2928: Comunicações 5G podem afectar previsões meteorológicas

TECNOLOGIA

NASA

A proliferação das comunicações móveis 5G pode afectar as previsões meteorológicas, pelo que os diferentes Governos devem proteger as frequências radioeléctricas atribuídas aos serviços de observação da Terra.

O aviso partiu da Organização Meteorológica Mundial (OMM), que teme que as interferências ou bloqueios nas frequências hidroeléctricas atribuídas aos serviços de observação da Terra, o que terá consequências na recolha de dados, importantes também para a vigilância das alterações climáticas

Em causa não estão apenas as previsões do estado do tempo, mas também a vigilância das alterações climáticas, caso as novas frequências usadas pelos operadores de telecomunicações venham de alguma forma a interferir ou bloquear o funcionamento dos satélites que permitem a recolha de dados para esses serviços.

Um estudo recente publicado na revista especializada Nature antecipa um cenário complicado, a menos que os reguladores ou empresas de telecomunicações “tomem medidas para reduzir o risco de interferência”, de acordo com o jornal espanhol ABC.

A capacidade de os satélites de observação detectarem “com precisão as concentrações de vapor de água na atmosfera”, por exemplo, pode vir a ser afectada, sendo este um dado essencial para se formularem previsões meteorológicas em todo o mundo.

“Deve haver um equilíbrio entre os interesses comerciais e tecnológicos de curto prazo e o bem-estar e segurança globais a longo prazo. Não devemos correr o risco de perder muitas das conquistas obtidas graças aos nossos serviços de alerta de catástrofes naturais”, que permitem evitar a perda de vidas e propriedades, defendeu Eric Allaix, da OMM, citado pelo semanário Expresso.

O problema vai ser discutido na Conferência Mundial de Radiocomunicações, que decorrerá em Genebra de 28 de Outubro a 22 de Novembro. Em análise estará o Regulamento das Radiocomunicações, que gere o uso do espectro de radiofrequências e das órbitas dos satélites.

ZAP //

Por ZAP
29 Outubro, 2019

 

2918: Poeira lunar pode ser um grande problema para os próximos exploradores

CIÊNCIA

Bre Pettis / Flickr

A poeira lunar pode ser um grande problema para os próximos exploradores espaciais, uma vez que é abrasiva e está por todo o lado. Vários países estudam já os efeitos que o pó lunar poderá desencadear nos astronautas.

Numa altura em que cada vez mais potências mundiais mostram interesse em voltar a explorar o satélite natural da Terra, o portal Space.com noticia esta semana que a poeira lunar pode ser uma pedra no sapato dos futuros astronautas.

John Cain, especialista britânico em riscos da exploração lunar e consultor de saúde de astronautas, alerta para este perigo, considerando que é fulcral conhecer melhor a poeira lunar antes de levar a cabo novas missões à Lua.

É essencial conhecer a natureza da poeira lunar, compreender os seus efeitos sobre o corpo [dos exploradores espaciais], bem como identificar as rotas de exposição e desenvolver meios para reduzir a exposição”, disse, em declarações ao mesmo portal.

Buzz Aldrin, da Apollo 11, parece confirmar as preocupações de John Cain: “Quanto mais tempo passas na Lua, mais coberto ficas de poeira lunar do capacete às botas”, recordou o astronauta após a missão, observando ainda que a poeira da Lua cheirava a “carvão queimado” ou “a alguma coisa semelhante às cinzas de uma lareira”.

Também o comandante da Apollo 17, Gene Cernan, revelou durante um interrogatório técnico após a missão reservas relacionadas com a poeira da Lua. “Acho que a poeira é, provavelmente, um dos nossos maiores inibidores para uma operação nominal na Lua. Acredito que podemos superar outros problemas fisiológicos, físicos ou mecânicos, excepto a poeira da Lua”, afirmou o astronauta.

“Febre do feno extraterrestre”

Durante a Apollo 17, o astronauta Harrison Hagan “Jack” Schmitt registou o primeiro caso de uma reacção à poeira lunar que ficou conhecida como “febre do feno extraterrestre”. Depois de exposto ao pó da Lua, as suas placas de cartilagem das paredes nasais incharam significativamente. “Aconteceu bem rápido”, disse, na época.

Tendo em conta os episódios do passado e o que já se sabe sobre a Lua, John Cain reitera que é preciso conhecer melhor a poeira lunar antes de iniciar qualquer nova missão. No futuro, vaticina ainda o especialista, a criação de assentamentos lunares incluirá a necessidade de se desenvolver legislação sobre saúde e segurança para garantir o bem-estar e a segurança de exploradores.

O regolito lunar – a rocha fragmentada que está sobre a superfície da Lua – pode conter sílica (dióxido de silício), óxido de ferro e óxido de cálcio. A sílica, recorde-se, é altamente tóxica. Na Terra, este composto é responsável por causar graves doenças pulmonares.

Actualmente, Reino Unido, Estados Unidos, China, Rússia, Índia e União Europeia estão a levar a cabo estudos para perceber se a poeira lunar poderá causar doenças pulmonares aos astronautas, bem como para encontrar estratégias para diminuir a exposição.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
28 Outubro, 2019

 

2422: Viajar ao Espaço profundo pode causar problemas de memória aos astronautas (e afectar as suas decisões)

NASA

Os cientistas que viajem até ao Espaço profundo podem vir a sofrer de problemas neuronais e/ou comportamentais devido à radiação.

Uma nova investigação, levada a cabo em ratos de laboratório, concluiu que a radiação presente no Espaço profundo causa deficiências neuronais.

De acordo com o novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada e-Neuro, os resultados obtidos com as cobaias destacam a necessidade urgente de desenvolver medidas para proteger o cérebro humano durante viagens ao Espaço profundo, enquanto os cientistas se preparam para ir a Marte.

Tal como recorda a agência noticiosa Europa Press, os cientistas sabiam já que a radiação interrompe a sinalização, bem como outros processos que ocorrem no cérebro. Contudo, os estudos conduzidos anteriormente usaram exposições que não reflectem com exactidão as condições sentidas no Espaço profundo.

Para explicar melhor como é que as viagens espaciais podem afectar o sistema nervoso, Charles Limoli e os seus colegas expuseram os ratos de laboratório a radiação crónica de baixa dose (condições presentes no Espaço profundo) durante seis meses.

Após o procedimentos, os cientistas concluíram que a exposição à radiação prejudicava a sinalização celular no hipocampo e no córtex pré-frontal, resultando em problemas de memória e também de aprendizagem. A equipa observou ainda um aumento nos comportamentos de ansiedade, o que indicia que a radiação afectou também a amígdala.

Partindo destes resultados, a equipa prevê que, durante uma missão no Espaço profundo, cerca de um em cada cinco astronautas possam experimentar um comportamento de ansiedade, enquanto um em cada três poderá ter problemas de memória.

Além disso, frisam, estas condições podem ainda afectar a tomada de decisões. Por isso, insistem, é necessário desenvolver medidas para proteger os cérebros dos astronautas.

“A longo prazo, a natureza do ambiente de radiação no Espaço não determinará os nossos esforços para viajar até Marte, mas pode ser o maior obstáculo que a Humanidade deve resolver para viajar para lá da órbita da Terra”, pode ler-se no estudo.

Face à descoberta, o professor Francis A. Cucinotta, da Universidade de Nevada, em Las Vegas, nos Estados Unidos, mostrou-se céptico quanto às descobertas, dando conta que estas podem ser enganosas e que excedem os limites fixados pela NASA.

“Não há como um astronauta ficar exposto a esta fonte de energia de neutrões ou a doses equivalentes utilizadas. Isso violaria os limites de dose da NASA e das outras agências espaciais”, apontou ao portal Newsweek, questionando ainda por que motivos os cientistas recorreram a uma linhagem de cobaias conhecida por ser sensível a alterações climáticas.

ZAP //

Por ZAP
9 Agosto, 2019

 

1241: NASA perdeu sonda espacial no Cinturão de Asteróides

A NASA comunicou nesta quinta-feira que a sonda espacial Dawn deixou de estar em contacto com a Terra, interrompendo a sua missão histórica destinada a estudar o asteróide Vesta e o planeta-anão Ceres.

De acordo com o site da agência espacial norte-americana, depois de eliminar outras hipóteses que justificassem a perda de contacto, a equipa da missão concluiu que a sonda terá ficado sem hidrazina – usada como combustível para as antenas que controlam a direcção -, tendo depois a sonda se perdido entre os asteróides.

Segundos os cientistas, a sonda Dawn ficou presa na órbita do planeta-anão Ceres, devendo manter-se lá nas próximas décadas.

“Hoje celebramos o fim da missão Dawn, das suas incríveis conquistas técnicas e conhecimentos vitais que nos proporcionou e parabenizamos toda a equipa que permitiu que a nave fizesse tais descobertas”, disse o administrador da NASA, Thomas Zurbuchen,

Zurbuchen acrescentou ainda que as imagens e os dados surpreendentes obtidos pela Dawn são cruciais para entender a história e evolução do nosso Sistema Solar.

A sonda espacial norte-americana Dawn foi lançada pela NASA há onze anos, em 2007, com o objectivo de estudar o planeta-anão Ceres e o asteróide Vesta. Estes corpos celestes pertencem ao Cinturão de Asteróides situado entre Marte e Júpiter. Esta foi a primeira missão destinada a estudar mais que um corpo celeste.

ZAP // SputnikNews

Por SN
4 Novembro, 2018

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952: Fim da hora de inverno “é um regresso à Idade Média” (e afecta sobretudo as crianças)

(PPD/C0) Monoar / Pixabay Mais de 4,6 milhões de pessoas participaram no inquérito

O especialista em medicina do sono Joaquim Moita avisa que o fim da hora de inverno seria preocupante sobretudo para as crianças e adolescentes, que passariam a acordar e a ir para as aulas ainda de noite.

A Comissão Europeia vai propor o fim da mudança de hora, depois de essa ter sido a vontade expressa por uma grande maioria dos europeus na consulta pública lançada este verão, acabando com a distinção entre horário de verão e horário de inverno.

Em declarações à agência Lusa, o médico Joaquim Moita, que dirige o Centro de Medicina do Sono do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e a Associação Portuguesa do Sono, lembra que o cérebro humano precisa de exposição à luz solar para acordar devidamente.

“Se acabar a hora de inverno, entre os meses de Novembro e Janeiro iremos estar às 08:15 ainda com noite escura”, avisa o especialista. Ora, às 08:15 muitas das crianças e adolescentes portugueses já estão a ter aulas ou pelo menos a caminho da escola.

“O resultado não será benéfico e o desempenho cognitivo e físico podem ficar comprometidos. As crianças e os adolescentes já deviam ir bem acordados para a escola e, para acordar bem, o cérebro precisa de exposição ao sol, à luz solar”, explica.

O especialista frisa que uma das regras básicas da higiene do sono é precisamente levantar à mesma hora e procurar a exposição solar, o que pode ficar comprometido caso se acabe com a hora de inverno.

“Os mesmos problemas também se podem aplicar ao mundo do trabalho. É muito preocupante para as faixas etárias mais jovens, mas também para quem já trabalha”, indicou o especialista do sono.

Joaquim Moita julga que haveria vantagens em manter a hora de inverno e considera que as alterações entre hora de verão e hora de inverno não constituem qualquer problema médico, até porque o organismo se adapta facilmente a estas mudanças de hora.

O perito lembra que os portugueses “já dormem pouco”, considerando que o fim da hora de inverno pode ainda prejudicar mais o descanso, o número de horas de sono e a forma como se desperta.

Mudança leva os cidadãos para a Idade Média

Em igual sentido, o professor do Departamento de Física Aplicada da Universidade de Santiago de Compostela (USC), Jorge Mira e o físico da Universidade de Sevilha, José María Martín Olalla, concordaram que a decisão de eliminar a mudança de hora semestral em toda a União Europeia “é um passo atrás” que “quebra a estabilidade horária na Europa”.

Para Mira, a decisão é um “passo atrás”, que leva os cidadão para o “tempo da Idade Média”, através da “imposição” de ideias de pessoas “que concebem que a Terra é plana”, reiterou o professor universitário.

Ambos os físicos concordam que a abolição da hora de inverno é um claro passo atrás.

“A razão para a mudança de hora é que o planeta gira o seu eixo de rotação desviado do eixo da órbita, de modo que a diferença entre o dia e a noite muda muito“, explicou Mira em declarações à Europa Press.

O cientista deu o exemplo concreto da Galiza, salientando que a diferença entre o dia e a noite no solstício de verão é de seis horas e 40 minutos e, “apenas três meses depois” essa diferença passa para zero horas.

Mira prosseguiu explicando que, três meses depois a diferença passa a ser de seis horas e 45 minutos a favor da noite. ” A cada três meses, temos seis horas e 45 minutos de variação e a mudança de tempo foi uma forma de atenuar um pouco essa variação, que é o posicionamento mais lógico”, concluiu.

Uma maioria “muito clara” de 84% dos cidadãos europeus pronunciaram-se a favor do fim da mudança de hora na consulta pública realizada este verão, de acordo com resultados preliminares divulgados nesta sexta-feira pela Comissão Europeia.

Os resultados preliminares publicados pelo executivo comunitário revelam que os portugueses que participaram no inquérito online estão em linha com a média europeia, já que 85% também defenderam que deixe de se mudar o relógio duas vezes por ano, o que Bruxelas pretende agora implementar, com a apresentação de uma proposta legislativa. Os resultados finais serão avançados nas próximas semanas.

Naquela que foi, de forma destacada, a consulta pública mais participada de sempre, com mais de 4,6 milhões de contributos oriundos de todos os Estados-membros, a maior parte das respostas veio da Alemanha, onde o assunto foi particularmente mediatizado, apontando a Comissão que a taxa de participação em percentagem da população nacional variou entre os 3,79% na Alemanha e os 0,02% no Reino Unido, tendo em Portugal participado no inquérito 0,33% da população.

Os resultados preliminares, acrescenta Bruxelas, “indicam também que mais de três quartos (76%) dos participantes consideram que mudar de hora duas vezes por ano é uma experiência «muito negativa» ou «negativa»”, e “como justificação do desejo de pôr fim a esta regras alegam o impacto negativo na saúde, o aumento de acidentes de viação ou a falta de poupanças de energia”.

ZAP // Lusa

Por ZAP
1 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 3 erros ortográficos ao texto original)

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905: Os nossos antepassados não comiam açúcar (e também tinham problemas nos dentes)

(dr) Ian Towle / Liverpool John Moores University
Dentes danificados do Australopithecus africanus

Embora a erosão dentária e as cáries nos pareçam problemas nos dentes bastante actuais, a verdade é que até os nossos antepassados sofreram com isso.

Nos dias de hoje, a erosão dentária é um dos problemas mais comuns quando falamos de problemas nos dentes. Bebidas com gás e produtos açucarados são geralmente os culpados, assim como a forma como fazemos a nossa higiene dentária.

Embora isto pareça um problema de saúde actual, uma investigação levada a cabo pelo antropólogo Ian Towle, da Liverpool John Moores University, mostra que, afinal, os seres humanos já lidam com este tipo de problema há milhões de anos.

De acordo com o Science Alert, a equipa de investigadores descobriu lesões notavelmente semelhantes às causadas pela erosão dentária actual em dois dentes da frente, com 2,5 milhões de anos, de um dos nossos antepassados: Australopithecus africanus.

Dado o tamanho e a posição das lesões, este nosso antepassado provavelmente também teve dores de dentes e sensibilidade dentária. Mas, afinal, qual será a explicação, uma vez que este indivíduo teve uma alimentação bastante diferente da que fazemos actualmente?

Segundo Towle, a erosão dentária de hoje em dia não é só influenciada pelas bebidas e comida que ingerimos, mas também frequentemente associada a uma forma agressiva de escovar os dentes. O Australopithecus africanus provavelmente também sofreu o mesmo problema por comer alimentos duros e fibrosos.

Para as lesões se formarem nos dentes analisados, este humanos teve uma dieta rica em alimentos ácidos. Mas, em vez das bebidas gaseificadas como no nosso caso, é bastante provável que tenha chegado até si na forma de frutas cítricas e vegetais ácidos.

Um desses exemplos são os tubérculos, ou seja, batatas e outros relacionados, que são duros de comer e, surpreendentemente, alguns são também ácidos, podendo ser uma das causas destas lesões.

Além disso, outro tipo de problema comum nos dias de hoje – as famosas cáries – também já foram encontradas com frequência em dentes fossilizados. Enquanto que no nosso caso está relacionado com os produtos açucarados, nos antepassados isso provavelmente acontecia por causa de certos tipos de fruta e vegetação, bem como o mel.

Para além da alimentação, a erosão dentária também pode ser causada por esfregar repetidamente ou segurar um objecto duro contra os dentes (caso disso é o erro de roer as unhas, fumar cachimbo ou segurar agulhas de costura entre os dentes).

Essas actividades normalmente levam anos para formar buracos perceptíveis nos dentes, por isso, quando estes são encontrados em dentes fossilizados, podem oferecer informações fascinantes sobre o comportamento e a cultura dos nossos antepassados.

Os melhores exemplos desse tipo de desgaste dentário pré-histórico são “ranhuras de palito”, que se pensa serem causadas pela colocação repetida de um objecto na boca, geralmente nas falhas entre os dentes posteriores.

A presença de arranhões microscópicos à volta desses buracos sugere que são exemplos da higiene dentária pré-histórica, em que o indivíduo usou instrumentos de pau ou outros para retirar restos de comida.

Alguns desses buracos são encontrados nos mesmos dentes que as cáries e outros problemas dentários, sugerindo que também podem ser sinais das pessoas a tentar aliviar as dores de dentes.

No entanto, essas lesões foram encontradas em várias espécies de hominídeos, incluindo humanos pré-históricos e neandertais, mas apenas nas espécies mais próximas a nós, não nos nossos ancestrais mais antigos.

Investigações futuras vão conseguir provar que este tipo de lesões nos nossos ancestrais era mais comum do que se pensava e, finalmente, poderão dar-nos mais informações sobre a dieta e as práticas culturais dos nossos parentes distantes, conclui Towle.

ZAP //

Por ZAP
23 Agosto, 2018

(Fora corrigidos 7 erros ortográficos ao texto original)

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