2818: “Loucura absoluta”. Nobel da Física diz que os humanos nunca poderão “migrar” para exoplanetas

CIÊNCIA

David Fernandez / EPA

Michel Mayor, vencedor do Prémio Nobel de Física de 2019, considerou, em declarações à agência AFP, que os humanos nunca serão capazes de viajar para fora do Sistema Solar e colonizar exoplanetas.

“Se falamos de exoplanetas, tem que ficar muito claro: não vamos migrar para lá”, afirmou, numa conferência de imprensa que decorreu Espanha, explicando que esta impossibilidade se prende com a distância que separa a Terra dos demais exoplanetas, mesmo dos mundos que nos são mais próximos.

Se uma dia a vida na Terra se tornasse impossível, seria uma “loucura absoluta” pensar que o Homem será capaz de estabelecer colónias em exoplanetas, disse, citado pela AFP.

“Mesmo que tivéssemos a sorte de encontrar um planeta habitável que não estivesse muito longe, vamos levar várias dezenas de anos-luz” para lá chegar. “Falamos de centenas de milhões de dias utilizando os meios que temos disponíveis nos dias que correm”.

Foi em Outubro de 1995 que o primeiro exoplaneta, algo que à data parecia só e apenas parte do mundo da ficção científica, foi descoberto. A descoberta foi da responsabilidade do cientista suíço e do estudante de doutoramento Didier Queloz.

Um quarto de século depois, mais de 4.000 exoplanetas foram detectados na nossa galáxia. “Juntamente com o meu colega, começamos essa busca por planetas, mostramos que é possível estudá-los, disse Michel Mayor.

No entanto, frisou, cabe à “próxima geração” responder à questão sobre se há vida noutros mundos. “Não sabemos. A única forma de o fazer é desenvolver estratégias que nos permitam detectar vida à distância. Por este mesmo motivo, apontou, é necessário cuidar do nosso planeta, que é “muito bonito e ainda absolutamente habitável”.

Na passada terça-feira, os cientistas James Peebles, Michel Mayor e Didier Queloz foram galardoados com o Prémio Nobel de Física pela “contribuição à nossa compreensão da evolução do Universo e do lugar da Terra no Cosmos”.

ZAP //

Por ZAP
11 Outubro, 2019

 

2801: Nobel da Física atribuído a astrónomos que descobriram exoplaneta com estrela semelhante ao Sol

CIÊNCIA

Nobel Prize / Twitter
Da esquerda para a direita: James Peebles, Michel Mayor e Didier Queloz

O Prémio Nobel da Física foi atribuído, esta terça-feira, ao físico canadiano James Peebles, por descobertas em cosmologia física, e aos astrónomos suíços Michel Mayor e Didier Queloz, pela descoberta de um exoplaneta que orbita à volta de uma estrela semelhante ao Sol.

Os prémios Nobel, os mais prestigiados do mundo atribuídos nas áreas de Medicina, Física, Química, Literatura, Economia e Paz cumprem um desejo que o inventor da dinamite, Alfred Nobel (1833-1896), deixou em testamento, em 1895. O cientista e industrial sueco quis legar grande parte da sua fortuna a pessoas que trabalhem por “um mundo melhor”. Os vencedores recebem, actualmente, 9 milhões de coroas suecas (cerca de 830 mil euros).

The Nobel Prize

@NobelPrize

BREAKING NEWS:
The 2019 #NobelPrize in Physics has been awarded with one half to James Peebles “for theoretical discoveries in physical cosmology” and the other half jointly to Michel Mayor and Didier Queloz “for the discovery of an exoplanet orbiting a solar-type star.”

Segundo os termos do testamento assinado em 185 (um ano antes da morte de Nobel), cerca de 31,5 milhões de coroas suecas, o equivalente a 2,2 mil milhões de coroas na actualidade (203 milhões de euros), foram alocados a uma espécie de fundo cujos juros deviam ser redistribuídos anualmente “àqueles que, durante o ano, tenham prestado os maiores serviços à humanidade”, escreve a TSF.

O testamento previa que os juros do capital investido fossem distribuídos ao autor da descoberta ou invenção mais importante do ano no campo da Física, da Química, da Fisiologia ou Medicina, e da obra de Literatura de inspiração idealista que mais se tenha destacado. Uma última parte seria atribuída à personalidade que mais ou melhor contribuísse para “a aproximação dos povos”.

Esta segunda-feira, foram anunciados os vencedores do Nobel da Medicina. Na quarta-feira, será anunciado o prémio da Química, na quinta-feira, serão atribuídos os Nobel da Literatura de 2018 e 2019, e, na sexta-feira, será conhecido o nome do novo Nobel da Paz. O último anúncio será feito no dia 14 de outubro e determinará o vencedor do Nobel da Economia.

ZAP //

Por ZAP
8 Outubro, 2019

 

979: Cientista a quem o Nobel foi “roubado” em 1974 recebe prémio de 2,5 milhões (e oferece-o)

CIÊNCIA

Silicon Republic / Wikimedia
Jocelyn Bell Burnell

Em 1974, Bell Burnell descobriu o pulsar de rádio, uma das descobertas mais importantes do séc.XX. A descoberta valeu o Prémio Nobel mas, esse mesmo prémio foi atribuído ao seu supervisor. Agora, 44 anos depois, a cientista britânica recebeu o Breakthrough Prize pela descoberta e pela liderança científica demonstrada ao longo dos anos.

Nos anos 70, Jocelyn Bell Burnell era uma estudante de Cambridge que trabalhava numa dissertação sobre objectos estranhos em galáxias distantes conhecidos como quasares. Em parceria com o seu supervisor, Antony Hewish, construíram um radiotelescópio para observar esses objectos.

Durante as observações, a britânica notou algo de suspeito nas informações recolhidas pelo telescópio. Um pulso que se repetia sensivelmente a cada 1,3 segundos. O sinal, estranho para os cientistas, foi inicialmente chamado Little Green Man-1 (Pequeno Homem Verde-1), numa referência aos possíveis aliens que poderiam estar a enviar o sinal.

Contudo, Bell Burnell descobriu outros sinais similares que sugeriam que a fonte seria um objectivo cósmico natural. Os investigadores determinaram que esses sinais provinham da rápida rotação das estrelas de neutrão, reminiscências de estrelas massivas que morreram em explosões de super-novas. Estes objectos ficaram conhecidos como pulsares, uma combinação entre pulsos e quasares.

Esta descoberta foi tão importante que mereceu o reconhecimento da Academia Sueca… ao supervisor de Bell Burnel, Antony Hewish.

Numa entrevista em 2009, Bell Burnel afirmou não se ter sentido incomodada por não ter sido incluída no prémio Nobel e que “naqueles tempos, os estudantes não eram reconhecidos pelo comité”.

Esta quinta-feira, passados 44 anos da entrega do prémio Nobel a Antony Hewish, os representantes do Breakthrough Prize anunciaram a atribuição do “Prémio Especial de Inovação em Física Fundamental” à astrofísica britânica pela descoberta de 1974.

“Quando soube da atribuição do prémio, fiquei sem palavras o que é incomum em mim. Nem sequer sonhava ou imaginava uma coisa assim, por isso foi uma surpresa maravilhosa”, contou Bell Burnell.

Bell Burnell receberá oficialmente o prémio a 4 de Novembro de 2019 durante a cerimónia dos Breakthrough Prizes em Silicon Valley, na Califórnia.

“A descoberta dos pulsares pela Jocelyn Bell Burnell será sempre lembrada como uma das grandes surpresas na história da astronomia“, afirmou Edward Witten, presidente do comité de selecção da Breakthrough Prize.

Fundado por Sergey Brin, Yuri Milner, Priscilla Chan e Mark Zuckerber, os Breakthrough Prizes oferecem o maior prémio monetário do mundo, cerca de 2,5 milhões de euros.

Bell Burnell, a quem foi oferecida essa quantia pela descoberta dos pulsares, irá doar todo o dinheiro ao Instituto Britânico de Física que criará um bolsa de estudo para minorias interessadas no estudo da física.

Não quero nem preciso do dinheiro e parece-me que este é o melhor uso que lhe posso dar”, contou Bell Burnell à BBC, acrescentando que que usar o dinheiro para contrariar o “viés inconsciente” que diz acontecer nos trabalhos de pesquisa em física.

Por ZAP
7 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 8 erros ortográficos ao texto original)

– Infelizmente existem neste Planeta muitos “Antony Hewish-supervisores”. Felizmente ainda existem pessoas neste Planeta como Jocelyn Bell Burnell. Bem haja!

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