2650: NASA pondera regresso da missão a Vénus baptizada em honra de Fernão de Magalhães

CIÊNCIA

A nave, feita com componentes de outras missões, foi lançada a 4 de Maio de 1989 e esteve activa até 13 de Outubro de 1994, momento em que cumpriu a ordem de se despenhar na atmosfera venusiana.

Vénus
© Arquivo Global Media

O Laboratório de Propulsão a Jacto (JPL) da NASA submeteu uma proposta para regressar a Vénus através do programa Discovery, trinta anos depois da missão Magellan, que foi baptizada em honra do explorador português Fernão de Magalhães.

A proposta irá competir com cerca de uma quinzena de outras missões potenciais, disse à Lusa a vulcanóloga e cientista sénior do JPL Rosaly Lopes, que fez uma revisão do projecto, das quais a NASA escolherá apenas uma para voar.

“A missão Magellan foi a primeira que mapeou a superfície e realmente viu abaixo das nuvens de Vénus, que tem uma atmosfera muito espessa”, explicou a cientista do laboratório sediado em Pasadena, no condado de Los Angeles. “Antes da Magellan, quase não se tinha conhecimento da superfície de Vénus”, acrescentou.

A nave, feita com componentes de outras missões, incluindo das Voyager, foi lançada a 4 de maio de 1989 e esteve activa até 13 de Outubro de 1994, momento em que cumpriu a ordem de se despenhar na atmosfera venusiana.

Segundo Rosaly Lopes, a comunidade científica tem agora muito interesse em retornar a Vénus, “porque a Magellan foi uma missão muito bem sucedida mas ela ainda tem muitas coisas para descobrir”.

Originalmente denominada “Venus Radar Mapper”, a missão de exploração do planeta vulcânico foi renomeada “Magellan” (a versão inglesa de Magalhães) em 1985, “porque foi a primeira missão justamente a fazer a circum-navegarão de Vénus”, entrando em órbita ao redor do planeta, explicou Rosaly Lopes.

Homenagem a Fernão Magalhães

A referência a Fernão de Magalhães, que em Setembro de 1519 partiu na primeira viagem histórica de circum-navegarão da Terra, espelha a continuada importância das descobertas feitas pelo explorador português há 500 anos.

“Foi um marco importantíssimo na história da Humanidade”, afirmou a cientista luso-brasileira. “Como os portugueses sempre tiveram”, sublinhou.

A viagem de Fernão de Magalhães comprovou que o planeta é redondo e mostrou aos europeus que a sua dimensão era muito superior ao que se pensava na altura, bases científicas que hoje são postas em causa por uma franja da sociedade que acredita que a Terra é plana.

Um retrocesso que “não tem explicação”, disse Rosaly Lopes. “Desde os últimos 500 anos nós temos tantas provas, temos imagens da Terra feitas do Espaço e basta entrar num avião para ver a curvatura da Terra”, afirmou, considerando tratar-se de uma “moda”.

Entre os auto-denominados “flat earthers” há algumas personalidades conhecidas, como a estrela da NBA Kyrie Irving, o rapper B.o.B. ou a estrela da MTV Tila Tequila. Em junho, o clube de futebol da terceira divisão espanhola Móstoles Balompié mudou de nome para Flat Earth FC, por decisão do ex-futebolista e presidente Javi Poles, que acredita na teoria da terra plana.

“Há pessoas que escolhem acreditar em coisas sem sentido”, disse Rosaly Lopes. “Não podemos convencer pessoas que têm uma mente fechada”.

A NASA está agora a analisar as propostas de novas missões e deverá anunciar quais passarão à próxima fase até ao final do ano.

Rosaly Lopes, que é co-investigadora de uma nova missão que vai estudar as luas de Júpiter, acredita que o regresso a Vénus acontecerá nos próximos dez a quinze anos. O JPL em Pasadena está também a trabalhar num novo Rover que vai a Marte, Mars 2020.

Diário de Notícias

DN /Lusa

 

1811: A NASA quer ir buscar as 96 fraldas que os astronautas deixaram na Lua

NASA
Os astronautas da NASA deixaram as suas marcas na Lua. Ainda lá estão.

A NASA planeia ir à Lua, nos próximos anos, para recolher as fraldas deixadas pelos seus astronautas durante o programa Apollo. A ideia será ver se estas fezes, que ficaram no espaço durante cerca de 50 anos, ainda têm “vida”.

Nas missões Apollo que levaram o Homem à Lua, os astronautas deixaram para trás centenas de objectos, que constam da lista Manmade Material on the Moon, que a agência espacial mantém no seu site.

Entre estes objectos encontram-se veículos, equipamentos, objectos pessoais, bandeiras dos EUA (que estão agora totalmente brancas), peças de roupa, bolas de golfe, mensagens, a escultura de um ramo de oliveira em ouro, e 96 sacos de fezes que os astronautas produziram e deixaram na Lua – que, segundo a Vox, a NASA quer agora de volta.

A ideia de ir à Lua recolher fezes poderá não ter muita lógica a olho nu, mas a NASA tem uma razão bem pertinente para o fazer. Estas fezes estão cheias de vida, sendo metade da sua massa composta por bactérias e micróbios.

O objectivo da agência espacial norte-americana é ver até que ponto é que estes organismos sobreviveram com o passar dos anos, no ambiente inóspito do espaço.

Os Estados Unidos já deixaram claro que querem voltar a pôr homens na lua dentro dos próximos anos. A NASA pretende assim aproveitar o regresso ao nosso satélite para recolher as fraldas deixadas antes pelos astronautas. Uma tarefa nada apelativa, mas que pode oferecer muitas respostas.

Além de fezes, os sacos deixados pelos astronautas das missões Apollo têm também urina, restos de comida, vómitos e diversos outros resíduos. Assim que a NASA conseguir voltar à Lua, os seus cientistas poderão descobrir quão resistente é a vida destes resíduos no ambiente lunar.

E, caso os micróbios tenham sobrevivido, será que eles também sobreviveriam a viagens interestelares, semeando vida pelo universo fora?

Por que os astronautas deixaram fezes na Lua

Durante o programa Apollo, a NASA levou seis missões tripuladas à Lua: Apollo 11 e 12 em 1969, Apollo 14 e 15 em 1971, Apollo 16 e 17 em 1972. Um total de 12 homens tiveram o privilégio dar um pequeno passo de gigante em solo lunar. Boa parte deles, certamente, teve necessidade de encher as fraldas” enquanto saltitavam pela micro-gravidade lunar.

Na época das missões Apollo, a solução encontrada pela NASA para que os astronautas fizessem as necessidades de forma segura foi acoplar um saco de plástico nas nádegas para capturar as fezes directamente, sem que elas entrassem em contacto com o ambiente.

No entanto, esse método apenas era útil para os momentos em que os astronautas estavam nas naves. Para as situações em que os astronautas estavam no exterior e não conseguiam controlar os seus intestinos, a NASA desenvolveu e forneceu aos astronautas um “fato de máxima absorção” para “contenção fecal”. Por outras palavras, uma fralda.

Em 1969, quando Neil Armstrong desceu à superfície lunar, tornando-se a primeira pessoa a deixar pegadas na Lua, foi tirada uma fotografia que mostra uma paisagem repleta de crateras, com um saco de lixo branco ao lado do módulo lunar.

NASA
Um dos sacos de fezes junto ao módulo lunar da Apollo 11, em 1969

Ficou sempre a dúvida se seria essa umas das fatídicas fraldas usadas pelos astronautas. Buzz Aldrin, colega de Armstrong na missão Apollo 11 e o segundo homem a pisar a Lua, não confirmou nem negou a suspeita, mas um facto é indesmentível: todos os astronautas que estiveram na Lua deixaram sacos de resíduos humanos por lá.

Charlie Duke, da missão Apollo 16 (1972), foi o 10º homem na Lua, onde passou 71 horas. Ele mesmo confirmou, recentemente, que a sua tripulação deixou resíduos para trás. “Deixamos a urina que foi recolhida num tanque, e acredito que tivemos alguns dejectos — mas não tenho certeza — que estavam num saco de lixo”, disse.

Duke explica que estes resíduos foram deixados para trás na Lua porque havia a ideia de que tudo seria higienizado por acção da radiação solar. “Ficaria realmente muito surpreendido se alguma coisa sobrevivesse”, explicou. Mas na altura, trazer de volta esses sacos de lixo à Terra não era uma opção.

“As missões lunares foram planeadas com muito cuidado, e o peso era um problema muito grande. Caso quisesse trazer pedras da Lua, teria de descartar coisas que não seriam necessárias, para aumentar a margem de segurança”, explica Andrew Schuerger, cientista de vida espacial da Universidade da Florida e co-autor de um artigo sobre a viabilidade de haver micróbios sobreviventes na Lua.

NASA’s Goddard Space Flight Center / Vox
Onde estão as fezes na lua?

Poderá ter sobrevivido alguma bactéria fecal?

A recolha das fezes dará insights importantes sobre as condições extremas que a vida é capaz de suportar. O potencial humano de contaminar outros corpos celestes é também uma possibilidade de análise.

A probabilidade de que alguma coisa tenha sobrevivido nos excrementos deixados na Lua é pequena. Afinal, a Lua não tem um campo magnético capaz de proteger a vida contra a radiação cósmica, não tem camada de ozono para absorver raios ultravioleta e o vácuo lunar é inóspito para a vida.

Sem atmosfera, a Lua sofre ainda grandes variações de temperatura entre o dia e a noite, com a superfície a registar temperaturas de 100ºC de dia que descem drasticamente para os -173ºC à noite.

Mas, ainda que a maior hipótese seja de que a combinação de radiação e extremas temperaturas tenha matado todos os micróbios nos sacos de lixo, Schuerger diz que há uma “pequena probabilidade de que alguma bactéria mais resistente tenha sobrevivido. Margaret Race, bióloga do Instituto SETI, concorda: “os micróbios não precisam ter muita protecção”, disse.

ZAP // CanalTech / VOX

Por CT
6 Abril, 2019

[vasaioqrcode]

 

1621: A China quer construir uma estação de energia solar no Espaço

NASA

A China está a ampliar cada vez mais o seu programa espacial e quer que a Administração Espacial Nacional da China compita com a NASA pelo posto de principal agência espacial do planeta.

No início de 2019, o país pousou com sucesso, pela primeira vez na história, uma nave no lado afastado da Lua e o bom andamento da missão Chang’e 4 acelera os planos chineses em dominar o espaço. Agora, o país quer construir uma estação de energia solar na órbita da Terra.

O programa espacial chinês recebeu um orçamento anual de 7 mil milhões de euros, fazendo com que a China perca apenas para os Estados Unidos no que diz respeito à verba libertada pelo governo para projectos espaciais.

Os cientistas chineses já começaram a trabalhar numa base experimental na cidade de Chongqing para a construção de uma estação espacial de energia solar, o que deve acontecer entre 2021 e 2025, com previsão de lançamento para até o ano de 2030.

Os especialistas esperam recolher energia solar sem a interferência da atmosfera, a limitação da noite ou épocas sazonais do planeta que limitam a luz do sol. Ao construir as “quintas” no espaço, será possível obter uma fonte de energia limpa e inesgotável.

A China acredita que o sistema pode manter-se operacional 99% do tempo e com seis vezes mais intensidade que as plantas solares da Terra.

Um dos principais desafios desta empreitada é o peso da estação espacial, de cerca de mil toneladas, tornando difícil mantê-la no espaço. Os cientistas estão a considerar montar a estação em órbita, recorrendo ainda a materiais impressos em 3D.

Necessitam também de considerar os efeitos da radiação das micro-ondas na atmosfera. Outro aspecto que está a ser discutido pelos especialistas é a melhor forma de transferir a energia recolhida para a Terra.

Além disso, o país asiático também está a trabalhar na construção da sua nova estação espacial própria, chamada de Tiangong, com previsão de lançamento para 2022.

A estação terá um módulo central e outros dois módulos para experiências, pesando 66 toneladas e capaz de abrigar três pessoas ao mesmo tempo, com um ciclo de vida projectado para pelo menos dez anos.

Ali, a China pretende realizar pesquisas científicas próprias, incluindo em áreas como biologia e física. O país não pretende usar as dependências da Estação Espacial Internacional, preferindo investir o seu tempo e dinheiro numa estação exclusiva.

No ano passado, a China revelou o design do módulo principal da estação espacial, chamado Tianhe-1.

Outros programas espaciais

Quanto à missão lunar chinesa, enquanto a Chang’e 4 e seu rover Yutu-2 estão a explorar o misterioso lado afastado da Lua, missões futuras como a Chang’e 5 e Chang’e 6 recolherão amostras de rocha e solo lunar para trazê-las à Terra.

Depois, a Chang’e 7 mapeará o pólo sul da Lua – região interessante para uma habitação humana por conter água congelada – , enquanto a Chang’e 8 testará tecnologias para viabilizar a construção de uma base fixa na Lua.

Ainda, o programa espacial chinês decidiu recentemente incentivar a formação de pequenas empresas igualmente chinesas, porém privadas, para desafiar as empresas privadas espaciais dos EUA na construção de novas gerações de naves e foguetes.

A China está a investir para criar um sistema de navegação próprio, reduzindo a dependência do GPS de propriedade norte-americana. Todos os satélites são controlados pela Força Aérea dos EUA. O país está a desenvolver o sistema de navegação Beidou, com o objectivo de fornecer precisão de posicionamento de 1 metro ou menos.

Por fim, a China também está a planear realizar inspecção e reparo de satélites em órbita, limpando o lixo espacial que está em redor da Terra.

ZAP // Canal Tech

Por ZAP
22 Fevereiro, 2019

[vasaioqrcode]