2530: Nepal vai banir plásticos de uso único no Monte Evereste a partir de 2020

CIÊNCIA

markhorrell / Flickr

O Governo nepalês anunciou a proibição de plástico de uso único na região do Evereste para tentar reduzir a enorme quantidade de resíduos deixada pelos alpinistas.

As autoridades nepalesas anunciaram, na última quinta-feira, que vão banir os plásticos de uso único no município rural de Khumbu Pasanglhamu, zona onde fica o Monte Evereste e outras montanhas. “Se começarmos agora, vai ajudar a manter a nossa região, o Evereste e as outras montanhas limpos”, afirmou à AFP Ganesh Ghimire, que pertence às autoridades locais.

Para além do recorde de alpinistas alcançado este ano (885), o Governo nepalês foi confrontado com a enorme quantidade de resíduos naquela que é a montanha mais alta do mundo. Recentemente, foram recolhidas cerca de onze mil quilos de lixo.

A nova proibição inclui todo o plástico com menos de 30 micrómetros de espessura, bem como bebidas em garrafas de plástico, e vai entrar oficialmente em vigor a partir de Janeiro de 2020.

As autoridades locais vão trabalhar com empresas de trekking, companhias aéreas e a Associação de Montanhismo do Nepal para impor esta proibição, embora não tenham sido ainda definidas as multas que vão ser aplicadas aos infractores.

A região recebe cerca de 50 mil turistas por ano, incluindo alpinistas e adeptos do trekking. Este ano, devido às más condições meteorológicas mas também devido à inexperiência de muitos dos alpinistas, onze pessoas morreram.

Também na semana passada, um comité do Governo recomendou recomendou que os alpinistas escalassem outra montanha do Nepal, com pelo menos 6.500 metros de altitude, antes de terem permissão para subir o Evereste.

Os responsáveis também propuseram uma taxa de cerca de 30 mil euros para subir o Evereste e cerca de 18 mil euros para outras montanhas com mais de oito mil metros. Actualmente, as licenças para escalar o Evereste custam quase dez mil euros.

ZAP //

Por ZAP
27 Agosto, 2019

 

2078: “Comboio” de satélites da Space X de Musk deixa astrónomos furiosos

CIÊNCIA

Vários astrónomos consideraram que a constelação de 60 satélites Starlink, lançada com sucesso na quinta-feira pela Space X de Elon Musk, podem ser prejudicais para a Ciência, podendo mesmo “arruinar” o céu de todo o planeta.  

Tal como noticia o portal Science Alert, os especialistas temem que o sistema de satélites recém-lançado interfira nas observações visuais e até na radioastronomia.

O astrónomo Alex Parker, que mostrou o seu descontentamento através da sua conta pessoal no Twitter, acredita que, a longo prazo, podem ser vistos mais satélites Starlink a olho nu no céu do que estrelas.

“Sei que as pessoas estão animadas com as imagens do ‘comboio’ de satélites Starlink da Space X (…) [Os satélites] são brilhantes, e haverá muitos deles. Se a SpaceX lançar os 12.000, os satélites superarão as estrelas visíveis a olho nu”

Por sua vez, Jonathan McDowell e outros cientistas temem que estes satélites de comunicação são brilhantes o suficiente para perturbar os trabalhos dos astrónomos. Starlink e outras mega-constelações arruinariam o céu para todos os que vivem no planeta”, advertiu Ronald Drimmel, especialista citado pela revista Forbes.

E acrescentou: “A tragédia potencial de uma mega constelação como a Starlink é que, para o resto da Humanidade, mudará a aparência do céu nocturno”.

Alan Duffy, em declarações ao Science Alert, traçou um cenário menos prejudicial, alertando, contudo, que estes lançamentos podem implicar “perdas para a Humanidade”. “Os satélites actuais são um problema, mas os astrónomos desenvolveram técnicas inteligentes para removê-los”, começou por explicar.

“Uma constelação completa de satélites Starlink provavelmente significará o fim dos telescópios de rádio baseados na Terra que são capazes de rastrear os céus, procurando objectos de rádio fracos (…) Os enormes benefícios da cobertura global da Internet superam o custo para os astrónomos, mas a perda do céu do rádio é um custo para a Humanidade, à medida que perdemos a nossa herança colectiva para ver o brilho do Big Bang ou o brilho da formação de estrelas a partir da Terra”.

Elon Musk, multimilionário e CEO da Space X, reagiu ao coro de críticas através do Twitter, explicando que a Starlink não afectará as observações espaciais, dando conta que “ajudar mil milhões de pessoas economicamente desfavorecidas é um bem maior”.

Fraser Cain @fcain

If they help billions of people in remote locations inexpensively access the internet, it’s a price I’d be willing to pay.

Elon Musk @elonmusk

Exactly, potentially helping billions of economically disadvantaged people is the greater good. That said, we’ll make sure Starlink has no material effect on discoveries in astronomy. We care a great deal about science.

Musk garantiu que vai assegurar que a constelação de satélites não afecte a pesquisa científica, até porque, enfatizou, “a Ciência é muito importante“.

Após o lançamento do conjunto de satélites artificiais, o astrónomo amador holandês Marco Langbroek conseguiu capturar em vídeo como é que estes cruzaram o céu nocturno a alta velocidade, movendo-se simultaneamente e com muito pouco espaço entre cada um. O autor da gravação comparou as imagens com um “comboio”, uma vez que as luzes dos satélites se assemelham às janelas dos vagões no escuro.

O objectivo do Musk passa por criar uma constelação de 12.000 satélites para oferecer Internet de banda larga para todos os cantos do mundo a partir da órbita baixa da Terra.

De acordo com o portal de astronomia Space.com, os satélites não são suficientemente brilhantes para serem visíveis a olho nu e, à medida que vão continuar a dispersar, devem ficar ligeiramente mais escuros.

ZAP //

Por ZAP
30 Maio, 2019


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