Espécie “rara” de abutre avistada em Mogadouro

CIÊNCIA

Os técnicos constataram que o avistamento do abutre havia sido registado por câmaras de armadilhagem fotográfica no passado dia 19 de junho, num campo de alimentação para aves necrófagas em Bruçó, no concelho de Mogadouro.

Investigadores da Palombar, uma associação transmontana que se dedica à conservação da natureza, registou a presença de um “raro” grifo-de-rüppell (‘Gyps rueppellii’), em Bruçó, no concelho de Mogadouro, revelou à Lusa o biólogo, José Pereira.

“Trata-se de uma espécie de ave rupícola (grifo/abutre) que se encontra ameaçada no mundo, tendo sido registada a sua presença, num campo de alimentação para aves necrófagas em Bruçó, em Pleno Parque Natural do Douro Internacional [PNDI]”, indicou o técnico da Palombar.

Os técnicos constataram que o avistamento do abutre havia sido registado por câmaras de armadilhagem fotográfica no passado dia 19 de Junho, num campo de alimentação para aves necrófagas em Bruçó, no concelho de Mogadouro, gerido pela Palombar, no âmbito do projecto “LIFE Rupis”.

“A Palombar confirmou que se tratava de um indivíduo da espécie ‘Gyps rueppellii’, tendo consultado outros especialistas em abutres, que deram igualmente um parecer afirmativo, corroborando que, de facto, se trata de um grifo-de-rüppell”, frisou José Pereira.

Segundo vários especialistas envolvidos no projecto, devido às “alterações climáticas que se verificam e à progressiva ‘africanização’ do clima na Península Ibérica, muitas espécies de aves africanas parecem estar a colonizar este território, incluindo alguns abutres”.

Em Setembro de 2018,a Palombar anunciava o avistamento, também no PNDI, de uma outra “espécie rara”, uma águia-imperial-ibérica, igualmente no âmbito do projecto “LIFE Rupis”.

Segundo o biólogo, esta espécie encontra-se principalmente na África central e habita sobretudo na savana aberta e árida, em áreas semi-desérticas, em zonas limites do deserto e em zonas de montanha.

Apesar de ainda não existirem registos definitivos que comprovem a ocorrência de reprodução dessa espécie na Europa, o grifo-de-rüppell tem sido avistado com cada vez mais frequência na Península Ibérica, acreditam os técnicos ligados à conservação da natureza.

“O grifo-de-rüeppell é uma espécie de abutre africana que chegou ao Douro Internacional”, vincou José Pereira.

Quinta espécie de abutre “ameaçada globalmente”

Para os ambientalistas e técnicos da conservação da natureza, a Europa poderá passar a ter uma quinta espécie de abutre “ameaçada globalmente” no seu território.

Segundo esta associação, os campos de alimentação para aves necrófagas “são fundamentais para assegurar a conservação de espécies de aves com hábitos alimentares necrófagos”.

“Isto porque uma das principais ameaças que estas aves enfrentam é a falta de disponibilidade de alimento, a qual foi agravada com a chamada crise das ‘Vacas Loucas’, que levou a que as carcaças de gado não pudessem mais ficar no campo. Esta sempre foi a principal fonte de alimentação das aves necrófagas “, indicam estudos da Palombar.

O projecto Life Rupis, lançado há cerca de quatro anos por nove entidades ibéricas ligadas à conservação da natureza no Douro Internacional, apresenta resultados “positivos”, nomeadamente no reforço da população de aves como a águia-perdigueira e o britango.

O projecto teve início em Julho de 2015 e tem uma duração de quatro anos, estando dotado com um financiamento de 3,5 milhões de euros, comparticipado a 75% pelo programa LIFE da União Europeia e cabendo os restantes 25% aos nove parceiros envolvidos.

Os parceiros envolvidos neste projecto são a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), Associação Transumância e Natureza, Palombar, Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, Junta de Castilla y León, Fundación Patrimonio Natural de Castilla y León, Vulture Conservation Foundation, EDP Distribuição e GNR.

Diário de Notícias

Lusa
12 Novembro 2019 — 15:27

 

2961: Couraça dos crocodilos é diferente da dos seus antepassados

CIÊNCIA

b00nj / Flickr

Um antepassado dos crocodilos encontrado na Lourinhã permitiu aos cientistas concluírem que há 150 milhões de anos a couraça daqueles répteis primitivos era diferente da actual.

O estudo dos paleontólogos Octávio Mateus e Eduardo Puértolas Pascoal foi publicado na revista Zoological Journal of the Linnean Society, e conclui que há 150 milhões de anos a couraça dos crocodilos era diferente da actual.

Os fósseis de crocodilomorfos (grupo primitivo do qual derivaram os crocodilos) “até agora descobertos estão muito pouco preservados e articulados”, explicaram à Lusa os paleontólogos do Museu da Lourinhã e da Universidade Nova de Lisboa.

Pelo contrário, o exemplar encontrado em 1999 na praia da Peralta, no concelho da Lourinhã, doado ao Museu da Lourinhã em 2014 e agora estudado, “é um caso raro em posição de vida com boa parte do dorso preservado”.

Parte do esqueleto do animal encontra-se “na conexão anatómica de um crocodilomorfo, composto por osteodermes [ossos da pele], vértebras, costelas e alguns ossos dos membros posteriores”, descreveram na nota de imprensa divulgada. O material fóssil foi sujeito a uma micro Tomografia Axial Computorizada (TAC) nos laboratórios do Centro Nacional de Investigación sobre la Evolución Humana, em Espanha.

A técnica permitiu “recriar modelos em três dimensões” do animal e concluir que “a presença de vértebras anficélicas, típicas na maioria dos crocodilomorfos primitivos, a morfologia peculiar da sua armadura dérmica (formada por duas fileiras de osteodermes dorsais que se articulam através dum espinho lateral) e a presença de osteodermes ventrais poligonais indicam que, muito provavelmente” se trata de um Goniopholididae, da mesma família dos crocodilomorfos.

Os Goniopholididae são um grupo extinto de crocodilomorfos que viveram na Europa, Ásia e América do Norte, durante os períodos Jurássico e Cretácico, mas cuja linhagem se separou dos jacarés, crocodilos e gaviais durante o Jurássico, apresentando diferenças anatómicas.

Uma dessas diferenças é a sua armadura dérmica, que é formada por osteodermes, que, actuando como um todo, lhe conferem estabilidade durante a locomoção.

Por isso, mais do que protecção e absorção do calor, há 150 milhões de anos a couraça destes répteis tinha também uma função locomotora, que se perdeu depois do Jurássico Superior até aos actuais crocodilos.

Enquanto os crocodilomorfos atingiriam cinco metros de comprimento, em vida este animal teria “menos de um metro”, o que leva os paleontólogos a equacionar que poderia ser um anão, um juvenil ou uma nova espécie, conclusões a que vão conseguir chegar ao determinarem a idade deste exemplar.

O animal foi descoberto numa das jazidas do Jurássico Superior, com 150 milhões de anos, da Lourinhã, conhecidas a nível mundial pelos fósseis de dinossauro e uma das mais ricas regiões do mundo em achados paleontológicos.

ZAP // Lusa

Por Lusa
4 Novembro, 2019

 

2952: Português entre os premiados com 2,7 milhões por imagem de buraco negro

CIÊNCIA

A equipa de cientistas, que inclui o astrofísico português Hugo Messias, que obteve a primeira imagem de um buraco negro recebe este domingo um prémio de três milhões de dólares (2,7 milhões de euros) pelo trabalho inédito.

A NASA também tem estudado os buracos negros
© NASA NASA/Reuters

O Prémio Breakthrough, atribuído nos Estados Unidos, reconhece avanços científicos de excelência, tendo como patrocinadores Mark Zuckerberg, um dos fundadores do Facebook, e Sergey Brin, ex-presidente da Google.

A “fotografia” do buraco negro – localizado no centro da galáxia M87, a 55 milhões de anos-luz da Terra, e com uma massa 6,5 mil milhões de vezes superior à do Sol – foi apresentada em Abril e foi conseguida graças aos dados recolhidos das observações feitas, no comprimento de onda rádio, com uma rede de oito radiotelescópios espalhados pelo mundo, que funcionaram como um só e com uma resolução sem precedentes.

O “telescópio gigante” foi designado Event Horizon Telescope, tendo Hugo Messias participado nas observações com um dos radiotelescópios, o ALMA, no Chile.

A equipa internacional de 347 cientistas que obteve a primeira imagem de um buraco negro super-maciço, neste caso a sua silhueta formada por gás quente e luminoso a rodopiar em seu redor, foi premiada na categoria de Física Fundamental.

A imagem dos contornos do buraco negro – o buraco em si, um corpo denso e escuro de onde nem a luz escapa, não se vê – permitiu comprovar mais uma vez a Teoria da Relatividade Geral, de 1915, do físico Albert Einstein, que postula que a presença de buracos negros, os objectos cósmicos mais extremos do Universo, deforma o espaço-tempo e sobreaquece o material em seu redor.

De acordo com a equipa científica envolvida na observação, a sombra do buraco negro registada é o mais próximo da imagem do buraco negro em si, uma vez que este é totalmente escuro.

Diário de Notícias
Lusa
03 Novembro 2019 — 09:15

 

2794: Autarcas de Portugal e de Espanha preocupados com redução drástica do caudal do Tejo

AMBIENTE

Nuno Veiga / Lusa

Autarcas de Portugal e de Espanha apelaram às entidades responsáveis para estabelecerem um quadro que garanta a boa gestão dos caudais e a melhoria da qualidade da água no rio Tejo.

Autarcas de Portugal e de Espanha manifestaram esta segunda-feira “apreensão e grande preocupação” pela redução drástica do caudal do rio em toda a extensão do Tejo Internacional.

Em comunicado enviado à Lusa, os autarcas de Castelo Branco, Vila Velha de Ródão e Idanha-a-Nova (Portugal) e de Cedillo, Carbajo, Herrera de Alcántara e Alcântara (Espanha) condenam a forma como foram geridos os caudais no percurso do Tejo Internacional, que originaram elevados prejuízos ambientais, turísticos e económicos.

A situação é inédita e inaceitável, demonstrando profunda insensibilidade para com este território, em que os autarcas têm investido no sentido de o Tejo ser um factor de atractividade e de desenvolvimento”, lê-se na nota.

Exigem ainda que a situação que agora ocorreu não volte a verificar-se no futuro e apelam às entidades responsáveis de Portugal e Espanha que estabeleçam um quadro que garanta a boa gestão dos caudais e a melhoria da qualidade da água no rio Tejo.

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) esteve representada numa reunião realizada pelos autarcas, onde prestou todos os esclarecimentos relativos a este assunto.

Comunicou ainda que a situação resultou de descargas extraordinárias verificadas da barragem de Cedillo, com o objectivo de Espanha cumprir o regime de caudais estabelecido na Convenção de Albufeira para a bacia hidrográfica do Tejo.

ZAP // Lusa

Por Lusa
7 Outubro, 2019

 

2762: Novas gravuras rupestres descobertas junto ao rio Zêzere

CIÊNCIA

Pedro Dias / Flickr
Rio Zêzere

Um novo conjunto de gravuras rupestres foi descoberto no Poço do Caldeirão, junto ao rio Zêzere, na freguesia da Barroca, concelho do Fundão, distrito de Castelo Branco, disse à Lusa o director do Museu Arqueológico local, Pedro Salvado.

“Estamos a falar de um conjunto de novas gravuras que representam a cabeça de um cavalo, um caprino e figuras geométricas, e que estão enquadradas num complexo gráfico que remonta à pré-história. Aparentemente, são do período do Paleolítico Superior, mas esse estudo terá de ser aprofundado”, apontou Pedro Salvado.

Estas gravuras foram recentemente identificadas por uma equipa do Museu Arqueológico Municipal José Alves Monteiro, no âmbito de trabalhos de monitorização, e estão na mesma zona onde já se tinham descoberto outras gravuras, em 2003.

O conjunto agora identificado conta com diferentes figuras, sendo que uma dela desperta mais atenção pela conservação da rocha e pela nitidez da imagem, que representa um caprino.

“Também é uma rocha que está muito próxima da linha de água e que confirma a importância que o rio sempre teve nas comunidades, sendo que estamos perante um conjunto de mensagens milenares que confirma a importância daquele sítio fabuloso, que é o Poço do Caldeirão, que continua a comunicar e que está muito longe de estar esgotado do ponto de vista do estudo”, acrescentou.

Depois de identificadas as rochas, o Museu Arqueológico deu a conhecer as imagens a especialistas, designadamente a Primitiva Bueno e Rodrigo de Balbín, catedráticos de pré-história na Universidade de Alcalá (Madrid, Espanha), que, numa primeira abordagem, confirmaram a importância do achado por abrir a porta a “uma sequência completa do Paleolítico Superior” naquela região.

Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara do Fundão, Paulo Fernandes, garantiu que esse trabalho científico será “seguramente” realizado, até no âmbito da recém-criada Rede Nacional de Arte Pré-Histórica, promovida pelo Museu do Côa e da qual o Fundão é membro fundador.

Paulo Fernandes destacou ainda a relevância do achado e lembrou que, após as primeiras descobertas, o município apostou num programa de visitação e da criação de um espaço interpretativo, investimento que pretende agora intensificar de modo a incluir as novas figuras, quer nos programas, quer nos conteúdos do espaço.

São descobertas muito importantes que consolidam aquilo que é um lugar arqueológico de primeira linha e o que nos torna um ponto incontornável daquilo que são as rotas da arte pré-histórica em Portugal”, apontou.

Descobertas novas gravuras rupestres no Vale do Côa. E são uma surpresa

Uma equipa de arqueólogos colocou a descoberto uma nova rocha com gravuras rupestres, no sítio da Penascosa, no Parque Arqueológico…

ZAP // Lusa

Por Lusa
3 Outubro, 2019

 

2660: Descoberto em Ílhavo primeiro sítio pré-histórico subaquático português

CIÊNCIA

Antonio da Silva Martins / Flickr

Uma equipa de arqueólogos descobriu vestígios de uma mancha de ocupação ou possível acampamento do neolítico a cerca de dois metros de profundidade na Ria de Aveiro, em Ílhavo.

“Temos estado a apanhar algumas surpresas valentes. O neolítico não estávamos à espera e muito menos no sítio onde está”, avança Tiago Fraga, director científico da equipa de arqueólogos, sobre os vestígios daquele que será o primeiro sítio pré-histórico subaquático do país.

No âmbito do acompanhamento arqueológico dos trabalhos de dragagem no Canal de Ílhavo, também conhecido como Rio Bôco, foram encontrados em Agosto passado vários artefactos datados entre 4.000 a.C. e 3.000 a.C. e uma estrutura que se encontra submersa.

“Inicialmente encontrámos cerâmicas com mamilos e decoração, que se vê claramente que são da pré-história. Mais para a frente, começaram a sair líticos, ou seja, pedras talhadas, percutores e esse tipo de materiais”, descreveu o arqueólogo.

Para verificação dos materiais descobertos pelas arqueólogas Soraya Sarmento e Natália Quitério ocorreram diversos mergulhos de arqueologia subaquática que identificaram uma estrutura no local que provavelmente estará associada. “Sabemos por isso que não são peças perdidas no rio. É mesmo um sítio coeso que está lá debaixo de água”, reforçou o responsável que tem liderado várias missões arqueológicas de investigação e salvaguarda.

A equipa de arqueólogos suspeita que se possa tratar de “uma grande mancha de ocupação relacionada com um povoado” que está ali “algures” e acreditam que, muito provavelmente, “vão continuar a aparecer mais materiais”.

“A linha do nível médio do mar estava a 60 quilómetros daqui [Rio Bôco], portanto, toda esta zona eram planícies que estão neste momento debaixo de água. Agora, não estávamos à espera de encontrar estes materiais, muito menos na zona do Rio Bôco, onde foram localizadas, e é o primeiro sítio pré-histórico subaquático do país”, disse Tiago Fraga.

A descoberta já foi comunicada à Direcção-Geral do Património Cultural que irá determinar o que será feito relativamente ao local do achado. “A decisão poderá ir da manutenção no local, até à sua conservação por registo que é a escavação integral do sítio, para se poder continuar a fazer a empreitada. Neste caso, como o sítio arqueológico não está em perigo, deverá ficar no solo”, explicou.

A equipa liderada por Tiago Fraga foi contratada para fazer o acompanhamento arqueológico dos trabalhos de desassoreamento da Ria de Aveiro, uma empreitada promovida pela Polis Litoral da Ria de Aveiro que começou no passado mês de Abril e que se irá estender ao longo de quase 100 quilómetros de canais.

Entre as várias acções desenvolvidas pelos arqueólogos está a protecção de estruturas arqueológicas, o estudo de materiais que vão aparecendo e a valorização e divulgação dos achados.

“Como é uma empreitada de grande envergadura, é necessário fazer acompanhamento arqueológico e a valorização patrimonial dos sítios arqueológicos já conhecidos, com o objectivo de aumentar o conhecimento da zona, perceber como é que Ílhavo e Aveiro apareceram e como era o tráfego marítimo na zona”, explicou Tiago Fraga.

Os arqueólogos estão também a fazer o despiste de “cinco possíveis túmulos de lastro” que foram identificados, no âmbito do estudo de impacto ambiental da empreitada. “Já fizemos o primeiro e não é um túmulo de lastro. Estamos com esperanças que um deles seja um naufrágio”, disse o responsável.

Apesar de todo o património arqueológico subaquático que já foi encontrado na Ria de Aveiro, Tiago Fraga diz que ainda há muito por descobrir no fundo da laguna.

“Toda a gente sabe que existem mais de 14 naufrágios aqui e um deles é o mais antigo de Portugal – ainda está em sítio na zona do Canal de Mira. Sabemos o que se passa no Canal de Mira e, agora, apanhámos esta surpresa no canal do Bôco, mas não sabemos nada do que se passa na zona Norte, em direcção a Ovar, que era o antigo canal da época islâmica e aí poderemos ter outras surpresas”, afirmou.

ZAP // Lusa

Por Lusa
17 Setembro, 2019

 

2575: Encontrados edifícios e via romanos em escavações arqueológicas de Tavira

CIÊNCIA

Filipe Farinha/ Lusa
Escavação arqueológica na cidade de Balsa, em Tavira, desvendou edifícios e uma via romanos.

As escavações arqueológicas realizadas nos vestígios da antiga cidade romana de Balsa, em Tavira, confirmaram a existência de edificações e de uma via com orientação este-oeste.

A definição de onde acaba e começa a cidade romana do século I é o grande objectivo do projecto de investigação de três anos iniciado este verão.

João Pedro Bernardes, investigador da UAlg, fez um balanço positivo do trabalho desenvolvido no primeiro ano do projecto de investigação, que permitiu descobrir “os limites de duas edificações e a via que existia entre ambas, com direcção este-oeste”.

Durante um dia aberto na escavação, o arqueólogo mostrou-se satisfeito com os resultados alcançados, porque foram descobertas estruturas, que “confirmaram o que já se tinha identificado com as sondagens geofísicas” e os trabalhos de prospecção feitos em 2017.

“A cidade teve um período áureo entre o século I e século II, marcado por grandes construções e edifícios, e depois temos uma fase mais de decadência da cidade, que se regista a partir do século III e que vai até ao século VII, e que reaproveita os materiais da fase mais antiga”, afirmou o investigador da UAlg.

“É isso que estamos aqui a constatar e que é provado também por materiais que nos chegam aqui de todo o mediterrâneo”, acrescenta João Pedro Bernardes  entre esses materiais estão “cerâmicas finas“.

Os arqueólogos encontraram ainda um fragmento de uma peça “com a marca do oleiro” e que se sabe que foi “importada da actual França, da antiga Gália”, referiu o investigador.

Foi também possível, numa outra escavação mais acima no terreno, perceber os danos que a exploração agrícola na zona ao longo de anos e a utilização de máquinas provocou nos vestígios que estavam enterrados, “porque são visíveis as marcas das máquinas na pedra” que estava na base do terreno, explicou o arqueólogo.

Sobre o que fica para fazer nos próximos dois anos, a mesma fonte respondeu que falta o grande objectivo, que é o de “determinar a extensão da cidade“.

“E para isso precisaremos provavelmente de entrar em negociações com vários proprietários, porque pensamos que a cidade se prolonga para outras propriedades“, disse o investigador, referindo-se à zona a nascente da actual localização.

A autarquia de Tavira, através da vice-presidente, Ana Paula Martins, salientou ainda a importância de haver transparência em toda a informação disponível sobre Balsa, para que “se saiba exactamente o que lá está” e “libertar as zonas onde não há vestígios”, com a definição de uma nova Zona Especial de Protecção (ZEP).

Balsa situa-se na freguesia de Luz de Tavira, na zona da Torre D’Aires, numa área protegida localizada junto à ria Formosa, e está já abrangida por uma ZEP.

As escavações arqueológicas estão a ser conduzidas pela Universidade do Algarve (UAlg) e o Centro de Ciência Viva de Tavira, com o apoio da Direcção Regional de Cultura e a Câmara de Tavira, em terrenos privados da Quinta da Torre D’Aires, na freguesia de Luz de Tavira.

DR, ZAP //

Por DR
4 Setembro, 2019

 

2542: Portuguesa Critical Software volta a ajudar a ESA a preparar missões espaciais mais seguras

CIÊNCIA

Com 20 anos de experiência na área, a empresa portuguesa de tecnologia que já trabalhou com a NASA vai agora participar na modernização das directrizes de referência da Agência Espacial Europeia.

Depois de ter participado, em 2006, na criação do guia de Verificação e Validação Independente de Software (ISVV) da Agência Espacial Europeia (ESA), a Critical Software vai agora colaborar com a Rovsing, a empresa de equipamentos para satélites, na modernização das directrizes de referência deste sector.

De acordo com o comunicado feito pela empresa internacional de tecnologia fundada em Portugal, o novo manual vai estabelecer regras relativamente à forma como são levadas a cabo as actividades de ISVV nos sistemas de software da ESA. Embora não sofra alterações desde 2008, o guia vai passar a seguir as normas da European Cooperation for Space Standardization, tendo em conta não só as observações realizadas na área da exploração espacial, mas também os avanços tecnológicos registados no desenvolvimento de software.

Segundo Nuno Pedro Silva, responsável pelo projecto, “na indústria espacial os acidentes podem ter proporções catastróficas”, motivo pelo qual a Critical Software vai trazer os seus 20 anos de experiência na área para garantir que o guia ajude profissionais a criar sistemas cada vez mais seguros.

De acordo com o website da empresa, a ISVV assume uma importância fulcral na preparação de uma missão espacial. Por mais surpreendente que pareça, as naves espaciais não são totalmente testadas antes de serem lançadas, excepto em casos muito particulares, ou então quando se trata de foguetões.

Além do facto de que lançar uma nave apenas para a testar seria economicamente insustentável, dificilmente se conseguem recriar as condições do espaço no nosso planeta. Assim, a ISVV permite aos profissionais independentes e empresas que trabalham na área das actividades espaciais consigam averiguar se o software por eles produzido é seguro.

Sendo uma das primeiras na Europa a disponibilizar serviços de ISVV, a Critical Software teve como primeiros clientes a ESA e a NASA, tendo também participado em mais de 20 missões espaciais.

Sapo Tek
29 Ago 2019 19:20

 

2512: Descoberta em Alenquer uma das maiores muralhas do país do Calcolítico

CIÊNCIA

Mário Cruz / Lusa

Arqueólogos portugueses e espanhóis descobriram em Alenquer uma muralha monumental, uma das maiores do país do período Calcolítico, com quatro a cinco mil anos, após terem realizado este mês as primeiras escavações.

A uma altitude de 170 metros, em pleno Canhão Cársico da Ota, classificado como paisagem protegida de âmbito local, foi descoberto “um recinto murado com cinco mil anos”, os primeiros vestígios do que poderá vir a ser um povoado pré-histórico, disse à agência Lusa o arqueólogo André Texugo Lopes.

Através do motor de localização por satélite Google Earth, o arqueólogo já tinha conseguido identificar a estrutura murada pré-histórica, mas, devido à vegetação densa, só os trabalhos de desmatação e as escavações deste ano permitiram pô-la em parte a descoberto.

“Já identificámos quatro a cinco metros de largura da estrutura e um comprimento de 150 metros” afirmou o investigador do Centro de Estudos Geográficos e do Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa, apontando para que seja “provavelmente a maior estrutura pré-histórica deste tipo de sítios”.

As escavações, realizadas em conjunto com Ana Catarina Basílio, investigadora do Centro Interdisciplinar em Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano da Universidade do Algarve, com a colaboração de arqueólogos da Universidade de Coimbra, da Universidade Autónoma de Madrid e da Universidade de Jaén (Espanha), permitiram perceber que o muro possui uma altura conservada de 1,4 metros, apesar de ter vários derrubes identificados.

O sítio arqueológico da Ota terá uma dimensão na ordem dos cerca de quatro hectares, incluindo uma zona de dois hectares rodeada pela muralha e outra fora da mesma, onde os arqueólogos também identificaram e escavaram estruturas e materiais de importância arqueológica, que estão, contudo, por datar.

O sítio estava identificado desde 1936, mas só em 2016 André Texugo Lopes, natural do concelho, no distrito de Lisboa, fez prospecções no local e estudou os materiais recolhidos à superfície nas últimas décadas, no âmbito da sua dissertação de mestrado e de um dos projectos que venceram o Orçamento Participativo de 2014 da Câmara Municipal de Alenquer.

A localização do sítio pré-histórico pode dever-se à existência de “água por perto e ao controlo e defensibilidade sobre a zona a 360 graus, localizando-se este sítio sobre uma via de comunicação importante, o rio Ota, que nasce na serra do Montejunto e desagua no Tejo”.

Durante as escavações, os arqueólogos encontraram materiais muito fragmentados do período Calcolítico e elementos da Idade do Bronze (cerca de 1500 anos antes de Cristo), da Idade do Ferro (cerca de 700 anos a.C.), do período romano (entre 400 anos a.C. e 200 anos d.C.) e do período islâmico (século VIII d.C.), que revelam uma ampla ocupação do sítio, ainda que com dinâmicas distintas.

Entre eles, destacam-se machados de bronze, machados de pedra polida, cerâmicas decoradas, elementos construtivos romanos, artefactos em sílex, ossos polidos e até um ‘lagomorfo’, que pensam estar associado a contextos funerários.

A dimensão do sítio leva os arqueólogos a depositar elevada expectativa em futuras campanhas.

“Sempre que desmatamos mais um bocadinho conseguimos sempre incrementar valor e encontrar estruturas arqueológicas”, disse André Texugo Lopes.

No âmbito da tese de doutoramento que está a desenvolver, André Texugo Lopes vai pela primeira vez em Portugal efectuar prospecção arqueológica recorrendo a ‘drones’ e a tecnologia, com um raio laser a penetrar na densa vegetação e a chegar ao nível do solo, identificando “com grande precisão estruturas arqueológicas, como as identificadas na Ota”.

ZAP // Lusa

Por Lusa
25 Agosto, 2019

 

2476: Portugal usa 4 vezes mais luz por candeeiro do que a Alemanha. É o país europeu com mais poluição luminosa

Patrick Tomasso / unsplash

Portugal é o pior país da Europa em poluição luminosa, no que respeita ao fluxo luminoso per capita e fluxo luminoso por produto interno bruto (PIB).

Esta é uma das conclusões de um artigo publicado na revista Journal of Environmental Management com o título: “Poluição luminosa nos EUA e Europa: os bons, os maus e os feios”. Portugal merece várias referências particulares no estudo por maus motivos.

Um deles, no capítulo das disparidades observadas na Europa, é o facto de usarmos um fluxo de luz em média quatro vezes superior ao utilizado na Alemanha ou na Suíça.

Os investigadores usaram os dados do Novo Atlas Mundial de Brilho Artificial do Céu Nocturno, divulgado em 2016, e comparam os níveis de poluição luminosa e o fluxo de luz com o tamanho da população e PIB nos vários estados norte-americanos e em vários países e regiões na Europa.

“Encontrámos diferenças até 6.800 vezes mais entre as regiões mais e menos poluídas da Europa, até 120 vezes mais no seu fluxo de luz per capita e até 267 vezes mais no fluxo por unidade do PIB”, escrevem no artigo, de acordo com o Público.

No entanto, as maiores diferenças identificadas foram entre os condados dos EUA: diferenças até 200 mil vezes na poluição do céu, até 16 mil vezes no fluxo de luz per capita e até 40 mil vezes no fluxo de luz por unidade de PIB. “Estes resultados podem informar os decisores políticos, ajudando a reduzir o desperdício de energia e as consequências ambientais, culturais e de saúde adversas associadas à poluição luminosa”, concluem.

Segundo os cientistas, as diferenças notadas entre países são muito importantes. “A Alemanha, por exemplo, aparece consistentemente muito bem em todas as classificações, enquanto Portugal e os EUA tendem a ter um desempenho fraco”, referem.

No primeiro parágrafo das conclusões insistem no mau comportamento de Portugal: “Na presente análise, descobrimos que existem grandes diferenças nos parâmetros estudados entre a Europa e os EUA como, por exemplo, os EUA tendo quase três vezes o fluxo per capita em comparação com a Europa. Encontrámos também diferenças entre países dentro da União Europeia (por exemplo, Portugal com quatro vezes o fluxo per capita da Alemanha) e dos EUA (por exemplo, Dakota do Sul com cinco vezes o fluxo per capita em comparação com Nova Iorque)”.

“Diferenças maiores são encontradas entre as unidades administrativas menores, em parte devido a diferenças nas densidades populacionais, presença de plantas industriais, mas também devido a diferentes hábitos de iluminação com os alemães a usar menos luz nas cidades em comparação com Portugal, Espanha, Itália e Grécia.”

Numa das tabelas do artigo, onde se apresenta o desempenho de 1359 unidades territoriais (as NUTS3) da Europa, a maior parte das regiões portuguesas encontra-se nas 50 com pior resultado.

O investigador Raul Cerveira Lima, que não participou neste estudo assinado por uma equipa internacional com cientistas dos EUA, Itália e Israel, resume: “Em Portugal, usamos em média quatro vezes mais luz por candeeiro do que a Alemanha ou a Suíça. Isto dá que pensar.”

ZAP //

Por ZAP
19 Agosto, 2019

 

2465: Febre do lítio pede licença para chegar a Portugal

Com o potencial de ter as maiores reservas da Europa, a febre do lítio chegou a Portugal, onde se registaram duas dezenas de solicitações de prospecção este ano, embora as empresas mineiras continuem à espera dos concursos prometidos pelo Governo.

Perante a perspectiva de um aumento exponencial da procura pelo seu uso nas baterias de carros eléctricos, a descoberta de grandes reservas deste “ouro branco” em Portugal despertou o interesse pela sua exploração, levando ao aumento das vozes de preocupação com o seu impacto ambiental.

As estimativas apontam que as reservas nacionais de lítio rondem as 60.000 toneladas métricas, embora o número real seja desconhecido — ainda não se estudaram todas as zonas nas quais se poderá encontrar este metal, concentrado no centro e norte do país

Caso se confirme, Portugal estaria entre os países com mais depósitos do mundo, embora muito afastado dos cinco gigantes — Bolívia, Chile, China, Austrália e Argentina, onde as reservas se contam em milhões de toneladas métricas.

Em Portugal já se produz lítio, que é para já apenas destinado à indústria cerâmica, e as minas já activas não produzem o volume suficiente para abastecer as fábricas das baterias, explica à agência EFE o geólogo português e consultor John Morris Pereira.

Segundo o geólogo, o preço da matéria-prima para a cerâmica é “relativamente baixo”, pelo que depois “chega um momento em que deixa de ser económico aprofundar as explorações”. Mas o seu uso para a mobilidade eléctrica poderia dar uma reviravolta ao sector em Portugal.

O geólogo calcula que num prazo de dois anos já poderá haver pelo menos duas unidades a produzir lítio para as fábricas de baterias, já que os trâmites legais estão bastante adiantados.

A mais avançada é a mina de Barroso, no norte do país, onde a britânica Savannah Resources anunciou ter encontrado a maior reserva de lítio da Europa ocidental. Prevê investir cerca de 500 milhões e começar a produzir no final de 2020. Mas para que Portugal se posicione com força no mercado do lítio é necessário realizar mais prospecções, algo na agenda do Governo socialista português.

À espera de licenças

Em Janeiro de 2018, o Executivo aprovou uma estratégia para “dinamizar os concursos públicos para a atribuição de licenças de prospecção e investigação, assim como para a respectiva exploração”. No entanto, ano e meio depois, ainda não os lançou.

A previsão é que sejam abertos 8 concursos de prospecção nas zonas onde se identificaram reservas. No entanto, o Ministério de Ambiente e Transição Energética, que tem a tutela sobre estas concessões, não deu detalhes sobre a data prevista.

Nos últimos dois anos devemos ter perdido entre 8 e 10 milhões de euros em investimentos só em prospecção e investigação devido à demora nos concursos”, lamenta Morris Pereira.

Além da Savannah Resources, várias empresas estrangeiras mostraram um grande interesse no lítio português, como as australianas Fortescue, que este ano apresentou duas dezenas de solicitações de prospecção, ou a Dakota Minerals, que inclusivamente decidiu adaptar o seu nome ao português e trocá-lo para “Novo Lítio”.

Para as explorações que têm que esperar pelos concursos de prospecção, o processo de licenças pode demorar até uma década, segundo os geólogos. Em pleno Agosto e com eleições legislativas em Outubro, não têm muita esperança que cheguem antes do voto.

Contestação ambiental

Poderá a contestação ambiental que o assunto levantou no país estar a influenciar a demora? O geólogo considera que sim, uma opinião compartilhada pelas organizações “verdes”. Nas zonas nas quais se poderão lançar os concursos surgiram nos últimos anos movimentos de oposição liderados por moradores e municípios e apoiados pelas associações ambientais.

“Este processo não pode avançar da forma anárquica como se está a fazer”, disse à EFE o ambientalista Pedro Santos, da associação Quercus, que alertou sobre o impacto que as minas podem ter sobre a paisagem, os ecossistemas, os cursos de água e as populações.

A Quercus tem “muitas dúvidas” que a indústria do lítio, tal como se planeia em Portugal, com minas ao ar livre, possa ter um “impacto positivo”, apesar de se destinar à mobilidade eléctrica.

“Entendemos que o lítio tem um papel importante no contexto actual das baterias e da tecnologia, mas existem outras formas de extracção com menos impacto no meio ambiente e outras formas de mobilidade”, defende Santos, que apelou ao incentivo de soluções baseadas no hidrogénio.

#semcomentarios

Publicado por John Pereira em Sábado, 22 de junho de 2019

Por tudo isso, a Quercus pede o fim das concessões e que o Parlamento discuta na próxima legislatura uma estratégia para preservar os meios naturais e debater o impacto ambiental das minas de lítio.

ZAP // EFE

Por EFE
18 Agosto, 2019

 

2415: Portugal está em risco elevado de escassez de água

Manuel Jorge Marques / Flickr
Enseada junto à Barragem da Caniçada, em Terras de Bouro

Portugal está entre os 44 países que esgotam, pelo menos, 40% das suas reservas de água, colocando-se numa situação de risco elevado de escassez de água, de acordo com um estudo do projecto “Aqueduto” do World Resources Institute.

Portugal está em risco elevado de escassez de água e ocupa a 41ª posição de uma lista que coloca 17 países, maioritariamente no Médio Oriente e Norte de África, em risco extremamente elevado de escassez de água.

De acordo com um estudo do projecto Aqueduto do World Resources Institute – uma organização sem fins lucrativos sediada em Washington, nos EUA, e financiada por fundações, Governos, ONG e organismos internacionais -, esses 17 países, que representam um quarto da população mundial, usam pelo menos 80% das suas reservas de água a cada ano, com a agricultura, as indústrias e os municípios a representarem a maior fonte de pressão sobre as suas reservas de água.

Portugal está entre os 44 países que esgotam, pelo menos, 40% das suas reservas de água, colocando-se numa situação de risco elevado de escassez de água.

Os autores do estudo sublinham que uma margem tão reduzida entre oferta e procura como a que se verifica nos países mais pressionados deixa-os mais vulneráveis a variáveis como secas ou um maior uso das reservas de água, sendo cada vez maior o número de países que passam por um ‘Dia Zero’, ou seja, em que ficam sem acesso a água canalizada.

“A escassez de água coloca sérias ameaças à vida humana, à sua subsistência e à estabilidade económica. Isso está prestes a piorar, a menos que os países tomem medidas: o crescimento da população, o desenvolvimento socioeconómico e a urbanização estão a provocar uma maior procura por água, enquanto as alterações climáticas podem tornar mais variável a precipitação e a procura”, refere o relatório.

Sobre o Médio Oriente e o Norte de África, a região do mundo mais pressionada nesta matéria, o estudo aponta que a reutilização de águas residuais poderia gerar uma nova fonte de água potável, tendo em conta que 82% das águas residuais nestes países não são reutilizadas.

Na Índia aumentam as preocupações com as reservas ao nível do subsolo, para além das preocupações com as reservas à superfícies: os aquíferos estão a esgotar-se, em grande parte devido ao uso para regadio.

“As conclusões do estudo Aqueduto contextualizam esta crise: a Índia ocupa o 13º posto na lista de países mais pressionados pela escassez de água em termos globais e a sua população é três vezes superior à população combinada dos 17 países mais pressionados no mundo”, lê-se no relatório.

O estudo, que também analisa regiões dentro de países, indica, por exemplo, que a África do Sul, que em 2018 evitou por pouco o ‘Dia Zero’, ocupa uma posição na lista fora dos países mais afectados – 48º lugar, correspondente a um risco médio-elevado de escassez de água -, mas a zona da Cidade do Cabo é uma zona de enorme pressão e rivaliza em termos de regiões ameaçadas com países inteiros.

O estudo indica que viver pressionado pela falta de água não tem que ser uma fatalidade e que inverter essa situação depende em grande parte da gestão que se faz dos recursos.

Para além de exemplos de alguns países que já tomaram medidas para evitar a falta de água nas torneiras, como a Austrália que cortou para metade o consumo doméstico para evitar um ‘Dia Zero’, o estudo apresenta recomendações genéricas, aplicáveis à generalidade dos países, como apostar em técnicas de regadio eficientes, fazendo com que cada gota de água conte, investir em infra-estruturas mais amigas do ambiente e tratar e reutilizar águas residuais, para que deixem de ser encaradas como desperdício.

O estudo Aqueduto analisou a situação em 164 países, para os quais era possível ter dados utilizáveis pelo modelo de análise usado, refere o estudo.

ZAP // Lusa

Por Lusa
7 Agosto, 2019

 

2319: Esta terça-feira vai poder ver o eclipse parcial da Lua

(CC0/PD) biancamentil / pixabay
Eclipse parcial da Lua

A Lua vai estar, esta terça-feira, na sombra da Terra devido a um eclipse parcial que vai poder ser visto em Portugal.

Este fenómeno vai ser visível, a partir das 21h01, hora em que a Lua vai ficar parcialmente na zona de sombra da Terra, e vai poder ver-se “uma sombra com uma superfície arredondada a entrar pela Lua e a Lua a ficar escura”, segundo Rui Agostinho, astrónomo e professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Segundo Rui Agostinho, às 22h31 “o eclipse estará no máximo da sua parcialidade“, terminando à 01h20 de quarta-feira, momento em que a Terra vai deixar de fazer sombra no seu satélite natural.

Duas vezes por ano, a Lua passa nessa zona de sombra”, perdendo a iluminação do Sol, explicou o astrónomo à agência Lusa, a propósito do eclipse da Lua.

No CIAPS – Centro de Interpretação Ambiental da Pedra e do Sal, no Estoril, vai haver uma sessão aberta ao público de observação do eclipse com recurso a telescópios.

Também no Planetário do Porto, o Centro de Ciência Viva e o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço vão organizar uma sessão de observação.

ZAP // Lusa

Por Lusa
16 Julho, 2019

– Seria excelente se o tempo que agora está chuvoso, logo estivesse com céu limpo, o que duvido…

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2312: Rocha lunar roubada em Portugal. Legado científico continua perdido

Bre Pettis / Flickr

Em 1973, Richard Nixon ofereceu a cada país um pequeno pedaço de rocha da Lua. Em 1985, a pedra lunar foi roubada do Planetário — um legado científico que, quase 35 anos depois, continua perdido.

Portugal teve uma rocha lunar de entre as muitas recolhidas pelos astronautas, há quase 50 anos, e que permitiram aos cientistas desvendarem mistérios. Algumas das amostras que se mantêm intactas vão agora ser estudadas.

Entre 1969 e 1972 foram recolhidos e trazidos para a Terra cerca de 400 quilos de rocha lunar, incluindo os 22 quilos de fragmentos extraídos pelos primeiros astronautas na Lua, há 50 anos.

Em 1973, num gesto de amizade para com o mundo, o presidente dos Estados Unidos Richard Nixon ofereceu a cada país um pequeno pedaço de rocha trazido da Lua.  Portugal foi um dos contemplados com a oferenda, mas por pouco tempo.

“Roubaram a pedra lunar do Planetário”. A expressão é de um título de uma notícia da edição de 11 de Julho de 1985 do extinto jornal Diário de Lisboa, que cita a antiga agência Notícias de Portugal.

O fragmento de rocha lunar que estava desde 1976 em exposição no Planetário Calouste Gulbenkian, da Marinha, em Lisboa, tinha sido furtado, desconhecendo-se o seu paradeiro. “Era o único exemplar que existia em Portugal”, lê-se na notícia. A exposição tinha sido inaugurada em Outubro desse ano pelo astronauta das missões Apolo 8 e 13 James Lovell Jr, que não esteve na Lua.

O pedaço de Lua dado a Portugal foi retirado em Dezembro de 1972 pelos astronautas da missão Apolo 17, a última, até hoje, a colocar humanos na superfície do satélite natural da Terra.

“Houve, de facto, uma pedra da Lua no Planetário que foi furtada em data anterior a 1988, não temos a data precisa”, respondeu à Lusa o serviço de informação da Marinha, sem dar mais detalhes, alegando que as pessoas que podiam contar o que se passou “já não estão vivas”.

Uma fotografia de Acácio Franco, que consta do arquivo da Lusa, mostra a caixinha com a bandeira portuguesa oferecida pelos Estados Unidos, mas sem a amostra da rocha lunar, que foi recolhida do Vale Taurus-Littrow e oferecida como “um símbolo da cooperação e do esforço de toda a humanidade”, lê-se numa inscrição.

O caso de Portugal não foi único. Há relatos sobre outros países onde fragmentos de rocha lunar foram furtados ou vendidos a coleccionadores privados, ou simplesmente desapareceram ou foram destruídos.

Graças às amostras enviadas para a Terra, os cientistas puderam estudá-las e determinar, por exemplo, a idade de Marte e Mercúrio e determinar que Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar, se terá formado próximo do Sol, afastando-se depois.

Conseguiram também compreender que a Lua nasceu praticamente ao mesmo tempo que a Terra, há 4,4 mil milhões de anos, em resultado de um impacto, e que a sua estrutura interna é constituída igualmente por uma crosta, um manto e um núcleo.

Em Março, a agência espacial norte-americana NASA, que levou o Homem à Lua, seleccionou equipas para “prosseguirem o legado científico” das missões Apolo e estudarem amostras de rocha que “foram guardadas cuidadosamente” e estiveram “intocáveis durante quase 50 anos”.

As equipas irão analisar fragmentos recolhidos pelos astronautas, com o auxílio de veículos, nas missões Apolo 15, 16 e 17, entre 1971 e 1972. As amostras, conservadas em vácuo, no gelo e em hélio, nunca foram expostas à atmosfera da Terra.

Com elas, os cientistas esperam aprofundar estudos sobre a actividade vulcânica da Lua e saber como o impacto de meteoritos afectou a geologia e a sua superfície, como corpos sem atmosfera reagem ao ambiente do espaço, como a água é retida em minerais ou na radiação e como pequenas moléculas orgânicas, precursoras dos aminoácidos, os alicerces da vida, foram preservadas.

ZAP // Lusa

Por Lusa
14 Julho, 2019

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2260: De olhos postos na matéria escura, Portugal junta-se a oito países para construir observatório de raios gama nos Andes

CIÊNCIA

Hugo Ortuño Suárez / Flickr

Portugal e mais oito países juntam-se a partir desta segunda-feira numa colaboração internacional para construir um observatório de raios gama na região dos Andes, para procurar sinais de matéria escura no centro da Via Láctea. O projecto deverá estar a funcionar dentro de 8 a 10 anos.

O anúncio foi feito em comunicado pelo Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), que representa a participação portuguesa.

Além do LIP, estão envolvidos mais 37 institutos de investigação, oriundos da Alemanha, Argentina, Brasil, Estados Unidos, Itália, México, Reino Unido e República Checa. A concretizar-se a sua construção, será o primeiro observatório de raios gama no hemisfério sul. Já existe um do género, mas no hemisfério norte, no México.

Em declarações à Lusa, o presidente do LIP, Mário Pimenta, disse que o projecto da infraestrutura será concluído em 2022 para que o consórcio possa avançar com candidaturas a financiamento para a obra, que demorará cinco anos.

Mário Pimenta estima em pelo menos 50 milhões de euros o custo da construção do observatório, que incluirá vários tanques de água colocados a uma altitude superior a 4.400 metros para detectar partículas de alta energia através da sua interacção com a água.

O presidente do LIP espera que, angariadas as verbas, o observatório de raios gama no hemisfério sul (SWGO) possa estar a funcionar num prazo de oito a dez anos.

O SWGO servirá para detectar raios gama de energia mais alta, “partículas de luz biliões de vezes mais energéticas do que a luz visível”, permitindo aos físicos descortinarem a origem dos raios cósmicos de alta energia e procurarem partículas de matéria escura e desvios em relação à Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein, refere o comunicado do LIP.

Segundo o Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas, o “campo de visão amplo do SWGO torna-o ideal” para procurar emissões de raios gama “vindas de regiões extensas do céu, como as chamadas bolhas de Fermi”, estruturas com dimensões comparáveis à Via Láctea e “ricas em matéria escura”, bem como “fenómenos inesperados”, como a fusão de duas estrelas de neutrões, que dá origem a um buraco negro (região de onde nem a luz escapa).

O LIP destaca que a localização do SWGO, no hemisfério sul, possibilitará “observar directamente a região mais interessante da Via Láctea”, o seu centro, que tem um buraco negro quatro milhões de vezes “mais pesado” do que o Sol.

O SWGO parte das experiências feitas com o observatório no México, o HAWC, que detecta, a elevada altitude, “os chuveiros de partículas produzidos pelos raios gama primários que atingem a atmosfera”, mas também irá explorar “novas tecnologias que permitam aumentar a sensibilidade e baixar o limiar de energia do detector”.

Realçando a importância do SWGO, o LIP assinala que o estudo das emissões de raios gama de muita alta energia, que podem durar segundos ou dias, requer a observação contínua de “grandes porções do céu, sensíveis às energias acima do alcance” das observações por satélite e um trabalho em conjunto com outros observatórios, de fotões, neutrinos e ondas gravitacionais.

O Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas lembra que a detecção directa dos raios gama primários só pode ser feita com telescópios espaciais, como o Fermi, mas a tecnologia usada é mais onerosa, limitando o tamanho dos detectores e a sua sensibilidade.

Telescópios terrestres como os de Cherenkov permitem detectar, igualmente, raios gama de alta energia, mas, ao contrário do observatório SWGO proposto, têm “tempos de observação e campos de visão limitados”, apesar de “muito precisos”. Um desses telescópios está instalado na ilha espanhola de La Palma, nas Canárias.

ZAP // Lusa

Por ZAP
1 Julho, 2019

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2217: Seca extrema e severa já atinge 60 concelhos, tanto do interior como do litoral. Veja se algum é o seu

© Tiago Miranda Expresso

A falta de chuva colocou já 10 concelhos, no sul do país, em seca extrema e outros 50, no Alto Alentejo e na região de Lisboa e Setúbal, em seca severa

Para acudir aos casos mais necessitados o Ministério da Agricultura vai disponibilizar três milhões de euros, a partir desta segunda-feira, 24 de Junho.

Segundo uma nota informativa do ministério, “este montante destina-se a explorações situadas nos concelhos onde se verificam as condições meteorológicas exigidas pela regulamentação comunitária para que a medida possa ser accionada”.

No mesmo comunicado, o ministério de Capoulas Santos refere que o principal objectivo desta medida é “promover a mitigação dos efeitos da seca extrema e severa como fenómeno climático adverso, através do apoio a investimentos específicos nas explorações em que a escassez de água compromete o maneio do efectivo pecuário, em particular o abeberamento dos animais e a manutenção das culturas permanentes instaladas”. Para tal serão elegíveis investimentos cujos montantes oscilem entre 1 000 e 40 000 euros.

Segundo o ministério, este apoio aplica-se aos dez municípios considerados em seca extrema – Albufeira, Alcoutim, Castro Marim, Faro, Loulé, Olhão, São Brás de Alportel, Tavira, Vila do Bispo e Vila Real de Santo António – e é extensível aos municípios em seca severa. Esta situação afecta outros 50 concelhos: Alandroal, Alcácer do Sal, Alcochete, Aljezur, Aljustrel, Almodôvar, Alvito, Arronches, Barrancos, Barreiro, Beja, Benavente, Borba, Campo Maior, Castro Verde, Coruche, Cuba, Elvas, Estremoz, Évora, Ferreira do Alentejo, Grândola, Lagoa, Lagos, Mértola, Moita, Monchique, Monforte, Montemor-o-Novo, Montijo, Moura, Mourão, Odemira, Ourique, Palmela, Portel, Portimão, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Santiago do Cacém, Seixal, Serpa, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sines, Vendas Novas, Viana do Alentejo, Vidigueira e Vila Viçosa.

msn notícias
22/06/2019

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Se o mundo vivesse como os portugueses, a Terra declarava “falência” este domingo

VIDA E FUTURO

Se todos os cidadãos do planeta tivessem a mesma pegada ecológica que o nosso país, os recursos naturais chegariam ao fim a 26 de Maio. Se a comparação fosse a Europa, já tinha acontecido no dia 10.

A imagem podia ser esta: se a Terra fosse um banco e os recursos naturais fossem transformados em dinheiro, e se todos os habitantes do mundo gastassem como os portugueses, neste domingo, 26 de Maio, os cofres estariam vazios e o Planeta declarava falência.

Ou, numa linguagem ambientalista, se o mundo inteiro vivesse da forma que vivem os portugueses, ou seja, tivessem a mesma pegada ecológica, os recursos naturais da Terra esgotavam-se neste dia – o ano passado o overshoot day foi a 16 de Junho. Portanto, gasta-se cada vez mais e o “banco” ficam sem um único tostão mais cedo.

A notícia – que ainda não preocupa os representantes políticos como os ambientalistas gostariam – é má mas podia ser mais drástica se em vez de Portugal se estivesse a analisar a maneira como consomem os europeus – se todos os habitantes da Terra tivessem o mesmo modo de vida que os habitantes dos 28 Estados-membros da União Europeia, os recursos já se tinham esgotado no dia 10 de maio. Quer isto dizer que os hábitos de consumos dos portugueses permitem assim que possamos usufruir mais 18 dias dos recursos naturais do Planeta que a média europeia.

As imagens publicadas no on-line não são passíveis de serem inseridas aqui. Quem pretender vê-las, siga o link no fundo desta notícia.

Dito de outra forma: 20 por cento da bio-capacidade da Terra é usada pela União Europeia, mesmo que os 28 países só acolham 7% da população mundial.

O pior dos Estados-membros da União Europeia é o Luxemburgo – neste caso, os recursos esgotaram-se há mais de três meses, a 16 de Março. Mas se o país surge sempre mal na fotografia ecológica, sobretudo pelo gasto de excessivo de energia comparativamente ao número de habitantes, também é verdade que tal se deve ao facto de um grande número de pessoas das regiões limítrofes se deslocar ali para abastecer os automóveis, conforme explica Francisco Ferreira da Zero.

Os cidadãos europeus mais poupados, ou seja, os que menos recursos gastam são a Roménia, a Hungria e a Bulgária, que só levariam o Planeta à falência dos seus recursos naturais em Junho. A nível mundial, e ainda tendo um banco como imagem, a “empresa” Estados Unidos da América teriam entrado em colapso a 15 de Março, seguida da Noruega a 18 de Abril e da Federação Russa a 26.

Se a análise for alargada o mundo inteiro, os países que mais poupam a natureza são o Níger, Marrocos e Cuba – nestes casos, o recursos da Terra esgotar-se-iam em Dezembro, sendo que no país africano terminariam precisamente no dia de Natal.

“É urgente inverter esta tendência de acumulação de dívida. Tal é possível com a adopção de algumas novas práticas, em particular na área da alimentação e mobilidade”, considera a ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável. Acrescentado que Portugal é, já há muitos anos, deficitário na sua capacidade para fornecer os recursos naturais necessários às actividades desenvolvidas, (produção e consumo).

Como se pode reduzir a pegada ecológica?

O consumo de alimentos – que representa (32%) da pegada ambiental do país – e a mobilidade (18%) são, segundo a Zero, as actividades humanas diárias que mais contribuem para a pegada ecológica de Portugal.

Por essa, razão, num comunicado emitido a propósito do overshooting day do nosso país, a Zero aconselha a que se reduza a proteína animal na dieta. “Os dados para Portugal indicam que cada português consome cerca de três vezes a proteína animal que é preconizado na roda dos alimentos, metade dos vegetais, um quarto das leguminosas e dois terços das frutas. Aproximar a nossa dieta à roda dos alimentos reduz, de forma significativa, o impacto ambiental associado à alimentação e é mais saudável.”

Em termos de mobilidade, a associação ambientalista aconselha à utilização dos transportes públicos – lembrado que a descida dos preços dos passes sociais pode ser um incentivo. E sugere outros meios sustentáveis de locomoção, como andar a pé, de bicicleta, de trotineta, e incentivar as crianças a fazer o mesmo. A redução das viagens de avião é outras das medidas propostas.

O consumo desenfreado traz problemas financeiros… e ambientais. Por isso, os ambientalistas propõem a política dos três erres: reduzir, reciclar e reutilizar.

“É fundamental mudar o paradigma de ‘usar e deitar fora’, muito assente na reciclagem, incineração e deposição em aterro, para um paradigma de ‘ter menos, mas de melhor qualidade’, com um forte enfoque na redução, reutilização, troca, compra em segunda mão e reparação”, refere a ZERO.

Também Nuno Sequeira, vice-presidente da Quercus, aconselha à redução do consumo e aconselha pequenos gestos que podem fazer a diferença para ajudar a salvar o planeta. Alguns muito simples e que o cidadão deve esforçar-se para introduzir no seu quotidiano: usar lâmpadas e electrodomésticos mais eficientes, desligar, bem como desligar o stand by – já que a falência do planeta deve também muito ao uso excessivo de energia.

Os ambientalistas também aconselham a não comprar só pelo ato de comprar: antes de substituir um electrodoméstico, deve-se ver se pode ser reparado; antes de adquirir roupas novas, deve-se ver se são mesmo necessárias.

Atentar na poupança da água é outro conselho dado por Nuno Sequeira, da Quercus. Usar redutores de caudal, garantir que as torneiras estão bem fechadas, armazenar água para regas e lavagens são alguns pequenos gestos que podem fazer muito pela Terra.

Tal como um extracto bancário dá indicação das despesas e dos rendimentos, a Pegada Ecológica avalia as necessidades humanas de recursos renováveis e serviços essenciais e compara-as com a capacidade da Terra para fornecer tais recursos e serviços (bio-capacidade).

Milhares de jovens saíram à rua neste sexta-feira em defesa do planeta.
© (PAULO SPRANGER/Global Imagens

O overshoot day de Portugal ocorre dois dias depois da greve climática que trouxe à rua pela defesa do Planeta. “Nota-se que os jovens estão mais sensibilizados para estas questões. Mas também se nota que às vezes falta um bocado passar das palavras às acções. Nem sempre é muito fácil perceber a ligação destes pequenos gestos, perceber que água é também electricidade e que electricidade é também queimas de combustíveis fósseis e que combustíveis fósseis é aquecimento global”, diz Nuno Sequeira.

E acrescenta: “Mas o que notamos é que quando percebem a ligação e que podem fazer alguma coisa, esforçam-se e não tenho dúvida que vamos ter uma próxima geração de decisores muito mais informada, muito mais consciente, como a actual já o é em relação à antecedente. Com estes movimentos que estão a acontecer, os jovens querem dizer que não querem esperar por 20 anos para que sejam eles a decidir, querem que se decida agora.”

Diário de Notícias
Graça Henriques
26 Maio 2019 — 11:00

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2002: Revelada nova espécie de dinossauro saurópode na Lourinhã

CIÊNCIA

Carlos Giachetti / Flickr

Paleontólogos portugueses e espanhóis descreveram uma nova espécie de dinossauro herbívoro saurópode, cujos fósseis foram recolhidos há mais de 20 anos numa praia da Lourinhã, num artigo científico publicado num boletim especializado.

O Oceanotitan dantasi é descrito como sendo um novo género e uma nova espécie de dinossauro saurópode no artigo “Um novo saurópode macronário do Jurássico Superior de Portugal”, publicado na quarta-feira no Journal of Vertebrate Paleontology, a que a agência Lusa teve hoje acesso.

Um dos autores, Pedro Mocho, do Instituto Don Luiz da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e da Sociedade de História Natural de Torres Vedras, disse à Lusa que, enquanto outros saurópodes já conhecidos atingem grandes dimensões, este animal chamou a atenção dos investigadores “pelo seu tamanho mediano”.

As características morfológicas encontradas neste herbívoro “colocava-o fora dos grupos do Jurássico Superior e assemelhava-o a formas do Cretáceo”, explicou. Esta espécie vem contribuir para a enorme diversidade de dinossauros saurópodes encontrados em Portugal com 150 a 145 milhões de anos, pertencentes ao período do Jurássico Superior.

Os autores do estudo escolheram o nome Oceanotitan dantasi, em alusão à costa atlântica, onde foram encontrados os fósseis, à música “oceania” da cantora islandesa Björk e ao paleontólogo português Pedro Dantas, um dos responsáveis pelo renascimento da paleontologia de vertebrados em Portugal nos anos 90 do século XX e então paleontólogo do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa.

O estudo em que é descrita a nova espécie é também subscrito pelos espanhóis Rafael Royo-Torres, investigador do Museu Aragonês de Paleontologia, e Francisco Ortega, da Universidade Nacional de Educação à Distância de Madrid e da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.

Os achados deste dinossauro agora estudado foram feitos em 1996 nas arribas da praia de Valmitão, concelho da Lourinhã, por José Joaquim dos Santos, um cidadão de Torres Vedras que, nos seus tempos livres de carpinteiro, se ocupa a encontrar fósseis de dinossauro e outros animais nas arribas.

Durante mais de 20 anos, José Joaquim dos Santos recolheu alguns milhares de fósseis pertencentes a dinossauros, tartarugas, crocodilos, peixes e até tubarões, cuja colecção foi vendida em 2009 à Câmara de Torres Vedras, para vir a expo-los num futuro museu. A colecção tem vindo a ser estudada desde essa altura por investigadores associados da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.

ZAP // Lusa

Por Lusa
18 Maio, 2019



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1963: O que são 50 kg de mel perante o privilégio de ser visitado pelo urso-pardo?

A Luís Correia não lhe passa pela cabeça fazer contas aos estragos que o urso-pardo que “visitou” o Parque de Montesinho fez nas suas colmeias. Biólogo Nuno Oliveira fala em “turista” ocasional e não acredita na fixação da espécie

O urso-pardo está extinto em Portugal desde 1843.© REUTERS/Gleb Garanich

“Após 200 anos de extinção, ser atacado por um urso-pardo é um grande privilégio para mim.” Luís Correia, apicultor no coração do Parque Natural de Montesinho, em Trás-os-Montes, é muito positivo quando reage à “visita” de um exemplar daquela espécie. O que valem os 50 quilos de mel que o animal devorou das suas colmeias comparados com a importância do regresso de uma espécie extinta em Portugal desde 1843?

As notícias de que um urso-pardo andou a passear-se por aquele parque natural transmontano deixou a comunidade científica entusiasmada – afinal trata-se do regresso, nem que seja por escassos dias, de um animal que já não existe no nosso país há cerca de dois séculos. Mas é um entusiasmo moderado, porque há a consciência de que não há condições naturais para a sua fixação.

O urso visitou os apiários de Luís Correia por duas vezes, muito provavelmente durante a noite – a primeira vez foi no dia 30 de Abril. Mexeu e remexeu numa colmeia e comeu mais de 20 quilos de mel. No dia 30, provavelmente de barriga cheia, não deu sinal de vida. No dia 1 de maio, voltou a banquetear-se em dois apiários, que distam cerca de 900 metros um do outro – e devorou outra vez mais de 20 quilos de mel. Desde então não tem dado ares da sua graça.

O dono da Apimonte – apiários e turismo rural – não está preocupado com as façanhas do urso e diz que não quer indemnizações. “Destruiu colmeias, mas perante a importância da notícia, a quantidade de estragos é irrelevante. Acolhemos esta alteração da nossa normalidade com bom humor, contentes com o regresso do urso-pardo ao Parque Natural de Montesinho.” E deixa o seu alerta: “Convém que o deixemos introduzir de forma natural e Deus queira que fique por cá – enriquece a nossa fauna, enriquece o parque, enriquece o país e o turismo.”

Três ou quatro dias antes, Luís Correia tinha sido alertado pelos apicultores do outro lado da fronteira que andava um urso pela região. Mas manteve a sua rotina. Até que percebeu que as suas colmeias tinham sido atacadas. Chamou os técnicos do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), que confirmaram, pelas pegadas, e por outros vestígios, como o pelo, que tinha sido contemplado com a visita de um urso-pardo, essa espécie extinta em Portugal. Também foi possível confirmar quem era o intruso através dos registos de armadilhagem fotográfica dos serviços espanhóis na fronteira.

Produtor de mel considera-se privilegiado por ter recebido a visita do urso-pardo.© DR

Quer isto dizer que os ursos vão regressar ao nosso território? Os especialistas são cautelosos. Este “turista”, como lhe chama Nuno Oliveira, presidente do FAPAS – Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens, será com grande probabilidade um jovem macho, um indivíduo errante, que se deslocou da sub-população da Cantábria até ao Nordeste Transmontano, cerca de 150 quilómetros em linha recta. Veio explorar território, à procura de alimento, mas não significa que fique por cá – alerta.

Um explorador à conquista de novos territórios

Já o ICNF esclareceu esta sexta-feira que é “muito baixa” a probabilidade de existirem outros exemplares da espécie no Parque Natural de Montesinho. “O mais provável é que a presença deste urso seja o início de uma série de ocorrências que podem não ser regulares nem continuadas no tempo e no espaço, mas que, a longo prazo, possam vir a permitir uma presença mais estável e fixada de indivíduos em Portugal”, refere o ICNF à agência Lusa.

Para o biólogo Nuno Oliveira, a visita do urso-pardo poderá explicar-se pelo facto da população espanhola desta espécie estar em expansão – na cordilheira cantábrica existe uma sub-comunidade de 280 – e de o animal ter vindo explorar novos território. “Não será o primeiro, mas não significa que a espécie deixou de estar extinta em Portugal. Só deixaria de o estar se houvesse uma comunidade reprodutiva.”

E não acredita que regressem de vez. Porque, argumenta, o nosso país não apresenta condições de habitat – “é um país pequeno, com zonas montanhosas pequenas, muito habitado. Iriam ter muitos encontros com pessoas e viaturas e naturalmente não iriam gostar deste espaço, não iam sentir-se à vontade.”

“Vamos continuar a ter turistas”

Por estas razões, o presidente do FAPAS não acredita na viabilidade de uma população estável e reprodutora em Portugal. “Temos muita carência de florestas, e estes são animais muito ligados à floresta, o território tem que ter bagas… Mas vamos continuar a ter turistas, certamente.”

Apesar destas cautelas, o cientista não deixa de considerar que a passagem do urso-pardo por Portugal é um sinal positivo. “É sempre bem-vindo o regresso de uma espécie que se extinguiu, que perdeu o seu espaço no nosso país. Outras espécies habituaram-se ao homem e às cidades, como as gaivotas, os javalis. Há também relatos de ursos nas ruas no Canadá, na Roménia…”

Outras espécies foram reintroduzidas, como o lince ibérico. Mas o urso, acredita Nuno Oliveira, precisa de comida e de um habitat adequado. E a ementa não pode passar apenas pelo mel produzido pelos quase 50 milhões de abelhas de Luís Correia – 60 mil abelhas em cada uma das 800 colmeias não assustaram o animal (até voltou para repetir o menu).

O que pode então o Homem fazer para criar condições para a fixação do urso-pardo em Portugal? A resposta do presidente do Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens é imediata: “Reflorestar as áreas serranas, não com matas de pinheiros, mas com herbáceos, arbustos, oferecer abrigo e alimento. Isso seria um forte contributo para que se reproduzissem e ficassem quietos.”

Os apiários de Luís Correia foram visitados duas vezes por um urso-pardo vindo de Espanha.© DR

Até que isso aconteça, as incursões podem ser pontuais. Já se sabia que iriam acontecer, não havia dúvida sobre isso por causa da expansão da comunidade espanhola. Se vão ficar ou não, é outra história. Luís Correia, que deixou a sua profissão de gestor para se dedicar à Apimonte, deixa uma sugestão: “Temos que deixar evoluir esta notícia sem muita patada humana, sem muita intervenção do ser humano, que nem sempre age da melhor forma.”

Diário de Notícias
Graça Henriques
10 Maio 2019 — 20:13


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1937: Oceano Atlântico pode estar a encolher. A prova foi descoberta ao largo da costa portuguesa

CIÊNCIA

A procura pela resolução do enigma da fonte do terramoto de 1755, em Lisboa, levou um investigador português a confirmar uma anomalia na crosta terrestre, ao largo da costa portuguesa, que pode explicar por que ocorrem sismos violentos numa zona aparentemente calma e ser um indício de que o Oceano Atlântico está a encolher.

O investigador João Duarte, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (UL), estuda há décadas a costa portuguesa, com o intuito de traçar o mapa tectónico da zona e, especialmente, para perceber o que causou o grande terramoto de 1755.

As conclusões da investigação de João Duarte são divulgadas pela revista National Geographic, antes da publicação do artigo científico.

A fonte do sismo de 1755 sempre foi “um enigma”, porque “há 250 anos não havia registos”. Mas o sismo de 1969 já foi registado por sismógrafos, tendo ocorrido numa zona plana do fundo do mar, longe da falha tectónica, a zona instável onde se unem as placas rochosas da crosta terrestre, que fica no meio do Oceano Atlântico.

Com a investigadora Chiara Chiviero, também da UL, foram compilados todos os registos sismográficos para a zona da anomalia, incluindo dados recolhidos no fundo do oceano durante 11 meses, em 2007. Depois, com o auxílio do investigador Nicolas Riehl, da Universidade de Mainz, na Alemanha, foi criado um modelo computorizado.

Foi assim que o investigador português constatou que a parte inferior da placa tectónica da costa de Portugal parece estar a afundar-se sob a placa continental, um processo de subducção que, arrastando-se ao longo de milhões de anos, poderá significar que os continentes europeu e americano se estão novamente a aproximar, levando ao encolhimento e ao eventual desaparecimento do Oceano Atlântico.

A confirmarem-se os dados apurados pela investigação, será “a primeira vez que uma placa oceânica foi apanhada no acto de descascar – e pode marcar um dos primeiros estágios do encolhimento do Oceano Atlântico, enviando a Europa a avançar em direcção ao Canadá, como previsto por alguns modelos de actividade tectónica”, destaca a The National Geographic.

A fonte dos sismos de 1969 e 1755

“Não havia falhas conhecidas, cartografas naquela zona e o que descobrimos foi que existe uma estrutura enterrada, em profundidade, que não tem expressão à superfície mas está lá. Conseguimos visualizá-la pela primeira vez”, salienta João Duarte na TSF.

“Se esta estrutura que agora identificamos foi a fonte do sismo de 1969 poderá será também a de 1755”, acrescenta o investigador, realçando que “é um passo lógico pensar que aquela poderá ser a estrutura que está a gerar os grandes sismos naquela zona”.

Em declarações à agência Lusa, João Duarte destaca que a descoberta muda a percepção sobre o risco sísmico ao largo da costa portuguesa que vem, então, de uma zona chamada Planície Abissal da Ferradura, situada a 250 quilómetros a sudoeste do cabo de São Vicente.

“É o local de início de um processo de subducção, em que uma placa cai por baixo ou se descasca”, conhecida nas margens do Oceano Pacífico e em zonas de grande actividade sísmica, como o Japão, salienta o investigador do Departamento de Geologia da UL.

A descoberta geológica “permite perceber que tipo de sismo aquela estrutura pode gerar, o quão grande e podemos fazer uma previsão muito mais informada do tipo de sismo que podemos ter na nossa margem”, esclarece João Duarte na TSF.

Todavia, o investigador realça que “não é possível dizer que vai haver mais sismos porque este é um processo absolutamente lento, demora 10 a 20 milhões de anos“.

A regularidade dos sismos é “um mito urbano”, considera ainda, frisando que aqueles são irregulares e que a sua ciclicidade é apenas estatística.

Considera-se, actualmente, que um sismo na costa portuguesa na ordem dos 8,5 a 9 graus na escala de Richter, como o de 1755, se repete “entre mil a dois mil anos”, mas este número pode não significar nada se os sismos de grande dimensão se sucederem em períodos mais curtos de tempo, como é comum, “não se sabe bem porquê”, destaca João Duarte.

Além disso, um sismo de magnitude 6, estatisticamente mais frequente, mais perto da costa ou debaixo de uma cidade pode ter efeitos ainda devastadores, conclui.

ZAP // Lusa

Por ZAP
7 Maio, 2019

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1897: China vai lançar satélite português “Infante” em 2021

(dr) Ilustração do satélite Infante

A China vai lançar para o Espaço o satélite português “Infante”, com data prevista para 2021, no quadro da sua participação no laboratório tecnológico STARlab, uma parceria luso-chinesa.

Em declarações à Lusa, o presidente da empresa aeroespacial portuguesa Tekever, Ricardo Mendes, adiantou que o envolvimento da China no satélite “Infante” passa pelo seu lançamento e pelo desenvolvimento de alguns sensores.

A colaboração da China na construção e no lançamento do satélite de observação da Terra, “totalmente português“, é feita ao abrigo do STARlab, que resulta de uma parceria entre entidades públicas e privadas portuguesas e chinesas.

A Tekever é um dos parceiros e lidera o consórcio de empresas e universidades responsável pelo desenvolvimento do satélite “Infante”, que irá recolher dados marítimos e da superfície terrestre.

Ricardo Mendes espera que o “Infante”, que tem um custo de cerca de 10 milhões de euros, co-financiado por fundos europeus, possa ser a antecâmara para o fabrico de novos satélites em Portugal.

Em Outubro, o Instituto de Soldadura e Qualidade (ISQ), que faz parte do consórcio de construção do satélite, anunciou que o “Infante” será o precursor de outros satélites a lançar até 2025 para observação da Terra e comunicações, com foco em aplicações marítimas. Direccionado para a produção de pequenos satélites e a observação dos oceanos, o STARlab está em fase de instalação em Portugal.

Para breve, disse o presidente da Tekever, sem precisar prazos, está a criação de um pólo de investigação em Matosinhos, no CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto, outro dos parceiros portugueses e que tem projectos na área da vigilância marítima e exploração do mar profundo.

O anunciado pólo de Peniche do laboratório transitou para as Caldas da Rainha, onde a Tekever tem instalações, adiantou Ricardo Mendes, acrescentando que o STARlab será constituído como uma associação sem fins lucrativos, entre os parceiros públicos chineses e os privados portugueses.

Em Novembro, em declarações à Lusa, o ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, Manuel Heitor, afirmou que o STARlab estaria a funcionar em pleno em Março deste ano e teria dois pólos em Portugal, um em Matosinhos e outro em Peniche.

Para Ricardo Mendes, o que tem demorado mais tempo é a harmonização entre a legislação portuguesa e a chinesa para formalizar a constituição do laboratório.

O STARlab vai candidatar-se a fontes de financiamento nacional, comunitário e chinês, estimando investir, em cinco anos, 50 milhões de euros, montante repartido em partes iguais entre Portugal e China, país que tem crescido no sector da construção e do lançamento de micros-satélites.

O laboratório luso-chinês está também envolvido em projectos de robótica subaquática (veículos e sensores) e na produção e no lançamento de uma constelação de pequenos satélites para validar “tecnologias de posicionamento” de satélites no espaço.

O STARlab resulta da colaboração entre a Fundação para a Ciência e Tecnologia, a Tekever, o CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto, do lado português, e a Academia de Ciências Chinesa, através dos institutos de micros-satélites e de oceanografia.

De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, o laboratório deverá incentivar a abertura de centros científicos e tecnológicos em Portugal e na China, neste caso em Xangai.

ZAP // Lusa

Por Lusa
27 Abril, 2019

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1757: Portugal participa na criação do maior telescópio do mundo

Cientistas portugueses estão envolvidos no design do telescópios e parte dos testes essenciais vão ser feitos no país. O SKA, que vai ter milhares de antenas, começa a ser construído em 2020 na África do Sul e na Austrália

Foi um longo caminho, de mais de duas décadas, mas a construção do SKA (Square Kilometre Array), que vai ser o maior telescópio do mundo, já tem data para arrancar.

Será no final de 2020, para iniciar observações em 2023 – daqui a quatro anos. Até lá, há ainda muito trabalho pela frente, do design da própria instrumentação à gigantesca rede para a comunicação de todos os dados, e há uma equipa de várias dezenas de portugueses mergulhados nesse trabalho.

“O SKA vai permitir um salto gigantesco no conhecimento”, garante Domingos Barbosa, investigador do Instituto de Telecomunicações (IT), na Universidade de Aveiro, e o coordenador da infra-estrutura de investigação do SKA em Portugal, um dos 10 países que integra a organização SKA, constituída em meados de março.

É por aqui, por Portugal, que passa, aliás, uma parte fundamental desta última fase de definição do futuro telescópio, que tem a assinatura portuguesa praticamente desde o início do projecto. “Participamos no design da máquina, que não está ainda completamente definida nesta altura, e é o nosso grupo que lidera o desenho das plataformas informáticas que vão gerir a operação do SKA”, explica Domingos Barbosa.

Domingos Barbosa é o coordenador científico do projecto em Portugal
© Ivan Del Val/Arquivo Global Imagens

Isso inclui, desde as ordens de orientação de cada uma das antenas para a realização das próprias observações, até à distribuição da informação entre os vários centros de dados. Em suma, toda a gestão operacional do radiotelescópio.

Dois dos testes essenciais dos equipamentos vão ser feitos também em Portugal, até final deste ano. “As ferramentas de software do telescópio estão neste momento a ser todas alojadas no Instituto de Telecomunicações, em Aveiro, para os testes de integração, que têm de estar prontos até final de 2019″, adianta o coordenador nacional do projecto.

Mas não é tudo. A demonstração do modelo de “operação verde” do telescópio, o que significa que será baseado em energias renováveis, também será feito cá. Os testes nesse sentido, que terão igualmente de estar concluídos até ao final de 2019, começam ainda esta primavera, numa zona já definida no Alentejo.

Além de ser o maior do mundo, quando estiver construído, o SKA é um radiotelescópio e tem outra particularidade que o diferencia de todos os outros: vai estar distribuído por vários países. Numa primeira fase, até 2025, vão ser instaladas cerca de 200 antenas parabólicas com 15 metros de diâmetro cada, na África do Sul. Na Austrália vão funcionar outras 130 mil antenas de pequena dimensão. E como estes são ambos países com muitas horas de sol, isso vai ser aproveitado como fonte de energia para a operação das antenas, nomeadamente com a tecnologia solar fotovoltaica. É a demonstração deste modelo “verde” que dentro de poucas semanas começa a ser testado no Alentejo.

“Vamos instalar um conjunto de 256 pequenas antenas num raio de cem metros, e a ideia é com isso demonstrar que esta opção verde permite uma poupança muito significativa, de cerca de 13 milhões de euros, na própria construção do telescópio”, adianta Domingos Barbosa.

Feita a demonstração, permanecem outras vantagens: “As antenas vão ficar no terreno, e funcionarão como infra-estrutura científica que podemos utilizar em Portugal”, explica o investigador.

Membro fundador da organização SKA, que vai construir e operar o radiotelescópio, de acordo com a própria organização, Portugal tem envolvidos no projecto cerca de 40 investigadores das universidades do Porto, Lisboa, Coimbra, Évora, Beira Interior e Aveiro – a coordenação está sediada em Aveiro, no Instituto de Telecomunicações – e ainda do Instituto Politécnico de Beja. Integram igualmente o consórcio nacional cerca de uma dezena de empresas, com quase 30 pessoas envolvidas.

O mapa mais fino da distribuição da matéria no universo

A partir de 2023, já com a maior parte das suas antenas a funcionar de forma integrada, o observatório SKA promete levar o conhecimento do universo para um novo patamar, até porque este será o primeiro telescópio que “vai observar todo o céu, e não apenas algumas parcelas de cada vez”, sublinha Domingos Barbosa.

Além disso, como é um radiotelescópio, as observações podem ser feitas em contínuo. “Não é preciso esperar pela noite, o telescópio não tem essa limitação, como os que usam a luz visível”.

E depois esperam-se novidades em várias frentes. “Logo a partir de 2023, o SKA vai mapear todos os pulsares (estrelas de neutrões muito densas que emitem sinais de rádio com períodos muito precisos, que podem funcionar como referência para a navegação de satélites), vai procurar exoplanetas habitáveis na Via Láctea, na vizinhança do sistema solar, até uma distância 50 anos-luz da Terra, e vai ainda identificar mil milhões de galáxias, para construir o modelo mais fino de sempre da distribuição da matéria no Universo.”

“Será um avanço gigantesco na ciência fundamental nesta área”, explica Domingos Barbosa, sublinhando que “a instalação destas infra-estruturas científicas em África vai contribuir para colocar aquele continente na linha da frente em termos científicos. Numa segunda fase do SKA, a partir de 2026, o observatório alargar-se-á a outros países africanos, nomeadamente a Moçambique, com a instalação de novas antenas, para continuar a crescer.

Diário de Notícias
Filomena Naves
23 Março 2019 — 20:43

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