1740: Poluição do ar estará a causar o dobro das mortes estimadas em Portugal

UNIÃO EUROPEIA

Friends of the Earth Scotland / Flickr

Investigadores estimam que, em Portugal e durante 2015, a poluição do ar tenha causado 15 mil mortes, ou seja, 138 mortes por cada 100 mil habitantes. Problemas cardiovasculares provocam quase um terço dos óbitos, mas os cardiologistas alertam que as pessoas não estão conscientes do problema.

De acordo com um artigo do Público, divulgado esta terça-feira, a poluição do ar pode ser responsável por mais mortes do que aquelas que a Agência Europeia do Ambiente (EEA, na sigla inglesa) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) estimavam.

Em Portugal, as estimativas dos cientistas apontam para cerca de 15 mil mortes provocadas pela inalação de partículas finas e outros poluentes, em 2015. As estimativas anteriores da EEA, divulgadas nesse ano, indicavam que seriam 6690.

A conclusão é de uma investigação, publicada a 12 de Março no European Heart Journal, e desenvolvida pelo Instituto Max Plank de Química e a Universidade Médica de Mainz (ambos na Alemanha). O trabalho, noticiava o Público na semana passada, mostrou que a mortalidade relacionada com a contaminação do ar na União Europeia (UE) — 659 mil pessoas — também corresponde ao dobro da estimada em estudos anteriores.

Tendo por base os resultados obtidos na investigação, o Público foi tentar esclarecer o que se terá passado em Portugal.

O número agora calculado para Portugal equivale a 138 mortes por cada 100 mil habitantes. Entre os países europeus, está no meio da tabela. É na Bulgária que o número de mortes é maior (210 por cada 100 mil habitantes). Na Islândia, o impacto da poluição do ar é menor: 43 mortes em cada 100 mil habitantes.

Clean Air @cleanairforall2

Death by #airPollution ; Cardiovascular disease burden from ambient air pollution in Europe reassessed using novel hazard ratio function; European Heart Journal, ehz135, https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehz135  ;Published:12 March 2019

Para chegar a estas estimativas, os investigadores utilizaram um modelo de dados que simula a forma como certos processos químicos atmosféricos interagem com a terra, os oceanos e a biosfera, bem como o impacto dos compostos químicos gerados por actividades humanas, como a indústria ou a agricultura.

Os números sobre o impacto da poluição na mortalidade são tão elevados que os investigadores estimam que a contaminação do ar cause mais mortes adicionais por ano do que o tabaco.

Ao Público, Thomas Munzel, da Universidade de Mainz, co-autor do estudo, explicou que a utilização de “uma base de dados mais sólida” e mais informação sobre as “doenças não-comunicáveis, como a diabetes ou a hipertensão”, são os factores responsáveis “pelas estimativas terem subido tanto”.

Na Europa, as mortes provocadas por doenças cardiovasculares associadas à poluição do ar representam uma proporção significativa do total (são cerca de 40%) – as restantes estão relacionadas com problemas respiratórios como doença pulmonar obstrutiva crónica, pneumonia ou cancro do pulmão e outras doenças não-comunicáveis.

Em Portugal, os problemas cardiovasculares, como ataques ou paragens cardíacas, representam 30% do total de mortes causadas pela poluição do ar. Já na Estónia, por exemplo, são 64%.

Partículas finas são o problema

Os peritos focaram-se sobretudo nos danos causados pelas chamadas partículas finas – que têm um diâmetro inferior a 2,5 micrómetros (mais de 20 vezes inferior à espessura de um cabelo) -, mas também incluem o dióxido de azoto e o ozono nas suas contas.

O responsável pela associação ambientalista Zero, Francisco Ferreira, descreve estas partículas como “um conjunto de substâncias muito diversificado”. São “nitratos, sulfatos, compostos orgânicos”.

Segundo o estudo, foi demonstrado que as partículas finas “levam ao aumento do stress oxidativo por meios surpreendentemente semelhantes” aos que resultam em disfunção vascular associada à diabetes e à hipertensão.

“Portanto, parece que a poluição do ar desencadeia ou agrava outras doenças não-comunicáveis que podem contribuir significativamente para as mortes relacionadas com doenças cardiovasculares”, argumentam os autores.

O cardiologista e secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), José Ferreira Santos​ explicou que existem “alguns estudos que mostram que as pessoas que são sujeitas a mais poluição, a uma maior concentração de partículas nocivas, têm maior risco de diabetes e hipertensão”.

Darren Flinders / Flickr

Por isso, admitiu, “talvez o gatilho que leve a um aumento da mortalidade seja um aumento também dos próprios factores de risco”. “Alguns estudos também mostram que há um aumento da disfunção do endotélio, há mais constrição das artérias, mais inflamação… Há aqui uma base de fisiopatologia que justifica o aumento desta mortalidade”.

É por tudo isto que, neste estudo, os próprios investigadores chamam a atenção para a necessidade de reduzir a concentração destas partículas no ar, indica o artigo do Público. Um primeiro passo será baixar o limite máximo permitido na UE, de 25 microgramas por metro cúbico (o actual) para 10 microgramas, o valor recomendado pela OMS.

Em 2017, Steven J. Davis, um investigador da Universidade da Califórnia, que também tem trabalhado na relação entre a inalação de partículas finas e a mortalidade, explicou ao Público que “há tecnologias avançadas para controlar a poluição do material particulado de 2,5 micrómetros vindo de centrais eléctricas, fábricas, camiões e carros”.

O problema, apontava na altura, é que “os custos disto tornam os bens mais caros e enfraquecem o crescimento económico nos países em desenvolvimento, o que leva à transferência da produção para outros países que têm menos restrições ambientais”.

Pelo menos em Portugal, a “tendência é para melhorar esse limite”, disse Francisco Ferreira. Mas nem tudo é controlável. “Além da poluição associada à actividade humana, estamos a ser influenciados por partículas que vêm do Sara“, indicou o especialista. Até agora, “pensava-se que a fracção de areia que vinha do deserto era mais grosseira (entre 2,5 e 10 micrómetros)”, mas as análises recentes têm mostrado uma quantidade “expressiva” destas partículas.

“Mas nem tudo é catastrófico”, indica o artigo do Público. Os autores do estudo também calcularam qual seria o impacto da redução das partículas finas no ar na redução da mortalidade associada a problemas cardiovasculares, respiratórios e outras doenças não-comunicáveis.

Caso sejam tomadas as medidas necessárias para que a temperatura da Terra não aumente mais do que dois graus Celsius (compromisso estabelecido no Acordo de Paris), o excesso de mortalidade causado pela poluição diminui 55%. Em Portugal, isso equivale a menos 3470 mortes.

A esperança média de vida na Europa também aumenta 1,2 anos. “A transição de combustíveis fósseis para fontes de energia limpa e renovável é uma intervenção altamente eficaz na promoção da saúde”, referem os autores.

A Alemanha, a Ucrânia, a Polónia e a Itália são os países onde mais vidas seriam poupadas caso esse tipo de medidas fossem adoptadas.

No entanto, se é óbvio para a maioria das pessoas que a inalação destes poluentes pode causar problemas respiratórios, não pode dizer-se o mesmo sobre o seu impacto a nível cardiovascular. É algo que “ainda não está na cabeça das pessoas nem dos médicos”, frisou o cardiologista José Ferreira Santos.

Omar Ramírez @xojrhx

Cardiovascular disease burden from ambient air pollution in Europe reassessed using novel hazard ratio functions: “the attributable excess mortality rate is about 8.79 million per year with an overall uncertainty of about ±50%… in Europe is 790.000” https://academic.oup.com/eurheartj/advance-article/doi/10.1093/eurheartj/ehz135/5372326?searchresult=1 

O presidente do Colégio de Cardiologia da Ordem dos Médicos, Miguel Mendes, é da opinião de que “as pessoas não estão alerta”. Também “não se pode ser alarmista, tem de se ser sensato”. Mas deve haver “consciência de que isto é um problema e que se as sociedades não se precaverem vai aumentar”.

Mesmo assim, lembra que “a mortalidade por doença cardiovascular tem vindo a diminuir” em Portugal.

O conselho deixado pelos dois médicos é o de evitar, tanto quanto possível, a exposição ao ar poluído. “Quem já​ tiver uma doença cardiovascular deve evitar andar exposto, ou fazer exercício físico vigoroso nos locais onde os níveis de poluição sejam mais elevados”, avisou José Ferreira Santos.

“Andar no meio de uma cidade, à hora de ponta, quando o trânsito é intenso, pode ser uma forma de precipitar um evento cardiovascular em alguém que tenha um coração fragilizado”, acrescentou.

O médico Miguel Mendes também lembrou que “há estudos que dizem que se anula completamente o benefício do exercício físico se o praticarmos no meio do trânsito”. “Temos de ter medidas nas cidades para medir e depois controlar a poluição”, defendeu.

TP, ZAP //

Por TP
19 Março, 2019

 

1728: A nova geração de telescópios vai descobrir vida extraterrestre?

Portugal e mais seis países assinam em Roma acordo para a construção do maior radiotelescópio do mundo

© Expresso Expresso

Em 1961, o astrofísico norte-americano Frank Drake inventou uma equação que estima o número de civilizações extraterrestres na Via Láctea. N = R*× fp × ne × fl × fi × fc × L ficou conhecida por Equação Drake e parece uma fórmula demasiado complexa para o cidadão comum, mas é relativamente simples. Assim, “N” representa o número de civilizações extraterrestres, “R*” a taxa de formação de novas estrelas na nossa galáxia, “fp” a fracção de estrelas que possuem planetas em órbita, “ne” o número de planetas que potencialmente permitem a emergência de vida, “fl” a fracção destes planetas que realmente têm vida, “fi” a fracção dos planetas com vida inteligente, “fc” a fracção destes planetas que quer e tem meios para comunicar com outras civilizações, e “L” o tempo esperado de vida de uma civilização deste tipo.

Mas em 1961 os astrofísicos não sabiam qual era o valor destes sete parâmetros, apenas podiam fazer conjecturas. Os avanços da ciência permitiram, entretanto, chegar a números consistentes para os primeiros três parâmetros da famosa equação. Graças aos mais potentes telescópios espaciais e terrestres, já foram identificados 4000 planetas extras-solares na Via Láctea e 47 são parecidos com a Terra. Sabemos ainda que há mais planetas do que estrelas e que pelo menos 25% destes planetas têm a dimensão da Terra e situam-se na zona habitável da sua estrela, que permite a emergência de água no estado líquido. Como a nossa galáxia tem pelo menos 100 mil milhões de estrelas há, certamente, uma imensidão de planetas potencialmente com vida.

Mas isto não chega para calcular a Equação Drake. Há que esperar pela próxima geração de super-telescópios. A começar pelo SKA (Square Kilometer Array), o maior radiotelescópio do mundo, um projecto literalmente astronómico — considerado a maior infra-estrutura do planeta — que terá 2500 antenas instaladas na África do Sul e na Austrália. Vai estudar as ondas gravitacionais e a evolução do Universo, testar as teorias de Einstein, mapear centenas de milhões de galáxias e procurar sinais de vida extraterrestre.

Investir €2000 milhões

A convenção para construir o SKA foi assinada esta semana em Roma por Portugal, Holanda, Itália, Reino Unido, China, África do Sul e Austrália. E a Índia e a Suécia vão aderir em breve. O projecto envolve 1000 investigadores e engenheiros em 20 países de três continentes, 270 centros de investigação e empresas e um investimento de 2000 milhões de euros. Domingos Barbosa, investigador do Instituto de Telecomunicações e coordenador português do SKA, diz que “vai ser a máquina que mais dados irá produzir nos próximos 20 anos — dez vezes mais dados do que o tráfego global da Internet”. E Philip Diamond, director-geral da Organização SKA, salienta que “tal como o telescópio de Galileu no seu tempo, o SKA irá revolucionar a maneira como compreendemos o Universo e o nosso lugar nele”.

O Observatório Europeu do Sul (ESO), organização a que Portugal pertence, está também a construir o maior telescópio ótico do mundo, o E-ELT (European Extremely Large Telescope), no Deserto de Atacama, no Chile. Terá imagens 15 vezes mais nítidas do que as obtidas pelo telescópio espacial óptico Hubble e permitirá, entre outras coisas, estudar e caracterizar planetas extras-solares rochosos com a mesma massa da Terra, procurando indícios de vida. Há ainda outros projectos em curso com o mesmo objectivo, como os telescópios espaciais James Webb e WFIRST, da NASA.

Mas como se podem detectar sinais de vida num planeta extras-solar? Através da luz da estrela que este orbita, quando é reflectida por ele ou atravessa a sua atmosfera, porque os gases que a compõem absorvem diferentes comprimentos de onda dessa luz. Se estes corresponderem ao dióxido de carbono, metano ou oxigénio, a vida existe.

msn notícias
Virgílio Azevedo
16/03/2019

 

1669: Metade do país está em situação de seca (e a região do Alto Sado pior do que em 2018)

contadagua.org / midianinja / Flickr

Metade do país está em situação de seca, com as culturas do arroz e do milho a correrem o risco de não se realizarem por falta de água na bacia do Alto Sado. Todas as bacias hidrográficas do país apresentam taxas de armazenamento abaixo da média.

Segundo avançou o Expresso, a dois meses do início da campanha de rega na agricultura, a situação mais crítica a do Sado, onde já estão em causa culturas como o arroz, o milho ou outros cereais de regadio.

O alerta foi dado esta segunda-feira pela Federação Nacional dos Regantes de Portugal (FENAREG), na sequência de uma reunião com o ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos. De acordo com o presidente da organização, José Núncio, do Tejo para sul – excluindo a zona de regadio de Alqueva – a situação “é já muito preocupante”.

Como indicou, nas zonas de Campilhas e Alvalade “a situação está pior agora do que há um ano. Neste momento, o risco de não se realizarem as culturas anuais do arroz e do milho é já da ordem dos 50%”.

O presidente da FENAREG – que representa mais de 25 mil agricultores, responsáveis por regarem 135 mil hectares -, salienta o facto de Espanha já ter comunicado que as suas disponibilidades também são baixas e podem não cumprir os caudais mínimos dos rios que atravessam a fronteira para Portugal, caso seja necessário accionar o regime de excepção.

“O cenário actual é comparável com o de 2016, uma situação cautelosa e que exige planeamento”, sublinhou.

Twitter/Meteoduruelo

A FENAREG indicou ainda que, nos regadios colectivos, o armazenamento de água regista níveis que asseguram a campanha de rega, excepto nos aproveitamentos hidroagrícolas de Campilhas e Alto Sado e de Alfandega da Fé. Nos regadios privados, porém, a situação é mais preocupante, uma vez que estes não têm capacidade de armazenamento de água inter-anual (para mais que uma campanha de rega).

A organização exige também a redução dos custos da energia eléctrica associada ao regadio, através da implementação de tarifários ajustados à sazonalidade da agricultura e da redução de taxas e impostos nos contratos de electricidade.

José Núncio garantiu ter discutido várias vezes este assunto com o anterior secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches. “Na última reunião que tivemos disse-nos, inclusivamente, que o assunto iria ser resolvido. Entretanto, saiu do Governo e, com o seu sucessor, João Galamba, ainda não tivemos nenhuma reunião”.

Entretanto, no seu mais recente relatório climatológico, o IPMA – Instituto Português do Mar e da Atmosfera, referiu que o valor médio da quantidade de precipitação, em Fevereiro (34.4 milímetros), corresponde a cerca de 34% dos valores normais para a época – sendo este mês já o 4º Fevereiro mais seco desde 2002.

No mesmo relatório, o IPMA indica ainda no final do segundo mês deste ano “verificou-se um aumento da área de seca em relação ao final de Janeiro, com todo o território em seca meteorológica”, ou seja, mais grave ainda do que o anunciado pela FENAREG.

Os dados do IPMA apontam para 4,8% do território em regime de seca severa, 57,1% em seca moderada e 38,1% na classe de seca fraca.

TP, ZAP //

Por TP
5 Março, 2019

 

1615: Descoberta super-Terra a apenas oito anos-luz do Sistema Solar

Gabriel Pérez / IAC

Uma equipa internacional de investigadores, em colaboração com o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), no Porto, descobriu uma nova super-Terra, a “apenas” oito anos-luz de distância do Sistema Solar. 

Segundo o IA, o estudo, cujos resultados foram esta terça-feira divulgados, permitiu a descoberta da ‘super-Terra G1411b’ na “vizinhança do Sistema Solar”, um exoplaneta (que orbita uma estrela que não é o Sol) com três vezes a massa da Terra e que orbita a estrela Gliese 411(GI411), localizada na constelação da Ursa Maior.

Em comunicado, o IA explica que a equipa de investigadores concentrou-se na observação de exoplanetas que orbitam estrelas anãs vermelhas (cuja massa é inferior a metade da massa do Sol) que “representam 80% das estrelas da nossa galáxia”.

Através do espectrógrafo Sophie, instalado no telescópio do Observatório de Haute-Provence (OHP), em França, os investigadores detectaram o planeta G1411b, que acreditam ser “rochoso” e completar “uma volta em apenas 13 dias terrestres”.

“Apesar de GI411 ser uma anã vermelha, e por isso, menos quente do que o Sol, o G1411b ainda recebe cerca de 3,5 mais radiação do que a Terra recebe do Sol, o que o coloca fora da zona de habitabilidade, sendo provavelmente mais parecido com Vénus”, garante.

De acordo com o investigador do IA e da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), Olivier Demangeon, citado no comunicado, a descoberta de um planeta de tipo rochoso em torno de uma das estrelas mais próximas da Terra “reforça claramente a ideia de que a maioria das estrelas que vemos no céu tem planetas à volta”.

ZAP // Lusa

Por Lusa
19 Fevereiro, 2019

 

1487: NASA está à procura de estagiários em Portugal

Serão atribuídas até seis bolsas a estudantes portugueses.

Estão abertas até à próxima segunda-feira, dia 21 de Janeiro, as candidaturas à terceira edição do concurso para a atribuição de bolsas de investigação para estágios na NASA (National Aeronautics and Space Administration of the USA).

Recorde-se que, Portugal assinou um acordo com a NASA, em 2016, que permite que estudantes universitários portugueses possam estagiar na agência espacial norte-americana. À Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) cabe lançar os concursos e financiar a bolsa de estágio, enquanto a NASA assegura o alojamento.

As oportunidades de estágio para esta edição englobam 22 projectos, dos quais os candidatos podem indicar aqueles a que pretendem concorrer. Serão atribuídas até seis bolsas a estudantes portugueses que estejam a frequentar um doutoramento ou mestrado nas áreas das ciências, tecnologias, engenharias e matemática. Nas duas primeiras edições participaram 12 estudantes.

Milton Cordeiro, que participou na primeira edição, em 2017, quando estava a concluir o doutoramento em Biotecnologia na Universidade Nova de Lisboa, recebeu um convite para continuar a sua colaboração como investigador convidado na agência.

A FCT, organismo que subsidia a investigação em Portugal, coordena ainda programas de estágios tecnológicos na agência espacial europeia ESA, no Observatório Europeu do Sul e na Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear/CERN.

Diário de Notícias
Dinheiro Vivo
16 Janeiro 2019 — 11:06

 

1251: Portugal e China criam laboratório tecnológico para estudar Espaço e oceanos

CIÊNCIA

Marine Explorer / Flickr

Portugal e China vão criar em 2019 um laboratório tecnológico direccionado para a construção de micro-satélites e observação dos oceanos, um investimento público-privado de 50 milhões de euros a cinco anos.

O ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, Manuel Heitor, disse à agência Lusa que o “STARlab”, que estará a funcionar em pleno em Março, terá dois pólos, um em Matosinhos e outro em Peniche.

Trata-se de um investimento global de 50 milhões de euros a cinco anos, repartido em partes iguais entre Portugal e a China, sendo que o financiamento português, de 25 milhões de euros, será público e privado.

Manuel Heitor adiantou que o investimento será canalizado sobretudo para o emprego qualificado, designadamente de engenheiros, e para a produção de micro-satélites, sector no qual a China, assinalou, tem crescido.

O ministro exemplificou que o laboratório irá “desenvolver micro-satélites em interligação com sensores em terra e no mar” que possam medir “as condições atmosféricas e a humidade do solo”, essenciais para a agricultura, e fazer observações oceânicas.

A criação do “STARLab” será formalizada com assinatura de um protocolo entre os dois países durante a visita oficial do Presidente chinês, Xi Jinping, a Portugal, prevista para o próximo mês de Dezembro.

O laboratório resulta de uma colaboração entre a Fundação para a Ciência e Tecnologia, a empresa aeroespacial Tekever e o Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto, que tem projectos na área da vigilância marítima e exploração do mar profundo, e a Academia de Ciências Chinesa, através dos institutos de micro-satélites e de oceanografia.

De acordo com um comunicado do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, o “STARlab” deverá incentivar a abertura de centros científicos e tecnológicos em Portugal e na China, neste caso em Xangai.

ZAP // Lusa

Por Lusa
6 Novembro, 2018

 

1229: São precisos 2 planetas inteiros para manter o estilo de vida dos portugueses

CIÊNCIA

(CC0/PD) WikiImages / pixabay

Portugal diminuiu a sua pegada ecológica per capita de 2012 a 2014 mas ainda precisa de 2,19 planetas para “manter o actual estilo de vida”, afirma a organização ambientalista WWF.

Os dados apresentados na edição deste ano do relatório Planeta Vivo poderão ser uma “consequência da crise económica que atingiu Portugal nesses anos”, de acordo com a organização.

Portugal surge no relatório na 66º posição, sete lugares acima do que acontecia no anterior, divulgado em 2016, com dados respeitantes a 2012.

Ângela Morgado, directora executiva da Associação Natureza Portugal, alerta, citada no documento de apresentação do relatório, que ”os portugueses têm de ter um estilo de vida mais sustentável, sob pena de se verem afectados, não por uma crise económica, mas por uma crise ecológica sem precedentes que põe em risco a sua vida, a dos seus filhos e dos netos”.

“Está na altura de mudar. Já não podemos adiar”, vincou, explicando que “a ligeira descida da pegada ecológica dos portugueses foi reflexo da crise económica, que criou uma oportunidade para os portugueses terem comportamentos mais amigos do ambiente. Agora é necessário continuar com um estilo de vida que tem menor impacto no Planeta fora de situações de crise”.

Paralelamente, o relatório demonstra que a pegada ecológica dos portugueses foi sempre muito elevada comparativamente com a bio-capacidade do país, que se tem mantido mais ou menos constante desde 1961.

O carbono, que nos dados referentes a 2014 representa 57% da pegada ecológica dos portugueses, e que em 2004 correspondia a 63% do valor total, foi a componente que mais decresceu, adianta o documento, que explica que “a isto está naturalmente associado ao consumo, mas também à alteração das fontes de produção de energia nacional, fruto da aposta nas energias renováveis”.

A nível internacional, o relatório mostra um “quadro perturbador: a actividade humana está a empurrar os ecossistemas que sustentam a vida na Terra para um limite”.

“O relatório está a mostrar-nos a dura realidade, que as nossas florestas, oceanos e rios estão em risco. Isto é um indicador do tremendo impacto e pressão que estamos a exercer sobre o planeta, minando o tecido vivo que nos sustenta a todos: natureza e biodiversidade”, disse Marco Lambertini, director-geral da WWF Internacional.

O Índice Planeta Vivo, que acompanha as tendências de abundância global de vida selvagem, indica que as populações globais de peixes, aves, mamíferos, anfíbios e répteis diminuíram em média 60% entre 1970 e 2014.

O relatório destaca que “as principais ameaças às espécies estão directamente ligadas às actividades humanas, incluindo perda e degradação de habitats e sobre exploração da vida selvagem”.

“Dos rios e florestas a zonas costeiras e montanhas, o relatório mostra que a vida selvagem diminuiu drasticamente desde 1970. As estatísticas são assustadoras, pois dependemos da natureza para nos alimentarmos, vestirmos e subsistirmos. Precisamos de criar um novo caminho que nos permita coexistir de forma sustentável com a natureza da qual dependemos. Vamos precisar da acção de todos”, reiterou Ângela Morgado.

Ao destacar a extensão do impacto da actividade humana na natureza, o documento apresenta ainda a importância e valor da natureza para a saúde e o bem-estar das pessoas, sociedades e economias.

“A natureza tem sustentado e alimentado silenciosamente as nossas sociedades e economias há séculos, e continua a fazê-lo hoje. Em troca, o mundo continuou a considerar a natureza e os seus serviços como algo natural, deixando de agir contra a perda acelerada da natureza”, acrescentou Lambertini.

“Precisamos de repensar com urgência como usamos e valorizamos a natureza – culturalmente, economicamente e nas nossas agendas políticas. Precisamos de pensar na natureza como bela e inspiradora, mas também como indispensável. Precisamos de um novo acordo global agora”, apelou.

ZAP // Lusa

Por ZAP
2 Novembro, 2018

 

1161: Primeira missão europeia a Mercúrio lançada com cientista e tecnologia portuguesas

NASA
Projecção ortográfica de Mercúrio, captada pela sonda Messenger da NASA

A primeira missão europeia que vai estudar Mercúrio, o planeta mais pequeno e mais próximo do Sol, vai ser lançada no sábado, e nela participa uma cientista e uma empresa portuguesas.

A astrofísica Joana S. Oliveira faz parte da equipa científica da missão BepiColombo da Agência Espacial Europeia (ESA) e a empresa Efacec construiu um equipamento electrónico que irá monitorizar a radiação espacial durante a viagem e a operação de um dos satélites.

A missão, conjunta da ESA e da agência espacial japonesa JAXA, integra duas sondas, cujo lançamento está previsto para as 2h45 (hora de Lisboa) da base de Kourou, na Guiana Francesa, a bordo de um foguetão Ariane 5.

As sondas só vão estar a orbitar o planeta sete anos após o seu lançamento. Uma, da ESA, vai estudar a superfície, o interior e a camada mais externa da atmosfera (exosfera) de Mercúrio. A outra, da JAXA, vai analisar a magnetosfera (região a maior altitude que envolve o planeta).

Justificando à Lusa a relevância da missão, a investigadora Joana S. Oliveira disse que “Mercúrio é uma peça do puzzle muito importante para perceber a evolução do Sistema Solar”, uma vez que é o único planeta rochoso, além da Terra, que “possui um campo magnético global com origem num mecanismo de dínamo no núcleo líquido”.

Para se compreender como vai evoluir o campo magnético da Terra, que protege o planeta da radiação solar intensa, é necessário “perceber como funciona o mecanismo que produz o campo magnético nos diferentes planetas”, adiantou.

De acordo com a cientista portuguesa, há questões que ficaram por responder com a sonda MESSENGER da agência espacial norte-americana NASA, que esteve em órbita de Mercúrio durante quatro anos, entre 2011 e 2015.

Joana S. Oliveira salientou que “não foram feitas medições do campo magnético no hemisfério sul do planeta devido à órbita excêntrica da sonda”, que tinha de se distanciar de Mercúrio para arrefecer e “manter uma temperatura funcional”.

Também por causa da órbita da MESSENGER, o campo magnético das rochas de Mercúrio só foi mapeado “numa banda de latitude muito pequena”.

A missão BepiColombo, assim designada em homenagem ao matemático e engenheiro italiano Giuseppe (Bepi) Colombo (1920-1984) que se debruçou sobre Mercúrio, irá recolher dados durante um ano, prazo que poderá ser estendido por mais 12 meses.

Durante a viagem, as sondas vão aproximar-se da Terra e de Vénus antes de passarem seis vezes por Mercúrio e ficarem a girar em torno dele.

A sonda da ESA tem incorporado um equipamento electrónico fabricado e testado pela Efacec “capaz de detectar o impacto de partículas energéticas como protões e electrões”, explicou à Lusa João Costa Pinto, da direcção de projectos para o Espaço da empresa.

João Costa Pinto acrescentou ainda que o engenho distingue as partículas e determina “a gama de energias em que se encontram”.

O equipamento, que monitoriza a radiação espacial ao medir a quantidade de partículas energéticas geradas pelo Sol, permite tomar medidas como “desligar aparelhos mais sensíveis durante os períodos de maior actividade solar” evitando que se estraguem.

ZAP // Lusa

Por Lusa
19 Outubro, 2018

 

1140: Leslie fez 27 feridos ligeiros, 61 desalojados e quase 1.900 ocorrências

Carlos Barroso / Lusa
Apesar dos alertas do IPMA, algumas pessoas foram aos passadiços da Foz do Arelho, observar o mar e tirar fotografias.

A tempestade Leslie provocou 27 feridos ligeiros, 61 desalojados e quase 1.900 ocorrências comunicadas à Protecção Civil, de acordo com o balanço mais actualizado desta autoridade.

De acordo com o comandante Rui Laranjeira, da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), todos os feridos apresentavam ferimentos ligeiros, ainda que tenham sido transportados a uma unidade de saúde parar receberem tratamento. A ANPC registou ainda três pessoas assistidas no local, que não necessitaram de ser levadas a unidades de saúde.

A tempestade Leslie fez ainda 61 desalojados, 57 dos quais no distrito de Coimbra, um em Leiria e três em Viseu.

Das 1.890 ocorrências registadas pela ANPC, 1.218 diziam respeito a quedas de árvores e 441 a quedas de estruturas, tendo o vento sido o fenómeno que causou maior número de ocorrências, segundo Rui Laranjeira.

De acordo com o comandante, o distrito de Coimbra foi o mais afectado, seguindo-se os de Aveiro, Leiria e Viseu. No terreno estiveram 6.373 operacionais e 2.002 meios terrestres.

A maioria das estradas cortadas devido ao mau tempo já foi reaberta, indicou Rui Laranjeiro, destacando-se o IC2, o IP3 e a A1, na região de Coimbra.

Centenas de milhares de habitações sem electricidade, pessoas desalojadas, estradas cortadas, voos cancelados, danos na via pública e árvores caídas, são o resultado da passagem da passagem da tempestade Leslie pelo continente.

Centenas de milhares de clientes a Norte do Tejo estão sem energia eléctrica desde a noite de sábado devido aos danos causados pela tempestade tropical Leslie, disse à Lusa a EDP Distribuição, classificando a situação de “muito grave”.

Face às previsões existentes, o INEM activou no sábado a sua Sala de Situação Nacional para acompanhar e articular com as restantes entidades de Protecção Civil os efeitos da passagem da tempestade.

Na Madeira, onde estavam inicialmente os maiores receios das autoridades, a tempestade passou ao início da tarde de sábado sem provocar grandes sobressaltos.

ZAP // Lusa

Por Lusa
14 Outubro, 2018

 

1138: O Furacão Leslie está a caminho. Protecção Civil lança alerta

NASA Goddard / MODIS Rapid Response Team

O Furacão Leslie está a aproximar-se de Portugal Continental. A Protecção Civil já lançou um alerta à população, face a possíveis condições meteorológicas adversas.

A Autoridade Nacional de Protecção Civil lançou, esta sexta-feira, um aviso à população, no qual comunica a elevada probabilidade de o território continental português ser afectado pelo Furacão Leslie, ainda que não seja possível indicar com precisão as áreas que mais vão sentir o impacto.

O comunicado adianta que a situação meteorológica que irá condicionar o país é ainda muito incerta, não havendo previsões sobre os efeitos em relação a vento, precipitação e agitação marítima que a tempestade causará.

Ainda assim, no domingo será quando a tempestade se pode fazer sentir com mais intensidade, esperando-se que o pico mais crítico seja entre as 00h00 e as 06h00 para o vento, as 01h00 e as 16h00 para a precipitação, as 03h00 e as 12h00 para a agitação marítima“, revela o alerta.

No gráfico disponibilizado pelo National Hurricane Center, verifica-se a aproximação do furacão de Portugal continental, estando de momento a deslocar-se entre a Madeira e os Açores.

Lentamente, o Furacão Leslie está a dirigir-se de este para nordeste e espera-se que passe a norte da Madeira durante o dia de sábado, com vento forte, aumento da agitação marítima, precipitação e trovoada, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

A tempestade pode trazer ventos com 100km/h e ondas até 12 metros na Madeira, “sendo que, nas regiões montanhosas, o vento será forte a muito forte, com rajadas até 110 quilómetros por hora”, explicou o instituto.

Num comunicado emitido na quinta-feira, o IPMA indicou que o Leslie se estava a deslocar para junto da Madeira, havendo entre 70% a 90% de possibilidade que as ilhas da Madeira e Porto Santo venham a sofrer os efeitos do furacão, a partir das 09h00 de sábado.

Segundo as projecções da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) o Leslie chegará a Portugal com uma classificação de “depressão tropical”.

A Protecção Civil recomenda que se tenha “especial cuidado na circulação e permanência junto de áreas arborizadas” pela possibilidade de haver queda de ramos e árvores, que não se pratiquem actividades relacionadas com o mar, “evitando ainda o estacionamento de veículos muito próximos da orla marítima”, que não se atravessem zonas inundadas e estar-se atento às informações da meteorologia e às indicações da Protecção Civil e Forças de Segurança.

ZAP // Lusa

Por ZAP
13 Outubro, 2018

Em Lisboa, @13:30, o céu estava assim:

© F.Gomes # inforgom.pt

© F.Gomes # inforgom.pt

 

1043: Nova espécie de dinossauro carnívoro pode ter sido descoberta em Torres Vedras

CIÊNCIA

Sociedade de História Natural de Torres Vedras / Lusa

Paleontólogos portugueses e espanhóis poderão ter identificado uma nova espécie de dinossauro carnívoro no litoral de Torres Vedras, Lisboa, que seria o primeiro ‘carcarodontossaurio’ em Portugal e um dos mais antigos do mundo.

“Este exemplar, por um lado, apresenta características diferentes de todas as outras espécies conhecidas até ao momento do grupo ‘carcarodontossaurios’, por outro lado, é o único vestígio conhecido deste grupo neste momento em Portugal e os registos mais próximos do Jurássico Superior conhecidos são de África, em relação aos quais apresenta também algumas características diferentes. Toda esta informação leva-nos a crer que poderá tratar-se de uma nova espécie”, afirmou à agência Lusa a investigadora Elisabete Malafaia, especialista em dinossauros terópodes.

A hipótese é levantada num artigo publicado, esta terça-feira, na revista Journal of Paleontology por esta paleontóloga da Universidade de Lisboa e por Pedro Mocho, do Museu de História Natural de Los Angeles, Pedro Dantas, da Sociedade de História Natural de Torres Vedras, e pelos espanhóis Fernando Escaso e Francisco Ortega, da Universidade de Educação à Distância de Madrid.

O conjunto de fósseis agora descrito, composto por uma sequência de vértebras caudais articuladas, um pé direito praticamente completo, a medir meio metro, e diversos fragmentos do esqueleto do animal foram descobertos e escavados entre 2002 e 2003 nas arribas da praia de Cambelas, freguesia de São Pedro da Cadeira, por elementos da Sociedade de História Natural.

Para os paleontólogos, os fósseis pertencem a um dinossauro carnívoro aparentado a ‘Allosaurus’ mas mais evoluído, sendo identificado ao grupo dos ‘carcarodontosaurios’, que mediria dez metros de comprimento por quatro ou cinco de altura.

Os paleontólogos esperam identificar a espécie com exactidão, dando continuidade ao estudo de outros fósseis pertencentes a pelo menos três espécies de dinossauros terópodes, provenientes de outras jazidas do Jurássico Superior de Portugal.

Além de poder tratar-se de uma nova espécie, este dinossauro é o primeiro ‘carcarodontossaurio’ encontrado em Portugal e um dos mais antigos do mundo, sendo o mais completo do Jurássico Superior.

“No Cretácico, está muito bem representado, nomeadamente no hemisfério sul e, na Europa, em Espanha [existem exemplares do Cretácico Inferior, com 120 milhões de anos] e Inglaterra. Sendo do Jurássico Superior [datado de há 145 milhões de anos], é uma das referências mais antigas a nível mundial, porque, do Jurássico Superior, conhece-se um exemplar em África, mas muito incompleto“, adiantou Elisabete Malafaia.

Por ser um dos mais antigos do mundo, este dinossauro permite também “perceber melhor como foi a evolução inicial deste grupo e a dispersão destes dinossauros no hemisfério norte”.

A diversidade de espécies encontradas na mesma jazida também sugere uma maior diversidade nas faunas de terópodes ‘allosauroides’ do Jurássico Superior da Bacia Lusitana.

Os achados integram a colecção paleontológica da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.

ZAP // Lusa

Por Lusa
19 Setembro, 2018

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