5251: Primeiro astronauta europeu a voar na SpaceX dirigido por um português

CIÊNCIA/ESPAÇO/SPACE X

Primeira missão da ESA (agência europeia) à Estação Espacial Internacional com boleia da SpaceX, empresa privada que pertence a Elon Musk, é já no final de Abril. O director de voo é o português João Lousada, que terá a seu cargo o astronauta Thomas Pesquet, o primeiro europeu a viajar com a SpaceX.

Podia ser apenas mais uma viagem à Estação Espacial Internacional (ISS) – na sub-órbita terrestre desde 1998 e com sete astronautas das cinco agências participantes, NASA, Roscosmos (Rússia), JAXA (Japão), ESA (Europa) e CSA (Canadá). Mas a missão Alpha – nome escolhido por ser uma letra do alfabeto grego ligado à excelência e também o nome sistema estelar mais próximo do Sistema Solar (Alpha Centauri) – tem algumas características diferentes do habitual.

Desde logo será a primeira missão da ESA (agência europeia) que irá ter boleia da SpaceX, de Elon Musk, mas será também uma missão coordenada na ISS pelo português João Lousada, que é o director de voo do módulo Columbus (lançado em 2008 e que custou 1,4 mil milhões de euros), que é o laboratório científico da ISS cujo controlo é feito a partir do Columbus Control Center, em Munique, na Alemanha, sob a direcção do português.

O astronauta francês de 43 anos Thomas Pasquet será assim o primeiro europeu a voar pela nave Crew Dragon, naquele que é o segundo voo operacional da empresa privada SpaceX. Será a segunda missão para Pasquet à ISS e o lançamento está previsto para final de Abril, no Cabo Canaveral, nos EUA. O destino? Cerca de 400 km (depende dos dias) da superfície terrestre, onde está a ISS.

Ao DN/Dinheiro Vivo, João Lousada, que se vai candidatar no final deste mês a astronauta da ESA – um sonho antigo e para o qual tem cada vez mais hipóteses de concretizar – admite que o surgimento da SpaceX “é muito importante”. Trata-se da primeira empresa privada a colocar astronautas na ISS, mas também “permite deixar de ficar a depender só de um veículo para colocar astronautas no espaço – temos contado sempre com a Soyuz da Rússia – e também torna possível testar novas tecnologias de voo espacial, onde a SpaceX se tem distinguido”.

Se existir algum um problema com um veículo espacial, “como aconteceu com o Space Shuttle [que voou de 1981 a 2011], toda a estratégia do espaço pode cair por terra e é fundamental haver alternativas”. A verdade é que a cápsula Crew Dragon é considerada o veículo espacial mais avançado de sempre, bem como o foguetão Falcon 9, o primeiro que é reutilizável e que em Janeiro bateu o recorde de maior lançamento de satélites para a órbita – 143 num só lançamento.

O português confessa “entusiasmo” com a próxima missão, que o coloca no leme – “o Pasquet vai ser as mãos no espaço da minha equipa na Alemanha”. A preparação está a ser minuciosa e a ser feita há algum tempo e João Lousada terá a responsabilidade “por todas as decisões” da missão de seis meses: “espero que consigamos cumprir todos os objectivos, já que temos dezenas de experiências científicas e temos de manter o equipamento bem conservado para o bem de todos”.

Que experiências são? “Vão desde a forma como o corpo humano lida com o espaço até aos melhores equipamentos a usar em diferentes áreas, com muitas experiências a ter aplicações nas áreas médicas na Terra”.

Os passeios espaciais são os momentos de maior stress e pressão, “porque há muita coisa que pode correr mal”, admite, “mas são muito motivadores porque conseguimos tirar mais dados para a missão e é um bom sentimento quando um passeio termina com todos os objectivos cumpridos”.

O lisboeta de 32 anos que vive na Alemanha desde 2016 ao serviço do grupo GMV que coordena o centro Columbus, desde pequeno, nas visitas à aldeia dos avós, em Bouçã (junto ao rio Zêzere) sonha com a exploração espacial e admite que está “preparado para ser astronauta” da ESA.

Embora tenha um dia a dia ocupado repleto de problemas e desafios para resolver, quando trabalha à noite no centro tem oportunidade de ver a Terra em todo o seu esplendor. “Dali não há fronteiras e guerras e conflitos perdem o sentido, o planeta é só um e a atmosfera é fina e frágil e algo que nos permite viver e, por isso, fundamental de preservar”, admite.

Nova missão europeia em 2022 já marcada

Entretanto, a ESA anunciou ontem que a astronauta italiana Samantha Cristoforetti foi designada para uma segunda missão espacial e irá voar para a Estação Espacial Internacional na primavera de 2022, seguindo para missão já depois do astronauta da ESA Matthias Maurer ir no final de 2021 para a ISS.

O treino para a segunda missão de Samantha já está em andamento e incluiu sessões de actualização da Estação Espacial Internacional no Centro Europeu de Astronautas da ESA em Colónia, Alemanha, e o Centro Espacial Johnson da NASA em Houston, Texas.

João Tomé é jornalista do Dinheiro Vivo

Pode ouvir a entrevista completa a João Lousada no podcast Made in Tech:

Diário de Notícias

João Tomé


5230: As mulheres na corrida a Marte (uma é portuguesa e sonha caminhar no Planeta Vermelho)

CIÊNCIA/MARTE/NASA

DR
A Engenheira Aeronáutica Florbela Costa.

A chegada do veículo Perseverance da NASA a Marte teve dedo de várias mulheres, umas das quais a portuguesa Florbela Costa, Engenheira Aeronáutica do grupo suíço Maxon que falou com o ZAP sobre a sua participação nesta aventura e sobre o sonho de aterrar no Planeta Vermelho.

Nunca tantas mulheres tiveram lugares de destaque numa missão da NASA como na que mais recentemente permitiu a aterragem do rover Perseverance no Planeta Vermelho.

Várias notícias têm apontado que esta é a missão mais inclusiva de sempre da Agência Espacial norte-americana, com vários filhos de emigrantes e um número assinalável de mulheres com responsabilidades de relevo, incluindo cientistas de ascendência indiana e uma emigrante colombiana que teve de limpar casas de banho para pagar os estudos.

Portuguesa ligada à primeira aeronave a voar em Marte

Na fila da frente das mulheres que comandaram as diversas fases do projecto está Florbela Costa, filha de emigrantes portugueses em França que participou no desenvolvimento do helicóptero Ingenuity, um dos equipamentos que aterrou em Marte em conjunto com o robô Perserverance.

A Engenheira Aeronáutica que trabalha no grupo suíço Maxon foi a gestora técnica do projecto para o desenvolvimento e produção de seis motores que controlam a inclinação das pás do rotor, ou seja, a parte giratória que faz a propulsão, do helicóptero.

O Ingenuity deve realizar o seu primeiro voo no Planeta Vermelho neste mês de Março, “e tem como principal objectivo demonstrar que é possível voar um helicóptero em Marte”, como salienta Florbela Costa em declarações ao ZAP.

“Uma vez que a densidade em Marte é apenas cerca de 1% da densidade da Terra, voar torna-se extremamente difícil e novas tecnologias tiveram de ser desenvolvidas para esse âmbito”, relata.

“Se funcionar como esperado, iremos muito provavelmente ver mais, e maiores, helicópteros a ajudar na exploração espacial”, constata a Engenheira portuguesa.

“Quanto maior a diversidade, maior é a eficiência”

Florbela Costa assume que, como mulher, enfrentou alguns “desafios pelo caminho” na sua carreira na Engenharia Aeronáutica.

“Mas também tive o prazer de observar as mudanças nas mentalidades que aconteceram nos últimos 10 anos, tanto do lado masculino, que promovem mais equipas mistas, como do lado feminino, ao verificar uma maior taxa de aderência de mulheres em cursos de Engenharia e cursos Aeronáuticos/Aeroespaciais”, nota ao ZAP.

Sobre a missão particularmente inclusiva da NASA, Florbela Costa diz que não sabe “se o facto de haver tanta diversidade foi intencional”, mas está certa de que “nenhuma dessas pessoas estaria no lugar em que está apenas devido ao seu país de origem ou género”.

“É uma missão demasiado importante e apenas as pessoas com as correctas qualificações são colocadas nessas posições de relevo”, realça.

A Engenheira sublinha ainda que “quanto maior a diversidade de uma equipa, maior é a sua eficiência e o seu nível de inovação“. “E a NASA mostra-nos exactamente os benefícios que as companhias podem ter ao incluir diversidade nas equipas”, constata.

“Poderá ser uma mulher o primeiro humano em Marte”

Na conversa com o ZAP, Florbela Costa revela que sempre foi “apaixonada pela aeronáutica e pelo espaço”.

Quando era pequena sonhava em ser astronauta e quando era adolescente quis estudar na Academia da Força Aérea, mas depois de passar todas as etapas de recrutamento, fiquei colocada em 4° lugar e apenas existiam duas vagas para Engenharia Aeronáutica na FAP (Força Aérea Portuguesa)”, conta.

Foi assim que entrou na Universidade da Beira Interior onde tirou o Mestrado em Engenharia Aeronáutica.

“Uma semana depois de acabar os estudos”, como refere Florbela Costa, começou “a trabalhar no CeiiA”, o Centro de Engenharia e Desenvolvimento em Matosinhos, no “projecto fantástico de colaboração com a Embraer”, a fabricante de aviões comerciais brasileira, para o desenvolvimento do KC-390, um avião de transporte táctico e logístico e de reabastecimento em voo.

“Hoje, quando olho para trás, percebo que não poderia ter feito melhores escolhas”, salienta a Engenheira que mantém o bichinho de ser astronauta e o sonho de chegar a Marte.

Em 2019, o administrador da NASA, Jim Bridenstine, referiu que o primeiro humano a aterrar em Marte poderia ser uma mulher. Alguns estudos feitos, nos últimos tempos, apontam que as mulheres podem ter melhores condições biológicas e psicológicas para fazerem essa viagem espacial de longa distância, especialmente por pesarem menos do que os homens e por terem melhores competências de comunicação na resolução de conflitos.

Florbela Costa acredita que “haverá, sem dúvida, mulheres entre o grupo de astronautas na primeira missão a Marte” e que “poderá mesmo ser uma mulher o primeiro humano a caminhar em Marte”. “Já agora, onde é que eu me increvo?”, questiona com o sonho no horizonte.

NASA publica vídeo da Perseverance a chegar a Marte

A agência espacial norte-americana divulgou, esta segunda-feira, novos vídeos da aterragem do rover Perseverance em Marte. A NASA publicou, nas…

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Uma mulher com um bindi a “dirigir um foguetão”

Na missão da Perseverance a Marte, várias mulheres assumiram a liderança em diferentes áreas do projecto. Swati Mohan, cientista de ascendência indiana, foi uma das que se destacou como líder de operações de orientação, navegação e controle da missão.

Foi Swati Mohan, que chegou aos EUA com apenas um ano de idade, quem teve o privilégio de anunciar que “a Perseverance está em segurança na superfície de Marte, pronta para começar à procura de sinais de vida passada”.

O facto de ter surgido como o rosto do anúncio do sucesso da missão levou muitas pessoas a falarem dela nas redes sociais, nomeadamente a salientarem que a “representação importa”, com mães de origem indiana a reportarem a reacção espantada das filhas por verem Swati Mohan a usar um bindi [o sinal preto entre os olhos que é associado ao Hinduísmo] e a “dirigir um foguetão”.

A roboticista espacial Vandana Varma, outra cientista nascida na Índia, desenvolveu e conduziu o rover Perseverance através de uma tecnologia que ajudou a programar.

a astrónoma Moogega Stricker, filha de pai negro e com uma mãe coreana, foi líder da Protecção Planetária da missão para garantir que a Perseverance não transportou para Marte nenhum vírus proveniente da Terra, o que comprometeria a intenção de procurar micro-organismos indígenas.

Outra Engenheira Aeroespacial envolvida no projecto da NASA e que mereceu destaque foi Diana Trujillo, colombiana de 38 anos que foi a directora de voo da missão.

Diana Trujillo chegou aos EUA com apenas 17 anos e 300 dólares no bolso, sem saber falar Inglês. Limpou casas de banho para pagar os estudos e em 2008, tornou-se na primeira mulher de origem hispânica a integrar a Academia da NASA.

O seu trabalho está relacionado com as mãos robóticas que vão colectar materiais na superfície de Marte, no sentido de apurar se alguma vez houve vida no planeta.

Susana Valente Susana Valente, ZAP //

Por Susana Valente
1 Março, 2021


2951: Português entre os premiados com 2,7 milhões por imagem de buraco negro

CIÊNCIA

A equipa de cientistas, que inclui o astrofísico português Hugo Messias, que obteve a primeira imagem de um buraco negro recebe este domingo um prémio de três milhões de dólares (2,7 milhões de euros) pelo trabalho inédito.

A NASA também tem estudado os buracos negros
© NASA NASA/Reuters

O Prémio Breakthrough, atribuído nos Estados Unidos, reconhece avanços científicos de excelência, tendo como patrocinadores Mark Zuckerberg, um dos fundadores do Facebook, e Sergey Brin, ex-presidente da Google.

A “fotografia” do buraco negro – localizado no centro da galáxia M87, a 55 milhões de anos-luz da Terra, e com uma massa 6,5 mil milhões de vezes superior à do Sol – foi apresentada em Abril e foi conseguida graças aos dados recolhidos das observações feitas, no comprimento de onda rádio, com uma rede de oito radiotelescópios espalhados pelo mundo, que funcionaram como um só e com uma resolução sem precedentes.

O “telescópio gigante” foi designado Event Horizon Telescope, tendo Hugo Messias participado nas observações com um dos radiotelescópios, o ALMA, no Chile.

A equipa internacional de 347 cientistas que obteve a primeira imagem de um buraco negro super-maciço, neste caso a sua silhueta formada por gás quente e luminoso a rodopiar em seu redor, foi premiada na categoria de Física Fundamental.

A imagem dos contornos do buraco negro – o buraco em si, um corpo denso e escuro de onde nem a luz escapa, não se vê – permitiu comprovar mais uma vez a Teoria da Relatividade Geral, de 1915, do físico Albert Einstein, que postula que a presença de buracos negros, os objectos cósmicos mais extremos do Universo, deforma o espaço-tempo e sobreaquece o material em seu redor.

De acordo com a equipa científica envolvida na observação, a sombra do buraco negro registada é o mais próximo da imagem do buraco negro em si, uma vez que este é totalmente escuro.

Diário de Notícias
Lusa
03 Novembro 2019 — 09:15

 

Se o mundo vivesse como os portugueses, a Terra declarava “falência” este domingo

VIDA E FUTURO

Se todos os cidadãos do planeta tivessem a mesma pegada ecológica que o nosso país, os recursos naturais chegariam ao fim a 26 de Maio. Se a comparação fosse a Europa, já tinha acontecido no dia 10.

A imagem podia ser esta: se a Terra fosse um banco e os recursos naturais fossem transformados em dinheiro, e se todos os habitantes do mundo gastassem como os portugueses, neste domingo, 26 de Maio, os cofres estariam vazios e o Planeta declarava falência.

Ou, numa linguagem ambientalista, se o mundo inteiro vivesse da forma que vivem os portugueses, ou seja, tivessem a mesma pegada ecológica, os recursos naturais da Terra esgotavam-se neste dia – o ano passado o overshoot day foi a 16 de Junho. Portanto, gasta-se cada vez mais e o “banco” ficam sem um único tostão mais cedo.

A notícia – que ainda não preocupa os representantes políticos como os ambientalistas gostariam – é má mas podia ser mais drástica se em vez de Portugal se estivesse a analisar a maneira como consomem os europeus – se todos os habitantes da Terra tivessem o mesmo modo de vida que os habitantes dos 28 Estados-membros da União Europeia, os recursos já se tinham esgotado no dia 10 de maio. Quer isto dizer que os hábitos de consumos dos portugueses permitem assim que possamos usufruir mais 18 dias dos recursos naturais do Planeta que a média europeia.

As imagens publicadas no on-line não são passíveis de serem inseridas aqui. Quem pretender vê-las, siga o link no fundo desta notícia.

Dito de outra forma: 20 por cento da bio-capacidade da Terra é usada pela União Europeia, mesmo que os 28 países só acolham 7% da população mundial.

O pior dos Estados-membros da União Europeia é o Luxemburgo – neste caso, os recursos esgotaram-se há mais de três meses, a 16 de Março. Mas se o país surge sempre mal na fotografia ecológica, sobretudo pelo gasto de excessivo de energia comparativamente ao número de habitantes, também é verdade que tal se deve ao facto de um grande número de pessoas das regiões limítrofes se deslocar ali para abastecer os automóveis, conforme explica Francisco Ferreira da Zero.

Os cidadãos europeus mais poupados, ou seja, os que menos recursos gastam são a Roménia, a Hungria e a Bulgária, que só levariam o Planeta à falência dos seus recursos naturais em Junho. A nível mundial, e ainda tendo um banco como imagem, a “empresa” Estados Unidos da América teriam entrado em colapso a 15 de Março, seguida da Noruega a 18 de Abril e da Federação Russa a 26.

Se a análise for alargada o mundo inteiro, os países que mais poupam a natureza são o Níger, Marrocos e Cuba – nestes casos, o recursos da Terra esgotar-se-iam em Dezembro, sendo que no país africano terminariam precisamente no dia de Natal.

“É urgente inverter esta tendência de acumulação de dívida. Tal é possível com a adopção de algumas novas práticas, em particular na área da alimentação e mobilidade”, considera a ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável. Acrescentado que Portugal é, já há muitos anos, deficitário na sua capacidade para fornecer os recursos naturais necessários às actividades desenvolvidas, (produção e consumo).

Como se pode reduzir a pegada ecológica?

O consumo de alimentos – que representa (32%) da pegada ambiental do país – e a mobilidade (18%) são, segundo a Zero, as actividades humanas diárias que mais contribuem para a pegada ecológica de Portugal.

Por essa, razão, num comunicado emitido a propósito do overshooting day do nosso país, a Zero aconselha a que se reduza a proteína animal na dieta. “Os dados para Portugal indicam que cada português consome cerca de três vezes a proteína animal que é preconizado na roda dos alimentos, metade dos vegetais, um quarto das leguminosas e dois terços das frutas. Aproximar a nossa dieta à roda dos alimentos reduz, de forma significativa, o impacto ambiental associado à alimentação e é mais saudável.”

Em termos de mobilidade, a associação ambientalista aconselha à utilização dos transportes públicos – lembrado que a descida dos preços dos passes sociais pode ser um incentivo. E sugere outros meios sustentáveis de locomoção, como andar a pé, de bicicleta, de trotineta, e incentivar as crianças a fazer o mesmo. A redução das viagens de avião é outras das medidas propostas.

O consumo desenfreado traz problemas financeiros… e ambientais. Por isso, os ambientalistas propõem a política dos três erres: reduzir, reciclar e reutilizar.

“É fundamental mudar o paradigma de ‘usar e deitar fora’, muito assente na reciclagem, incineração e deposição em aterro, para um paradigma de ‘ter menos, mas de melhor qualidade’, com um forte enfoque na redução, reutilização, troca, compra em segunda mão e reparação”, refere a ZERO.

Também Nuno Sequeira, vice-presidente da Quercus, aconselha à redução do consumo e aconselha pequenos gestos que podem fazer a diferença para ajudar a salvar o planeta. Alguns muito simples e que o cidadão deve esforçar-se para introduzir no seu quotidiano: usar lâmpadas e electrodomésticos mais eficientes, desligar, bem como desligar o stand by – já que a falência do planeta deve também muito ao uso excessivo de energia.

Os ambientalistas também aconselham a não comprar só pelo ato de comprar: antes de substituir um electrodoméstico, deve-se ver se pode ser reparado; antes de adquirir roupas novas, deve-se ver se são mesmo necessárias.

Atentar na poupança da água é outro conselho dado por Nuno Sequeira, da Quercus. Usar redutores de caudal, garantir que as torneiras estão bem fechadas, armazenar água para regas e lavagens são alguns pequenos gestos que podem fazer muito pela Terra.

Tal como um extracto bancário dá indicação das despesas e dos rendimentos, a Pegada Ecológica avalia as necessidades humanas de recursos renováveis e serviços essenciais e compara-as com a capacidade da Terra para fornecer tais recursos e serviços (bio-capacidade).

Milhares de jovens saíram à rua neste sexta-feira em defesa do planeta.
© (PAULO SPRANGER/Global Imagens

O overshoot day de Portugal ocorre dois dias depois da greve climática que trouxe à rua pela defesa do Planeta. “Nota-se que os jovens estão mais sensibilizados para estas questões. Mas também se nota que às vezes falta um bocado passar das palavras às acções. Nem sempre é muito fácil perceber a ligação destes pequenos gestos, perceber que água é também electricidade e que electricidade é também queimas de combustíveis fósseis e que combustíveis fósseis é aquecimento global”, diz Nuno Sequeira.

E acrescenta: “Mas o que notamos é que quando percebem a ligação e que podem fazer alguma coisa, esforçam-se e não tenho dúvida que vamos ter uma próxima geração de decisores muito mais informada, muito mais consciente, como a actual já o é em relação à antecedente. Com estes movimentos que estão a acontecer, os jovens querem dizer que não querem esperar por 20 anos para que sejam eles a decidir, querem que se decida agora.”

Diário de Notícias
Graça Henriques
26 Maio 2019 — 11:00

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1229: São precisos 2 planetas inteiros para manter o estilo de vida dos portugueses

CIÊNCIA

(CC0/PD) WikiImages / pixabay

Portugal diminuiu a sua pegada ecológica per capita de 2012 a 2014 mas ainda precisa de 2,19 planetas para “manter o actual estilo de vida”, afirma a organização ambientalista WWF.

Os dados apresentados na edição deste ano do relatório Planeta Vivo poderão ser uma “consequência da crise económica que atingiu Portugal nesses anos”, de acordo com a organização.

Portugal surge no relatório na 66º posição, sete lugares acima do que acontecia no anterior, divulgado em 2016, com dados respeitantes a 2012.

Ângela Morgado, directora executiva da Associação Natureza Portugal, alerta, citada no documento de apresentação do relatório, que ”os portugueses têm de ter um estilo de vida mais sustentável, sob pena de se verem afectados, não por uma crise económica, mas por uma crise ecológica sem precedentes que põe em risco a sua vida, a dos seus filhos e dos netos”.

“Está na altura de mudar. Já não podemos adiar”, vincou, explicando que “a ligeira descida da pegada ecológica dos portugueses foi reflexo da crise económica, que criou uma oportunidade para os portugueses terem comportamentos mais amigos do ambiente. Agora é necessário continuar com um estilo de vida que tem menor impacto no Planeta fora de situações de crise”.

Paralelamente, o relatório demonstra que a pegada ecológica dos portugueses foi sempre muito elevada comparativamente com a bio-capacidade do país, que se tem mantido mais ou menos constante desde 1961.

O carbono, que nos dados referentes a 2014 representa 57% da pegada ecológica dos portugueses, e que em 2004 correspondia a 63% do valor total, foi a componente que mais decresceu, adianta o documento, que explica que “a isto está naturalmente associado ao consumo, mas também à alteração das fontes de produção de energia nacional, fruto da aposta nas energias renováveis”.

A nível internacional, o relatório mostra um “quadro perturbador: a actividade humana está a empurrar os ecossistemas que sustentam a vida na Terra para um limite”.

“O relatório está a mostrar-nos a dura realidade, que as nossas florestas, oceanos e rios estão em risco. Isto é um indicador do tremendo impacto e pressão que estamos a exercer sobre o planeta, minando o tecido vivo que nos sustenta a todos: natureza e biodiversidade”, disse Marco Lambertini, director-geral da WWF Internacional.

O Índice Planeta Vivo, que acompanha as tendências de abundância global de vida selvagem, indica que as populações globais de peixes, aves, mamíferos, anfíbios e répteis diminuíram em média 60% entre 1970 e 2014.

O relatório destaca que “as principais ameaças às espécies estão directamente ligadas às actividades humanas, incluindo perda e degradação de habitats e sobre exploração da vida selvagem”.

“Dos rios e florestas a zonas costeiras e montanhas, o relatório mostra que a vida selvagem diminuiu drasticamente desde 1970. As estatísticas são assustadoras, pois dependemos da natureza para nos alimentarmos, vestirmos e subsistirmos. Precisamos de criar um novo caminho que nos permita coexistir de forma sustentável com a natureza da qual dependemos. Vamos precisar da acção de todos”, reiterou Ângela Morgado.

Ao destacar a extensão do impacto da actividade humana na natureza, o documento apresenta ainda a importância e valor da natureza para a saúde e o bem-estar das pessoas, sociedades e economias.

“A natureza tem sustentado e alimentado silenciosamente as nossas sociedades e economias há séculos, e continua a fazê-lo hoje. Em troca, o mundo continuou a considerar a natureza e os seus serviços como algo natural, deixando de agir contra a perda acelerada da natureza”, acrescentou Lambertini.

“Precisamos de repensar com urgência como usamos e valorizamos a natureza – culturalmente, economicamente e nas nossas agendas políticas. Precisamos de pensar na natureza como bela e inspiradora, mas também como indispensável. Precisamos de um novo acordo global agora”, apelou.

ZAP // Lusa

Por ZAP
2 Novembro, 2018

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