1252: Portugal e China criam laboratório tecnológico para estudar Espaço e oceanos

CIÊNCIA

Marine Explorer / Flickr

Portugal e China vão criar em 2019 um laboratório tecnológico direccionado para a construção de micro-satélites e observação dos oceanos, um investimento público-privado de 50 milhões de euros a cinco anos.

O ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, Manuel Heitor, disse à agência Lusa que o “STARlab”, que estará a funcionar em pleno em Março, terá dois pólos, um em Matosinhos e outro em Peniche.

Trata-se de um investimento global de 50 milhões de euros a cinco anos, repartido em partes iguais entre Portugal e a China, sendo que o financiamento português, de 25 milhões de euros, será público e privado.

Manuel Heitor adiantou que o investimento será canalizado sobretudo para o emprego qualificado, designadamente de engenheiros, e para a produção de micro-satélites, sector no qual a China, assinalou, tem crescido.

O ministro exemplificou que o laboratório irá “desenvolver micro-satélites em interligação com sensores em terra e no mar” que possam medir “as condições atmosféricas e a humidade do solo”, essenciais para a agricultura, e fazer observações oceânicas.

A criação do “STARLab” será formalizada com assinatura de um protocolo entre os dois países durante a visita oficial do Presidente chinês, Xi Jinping, a Portugal, prevista para o próximo mês de Dezembro.

O laboratório resulta de uma colaboração entre a Fundação para a Ciência e Tecnologia, a empresa aeroespacial Tekever e o Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto, que tem projectos na área da vigilância marítima e exploração do mar profundo, e a Academia de Ciências Chinesa, através dos institutos de micro-satélites e de oceanografia.

De acordo com um comunicado do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, o “STARlab” deverá incentivar a abertura de centros científicos e tecnológicos em Portugal e na China, neste caso em Xangai.

ZAP // Lusa

Por Lusa
6 Novembro, 2018

 

1230: São precisos 2 planetas inteiros para manter o estilo de vida dos portugueses

CIÊNCIA

(CC0/PD) WikiImages / pixabay

Portugal diminuiu a sua pegada ecológica per capita de 2012 a 2014 mas ainda precisa de 2,19 planetas para “manter o actual estilo de vida”, afirma a organização ambientalista WWF.

Os dados apresentados na edição deste ano do relatório Planeta Vivo poderão ser uma “consequência da crise económica que atingiu Portugal nesses anos”, de acordo com a organização.

Portugal surge no relatório na 66º posição, sete lugares acima do que acontecia no anterior, divulgado em 2016, com dados respeitantes a 2012.

Ângela Morgado, directora executiva da Associação Natureza Portugal, alerta, citada no documento de apresentação do relatório, que ”os portugueses têm de ter um estilo de vida mais sustentável, sob pena de se verem afectados, não por uma crise económica, mas por uma crise ecológica sem precedentes que põe em risco a sua vida, a dos seus filhos e dos netos”.

“Está na altura de mudar. Já não podemos adiar”, vincou, explicando que “a ligeira descida da pegada ecológica dos portugueses foi reflexo da crise económica, que criou uma oportunidade para os portugueses terem comportamentos mais amigos do ambiente. Agora é necessário continuar com um estilo de vida que tem menor impacto no Planeta fora de situações de crise”.

Paralelamente, o relatório demonstra que a pegada ecológica dos portugueses foi sempre muito elevada comparativamente com a bio-capacidade do país, que se tem mantido mais ou menos constante desde 1961.

O carbono, que nos dados referentes a 2014 representa 57% da pegada ecológica dos portugueses, e que em 2004 correspondia a 63% do valor total, foi a componente que mais decresceu, adianta o documento, que explica que “a isto está naturalmente associado ao consumo, mas também à alteração das fontes de produção de energia nacional, fruto da aposta nas energias renováveis”.

A nível internacional, o relatório mostra um “quadro perturbador: a actividade humana está a empurrar os ecossistemas que sustentam a vida na Terra para um limite”.

“O relatório está a mostrar-nos a dura realidade, que as nossas florestas, oceanos e rios estão em risco. Isto é um indicador do tremendo impacto e pressão que estamos a exercer sobre o planeta, minando o tecido vivo que nos sustenta a todos: natureza e biodiversidade”, disse Marco Lambertini, director-geral da WWF Internacional.

O Índice Planeta Vivo, que acompanha as tendências de abundância global de vida selvagem, indica que as populações globais de peixes, aves, mamíferos, anfíbios e répteis diminuíram em média 60% entre 1970 e 2014.

O relatório destaca que “as principais ameaças às espécies estão directamente ligadas às actividades humanas, incluindo perda e degradação de habitats e sobre exploração da vida selvagem”.

“Dos rios e florestas a zonas costeiras e montanhas, o relatório mostra que a vida selvagem diminuiu drasticamente desde 1970. As estatísticas são assustadoras, pois dependemos da natureza para nos alimentarmos, vestirmos e subsistirmos. Precisamos de criar um novo caminho que nos permita coexistir de forma sustentável com a natureza da qual dependemos. Vamos precisar da acção de todos”, reiterou Ângela Morgado.

Ao destacar a extensão do impacto da actividade humana na natureza, o documento apresenta ainda a importância e valor da natureza para a saúde e o bem-estar das pessoas, sociedades e economias.

“A natureza tem sustentado e alimentado silenciosamente as nossas sociedades e economias há séculos, e continua a fazê-lo hoje. Em troca, o mundo continuou a considerar a natureza e os seus serviços como algo natural, deixando de agir contra a perda acelerada da natureza”, acrescentou Lambertini.

“Precisamos de repensar com urgência como usamos e valorizamos a natureza – culturalmente, economicamente e nas nossas agendas políticas. Precisamos de pensar na natureza como bela e inspiradora, mas também como indispensável. Precisamos de um novo acordo global agora”, apelou.

ZAP // Lusa

Por ZAP
2 Novembro, 2018

 

1162: Primeira missão europeia a Mercúrio lançada com cientista e tecnologia portuguesas

NASA
Projecção ortográfica de Mercúrio, captada pela sonda Messenger da NASA

A primeira missão europeia que vai estudar Mercúrio, o planeta mais pequeno e mais próximo do Sol, vai ser lançada no sábado, e nela participa uma cientista e uma empresa portuguesas.

A astrofísica Joana S. Oliveira faz parte da equipa científica da missão BepiColombo da Agência Espacial Europeia (ESA) e a empresa Efacec construiu um equipamento electrónico que irá monitorizar a radiação espacial durante a viagem e a operação de um dos satélites.

A missão, conjunta da ESA e da agência espacial japonesa JAXA, integra duas sondas, cujo lançamento está previsto para as 2h45 (hora de Lisboa) da base de Kourou, na Guiana Francesa, a bordo de um foguetão Ariane 5.

As sondas só vão estar a orbitar o planeta sete anos após o seu lançamento. Uma, da ESA, vai estudar a superfície, o interior e a camada mais externa da atmosfera (exosfera) de Mercúrio. A outra, da JAXA, vai analisar a magnetosfera (região a maior altitude que envolve o planeta).

Justificando à Lusa a relevância da missão, a investigadora Joana S. Oliveira disse que “Mercúrio é uma peça do puzzle muito importante para perceber a evolução do Sistema Solar”, uma vez que é o único planeta rochoso, além da Terra, que “possui um campo magnético global com origem num mecanismo de dínamo no núcleo líquido”.

Para se compreender como vai evoluir o campo magnético da Terra, que protege o planeta da radiação solar intensa, é necessário “perceber como funciona o mecanismo que produz o campo magnético nos diferentes planetas”, adiantou.

De acordo com a cientista portuguesa, há questões que ficaram por responder com a sonda MESSENGER da agência espacial norte-americana NASA, que esteve em órbita de Mercúrio durante quatro anos, entre 2011 e 2015.

Joana S. Oliveira salientou que “não foram feitas medições do campo magnético no hemisfério sul do planeta devido à órbita excêntrica da sonda”, que tinha de se distanciar de Mercúrio para arrefecer e “manter uma temperatura funcional”.

Também por causa da órbita da MESSENGER, o campo magnético das rochas de Mercúrio só foi mapeado “numa banda de latitude muito pequena”.

A missão BepiColombo, assim designada em homenagem ao matemático e engenheiro italiano Giuseppe (Bepi) Colombo (1920-1984) que se debruçou sobre Mercúrio, irá recolher dados durante um ano, prazo que poderá ser estendido por mais 12 meses.

Durante a viagem, as sondas vão aproximar-se da Terra e de Vénus antes de passarem seis vezes por Mercúrio e ficarem a girar em torno dele.

A sonda da ESA tem incorporado um equipamento electrónico fabricado e testado pela Efacec “capaz de detectar o impacto de partículas energéticas como protões e electrões”, explicou à Lusa João Costa Pinto, da direcção de projectos para o Espaço da empresa.

João Costa Pinto acrescentou ainda que o engenho distingue as partículas e determina “a gama de energias em que se encontram”.

O equipamento, que monitoriza a radiação espacial ao medir a quantidade de partículas energéticas geradas pelo Sol, permite tomar medidas como “desligar aparelhos mais sensíveis durante os períodos de maior actividade solar” evitando que se estraguem.

ZAP // Lusa

Por Lusa
19 Outubro, 2018

 

1141: Leslie fez 27 feridos ligeiros, 61 desalojados e quase 1.900 ocorrências

Carlos Barroso / Lusa
Apesar dos alertas do IPMA, algumas pessoas foram aos passadiços da Foz do Arelho, observar o mar e tirar fotografias.

A tempestade Leslie provocou 27 feridos ligeiros, 61 desalojados e quase 1.900 ocorrências comunicadas à Protecção Civil, de acordo com o balanço mais actualizado desta autoridade.

De acordo com o comandante Rui Laranjeira, da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), todos os feridos apresentavam ferimentos ligeiros, ainda que tenham sido transportados a uma unidade de saúde parar receberem tratamento. A ANPC registou ainda três pessoas assistidas no local, que não necessitaram de ser levadas a unidades de saúde.

A tempestade Leslie fez ainda 61 desalojados, 57 dos quais no distrito de Coimbra, um em Leiria e três em Viseu.

Das 1.890 ocorrências registadas pela ANPC, 1.218 diziam respeito a quedas de árvores e 441 a quedas de estruturas, tendo o vento sido o fenómeno que causou maior número de ocorrências, segundo Rui Laranjeira.

De acordo com o comandante, o distrito de Coimbra foi o mais afectado, seguindo-se os de Aveiro, Leiria e Viseu. No terreno estiveram 6.373 operacionais e 2.002 meios terrestres.

A maioria das estradas cortadas devido ao mau tempo já foi reaberta, indicou Rui Laranjeiro, destacando-se o IC2, o IP3 e a A1, na região de Coimbra.

Centenas de milhares de habitações sem electricidade, pessoas desalojadas, estradas cortadas, voos cancelados, danos na via pública e árvores caídas, são o resultado da passagem da passagem da tempestade Leslie pelo continente.

Centenas de milhares de clientes a Norte do Tejo estão sem energia eléctrica desde a noite de sábado devido aos danos causados pela tempestade tropical Leslie, disse à Lusa a EDP Distribuição, classificando a situação de “muito grave”.

Face às previsões existentes, o INEM activou no sábado a sua Sala de Situação Nacional para acompanhar e articular com as restantes entidades de Protecção Civil os efeitos da passagem da tempestade.

Na Madeira, onde estavam inicialmente os maiores receios das autoridades, a tempestade passou ao início da tarde de sábado sem provocar grandes sobressaltos.

ZAP // Lusa

Por Lusa
14 Outubro, 2018

 

1139: O Furacão Leslie está a caminho. Protecção Civil lança alerta

NASA Goddard / MODIS Rapid Response Team

O Furacão Leslie está a aproximar-se de Portugal Continental. A Protecção Civil já lançou um alerta à população, face a possíveis condições meteorológicas adversas.

A Autoridade Nacional de Protecção Civil lançou, esta sexta-feira, um aviso à população, no qual comunica a elevada probabilidade de o território continental português ser afectado pelo Furacão Leslie, ainda que não seja possível indicar com precisão as áreas que mais vão sentir o impacto.

O comunicado adianta que a situação meteorológica que irá condicionar o país é ainda muito incerta, não havendo previsões sobre os efeitos em relação a vento, precipitação e agitação marítima que a tempestade causará.

Ainda assim, no domingo será quando a tempestade se pode fazer sentir com mais intensidade, esperando-se que o pico mais crítico seja entre as 00h00 e as 06h00 para o vento, as 01h00 e as 16h00 para a precipitação, as 03h00 e as 12h00 para a agitação marítima“, revela o alerta.

No gráfico disponibilizado pelo National Hurricane Center, verifica-se a aproximação do furacão de Portugal continental, estando de momento a deslocar-se entre a Madeira e os Açores.

Lentamente, o Furacão Leslie está a dirigir-se de este para nordeste e espera-se que passe a norte da Madeira durante o dia de sábado, com vento forte, aumento da agitação marítima, precipitação e trovoada, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

A tempestade pode trazer ventos com 100km/h e ondas até 12 metros na Madeira, “sendo que, nas regiões montanhosas, o vento será forte a muito forte, com rajadas até 110 quilómetros por hora”, explicou o instituto.

Num comunicado emitido na quinta-feira, o IPMA indicou que o Leslie se estava a deslocar para junto da Madeira, havendo entre 70% a 90% de possibilidade que as ilhas da Madeira e Porto Santo venham a sofrer os efeitos do furacão, a partir das 09h00 de sábado.

Segundo as projecções da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) o Leslie chegará a Portugal com uma classificação de “depressão tropical”.

A Protecção Civil recomenda que se tenha “especial cuidado na circulação e permanência junto de áreas arborizadas” pela possibilidade de haver queda de ramos e árvores, que não se pratiquem actividades relacionadas com o mar, “evitando ainda o estacionamento de veículos muito próximos da orla marítima”, que não se atravessem zonas inundadas e estar-se atento às informações da meteorologia e às indicações da Protecção Civil e Forças de Segurança.

ZAP // Lusa

Por ZAP
13 Outubro, 2018

Em Lisboa, @13:30, o céu estava assim:

© F.Gomes # inforgom.pt

© F.Gomes # inforgom.pt

 

1044: Nova espécie de dinossauro carnívoro pode ter sido descoberta em Torres Vedras

CIÊNCIA

Sociedade de História Natural de Torres Vedras / Lusa

Paleontólogos portugueses e espanhóis poderão ter identificado uma nova espécie de dinossauro carnívoro no litoral de Torres Vedras, Lisboa, que seria o primeiro ‘carcarodontossaurio’ em Portugal e um dos mais antigos do mundo.

“Este exemplar, por um lado, apresenta características diferentes de todas as outras espécies conhecidas até ao momento do grupo ‘carcarodontossaurios’, por outro lado, é o único vestígio conhecido deste grupo neste momento em Portugal e os registos mais próximos do Jurássico Superior conhecidos são de África, em relação aos quais apresenta também algumas características diferentes. Toda esta informação leva-nos a crer que poderá tratar-se de uma nova espécie”, afirmou à agência Lusa a investigadora Elisabete Malafaia, especialista em dinossauros terópodes.

A hipótese é levantada num artigo publicado, esta terça-feira, na revista Journal of Paleontology por esta paleontóloga da Universidade de Lisboa e por Pedro Mocho, do Museu de História Natural de Los Angeles, Pedro Dantas, da Sociedade de História Natural de Torres Vedras, e pelos espanhóis Fernando Escaso e Francisco Ortega, da Universidade de Educação à Distância de Madrid.

O conjunto de fósseis agora descrito, composto por uma sequência de vértebras caudais articuladas, um pé direito praticamente completo, a medir meio metro, e diversos fragmentos do esqueleto do animal foram descobertos e escavados entre 2002 e 2003 nas arribas da praia de Cambelas, freguesia de São Pedro da Cadeira, por elementos da Sociedade de História Natural.

Para os paleontólogos, os fósseis pertencem a um dinossauro carnívoro aparentado a ‘Allosaurus’ mas mais evoluído, sendo identificado ao grupo dos ‘carcarodontosaurios’, que mediria dez metros de comprimento por quatro ou cinco de altura.

Os paleontólogos esperam identificar a espécie com exactidão, dando continuidade ao estudo de outros fósseis pertencentes a pelo menos três espécies de dinossauros terópodes, provenientes de outras jazidas do Jurássico Superior de Portugal.

Além de poder tratar-se de uma nova espécie, este dinossauro é o primeiro ‘carcarodontossaurio’ encontrado em Portugal e um dos mais antigos do mundo, sendo o mais completo do Jurássico Superior.

“No Cretácico, está muito bem representado, nomeadamente no hemisfério sul e, na Europa, em Espanha [existem exemplares do Cretácico Inferior, com 120 milhões de anos] e Inglaterra. Sendo do Jurássico Superior [datado de há 145 milhões de anos], é uma das referências mais antigas a nível mundial, porque, do Jurássico Superior, conhece-se um exemplar em África, mas muito incompleto“, adiantou Elisabete Malafaia.

Por ser um dos mais antigos do mundo, este dinossauro permite também “perceber melhor como foi a evolução inicial deste grupo e a dispersão destes dinossauros no hemisfério norte”.

A diversidade de espécies encontradas na mesma jazida também sugere uma maior diversidade nas faunas de terópodes ‘allosauroides’ do Jurássico Superior da Bacia Lusitana.

Os achados integram a colecção paleontológica da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.

ZAP // Lusa

Por Lusa
19 Setembro, 2018

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1039: Descoberto porto romano com quase dois mil anos em Vila do Bispo

CIÊNCIA

(dr)
Boca do Rio – um sítio pesqueiro entre dois mares

Descoberta resulta de uma campanha arqueológica iniciada há aproximadamente dois anos na praia da Boca do Rio, em Budens, classificado como um dos mais importantes da ocupação romana entre os séculos I e V, no sudoeste algarvio.

Uma equipa luso-alemã das Universidades do Algarve e de Marburgo descobriram, em Vila do Bispo, um porto romano com dois mil anos, com o melhor estado de conservação “identificado até hoje em Portugal”, anunciou o município.

A descoberta resulta de uma campanha arqueológica iniciada há aproximadamente dois anos na praia da Boca do Rio, em Budens, classificado como um dos mais importantes da ocupação romana entre os séculos I e V, no sudoeste algarvio.

Em comunicado, a autarquia adianta tratar-se de um antigo complexo industrial de transformação de preparados de peixe e do respectivo porto, que faziam parte de uma ‘villa’ marítima, com uma “grande casa voltada ao mar, de onde se têm recolhido mosaicos e outros objectos que documentam a vida quotidiana” na ocupação romana.

Durante o Período Romano o mar entrava terra dentro, formando uma extensa laguna, o actual Paul da Boca do Rio/Lontreira, em cuja margem direita se desenvolveu um importante complexo de transformação de preparados de peixe, sobretudo a partir de finais do século II d.C., servido pelo porto agora descoberto”, refere a autarquia.

Actualmente, o porto situa-se numa zona seca e é constituído por “um imponente cais em silharia de calcário com mais de 40 metros de extensão, de onde sobressaem pedras perfuradas para amarração de barcos, uma rampa e uma escadaria de acesso à água do antigo paleoestuário da Boca do Rio”.

Para além da recém identificada estrutura portuária, existem, sob as dunas, várias fábricas que serviam para a produção de molhos e pastas de peixe, produto conhecido pelos romanos como ‘garum’.

O sítio pesqueiro romano foi abandonado na primeira metade do século V, voltando a ser ocupado com uma armação de pesca do atum no século XVI e, de novo, após o ‘tsunami’ de 1755, no século XVIII.

As armações da época moderna “aproveitaram as estruturas romanas fundadas nas dunas para aí edificar os seus edifícios que ainda hoje se podem ver no local”, sublinha a autarquia.

O sítio da Boca do Rio é um dos locais que melhor preserva o registo do maremoto que se seguiu ao terramoto de 1755, que arrasou Lisboa, Cádis (em Espanha) e boa parte da costa algarvia.

Os trabalhos arqueológicos desenvolvidos na praia da Boca do Rio decorrem ao abrigo do projecto de investigação “Boca do Rio – um sítio pesqueiro entre dois mares”, coordenado pelos professores João Pedro Bernardes, do Centro de Estudos em Artes, Arqueologia e Património (CEAACP) da Universidade do Algarve, e Félix Teichner, da Universidade de Marburgo.

O estudo desenvolve-se com o apoio logístico e financeiro do município de Vila do Bispo, encontrando-se sediado no Centro de Acolhimento à Investigação – Núcleo de Investigação Arqueológica de Vila do Bispo.

ZAP // Lusa

Por Lusa
18 Setembro, 2018

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967: Misteriosa múmia que provocava transe foi destruída no Museu Nacional do Brasil

CIÊNCIA

Dos cerca de 20 milhões de itens de valor incalculável que compunham o acervo do Museu Nacional do Brasil e que foram consumidos pelo incêndio que deflagrou no domingo, havia uma peça em particular que despertava grande curiosidade entre os visitantes – e não era só pela sua raridade. 

A peça em causa era uma rara múmia egípcia, apelidada de Kherima, com cerca de 2 mil anos. De acordo com a BBC, a peça foi levada para o Brasil num caixote de madeira em 1824, pelas mãos do comerciante Nicolau Fiengo.

Dois anos depois, foi oferecida para leilão, acabando por ser comprada por D. Pedro I, que a doou posteriormente ao Museu Nacional do Brasil, no Rio do Janeiro – que, na altura, ainda estava localizado no Campo de Santana, no centro da cidade.

Kherima destacava-se pelo estilo da mumificação. Apresentava os membros enfaixados individualmente e decorados sobre linho, dando-lhe uma aparência semelhante a uma boneca. Este tipo de mumificação era diferente do utilizado da época, dando menos atenção ao corpos que eram simplesmente “empacotados”. Além deste exemplar, há apenas oito múmias do género em todo o mundo.

“Este era um exemplar muito importante por causa do tipo de mumificação utilizado, que preservava a humanidade do corpo. Neste caso em particular, o contorno do corpo feminino”, explicou Rennan Lemos, aluno do doutoramento em Arqueologia na Universidade de Cambridge, em Inglaterra, e pesquisador-associado do Laboratório de Egiptologia do Museu Nacional (Seshat).

No entanto, havia uma outra peculiaridade nesta múmia que atraía o interesse dos visitantes – o poder de transe. Há relatos da década de 60 que dão conta que Kherima teria provocado situações de transe a quem se aproximava dela.

Um destes exemplo remota à décadas de 1960, quando uma jovem terá tocado nos pés da múmia e, fora si, terá dito que pertencia a uma princesa de Tebas chamada de Kherima, assassinada com punhaladas. Outras pessoas relataram sentir um “mal estar súbito” quando se encontravam próximas da múmia.

Sessões de hipnose colectivas

Kherima já se tinha tornado num objecto de culto quando o professor Victor Staviarski, membro da Sociedade de Amigos do Museu Nacional, ajudou a reforçar o misticismo à sua volta. O professor leccionava cursos controversos de egiptologia e escrita hieroglífica ao som de óperas como Aida, de Giuseppe Verdi, e que incluíam a presença de médiuns e sessões de hipnose colectiva – ao lado da múmia.

Naquela época, os alunos podiam tocar na múmia e as reacções inesperadas que resultava dessa interacção foram alimentando o imaginário popular.

“Algumas pessoas diziam que conversavam com a múmia e ela respondia. Numa dessas conversas, a múmia terá dito que era uma princesa do Sol, mas isso não tem qualquer sentido científico, uma vez que esse não era um título do Antigo Egipto”, acrescenta Lemos.

Técnicas de tomografia permitiram revelar que Kherima era filha de um governador de Tebas, uma importante cidade do Antigo Egipto. De acordo com a pesquisa levada a cabo, Kherima teria cerca de 18 a 20 anos e terá vivido durante o Período Romano no Egipto, entre o século I e II. A causa da morte nunca foi identificada.

Uma outra múmia da cantora-sacerdotisa egípcia Sha-amun-en-su, foi também reduzida a cinzas no incêndio que destruiu o Museu Nacional do Brasil. Este exemplar foi um presente oferecido a D. Pedro II, em 1876, na sua segunda visita ao Egipto.

Com mais de 700 peças, a colecção de arqueologia egípcia do Museu Nacional era considerada a maior da América Latina e a mais antiga do continente – com várias múmias e sarcófagos. Acredita-se que todo o acervo tenha sido destruído.

O museu foi criado por D. João VI, de Portugal, e que completaria 200 anos este ano.

ZAP // BBC

Por ZAP
5 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 11 erros ortográficos ao texto original)

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953: Fim da hora de inverno “é um regresso à Idade Média” (e afecta sobretudo as crianças)

(PPD/C0) Monoar / Pixabay Mais de 4,6 milhões de pessoas participaram no inquérito

O especialista em medicina do sono Joaquim Moita avisa que o fim da hora de inverno seria preocupante sobretudo para as crianças e adolescentes, que passariam a acordar e a ir para as aulas ainda de noite.

A Comissão Europeia vai propor o fim da mudança de hora, depois de essa ter sido a vontade expressa por uma grande maioria dos europeus na consulta pública lançada este verão, acabando com a distinção entre horário de verão e horário de inverno.

Em declarações à agência Lusa, o médico Joaquim Moita, que dirige o Centro de Medicina do Sono do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e a Associação Portuguesa do Sono, lembra que o cérebro humano precisa de exposição à luz solar para acordar devidamente.

“Se acabar a hora de inverno, entre os meses de Novembro e Janeiro iremos estar às 08:15 ainda com noite escura”, avisa o especialista. Ora, às 08:15 muitas das crianças e adolescentes portugueses já estão a ter aulas ou pelo menos a caminho da escola.

“O resultado não será benéfico e o desempenho cognitivo e físico podem ficar comprometidos. As crianças e os adolescentes já deviam ir bem acordados para a escola e, para acordar bem, o cérebro precisa de exposição ao sol, à luz solar”, explica.

O especialista frisa que uma das regras básicas da higiene do sono é precisamente levantar à mesma hora e procurar a exposição solar, o que pode ficar comprometido caso se acabe com a hora de inverno.

“Os mesmos problemas também se podem aplicar ao mundo do trabalho. É muito preocupante para as faixas etárias mais jovens, mas também para quem já trabalha”, indicou o especialista do sono.

Joaquim Moita julga que haveria vantagens em manter a hora de inverno e considera que as alterações entre hora de verão e hora de inverno não constituem qualquer problema médico, até porque o organismo se adapta facilmente a estas mudanças de hora.

O perito lembra que os portugueses “já dormem pouco”, considerando que o fim da hora de inverno pode ainda prejudicar mais o descanso, o número de horas de sono e a forma como se desperta.

Mudança leva os cidadãos para a Idade Média

Em igual sentido, o professor do Departamento de Física Aplicada da Universidade de Santiago de Compostela (USC), Jorge Mira e o físico da Universidade de Sevilha, José María Martín Olalla, concordaram que a decisão de eliminar a mudança de hora semestral em toda a União Europeia “é um passo atrás” que “quebra a estabilidade horária na Europa”.

Para Mira, a decisão é um “passo atrás”, que leva os cidadão para o “tempo da Idade Média”, através da “imposição” de ideias de pessoas “que concebem que a Terra é plana”, reiterou o professor universitário.

Ambos os físicos concordam que a abolição da hora de inverno é um claro passo atrás.

“A razão para a mudança de hora é que o planeta gira o seu eixo de rotação desviado do eixo da órbita, de modo que a diferença entre o dia e a noite muda muito“, explicou Mira em declarações à Europa Press.

O cientista deu o exemplo concreto da Galiza, salientando que a diferença entre o dia e a noite no solstício de verão é de seis horas e 40 minutos e, “apenas três meses depois” essa diferença passa para zero horas.

Mira prosseguiu explicando que, três meses depois a diferença passa a ser de seis horas e 45 minutos a favor da noite. ” A cada três meses, temos seis horas e 45 minutos de variação e a mudança de tempo foi uma forma de atenuar um pouco essa variação, que é o posicionamento mais lógico”, concluiu.

Uma maioria “muito clara” de 84% dos cidadãos europeus pronunciaram-se a favor do fim da mudança de hora na consulta pública realizada este verão, de acordo com resultados preliminares divulgados nesta sexta-feira pela Comissão Europeia.

Os resultados preliminares publicados pelo executivo comunitário revelam que os portugueses que participaram no inquérito online estão em linha com a média europeia, já que 85% também defenderam que deixe de se mudar o relógio duas vezes por ano, o que Bruxelas pretende agora implementar, com a apresentação de uma proposta legislativa. Os resultados finais serão avançados nas próximas semanas.

Naquela que foi, de forma destacada, a consulta pública mais participada de sempre, com mais de 4,6 milhões de contributos oriundos de todos os Estados-membros, a maior parte das respostas veio da Alemanha, onde o assunto foi particularmente mediatizado, apontando a Comissão que a taxa de participação em percentagem da população nacional variou entre os 3,79% na Alemanha e os 0,02% no Reino Unido, tendo em Portugal participado no inquérito 0,33% da população.

Os resultados preliminares, acrescenta Bruxelas, “indicam também que mais de três quartos (76%) dos participantes consideram que mudar de hora duas vezes por ano é uma experiência «muito negativa» ou «negativa»”, e “como justificação do desejo de pôr fim a esta regras alegam o impacto negativo na saúde, o aumento de acidentes de viação ou a falta de poupanças de energia”.

ZAP // Lusa

Por ZAP
1 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 3 erros ortográficos ao texto original)

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952: 85% dos portugueses votaram para acabar com mudança da hora. Mas quantos foram realmente?

Houve mais de 4,6 milhões de resposta, mas a grande maioria veio da Alemanha

© Regis Duvignau/Reuters

Houve uma maioria “muito clara” de 84% de cidadãos europeus a votar pelo fim da mudança da hora na consulta pública realizada este verão e no caso dos portugueses essa percentagem até sobe para 85%. Mas a proporção é relativa aos que votaram e que foram apenas 34 mil, segundo os dados preliminares hoje divulgados pela Comissão Europeia.

Ou seja, os dados mostram que a taxa de participação em Portugal foi de 0,33%, o que corresponde a quase 34 mil a portugueses a votar. Destes, cerca de 29 mil escolheram acabar com a mudança da hora. No total, participou menos de 1% da população europeia.

Naquela que foi a consulta pública mais participada de sempre, com mais de 4,6 milhões de contributos oriundos de todos os Estados-membros, a maior parte das respostas veio da Alemanha, onde 3,8% da população respondeu. No outro extremo está o Reino Unido, com os britânicos muito pouco informados ou interessados.

Os resultados preliminares “indicam também que mais de três quartos (76 %) dos participantes consideram que a mudança de hora duas vezes por ano é uma experiência “muito negativa” ou “negativa” – um número que sobe novamente em Portugal para 80%.

A comissária europeia Violeta Bulc reafirmou por ocasião da publicação dos resultados preliminares da consulta que a mensagem foi “muito clara”. “Vamos agora agir em conformidade com esta vontade expressa e preparar uma proposta legislativa ao Parlamento Europeu e ao Conselho, que decidiram então em conjunto”, indicou.

Hoje de manhã, antecipando-se à divulgação dos resultados, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, já anunciara que Bruxelas vai propor o fim da mudança de hora, depois de essa ter sido a vontade expressa por uma grande maioria dos europeus na consulta pública lançada este verão.

Com Lusa

Diário de Notícias
Patrícia Jesus
31 Agosto 2018 — 14:00

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