979: Cientista a quem o Nobel foi “roubado” em 1974 recebe prémio de 2,5 milhões (e oferece-o)

CIÊNCIA

Silicon Republic / Wikimedia
Jocelyn Bell Burnell

Em 1974, Bell Burnell descobriu o pulsar de rádio, uma das descobertas mais importantes do séc.XX. A descoberta valeu o Prémio Nobel mas, esse mesmo prémio foi atribuído ao seu supervisor. Agora, 44 anos depois, a cientista britânica recebeu o Breakthrough Prize pela descoberta e pela liderança científica demonstrada ao longo dos anos.

Nos anos 70, Jocelyn Bell Burnell era uma estudante de Cambridge que trabalhava numa dissertação sobre objectos estranhos em galáxias distantes conhecidos como quasares. Em parceria com o seu supervisor, Antony Hewish, construíram um radiotelescópio para observar esses objectos.

Durante as observações, a britânica notou algo de suspeito nas informações recolhidas pelo telescópio. Um pulso que se repetia sensivelmente a cada 1,3 segundos. O sinal, estranho para os cientistas, foi inicialmente chamado Little Green Man-1 (Pequeno Homem Verde-1), numa referência aos possíveis aliens que poderiam estar a enviar o sinal.

Contudo, Bell Burnell descobriu outros sinais similares que sugeriam que a fonte seria um objectivo cósmico natural. Os investigadores determinaram que esses sinais provinham da rápida rotação das estrelas de neutrão, reminiscências de estrelas massivas que morreram em explosões de super-novas. Estes objectos ficaram conhecidos como pulsares, uma combinação entre pulsos e quasares.

Esta descoberta foi tão importante que mereceu o reconhecimento da Academia Sueca… ao supervisor de Bell Burnel, Antony Hewish.

Numa entrevista em 2009, Bell Burnel afirmou não se ter sentido incomodada por não ter sido incluída no prémio Nobel e que “naqueles tempos, os estudantes não eram reconhecidos pelo comité”.

Esta quinta-feira, passados 44 anos da entrega do prémio Nobel a Antony Hewish, os representantes do Breakthrough Prize anunciaram a atribuição do “Prémio Especial de Inovação em Física Fundamental” à astrofísica britânica pela descoberta de 1974.

“Quando soube da atribuição do prémio, fiquei sem palavras o que é incomum em mim. Nem sequer sonhava ou imaginava uma coisa assim, por isso foi uma surpresa maravilhosa”, contou Bell Burnell.

Bell Burnell receberá oficialmente o prémio a 4 de Novembro de 2019 durante a cerimónia dos Breakthrough Prizes em Silicon Valley, na Califórnia.

“A descoberta dos pulsares pela Jocelyn Bell Burnell será sempre lembrada como uma das grandes surpresas na história da astronomia“, afirmou Edward Witten, presidente do comité de selecção da Breakthrough Prize.

Fundado por Sergey Brin, Yuri Milner, Priscilla Chan e Mark Zuckerber, os Breakthrough Prizes oferecem o maior prémio monetário do mundo, cerca de 2,5 milhões de euros.

Bell Burnell, a quem foi oferecida essa quantia pela descoberta dos pulsares, irá doar todo o dinheiro ao Instituto Britânico de Física que criará um bolsa de estudo para minorias interessadas no estudo da física.

Não quero nem preciso do dinheiro e parece-me que este é o melhor uso que lhe posso dar”, contou Bell Burnell à BBC, acrescentando que que usar o dinheiro para contrariar o “viés inconsciente” que diz acontecer nos trabalhos de pesquisa em física.

Por ZAP
7 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 8 erros ortográficos ao texto original)

– Infelizmente existem neste Planeta muitos “Antony Hewish-supervisores”. Felizmente ainda existem pessoas neste Planeta como Jocelyn Bell Burnell. Bem haja!

[vasaioqrcode]

See also Blogs Eclypse and Lab Fotográfico

123: Empresa de Coimbra vence “Óscar do Espaço” com aplicação que monitoriza poluição ambiental

Studio Roosegaarde

Uma empresa de Coimbra que integra a incubadora da Agência Espacial Europeia, localizada no Instituto Pedro Nunes (IPN), venceu um prémio europeu com uma aplicação que permite monitorizar a poluição ambiental em zonas urbanas.

A edição 2017 dos prémios Copernicus Masters, considerados como os Óscares do Espaço, atribuiu 17 galardões, entre os quais um ao projecto SOUL (Sensor Observation of Urban Life), promovido pela empresa portuguesa Space Layer Technologies.

O júri reconheceu o contributo que a solução SOUL pode trazer ao oferecer uma aplicação para ‘smartphone’ “através da qual os cidadãos podem monitorizar a poluição nas suas cidades”, combinando dados oriundos de tarefas governamentais e instituições públicas numa aplicação “muito amigável”, lê-se no texto justificativo do prémio.

Adianta que a aplicação desenvolvida pela empresa de Coimbra pode ajudar a melhorar a saúde pública e a diminuir custos, evitando desnecessárias hospitalizações, por exemplo, de doentes com patologias do foro respiratório.

À agência Lusa, Paulo Caridade, da Space Layer Technologies, afirmou que o galardão, “mais do que um prémio para a empresa, é o reconhecimento do trabalho de uma equipa de colaboradores pelo empenho que têm tido ao longo de dois anos”.

Paulo Caridade explicou que embora a aplicação SOUL já esteja desenvolvida “ainda não está no mercado”, já que os responsáveis do projecto pretendem sustentá-lo, primeiro, através de um “parceiro forte” para com isso ganhar escala antes de ser distribuído a nível europeu.

A Space Layer Technologies é uma das seis ‘startups’ da incubadora da Agência Espacial Europeia (ESA BIC Portugal) que já atingiu a maturidade após dois anos de incubação e evoluiu para uma segunda fase de apoio.

A ESA BIC Portugal, que é liderada pelo IPN e tem pólos no Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto e na agência DNA Cascais, apoia 16 empresas e 56 postos de trabalho, com uma capacidade de exportação de 40% e um retorno anual de quase 900 mil euros em 2016, refere um comunicado da instituição.

As empresas daquele centro de incubação aplicam tecnologia espacial em áreas como a saúde, energia, transportes, segurança e vida urbana.

Na nota de imprensa, Carlos Cerqueira, Director de Inovação do IPN e coordenador do programa, frisa que o ESA BIC Portugal “demonstra a maturidade da indústria espacial portuguesa e a capacidade de as ‘startups’ portuguesas encontrarem novas soluções e negócios para o mercado terrestre a partir de tecnologias espaciais”.

Na quarta-feira, a ESA BIC Portugal comemora três anos de actividade, numa cerimónia, em Coimbra, que será presidida pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor.

ZAP // Lusa

[vasaioqrcode]

[SlideDeck2 id=42]

[yasr_visitor_votes size=”medium”]

[powr-hit-counter id=74c6f257_1510702759180]