1979: Drone revela pontos radioactivos desconhecidos na floresta de Chernobyl

CIÊNCIA

Timm Suess / Flickr

Mais de três décadas após o maior acidente nuclear da História, os níveis de radiação em partes da área proibida de 2.600 quilómetros quadrados de Chernobyl permanecem perigosamente altos.

Num esforço para mapear as flutuações na radioactividade em toda a região, os investigadores usaram drones para inspeccionar a paisagem contaminada, revelando pontos quentes de intensa radiação que as autoridades não tinham ideia que existiam.

Quando o reactor número quatro da central nuclear de Chernobyl explodiu em Abril de 1986, libertou mais de 400 vezes mais radiação do que a bomba atómica lançada sobre Hiroshima no final da II Guerra Mundial.

Ao longo dos anos, os níveis de radioactividade diminuíram gradualmente e, em 2011, partes da zona proibida foram abertas aos turistas. No entanto, com mais de 70 mil visitantes por ano em Chernobyl, na Ucrânia, é muito importante que os responsáveis tenham conhecimento de qualquer ponto radioactivo.

Uma equipa do Centro Nacional para Robótica Nuclear do Reino Unido desenvolveu um sistema de mapeamento por drone que usaram para criar uma imagem detalhada de uma secção de 15 quilómetros quadrados da zona proibida.

Para isso, enviaram um drone de asa fixa em 50 voos separados durante um período de dez dias. O drone usava um método remoto de detecção de laser chamado Light Detection and Ranging (LiDAR) para criar um mapa tridimensional do terreno e um espectrómetro de raios gama para medir os níveis de radiação.

Quaisquer pontos interessantes ou incomuns foram investigados em maior detalhe usando um drone de asas rotativas, capaz de pairar extremamente perto de locais que seriam demasiado perigosos para os humanos entrarem.

Começando a cerca de 13 quilómetros do local do antigo reactor, os drones moveram-se gradualmente em direcção à Floresta Vermelha – assim chamados porque o desastre fez com que as folhas de todas as árvores ficassem vermelhas. Situada a apenas 500 metros do local da explosão, a floresta sempre esteve cheia de radiação, mas os investigadores ficaram surpreendido ao descobrir que estava cheia de pontos de radioactividade muito alta.

Em particular, um depósito dentro da floresta que tinha sido usado para classificar o solo contaminado durante a operação de limpeza inicial apareceu no mapa como um brilhante reservatório de radiação.

Tom Scott, da Universidade de Bristol, que liderou a investigação, disse à BBC que “o legado deixado naquela instalação é essencialmente combustível nuclear usado espalhado pelo chão, o que dava uma dose muito alta de radiação”.

Muitos dos radio-isótopos identificados no local têm meias-vidas extremamente longas, o que significa que demora muito tempo para que metade dos seus átomos radioactivos se decomponha, por isso é provável que os níveis de radiação permaneçam perigosamente altos nos próximos anos.

ZAP // IFL Science

Por ZAP
14 Maio, 2019


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