2763: Micro-plásticos detestados pela primeira vez em pinguins da Antárctida

CIÊNCIA

slobirdr / Flickr

A poluição por micro-plásticos já chegou à Antárctida, de acordo com um estudo da Universidade de Coimbra (UC) publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature.

Uma equipa de investigadores do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC) “encontrou, pela primeira vez, micro-plásticos em pinguins da Antárctida, confirmando que este tipo de poluição já entrou na cadeia alimentar marinha”, foi hoje anunciado.

“Ao analisarem a dieta de pinguins ‘gentoo Pygocelis papua’ em duas regiões da Antárctida, os investigadores observaram que 20% das 80 amostras de fezes das aves continham micro-plásticos”, afirma a FCTUC numa nota enviada hoje à agência Lusa.

As partículas de plástico, com comprimento inferior a cinco milímetros, têm “diversas tipologias, formas e cores, o que indica uma grande variedade de possíveis fontes destes micro-plásticos”, acrescenta.

“A poluição marinha por plásticos é reconhecidamente uma ameaça aos oceanos em todo o mundo, mas só recentemente tem havido um aumento do esforço científico sobre micro-plásticos”, sublinha a FCTUC.

“Em zonas mais remotas do planeta, como a Antárctida, esperava-se que a presença de micro-plásticos fosse muito reduzida, embora estudos recentes já tenham encontrado micro-plásticos em sedimentos e nas águas do Oceano Antárctico”, destaca a Faculdade.

Para Filipa Bessa, autora principal do artigo, “é alarmante que micro-plásticos já tenham chegado à Antárctida”. Este estudo é “o primeiro a registar micro-plásticos em pinguins e na cadeia alimentar marinha Antárctica”, refere a investigadora, citada pela FCTUC.

“A variedade de micro-plásticos encontrados nos pinguins poderá indicar diferentes fontes de poluição, indiciando uma difícil solução para este problema”, sublinha ainda Filipa Bessa.

José Xavier, autor sénior do artigo, afirma, por seu lado, que “este estudo vem na altura certa, pois os micro-plásticos podem causar efeitos tóxicos nos animais marinhos e nada se sabe sobre o que eles poderão provocar nos animais da região Antárctica”.

Por isso, conclui o docente do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC, “esta descoberta é de muita importância para desenvolver novas medidas para reduzir a poluição na Antárctida, particularmente relacionada com plásticos, podendo servir de exemplo para outras regiões do mundo”.

ZAP // Lusa

Por Lusa
3 Outubro, 2019

 

2450: Poluição pode ser tão grave para pulmões como um maço de tabaco por dia

CIÊNCIA

(CC0/PD) Foto-Rabe / pixabay

A poluição atmosférica, especialmente pelo ozono, que está a aumentar devido às alterações climáticas, pode acelerar doenças pulmonares tanto quanto fumar um maço de cigarros por dia, indica um estudo esta quarta-feira divulgado.

O novo estudo, feito pelas universidades norte americanas de Washington, Colúmbia e Buffalo, foi publicado na revista científica da Associação Médica Americana (JAMA-The Journal of the American Medical Association), num artigo que adverte que a poluição do ar acelera a progressão do enfisema pulmonar.

Ainda que estudos anteriores tenham mostrado uma ligação clara entre os poluentes no ar e algumas doenças pulmonares e cardíacas, o novo estudo demonstra a associação entre uma exposição prolongada aos principais poluentes atmosféricos, especialmente o ozono, e o aumento do enfisema. O enfisema pulmonar é a destruição do tecido pulmonar, que causa tosse e falta de ar e leva à redução do oxigénio no sangue, o que dificulta a respiração e aumenta o risco de morte.

“Ficámos surpreendidos ao ver nos exames aos pulmões como foi forte o impacto da poluição atmosférica na progressão do enfisema, ao mesmo nível dos efeitos do tabagismo, o qual é de longe a causa mais conhecida de enfisema”, disse um dos principais autores do estudo, Joel Kaufman, professor de Ciências Ambientais e Saúde Ocupacional da Universidade de Washington.

A investigação concluiu que se o nível do ozono no ambiente aumentar muito em relação ao que se passava há uma década tal tem efeitos no enfisema idênticos a fumar um maço de cigarros por dia. Os resultados do estudo são baseados numa extensa investigação, de 18 anos, envolvendo mais de 7.000 pessoas e um exame detalhado da poluição do ar entre 2000 e 2018 em seis regiões metropolitanas dos Estados Unidos.

A subida das temperaturas devido às alterações climáticas leva também ao aumento do ozono ao nível do solo, um problema cuja solução é reduzir as emissões poluentes.

ZAP // Lusa

Por Lusa
15 Agosto, 2019

 

2449: Está a chover plástico nos Estados Unidos: fibras microscópicas caem do céu

Os avisos não são de agora e não é novidade que o planeta está cada vez mais poluído pelo plástico. Há plástico por todos o lado, é nas águas que bebemos, no sal que ingerimos, nas correntes dos oceanos, nos picos gelados montanhosos, no interior dos glaciares e agora já chovem resíduos de plástico. Literalmente, está a chover plástico nos Estados Unidos.

Embora os cientistas estudem a poluição plástica há mais de uma década, ainda não se sabe os efeitos na saúde.

A água, os alimentos e até o ar está contaminado com micro-plásticos

A descoberta levanta novas questões sobre a quantidade de resíduos plásticos que permeiam o ar, a água e o solo em praticamente todo o mundo. Conforme podemos ler no The Guardian, o plástico era a coisa mais distante da mente do investigador do US Geological Survey, Gregory Wetherbee. Este ficou surpreso ao detectar fibras plásticas microscópicas multicoloridas de plástico nas amostras de água da chuva recolhidas nas Montanhas.

A descoberta, publicada num estudo recente intitulado “Está a chover plástico”, levanta novas questões sobre a quantidade de resíduos plásticos que existem no ar, na água e no solo em praticamente todos os lugares da Terra.

Penso que o resultado mais importante que nós podemos partilhar com o público americano é que há mais plástico lá fora do que o que se encontra à nossa vista. É na chuva, é na neve. Agora faz parte do nosso ambiente.

Referiu Wetherbee.

Plástico pode viajar com o vento ao longo de milhares de quilómetros

As amostras de água da chuva recolhidas em todo o Estado do Colorado e analisadas sob um microscópio, continham um arco-íris de fibras plásticas. Além disso, existiam também grãos e fragmentos. As descobertas chocaram Wetherbee, que estava a recolher as amostras para estudar a poluição por nitrogénio.

Conforme o investigador referiu, os resultados que recolheu são puramente acidentais. Contudo, estes dados são consistentes com outro estudo recente que encontrou micro-plásticos nos Pirenéus. Assim, tais coincidências sugerem que as partículas de plástico podem viajar no vento por centenas, se não milhares, de quilómetros.

Está a chover plástico nos Estados Unidos

De maneira idêntica, existem estudos que revelaram micro-plásticos nos pontos mais profundos do oceano. Além desses, também foram detectados micro-plásticos em lagos e rios do Reino Unido e nas águas subterrâneas dos Estados Unidos.

Um dos principais contribuintes é o lixo, disse Sherri Mason, investigadora de micro-plásticos e coordenadora de sustentabilidade da Penn State Behrend. Mais de 90% dos resíduos de plástico não são reciclados e, à medida que se degradam lentamente, são decompostos em pedaços cada vez menores.

As fibras plásticas também se partem do nosso vestuário sempre o que o lavamos.

Explicou a investigadora. Na verdade, as partículas de plástico são subprodutos de uma variedade de processos industriais.

Perdemos o controlo, o plástico conquistou o planeta

Segundo as palavras de Mason, é impossível perseguir as pequenas peças até às suas fontes. Isto porque actualmente quase tudo o que é feito de plástico pode estar a lançar partículas na atmosfera.

E então estas partículas são incorporadas em gotículas de água quando chove.

Sintetizou a investigadora.

Posteriormente, a chuva leva esses plásticos para os rios, lagos, baías e oceanos. De seguida, tudo isto é passado para as fontes de água subterrânea, aquelas que também consumimos.

Animais e humanos consomem micro-plásticos via água e comida, e provavelmente respiramos partículas micro e nano-plásticas no ar. Contudo, os cientistas ainda não conseguiram apurar os efeitos que isso tem na nossa saúde. Os micro-plásticos também podem atrair e anexar metais pesados ​​como o mercúrio e outros químicos perigosos, além de bactérias tóxicas.

Como estamos todos expostos a centenas de substâncias químicas sintéticas assim que nascemos, é difícil dizer quanto tempo mais viveríamos se não fôssemos expostos.

pplware
Imagem: 3BLmedia
Fonte: The Guardian

 

2114: Há 2.000 anos, o clima na Europa mudou (e a culpa foi dos Romanos)

CIÊNCIA

A actividade humana está a mexer com o clima, causando um aumento da temperatura, do nível das águas do mar e tornando clima extremo ainda mais extremo.

Mas não é de agora. Os Romanos já estavam a mudar o clima milhares de anos antes de nós. Um artigo publicado recentemente na revista Climate of the Past, uma revista interactiva da União Europeia de Geociência, observa as mudanças de temperatura provocadas pela actividade humana durante o Império Romano.

Para o estudo, uma equipa internacional de cientistas usou estudos existentes sobre o uso da terra sob os antigos romanos para estimar o nível de poluição do ar emitido durante o Império. Então, com um modelo climático global habilitado para aerossol, tentou quantificar os efeitos que os humanos tiveram no ambiente local.

Os cientistas descobriram que, embora a desflorestação e várias mudanças no uso da terra tivessem um efeito de aquecimento de 0,15°C, isso foi compensado por um efeito de arrefecimento causado pela dispersão das emissões de aerossóis da queima da agricultura. O resultado foi uma queda geral na temperatura de 0,17°C, 0,23°C ou 0,46ºC (dependendo do cenário de baixa, intermediária ou alta emissão, respectivamente).

No entanto, esse efeito de arrefecimento não terá sido universal. Os resultados do modelo sugerem que as áreas da Europa Central e Oriental sofreram o arrefecimento mais extremo, enquanto partes do norte da África e do Médio Oriente teriam experimentado aquecimento.

Apesar de os cientistas estudarem o efeito do Império Romano no clima da Europa nas últimas duas décadas, esta é aparentemente a primeira peça de estudo a considerar o efeito contrário das emissões de aerossol, disse Joy Singarayer, da Universidade de Reading, no Reino Unido, ao New Scientist. “A novidade aqui está no seu pensamento sobre qual seria a contribuição do aerossol, o que parece ser bastante considerável”, disse.

Em contraste com a mudança climática actual, é improvável que esse arrefecimento tenha sido suficientemente significativo para ter um grande efeito na vida quotidiana na Europa romana. Particularmente, dado o período quente romano – um período de aquecimento natural – que ocorreu entre 250 a.C a 400 d.C.

Mas a queima da agricultura pode ter afectado o clima de outras formas, disse Anina Gilgen, do ETH de Zurique, na Suíça. Por exemplo, pelo aumento da poluição do ar em cidades próximas, mudanças nos padrões de precipitação e, consequentemente, disponibilidade de água.

Embora possa ser difícil avaliar com precisão os eventos climáticos passados, o artigo conclui que é provável que a influência humana na terra e na atmosfera tenha afectado o clima de escala continental durante a Antiguidade Clássica.

ZAP //

Por ZAP
5 Junho, 2019



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2033: CFC. O inimigo da camada de ozono voltou e é chinês

CIÊNCIA

No ano passado uma equipa de cientistas descobriu que a taxa de diminuição de CFC na atmosfera estava a desacelerar. Agora outra equipa detectou a origem do gás proibido.

Buraco do ozono na Antárctida em 2002.
© XSP

Uma equipa de cientistas descobriu a origem do até agora misterioso aumento do CFC-11, um químico que destrói a camada de ozono e cuja produção devia ter sido eliminada em 2010. Num estudo publicado na Nature, os seis cientistas apontam o dedo à produção daquele gás em duas províncias chinesas.

Em 2018 outra equipa de cientistas dera conta de uma grande desaceleração na taxa de diminuição ao longo dos últimos seis anos do CFC-11. Também conhecido como triclorofluorometano, é um dos vários produtos químicos de clorofluorocarboneto (CFC) que foram inicialmente desenvolvidos como refrigerantes durante a década de 1930.

Décadas depois os cientistas descobriram que quando os CFC se decompõem na atmosfera libertam átomos de cloro que são capazes de destruir rapidamente a camada de ozono que nos protege da luz ultravioleta. Um buraco na camada de ozono sobre a Antárctida foi descoberto em meados da década de 1980.

A comunidade internacional aprovou o Protocolo de Montreal em 1987 – ratificado pela China -, que proibiu a maior parte dos produtos químicos perigosos. Investigações recentes previam que o buraco no hemisfério norte poderia ser totalmente reparado até 2030 e na Antárctida até 2060.

No entanto, a nova fonte de poluição pode pôr em causa essas metas. Desde 2013 foram emitidas anualmente pelo leste da China cerca de 7 mil toneladas métricas a mais do que entre 2008 e 2012. Esse aumento, originado principalmente das províncias chinesas de Shandong e Hebei, corresponde pelo menos por 40 a 60% do aumento global anunciado no ano passado.

Estes dados foram obtidos através de medições das estações de monitorização do ar na Coreia do Sul e no Japão.

A ONG Environmental Investigation Agency já tinha dado pistas nesse sentido. Descobriram que o químico ilegal foi usado na maioria do isolamento de poliuretano produzido pelas empresas que contrataram. Um vendedor de CFC-11 estimou que 70% das vendas na China utilizavam o gás ilegal porque o CFC-11 é de melhor qualidade e muito mais barato do que as alternativas.

Diário de Notícias
23 Maio 2019 — 00:33

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2023: Cachalote encontrada morta em praia italiana. Tinha quilos de plástico no estômago

DESTAQUE

(dr) Greenpeace Italia

Uma cachalote com cerca de sete anos foi encontrada morta com o estômago cheio de plástico numa praia em Cefalù, destino turístico na Sicília, em Itália.

O anúncio foi feito pela Greenpeace italiana, na sexta-feira, na sua página de Facebook. A organização colocou várias fotos da carcaça do animal na praia e mostrou o plástico que foi recolhido do seu estômago. “Como podem ver pelas fotos que estamos a partilhar, encontrámos muito plástico no estômago do cachalote”, disse Giorgia Monti, da Greenpeace, em comunicado. “Não sabemos se o animal morreu por causa do plástico, mas também não podemos simplesmente fingir que nada aconteceu”, continuou.

No sábado, dez peritos fizeram a autópsia da jovem fêmea de cachalote “que ainda nem tinha dentes” directamente na praia. Carmelo Isgro, da Universidade de Messina, partilhou várias imagens no Facebook, que mostram o procedimento. “São imagens fortes, mas quero que todos vejam e percebam o que estamos a fazer ao nosso mar e aos seus animais”, explicou.

Isgro publicou um vídeo onde é possível ver o momento em que os peritos abrem o estômago da fêmea e retiram do seu interior vários sacos de plástico. Num outro vídeo, Isgro retira um dos sacos e coloca-o num caixote do lixo. “Impressionante, isto é inacreditável”, disse, afirmando que foram retirados do interior do animal “vários quilogramas de plástico”.

“Muito provavelmente, o plástico criou um bloqueio que impediu a passagem de comida. Esta é muito provavelmente a causa de morte. Não encontrámos sinais que nos dessem qualquer outra razão para a morte”, explicou o perito da Universidade de Messina.

Giorgia Monti revelou ainda que, nos últimos cinco meses, cinco cachalotes deram à costa mortos em praias italianas. Em Abril, uma fêmea de cachalote grávida foi encontrada em Sardinia com 22 quilos de plástico no estômago. “O mar está a enviar-nos um alarme, um SOS de desespero. Temos de intervir imediatamente para salvar as fantásticas criaturas que vivem no mar”, apelou Monti.

A Greenpeace de Itália está a cooperar com o Blue Dream Project para investigar, controlar e alertar para a poluição de plástico no oceano. Durante as próximas três semanas, as duas organizações vão controlar o nível de plástico na costa italiana. A expedição termina na Toscânia a 8 de Junho, Dia Mundial dos Oceanos.

Já esta terça-feira, investigadores da Universidade de Pádua vão apresentar em conferência de imprensa um relatório sobre as dificuldades dos cetáceos nas águas de Itália. O principal destaque do documento irá para cachalotes e poluição de plástico.

Os cachalotes vivem habitualmente 70 a 80 anos. Pesam entre 35 a 45 toneladas e podem chegar aos 18 metros de comprimento. Segundo a National Geographic, comem uma tonelada de peixe e lulas por dia e têm um cérebro maior do que qualquer criatura que já viveu na Terra.

ZAP //

Por ZAP
21 Maio, 2019


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2008: Uma das ilhas mais remotas do mundo está a afogar-se num mar de plástico

CIÊNCIA

Stéphane Enten / Flickr

Localizada a mais de dois mil quilómetros da costa noroeste da Austrália, a ilha dos Cocos pode não ter muita população, mas lidera em termos de acumulação de plástico.

De acordo com um estudo publicado na revista Scientific Reports, as praias remotas encontradas nas ilhas do Oceano Índico estão repletas com cerca de 414 milhões de resíduos de plástico com cerca de 238 toneladas – incluindo quase um milhão de sapatos e 373 mil escovas de dentes.

“Ilhas como estas são como canários numa mina de carvão e é cada vez mais urgente que ajamos em relação aos alertas que nos estão a dar”, disse a autora do estudo, Jennifer Lavers, em comunicado. “A poluição plástica é agora omnipresente nos nossos oceanos e as ilhas remotas são o lugar ideal para obter uma visão objectiva do volume de detritos plásticos que circulam pelo globo”.

De acordo com o IFL Science, Jennifer Lavers esteve nas manchetes dos jornais quando revelou que a Ilha Henderson, uma das mais remotas ilhas do Oceano Pacífico, estava envolvida em lixo plástico. Praticamente intocada pelos humanos, o atol do Património Mundial da UNESCO tem a maior densidade de plástico do que qualquer lugar da Terra.

“A nossa estimativa de 414 milhões de peças com um peso de 238 toneladas na Ilha dos Cocos é conservadora, já que apenas amostramos uma profundidade de dez centímetros e não pudemos aceder algumas praias conhecidas como locais de destroços“, disse Lavers, acrescentando que ilhas remotas sem grandes populações humanas para depositar lixo destacam a extensão da circulação de plástico nos oceanos do planeta.

Aproximadamente um quarto de todos os plásticos estudados ​​eram itens de uso único. Já 93% dos detritos estavam enterrados até dez centímetros abaixo da superfície do solo.

ZAP //

Por ZAP
18 Maio, 2019



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1967: Há um peixe que se adapta a níveis letais de poluição da água

CIÊNCIA

Noel Burkhead / Wikimedia
Fundulus grandis

O killifish do Golfo (Fundulus grandis) estava condenado à extinção devido à poluição causada pela actividade humana, mas foi capaz de desenvolver a capacidade de permanecer nas águas contaminadas.

Os níveis letais de poluição do seu território colocaram a sobrevivência do killifish do Golfo (Fundulus grandis) sob ameaça. Mas há alguns males que vêm por bem: a população de peixes evoluiu de forma a conseguir permanecer nas águas sujas do Houston Ship Channel, no Texas, graças aos genes que adquiriu do seu parente, o killifish do Atlântico. Uma história feliz de adaptação e hibridação.

O killifish do Golfo mede apenas 18 centímetros, mas é um dos maiores peixes da sua espécie. Este peixe pode ser encontrado em estuários costeiros ao longo do norte do Golfo do México e da costa do Atlântico, onde serve de refeição favorita a trutas ou linguados.

Podemos também encontrá-lo no Houston Ship Channel, nas águas que permanecem altamente poluídas há mais de seis décadas, devido à actividade industrial da região. Neste habitat, o killifish do Golfo serve como uma espécie de intermediário, uma vez que fornece a rota para a poluição entrar na cadeia alimentar humana.

Uma equipa de cientistas da Baylor University, no Texas, quis descobrir como é que esta espécie se adapta à mudança ambiental rápida e extrema que se tem verificado ao longo do tempo.

Para isso, os cientistas examinaram o killifish do Golfo de 12 locais diferentes do Houston Ship Channel e de Galveston Bay (outro estuário também localizado no Texas), e cultivaram a mesma espécie nas instalações de aqui-cultura da universidade para testarem a sua resistência e tolerância à poluição.

Para isso, explica o IFL Science, os embriões de cada população foram expostos a poluentes-modelo que imitam os produtos químicos encontrados no Houston Ship Channel.

A equipa descobriu que os espécimes recolhidos dos estuários apresentavam os níveis mais altos de resistência à poluição e, ao sequenciar os genomas, descobriram que aqueles que melhor se adaptavam a este ambiente poluído apresentavam uma grande quantidade de variedade genética.

Elias Oziolor, um dos autores do estudo, esclareceu em comunicado que os “imensos tamanhos populacionais de killifish do Golfo permitem que esta espécie retenha a grande quantidade de variação genética. Mas “sob a pressão radical da poluição, a solução final não foi a sua própria variação genética, mas a variação que tiveram a sorte de capturar das suas espécies irmãs, o killifish do Atlântico, através da hibridação.”

Contudo, apesar de ser animador ver que a adaptação a ambientes em mudança ocorre a uma velocidade tão rápida, os cientistas alertam para o facto de esta não ser uma solução que resolve o imenso problema da degradação ambiental causada pelo Homem. O artigo científico foi recentemente publicado na Science.

ZAP //

Por ZAP
12 Maio, 2019


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1740: Poluição do ar estará a causar o dobro das mortes estimadas em Portugal

UNIÃO EUROPEIA

Friends of the Earth Scotland / Flickr

Investigadores estimam que, em Portugal e durante 2015, a poluição do ar tenha causado 15 mil mortes, ou seja, 138 mortes por cada 100 mil habitantes. Problemas cardiovasculares provocam quase um terço dos óbitos, mas os cardiologistas alertam que as pessoas não estão conscientes do problema.

De acordo com um artigo do Público, divulgado esta terça-feira, a poluição do ar pode ser responsável por mais mortes do que aquelas que a Agência Europeia do Ambiente (EEA, na sigla inglesa) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) estimavam.

Em Portugal, as estimativas dos cientistas apontam para cerca de 15 mil mortes provocadas pela inalação de partículas finas e outros poluentes, em 2015. As estimativas anteriores da EEA, divulgadas nesse ano, indicavam que seriam 6690.

A conclusão é de uma investigação, publicada a 12 de Março no European Heart Journal, e desenvolvida pelo Instituto Max Plank de Química e a Universidade Médica de Mainz (ambos na Alemanha). O trabalho, noticiava o Público na semana passada, mostrou que a mortalidade relacionada com a contaminação do ar na União Europeia (UE) — 659 mil pessoas — também corresponde ao dobro da estimada em estudos anteriores.

Tendo por base os resultados obtidos na investigação, o Público foi tentar esclarecer o que se terá passado em Portugal.

O número agora calculado para Portugal equivale a 138 mortes por cada 100 mil habitantes. Entre os países europeus, está no meio da tabela. É na Bulgária que o número de mortes é maior (210 por cada 100 mil habitantes). Na Islândia, o impacto da poluição do ar é menor: 43 mortes em cada 100 mil habitantes.

Clean Air @cleanairforall2

Death by #airPollution ; Cardiovascular disease burden from ambient air pollution in Europe reassessed using novel hazard ratio function; European Heart Journal, ehz135, https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehz135  ;Published:12 March 2019

Para chegar a estas estimativas, os investigadores utilizaram um modelo de dados que simula a forma como certos processos químicos atmosféricos interagem com a terra, os oceanos e a biosfera, bem como o impacto dos compostos químicos gerados por actividades humanas, como a indústria ou a agricultura.

Os números sobre o impacto da poluição na mortalidade são tão elevados que os investigadores estimam que a contaminação do ar cause mais mortes adicionais por ano do que o tabaco.

Ao Público, Thomas Munzel, da Universidade de Mainz, co-autor do estudo, explicou que a utilização de “uma base de dados mais sólida” e mais informação sobre as “doenças não-comunicáveis, como a diabetes ou a hipertensão”, são os factores responsáveis “pelas estimativas terem subido tanto”.

Na Europa, as mortes provocadas por doenças cardiovasculares associadas à poluição do ar representam uma proporção significativa do total (são cerca de 40%) – as restantes estão relacionadas com problemas respiratórios como doença pulmonar obstrutiva crónica, pneumonia ou cancro do pulmão e outras doenças não-comunicáveis.

Em Portugal, os problemas cardiovasculares, como ataques ou paragens cardíacas, representam 30% do total de mortes causadas pela poluição do ar. Já na Estónia, por exemplo, são 64%.

Partículas finas são o problema

Os peritos focaram-se sobretudo nos danos causados pelas chamadas partículas finas – que têm um diâmetro inferior a 2,5 micrómetros (mais de 20 vezes inferior à espessura de um cabelo) -, mas também incluem o dióxido de azoto e o ozono nas suas contas.

O responsável pela associação ambientalista Zero, Francisco Ferreira, descreve estas partículas como “um conjunto de substâncias muito diversificado”. São “nitratos, sulfatos, compostos orgânicos”.

Segundo o estudo, foi demonstrado que as partículas finas “levam ao aumento do stress oxidativo por meios surpreendentemente semelhantes” aos que resultam em disfunção vascular associada à diabetes e à hipertensão.

“Portanto, parece que a poluição do ar desencadeia ou agrava outras doenças não-comunicáveis que podem contribuir significativamente para as mortes relacionadas com doenças cardiovasculares”, argumentam os autores.

O cardiologista e secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), José Ferreira Santos​ explicou que existem “alguns estudos que mostram que as pessoas que são sujeitas a mais poluição, a uma maior concentração de partículas nocivas, têm maior risco de diabetes e hipertensão”.

Darren Flinders / Flickr

Por isso, admitiu, “talvez o gatilho que leve a um aumento da mortalidade seja um aumento também dos próprios factores de risco”. “Alguns estudos também mostram que há um aumento da disfunção do endotélio, há mais constrição das artérias, mais inflamação… Há aqui uma base de fisiopatologia que justifica o aumento desta mortalidade”.

É por tudo isto que, neste estudo, os próprios investigadores chamam a atenção para a necessidade de reduzir a concentração destas partículas no ar, indica o artigo do Público. Um primeiro passo será baixar o limite máximo permitido na UE, de 25 microgramas por metro cúbico (o actual) para 10 microgramas, o valor recomendado pela OMS.

Em 2017, Steven J. Davis, um investigador da Universidade da Califórnia, que também tem trabalhado na relação entre a inalação de partículas finas e a mortalidade, explicou ao Público que “há tecnologias avançadas para controlar a poluição do material particulado de 2,5 micrómetros vindo de centrais eléctricas, fábricas, camiões e carros”.

O problema, apontava na altura, é que “os custos disto tornam os bens mais caros e enfraquecem o crescimento económico nos países em desenvolvimento, o que leva à transferência da produção para outros países que têm menos restrições ambientais”.

Pelo menos em Portugal, a “tendência é para melhorar esse limite”, disse Francisco Ferreira. Mas nem tudo é controlável. “Além da poluição associada à actividade humana, estamos a ser influenciados por partículas que vêm do Sara“, indicou o especialista. Até agora, “pensava-se que a fracção de areia que vinha do deserto era mais grosseira (entre 2,5 e 10 micrómetros)”, mas as análises recentes têm mostrado uma quantidade “expressiva” destas partículas.

“Mas nem tudo é catastrófico”, indica o artigo do Público. Os autores do estudo também calcularam qual seria o impacto da redução das partículas finas no ar na redução da mortalidade associada a problemas cardiovasculares, respiratórios e outras doenças não-comunicáveis.

Caso sejam tomadas as medidas necessárias para que a temperatura da Terra não aumente mais do que dois graus Celsius (compromisso estabelecido no Acordo de Paris), o excesso de mortalidade causado pela poluição diminui 55%. Em Portugal, isso equivale a menos 3470 mortes.

A esperança média de vida na Europa também aumenta 1,2 anos. “A transição de combustíveis fósseis para fontes de energia limpa e renovável é uma intervenção altamente eficaz na promoção da saúde”, referem os autores.

A Alemanha, a Ucrânia, a Polónia e a Itália são os países onde mais vidas seriam poupadas caso esse tipo de medidas fossem adoptadas.

No entanto, se é óbvio para a maioria das pessoas que a inalação destes poluentes pode causar problemas respiratórios, não pode dizer-se o mesmo sobre o seu impacto a nível cardiovascular. É algo que “ainda não está na cabeça das pessoas nem dos médicos”, frisou o cardiologista José Ferreira Santos.

Omar Ramírez @xojrhx

Cardiovascular disease burden from ambient air pollution in Europe reassessed using novel hazard ratio functions: “the attributable excess mortality rate is about 8.79 million per year with an overall uncertainty of about ±50%… in Europe is 790.000” https://academic.oup.com/eurheartj/advance-article/doi/10.1093/eurheartj/ehz135/5372326?searchresult=1 

O presidente do Colégio de Cardiologia da Ordem dos Médicos, Miguel Mendes, é da opinião de que “as pessoas não estão alerta”. Também “não se pode ser alarmista, tem de se ser sensato”. Mas deve haver “consciência de que isto é um problema e que se as sociedades não se precaverem vai aumentar”.

Mesmo assim, lembra que “a mortalidade por doença cardiovascular tem vindo a diminuir” em Portugal.

O conselho deixado pelos dois médicos é o de evitar, tanto quanto possível, a exposição ao ar poluído. “Quem já​ tiver uma doença cardiovascular deve evitar andar exposto, ou fazer exercício físico vigoroso nos locais onde os níveis de poluição sejam mais elevados”, avisou José Ferreira Santos.

“Andar no meio de uma cidade, à hora de ponta, quando o trânsito é intenso, pode ser uma forma de precipitar um evento cardiovascular em alguém que tenha um coração fragilizado”, acrescentou.

O médico Miguel Mendes também lembrou que “há estudos que dizem que se anula completamente o benefício do exercício físico se o praticarmos no meio do trânsito”. “Temos de ter medidas nas cidades para medir e depois controlar a poluição”, defendeu.

TP, ZAP //

Por TP
19 Março, 2019

– E que tal referirem os chemtrails, a sua origem e a sua finalidade? Não interessa que os Povos saibam? Será que este vídeo que insiro de seguida é fake news? É uma teoria de conspiração? ABRAM OS OLHOS…!!!

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1727: Poluição do ar já mata mais pessoas do que fumar

CIÊNCIA & SAÚDE

(dr) Espen Rasmussen

O número de pessoas que morrem como resultado da poluição do ar pode exceder o número de mortes por fumar, sugere um novo estudo.

Investigadores alemães estimam que até 8,8 milhões de mortes por ano globalmente podem ser atribuídas à poluição do ar. Apenas na Europa, estima-se que haja mais de 790.000 mortes adicionais como resultado – o dobro da estimativa anterior, que não explica adequadamente as taxas adicionais de doença cardiovascular.

“Para colocar isto em perspectiva, isto significa que a poluição do ar causa mais mortes extras por ano do que o tabagismo, que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima ser responsável por mais 7,2 milhões de mortes em 2015“, disse Thomas Munzel, um dos os autores do Centro Médico da Universidade de Mainz, citado pelo The Independent. “Fumar é evitável, mas a poluição do ar não é”, acrescentou.

Partículas finas de carvão e óxidos de nitrogénio bombeados pelos automóveis, fábricas e centrais de energia podem formar um cocktail nocivo que aumenta significativamente as taxas de ataques cardíacos, derrames e ataques de asma graves.

As autoridades reguladoras estão a tentar acabar com os carros a diesel nas grandes cidades, já que são os principais produtores de partículas microscópicas “PM2.5”. Estes podem conter metais pesados e outros produtos químicos combustíveis que se alojam nos pulmões e entram na corrente sanguínea.

O estudo, publicado no European Heart Journal, usou simulações computacionais de substâncias químicas naturais e sintéticas interactivas combinadas com novas informações sobre densidade populacional, factores de risco de doenças e causas de morte.

Acredita-se que a poluição do ar tenha causado 64 mil mortes no Reino Unido em 2015, incluindo 17 mil casos fatais de doenças cardíacas e arteriais. Mais de 29 mil outras mortes britânicas ligadas à poluição do ar foram devidas a uma série de condições, como cancro, diabetes e doenças pulmonares crónicas.

Isto significou uma redução na expectativa de vida média de cerca de 1,5 anos no Reino Unido. Jos Lelieveld, do Instituto Max-Planck de Química em Mainz, disse: “O alto número de mortes extras causadas pela poluição do ar na Europa é explicado pela combinação de baixa qualidade do ar e densidade populacional, o que leva à exposição que está entre as mais altas do mundo”.

Na Alemanha, a poluição do ar foi responsável por mais de 124 mil mortes em 2015 e por 2.4 anos de expectativa de vida perdida. Estima-se que 81 mil pessoas tenham morrido devido à poluição do ar em Itália.

Já foi pedido à União Europeia que adopte limites de segurança mais rígidos para os PM2.5 estabelecidos pela OMS, já que os actuais níveis de poluição do ar na Europa são o dobro do nível de segurança estabelecido pelo órgão de saúde. “Muitos outros países, como o Canadá, os EUA e a Austrália, usam a directriz da OMS”, disse Munzel. “A UE está muito atrasada neste aspecto”.

ZAP //

Por ZAP
17 Março, 2019

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910: Poluição atmosférica reduz tempo de vida em mais de um ano

Estudo avaliou os dados da poluição do ar em 185 países e fez as contas aos riscos de doenças e de mortalidade. Há regiões em que os custos para as populações são quase dois anos de vida a menos

© Arquivo Global Imagens

A contabilidade está feita – e não é animadora. Na avaliação mais abrangente de sempre, que englobou 185 países e pôs em equação os dados da poluição atmosférica nas diferentes regiões do mundo e a esperança de vida das respectivas populações, um grupo internacional de investigadores chegou à conclusão de que as pessoas expostas à poluição atmosférica vêem reduzida a sua esperança de vida em mais de um ano – em algumas regiões aproxima-se dos dois. A nível global, a média é de um ano a menos.

A equipa, que foi liderada por Joshua Apte, da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, e incluiu também cientistas do Canadá e do Reino Unido, contabilizou a poluição por partículas finas inaláveis com dimensão inferior a 2,5 microns, as PM 2,5.

Estas partículas, que resultam das emissões do trânsito automóvel, das centrais de energia, dos incêndios e da utilização de lareiras para aquecimento, ou de instalações industriais sem equipamentos anti-poluição, introduzem-se os pulmões e contribuem para várias doenças e um maior risco de ataques cardíacos, doenças respiratórias e cardiovasculares, e cancro.

“O facto de a poluição atmosférica ser um importante factor de mortalidade a nível global é bem conhecido“, afirma o coordenador do estudo, Joshua Apte. “Mas com os nosso resultados”, sublinha, “conseguimos identificar de forma sistemática como ela encurta a vidas das pessoas em diferentes parte do mundo”. E o que descobriram é o seu efeito “é enorme, da ordem de um ano em média, a nível global”, explica.

Em países como a China ou a Índia, no entanto, esse valor é ainda mais severo. Nesses dois países, onde há gigantescos problemas de poluição atmosférica, “os benefícios para a população idosa da melhoria da qualidade do ar seria enorme”, adianta o investigador. E estima: “Na maior parte da Ásia, se a poluição atmosférica fosse removida, as pessoas com 60 anos teriam mais 15% a 20% de probabilidades de chegar aos 85 anos”.

Para o investigador esta é uma descoberta importante, que põe em perspectiva – e em confronto – a saúde e a longevidade das pessoas e as políticas ambientais dos países e das regiões. “Conseguimos mostrar que, em média, a população do mundo vive menos um ano do que seria suposto, exclusivamente por causa da poluição no ar que respira, e isso algo que toda a gente pode apreender”, conclui.

Diário de Notícias
Filomena Naves
23 Agosto 2018 — 13:07

(Foram corrigidos 3 erros ortográficos ao texto original)

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722: Poluição do ar já provocou 3,2 milhões de novos casos de diabetes

(CC0/PD) Foto-Rabe / pixabay

Segundo um estudo da Washington University School of Medicine, de St. Louis, nos Estados Unidos, um em cada sete novos casos de diabetes é causado pela poluição do ar.

Os autores desta investigação acreditam que “a poluição reduz a produção de insulina e provoca inflamações, impedindo o corpo de transformar a glicose do sangue em energia”. O elo entre a doença e a falta de ar puro já tinha sido desenvolvido por estudos anteriores.

A estimativa de 14%, isto é, um em cada sete casos, é baseada em dados médicos de 1,7 milhão de ex-combatentes americanos, acompanhados durante oito anos e meio e escolhidos por não terem diabetes no começo deste estudo. O artigo científico foi publicado dia 29 de Junho, na revista Lancet Planetary Health.

Os investigadores envolvidos no estudo estabeleceram um modelo estatístico para observar de que forma a poluição do ar poderia explicar a aparição desta doença, não esquecendo os factores que favorecem a diabetes, como a obesidade.

“A nossa investigação demonstra um elo significativo entre poluição do ar e a diabetes no mundo”, afirmou em comunicado o professor de medicina Ziyad Al-Aly. “É importante ressaltar este facto porque muitos lobbies económicos afirmam que os limites de poluentes na atmosfera são muito baixos.”

No entanto, sublinha o investigador, “temos provas de que os níveis actuais ainda devem ser reduzidos“.

Países que não respeitam os limites impostos, como a Índia, o Afeganistão e a Guiana, apresentam maior taxa de diabetes decorrente da poluição do ar. No lado oposto, há menos casos deste tipo da doença em nações mais endinheiradas como a França, a Finlândia e a Islândia.

A diabetes é uma das doenças que apresenta um enorme crescimento nas últimas décadas, com mais de 420 milhões de pessoas afectadas em todo o mundo. Além da poluição, a genética, a alimentação e o estilo de vida sedentários são os principais factores associados à aparição da doença.

ZAP // Ciberia / RFI / WUSTL

Por ZAP
3 Julho, 2018

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648: O plástico chegou ao último oceano intocado

Christopher Michel / Wikimedia

Um grupo de cientistas revelou ter encontrado vestígios de micro-plásticos e produtos químicos perigosos na Antárctida, a última zona do planeta intocada pelos efeitos nocivos da actividade humana.

Amostras de água e neve, recolhidas ao longo de três meses no início deste ano, mostram uma pintura negra sobre as consequências ambientais do nosso estilo de vida moderno.

No foco do novo relatório elaborado pela Greenpeace, um dos mais detalhados do tipo publicado até agora, os ambientalistas pedem medidas drásticas para conter a disseminação destes poluentes antes que danifiquem o ecossistema antárctico.

“Podemos pensar na Antárctida como uma região selvagem remota e intocável”, diz a ambientalista Frida Bengtsson, da campanha “Proteja a Antárctida”. “Mas da poluição e das mudanças climáticas até à pesca industrial de krill, a pegada humana é clara“, explicou.

“Estes resultados mostram que mesmo os habitats mais remotos na Antárctida estão contaminados com resíduos de micro-plásticos e persistentes produtos químicos perigosos”.

Sete das oito amostras de água da superfície do mar analisadas continham um elemento micro-plástico por litro de água. Já as outras nove amostras adicionais, recolhidas através de uma rede de arrasto, apresentaram micro-plásticos em duas delas.

Também sete das nove amostras de neve mostraram vestígios de produtos químicos tóxicos associados a processos industriais humanos e à produção de bens de consumo. Estes produtos químicos estão também relacionados com problemas reprodutivos e de desenvolvimento na vida selvagem.

Estas substâncias polifluoradas alquiladas (PFASs) não ocorrem naturalmente e degradam-se muito lentamente, se é que se chegam a degradar totalmente.

Os investigadores acreditam que estas substâncias possam ter vindo das recentes chuvas e nevascas contaminadas e, até mesmo as partes mais remotas do continente, – como a ilha de Kaiser – foram poluídas.

Em 2015, mais de 200 cientistas assinaram uma petição, exigindo que este tipo de produtos químicos fossem banidos, excepto dos usos essenciais. Anos depois, estamos a ver esses mesmos especialistas a exigir medidas urgentes.

“Nós também já vimos todos os tipos de resíduos da indústria pesqueira na Antárctida”, referiu Bengtsson. “Bóias, redes e lonas flutuavam entre os icebergues, o que era muito triste de se ver”, lamentou.

“Retirámos os resíduos das águas, mas ficou muito claro para mim o quão necessário é colocar vastas partes desta área fora dos limites da actividade humana, se quisermos proteger a incrível vida selvagem da Antárctida“.

Na verdade, há pouquíssimos dados sobre os plásticos na Antárctida neste momento, o que torna este estudo valioso para os conservadores que procuram proteger esta bonita e remota área selvagem para as gerações futuras.

Já sabemos que estamos a atingir o ponto de ruptura no que respeita ao uso de plásticos, uma substância que não se degrada naturalmente e que simplesmente constrói e constrói até destruir a paisagem e prejudicar os animais com os quais partilhamos o planeta.

Com a Antárctida também a sofrer com o aumento das temperaturas globais, este é um forte aviso de que as nossas acções diárias têm impacto em algumas das regiões mais remotas do mundo, e não apenas nas nossas zonas vizinhas.

Só podemos esperar que este último relatório da Greenpeace coloque pressão a nível internacional, de modo a assumir maior responsabilidade pelo planeta.

Os cientistas que levaram a cabo esta investigação querem agora instalar um Santuário do Oceano Antárctico, com cerca de 1,8 milhões de quilómetros quadrados, onde baleias, pinguins e outras espécies marinhas possam florescer em águas protegidas. Os investigadores aguardam ainda uma decisão sobre o esta proposta feita em Outubro.

“Precisamos de agir directamente na fonte, para impedir que estes poluentes acabem na Antárctida”, disse Bengtsson, acrescentando que “o Santuário do Antárctico é necessário para dar espaço aos pinguins, baleias e todo o ecossistema para que possa recuperar das pressões que têm enfrentado”, concluiu.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
12 Junho, 2018

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