2539: Plutão volta a ser planeta do Sistema Solar? Novo administrador da NASA tem essa vontade

Quando conhecemos Plutão como planeta, nunca o questionámos até que a comunidade científica tivesse reunido provas que, afinal, este não reunia as condições para de facto ser um planeta.

Posteriormente, em 2006, a comunidade científica resolveu descrever o corpo celeste como “planeta-anão”. Esta descida de escalão ainda hoje causa debate na comunidade científica. Mas tudo isto pode mudar…

Com o passar do tempo, o Sistema Solar foi ligeiramente alterado. O planeta Plutão, como a maioria de nós o conheceu, passou de planeta a não planeta… e por fim, a planeta-anão. Agora, desapareceu dos livros educativos, contudo, isso pode mudar.

Administrador da NASA tem mão de Trump

Trump nomeou um novo administrador da NASA. Chama-se Jim Bridenstine e parece querer já a fazer alterações… ao próprio Sistema Solar. Este homem já se declarou completamente a favor que Plutão volte ser considerado um planeta novamente.

@CReppWx

My favorite soundbyte of the day that probably won’t make it to TV. It came from NASA Administrator Jim Bridenstine. As a Pluto Supporter, I really appreciated this. #9wx #PlutoLoversRejoice @JimBridenstine

pplware
28 Ago 2019
Imagem: NASA

 

2443: UAI aprova segundo conjunto de nomes para características à superfície de Plutão

Este mapa, compilado a partir de imagens e dados recolhidos pela sonda New Horizons da NASA durante a sua passagem pelo sistema de Plutão em 2015, contém os nomes de várias características da superfície aprovados pela União Astronómica Internacional. Os nomes desta mais recente “ronda” estão a amarelo.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI/Ross Beyer

Várias pessoas e missões que abriram caminho à exploração histórica de Plutão e da Cintura de Kuiper – os mais distantes mundos já explorados – são homenageados no segundo conjunto de nomes oficiais de Plutão aprovados pela União Astronómica Internacional (UAI), a autoridade internacional responsável pela nomenclatura de corpos celestes e das suas características à superfície.

Os novos nomes foram propostos pela equipa da New Horizons da NASA, que realizou o primeiro reconhecimento de Plutão e das suas luas com a sonda New Horizons em 2015. Juntamente com uma pequena lista de nomes oficiais que a UAI já havia aprovado, a equipa científica da missão tem vindo a usar estes outros nomes informais para descrever as muitas regiões, cadeias de montanhas, planícies, vales e crateras descobertas durante o primeiro olhar detalhado da superfície de Plutão.

A UAI aprovou o primeiro conjunto de 14 nomes de características à superfície de Plutão em 2017, bem como um conjunto de nomes para a maior lua de Plutão, Caronte, em 2018. A equipa reuniu muitas das ideias durante uma campanha online em 2015.

Os 14 novos nomes de características de Plutão ficam aqui listadas abaixo por ordem alfabética. Os nomes homenageiam a mitologia do submundo, missões espaciais pioneiras que levaram ao sucesso da New Horizons, pioneiros históricos que cruzaram novos horizontes na exploração da Terra e cientistas e engenheiros associados com o estudo e exploração de Plutão e da Cintura de Kuiper.

  • Alcyonia Lacus, um possível lago de azoto gelado à superfície de Plutão, recebe o nome do lago “sem fundo” em Lerna, uma região da Grécia conhecida pelas suas nascentes e pelos seus pântanos; o lago alcioniano era uma das entradas para o submundo da mitologia grega;
  • Elcano Montes é uma cordilheira que homenageia Juan Sebastián Elcano (1476-1526), o explorador espanhol que em 1522 completou a primeira circum-navegarão da Terra (uma viagem iniciada em 1519 por Fernão de Magalhães);
  • Hunahpu Valles é um sistema de desfiladeiros em honra de um dos heróis gémeos da mitologia maia, que derrotou os senhores do submundo durante um jogo de bola (meso-americano);
  • A cratera Khare homenageia o cientista planetário Bishun Khare (1933-2013), especialista em química de atmosferas planetárias que fez trabalho de laboratório levando a vários artigos seminais sobre tolinas – as moléculas orgânicas que provavelmente são responsáveis pelas regiões mais escuras e avermelhadas de Plutão;
  • A cratera Kiladze homenageia Rolan Kiladze (1931-2010), o astrónomo georgiano (do Cáucaso) que fez investigações pioneiras sobre a dinâmica, astrometria e fotometria de Plutão;
  • Lowell Regio é uma grande região em honra a Percival Lowell (1855-1916), o astrónomo americano que fundou o Observatório Lowell e organizou uma busca sistemática por um planeta para lá de Neptuno;
  • Mwindo Fossae é uma rede de depressões longas e estreitas em honra de Nyanga (República Democrática do Congo/Zaire), o herói épico que viajou até ao submundo e, após regressar a casa, tornou-se um sábio e poderoso rei;
  • Piccard Mons é uma montanha e suspeito crio-vulcão que homenageia Auguste Piccard (1884-1962), inventor e físico do século XX, mais conhecido pelos seus voos pioneiros de balão até à atmosfera superior da Terra;
  • Pigafetta Montes homenageia Antonio Pigafetta (circa 1491-1531), o erudito e explorador italiano que narrou as descobertas feitas durante a primeira circum-navegarão da Terra, a bordo dos navios de Fernão de Magalhães;
  • Piri Rupes é um longo penhasco que homenageia Ahmed Muhiddin Piri (circa 1470-1553), também conhecido como Piri Reis, navegador e cartógrafo otomano famoso pelo seu mapa-múndi. Desenhou também alguns dos primeiros mapas existentes da América do Norte e Central;
  • A cratera Simonelli homenageia o astrónomo Damon Simonelli (1959-2004), cuja ampla investigação incluiu a história da formação de Plutão;
  • Wright Mons homenageia os irmãos Wright, Orville (1871-1948) e Wilbur (1867-1912), os pioneiros da aviação norte-americana que construíram e pilotaram, com sucesso, o primeiro avião do mundo;
  • Vega Terra é uma grande massa de terra em honra das missões soviéticas Vega 1 e 2, as primeiras naves espaciais a enviar balões para outro planeta (Vénus) e a fotografar o núcleo de um cometa (1P/Halley);
  • Venera Terra tem o nome das missões Venera, enviadas a Vénus pela União Soviética entre 1961 e 1984; incluíram o primeiro objecto feito pelo Homem a entrar na atmosfera de outro planeta, a fazer uma aterragem suave noutro planeta e a transmitir imagens de outra superfície planetária.

A sonda New Horizons está quase a 6,6 mil milhões de quilómetros da Terra. Está de boa saúde e a transmitir dados registados durante o “flyby” de Ano Novo de 2019 pelo objecto 2014 MU69 da Cintura de Kuiper, de nome Ultima Thule, o objecto mais distante e primitivo já explorado.

Astronomia On-line
13 de Agosto de 2019

 

2102: Os vulcões do gelado Plutão podem estar a derramar água líquida

NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute

Dados da sonda New Horizonts da NASA apontam que o amoníaco em Plutão poder ser evidência de uma actividade geológica recente em que água líquida derramou dos seus vulcões, tal como acontece com a lava derretida na Terra.

Na nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Science Advances, os autores sugerem que Plutão pode abrigar algumas características favoráveis à evolução de vida.

“Nos últimos anos, o amoníaco tem sido um pouco como o ‘Santo Graal’ da Ciência planetária”, disse a autoria principal do estudo, Cristina Dalle Ore, cientista planetária no Centro de Pesquisa Ames da NASA, em declarações ao portal Space.com.

O amoníaco é uma ingrediente-chave nas reacções químicas que estão na base da vida tal como a conhecemos e, por isso, quando o amoníaco é encontrado, sinaliza normalmente um ambiente que pode levar à vida. “Não significa que a vida esteja presente, e ainda não a encontramos, mas indica um local onde devemos procurar”, explicou.

Este elemento é uma “molécula frágil” que é “destruída pela radiação ultravioleta e raios cósmicos (…) Portanto, quando está numa superfície implica que foi para lá há pouco tempo, há cerca de alguns milhões de anos de ser encontrado”.

Os cientistas defendem que o amoníaco, quando depositado na superfície de Plutão, já estava misturado com a água de um oceano subterrâneo escondido dentro do planeta anão. Esta água pode ter chegado “através de rachaduras ou aberturas e jorrou para a superfície (…) A isto chamamos crio-vulcanismo”, completou a cientista.

O facto de Plutão ter água líquida pode ser realmente surpreendente, uma vez que a superfície do planeta anão tem temperaturas de -270 graus Celsius, mais do que o suficiente para congelar o ar.

No entanto, apontam os cientistas, o calor dos minerais radioactivos torna as profundezas de Plutão mais quentes do que a sua superfície e o “amoníaco, quando misturado com água, age como um anticongelante, permitindo assim que a água seja líquida”.

No fundo, simplificou Dalle Ore, a presença de amoníaco na água possibilita a existência de um oceano líquido sob a crosta gelada do planeta anão. A extensão dos oceanos é para já desconhecida, podendo ser de apenas algumas bolsas de água líquida ou então toda uma camada aquosa sob a superfície de Plutão.

“A minha próxima tarefa passa por tentar determinar a localização de todas as aberturas a partir das quais e água e o amoníaco podem ter sido pulverizadas numa tentativa de mapear o tamanho do oceano”, rematou.

ZAP //

Por ZAP
3 Junho, 2019



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2029: Plutão pode esconder um oceano líquido debaixo de uma camada de gás

NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute

Uma das características mais marcantes de Plutão é o seu coração, também conhecido como Tombaugh Regio, uma grande região de cor clara de aproximadamente 1.590 quilómetros de diâmetro.

O seu lobo esquerdo, o Sputnik Planitia, é uma região jovem e lisa do tamanho do Texas, e alguns investigadores acreditam que possa esconder um oceano líquido sob a sua superfície gelada.

O modo como este oceano pode existir é o foco de um novo artigo publicado na revista Nature Geoscience. A origem e a idade do Sputnik Planitia ainda é uma questão de debate. Pode ter-se formado devido a um impacto dramático de asteróides.

A sua superfície maioritariamente sem crateras indica que pode ser tão jovem como apenas algumas centenas de milhares de anos, mas as suas bordas desgastadas sugerem uma idade de mil milhões de anos.

A superfície jovem não é a única evidência que sugere um oceano. Há também uma anomalia gravitacional que poderia ser explicada com a hipótese do oceano sub-superficial.

Se a bacia é realmente antiga e um oceano se formou na cratera, deveria ter congelado completamente há centenas de milhões de anos. Cientistas já simularam a forma como um oceano líquido pode persistir em tal ambiente e acham que a solução está numa camada de gás.

No seu modelo, uma camada de hidratos de clatrato pode ser a chave. Esses hidratos são moléculas gasosas, como o metano, preso numa gaiola de água molecular. São muito viscosos e têm uma baixa condutividade térmica, tornando-os uma substância ideal para separar o oceano da superfície gelada.

Graças aos hidratos, o oceano líquido estaria isolado e poderia manter o calor que tinha na sua formação. A superfície também pode mudar lentamente. Sem a camada, uma crosta uniforme e grossa ter-se-ia formado em cerca de um milhão de anos. Com a camada isolante de hidratos de clatrato, a evolução é muito maior, com expectativa de ultrapassar mil milhões de anos.

Os investigadores sugerem que o possível componente da camada de gás é o metano proveniente do núcleo do planeta anão. Isso é consistente com a composição geral da atmosfera de Plutão, que é rica em nitrogénio e pobre em metano.

Embora não explique completamente as observações vistas no Sputnik Planitia, a simulação suporta a plausibilidade de um oceano sub-superficial. Curiosamente, não apenas em Plutão. O mesmo mecanismo poderia funcionar em objectos suficientemente grandes, mas minimamente aquecidos, como luas geladas e planetas anões.

“Isto poderia significar que há mais oceanos no universo do que se pensava anteriormente, tornando a existência de vida extraterrestre mais plausível”, disse o principal autor Shunichi Kamata, da Universidade de Hokkaido, em comunicado.

ZAP //

Por ZAP
23 Maio, 2019


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2006: Primavera em Plutão: uma análise ao longo de 30 anos

New Horizons / NASA
Imagem de Plutão enviada pela New Horizons em julho de 2015

Sempre que passa em frente de uma estrela, Plutão fornece informações preciosas sobre a sua atmosfera, preciosas porque as ocultações de Plutão são raras.  A investigação realizada por investigadores do Observatório de Paris, ao longo de várias décadas, foi publicada dia 10 de maio de 2019 na revista Astronomy & Astrophysics.

Interpretada à luz dos dados recolhidos em 2015 pela sonda New Horizons, permite refinar os parâmetros físicos essenciais para uma melhor compreensão do clima de Plutão e para prever futuras ocultações do planeta anão. Tal como a Terra, a atmosfera de Plutão é essencialmente composta por azoto, mas a comparação para aí.

Situado para lá de Neptuno, Plutão leva 248 anos a completar uma órbita em torno do Sol. Durante o ano plutoniano, a sua distância ao Sol varia muito, de 30 a 50 UA, levando a ciclos sazonais extremos. Com temperaturas superficiais extremamente baixas, inferiores a -230º C, há um equilíbrio sólido-gasoso, onde uma ténue atmosfera de essencialmente azoto coexiste com depósitos de gelo à superfície.

Actualmente, estima-se que o vapor de azoto esteja estabilizado a uma pressão de mais ou menos 1,3 pascal (ao passo que na Terra a pressão é de cerca de 100.000 Pa).

Dada a obliquidade (o ângulo formado entre o eixo polar e o plano orbital) do planeta anão, 120 graus, os pólos de Plutão enfrentam sucessivamente um dia permanente durante várias décadas, e depois uma noite permanente. Isto leva a um ciclo complexo de redistribuição dos seus materiais voláteis como azoto, metano e monóxido de carbono. Assim sendo, Plutão teve o seu equinócio em 1988, antes de passar pelo periélio (a 30 UA) em 1989. Desde então, o planeta anão afastou-se continuamente do Sol até alcançar 32 UA em 2016, o que representa uma perda de 25% da sua insolação média.

Ingenuamente, era esperada uma queda acentuada na pressão atmosférica. De facto, o equilíbrio gasoso-sólido do azoto impõe que para cada grau Kelvin perdido à superfície, a pressão diminua por um factor de dois.

Mas ocorre o exacto oposto. A prova é fornecida pelo artigo publicado na Astronomy & Astrophysics de dia 10 de maio, que analisa uma dúzia de ocultações estelares observadas ao longo de quase 30 anos, durante a primavera no hemisfério norte de Plutão: a pressão atmosférica aumentou por um factor de três entre 1988 e 2016.

Este cenário paradoxal já era considerado pelos modelos climáticos globais de Plutão desde a década de 1990, mas sem certeza, apenas como um cenário entre muitos outros. Vários parâmetros importantes do modelo permaneciam por restringir pelas observações.

Estas observações das ocultações estelares a partir da Terra, juntamente com dados recolhidos durante a passagem da New Horizons da NASA por Plutão em Julho de 2015, permitem agora descrever um cenário muito mais preciso.

A New Horizons mapeou a distribuição e a topografia do gelo à superfície do planeta anão, revelando uma vasta depressão com mais de 1000 km de diâmetro e 4 km de profundidade, localizada perto do equador entre as latitudes 25º S e 50º N, de nome Sputnik Planitia. Esta depressão retém uma parte do azoto disponível na atmosfera, formando um glaciar gigantesco que é o verdadeiro “coração” do clima do planeta anão, pois regula a circulação atmosférica por meio da sublimação do azoto.

Em adição, as ocultações estelares permitem restringir a inércia térmica do subsolo no modelo, explicando a mudança de fase de trinta anos entre a transição para o periélio (1989) e o aumento da pressão ainda observado hoje em dia. O subsolo armazenou o calor e está a restaurá-lo gradualmente. As ocultações também restringem a fracção de energia solar devolvida ao espaço (albedo de Bond) do azoto gelado e a sua emissividade.

Finalmente, estas observações eliminam a possibilidade da presença de um reservatório de azoto no hemisfério sul (actualmente em noite permanente), que produziria um máximo de pressão muito mais cedo do que o observado (curva magenta na figura).

Este estudo é uma boa ilustração da complementaridade entre as observações terrestres e espaciais. Sem a passagem da New Horizons, a distribuição do gelo e a topografia permaneceriam desconhecidas, e sem a monitorização a longo prazo da atmosfera, os modelos climáticos de Plutão não poderiam ser restringidos.

Previsão de ocultações futuras

Finalmente, as ocultações também fornecem 19 posições de Plutão entre 1988 e 2016, com uma precisão inigualável de alguns milissegundos de arco no céu. Tal precisão, possível graças à segunda versão de dados da missão europeia Gaia, permite que os autores calculem efemérides de Plutão com a mesma precisão para a próxima década.

Assim, será possível observar outras ocultações por Plutão e monitorizar o seu clima… os modelos teóricos indicam que a atmosfera de Plutão está actualmente perto da sua expansão máxima. As observações futuras podem confirmar ou refutar esta previsão.

Será que vamos em breve ver o começo desse lento declínio, que deverá reduzir por um factor de 20 a pressão atmosférica de Plutão no final, e cobrir a sua superfície com uma fina camada de “geada branca”?

ZAP // CCVAlg

Por CCVAlg
18 Maio, 2019


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1662: Cicatrizes de Plutão revelam que objectos no Cinturão de Kuiper são “relíquias primordiais” do Sistema Solar primitivo

Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory / Southwest Research Institute / NASA

Plutão pode ter descido para o estatuto de planeta anão, mas os seus mistérios são ainda muito grandes. Investigadores estiveram a tentar desvendar os segredos do Cinturão de Kuiper.

Quando a sonda de reconhecimento da New Horizons da NASA passou por Plutão e pela sua lua Charon em 2015, as imagens resultantes revelaram um mundo inédito de picos gelados, planos glaciais e vulcões congelados não vistos em nenhum outro lugar do sistema solar.

Agora, os investigadores estão a olhar novamente para as imagens à procura de pistas sobre uma das regiões mais enigmáticas do sistema solar: o vasto anel de destroços de gelo conhecido como Cinturão de Kuiper.

Num novo estudo publicado na revista Science, um grupo de cientistas planetários liderados pelo Southwest Research Institute, no Colorado, EUA, debruçou-se nos mapas da New Horizons para contar as cicatrizes deixadas por milhares de milhões de colisões com objectos do Cinturão de Kuiper. Estes corpos gelados orbitam o Cinturão de Kuiper na borda do sistema solar – e Plutão é o maior deles.

Ao estudar impactos de crateras, os investigadores encontraram Plutão e Caronte foram mais atingidos por objectos grandes do que pequenos nos últimos quatro mil milhões de anos. Isto sugere que o Cinturão de Kuiper é primariamente povoado por objectos grandes e antigos que datam da formação do sistema solar.

“As crateras dão uma visão para o passado”, disse Kelsi Singer. “Podemos usar o número de crateras para dizer quantos anos uma superfície tem, o que nos ajuda a aprender mais sobre o Cinturão de Kuiper como um todo.”

Geralmente, partes da superfície de um planeta salpicadas de muitas crateras são consideradas relativamente antigas, enquanto regiões sem crateras são consideradas novos desenvolvimentos.

Em Plutão, por exemplo, há uma camada brilhante de gelo de nitrogénio conhecida como Coração, assim chamada pela forma que apresenta. Como não há crateras de impacto nesta região, acredita-se ser relativamente jovem em comparação com o resto da superfície de Plutão.

Em contraste, evidências anteriores sugeriram que algumas regiões ricas em crateras em Plutão têm cerca de quatro mil milhões de anos. Ao estudar de perto o tamanho das crateras nessas regiões, os investigadores conseguem obter uma visão geral dos tipos de objectos que se moviam no Cinturão de Kuiper há milhares de milhões de anos, não muito tempo depois de o sistema solar se formar.

No novo estudo, a equipa examinou quase três mil crateras de impacto das observações de 2015 da New Horizons. Algo se destacava: embora as crateras tivessem uma grande variedade de tamanhos, pouquíssimas crateras provinham de pequenos objectos que mediam entre um e dois quilómetros de diâmetro.

“Foi surpreendente para nós, porque baseamos as nossas expectativas sobre o Cinturão de Kuiper no que sabíamos sobre o cinturão de asteróides [entre Marte e Júpiter]”, disse Singer. “Acontece que há muito menos objectos pequenos no Cinturão de Kuiper do que pensávamos”.

Pequenos objectos celestes são criados por colisões entre objectos maiores. Um pequeno número de pequenos objectos no Cinturão de Kuiper significa que ocorreram menos colisões ao longo do tempo – e isto significa que muitos dos objectos em órbita naquela região são mais propensos a serem relíquias “primordiais” do sistema solar primitivo.

As descobertas encaixam-se em observações recentes do KBO, chamado Ultima Thule, um objeto em formato de boneco de neve, com cerca de 34 quilómetros de diâmetro, orbitando a cerca de um milhar de milhão de quilómetros além da órbita de Plutão.

“Quando a New Horizons chegou ao Ultima Thule em Janeiro, parecia um corpo bastante primordial”, disse Singer. “Talvez haja uma grande cratera de impacto e não parece que foi quebrado e reformado.”

Se o cinturão de Kuiper está realmente cheio de objectos antigos como estes, estudar os mistérios da região poderia lançar luz sobre os primeiros dias do sistema solar. Por seu turno, a New Horizons continuará a mergulhar na fronteira de detritos gelados na borda do sistema solar.

ZAP // Live Science

Por ZAP
5 Março, 2019

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998: PLUTÃO, PLANETA? NOVA INVESTIGAÇÃO DIZ QUE SIM

Imagem de alta-resolução de Plutão, com cores melhoradas de modo a realçar diferenças na sua composição superficial.
Crédito: NASA/APL de Johns Hopkins/SwRI

Segundo uma nova investigação da Universidade da Florida Central, a razão pela qual Plutão perdeu o seu estatuto de planeta não é válida.

Em 2006, a União Astronómica Internacional, um grupo global de peritos em astronomia, estabeleceu que um planeta deveria “limpar” a sua órbita ou, por outras palavras, ser a maior força gravitacional na sua órbita.

Dado que a gravidade de Neptuno influencia o seu vizinho Plutão, e que Plutão partilha a sua órbita com gases gelados e objectos na Cintura de Kuiper, isso significou retirar a Plutão o estatuto de planeta.

No entanto, num novo estudo publicado na quarta-feira passada na revista online Icarus, o cientista planetário Philip Metzger, da Universidade da Florida Central e do Instituto Espacial da Florida, informou que esse padrão de classificação de planetas não é suportado na literatura de investigação.

Metzger, que é o autor principal do estudo, examinou a literatura científica dos últimos 200 anos e encontrou apenas uma publicação – de 1802 – que utilizou o requisito de limpar a órbita para classificar planetas, e foi baseado num raciocínio refutado.

Ele disse que luas como Titã (Saturno) e Europa (Júpiter) têm sido rotineiramente chamadas planetas por cientistas planetários desde a época de Galileu.

“A definição da UAI diria que o objecto fundamental da ciência planetária, o planeta, deve ser definido com base num conceito que ninguém usa nas suas pesquisas,” comenta Metzger. “E deixaria de fora o segundo planeta mais complexo e interessante do nosso Sistema Solar.”

“Agora temos uma lista com mais de 100 exemplos recentes de cientistas planetários usando o termo planeta de uma forma que viola a definição da UAI, mas fazem-no porque é funcionalmente útil,” realça.

“É uma definição desleixada,” diz Metzger sobre a definição da UAI. “Não dizem o que querem dizer com ‘limpar a órbita’. Se formos pela aplicação literal, então não existem planetas, porque nenhum planeta limpa a sua órbita.”

O cientista planetário diz que a revisão da literatura mostrou que a divisão real entre planetas e outros corpos celestes, como asteróides, ocorreu no início da década de 1950 quando Gerard Kuiper publicou um artigo que fez a sua distinção com base no modo como foram formados.

No entanto, até esta lógica já não é considerada um factor que determina se um corpo celeste é um planeta, realça Metzger.

Kirby Runyon, co-autor do estudo e do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, no estado norte-americano de Maryland, diz que a definição da UAI é errónea, pois a revisão da literatura mostrou que a limpeza da órbita não é uma norma usada para distinguir asteróides de planetas, como a UAI afirmou ao elaborar a definição de 2006 do termo planeta.

“Nós mostrámos que esta é uma alegação histórica falsa,” diz Runyon. “Portanto, é falacioso aplicar o mesmo raciocínio a Plutão.”

Definindo “Planeta”

Metzger diz que a definição de planeta deve basear-se nas suas propriedades intrínsecas, ao invés daquelas que podem mudar, como por exemplo a dinâmica da órbita de um planeta.

“A dinâmica não é constante, está sempre a mudar,” realça Metzger. “Portanto, não é uma descrição fundamental de um corpo, é apenas a ocupação de um corpo na era actual.”

Em vez disso, Metzger recomenda classificar um planeta se for grande o suficiente para que a sua gravidade permita que se torne esférico.

“E isso não é apenas uma definição arbitrária,” observa. “Acontece que este é um marco importante na evolução de um corpo planetário, porque aparentemente quando isso acontece, dá início a geologia activa no corpo.”

Plutão, por exemplo, tem um oceano subterrâneo, uma atmosfera com várias camadas, compostos orgânicos, evidências de antigos lagos e múltiplas luas, diz.

“É mais dinâmico e vivo que Marte,” diz Metzger. “O único planeta que tem geologia mais complexa é a Terra.”

Astronomia On-line
11 de Setembro de 2018

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604: Desvendado o mistério: Plutão tem mesmo dunas (mas não são de areia)

NASA/JHUAPL/SwRI
Imagem de Plutão captada a partir da sonda New Horizons

Uma equipa internacional de cientistas descobriu que Plutão tem dunas, que se formaram a partir de grãos de metano congelado libertados na sua atmosfera pouco densa.

Quando a sonda New Horizons passou muito perto da superfície de Plutão, em 2015, tivemos oportunidade de ver que Plutão tinha estruturas na sua superfície, sem saber, porém, o que eram.

Agora, uma equipa de cientistas do Reino Unido, França, Alemanha e dos Estados Unidos confirma que entre essas estruturas estão dunas e explica como estas se formaram.

A possibilidade de existência de dunas em Plutão era um mistério, dado que as dunas apareceram num planeta com muita pouca atmosfera e onde a temperatura à superfície ronda os -230ºC.

“Ver dunas em Plutão – se realmente forem dunas – será completamente alucinante, porque actualmente a atmosfera de Plutão é muito fina”, considerava William B. McKinnon, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, em Setembro de 2015.

Os cientistas voltaram a analisar as imagens recolhidas pela New Horizons e afirmaram que Plutão tem mesmo dunas. Num artigo científico, publicado esta sexta-feira na Science, os cientistas detalham que as dunas estão distribuídas ao longo de menos de uma área de 75 quilómetros e que ficam numa região montanhosa, mesmo no limite da planície gelada de Sputnik.

SwRI / JHUAPL / NASA
As dunas de metano detectadas em Plutão

Análises espaciais feitas às duna e a rastos deixados pelo vento no solo e através do uso de um modelo espectral e numérico, os astrónomos descobriram que as dunas terão surgido a partir de grãos de gelo de metano libertados na atmosfera rarefeita de Plutão.

Os grãos terão sido transportados por ventos moderados para o limite da planície gelada e da região montanhosa. Esses ventos podem alcanças entre 30 a 40 quilómetros por hora, explica o Público.

“Segundo os nossos cálculos, seriam necessários ventos de 800 quilómetros por hora para iniciar o transporte. No entanto, não há em Plutão ventos muito mais fortes do que estes ”, indica Eric Parteli,  físico e geo-cientista brasileiro da Universidade de Colónia e um dos autores do estudo.

Mas como foi então possível o transportes dos grãos? “A ejecção de partículas do solo para a atmosfera como resultado de processos de sublimação, os quais são causados por irradiação solar”, responde Parteli.

As dunas formam-se quando o vento não muda de direcção e orientam-se perpendicularmente à direcção do vento. Os cientistas sugerem que as dunas se tenham formado nos últimos 500 mil anos ou mais cedo, pelo que são estruturas “formadas num passado geológico muito recente”.

Embora ainda haja muitas perguntas por responder, como se há mais dunas noutras partes de Plutão, o cientista refere que “este estudo é o primeiro a mostrar que o vento é, de facto, um agente geológico fundamental para se entender a superfície de Plutão”.

Plutão junta-se assim a outros corpos celestes do Sistema Solar que também têm dunas: os planetas Terra, Marte e Vénus, a lua Titã e, talvez, o cometa 67P/Churiumov-Gerasimenko.

ZAP //

Por ZAP
2 Junho, 2018

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