2510: Planta que não se reproduzia há 60 milhões de anos no Reino Unido revivida pelas alterações climáticas

CIÊNCIA

(dr) Ventnor Botanic Garden
Um cone macho de Cycas revoluta.

Há 60 milhões de anos que as cicas não se reproduziam no Reino Unido. Agora, com a subida das temperaturas devido às alterações climáticas, fizeram-no pela primeira vez.

As cicas são plantas lenhosas muito parecidas com as palmeiras, com as quais são confundidas frequentemente. Os exemplares mais antigos podem ser encontrados no Japão junto a templos e santuários. A Cycas revoluta é considerada um “fóssil vivo”, porque as suas características mantêm-se praticamente inalteradas desde a sua origem no início da era Mesozoica.

Encontradas com maior frequência em habitats tropicais e subtropicais, estas plantas estão agora a fazer um regresso natural ao Reino Unido, 60 milhões de anos depois. Segundo a VICE, com o agravamento do aquecimento global, tanto fêmeas como machos estão a surgir em ilhas britânicas.

Cicas são normalmente mantidas em jardins interiores nas grandes latitudes, mas no Jardim Botânico de Ventnor, na Ilha de Wight, são mantidos no exterior, onde normalmente é demasiado frio para que desenvolvam os cones necessários para se reproduzirem.

Um cone macho surgiu pela primeira vez no verão de 2012, em Ventnor, mas sem companhia feminina à vista. No entanto, este mês, o jardim botânico anunciou no seu blogue oficial o primeiro cone fêmea fora de portas no Reino Unido.

“Isto dá-nos uma excelente oportunidade de transferir o pólen e gerar sementes pela primeira vez no Reino Unido em 60 milhões de anos”, lê-se no blogue. Com a subida das temperaturas no país, as plantas sentiram-se em condições para produzir os cones necessários à reprodução.

Apesar de naturalmente as cicas serem polinizadas por besouros, o Jardim Botânico de Ventnor vai fertilizar as sementes manualmente. Esta será a primeira nova geração desta plantas nos últimos milhões de anos.

ZAP //

Por ZAP
25 Agosto, 2019

 

1556: Grande Morte. A maior extinção da Terra terá aniquilado primeiro as plantas

Pouca vida poderia suportar o cataclismo da Terra conhecido como a Grande Morte, mas as plantas podem ter morrido muito antes da maior parte das espécies animais, indica uma nova pesquisa liderada pela Universidade de Nebraska-Lincoln, nos Estados Unidos (EUA). As novas descobertas podem ajudar a perceber as actuais alterações no planeta.

Há cerca de 252 milhões de anos, com a crosta continental do planeta esmagada no super-continente Pangea, os vulcões da actual Sibéria entraram em erupção, expelindo carbono e metano na atmosfera. Durante aproximadamente dois milhões de anos, esse evento ajudou a extinguir 96% da vida oceânica e 70% dos vertebrados terrestres. Foi a maior extinção da história da Terra, conhecida como a Grande Morte ou Permiano-Triássico.

Segundo avançou a Phys Org, um novo estudo recentemente divulgado sugere, contudo, que o níquel – um sub-produto da erupção – pode ter levado à extinção da vida vegetal australiana quase 400 mil anos antes que a maioria das espécies marinhas morresse.

“Esta é uma grande novidade”, disse o principal autor do estudo, Christopher Fielding, professor de ciências da Terra e da Atmosfera. “As pessoas já o tinham insinuado, mas ninguém nunca definido. Agora temos uma linha do tempo”.

Os investigadores chegaram a esta conclusão ao estudar o pólen fossilizado, a composição química e a idade da rocha, bem como as camadas de sedimentos presentes nos penhascos do sudeste da Austrália.

Nas rochas de lama da Bacia de Sidney, foram descobertas altas concentrações de níquel, “o que é surpreendente porque não há fontes locais desse elemento”, notou a equipa.

Tracy Frank, professora e presidente da departamento de Ciências da Terra e Atmosféricas, disse que a descoberta aponta para a erupção de lava através de depósitos de níquel na Sibéria.

David McKelvey / Flickr
Vista de Coalcliff, em Nova Gales do Sul, Austrália, onde os investigadores descobriram evidências de que a maior extinção da Terra pode ter extinguido a vida vegetal quase 400 mil anos antes do desaparecimento das espécies de animais marinhas

Este fenómeno poderá ter convertido o níquel num aerossol que foi arrastado por milhares de quilómetros para o sul, tendo depois “descido e envenenado grande parte da vida vegetal”. Picos similares de níquel foram registados noutras partes do mundo, revelou.

“Foi uma combinação de circunstâncias”, disse Christopher Fielding, acrescentando que este “é um tema recorrente em todas as cinco grandes extinções em massa da história da Terra.”

Se for verdade, o fenómeno pode ter desencadeado uma série de outros: a morte de herbívoros pela falta de plantas e de carnívoros pela falta de herbívoros, assim como o transporte de sedimentos tóxicos para os mares, que já se recuperavam do aumento de dióxido de carbono, da acidez e das temperaturas.

Christopher Fielding e Tracy Frank, um dos três casais responsáveis pela pesquisa, encontraram outra evidência surpreendente.

Grande parte das pesquisas anteriores sobre a Grande Morte – muitas vezes conduzidas em locais próximos ao equador -, revelaram mudanças abruptas na coloração dos sedimentos depositados durante esse período.

“Mudanças de sedimentos de cor cinzenta para vermelha indicam, geralmente, que as cinzas e os gases de efeito emitidos pelo vulcão alterou o clima mundial em diversos aspectos”, disseram os pesquisadores.

No entanto, esse gradiente vermelho-cinza é muito mais gradual na Bacia de Sidney, afirmaram, sugerindo que a sua distância da erupção ajudou, inicialmente, a protegê-lo contra as intensas elevações de temperatura e acidez encontradas noutros lugares.

Embora as escala de tempo e a magnitude da Grande Morte tenham excedido as actuais crises ecológicas do planeta, Tracy Frank acredita que as semelhanças emergentes – especialmente os picos de gases de efeito estufa e o contínuo desaparecimento de espécies – fazem disso uma lição que vale a pena estudar.

“Olhar para esses eventos na história da Terra é útil porque nos permite ver o que é possível”, assegurou. “Como o sistema da Terra foi perturbado no passado? O que aconteceu em determinados locais? A que velocidade foram as mudanças? Isso nos dá uma base para trabalhar – um contexto para o que está a acontecer agora“, concluiu.

Taísa Pagno, ZAP // Phys Org

Por TP
4 Fevereiro, 2019

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1088: Plantas do Árctico estão a crescer mais (e a culpa é das mudanças climáticas)

(dr) Anne D. Bjorkman
Salix arctica é um das espécies de arbustos dominante no Ártico

Uma nova investigação levada a cabo pela Universidade de Edimburgo, na Escócia, revelou que as plantas do Árctico estão a crescer mais devido às alterações climáticas.

De acordo com o novo estudo, publicado esta quarta-feira na Nature, apesar de o Árctico ser geralmente visto como uma vasta e desolada paisagem de gelo, é na verdade habitat de centenas de espécies de arbustos, gramíneas e outras plantas que desempenham um papel crítico no ciclo do carbono e no equilíbrio energético.

Os investigadores a concluíram que um dos efeitos das alterações climáticas é o aumento da altura das plantas na tundra árctica nos últimos 30 anos. Myers-Smith, uma das autoras do estudo, estima que, mantendo-se a tendência actual, a flora do Árctico pode duplicar a sua altura até ao fim do século.

“Este pode não parecer um aumento muito dramático, mas se o compararmos com os ecossistemas das florestas à volta das nossas casas – e se o seu tamanho duplicasse – isso seria mudança bem mais dramática”, elucidou a investigadora em declarações à BBC.

As conclusões do estudo, realizado por uma equipa de 130 biólogos de várias instituições científicas basearam-se em mais de 60.000 observações em centenas de locais no Alasca, Canadá, Islândia, Escandinávia e Sibéria.

De acordo com um comunicado da Universidade de Edimburgo, trata-se do estudo de plantas mais exaustivo até à actualidade na região do Árctico.

ZAP // Lusa

Por ZAP
29 Setembro, 2018

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