2023: A previsão piorou: os oceanos deverão subir dois metros em 80 anos

CIÊNCIA

Nova estimativa ultrapassa as piores previsões para o final do século XXI.

© Lucas Jackson Icebergue flutua num fiorde perto de Tasiilaq, Gronelândia, Junho de 2018.

A Terra é um sistema tão complexo que é difícil fazer previsões precisas sobre o aumento do nível das águas em consequência do aquecimento global até ao fim deste século. Num último estudo publicado, as estimativas ultrapassam as piores previsões.

A última previsão que servia de referência data de 2014, quando um grupo de peritos do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) estimava uma aumento do nível do mar em quase 1 metro até ao fim do século XXI, em relação ao período 1986-2005.

Um novo estudo publicado na revista da Academia Americana das Ciências (PNAS) não contradiz este cenário, mas dá conta da probabilidade de que a elevação do nível dos oceanos seja ainda mais grave: 69 centímetros numa hipótese mais optimista, 111 centímetros se a trajectória actual se mantiver, em relação ao nível em 2000.

Num cenário optimista, o aquecimento global do planeta alcança mais 2ºC em relação à época pré-industrial (fim do século XIX). Este é o objectivo mínimo do Acordo de Paris, assinado em 2015. A Terra já aqueceu cerca de 1ºC desde essa época.

O cenário mais pessimista é o de um aquecimento de 5ºC – se continuarmos na mesma trajectória de contínua emissão de gases com efeito de estufa.

A amplitude possível da subida do nível das águas é enorme: mesmo que a humanidade consiga limitar o aumento da temperatura do globo a 2ºC, a subida das águas pode variar entre 36 e 126 centímetros (intervalo de probabilidade de 5 a 95%).

No caso de um aumento da temperatura global do planeta de 5ºC, a subida do nível das águas ultrapassa 238 centímetros.

“Estamos perante uma emergência climática”, alerta Guterres

De visita à Nova Zelândia e às ilhas Fiji no início deste mês de maio, o secretário-geral da ONU lembrou que a temperatura atingiu nos últimos quatro anos o maior nível de que há registo.

António Guterres lamentou que a vontade política para alterar o rumo dos acontecimentos está a falhar.

Gronelândia e Antárctica a derreter

O estudo agora publicado reúne as estimativas de 22 peritos em calotas de gelo polares da Gronelândia e da Antárctica Leste e Oeste.

O degelo é um dos principais responsáveis pela subida do nível dos oceanos, assim como os rios de gelo e a expansão térmica – quando a água do mar aquece, também se expande.

“Concluímos que é plausível que o aumento do nível do mar ultrapasse 2 metros até 2100 neste cenário de subida da temperatura”.

 

Planeta perderá quase 2 milhões de km2, centenas de milhões de deslocados

Neste cenário, o planeta perderá 1,79 quilómetros quadrados de terras, uma área equivalente à da Líbia.

Grandes partes da terra perdida serão importantes áreas de cultivo como o delta do Nilo e em vastas áreas do Bangladesh será muito difícil as pessoas continuarem a viver.

Daqui resultará um êxodo de 187 milhões de pessoas, segundo o estudo.

Os glaciares antes e depois das alterações climáticas

“Não estamos a ganhar a batalha” das alterações climáticas

msn notícias
SIC Notícias
21/05/2019



1531: Em sete ocasiões as pessoas acharam que o mundo ia acabar (e ainda cá estamos)

*Psycho Delia* / Flickr

Muitas teorias e previsões sobre o fim do mundo foram já criadas. Apesar do interesse que despertam, até à data, nenhuma chegou a confirmar-se. Contudo, são muitas as pessoas que continuam a considerar essas profecias intrigantes, mesmo que as que não acreditam realmente na possibilidade de um planeta alienígena escondido colidir com a Terra e originar o Apocalipse.

Um artigo do Business Insider, divulgado na passada quinta-feira, leva-nos numa viagem por sete das previsões apocalípticas sobre o fim do mundo mais populares ou bizarras, que despertaram o fascínio público.

A primeira está relacionada com o cometa Halley, intitulado pela Biblioteca do Congresso americano, em 1910, como “o mau-olhado do céu”. A passagem do cometa levou a uma histeria em massa, com as pessoas a comprar pílulas anti-cometa e máscaras de gás, caso o mesmo atingisse o planeta e provocasse uma explosão.

O Halley mostrou-se inofensivo, tendo passado entre a Terra e o Sol, em maio daquele ano. A cada 75 anos o episódio repete-se, tendo-se verificado em 1986, com previsão que passe novamente em 2061.

Lucas / Flickr
Cometa Halley, capturado por Edward Emerson Barnard a 29 de maio de 1910, no Observatório Yerkes, em Wisconsin (EUA)

Mais recentemente, o tailandês Chen Hong-min, fundador do grupo religioso Chen Tao (que significa “Caminho Verdadeiro”), disse que Deus apareceria a 31 de Março de 1998.

Segundo a Enciclopédia Britânica, o líder do movimento mudou-se para Garland, no Texas (EUA), onde supostamente Deus surgiria e o levaria para o céu, bem como aos seus seguidores, em naves espaciais disfarçadas de nuvens. Afirmou, inclusive, que Deus apareceria num canal televisivo americano, a 25 de Março, para anunciar o plano.

Quando a profecia não se realizou, Chen Hong-min disse à AP, numa conferência, que as suas previsões podiam ser consideradas “absurdas”.

Outro dos acontecimentos relacionados com o fim do mundo ocorreu a 31 de Dezembro de 2000, altura em que muitos acreditavam num caos apocalíptico e no colapso da civilização, causado pela falha dos computadores, dos sistemas públicos, dos bancos e de qualquer dispositivo que contivesse algum tipo de ‘chip’.

O “bug do ano 2000” causou preocupações em todo o mundo, com as lojas a venderem, nesse Ano Novo, ‘kits’ de emergência Y2K, que continham alimentos. A Enciclopédia Britânica informa que cerca de 300 mil milhões de dólares (264 mil milhões de euros) foram gastos em actualizações informáticas para suportar o suposto ‘bug’ do milénio.

kotedre / DeviantArt
Detalhe do LHC, Large Hadron Collider, acelerador de partículas do CERN

Em 2008, com a inauguração do Large Hadron Collider – “o maior e mais poderoso acelerador de partículas do mundo”, segundo a European Organization for Nuclear Research (CERN) -, houve especulações de que o movimento rápido das partículas subatómicas nos seus túneis poderia criar um buraco negro que engoliria a Terra.

À LiveScience, os cientistas do CERN garantiram que, se um pequeno buraco negro fosse criado, este se desintegraria imediatamente, desmentindo assim essas especulações.

Já para o pregador Harold Camping, que se apresentava na rádio e na televisão, o mundo terminaria a 21 de maio de 2011. A sua teoria afirmava que apenas três por cento da população sobreviveria, através de Deus.

De acordo com a VICE, a Family Radio – rede de rádio cristã que hospedou o programa de Harold Camping -, gastou 100 milhões de dólares (88 milhões de euros) para divulgar a sua mensagem. Quando o mundo não acabou, o pregador disse que o arrebatamento tinha sido um “dia do juízo invisível“.

Uma das profecias mais conhecidas relacionava-se com o calendário Maia. Uma pesquisa da Reuters, de 2012, revelava que 10% das pessoas em todo o mundo acreditavam que o calendário Maia podia prever o fim do mundo, com 10% a relatar que se sentiam ansiosas pelo facto de a vida no planeta poder realmente terminar a 21 de Dezembro de 2012.

Esta teoria resultou do térmico do calendário Maia, que se daria naquela data, após cerca de cinco mil anos. Reza a lenda que a aldeia de Bugarach, na França, seria o único lugar na Terra que seria poupado. O filme “2012”, protagonizado por John Cusack e Chiwetel Ejiofor, foi lançado em 2009, promovendo ainda mais a teoria.

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Calendário Maia

Embora tenha sido uma das suposições mais populares, os cientistas “negaram rapidamente essa previsão do fim do mundo”, lê-se no artigo do Business Insider.

Foi um equívoco desde o início“, disse John Carlson, director do Centro de Arqueoastronomia da NASA, segundo um artigo publicado na NASA Science. “O calendário Maia não terminou a 21 de Dezembro de 2012 e não havia profecias maias a prever o fim do mundo naquela data”, esclareceu.

David Meade, um teórico da conspiração que se auto-denomina numerólogo cristão, escreveu no seu livro “Planet X — 2017 Arrival” (“Planeta X – 2017 Chegada“) que um planeta oculto, chamado Nibiru – ou Planeta X -, colidiria com a Terra e a destruiria, a 23 de Setembro de 2017.

O teórico disse que usou a geometria das pirâmides de Gize (Egipto) para calcular que o mundo terminaria nessa data, que, afirmava o próprio, tinha sido escrita em código nas pirâmides de Giza. A mesma chegou e passou sem incidentes. A NASA negou a existência de qualquer Planeta X.

TP, ZAP // Business Insider

Por TP
29 Janeiro, 2019

A mentalização em massa de ideologias perversas, quer religiosas, quer políticas. Quando o Mundo tiver de acabar, não será anunciado previamente e não existirão kits de sobrevivência que nos salvem, cambada! Mas ainda há quem continue a acreditar nos farsolas aldrabões da política e das religiões…!

1021: Cientistas vão largar “ovos de dragão” em vulcões para prever erupções

CIÊNCIA

Cientistas da Universidade de Bristol criaram um sistema de sensores inspirado em “ovos de dragão”. Os “ovos” abrem e analisam todo o ambiente vulcânico assim que é detectado algum tremor.

Subir de mochila às costas um vulcão que mostra sinais de actividade para largar sensores  numa cratera é, no mínimo, uma árdua e perigosa tarefa. E, por essa razão, cientistas britânicos criaram uma maneira de evitar a presença de humanos nesta missão.

Os “ovos de dragão” são pequenas caixas autónomas repletas de sensores inteligentes que podem ser largados bem no centro do vulcão, através do controlo à distância de um quadcopter – um drone composto por 4 rotores.

Caso o vulcão não esteja prestes a entrar em erupção, cada caixa permanece no modo suspenso (stand-by), semelhante ao modo disponível em qualquer computador, consumindo níveis de energia muito baixos.

O comunicado da Universidade de Bristol reivindica para estes “ovos de dragão” o título de “menor consumo de energia em stand-by do mundo”, podendo ficar operacionais por largos meses com uma só carga de bateria.

Os sensores acoplados nos aparelhos despertam e o “ovo” abre assim que é detectado o mais pequeno tremor vulcânico, iniciando o protocolo de registo de valores de temperatura, humidade, frequência e intensidade de vibrações, sendo ainda capazes de analisar a presença de vários gases tóxicos.

Universidade de Bristol
Drone e os ovos de dragão que serão utilizados para analisar vulcões

Os “ovos de dragão” podem ainda trabalhar isoladamente ou em conjunto num sistema interligado em rede e os dados recolhidos pelos sensores podem ser transmitidos em tempo real para uma estação localizada num raio de 10 km do vulcão onde os “ovos de dragão” operam.

Depois de os dados chegarem a essa estação podem ser retransmitidos por satélite para centros de investigação de todo o mundo, onde poderão ser usados em estudos geológicos ou para fornecer alertas sobre erupções iminentes.

“Esta é a primeira vez que um sistema autónomo que usa tecnologia de escuta de zero energia foi implementado neste tipo de ambiente hostil”, afirmou Yannick Verbelen, investigador associado do departamento de física da Universidade de Bristol.

O grande desafio pela frente desta tecnologia é a optimização do design para atender a diferentes critérios e situações.

Os “ovos de dragão” terão de ser leves o suficiente para o drone os suportar, terão de ser capazes de aguentar condições extremas, e ainda extremamente eficientes no consumo de energia visto que, dentro de um vulcão, a sua manutenção é impossível.

Mas desengane-se quem pense que estes “ovos de dragão” têm apenas a função de vigiar vulcões. As capacidades demonstradas por estes dispositivos fazem deles mais valias capazes de ser utilizados noutros âmbitos: em glaciares, falhas geológicas, locais de armazenamento de lixo nuclear e outros locais que demonstrem algum tipo de perigo.

A tecnologia desenvolvida já foi testada no vulcão Stromboli, em Itália, e os resultados positivos permitiram à tecnologia começar a ser desenvolvida com propósitos comerciais.

Por ZAP
14 Setembro, 2018

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