4355: Antiga civilização foi controlada por algo inesperado: poeira

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA/GEOLOGIA

(CC0/PD) LoggaWiggler / Pixabay

Um novo estudo mostra que a existência de uma antiga civilização humana numa região fértil a leste do Mediterrâneo dependia quase inteiramente de algo inesperado: poeira.

Quando os primeiros humanos começaram a sair de África e a espalhar-se para a Eurásia há mais de 100 mil anos, uma região fértil ao redor do Mar Mediterrâneo oriental chamada Levante serviu como um ponto crítico entre o norte da África e a Eurásia.

No entanto, se a fonte de poeira na área não tivesse mudado há 200 mil, os primeiros humanos teriam tido mais dificuldade em deixar o continente africano.

Da mesma forma, os especialistas consideram que a presença de solos espessos no Levante, que tendem a formar-se em climas húmidos, facilitou a instalação dos primeiros humanos na região, ao contrário dos solos finos que se formam em ambientes áridos com taxas de intemperismo (decomposição de minerais e rochas) inferior.

No entanto, em torno do Mediterrâneo ocorre o oposto. As regiões mais húmidas do norte apresentam solos finos e improdutivos, enquanto as regiões mais áridas do sudeste apresentam solos espessos e produtivos.

Até agora, estes padrões foram atribuídos a diferenças nas taxas de erosão impulsionadas pela actividade humana. No entanto, Rivka Amit, do Serviço Geológico de Israel, e a sua equipa sentiram que esta não era razão suficiente.

Depois de analisar amostras de poeira dos solos da região, os especialistas concluíram que a entrada de poeira provavelmente desempenhou um papel determinante nas taxas de intemperismo, quando eram demasiado lentas para formar solos de rocha.

Geólogos identificaram que os solos finos tinham um tamanho de grão de poeira mais fino de desertos distantes como o Saara, em oposição aos solos produtivos, que tinham uma poeira grossa chamada loesse, proveniente do deserto de Negev e do seu enorme campos de dunas.

Amit considera que a erosão no local não é tão relevante. “O importante é se se obtém um influxo de fracções grosseiras [de poeira]. [Sem isso], obtém-se solos finos e improdutivos”, disse, em comunicado, acrescentando que, naquela época, “todo o planeta era muito mais empoeirado”.

Por fim, os cientistas ficaram surpreendidos ao encontrar solos muito finos sob o loesse identificado no Levante, também conhecido como “terra do leite e do mel” devido à sua produtividade.

“Sem a mudança dos ventos e a formação do campo de dunas do Negev, a área fértil que serviu de passagem para os primeiros humanos poderia ter sido muito difícil de atravessar e sobreviver”, pois teria sido um ambiente hostil, concluiu Amit.

Este estudo foi publicado na revista científica Geology.

ZAP //

Por ZAP
19 Setembro, 2020

 

spacenews

 

1437: Desafiando as leis da Física, partículas de poeira gigantes viajaram do Saara até às Caraíbas

CIÊNCIA

Luca Galuzzi – www.galuzzi.it / wikimedia

A deslocação entre continentes das partículas de poeira do deserto do Saara é comum, mas, neste caso, as partículas eram quase 50 vezes maiores do que se acreditava poder ser transportado pelo vento.

No último verão, os carros cobriram-se com poeira castanha, oriunda do Norte de África. A deslocação entre continentes das partículas de poeira do deserto do Saara é comum, mas não só foram detectadas a uma distância recorde de 3.500 quilómetros, como ainda são 50 vezes maiores do que os cientistas julgavam ser possível.

“Estas partículas de pó são levantadas do deserto do Saara e transportadas entre continentes e a maioria das pessoas conhece-as das situações em que acabam por cobrir os carros ou quando provocam aqueles sinistros céus cor de laranja“, afirma Giles Harrison, professor de Física Atmosférica da Universidade de Reading, em Inglaterra, co-autor do estudo publicado no Science Advances a 12 de Dezembro.

Porém, “as ideias existentes não permitem que partículas tão massivas viagem distâncias tão vastas pela atmosfera, o que sugere que há um processo atmosférico ou uma combinação de processos ainda desconhecidos que as mantém no ar.”

A equipa de investigadores recolheu partículas de poeira em bóias e armadilhas subaquáticas de sedimentos em cinco locais no Oceano Atlântico, entre 2013 e 2016. Se a convicção científica era de que partículas a esta distância poderiam ter entre 0,01 a 0,02 milímetros de diâmetro, as que foram localizadas nas Caraíbas tinham 0,45 milímetros.

“O facto de partículas maiores de poeira se manterem a flutuar na atmosfera durante muito tempo é considerado um conflito com as leis da física e da gravidade“, considera Michele van der Does, outro autor do estudo.

O papel destas partículas, sobretudo na formação de nuvens e no ciclo de carbono dos oceanos não tem tido destaque nos modelos usados para explicar e prever as alterações climáticas porque se pensava que não tinham capacidade para persistir na atmosfera.

“Esta evidência de poeira e cinzas em movimento é significativa porque estas partículas influenciam a transferência de radiação ao redor da Terra e os ciclos de carbono nos oceanos”, diz Harrison.

À medida que dispersam e absorvem a radiação solar que chega, estas partículas têm o poder de realmente alterar as nuvens, influenciando o clima do planeta. A poeira pode até ter um impacto indirecto no desenvolvimento de ciclones tropicais.

Os investigadores ainda não encontraram uma explicação para o fenómeno, mas acreditam que pode ter a ver com a carga das partículas e as forças eléctricas associadas.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
22 Dezembro, 2018

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963: ESTRELAS VERSUS POEIRA NA NEBULOSA CARINA

Esta imagem da Nebulosa Carina revela esta nuvem dinâmica de matéria interstelar e gás e poeira dispersos como nunca tinha sido observada antes. As estrelas massivas no interior desta bolha cósmica emitem radiação intensa que faz brilhar o gás circundante. Em contraste, outras regiões da nebulosa contêm pilares escuros de poeira que escondem estrelas recém nascidas.
Crédito: ESO/J. Emerson/M. Irwin/J. Lewis

A Nebulosa Carina, uma das maiores e mais brilhantes nebulosas do céu nocturno, foi observada pelo telescópio VISTA do ESO, que obteve belas imagens deste objecto a partir do Observatório do Paranal, no Chile. Ao observar no infravermelho, o VISTA conseguiu ver para além do gás quente e poeira escura que rodeiam a nebulosa, mostrando-nos uma miríade de estrelas, tanto recém-nascidas como nos estertores da morte.

Na constelação da Quilha, a cerca de 7500 anos-luz de distância, localiza-se uma nebulosa no seio da qual as estrelas nascem e morrem lado a lado. Moldada por estes eventos dramáticos, a Nebulosa Carina é uma nuvem dinâmica e em evolução, de gás e poeira bastante dispersos.

As estrelas massivas no interior desta bolha cósmica emitem radiação intensa que faz brilhar o gás circundante. Em contraste, outras regiões da nebulosa contêm pilares escuros de poeira que escondem estrelas recém-nascidas. Existe como que uma batalha entre as estrelas e a poeira na Nebulosa Carina, sendo que as estrelas recém-formadas estão a ganhar — produzem radiação altamente energética e ventos estelares que fazem evaporar e dispersar as maternidades estelares poeirentas nas quais se formaram.

Com uma dimensão de 300 anos-luz, a Nebulosa Carina é uma das maiores regiões de formação estelar da Via Láctea, podendo ser facilmente observada a olho nu num céu escuro. Infelizmente, para as pessoas que vivem no hemisfério norte, este objecto situa-se 60º abaixo do equador celeste e por isso é apenas visível a partir do hemisfério sul.

No seio desta intrigante nebulosa, Eta Carinae ocupa um lugar de destaque como um sistema estelar muito peculiar. Este monstro estelar — uma forma interessante de binário estelar — é o sistema estelar mais energético da região e era um dos objectos mais brilhantes do céu na década de 1830. Desde essa altura desvaneceu dramaticamente, aproximando-se agora do final da sua vida, mas permanecendo um dos sistemas estelares mais massivos e luminosos da Via Láctea.

Eta Carinae pode ser vista nesta imagem no meio da área de luz brilhante circundada por uma forma em “V”, formada por nuvens de poeira. Logo à direita de Eta Carinae encontra-se a relativamente pequena Nebulosa do Buraco de Fechadura — uma pequena nuvem densa de moléculas e gás frio situada no seio da Nebulosa Carina — que alberga várias estrelas massivas e cuja aparência mudou também drasticamente ao longo dos últimos séculos.

A Nebulosa Carina foi descoberta a partir do Cabo da Boa Esperança por Nicolas Louis de La Caille na década de 1750 e desde essa altura foi observada inúmeras vezes. O VISTA — Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy — acrescenta, no entanto, um detalhe sem precedentes à imagem de grande área; a sua visão infravermelha é perfeita no que diz respeito a revelar aglomerados de estrelas jovens escondidos no material poeirento que serpenteia ao longo da Nebulosa Carina. Em 2014, o VISTA foi utilizado para localizar quase cinco milhões de fontes individuais infravermelhas no seio desta nebulosa, revelando assim a vasta extensão deste campo de criação de estrelas. O VISTA é o maior telescópio infravermelho do mundo dedicado a rastreios e o seu grande espelho, enorme campo de visão e detectores extremamente sensíveis permitem aos astrónomos observar o céu austral de uma maneira completamente nova.

Astronomia On-line
4 de Setembro de 2018

(Foram corrigidos 6 erros ortográficos ao texto original)

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