4577: Cidade usa satélite para medir poluição luminosa (e os candeeiros de rua não são o maior problema)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/POLUIÇÃO LUMINOSA

NASA Earth Observatory / NOAA NGDC / Wikimedia

As cidades do mundo desperdiçam uma grande quantidade de electricidade – e dinheiro – ao deixar ligadas luzes brilhantes durante a noite toda. Porém, os candeeiros de rua não são os maiores culpados.

Uma experiência de 10 dias em Tucson, no estado norte-americano do Arizona rastreou os culpados usando imagens de satélite da cidade, de acordo com a BBC.

Depois de diminuir a iluminação das ruas durante a noite, uma equipa de investigadores do Arizona, Alemanha e Irlanda descobriu uma grande quantidade de energia desperdiçada que está a prejudicar o meio ambiente e a deixar os ecossistemas fora de controlo.

Segundo este estudo, em Tucson as luzes da rua não são realmente o problema. De acordo com a investigação, que foi publicada esta semana na revista científica Lighting Research & Technology, outdoors, estádios e estacionamentos estão a desperdiçar toneladas de energia – totalizando mais de 2,5 mil milhões de euros anualmente nos Estados Unidos – com iluminação excessiva e mal gerida

As luzes bloqueiam as estrelas, contribuem para as mudanças climáticas e até desviam os animais em migração do seu curso.

“Nós desperdiçamos recursos enormes com a luz que vai para o Espaço e não faz bem a ninguém”, disse o astrónomo Kelsey Johnson, da Universidade da Virgínia, que não trabalhou no projecto, à BBC.

Como as empresas privadas, em vez da iluminação pública municipal, causam a maior parte da poluição luminosa, resolver o problema exigiria ampla cooperação. E, se um acordo fosse alcançado, resolver o problema seria tão simples como escurecer, direccionar melhor ou colocar escudos sobre as luzes.

“Muitas pessoas falam sobre emergência climática, mas nunca falam sobre poluição luminosa”, disse Christopher Kyba, autor do estudo e físico do Centro Alemão de Pesquisa de Geociências, à BBC. “Mas é uma parte importante. E à noite, quando a maioria de nós está a dormir, toda essa electricidade pode fazer outras coisas – carregar veículos eléctricos, por exemplo. É o tipo de coisa que pode ser feita com um pouco de inteligência e vontade de entrar em ação.”

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Por ZAP
30 Outubro, 2020


2476: Portugal usa 4 vezes mais luz por candeeiro do que a Alemanha. É o país europeu com mais poluição luminosa

Patrick Tomasso / unsplash

Portugal é o pior país da Europa em poluição luminosa, no que respeita ao fluxo luminoso per capita e fluxo luminoso por produto interno bruto (PIB).

Esta é uma das conclusões de um artigo publicado na revista Journal of Environmental Management com o título: “Poluição luminosa nos EUA e Europa: os bons, os maus e os feios”. Portugal merece várias referências particulares no estudo por maus motivos.

Um deles, no capítulo das disparidades observadas na Europa, é o facto de usarmos um fluxo de luz em média quatro vezes superior ao utilizado na Alemanha ou na Suíça.

Os investigadores usaram os dados do Novo Atlas Mundial de Brilho Artificial do Céu Nocturno, divulgado em 2016, e comparam os níveis de poluição luminosa e o fluxo de luz com o tamanho da população e PIB nos vários estados norte-americanos e em vários países e regiões na Europa.

“Encontrámos diferenças até 6.800 vezes mais entre as regiões mais e menos poluídas da Europa, até 120 vezes mais no seu fluxo de luz per capita e até 267 vezes mais no fluxo por unidade do PIB”, escrevem no artigo, de acordo com o Público.

No entanto, as maiores diferenças identificadas foram entre os condados dos EUA: diferenças até 200 mil vezes na poluição do céu, até 16 mil vezes no fluxo de luz per capita e até 40 mil vezes no fluxo de luz por unidade de PIB. “Estes resultados podem informar os decisores políticos, ajudando a reduzir o desperdício de energia e as consequências ambientais, culturais e de saúde adversas associadas à poluição luminosa”, concluem.

Segundo os cientistas, as diferenças notadas entre países são muito importantes. “A Alemanha, por exemplo, aparece consistentemente muito bem em todas as classificações, enquanto Portugal e os EUA tendem a ter um desempenho fraco”, referem.

No primeiro parágrafo das conclusões insistem no mau comportamento de Portugal: “Na presente análise, descobrimos que existem grandes diferenças nos parâmetros estudados entre a Europa e os EUA como, por exemplo, os EUA tendo quase três vezes o fluxo per capita em comparação com a Europa. Encontrámos também diferenças entre países dentro da União Europeia (por exemplo, Portugal com quatro vezes o fluxo per capita da Alemanha) e dos EUA (por exemplo, Dakota do Sul com cinco vezes o fluxo per capita em comparação com Nova Iorque)”.

“Diferenças maiores são encontradas entre as unidades administrativas menores, em parte devido a diferenças nas densidades populacionais, presença de plantas industriais, mas também devido a diferentes hábitos de iluminação com os alemães a usar menos luz nas cidades em comparação com Portugal, Espanha, Itália e Grécia.”

Numa das tabelas do artigo, onde se apresenta o desempenho de 1359 unidades territoriais (as NUTS3) da Europa, a maior parte das regiões portuguesas encontra-se nas 50 com pior resultado.

O investigador Raul Cerveira Lima, que não participou neste estudo assinado por uma equipa internacional com cientistas dos EUA, Itália e Israel, resume: “Em Portugal, usamos em média quatro vezes mais luz por candeeiro do que a Alemanha ou a Suíça. Isto dá que pensar.”

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Por ZAP
19 Agosto, 2019