2713: Embrióides humanos já podem ser produzidos em massa

CIÊNCIA

Yi Zheng / University of Michigan

Investigadores criaram uma forma de produzir um grande número de entidades vivas que se parecem com embriões humanos primitivos. Isto permite que os cientistas estudem de melhor forma os primeiros dias do desenvolvimento embrionário humano.

A capacidade de artificialmente produzir embrióides humanos é algo que divide a comunidade científica. Por um lado, permite aos investigadores estudar melhor o desenvolvimento embrionário dos humanos, que pode levar a avanços científicos significantes. Por outro lado, há sempre uma questão ética, devido à criação artificial de vida.

Se a ideia já era controversa quando eram criados embriões artificiais em pequena escala, imagine-se agora que os cientistas já são capazes de os produzir em massa.

“Este novo sistema permite-nos alcançar uma eficiência superior para gerar essas estruturas semelhantes a embriões humanos”, explicou o autor da investigação, Jianping Fu. Os resultados do estudo foram publicados este mês na revista científica Nature.

O dispositivo criado é um quadrado fino de silicone, onde são usadas células estaminais e produtos químicos que estimulam essas células a desenvolver estruturas-chave dos embriões humanos. Cada um destes dispositivos consegue produzir uma dúzia de embrióides em apenas poucos dias.

(dr) Yi Zheng / University of Michigan
O dispositivo criado pela equipa de investigadores da Universidade do Michigan.

Enquanto uns olham para esta inovação com uma preocupação ética, outros olham com entusiasmo graças a possíveis avanços no conhecimento científico. Fu, citado pela NPR, diz que este é “um novo marco empolgante neste campo emergente” e que “tais estruturas de embriões humanos têm muito potencial para abrir o que chamamos de caixa negra do desenvolvimento humano”.

Se em situação normal, o embrião está dentro do corpo humano e, por isso, torna-se difícil estudá-lo, neste caso a situação é significativamente facilitada. Há, contudo, uma limitação: uma directriz que impede os cientistas de realizarem investigações em embriões além de 14 dias de desenvolvimento.

Fu explica que a capacidade de produzir embrióides em larga escala não está abrangida por esta directriz e que, por isso, torna a tarefa mais fácil para os cientistas. Novas investigações podem reduzir ou até prevenir defeitos de nascimento e abortos. “Esta investigação pode levar a muitas coisas boas”, reiterou o cientista.

Ainda assim, lado a lado com o progresso científico, vão estar sempre as questões éticas, como explica o bioeticista de Harvard, Insoo Hyun: “Esta equipa precisa de ter muito cuidado para não modelar todos os aspectos do embrião humano em desenvolvimento, para que eles possam evitar a preocupação de que esse modelo de embrião possa um dia tornar-se um bebé se o colocarmos no útero”.

Por essa mesma razão, Fu produz os embrióides para apenas se assemelharem parcialmente a um embrião humano. “Entendo que pode haver pessoas sensíveis quando você vê que é possível produzir em massa estruturas embrionárias. As pessoas vão ficar preocupadas. Eu percebo isso. Acho que estamos a alargar os horizontes“, disse Fu.

“Mas quero deixar 100% claro que não temos a intenção de tentar gerar uma estrutura sintética parecida a um embrião humano completo. Não temos intenção de fazer isso“, reiterou.

ZAP //

Por ZAP
26 Setembro, 2019

 

2104: Cientistas inventam nova forma de produzir oxigénio em Marte

CIÊNCIA

Kevin Gill / Flickr

Futuros exploradores de Marte podem ter assegurada uma forma de eles próprios produzirem oxigénio. A ideia para o novo método surgiu ao estudarem os cometas.

Esta nova forma de produzir oxigénio em Marte pode facilitar os planos de um dia viajarmos até ao planeta vermelho e pode também reduzir os custos dessa viagem. Com Marte a milhões de quilómetros de distância da Terra, transportar grandes quantidades de oxigénio até lá seria uma tarefa árdua e trabalhosa.

O método usado anteriormente para a produção de oxigénio era através de energia cinética. Contudo, investigadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia descobriram um novo método para fazê-lo.

A reacção geradora de oxigénio foi descoberta pelos cientistas através do estudo dos cometas. Naturalmente perfeitos por gelo, se a órbita de um cometa se aproxima do sol, o calor começa a derreter o seu gelo, deixando para trás um rasto que se pode estender por vários milhares de quilómetros.

Caso haja compostos que contenham oxigénio na superfície do cometa, as moléculas de água podem arrancar esses átomos de oxigénio e produzir oxigénio molecular, como explica a Space.

A equipa de cientistas descobriu que este oxigénio molecular pode ser produzido através de reacções de dióxido de carbono. Os investigadores Yunxi Yao e Konstantinos Giapis simularam esta reacção em folha de ouro, que não é oxidável e, portanto, não produz oxigénio molecular. Contudo, verificaram que a reacção do dióxido carbono fazia com que a folha de ouro emitisse oxigénio.

“Isto significa que ambos os átomos de oxigénio vêm da mesma molécula de CO2, dividindo-a de uma maneira extraordinária”, explicou o Instituto de Tecnologia da Califórnia em comunicado. Os resultados da investigação foram publicados este mês na revista Nature Communications.

Os cientistas descobriram que moléculas extremamente “dobradas” de dióxido de carbono podem ser criadas sem a agitação deste elemento. Desta forma, era produzido oxigénio.

Giapis acredita que o oxigénio em Marte poderá ser gerado quando partículas de poeira a alta velocidade na atmosfera colidem com moléculas de dióxido de carbono. Antes, os cientistas acreditavam que a baixa concentração de oxigénio em Marte é causada pela colisão de luz ultravioleta do sol com moléculas de dióxido de carbono.

O cientista é ainda da opinião que o reactor criado pode ser usado para criar oxigénio respirável para os astronautas em Marte.

ZAP //

Por ZAP
4 Junho, 2019



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1625: Alerta: o planeta está menos produtivo e os alimentos estão em risco

Nas últimas duas décadas, aproximadamente 20% da superfície da terra tornou-se menos produtiva. Estudo sobre plantas, animais e microrganismos, que fazem parte das ementas dos seres humanos, relata “ameaça severa”

A humanidade está a falhar na protecção da biodiversidade pondo em causa a capacidade do mundo em produzir alimentos, de acordo com o primeiro estudo da ONU sobre plantas, animais e microrganismos, que fazem parte das ementas dos seres humanos, citado pelo jornal britânico The Guardian.

O alerta foi emitido pela Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla original) depois de cientistas terem descoberto evidências de que os sistemas naturais de sustentação que alimentam a dieta humana estão a deteriorar-se por todo o mundo, enquanto fazendas, cidades e fábricas devoram a terra e bombeiam produtos químicos.

O abastecimento mundial de alimentos está sob “uma ameaça severa” com a perda de biodiversidade. Nas últimas duas décadas, aproximadamente 20% da superfície da terra tornou-se menos produtiva, relata o relatório, apresentado esta sexta-feira.

No documento regista-se uma perda “debilitante” da biodiversidade do solo, florestas, campos, recifes de corais, mangais, zonas de ervas marinhas e diversidade genética em espécies de culturas e gado. Nos oceanos, um terço das áreas de pesca estão a ser “super-exploradas”.

Muitas espécies que estão indirectamente envolvidas na produção de alimentos, como aves que comem pragas das culturas e árvores de mangue que ajudam a purificar a água, são menos abundantes do que no passado, observou o estudo, que reuniu dados globais, trabalhos académicos e relatórios dos governos de 91 países.

Constatou-se que 63% das plantas, 11% das aves e 5% dos peixes e fungos estão em declínio. Os polinizadores, que fornecem serviços essenciais para três quartos das plantações do mundo, estão também sob ameaça. Para além do bem documentado declínio de abelhas e outros insectos, o relatório observou que 17% dos polinizadores de vertebrados, como morcegos e aves, estão ameaçados de extinção.

Diário de Notícias
22 Fevereiro 2019 — 08:35

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1216: Produção de alcatrão em escala industrial impulsionou a Era Viking

CIÊNCIA

(dr) Michael Zeno Diemer (1911)

Os vikings eram os verdadeiros produtores de alcatrão. Com os seus majestosos navios, cobertos de alcatrão, viajaram ao longo dos rios russos, conduzindo o comércio a regiões do Império Romano. Os seus métodos de produção eram um mistério, que acaba de chegar ao fim.

Os vikings adquiriram a capacidade de produzir alcatrão em escala industrial no século 8 d.C.. O alcatrão era aplicado nas tábuas e velas dos navios, usados pelos vikings no comércio. O mais recente estudo, publicado na Antiquity, sugere que, sem a capacidade de produzir grandes quantidades de alcatrão, a Era Viking nunca teria acontecido.

Embora o alcatrão pareça uma invenção moderna, não o é. Na verdade, os vikings usavam e abusavam do alcatrão, embora os seus métodos de produção permaneçam um autêntico mistério para arqueólogos e historiadores. Este estudo recente propôs-se a responder a esta questão, revelando o método único de produção de alcatrão usado pelos vikings.

Andreas Hennius, do Departamento de Arqueologia e História Antiga da Universidade de Uppsala, na Suécia,e único autor do estudo, relata a descoberta de grandes poços produtores de alcatrão na província sueca de Uppland.

Photo and diagram of a funnel-shaped Viking tar pit.
Image: A. Hennius, 2018/Antiquity

Nos últimos 15 anos, os arqueólogos descobriram um número surpreendente desses poços extra-grandes, datados entre 680 e 900 d.C.. Esta datação, através do carbono, coincide com a Era Viking, (aproximadamente de 750 a 1050 d.C.). O cientista adianta que os Vikings usaram o alcatrão para selar e proteger estruturas feitas de madeira, como navios, e para velas impermeáveis.

Os poços de alcatrão encontravam-se localizados a grandes distâncias das aldeias, muito provavelmente devido à existência de um ingrediente essencial na produção do carvão: as florestas cheias de madeira.

À semelhança dos poços de alcatrão da Europa Moderna Antiga, os poços Viking apresentavam a forma de funil, mas em vez de usar um tubo de saída, os Vikings colocaram um recipiente, com cerca de um metro, no fundo do poço para recolher as pingas. Esta técnica exigia que os vikings cavassem o buraco para remover o recipiente e o seu conteúdo.

Os buracos que os vikings cavavam eram, segundo os arqueólogos, enormes, capazes de albergar 200 a 500 litros de alcatrão durante cada ciclo de produção. Esta descoberta mostra que os vikings, já no século VIII d.C., haviam adquirido a capacidade de produzir alcatrão em escala industrial.

(dr) Andreas Hennius

Construir, operar e manter estes poços na floresta exigiu um trabalho considerável por parte do povo viking, afirma Hennius, acrescentando que tarefas como empilhar madeira, cortar árvores e manejo florestal foram, sem dúvida, essenciais.

Este nível de produção de alcatrão parece, à primeira vista, excessivo, mas é consistente com os desenvolvimentos na construção naval e expansão marítima da Era Viking..

“O alcatrão é muito útil para proteger a madeira da decomposição na construção de casas, mas especialmente no transporte”, disse o investigador. “O alcatrão foi usado em grandes quantidades até que os barcos fossem feitos de aço. Para os navios Vikings, o alcatrão não era usado apenas para a madeira nas tábuas, mas também para a calafetagem entre as tábuas e as velas.”

“Este estudo apresenta um recurso de produção de alcatrão que é desconhecido para a maioria das pessoas”, referiu Hennius ao Gizmodo. “Tanto as mudanças como o aumento da produção de alcatrão foram fundamentais para a cultura marítima Viking.

É importante, todavia, ressalvar que este estudo é baseado em evidências limitadas a uma área geográfica na Suécia. Outras escavações e investigações fornecerão uma imagem mais clara da produção de alcatrão Viking.

ZAP // Gizmodo

Por ZAP
30 Outubro, 2018

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