3261: ALMA identifica primeira poluição ambiental do Universo

CIÊNCIA

Imagem ALMA de uma jovem galáxia rodeada por um casulo gasoso de carbono. A cor vermelha mostra a distribuição do carbono gasoso, visto graças à combinação de dados do ALMA para 18 galáxias. A imagem tem 3,8×3,8 segundos de arco, o que corresponde a 70.000×70.000 anos-luz à distância de 12,8 mil milhões de anos-luz.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, Fujimoto et al.

Usando o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), investigadores descobriram nuvens gigantescas de carbono gasoso com um raio superior a 30.000 anos-luz em torno de galáxias jovens. Esta é a primeira confirmação de que os átomos de carbono, produzidos no interior das estrelas, no início do Universo, se espalharam além das galáxias. Nenhum estudo teórico previu grandes casulos de carbono em torno de galáxias em crescimento, o que levanta questões sobre a nossa compreensão actual da evolução cósmica.

“Examinámos cuidadosamente o Arquivo Científico ALMA e recolhemos todos os dados que contêm sinais de rádio de iões de carbono em galáxias do Universo jovem, apenas mil milhões de anos após o Big Bang,” diz Seiji Fujimoto, autor principal do artigo científico e astrónomo da Universidade de Copenhaga, ex-aluno de doutoramento da Universidade de Tóquio. “Ao combinar todos os dados, alcançámos uma sensibilidade sem precedentes. Obter um conjunto de dados da mesma qualidade com uma observação levaria 20 vezes mais do que as observações típicas do ALMA, o que é quase impossível de alcançar.”

Os elementos pesados como o carbono e o oxigénio não existiam no Universo na época do Big Bang. Foram formados mais tarde graças à fusão nuclear nas estrelas. No entanto, ainda não se sabe como estes elementos se espalharam pelo Universo. Os astrónomos encontraram elementos pesados dentro de galáxias bebé, mas não para lá dessas galáxias, devido à sensibilidade limitada dos seus telescópios. Esta equipa de investigação resumiu os sinais fracos armazenados no arquivo de dados e empurrou os limites.

“As nuvens gasosas de carbono são quase cinco vezes maiores do que a distribuição de estrelas nas galáxias, como observado pelo Telescópio Espacial Hubble,” explica Masami Ouchi, professor na Universidade de Tóquio e do Observatório Astronómico Nacional do Japão. “Vimos nuvens difusas, mas enormes, flutuando no Universo escuro como carvão.”

Então, como é que os casulos de carbono se formaram? “As explosões de super-nova na fase final da vida estelar expelem elementos pesados formados nas estrelas,” diz o professor Rob Ivinson, director de ciência do ESO. “Os jactos energéticos e a radiação dos buracos negros super-massivos nos centros das galáxias também podem ajudar a transportar carbono para fora das galáxias e, finalmente, para todo o Universo. Estamos a testemunhar esse processo de difusão em andamento, a primeira poluição ambiental do Universo.”

A equipa de investigação realça que, actualmente, os modelos teóricos são incapazes de explicar estas grandes nuvens de carbono em torno de galáxias jovens, provavelmente indicando que algum novo processo físico tem de ser incorporado nas simulações cosmológicas. “As galáxias jovens parecem ejectar uma quantidade de gás rico em carbono que excede em muito a nossa expectativa,” diz Andrea Ferrara, professor da Scuola Normale Superiore di Pisa.

A equipa está agora a usar o ALMA e outros telescópios por todo o planeta para explorar ainda mais as implicações da descoberta de fluxos galácticos e halos ricos em carbono em torno das galáxias.

Astronomia On-line
24 de Dezembro de 2019

 

spacenews

 

3063: “O homem que poluiu os céus”. Satélites de Elon Musk estão a cegar os telescópios terrestres

CIÊNCIA

O projecto de satélites Starlink da companhia norte-americana SpaceX, de Elon Musk, está a deixar astrónomos de várias partes do mundo desagradados, uma vez que os objectos espaciais estão a bloquear a visão e o trabalho dos telescópios terrestres.

A iniciativa do fundador da SpaceX consiste em colocar uma rede de 12 mil satélites não muito longe da Terra para fornecer Internet de banda larga a todo o mundo. Até ao momento, Musk já enviou para o Espaço 122 destes dispositivos.

De acordo com o Russia Today, os 122 satélites do empresário norte-americano já conseguiram cegar a Câmara de Energia Escura (DECam) do Observatório Interamericano de Cerro Tololo, localizado no Chile, segundo Clarae Martínez-Vázquez, astrónoma da instituição.

“Estou chocada!”, confessou a especialista no Twitter, explicando que a passagem do “comboio” composto por 19 desses satélites “durou mais de 5 minutos” e afectou a exposição do DECam.

Clarae Martínez-Vázquez @89Marvaz

Wow!! I am in shock!! The huge amount of Starlink satellites crossed our skies tonight at @cerrotololo. Our DECam exposure was heavily affected by 19 of them! The train of Starlink satellites lasted for over 5 minutes!! Rather depressing… This is not cool!

Outras pessoas que estudavam o Universo voltaram-se para o Twitter para expressar a sua frustração com a iniciativa de Elon Musk. O astrónomo americano Cliff Johnson publicou uma imagem capturada pelo DECam, na qual pode ser vista a poluição luminosa causada pelos satélites artificiais da SpaceX.

Clarae Martínez-Vázquez @89Marvaz

Wow!! I am in shock!! The huge amount of Starlink satellites crossed our skies tonight at @cerrotololo. Our DECam exposure was heavily affected by 19 of them! The train of Starlink satellites lasted for over 5 minutes!! Rather depressing… This is not cool!

Cliff Johnson @lcjohnso

Here’s the Starlink plagued DECam frame: #FieldOfSatTrails

“Este problema pode ser incomum agora, mas quando toda a constelação [Starlink] estiver em órbita, será uma ocorrência diária“, escreveu Jonathan McDowell, investigador do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, em Massachusetts, Estados Unidos.

Matthew Kenworthy, professor de astronomia no Observatório de Leiden, na Holanda, comentou que o evento “não é bom para a astronomia terrestre” e forçaria os cientistas a processar grandes quantidades de dados adicionais apenas para conseguir limpar o trilho destes satélites artificiais.

“Tenho a certeza de que Musk se considera um herói ambiental por vender carros eléctricos, mas o seu verdadeiro legado permanente será o do homem que poluiu os céus“, escreveu o astrofísico da NASA, Simon Porter.

A SpaceX disse que iria pintar a superfície dos satélites de preto para reduzir o seu brilho, mas os cientistas disseram que esta medida não resolveria o problema, uma vez que os telescópios os capturariam de qualquer maneira.

Em Outubro, soube-se que a empresa solicitou uma autorização da União Internacional de Telecomunicações para lançar 30 mil satélites Starlink para a órbita baixa da Terra, o que somaria aos 12 mil já autorizados a implantar.

Em Maio, Elon Musk garantiu que o Starlink não teria um impacto negativo na astronomia. “Hoje em dia há 4.900 satélites em órbita, e as pessoas apercebem-se disso cerca de 0% do tempo”.

ZAP //

Por ZAP
20 Novembro, 2019

 

358: Cientistas querem usar lixo espacial para encontrar alienígenas

paul-vallejo / Flickr

Os astrofísicos propuseram uma ideia invulgar para detectar extraterrestres nas zonas afastadas do universo, que pode acabar por se tornar num grande avanço para a astronomia.

Desde o início da exploração espacial, a humanidade deixou grande quantidade de detritos espaciais que orbitam ao redor da Terra. Entretanto, os cientistas do Instituto de Astrofísica das Canárias encontraram um aspecto positivo da poluição espacial.

Se os cientistas forem capazes de encontrar lixo espacial a orbitar um outro planeta, esse factor pode indicar que o planeta é habitado por uma forma de vida suficientemente inteligente para, pelo menos, lançar satélites.

Entretanto, os cientistas mais cépticos apontam uma falha importante nessa teoria.

A distâncias tão longas, os satélites naturais de planetas, tais como pequenas luas ou cinturões de asteróides, podem se parecer muito com lixo espacial deixado por civilizações avançadas.

Hector Socas-Navarro, professor do Instituto de Astrofísica das Canárias, por sua vez, declarou que observações posteriores permitirão aos astrónomos distinguir um do outro.

Os astrónomos, que geralmente utilizam o “método de trânsito” – em que a luz de uma estrela se torna visível conforme um planeta transita à sua frente para encontrar exoplanetas -, acreditam que o mesmo método pode ser aplicado para a identificação do “lixo espacial” em órbita geoestacionária, possibilitando identificar civilizações alienígenas distantes, segundo o portal último segundo.

Depois disso, os astrónomos procederiam então a observações que visariam distinguir os satélites naturais de exoplanetas do lixo espacial.

Embora pareça difícil detectar um escurecimento mínimo da luz, o astrofísico expõe que os telescópios actuais podem conseguir fazer esses registos, principalmente se houver muito lixo.

Socas-Navarro calcula que se os exoplanetas da TRAPPIST-1 tiverem tantos objectos deixados à superfície como a Terra em 2200, o lixo espacial poderá ser identificado sem muita dificuldade.

“Se descobrirmos a massa e a rotação do planeta, facilmente descobrimos o seu lixo colectivo. A ideia é examinar à volta do corpo celeste, pois é onde os potenciais satélites geoestacionários orbitariam. Com isso, civilizações com uma alta densidade de dispositivos presentes naquele espaço podem ser descobertas, já que a curva de luz na estrela que orbita será exposta”, afirma o astrónomo.

ZAP //

Por ZAP
10 Março, 2018

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