2462: Morreu Marium, o mais famoso dugongo da Tailândia. Comeu plástico

CIÊNCIA

(dr)

Quando foi resgatado, em Abril, tornou-se uma estrela na Tailândia. O dugongo órfão, chamado Marium, acabou por morrer este sábado, devido a uma infecção causada pela ingestão de plástico, de acordo com os veterinários que cuidaram do mamífero na ilha de Koh Libong, na província de Trang, no sul da Tailândia.

Uma equipa de cerca de 10 veterinários e 40 voluntários cuidou de Marium nas águas pouco profundas de Koh Libong, depois de descobrir o animal sozinho e desnutrido. A equipa disse que a morte do dugongo deveria servir como um alerta sobre os efeitos dos resíduos de plástico na vida selvagem.

Cerca de quatro meses depois de ser encontrado, Marium tornou-se famoso após circularem na Internet imagens tiradas pelos veterinários que cuidaram da cria. Na semana passada, o dugongo começou a mostrar sinais de stress e a recusar alimentar-se.

Na quarta-feira, Marium foi transferido para um tanque para ser seguido mais de perto pela equipa de veterinários, conta o jornal britânico The Guardian, mas acabou por morrer nesta manhã de sábado.

Segundo os veterinários, a autópsia revelou que pequenos pedaços de plástico tinham entupido e inflamado os intestinos do mamífero, causando uma infeção que levou à sua morte. Foram ainda encontrados hematomas no corpo de Marium, que podem ter sido causados pelo ataque de outro dugongo.

“Estamos todos tristes com esta perda “, disse Nantarika Chansue, directora da unidade de medicina animal da Universidade Chulalongkorn, em Banguecoque.

No mês passado, em Koh Libong, quando Marium estava ainda de boa saúde, Chansue expressou preocupação com a possibilidade de algo acontecer aos dugongos. “Uma coisa para a qual não estamos preparados é se houver uma emergência”, disse. “No caso de algo acontecer… estamos bem longe da terra [principal]. Preparámos equipamentos de emergência… [mas] tudo é possível “, vaticinou.

Um segundo dugongo órfão, que é mais novo que Marium e foi encontrado em Junho perto do local de onde foi resgatado o irmão, está a ser vigiado no Centro de Biologia Marinha de Phuket. Jamil e Marium deveriam ser lançados ao mar quando atingissem os 18 meses, a idade em que os dugongos deixam as mães.

Os dugongos apresentam comportamentos e aparências semelhantes aos manatins, mas a cauda de um dugongo é muito semelhante à de uma baleia. São uma espécie solitária e as fêmeas dão à luz a apenas uma cria, após uma gestação de um ano, ajudando-as a alcançar a superfície da água para respirarem pela primeira vez.

As progenitoras e crias têm um laço muito próximo, nunca as abandonando e mantendo sempre contacto com a cria. Os historiadores acreditam que os dugongos e os manatins serviram de inspiração para os contos sobre criaturas marinhas sobrenaturais.

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17 Agosto, 2019

Por Julien Willem – Obra do próprio, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=4447582

 

2450: Está a chover plástico nos Estados Unidos: fibras microscópicas caem do céu

Os avisos não são de agora e não é novidade que o planeta está cada vez mais poluído pelo plástico. Há plástico por todos o lado, é nas águas que bebemos, no sal que ingerimos, nas correntes dos oceanos, nos picos gelados montanhosos, no interior dos glaciares e agora já chovem resíduos de plástico. Literalmente, está a chover plástico nos Estados Unidos.

Embora os cientistas estudem a poluição plástica há mais de uma década, ainda não se sabe os efeitos na saúde.

A água, os alimentos e até o ar está contaminado com micro-plásticos

A descoberta levanta novas questões sobre a quantidade de resíduos plásticos que permeiam o ar, a água e o solo em praticamente todo o mundo. Conforme podemos ler no The Guardian, o plástico era a coisa mais distante da mente do investigador do US Geological Survey, Gregory Wetherbee. Este ficou surpreso ao detectar fibras plásticas microscópicas multicoloridas de plástico nas amostras de água da chuva recolhidas nas Montanhas.

A descoberta, publicada num estudo recente intitulado “Está a chover plástico”, levanta novas questões sobre a quantidade de resíduos plásticos que existem no ar, na água e no solo em praticamente todos os lugares da Terra.

Penso que o resultado mais importante que nós podemos partilhar com o público americano é que há mais plástico lá fora do que o que se encontra à nossa vista. É na chuva, é na neve. Agora faz parte do nosso ambiente.

Referiu Wetherbee.

Plástico pode viajar com o vento ao longo de milhares de quilómetros

As amostras de água da chuva recolhidas em todo o Estado do Colorado e analisadas sob um microscópio, continham um arco-íris de fibras plásticas. Além disso, existiam também grãos e fragmentos. As descobertas chocaram Wetherbee, que estava a recolher as amostras para estudar a poluição por nitrogénio.

Conforme o investigador referiu, os resultados que recolheu são puramente acidentais. Contudo, estes dados são consistentes com outro estudo recente que encontrou micro-plásticos nos Pirenéus. Assim, tais coincidências sugerem que as partículas de plástico podem viajar no vento por centenas, se não milhares, de quilómetros.

Está a chover plástico nos Estados Unidos

De maneira idêntica, existem estudos que revelaram micro-plásticos nos pontos mais profundos do oceano. Além desses, também foram detectados micro-plásticos em lagos e rios do Reino Unido e nas águas subterrâneas dos Estados Unidos.

Um dos principais contribuintes é o lixo, disse Sherri Mason, investigadora de micro-plásticos e coordenadora de sustentabilidade da Penn State Behrend. Mais de 90% dos resíduos de plástico não são reciclados e, à medida que se degradam lentamente, são decompostos em pedaços cada vez menores.

As fibras plásticas também se partem do nosso vestuário sempre o que o lavamos.

Explicou a investigadora. Na verdade, as partículas de plástico são subprodutos de uma variedade de processos industriais.

Perdemos o controlo, o plástico conquistou o planeta

Segundo as palavras de Mason, é impossível perseguir as pequenas peças até às suas fontes. Isto porque actualmente quase tudo o que é feito de plástico pode estar a lançar partículas na atmosfera.

E então estas partículas são incorporadas em gotículas de água quando chove.

Sintetizou a investigadora.

Posteriormente, a chuva leva esses plásticos para os rios, lagos, baías e oceanos. De seguida, tudo isto é passado para as fontes de água subterrânea, aquelas que também consumimos.

Animais e humanos consomem micro-plásticos via água e comida, e provavelmente respiramos partículas micro e nano-plásticas no ar. Contudo, os cientistas ainda não conseguiram apurar os efeitos que isso tem na nossa saúde. Os micro-plásticos também podem atrair e anexar metais pesados ​​como o mercúrio e outros químicos perigosos, além de bactérias tóxicas.

Como estamos todos expostos a centenas de substâncias químicas sintéticas assim que nascemos, é difícil dizer quanto tempo mais viveríamos se não fôssemos expostos.

pplware
Imagem: 3BLmedia
Fonte: The Guardian

 

2100: As abelhas já fazem ninhos com o lixo plástico humano

CIÊNCIA

Jeffrey W. Lotz / Wikimedia
Abelha africanizada, também conhecida como “abelha assassina”

Na Argentina, as abelhas têm construído ninhos para as crias com materiais estranhos. Pela primeira vez, foi encontrado um ninho feito de lixo plástico.

Um monte de plástico em forma de embalagens chega às quintas e, muitas vezes, entra na paisagem. O mundo está a mudar e a vida selvagem está a ter de se adaptar.

Investigadores do Instituto Nacional de Tecnologia Agrícola da Argentina descobriram os ninhos de plástico como parte das suas investigações sobre polinizadores de chicória. A equipa montou 63 “armadilhas” em volta dos campos, com longos tubos ocos, semelhantes aos buracos de favo de mel onde as larvas de abelhas crescem.

As abelhas podem revestir as cavidades com materiais, como lama, folhas, pedras, pétalas e resina. O objectivo é criar um ninho aconchegante na cavidade, separados em células ao longo do comprimento, cada qual contendo uma larva de abelha em crescimento.

Durante a primavera e o verão de 2017 e 2018, a equipa verificou mensalmente os ninhos para procurar sinais de actividade das abelhas. Só encontraram três ninhos que as abelhas usavam. Dois foram construídos com lama e pétalas e cinco abelhas adultas saudáveis ​​emergiram delas.

O terceiro tinha três células inteiramente feitas de plástico, cuidadosamente cortadas em formas longas e ovais pela abelha e dispostas de maneira sobreposta. As primeiras duas células foram construídas de plástico fino, azul claro, semelhante a um saco plástico. A terceira célula foi feita de plástico branco mais espesso.

“Entre as três células, uma continha uma larva morta; a outra, o adulto parecia ter emergido do ninho; e a terceira célula não estava terminada”, escreveram os cientistas no estudo publicado na revista Apidologie. Assim, das duas células ocupadas, uma larva morreu e a outra cresceu até a idade adulta – indicando que o plástico pode não ser a melhor escolha de material de construção, mas também pode não ser o pior.

A equipa não conseguiu identificar positivamente a abelha que tinha construído o ninho, mas acredita que pode ter sido uma abelha de alfafa (Megachile rotundata). Esta é uma espécie europeia introduzida que a equipe já tinha visto no local do estudo.

É uma abelha solitária que, fiel ao seu nome, corta folhas para forrar os seus ninhos, semelhante à maneira como os fragmentos de plástico foram aparados. Na América do Norte, cientistas documentaram essa abelha em particular a usar plástico para construir células de crias individuais dentro de um ninho maior.

Isto pode significar que as abelhas têm uma flexibilidade adaptativa que lhes permitirá acompanhar as rápidas mudanças ambientais. Ou pode significar que os herbicidas usados ​​nos campos estão a reduzir o número de plantas que as abelhas preferem usar nos seus ninhos. A abelha, neste caso, pode também esse material por outro motivo.

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2 Junho, 2019



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2024: Cachalote encontrada morta em praia italiana. Tinha quilos de plástico no estômago

DESTAQUE

(dr) Greenpeace Italia

Uma cachalote com cerca de sete anos foi encontrada morta com o estômago cheio de plástico numa praia em Cefalù, destino turístico na Sicília, em Itália.

O anúncio foi feito pela Greenpeace italiana, na sexta-feira, na sua página de Facebook. A organização colocou várias fotos da carcaça do animal na praia e mostrou o plástico que foi recolhido do seu estômago. “Como podem ver pelas fotos que estamos a partilhar, encontrámos muito plástico no estômago do cachalote”, disse Giorgia Monti, da Greenpeace, em comunicado. “Não sabemos se o animal morreu por causa do plástico, mas também não podemos simplesmente fingir que nada aconteceu”, continuou.

No sábado, dez peritos fizeram a autópsia da jovem fêmea de cachalote “que ainda nem tinha dentes” directamente na praia. Carmelo Isgro, da Universidade de Messina, partilhou várias imagens no Facebook, que mostram o procedimento. “São imagens fortes, mas quero que todos vejam e percebam o que estamos a fazer ao nosso mar e aos seus animais”, explicou.

Isgro publicou um vídeo onde é possível ver o momento em que os peritos abrem o estômago da fêmea e retiram do seu interior vários sacos de plástico. Num outro vídeo, Isgro retira um dos sacos e coloca-o num caixote do lixo. “Impressionante, isto é inacreditável”, disse, afirmando que foram retirados do interior do animal “vários quilogramas de plástico”.

“Muito provavelmente, o plástico criou um bloqueio que impediu a passagem de comida. Esta é muito provavelmente a causa de morte. Não encontrámos sinais que nos dessem qualquer outra razão para a morte”, explicou o perito da Universidade de Messina.

Giorgia Monti revelou ainda que, nos últimos cinco meses, cinco cachalotes deram à costa mortos em praias italianas. Em Abril, uma fêmea de cachalote grávida foi encontrada em Sardinia com 22 quilos de plástico no estômago. “O mar está a enviar-nos um alarme, um SOS de desespero. Temos de intervir imediatamente para salvar as fantásticas criaturas que vivem no mar”, apelou Monti.

A Greenpeace de Itália está a cooperar com o Blue Dream Project para investigar, controlar e alertar para a poluição de plástico no oceano. Durante as próximas três semanas, as duas organizações vão controlar o nível de plástico na costa italiana. A expedição termina na Toscânia a 8 de Junho, Dia Mundial dos Oceanos.

Já esta terça-feira, investigadores da Universidade de Pádua vão apresentar em conferência de imprensa um relatório sobre as dificuldades dos cetáceos nas águas de Itália. O principal destaque do documento irá para cachalotes e poluição de plástico.

Os cachalotes vivem habitualmente 70 a 80 anos. Pesam entre 35 a 45 toneladas e podem chegar aos 18 metros de comprimento. Segundo a National Geographic, comem uma tonelada de peixe e lulas por dia e têm um cérebro maior do que qualquer criatura que já viveu na Terra.

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21 Maio, 2019


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2009: Uma das ilhas mais remotas do mundo está a afogar-se num mar de plástico

CIÊNCIA

Stéphane Enten / Flickr

Localizada a mais de dois mil quilómetros da costa noroeste da Austrália, a ilha dos Cocos pode não ter muita população, mas lidera em termos de acumulação de plástico.

De acordo com um estudo publicado na revista Scientific Reports, as praias remotas encontradas nas ilhas do Oceano Índico estão repletas com cerca de 414 milhões de resíduos de plástico com cerca de 238 toneladas – incluindo quase um milhão de sapatos e 373 mil escovas de dentes.

“Ilhas como estas são como canários numa mina de carvão e é cada vez mais urgente que ajamos em relação aos alertas que nos estão a dar”, disse a autora do estudo, Jennifer Lavers, em comunicado. “A poluição plástica é agora omnipresente nos nossos oceanos e as ilhas remotas são o lugar ideal para obter uma visão objectiva do volume de detritos plásticos que circulam pelo globo”.

De acordo com o IFL Science, Jennifer Lavers esteve nas manchetes dos jornais quando revelou que a Ilha Henderson, uma das mais remotas ilhas do Oceano Pacífico, estava envolvida em lixo plástico. Praticamente intocada pelos humanos, o atol do Património Mundial da UNESCO tem a maior densidade de plástico do que qualquer lugar da Terra.

“A nossa estimativa de 414 milhões de peças com um peso de 238 toneladas na Ilha dos Cocos é conservadora, já que apenas amostramos uma profundidade de dez centímetros e não pudemos aceder algumas praias conhecidas como locais de destroços“, disse Lavers, acrescentando que ilhas remotas sem grandes populações humanas para depositar lixo destacam a extensão da circulação de plástico nos oceanos do planeta.

Aproximadamente um quarto de todos os plásticos estudados ​​eram itens de uso único. Já 93% dos detritos estavam enterrados até dez centímetros abaixo da superfície do solo.

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18 Maio, 2019



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1846: Afinal, os sacos de plástico descartáveis são melhores para o ambiente que os de papel

CIÊNCIA

Os sacos de plástico foram substituindo os de papel desde a década de 1970 na maioria dos países, devido ao facto de durarem mais tempo. Com a crescente polémica sobre a contaminação ambiental causada por este material, os sacos de papel voltaram a estar em voga. Alguns estudos mostram, contudo, que esta opção não é a mais benéfica, nem a nível ecológico nem a económico.

Anualmente, são produzidas 381 milhões de toneladas de plástico. Este material circula pelo planeta, ao vestirmos casacos de polímero sintético que nos mantêm aquecidos no inverno, ao utilizarmos embalagens para conservar alimentos e ao recorrermos a dispositivos electrónicos. É a era do plástico, mas também da poluição por ele causada.

O lixo plástico está presente nas cidades e nos oceanos, contaminando o solo, o ar, a água do mar e a água doce, e levando à morte de milhões de animais a cada ano. A segurança dos produtos químicos utilizados na sua produção uma preocupação crescente. O uso e a gestão deste material como um substituto barato para as tradicionais cestas e sacolas reutilizáveis ​​tem sido um desafio para várias agências ambientais em todo o mundo.

Para se ter uma ideia sobre os sacos ecologicamente mais rentáveis, é necessário ter em consideração um conjunto de critérios, entre eles a energia utilizada para a sua produção, a duração – quantas vezes pode ser reutilizada -, o processo de reciclagem e a velocidade com que se decompõem.

De acordo com um artigo da BBC Brasil, divulgado em Janeiro de 2019, uma pesquisa da Assembleia da Irlanda do Norte revelava que era necessário quatro vezes mais energia para fabricar um saco de papel do que para um de plástico. Por serem mais pesados, o seu transporte exige também maiores esforços, aumentando a pegada de carbono.

kaboompics / Pixabay

O mesmo relatório indicava que os sacos de plástico eram produzidos através de sub-produtos de petróleo, enquanto os de papel requerem o corte de árvores. O processo de produção deste último origina igualmente uma maior concentração de componentes químicos tóxicos, em comparação com os sacos plásticos descartáveis (mais finos, distribuídos gratuitamente nos supermercados).

Em 2006, a Environment Agency – órgão do governo britânico que trabalha em prol do ambiente – examinou uma variedade de sacos produzidos com diferentes materiais para descobrir quantas vezes esses precisariam ser reutilizados para ter uma menor contribuição no aquecimento global do que um saco de plástico descartável.

A pesquisa mostrava que os sacos de papel precisam ser reutilizados três vezes, uma a menos do que os sacos de plástico mais resistentes. Não obstante os benefícios da sua utilização, “é improvável que o saco de papel possa ser regularmente reutilizado o número necessário de vezes, devido à sua baixa durabilidade”.

Apesar da sua baixa durabilidade, contudo, o papel decompõe-se muito mais rapidamente do que o plástico e, portanto, é menos provável que seja uma fonte de lixo e represente um risco para a vida selvagem. É também amplamente reciclável, enquanto o plástico pode levar entre 400 a mil anos para se decompor.

O artigo da BBC Brasil indica ainda que os sacos de algodão, apesar de necessitarem de mais carbono na produção, “são os mais duráveis e têm uma vida muito mais longa”, embora exijam um maior número de reutilizações (131) para serem mais “amigos do ambiente”, devido à alta quantidade de energia utilizada na sua produção.

Uma outra investigação, realizada pelo Earther e divulgada pelo HypeScience, em Junho de 2018, mostra que, embora a proibição do uso de sacos plásticos seja vantajosa, apenas o é em regiões próximas ao mar. Nas outras partes do globo, o melhor é usar os sacos plásticos e reutilizá-los o maior número de vezes, antes de os usar para o lixo doméstico.

Enquanto em relação ao descarte a hierarquia começa nos sacos reutilizáveis e mais resistentes (feitos de polipropileno), passando para os de papel e, por último, os sacos de plástico mais finos. Porém, quando o foco são as emissões de carbono, a uso de água e de energia, o papel e os sacos reutilizáveis ficam “muito atrás da boa e velha sacola de petróleo”, lê-se no artigo.

Noutro estudo, realizado pela Agência de Protecção Ambiental da Dinamarca e conhecido em Fevereiro de 2018, demonstrou-se que, entre 14 tipos de sacos analisados, esses sacos de plástico mais finos deixam uma pegada ecológica bastante menor que as outras opções, como o algodão ou o plástico mais resistente.

A investigação identificou os materiais mais nocivos utilizados na produção de sacos, tendo em consideração 16 parâmetros ambientais diferentes, como o impacto climático, a toxicidade humana e ambiental e o uso de recursos na sua produção.

Os resultados indicam que os sacos de algodão têm de ser utilizados pelo menos 52 vezes para compensar o seu impacto climático (149 vezes, se for feito de algodão orgânico) e mais de sete mil vezes caso sejam focados todos os parâmetros.

Quanto aos sacos de papel, estes têm que ser reutilizados 43 vezes para “zerar” o impacto ecológico, enquanto os de plástico mais resistentes, vendidos com as insígnias dos hipermercados, têm que ser usados oito vezes. Caso se tenha em conta as 16 categorias do estudo, esse número sobe para 84.

Além disso, o estudo indica que os sacos de papel produzem quatro vezes mais resíduos sólidos, 142% mais poluição do ar e 15% mais desperdício de água. Já os sacos de algodão criam problemas ambientais porque o seu ciclo de vida envolve produtos que agridem a camada de ozono.

Em suma, esta análise sugere que o plástico é mais rentável para o ambiente que o algodão e o papel, devido ao facto de ser mais leve, conseguir carregar mais peso e necessitar de menos energia para ser produzido.

Com resultados semelhantes, um outro estudo, do Governo do Quebeque (Canadá), de Dezembro de 2017, mostrou que, quando comparado com as restantes opções, o convencional saco de plástico é melhor, tanto ao nível ambiental como económico.

Segundo as conclusões, além de o saco convencional ter uma taxa de reutilização de 77%, principalmente para depositar o lixo doméstico, as alternativas mais difundidas para substituir os substituir – seja o plástico duro, o papel ou o algodão – têm “uma pegada ecológica muito maior” e são “potencialmente piores para o aquecimento global”.

Quase 60 países já proibiram o uso dos sacos plásticos

Segundo uma pesquisa do World Atlas, o polietileno foi criado por acidente, numa fábrica de produtos químicos em Northwich, na Inglaterra, em 1933, e usado secretamente pelos militares britânicos durante a Segunda Guerra Mundial. Mais tarde, com recurso a esse material, Sten Gustaf Thulin criou os sacos de plástico.

Quatorze anos depois, em 1979, os sacos de plástico controlavam 80% do mercado de sacolas na Europa, com lojas e supermercados a oferecê-los aos clientes, com o intuito de estimular as compras. Posteriormente, foram introduzidos nos Estados Unidos (EUA), comercializados por serem considerados superiores aos sacos de papel.

Já em 1997, o marinheiro e pesquisador Charles Moore chocou o mundo ao descobrir o Great Pacific Garbage Patch, uma grande parte do oceano que acumulou uma enorme quantidade de lixo, principalmente plástico. Desde então, vários aglomerados de lixo foram descobertos nos oceanos.

Com o objectivo de minimizar o uso de plástico, vários países introduziram políticas que incluem a proibição total de sacos plásticos, o aumento dos impostos sobre esses objectos e campanhas ambientais. Cerca de 60 estados já instituíram mecanismos de controle.

A primeira proibição total de sacos de plástico ocorreu no Bangladesh, em 2002, com outros países a seguiram depois o exemplo. Em 2017, o Quénia foi elogiado por impor a mais dura proibição de sacos plásticos do mundo: o seu transporte inclui multas e pena de prisão, enquanto a produção e a importação podem levar a penalizações que variam entre 19 e os 38 mil dólares (entre 16,7 e 34 mil euros) e penas de prisão até 4 anos.

Ruanda é considerada a nação mais limpa da África, tendo sido uma das primeiras do desse continente a impor a proibição do plástico, em 2008, depois de as autoridades locais terem alertaram sobre a maneira controversa como os sacos de plástico eram descartados após o seu uso.

No entanto, apesar da proibição, países como Ruanda e Quénia registam um número elevado de contrabando de grandes quantidades de sacos plásticos para uso doméstico, comércio ilícito atribuído a uma demanda local esmagadora, com muitas pessoas a considerarem ainda os sacos plásticos baratos, convenientes e higiénicos.

Prevenir o uso e melhorar a gestão do plástico

Com o crescimento da controvérsia relativa ao plástico, têm crescido também as iniciativas e as propostas para diminuir a poluição causada por este material, desde a criação de embalagens bio-degradáveis até a incentivos monetários para uma melhor gestão.

Em Abril de 2018, o Guardian avançou que um grupo de cientistas conseguiu aprimorar a ‘performance’ de uma bactéria que decompõe plástico milhões de vezes mais rápido que a natureza, descoberta em 2016, no Japão. O grupo acredita que, um dia, será possível reduzir drasticamente a exploração de petróleo para a produção de garrafas de plástico.

Um relatório de 2018 dos Reis Jardins Botânicos de Kew, no Reino Unido, indicava que os cogumelos da espécie Aspergillus tubingensis são capazes de comer plástico. Em semanas, foram capazes de decompor um tipo de plástico muito utilizado para o isolamento de arcas congeladoras e couro sintético, que demora anos a decompor-se.

Outro dos exemplos foi desenvolvido por uma empresa escocesa, que adiciona um granulado feito de plástico reciclado ao processo de fazer o asfalto, existindo já “estradas de plástico” no Reino Unido, no Canadá e na Austrália. Cada tonelada de asfalto contém 20 mil garrafas de plástico ou cerca de 70 mil sacos de plástico.

Com uma pequena mudança na fórmula do plástico, que permite substituir o petróleo pela pedra calcária, um grupo de empreendedores chilenos conseguiu fabricar sacos plásticos e de tecido reutilizáveis que são solúveis em água e que não contaminam. A descoberta surgiu enquanto tentavam fabricar um detergente bio-degradável.

Já a cadeia de supermercados Netto, em parceria com o World Wildlife Fund for Nature (WFF), iniciou um projceto-piloto nas suas lojas na Dinamarca, cobrando o equivalente a cerca de sete cêntimos por cada saco de plástico. Depois, por cada saco devolvido pelos clientes, as lojas devolvem 13 cêntimos.

Por outro lado, por cada saco que não for devolvido, a Netto pagará esses mesmos 13 cêntimos (uma coroa dinamarquesa) à WFF para a ajudar a organização a remover plásticos da natureza e a combater a poluição mundial. Actualmente, a Suécia encontra-se a estudar uma alternativa parecida.

A Lego, que há 60 anos produz peças em plástico, anunciou em Março de 2018 que, a partir de 2030, vai deixar de usar este material, optando por outros mais sustentáveis ou à base de fibras de plantas, nomeadamente cana-de-açúcar. A marca segue, assim, outras grandes multinacionais, como a McDonald’s, a Nestlé e a Starbucks.

Taísa Pagno, ZAP //

Por TP
13 Fevereiro, 2019

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1837: Identificado pela primeira vez um “glaciar de plástico” nos Alpes

Daniel Schwen / wikimedia

Uma equipa de investigadores identificou pela primeira vez contaminação de micro-plásticos num glaciar dos Alpes, a 3.000 metros de altitude num parque nacional do norte de Itália.

A investigação foi dirigida por especialistas de universidades de Milão e demonstrou “pela primeira vez a contaminação de micro-plásticos num glaciar alpino”, disseram os investigadores num comunicado com o título ‘Um glaciar de plástico’.

A contaminação foi quantificada em 75 partículas de plásticos – entre poliéster, poliamida, polietileno e polipropileno – por cada quilo de sedimento, um valor comparável aos níveis observados nos sedimentos marinhos e costeiros da Europa.

Com base nestes dados os investigadores estimam que a língua – projecção de gelo na parte frontal – do glaciar Forni, um dos mais importantes de Itália, “poderá conter entre 131 e 162 milhões de partículas de plástico”.

Sobre a origem do plástico dizem que pode dever-se aos restos de material usado pelos alpinistas e pessoas que visitam o local, e também a partículas arrastadas pelo vento.

Os especialistas dizem que ainda não se tinha estudado a contaminação por plásticos de áreas de alta montanha, ainda que se saiba que o problema da contaminação existe em muitas regiões do planeta e que chegou mesmo às profundezas da Fossa das Marianas (no Oceano Pacífico, o local mais profundo dos mares).

“Graças a esta investigação, confirmamos a presença de micro-plásticos nos glaciares, e futuros estudos investigarão os aspectos biológicos associados a esta presença”, disse a professora Andrea Franzetti, da Universidade de Milão, citada pelo portal Le Scienze.

ZAP // Lusa

Por ZAP
11 Abril, 2019

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842: Plásticos também produzem gases com efeito de estufa

Ars Electronica / Flickr

Provavelmente nunca lhe passou pela cabeça, mas o plástico é uma fonte importante de gases com efeito de estufa – especialmente os sacos de plástico, que produzem metano enquanto se degradam.

Essas emissões que, em especial, os sacos de plástico produzem, nomeadamente de metano e etileno, não têm sido tidas em conta nos cálculos dos cientistas sobre a influência nas alterações climáticas da libertação de gás com efeito de estuda na atmosfera, indica o estudo, publicado no dia 1 deste mês na PLOS ONE.

Os investigadores fizeram testes em todos os tipos de produtos, como garrafas de água, sacos, embalagens e produtos industriais, e concluíram que o polietileno, o polímero mais usado, era o emissor “mais prolífico”.

Ainda que não tenham sido determinadas as quantidades de gases libertados, os investigadores advertem que é urgente fazê-lo, tendo em conta as oito mil milhões de toneladas de plástico no planeta, e uma produção que deve duplicar nas próximas décadas.

Citada pela BBC, Sarah-Jeanne Royer, investigadora da Universidade do Havai, explicou que esta descoberta foi completamente acidental. Os cientistas mediam o gás metano proveniente da actividade biológica da água do mar, quando perceberam que as garrafas de plástico que usavam com as amostras produziam mais metano do que os insectos aquáticos.

“Foi uma descoberta totalmente inesperada”, afirmou Royer, explicando que membros da equipa de investigação estavam a usar frascos de polietileno para estudar a produção biológica de metano e estranharam as concentrações muito maiores do que o esperado, descobrindo então que parte das emissões vinha da própria garrafa.

Além disso, a equipa descobriu que o plástico mais usado, o que serve para fazer os tradicionais sacos de supermercado, é o que produz maior quantidade de gases com efeito de estufa, que aumenta com a temperatura. Depois de 212 dias ao sol esse plástico emitia 176 vezes mais metano do que no início da experiência.

Ao actuar na superfície do plástico, a radiação solar vai acelerando a produção de gás, que acontece mesmo no escuro, explicam os investigadores no artigo científico. Até agora, a ligação entre os plásticos e as alterações climáticas centrava-se no uso de combustíveis fósseis para produzir esses plásticos.

Segundo Ashwani Gupta, cientista da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, o polietileno de baixa densidade emite etileno, metano e propano, mesmo a baixas temperaturas, o que contribui para as emissões de gases com efeito de estufa.

Ainda que as quantidades de metano e etileno produzidas a partir do plástico sejam pequenas, Royer fez questão de advertir que à medida que o plástico se rompe mais superfície fica exposta, aumentando a quantidade de gases que chega à atmosfera.

“Se olharmos para todo o plástico produzido desde 1950 ele está quase todo ainda no planeta, apenas se está a decompor e pedaços cada vez mais pequenos”, detalhou.

ZAP // Lusa

Por ZAP
4 Agosto, 2018

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