerais podem ter ou não influência na detecção de potenciais formas de vida em Marte”, adianta a cientista.

Mas há uma aposta em novas frentes. “Agora estamos a mudar para outras áreas de investigação, para tentarmos perceber se existe vida nas luas geladas de Júpiter e Saturno, nomeadamente as luas Europa (de Júpiter) e Encelado (de Saturno)”. A astrobióloga está também a trabalhar com equipas internacionais no projecto de lançamento de uma nave espacial “para ir a um asteróide recolher amostras e trazê-las de volta”. Para 2018 já estão algumas tarefas programadas, “mas é um projecto que ainda está um pouco no segredo dos deuses. Vai ser, sem dúvida, importante para Portugal”.

É preciso “investigar os locais do Sistema Solar onde há maiores probabilidades de encontrar vida: Marte, desde que seja protegida, porque à superfície não estamos à espera de encontrar nada; e as luas geladas à superfície onde existem oceanos de água na forma líquida no seu interior, o que é uma grande vantagem, porque protegem a vida da radiação”.

Para a água existir em luas do Sistema Solar como Europa ou Encelado, que estão muito longe do Sol, têm de existir formas de energia para a manter no estado líquido. “Há várias teorias e uma delas defende que existem fontes hidrotermais como no fundo dos oceanos terrestres, que geram energia suficiente para a água se manter líquida”.

Recentemente foi publicado um estudo “que defende outra teoria: devido à gravidade de Júpiter ou de Saturno há marés e estas são suficientes, ao reagirem com a base rochosa das luas geladas, para gerar energia”, revela Zita Martins. “Os cientistas mediram a temperatura nessas duas luas e é muito superior ao que se estava à espera”. Portanto, “a água no estado líquido existe ali de certeza absoluta e uma das condições fundamentais para a emergência da vida é a água no estado líquido”.

40 artigos científicos publicados

Aos 38 anos, Zita tem quase 40 artigos publicados em revistas científicas de referência internacional. Começou a publicar em 2006, um ano antes de terminar o seu doutoramento em química na Universidade de Leiden, na Holanda. Em 2017 publicou um artigo sobre meteoritos e vários artigos relacionados com a Agência Espacial Europeia (ESA), porque a ESA chamou os melhores cientistas do mundo para saber quais deveriam ser os seus próximos projectos prioritários. E desse processo resultaram três artigos científicos, sendo a astrobióloga portuguesa a primeira autora de um deles.

Abordam temas como os locais da Terra que são usados pelos investigadores como análogos de planetas do Sistema Solar, uma introdução à astrobiologia e os estudos da Estação Espacial Internacional.

Mas o artigo de que a investigadora mais gosta – “tenho um gostinho especial”, confessa ao Expresso – foi publicado na revista “Nature Geoscience” em 2013 e teve um grande sucesso entre a comunidade científica. Apresenta os resultados do estudo do impacto de um cometa contra a superfície de um planeta e mostra que esse impacto vai gerar um dos blocos fundamentais para a vida: os aminoácidos. “Sou a primeira autora deste artigo e o estudo demorou quatro anos até conseguirmos resultados”, conta Zita Martins. “Mas aumentou o número de locais do nosso Sistema Solar onde aquele fenómeno pode acontecer e os mecanismos da formação dos blocos essenciais para a vida”.

Qual é o seu grande sonho? “Há coisas óbvias, do senso comum, como descobrir vida extraterrestre, mas na verdade o meu sonho é fazer parte de uma missão espacial que vá até ao fim e que tenha sucesso, resultados, porque participei em várias missões que ficaram pelo caminho, o que é típico nesta área, devido a cortes no financiamento ou a mudança de políticas públicas”.

É quase sempre a mais nova nas equipas internacionais e painéis de cientistas em que tem participado. “E sou sempre a perita que analisa moléculas orgânicas e a detecção de vida”. Faz parte de vários painéis de aconselhamento da Agência Espacial Europeia e quando estava a acabar o doutoramento na Universidade de Leiden já recebia ofertas de emprego da NASA, que recusou. “Desde muito nova fui sempre puxada para equipas de investigação, o que é sinal de que me consideram a perita internacional nesta área”, afirma Zita Martins com orgulho. “Tenho resultados muito bons

e as pessoas confiam neles, há um selo da qualidade, porque são 15 anos a publicar grandes artigos”.

MSN notícias
08/12/2017
Virgílio Azevedo

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123: Empresa de Coimbra vence “Óscar do Espaço” com aplicação que monitoriza poluição ambiental

Studio Roosegaarde

Uma empresa de Coimbra que integra a incubadora da Agência Espacial Europeia, localizada no Instituto Pedro Nunes (IPN), venceu um prémio europeu com uma aplicação que permite monitorizar a poluição ambiental em zonas urbanas.

A edição 2017 dos prémios Copernicus Masters, considerados como os Óscares do Espaço, atribuiu 17 galardões, entre os quais um ao projecto SOUL (Sensor Observation of Urban Life), promovido pela empresa portuguesa Space Layer Technologies.

O júri reconheceu o contributo que a solução SOUL pode trazer ao oferecer uma aplicação para ‘smartphone’ “através da qual os cidadãos podem monitorizar a poluição nas suas cidades”, combinando dados oriundos de tarefas governamentais e instituições públicas numa aplicação “muito amigável”, lê-se no texto justificativo do prémio.

Adianta que a aplicação desenvolvida pela empresa de Coimbra pode ajudar a melhorar a saúde pública e a diminuir custos, evitando desnecessárias hospitalizações, por exemplo, de doentes com patologias do foro respiratório.

À agência Lusa, Paulo Caridade, da Space Layer Technologies, afirmou que o galardão, “mais do que um prémio para a empresa, é o reconhecimento do trabalho de uma equipa de colaboradores pelo empenho que têm tido ao longo de dois anos”.

Paulo Caridade explicou que embora a aplicação SOUL já esteja desenvolvida “ainda não está no mercado”, já que os responsáveis do projecto pretendem sustentá-lo, primeiro, através de um “parceiro forte” para com isso ganhar escala antes de ser distribuído a nível europeu.

A Space Layer Technologies é uma das seis ‘startups’ da incubadora da Agência Espacial Europeia (ESA BIC Portugal) que já atingiu a maturidade após dois anos de incubação e evoluiu para uma segunda fase de apoio.

A ESA BIC Portugal, que é liderada pelo IPN e tem pólos no Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto e na agência DNA Cascais, apoia 16 empresas e 56 postos de trabalho, com uma capacidade de exportação de 40% e um retorno anual de quase 900 mil euros em 2016, refere um comunicado da instituição.

As empresas daquele centro de incubação aplicam tecnologia espacial em áreas como a saúde, energia, transportes, segurança e vida urbana.

Na nota de imprensa, Carlos Cerqueira, Director de Inovação do IPN e coordenador do programa, frisa que o ESA BIC Portugal “demonstra a maturidade da indústria espacial portuguesa e a capacidade de as ‘startups’ portuguesas encontrarem novas soluções e negócios para o mercado terrestre a partir de tecnologias espaciais”.

Na quarta-feira, a ESA BIC Portugal comemora três anos de actividade, numa cerimónia, em Coimbra, que será presidida pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor.

ZAP // Lusa

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