2836: Quanto mais fundo vivem os polvos, mais “verrugas” têm (mas não se sabe porquê)

CIÊNCIA

(dr) John Weinstein / Field Museum
Um dos polvos “verruguentos” que vivem nas profundezas do oceano

Alguns polvos encontrados em algumas das partes mais profundas do Oceano Pacífico têm uma pele mais irregular (como se tivessem “verrugas”) que os cientistas não conseguem explicar.

Uma equipa de investigadores tentou perceber porque é que alguns polvos que vivem no Oceano Pacífico — Graneledone pacifica — têm tantas “verrugas”, enquanto outros têm uma pele macia e sedosa.

Para isso, explica o IFLScience, os cientistas examinaram 50 espécimes, recolhidos no nordeste do Oceano Pacífico, ao longo da costa oeste da América do Norte, desde Washington até ao centro da Califórnia.

Para cada polvo, a equipa contou o número de “verrugas” numa linha entre as costas e a cabeça, bem como o número de ventosas encontradas nos seus braços. De seguida, foram realizadas análises de ADN que mostraram que os polvos “verruguentos” não eram de múltiplas espécies, como se pensava, mas sim da mesma espécie. Além disso, os polvos que viviam nas profundezas do oceano eram menores, com pele mais irregular e tinham menos ventosas do que os outros.

“Para já, nem sequer sabemos do que é que estas ‘verrugas’ são feitas, mas achamos que podem ser cartilaginosas. Ainda estamos a tentar perceber se são um benefício para estes polvos. Eles vivem muito fundo no oceano para que a luz os atinja, logo, não nos parece que seja para camuflagem”, declara ao mesmo site Janet Voight, autora do estudo agora publicado na revista científica Bulletin of Marine Science.

Os investigadores estão a trabalhar nesta teoria: à medida que as profundidades aumentam, as possibilidades de presas diminuem, tornando por isso a caça por alimento mais difícil e consumidora de energia.

Ou seja, pode ser que, ao longo de gerações, os polvos que comiam menos devido à disponibilidade de presas evoluíssem para um tamanho menor, produzissem também ovos menores que, por sua vez, eclodiam em crias menores.

“Se estes animais estão quase a viver no que para eles é um habitat extremo, a sua presença pode dar-nos uma pista para a saúde do oceano profundo. Este é o maior habitat do planeta, cobrindo cerca de 68% da sua superfície, mas é de longe o menos conhecido. O mar profundo suporta uma variedade surpreendentemente diversificada de animais. Precisamos de aprender mais sobre os animais que vivem no maior habitat do planeta”, conclui Voight, investigadora do Field Museum, nos EUA.

ZAP //

Por ZAP
15 Outubro, 2019

 

2026: Os polvos estão a ficar cegos por causa das alterações climáticas

CIÊNCIA

Níveis baixos de oxigénio nos oceanos do mundo podem fazer com que alguns invertebrados marinhos, incluindo caranguejos e polvos, percam a visão – pelo menos temporariamente.

Sabemos há algum tempo que os animais terrestres são afectados pelos níveis de oxigénio. Por exemplo, os humanos podem perder a função visual em ambientes de baixo oxigénio. Por exemplo, se os pilotos de caças a jacto não receberem oxigénio suplementar em altitudes elevadas, terão problemas de visão, pressão alta e derrames.

Agora, investigadores do Scripps Institute of Oceanography demonstraram que os animais marinhos também são altamente sensíveis à quantidade de oxigénio disponível na água. “Com todo o conhecimento sobre o oxigénio afectar a visão em animais terrestres, fiquei a pensar se animais marinhos reagiriam de maneira semelhante”, disse a principal autora, Lillian McCormick, um comunicado.

De acordo com o artigo publicado a 13 de Maio na revista Journal of Experimental Biology, McCormick descobriu que quatro invertebrados marinhos da Califórnia – lula myopsid, polvo-da-Califórnia, caranguejo de atum e brachyuran – tiveram uma redução de visão entre 60 e 100% sob condições de baixo oxigénio.

“Fiquei surpreendida ao ver que, mesmo após alguns minutos de exposição ao oxigénio baixo, algumas destas espécies tornaram-se praticamente cegas“, disse McCormick.

Para testar as respostas desses animais ao oxigénio reduzido a curto prazo, McCormick colocou amostras de larvas num microscópio com água do mar a qual foi gradualmente reduzida nos níveis de oxigénio. A investigadora expôs os animais às condições de luz e registou as suas respostas visuais usando uma “máquina de electrocardiograma para o olho” na qual os eléctrodos estavam conectados às suas retinas.

Em todos os casos, McCormick observou respostas imediatas quando a disponibilidade de oxigénio diminuía. O caranguejo e a lula perderam quase toda a sua visão quando o nível de oxigénio diminuiu para apenas 20% dos níveis da superfície. Os polvos foram mais capazes de tolerar a falta de oxigénio e os caranguejos foram os mais resilientes (embora ainda afectados).

Lilly McCormick
Larva de polvo da espécie Octopus bimaculoides, o polvo-da-Califórnia

Quando o oxigénio foi restaurado, a maioria dos espécimes recuperou pelo menos parte da função visual. Isto terá a ver com um conceito chamado fototransdução, um sistema visual altamente complexo que traduz a energia da luz em sinais neurais que dão aos animais a sua visão.

É um dos processos mais “energeticamente caros” e, sem isso, muitas espécies podem enfrentar condições de risco de vida. Por exemplo, muitas espécies de larvas migram verticalmente dependendo da hora do dia, indo para as profundidades durante as horas mais leves e subindo para a superfície à noite. Sem visão, podem perder-se, confundir-se e romper os ciclos naturais.

Os níveis de oxigénio nos oceanos do mundo mudam devido a processos naturais, mas estes estão a ser acelerados por mudanças climáticas e poluição influenciadas pelo homem. O aquecimento atmosférico causado pelas emissões de gases de efeito estufa diminui um processo chamado de ressurgência, em que a água superficial bem oxigenada é misturada com água pobre em nutrientes das profundezas.

Além disso, a poluição tem sido associada à eutrofização em ambientes próximos à costa que fazem com que espécies de plâncton floresçam e esgotem os níveis de oxigénio.

ZAP //

Por ZAP
22 Maio, 2019


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1741: Os pesadelos deste polvo estão escritos no seu corpo

CIÊNCIA

Um vídeo publicado no YouTube mostra um polvo a mudar de cor enquanto dorme. Os cientistas acreditam que a mudança de branco para castanho escuro pode estar ligada a um pesadelo durante o sono.

Os polvos são conhecidos pela habilidade de camuflar a pele em situações perigosas. Mas o que acontece quando estes animais mudam de cor durante o sono?

O vídeo publicado no YouTube mostra um polvo (Octopus hummelincki) a dormir no seu aquário bem iluminado. Quando adormeceu, a cor da sua pele mudou drasticamente, passando de branco para castanho escuro.

As imagens foram captadas em Outubro de 2017, no Butterfly Pavilion, um jardim zoológico no Colorado, EUA. Rebecca Otey, estagiária de ciências e conservação, filmou o polvo a dormir e partilhou as imagens no Youtube, em Fevereiro de 2018.

No início, o polvo adormece com uma coloração branca perolada. No entanto, à medida que vai dormindo, os padrões escuros da sua pele pulsam mediante a sua própria respiração. Gradualmente, uma inundação de cor escura toma conta do seu corpo. Lentamente desaparece, retomando à cor inicial.

Segundo os cientistas, mudanças de cor como a que surge no vídeo são causadas pelos cromatóforos do polvo – células pigmentares que se expandem ou se contraem para alterar as cores e os padrões do corpo do animal. Os especialistas acreditam que estão envolvidas no processo duas outras células – iridóforos e leucóforos – que detectam as cores que a pele do animal combina.

“Os processos exatos de como os polvos combinam as cores ainda não são totalmente conhecidos, apesar se estarem muito bem estudados. No entanto, pesquisas recentes sugerem que as próprias células são capazes de combinar as cores“, disse Sara Stevens, do Butterfly Pavilion, ao Live Science.

Estes animais activam os seus “super poderes” de camuflagem em resposta a mudanças nas condições que os rodeia. Será que a alteração da coloração deste polvo significa que estava a sonhar com uma ameaça?

mentalblock / Flickr
Octopus hummelincki

Apesar de o estudo sobre o sono e o sonho dos cefalópodes estar a crescer ao longo dos anos, ainda não há evidências suficientes para dizer, com certeza, se estes animais sonham da mesma forma que os seres humanos.

“Tem sido levantada a hipótese de que as espécies de polvo podem exibir algo muito semelhantes aos ciclos de R.E.M. em humanos – mas ainda não se sabe se estes animais atingem o sono R.E.M.”, afirmou Stevens. O sono R.E.M., ou Rapid Eye Movement (“movimento rápido dos olhos”), é a fase do sono na qual ocorrem os sonhos mais vividos.

Ao contrário dos seres humanos, os polvos não têm um cérebro centralizado. Em vez disso, têm múltiplos “cérebros” distribuídos pelos seus membros. Este sistema nervoso incomum dá a estes animais o controlo preciso sobre as suas células que mudam de cor. Contudo, essa habilidade pode não estar sob o controlo dos polvos o tempo todo.

Todavia, “não há respostas definitivas para as perguntas: os polvos sonham? E com o quê?”, conclui a cientista.

ZAP //

Por ZAP
21 Março, 2019

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1222: O maior berçário de polvos do mundo foi descoberto no fundo do Pacífico

CIÊNCIA

Photograph by Alex Postigo,

Uma equipa de cientistas marinhos encontrou o maior “berçário” de polvos do mundo no fundo do Oceano Pacífico, perto da costa de Monterey, no estado norte-americano da Califórnia. 

A descoberta, levada a cabo por uma expedição científica do projecto EVNautilus, detectou o maior viveiro de polvos já encontrado nas fendas de um vulcão submarino extinto, contabilizando mais de mil espécimes.

Esta impressionante concentração de polvos (Muusoctopus robustus) foi encontrada numa área rochosa e inexplorada, localizada a cerca de 3 mil metros de profundidade. A maioria das fêmeas da colónia tinham as suas extremidades invertidas, debruçando-se sobre os seus ovos de forma a protegê-los.

De acordo com os média locais, esta é a segunda vez que uma aglomeração deste tipo é descoberta. O primeiro “berçário” foi descoberto na Costa Rica no entanto, a sua dimensão era mais pequena do que o agora encontrado na Califórnia.

Nunca descobrimos algo assim na costa oeste dos Estados Unidos (…) nem nunca descobrimos no mundo algo com estes números”, disse o investigador Chad King.

Esta é uma descoberta sem precedentes. Os polvos são amplamente conhecidos como animais solitários, sendo raro encontrar tantos exemplares num só local – embora estudos recentes afirmem que estes animais não são tão solitários como imaginávamos.

“Descemos o flanco este da pequena colina e foi aí que, inesperadamente, começamos a ver algumas dúzias de polvos aqui, dúzias de polvos ali, dúzias de dúzias, dezenas em toda a parte“, acrescentou King em declarações à National Geographic.

O especialista explicou que a descoberta sugere que existem potenciais “habitats essenciais” para diferentes espécies e, por isso, é necessário proteger a área.

Além disso, notaram os cientistas, a água parecia brilhar em vários lugares onde os polvos se concentravam, como uma espécie de “oásis ou uma onda de calor”.

Os especialistas acreditam que pode estar a sair água quente do afloramento rochoso, fazendo com que os polvos escolham resguardar-se nesses pontos, de forma a utilizar o calor para ajudar na incubação do seus ovos.

“Parecia, definitivamente, que os polvos queriam estar lá“, rematou King.

ZAP // RT / ScienceAlert

Por ZAP
31 Outubro, 2018

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1054: Em nome da ciência, polvos tomaram ecstasy (e houve muito amor à mistura)

CIÊNCIA

ken-ichi / Flickr
Octopus bimaculoides

O que é que acontece quando um polvo consome drogas, mais concretamente ecstasy? Cientistas norte-americanos tiveram a oportunidade de realizar essa experiência.

De acordo com o Science Alert, a equipa de investigadores deu MDMA, substância psicotrópica também conhecida por ecstasy, a vários polvos solitários, e basicamente começou a observar como estes cefalópodes se agarravam uns aos outros.

À primeira vista, esta investigação parece algo estranha mas, na verdade, conseguiu alguns resultados importantes, demonstrando uma ligação evolutiva entre humanos e estes animais na forma como a serotonina codifica o comportamento social.

“Apesar das diferenças anatómicas entre o polvo e o cérebro humano, conseguimos mostrar que existem semelhanças moleculares no gene transportador da serotonina”, afirma a neuro cientista Gül Dölen, da Universidade Johns Hopkins, nos EUA. “Estas semelhanças moleculares são suficientes para permitir que o MDMA induza comportamentos pró-sociais nestes animais”, acrescenta a investigadora.

Segundo o mesmo site, mais de 500 milhões de anos separam os polvos dos humanos, isto é, quando os dois últimos tiveram um ancestral comum. Mas depois de o genoma do polvo de dois pontos da Califórnia (Octopus bimaculoides) ter sido sequenciado e publicado, os cientistas suspeitaram que os cérebros das duas espécies podem funcionar da mesma forma – de uma maneira específica.

Dölen e o biólogo evolucionista e marinho Eric Edsinger, do Laboratório de Biologia Marinha, descobriram uma semelhança genética entre humanos e polvos. O estudo foi publicado, esta quinta-feira, na revista científica Current Biology.

Em causa está o transportador que liga a serotonina, idêntico entre humanos e o “bimac”, como também é conhecida esta espécie de polvo. A serotonina desempenha um papel na regulação do humor, sentimentos de felicidade e bem-estar, assim como depressão – e a sua actividade é aumentada graças ao MDMA.

O ecstasy é conhecido por ser uma droga “feliz”, que aumenta os sentimentos de euforia, empatia e vontade de se relacionar com os outros. E isto não foi só observado em humanos – ratos também tiveram a mesma reacção quando estiveram expostos a esta substância.

A diferença é que humanos e ratos costumam ser animais sociais, ao contrário dos polvos, como o O. bimaculoides, que são conhecidos por serem solitários, preferindo a sua própria companhia à dos seus companheiros.

Acontece que podem ser um pouco mais sociais do que pensávamos, especialmente com um pouco de ajuda neuro-química. Para isso, os investigadores norte-americanos fizeram duas experiências.

(dr) Edsinger & Dolen / Current Biology

Na primeira, cinco polvos macho e cinco polvos fêmea foram colocados em câmaras. De um lado, visível através de uma parede clara com um buraco, para que o polvo pudesse entrar, estava um boneco de plástico. Do outro lado, novamente separado por uma parede com um buraco, estava outro polvo, numa gaiola.

Sem estarem drogados, todos os polvos, machos e fêmeas, estavam interessados em socializar com polvos femininos, mas não com os machos. Ou seja, não revelaram ser super-sociais, mas eram mais sociais do que se pensava anteriormente.

Com o MDMA, quatro polvos macho e quatro polvos fêmea estiveram expostos a esta substância, antes de serem colocados na mesma câmara durante 30 minutos. Desta vez, todos passaram mais tempo com outros polvos, incluindo os machos (e houve imenso contacto físico).

“Não é apenas uma questão de ter mais tempo, é qualitativo. Os polvos tenderam a abraçar a jaula e colocar a sua boca na gaiola”, explica Dölen. “Isto é muito semelhante ao modo como os humanos reagem com o MDMA: tocam-se com frequência“.

Esta pesquisa não só nos explica melhor a evolução da sinalização serotoninérgica na regulação de comportamentos sociais, é também uma descoberta que poderia ajudar a estudar e a desenvolver drogas psiquiátricas, particularmente antidepressivos inibidores selectivos de recaptação de serotonina (SSRI na sigla em inglês).

Mas primeiro, os resultados precisam de reconfirmados com novas pesquisas. Entretanto, os investigadores estão a sequenciar os genomas de duas outras espécies de polvos, que são diferentes do O. bimaculoides, na esperança de lançar mais luzes sobre como os seus comportamentos sociais evoluíram.

ZAP //

Por ZAP
21 Setembro, 2018

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641: Biólogos encontraram uma nova cidade submarina de polvos

No final do ano passado, um grupo de cientistas descobriu uma pequena cidade de polvos – chamada de Octlantis. A descoberta sugere que talvez os membros das sombrias espécies de polvos (Octopus tetricus) não sejam criaturas tão isoladas e solitárias como pensávamos. 

Octlantis tem cavernas feitas com pilhas de areia e conchas e abriga até 15 cefalópodes, de acordo com os biólogos marinhos. Os investigadores gravaram 10 horas de vídeo do local, que se localiza entre 10 a 15 metros de profundidade e mede 18 por 4 metros.

Nas gravações feitas, a equipa de investigação internacional observou os polvos a reunirem, a conviver, a comunicar uns com os outros, a perseguir os povos indesejados, chegando mesmo a expulsarem-se uns aos outros das tocas – ao que parece, Octlantis pode ser um lugar difícil para viver.

“Estes comportamentos são produto da selecção natural e podem ser notavelmente semelhantes ao complexo social dos vertebrados”, disse David Scheel, da Universidade do Pacífico do Alasca.

“Isto sugere que quando as condições certas estão reunidas, a evolução pode produzir resultados muito semelhantes em diversos grupos de organismos”, explicou.

A nova cidade de polvos encontrada fica em Jervis Bay, no litoral do leste da Austrália, e está localizada perto de um outro local semelhante, descoberto em 2009, chamado de Octopolis – onde os cientistas viram uma espécie de Fight Club em versão polvo.

Para aumentar a sensação de ilegalidade, os investigadores também descobriram conchas de presas comidas espalhadas pela cidade, sendo, às vezes, utilizadas para construir as cavernas.

Ambas as cidades descobertas sugerem que os polvos Octopus tetricus não são exactamente tão solitários como sempre foram retratados, mas o que ainda não se sabe é se estas pequenas cidades-polvo são particularmente comuns ou como começaram exactamente.

A cidade de Octopolis parece estar centrada num objecto não identificado, com cerca de 30 centímetros de comprimento, feito pelo Homem, mas não há nenhum objecto óbvio comparável na cidade de Octlantis, onde as criaturas parecem ter-se instalado.

Em vez disso, a comunidade pode ter sido projectada em torno de pedras que atraíram os animais para a área, segundo os cientistas.

“Em ambos os locais, existiam características que acreditamos que podem ter tornado a congregação possível – ou seja, vários afloramentos rochosos do fundo do mar pontilharam uma área plana e sem traços característicos”, disse Stephanie Chanceler, uma das cientistas da equipa, da Universidade de Illinois.

David Scheel / Current Biology
Octlantis pode ser um lugar difícil para viver

Normalmente, os polvos apenas se reúnem para acasalar antes de seguirem caminhos separados novamente. Os investigadores acreditam que mais pesquisas precisam de ser realizadas para perceber por que motivo os polvos se querem relacionar em locais como Octlantis.

Há abundância de comida nos dois locais, mas estas zonas são também atractivas para os predadores e, de acordo com as observações realizadas até agora, a Octlantis parece ser um lugar bastante violento e agressivo.

Uma das hipóteses aponta que este tipo de assentamentos de polvos sempre existiu, mas só agora estamos dotados de tecnologia e ferramentas necessárias para poder monitorizá-los.

“Ainda não sabemos muito sobre o comportamento do polvo“, disse Chancellor. “Serão necessárias mais pesquisas para determinar o que estas acções podem significar”, concluiu.

O estudo foi publicado na revista Marine and Freshwater Behaviour and Physiology no dia 1 de Setembro de 2017.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
12 Junho, 2018

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553: Polvos são extraterrestres que vieram para a Terra em ovos crio-preservados

Os polvos são criaturas tão misteriosas e extraordinárias que só podem ter vindo do espaço. É a conclusão de uma pesquisa que refere que estes animais marinhos evoluíram noutro planeta, em ovos “crio-preservados”, antes de chegarem à Terra há milhões de anos.

Esta pesquisa, publicada no Progress in Biophysics and Molecular Biology, envolveu 33 cientistas, incluindo Chandra Wickramasinghe, conceituado astrónomo e director do Centro de Astrobiologia da Universidade de Buckingham, no Reino Unido, que é considerado um dos proponentes da chamada Nova Panspermia – esta teoria atribui a origem e a evolução da vida a “esporos” lançados no espaço e disseminados pela Terra e por todo o Universo.

Contando com investigadores que vão das áreas da Biologia e Bioquímica, até à Astronomia e às Ciências Matemáticas, a investigação conclui que a evolução do polvo foi tão rápida que só pode ter tido origem num ambiente extraterrestre.

A pesquisa tenta explicar se o súbito aparecimento de formas de vida complexas na Terra durante a chamada Explosão Cambriana ou Explosão Câmbrica, há cerca de 530 milhões de anos, foi um evento “terrestre ou cósmico”. E a conclusão é de que tudo teve origem no espaço, graças ao bombardeamento de “nuvens de moléculas orgânicas”.

Os polvos são apontados como um exemplo desse processo, dada o seu súbito aparecimento na Terra, há cerca de 270 milhões de anos.

Os autores do estudo reparam que “o genoma do polvo demonstra um nível impressionante de complexidade, com mais 33.000 genes codificadores de proteínas do que os que estão presentes no Homo sapiens“.

Destacando o seu “cérebro grande e o sistema nervoso sofisticado, os olhos tipo câmara, o corpo flexível, a camuflagem instantânea”, os cientistas notam que estas características apareceram “de repente no cenário evolutivo” e que não se encontra um caso similar “em nenhuma outra forma de vida pré-existente”.

Assim, a “explicação plausível” é que “são, provavelmente, importações extraterrestres para a Terra”, fruto de “genes funcionais dentro de ovos de polvo fertilizados e crio-preservados”, aponta-se no estudo.

Os polvos são considerados os mais inteligentes animais não-vertebrados e já vinham sendo apontados como uma espécie de seres “extraterrestres”, dadas as suas características extraordinárias.

O cinema está repleto de filmes de ficção científica com polvos vindos do espaço, e muitos especialistas em fenómenos extraterrestres não duvidam que são formas de vida alienígena.

Em 2015, investigadores da Universidade de Chicago, nos EUA, conseguiram sequenciar o ADN do polvo, concluindo que não há outro animal igual no planeta e atestando as suas sofisticadas capacidades cognitivas. Características que levaram um dos autores do estudo, o neuro-biólogo Clifton Ragsdale, a salientar, num tom bem humorado, que se tratava do “primeiro genoma sequencial de algo como um extraterrestre”.

SV, ZAP //

Por SV
17 Maio, 2018

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