4111: NASA dá 150 mil euros a quem consiga resolver um problema “poeirento” da Lua

CIÊNCIA/NASA/LUA

A superfície da Lua está coberta por uma poeira estranha e “pegajosa” que se agarra a tudo à sua volta. Conforme já foi anteriormente referido, este pó, à primeira vista inofensivo, ao microscópio revela-se, grão a grão, tremendamente afiado e áspero como uma lixa. O grão é tão pequeno que se entranha em qualquer canto ou recanto dos fatos dos astronautas. Além disso, provoca um cheiro estranho e leva as pessoas a espirrar compulsivamente.

Assim, para tentar resolver este problema, a agência espacial dos EUA oferece 180.000 dólares a estudantes universitários que proponham ideias para proteger as missões espaciais do pó da Lua.

Pó lunar cheira mal e pode causar graves problemas de saúde

O pó do solo lunar é fino, muito fino mesmo, e ao microscópio os grãos têm uma aparência afiada e áspera. Assim, estas características não foram tidas em conta nas primeiras missões Apollo. Como tal, esta ameaça negligenciada provocou reacções adversas aos astronautas após a sua caminhada pelo solo do nosso satélite natural.

Os relatos dos primeiros homens a pisar o solo lunar diziam que havia um cheiro estranho quando Armstrong e Aldrin regressaram ao módulo lunar, após a primeira caminhada. De seguida, apareceu uma doença lunar desconhecida, sofrida por Harrison Schmitt, astronauta da Apollo 17. Era uma espécie de “febre do feno lunar”, uma patologia que faz as pessoas espirrarem compulsivamente e que pode tornar-se muito perigosa se inalada em grandes quantidades, produzindo algo semelhante à silicose que os mineiros experimentam.

NASA premeia com cerca de 150 mil euros quem descobrir solução

Agora que a NASA está a planear colocar os homens (e a primeira mulher) de volta na Lua com o programa Artemis, a agência espacial americana não quer cometer o mesmo erro e procura soluções para o irritante e perigoso pó da Lua. Assim, a NASA está a oferecer 180.000 dólares (pouco mais de 150.000 euros) a quem possa fornecer soluções para contrariar as consequências desta pequena ameaça. Este assunto, se negligenciado, poderá colocar toda a missão em risco, além de afectar gravemente a saúde dos astronautas.

A NASA procura ideias inovadoras da comunidade académica para uma vasta gama de soluções, para mitigar a poeira lunar e problemas que incluem a redução de nuvens de poeira na aterragem, a remoção de poeira dos fatos espaciais e outras superfícies, a obstrução dos sistemas ópticos e a redução dos níveis de partículas, entre outros.

Referiu a agência espacial norte-americana numa declaração.

NASA 2021 BIG Idea Challenge

Conforme a comunicação, este é o Grande Desafio de Ideias de 2021. Não é uma iniciativa inédita e tem como missão propor aos estudantes universitários novas abordagens aos problemas reais da missão espacial.

O 2021 BIG Idea Challenge proporciona uma oportunidade de conceber, construir e testar novas tecnologias que poderão ser utilizadas para aplicações lunares. Este concurso pretende ser um desafio de inovação aberta com constrangimentos mínimos para as equipas proponentes criarem e desenvolverem soluções prontas a usar.

Segundo o que consta no regulamento, as partes interessadas, que devem registar-se até 25 de Setembro de 2020, devem resolver os seguintes desafios:

  • Prevenção e atenuação da poeira na aterragem na Lua: evitar ou proteger interacções com colunas de poeira ou a superfície da lua que possam resultar em sondas lunares.
  • Tolerância ao pó e mitigação em fatos espaciais: limitar a aderência do pó e outros efeitos nocivos aos seus sistemas.
  • Prevenção, Tolerância e Mitigação do Pó Exterior: proteger os sistemas de superfície lunar ou impedir a entrada de pó em ‘habitats’ e sondas.
  • Tolerância e Mitigação do Pó da Cabine: Limpar volumes habitáveis e as suas superfícies interiores. Ajuda a evitar que o pó chegue à estação Gateway e à nave espacial Orion, quando a sonda regressa à órbita lunar a partir da superfície.

As propostas em vídeo podem ser submetidas até 13 de Dezembro deste ano. Posteriormente, os finalistas serão convidados a apresentar as suas soluções no 2021 BIG Idea Forum, agendado para Novembro de 2021.

Pplware
Autor: Vítor M.

 

spacenews

 

2918: Poeira lunar pode ser um grande problema para os próximos exploradores

CIÊNCIA

Bre Pettis / Flickr

A poeira lunar pode ser um grande problema para os próximos exploradores espaciais, uma vez que é abrasiva e está por todo o lado. Vários países estudam já os efeitos que o pó lunar poderá desencadear nos astronautas.

Numa altura em que cada vez mais potências mundiais mostram interesse em voltar a explorar o satélite natural da Terra, o portal Space.com noticia esta semana que a poeira lunar pode ser uma pedra no sapato dos futuros astronautas.

John Cain, especialista britânico em riscos da exploração lunar e consultor de saúde de astronautas, alerta para este perigo, considerando que é fulcral conhecer melhor a poeira lunar antes de levar a cabo novas missões à Lua.

É essencial conhecer a natureza da poeira lunar, compreender os seus efeitos sobre o corpo [dos exploradores espaciais], bem como identificar as rotas de exposição e desenvolver meios para reduzir a exposição”, disse, em declarações ao mesmo portal.

Buzz Aldrin, da Apollo 11, parece confirmar as preocupações de John Cain: “Quanto mais tempo passas na Lua, mais coberto ficas de poeira lunar do capacete às botas”, recordou o astronauta após a missão, observando ainda que a poeira da Lua cheirava a “carvão queimado” ou “a alguma coisa semelhante às cinzas de uma lareira”.

Também o comandante da Apollo 17, Gene Cernan, revelou durante um interrogatório técnico após a missão reservas relacionadas com a poeira da Lua. “Acho que a poeira é, provavelmente, um dos nossos maiores inibidores para uma operação nominal na Lua. Acredito que podemos superar outros problemas fisiológicos, físicos ou mecânicos, excepto a poeira da Lua”, afirmou o astronauta.

“Febre do feno extraterrestre”

Durante a Apollo 17, o astronauta Harrison Hagan “Jack” Schmitt registou o primeiro caso de uma reacção à poeira lunar que ficou conhecida como “febre do feno extraterrestre”. Depois de exposto ao pó da Lua, as suas placas de cartilagem das paredes nasais incharam significativamente. “Aconteceu bem rápido”, disse, na época.

Tendo em conta os episódios do passado e o que já se sabe sobre a Lua, John Cain reitera que é preciso conhecer melhor a poeira lunar antes de iniciar qualquer nova missão. No futuro, vaticina ainda o especialista, a criação de assentamentos lunares incluirá a necessidade de se desenvolver legislação sobre saúde e segurança para garantir o bem-estar e a segurança de exploradores.

O regolito lunar – a rocha fragmentada que está sobre a superfície da Lua – pode conter sílica (dióxido de silício), óxido de ferro e óxido de cálcio. A sílica, recorde-se, é altamente tóxica. Na Terra, este composto é responsável por causar graves doenças pulmonares.

Actualmente, Reino Unido, Estados Unidos, China, Rússia, Índia e União Europeia estão a levar a cabo estudos para perceber se a poeira lunar poderá causar doenças pulmonares aos astronautas, bem como para encontrar estratégias para diminuir a exposição.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
28 Outubro, 2019

 

2256: Humanos podem ser alérgicos ao pó lunar e os efeitos são… estranhos!

CIÊNCIA

As mudanças no corpo dos astronautas nas suas viagens espaciais são reais. Problemas de visão, problemas musculares, o corpo que “cresce”… estes são alguns dos problemas subjacentes.

No entanto, a exploração de outros planetas poderá ser mais grave que isso, quando o homem está disposto a pisar outros solos que não o terrestre.

A experiência em 1972 de Harrison Schmitt

Harrison Schmitt, tripulante da missão Apolo, é o último homem vivo que pisou o solo lunar. Nesta sua missão espacial, foram muitas as horas que passou sobre a lua a recolher amostras e a analisar o “terreno”.

Como tal, o contacto com a poeira lunar foi inevitável, assim que voltou para nave. A simples troca de fato levou-o a inalar algumas partículas desta poeira, seguindo-se depois a análise das amostras recolhidas.

Harrison ‘Jack’ Schmitt, 83 anos, geólogo na missão Apolo 17/ Nasa

Segundo declarações de Harrison Schmitt, as reacções foram instantâneas. Nariz a inchar, olhos a lacrimejar e garganta a arranhar. Estes foram os sintomas imediatos, semelhantes a uma rinite. As pessoas que posteriormente tiveram contacto com o fato do astronauta tiveram experiências ainda mais fortes.

O poder da Poeira Lunar

Harrison Schmitt adiantou, em declarações recentes no festival espacial Starmus, em Zurique, que a poeira lunar é altamente corrosiva. Devido à ausência de atmosfera e consequente ausência de eventos meteorológicos, os grãos de poeira não sofrem desgaste com o tempo.

Assim, estas partículas funcionarão mais ou menos como poderosas lixas. De referir que o caminhar sobre o solo lunar fez com que três das camadas de Kevlar das suas botas foram danificadas.

Os perigos de Marte

Ora, se a questão de perigo que coloca na Lua, em Marte a situação poderá ser mais grave. Devido ao alto teor de óxido de ferro presente no planeta vermelho, as reacções sobre o corpo humano poderão ser mais severas.

Harrison Schmitt, perante a ideia de exploração do planeta vermelho, alerta para a importância de serem criadas formas de limpar completamente as partículas de pó antes de qualquer ser humano, ter contacto directo com o material que irá participar nesta exploração.

pplware
Maria Inês Coelho
01 Jul 2019

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560: Alérgicos à Lua? Poeira lunar é tóxica para as células humanas

Scientific Visualization Studio/ NASA

Um recente estudo examinou de que forma pode a poeira lunar ser prejudicial a nível celular e os resultados são tão sinistros quanto o lado escuro da Lua.

Embora digam que no espaço não se espirra, o astronauta Harrison Schmitt espirrou bastante dentro do módulo lunar Challenger, quando visitou a Lua em 1972.

Após uma caminhada lunar, Schmitt respirou acidentalmente um pouco de pó que tinham recolhido da superfície da Lua. Durante um dia inteiro, Schmitt sofreu com o que descreveu como “febre do pó lunar”. Os seus olhos lacrimejaram imenso, a sua garganta ficou irritada e o astronauta começou a espirrar.

Não, Schmitt não era alérgico à Lua. Os cientistas da NASA explicam agora que a poeira lunar, especialmente as partículas mais pequenas e mais afiadas – representam claros riscos para a saúde dos astronautas.

Em vários testes de laboratório, uma única colher de pó (réplica da Lua) mostrou-se altamente tóxica, capaz de matar 90% células do pulmão e do cérebro. O estudo foi publicado na edição de Abril da GeoHealth,

A poeira lunar comporta-se de maneira um pouco diferente da poeira da Terra. Como não existe vento na Lua, os grãos de poeira – que são, em grande parte, resultado de impactos de micro-meteoritos – permanecem afiados e podem facilmente cortar as células pulmonares de um astronauta se este respirar profundamente.

Além disso, o pó da Lua pode flutuar. Sem atmosfera para proteger a Lua do bombardeamento constante de ventos solares e das partículas que carregam, o solo lunar pode tornar-se electrostáticamente carregado, semelhante a roupas com aderência estática.

“Esta carga pode ser tão forte que as partículas do solo levitam acima da superfície lunar”, escreveram os autores do novo estudo.

Além de poder entupir equipamentos sensíveis, estas partículas podem causar estragos no corpo humano se foram ingeridas acidentalmente pelos astronautas – como acabou por descobrir Harrison Schmitt.

Fazer pó lunar na Terra

No seu mais recente estudo, a equipa de investigadores da Universidade Stony Brook, em Nova Iorque, quis descobrir o quão perigosa poderia ser a poeira lunar.

Para isso, e como o solo lunar é difícil de encontrar na Terra, a equipa usou cinco simuladores de origem terrestre para representar a poeira encontrada em várias partes do solo lunar. Os simuladores incluíam cinzas vulcânicas do Arizona, pó retirado de um fluxo de lava do Colorado e um pó feito em laboratório.

Misturando as amostras de solo com células pulmonares humanas e células cerebrais de ratinhos de laboratório, a equipa avaliou os efeitos da poeira lunar. Além disso, os cientistas dividiram as amostras em três graus diferentes de granulação, sendo que a mais fina era menor do que a largura de um fio de cabelo humano.

Cerca de 24 horas depois, os cientistas descobriram que cada tipo de solo prejudicou as células pulmonares e cerebrais. As amostras dos grãos mais finos mostraram-se mais letais, matando até 90% das células.

Verificaram-se ainda danos no ADN que podem levar ao desenvolvimento de cancro ou doenças neuro-degenerativas.

ZAP // LiveScience

Por ZAP
19 Maio, 2018

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