2307: Há luas que fogem dos seus planetas (e a nossa pode fazer o mesmo)

Centro de Voo Espacial Goddard da NASA; Jay Friedlander e Britt Griswold

Uma equipa internacional de investigadores propôs um novo tipo hipotético de mundo chamado “ploonet”: uma antiga lua que escapou da órbita do planeta hospedeiro e começou a circundar a sua estrela hospedeira.

Os cientistas já tinham proposto o termo “lua-lua” para descrever luas que podem orbitar outras luas em sistemas solares distantes. Agora, outra equipa de cientistas deu o nome de “ploonet” para luas de planetas gigantes que orbitam estrelas quentes. Sob certas circunstâncias, estas luas abandonam as órbitas, tornando-se satélites da estrela hospedeira. A lua “desencaixa-se” e tem uma órbita como a de um planeta.

Ploonets ainda não foram detectados. Mas podem produzir assinaturas que os telescópios caçadores de planetas poderiam identificar, de acordo com o novo estudo publicado a 27 de Junho no arXiv.

Para o estudo, os cientistas criaram modelos de computador para testar cenários que poderiam transformar uma lua em órbita num ploonet em órbita. Os astrónomos descobriram que, se uma lua está a circundar um tipo de exoplaneta conhecido como “Júpiter quente” – um enorme gigante de gás perto de uma estrela – a ligação gravitacional entre estrela e planeta poderia ser suficientemente poderosa para arrancar a lua do seu planeta.

Orbitar uma estrela próxima seria stressante para um pequeno ploonet. A sua atmosfera poderia evaporar-se e o mundo perderia parte da sua massa, criando uma assinatura distinta na luz emitida pela vizinhança da estrela Essa é a assinatura que os telescópios podem detectar.

De facto, observações recentes de misteriosas emissões de luz em redor de estrelas quentes distantes poderiam ser explicadas pela aparição e mortes prolongadas de ploonets rebeldes.

Alguns poderiam sustentar as suas órbitas durante centenas de milhões de anos. Ao acumular material do disco de poeira e gás ao redor da sua estrela, um ploonet poderia até mesmo construir o seu corpo até que eventualmente se tornasse um pequeno planeta.

No entanto, a vida da maioria dos ploonets seria relativamente curta. A maioria dos objectos simulados desapareceu num milhão de anos, nunca tendo chegado a tornar-se num planeta. Em vez disso, desintegraram-se durante colisões com os seus ex-planetas, foram devorados por estrelas em actos de “canibalismo planetário” ou foram ejectados da órbita para o espaço.

A equipa acredita, de acordo com o Futurism, que os ploonets poderiam explicar vários fenómenos astronómicos incomuns. A água de uma lua gelada pode evaporar à medida que escapa da órbita do seu planeta e move-se em direcção à sua estrela, por exemplo, dando ao ploonet uma cauda de cometa. A passagem do tal ploonet através da sua estrela pode explicar por que algumas estrelas parecem piscar.

Enquanto isso, um ploonet que eventualmente colidiu com seu antigo hospedeiro poderia criar detritos que poderiam explicar os estranhos anéis encontrados em torno de alguns exoplanetas. “Essas estruturas [anéis e cintilação] foram descobertas, foram observadas”, disse o investigador Mario Sucerquia ao Science News. “Acabámos de propor um mecanismo natural para as explicar”.

A nossa Lua é uma boa candidata a tornar-se um ploonet, uma vez que se afasta da Terra quatro centímetros por ano. Por outro lado, se o ritmo se mantiver constante, o nosso satélite não se soltará da órbita da Terra durante pelo menos 5 mil milhões de anos.

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Por ZAP
12 Julho, 2019

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