3524: Mercúrio poderá abrigar vida, dizem os cientistas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Mercúrio tem despertado uma renovada atenção. Depois dos cientistas se interessarem pela possibilidade de ter gelo e pelo estranho campo magnético, agora os investigadores debruçam-se sobre outro foco.

De acordo com um estudo publicado na semana passada, há uma hipótese minúscula de que Mercúrio, o vizinho mais próximo do Sol, tenha tudo o que precisa para hospedar a vida.

Mercúrio poderá ter água e ter vida

Mercúrio é quente, tem uma temperatura média de cerca de 400 °C, mas isso não impede este planeta de ser interessante. De tal forma que os cientistas estão a rever as imagens do astro obtidas pelas passagens da sonda Mariner 10 em 1974.

É possível que, enquanto houver água, as temperaturas sejam apropriadas para a sobrevivência e, possivelmente, para a origem da vida.

Referiu ao jornal norte-americano New York Times Jeffrey Kargel, co-autor do novo estudo.

No estudo, a equipa de investigadores sugere que a superfície caótica de Mercúrio não é o resultado de terramotos, como sustenta a teoria predominante. Em vez disso, eles argumentam que as fendas na superfície são causadas por voláteis – elementos que podem mudar rapidamente de um estado para o outro, como quando um líquido se transforma num gás – que borbulham sob Mercúrio.

Conforme referiram, os elementos voláteis, como a água, podem proporcionar um ambiente favorável à vida no subsolo – a superfície em si é quente demais, aquecendo cerca de 426 °C durante o dia.

Extensão de um vasto terreno caótico (contorno branco) no antípoda da bacia de Caloris.

Não é uma possibilidade absurda

A ideia de vida em Mercúrio ainda é um tiro no escuro, mas os investigadores estão esperançosos.

Pensei que, em algum momento, Alexis [Rodriguez] tivesse perdido [o sentido das suas ideias]. Mas, quanto mais investigava as evidências geológicas e mais pensava sobre as condições químicas e físicas do planeta, mais me apercebi que essa ideia – bem, pode ser de loucos, não completamente de loucos.

Concluiu Kargel ao mesmo jornal.

A vida noutros planetas parece agora ser mais viável, provavelmente a tecnologia estará a abrir novas perspectivas.

Mercúrio poderá ter gelo. Mas como é possível com temperaturas de 400°C?

Mercúrio é um planeta ainda com muitas perguntas por responder. Este é o menor e mais interno planeta do Sistema Solar e órbita o Sol a cada 87,969 dias terrestres. A temperatura média é … Continue a ler Mercúrio poderá ter gelo. Mas como é possível com temperaturas de 400°C?

 

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3499: Descobertos novos planetas menores para lá de Neptuno

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A cúpula do Telescópio Blanco no Observatório Inter-Americano de Cerro Tololo no Chile, onde a câmara DES usada para o levantamento DES estava instalada.
Crédito: Reidar Hahn, Fermilab

Usando dados do DES (Dark Energy Survey), investigadores descobriram mais de 300 objectos transneptunianos (OTNs), planetas menores localizados nos confins do Sistema Solar, incluindo mais de 100 novas descobertas. Publicado na revista The Astrophysical Journal Supplement Series, o estudo também descreve uma nova abordagem para encontrar tipos semelhantes de objectos e pode ajudar pesquisas futuras do hipotético Planeta Nove e de outros planetas não descobertos. O trabalho foi liderado pelo aluno Pedro Bernardinelli e pelos professores Gary Bernstein e Masao Sako da Universidade da Pensilvânia, EUA.

O objectivo do DES, que completou em Janeiro seis anos de recolha de dados, é entender a natureza da energia escura, recolhendo imagens de alta precisão do céu do hemisfério sul. Embora o DES não tenha sido desenhado especificamente para os OTNs, a sua abrangência e profundidade de cobertura tornaram-no particularmente hábil em encontrar novos objectos para lá de Neptuno. “O número de OTNs que podemos encontrar depende de quanto do céu podemos observar e do objecto mais ténue que podemos encontrar,” diz Bernstein.

Dado que o DES foi projectado para estudar galáxias e super-novas, os investigadores tiveram que desenvolver uma mova maneira de rastrear movimento. Dois levantamentos dedicados a OTNs recolhem medições com a frequência de uma ou duas horas, o que permite que os cientistas sigam mais facilmente os seus movimentos. “As pesquisas dedicadas a OTNs têm como ver o objeto a mover-se e é fácil rastreá-los,” diz Bernardinelli. “Uma das principais coisas que fizemos neste artigo foi descobrir uma maneira de recuperar esses movimentos.”

Usando os primeiros quatros anos de dados do DES, Bernardinelli começou com um conjunto de dados de 7 mil milhões de ‘pontos’, todos os possíveis objectos detectados pelo software que estavam acima dos níveis de fundo da imagem. Seguidamente, removeu quaisquer objectos presentes em noites múltiplas – objectos como estrelas, galáxias e super-novas – para criar uma lista “transiente” de 22 milhões de objectos antes de iniciar um jogo massivo de “liga os pontos”, procurando pares ou trios de objectos detectados a fim de ajudar a determinar onde o objecto apareceria nas noites subsequentes.

Com os 7 mil milhões de pontos reduzidos a uma lista de aproximadamente 400 candidatos vistos em pelo menos seis noites de observações, os investigadores tiveram que verificar os seus resultados. “Temos esta lista de candidatos e depois precisamos de garantir que os nossos candidatos são realmente verdadeiros,” explica Bernardinelli.

Para filtrar a sua lista de candidatos até OTNs reais, os investigadores voltaram ao conjunto de dados originais para ver se conseguiam encontrar mais imagens do objecto em questão. “Digamos que encontrámos algo em seis noites diferentes,” realça Bernstein. “Para os OTNs que existem, observámo-los na realidade em 25 noites diferentes. Isto significa que há imagens onde esse objecto deveria estar, mas não conseguiu passar pela primeira etapa de ser chamado de ‘ponto’.”

Bernardinelli desenvolveu uma maneira de “empilhar” várias imagens para criar uma visão mais nítida, o que ajudou a confirmar se um objecto detectado era um OTN real. Também verificaram que o seu método era capaz de detectar OTNs conhecidos nas áreas do céu em estudo e foram capazes de detectar objectos falsos injectados na análise. “A parte mais difícil foi tentar garantir que encontrássemos o que deveríamos encontrar,” diz Bernardinelli.

Após muitos meses de desenvolvimento de método e de análise, os cientistas encontraram 316 OTNs, incluindo 245 descobertas feitas pelo DES e 139 novos objectos que não tinham sido publicados anteriormente. Com apenas 3000 objectos actualmente conhecidos, este catálogo DES representa 10% de todos os objectos transneptunianos conhecidos. Plutão, o OTN mais famoso, está 40 vezes mais distante do Sol do que a Terra, e os OTNs encontrados usando os dados do DES estão entre 30 e 90 vezes a distância Terra-Sol. Alguns destes objectos estão em órbitas extremamente longas que os levam muito além de Plutão.

Agora que o DES está completo, os investigadores estão a executar novamente a sua análise de todo o conjunto de dados do DES, desta vez com um limite mais baixo para a detecção de objectos no primeiro estágio de filtragem. Isto significa que há um potencial ainda maior para, no futuro próximo, encontrar novos OTNs, possivelmente até 500, com base nas estimativas dos investigadores.

O método desenvolvido por Bernardinelli também pode ser usado para procurar OTNs nos próximos levantamentos astronómicos, incluindo o do novo Observatório Vera C. Rubin. Este observatório vai examinar todo o céu do hemisfério sul e será capaz de detectar objectos ainda mais fracos e mais distantes do que o DES. “Muitos dos programas que desenvolvemos podem ser facilmente aplicados a outros grandes conjuntos de dados, como o que o Observatório Rubin vai produzir,” salienta Bernardinelli.

Este catálogo de OTNs também será uma ferramenta científica útil para investigações futuras do Sistema Solar. Dado que o DES recolhe um amplo espectro de dados sobre cada objecto detectado, os investigadores podem tentar descobrir a origem do objecto transneptuniano, tendo em conta que se espera que objectos que se formam mais perto do Sol tenham cores diferentes daqueles formados em regiões mais distantes e mais frias. E, ao estudar as órbitas destes objectos, os cientistas podem estar um passo mais perto de encontrar o Planeta Nove, um planeta hipotético do tamanho de Neptuno que se pensa existir para lá de Plutão.

“Há muitas ideias sobre planetas gigantes que costumavam existir no Sistema Solar e que não existem mais, ou planetas muito distantes e massivos, mas que são demasiado ténues para os termos ainda descoberto,” diz Bernardinelli. “Fazer este catálogo é a parte divertida da descoberta. Depois, quando criamos este recurso, podemos comparar o que encontramos com o que a teoria disse que devíamos encontrar.”

Astronomia On-line
17 de Março de 2020

 

spacenews

 

3493: ExoMars adiada para 2022 devido ao Covid-19

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A ExoMars tem como objectivo detectar a existência de água em Marte Ilustração produzida pela ESA

“Ambas as partes reconhecem que a fase final das actividades da ExoMars ficaram comprometidas pelo agravamento geral da situação epidemiológica nos países europeus”, refere o comunicado conjunto da ESA e da Roscosmos.

Os responsáveis máximos da Agência Espacial Europeia (ESA) e da agência espacial da Rússia (Roscosmos) concordaram esta quinta-feira em adiar o lançamento da missão espacial ExoMars para 2022. Em comunicado conjunto, as duas agências espaciais confirmam que os efeitos produzidos pelo novo Coronavirus inviabilizaram o cumprimento do calendário previsto para a fase final de preparativos, e em consequência o lançamento da sonda, originalmente agendado para Julho de 2020. A nova data prevê que o lançamento da ExoMars se faça entre Agosto e Outubro de 2022.

“Ambas as partes reconhecem que a fase final das actividades da ExoMars ficaram comprometidas pelo agravamento geral da situação epidemiológica nos países europeus”, refere o comunicado conjunto da ESA e da Roscosmos.

A escolha da nova data teve em conta o facto de que as órbitas e respectivos posicionamentos de Marte e Terra restringem o período de lançamento de missões espaciais que partem da Terra em direcção a Marte a períodos de 10 dias que só ocorrem de dois em dois anos.

O adiamento do lançamento da ExoMars foi decidido após reunião entre Jan Wörner, director geral da ESA, e Dmitry Rogozin, líder da Roscosmos.

Os responsáveis das duas agências espaciais informam que tomaram esta decisão depois de tomarem conhecimento das opiniões fornecidas pelos inspectores gerais das duas agências espaciais. Os próprios especialistas envolvidos no desenvolvimento da ExoMars terão concluído que era necessário mais tempo para testar os diferentes componentes antes de levar a cabo o lançamento da ExoMars.

“Queremos ter a certeza a 100% de que esta será uma missão bem-sucedida. Não podemos permitir-nos nenhuma margem de erro. Mais actividades de verificação deverão assegurar uma viagem segura e os melhores resultados”, reiterou Jan Wörner, citado pelo comunicado conjunto das duas agências espaciais.

À decisão de adiamento do lançamento da ExoMars não será alheio o desfecho menos feliz da primeira missão, que logrou lançar um orbitador em torno do “planeta vermelho”, mas que acabou por fracassar no que toca à aterragem de uma sonda no solo marciano (a sonda despenhou-se violentamente no solo).

Entre os principais objectivos da ExoMars destaca-se a busca e detecção de água em Marte. “ A ExoMars será a primeira missão que vai à procura de sinais de vida em profundidades a mais de dois metros abaixo da superfície marciana, onde as assinaturas biológicas de vida deverão estar preservadas de uma forma considerada única”, refere o comunicado relativo ao adiamento da missão.

ESA e Roscosmos garantem já ter integrado todos os componentes necessários para a viagem espacial – e até o rover Rosalind Franklin, que deverá explorar a superfície de Marte com novo instrumentos científicos a bordo, já havia passado com sucesso os testes térmicos e em vácuo.

A plataforma de aterragem que é conhecida por Kazachok também já se encontra completamente equipada com 13 equipamentos científicos. Também os sistemas de para-quedas dinâmicos já começaram a ser testados – prevendo-se que a última vaga de testes, que envolve os para-quedas principais possa ser realizada ainda em Março, nos EUA. O módulo que deverá descer até Marte também já foi alvo de testes em França, no passado mês.

Exame Informática
12.03.2020 às 12h48
Hugo Séneca
Hugo Séneca

 

 

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3492: Telescópio do ESO observa exoplaneta onde chove ferro

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

eso2005pt — Nota de Imprensa Científica

Com o auxílio do Very Large Telescope (VLT) do ESO, investigadores observaram um planeta extremo onde se pensa que chova ferro. O exoplaneta gigante ultra quente tem um lado diurno onde as temperaturas sobem aos 2400º Celsius, ou seja, suficientemente altas para vaporizar metais. Ventos fortes transportam vapor de ferro para o lado nocturno mais frio, onde este vapor condensa em gotas de ferro.

Podemos dizer que este planeta é chuvoso ao final da tarde, a diferença é que a chuva é de ferro,” disse David Ehrenreich, professor na Universidade de Geneva, Suíça, que liderou um estudo sobre este exoplaneta exótico, publicado hoje na revista Nature. Conhecido por WASP-76b, o exoplaneta situa-se a cerca de 640 anos-luz de distância da Terra, na constelação dos Peixes.

Este estranho fenómeno ocorre porque o planeta da “chuva de ferro” apenas mostra uma face, o lado diurno, à sua estrela progenitora, estando o lado nocturno sempre na escuridão. Tal como a Lua que orbita em torno da Terra, WASP-76b encontra-se em rotação sincronizada, o que significa que demora tanto tempo a completar uma rotação em torno do seu eixo como a dar uma volta em torno da sua estrela.

O lado diurno recebe milhares de vezes mais radiação da sua estrela hospedeira do que a Terra recebe do Sol, e por isso encontra-se tão quente que as moléculas se separam em átomos e os metais, tais como o ferro, se evaporam para a atmosfera. A extrema diferença de temperatura entre os lados diurno e nocturno resulta em ventos vigorosos que levam o vapor de ferro do lado diurno ultra quente até ao lado nocturno mais frio, onde as temperaturas baixam para cerca de 1500º Celsius.

De acordo com o novo estudo, WASP-76b não tem apenas diferentes temperaturas entre os lados diurno e nocturno, mas apresenta também uma química diferente entre os dois lados. Com o auxílio do instrumento ESPRESSO montado no VLT do ESO, situado no deserto chileno do Atacama, os astrónomos identificaram pela primeira vez variações químicas num planeta gigante gasoso ultra quente. Os cientistas detectaram uma forte assinatura de vapor de ferro na fronteira do final da tarde, a qual separa o lado diurno do planeta do seu lado nocturno. “Surpreendentemente, não vemos, no entanto, vapor de ferro na manhã,” diz Ehrenreich, “o que significa que chove ferro no lado nocturno deste exoplaneta extremo”.

As observações mostram que o vapor de ferro é abundante na atmosfera do lado diurno quente de WASP-76b,” acrescenta María Rosa Zapatero Osorio, astrofísica do Centro de Astrobiologia de Madrid, Espanha, e chefe da equipa científica do ESPRESSO. ”Uma fracção deste ferro é injectada no lado nocturno, devido à rotação do planeta e aos ventos atmosféricos. Aí, o ferro encontra ambientes muito mais frios, o que faz com que condense e precipite.

Este resultado foi obtido em Setembro de 2018, a partir das primeiras observações científicas do ESPRESSO, pelo consórcio científico que construiu o instrumento: uma equipa de Portugal, Itália, Suíça, Espanha e ESO.

O ESPRESSO (Echelle SPectrograph for Rocky Exoplanets and Stable Spectroscopic Observations) foi originalmente concebido para procurar planetas do tipo terrestre em torno de estrelas do tipo solar. No entanto, rapidamente provou ser muito mais versátil. ”Depressa compreendemos que o notável poder colector do VLT e a estabilidade extrema do ESPRESSO, transformavam este instrumento na máquina perfeita para estudar atmosferas exoplanetárias,” disse Pedro Figueira, cientista do instrumento ESPRESSO no ESO, Chile.

Temos agora uma maneira completamente nova de investigar as condições atmosféricas dos exoplanetas mais extremos,” conclui Ehrenreich.

Notas

Uma versão anterior desta nota de imprensa indicava erradamente que a distância a WASP-76b eram 390 anos-luz, com base num estudo de 2016. Dados mais recentes indicam que o exoplaneta se encontra a 640 anos-luz de distância da Terra.

Informações adicionais

Este trabalho foi descrito num artigo científico publicado na revista Nature.

A equipa é composta por David Ehrenreich (Observatoire Astronomique de l’Université de Genève, Geneva, Suíça [UNIGE]), Christophe Lovis (UNIGE), Romain Allart (UNIGE), María Rosa Zapatero Osorio (Centro de Astrobiología, Madrid, Espanha [CSIC-INTA]), Francesco Pepe (UNIGE), Stefano Cristiani (INAF Osservatorio Astronomico di Trieste, Itália [INAF Trieste]), Rafael Rebolo (Instituto de Astrofísica de Canarias, Tenerife, Espanha [IAC]), Nuno C. Santos (Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, Universidade do Porto, Portugal [IA/UPorto] & Departamento de Física e Astronomia, Faculdade de Ciências, Universidade do Porto, Portugal [FCUP]), Francesco Borsa (INAF Osservatorio Astronomico di Brera, Merate, Itália [INAF Brera]), Olivier Demangeon (IA/UPorto), Xavier Dumusque (UNIGE), Jonay I. González Hernández (IAC), Núria Casasayas-Barris (IAC), Damien Ségransan (UNIGE), Sérgio Sousa (IA/UPorto), Manuel Abreu (Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, Universidade de Lisboa, Portugal [IA/FCUL] & Departamento de Física da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Portugal [FCUL], Vardan Adibekyan [IA/UPorto], Michael Affolter (Physikalisches Institut & Centro do Espaço e Habitabilidade, Universität Bern, Suíça [Bern]), Carlos Allende Prieto (IAC), Yann Alibert (Bern), Matteo Aliverti (INAF Brera), David Alves (IA/FCUL & FCUL), Manuel Amate (IA/UPorto), Gerardo Avila (Observatório Europeu do Sul, Garching bei München, Alemanha [ESO]), Veronica Baldini (INAF Trieste), Timothy Bandy (Bern), Willy Benz (Bern), Andrea Bianco (INAF Brera), Émeline Bolmont (UNIGE), François Bouchy (UNIGE), Vincent Bourrier (UNIGE), Christopher Broeg (Bern), Alexandre Cabral (IA/FCUL & FCUL), Giorgio Calderone (INAF Trieste), Enric Pallé (IAC), H. M. Cegla (UNIGE), Roberto Cirami (INAF Trieste), João M. P. Coelho (IA/FCUL & FCUL), Paolo Conconi (INAF Brera), Igor Coretti (INAF Trieste), Claudio Cumani (ESO), Guido Cupani (INAF Trieste), Hans Dekker (ESO), Bernard Delabre (ESO), Sebastian Deiries (ESO), Valentina D’Odorico (INAF Trieste & Scuola Normale Superiore, Pisa, Itália), Paolo Di Marcantonio (INAF Trieste), Pedro Figueira (Observatório Europeu do Sul, Santiago de Chile, Chile [ESO Chile] & IA/UPorto), Ana Fragoso (IAC), Ludovic Genolet (UNIGE), Matteo Genoni (INAF Brera), Ricardo Génova Santos (IAC), Nathan Hara (UNIGE), Ian Hughes (UNIGE), Olaf Iwert (ESO), Florian Kerber (ESO), Jens Knudstrup (ESO), Marco Landoni (INAF Brera), Baptiste Lavie (UNIGE), Jean-Louis Lizon (ESO), Monika Lendl (UNIGE & Instituto de Investigação do Espaço, Academia das Ciências austríaca, Graz, Áustria), Gaspare Lo Curto (ESO Chile), Charles Maire (UNIGE), Antonio Manescau (ESO), C. J. A. P. Martins (IA/UPorto & Centro de Astrofísica da Universidade do Porto, Portugal), Denis Mégevand (UNIGE), Andrea Mehner (ESO Chile), Giusi Micela (INAF Osservatorio Astronomico di Palermo, Itália), Andrea Modigliani (ESO), Paolo Molaro (INAF Trieste & Instituto de Física Fundamental do Universe, Trieste, Itália), Manuel Monteiro (IA/UPorto), Mário Monteiro (IA/UPorto & FCUP), Manuele Moschetti (INAF Brera), Eric Müller (ESO), Nelson Nunes (IA), Luca Oggioni (INAF Brera), António Oliveira (IA/FCUL & FCUL), Giorgio Pariani (INAF Brera), Luca Pasquini (ESO), Ennio Poretti (INAF Brera & Fundación Galileo Galilei, INAF, Breña Baja, Espanha), José Luis Rasilla (IAC), Edoardo Redaelli (INAF Brera), Marco Riva (INAF Brera), Samuel Santana Tschudi (ESO Chile), Paolo Santin (INAF Trieste), Pedro Santos (IA/FCUL & FCUL), Alex SegovIA/FCULMilla (UNIGE), JulIA/FCULV. Seidel (UNIGE), Danuta Sosnowska (UNIGE), Alessandro Sozzetti (INAF Osservatorio Astrofisico di Torino, Pino Torinese, Itália), Paolo Spanò (INAF Brera), Alejandro Suárez Mascareño (IAC), Hugo Tabernero (CSIC-INTA & IA/UPorto), Fabio Tenegi (IAC), Stéphane Udry (UNIGE), Alessio Zanutta (INAF Brera), Filippo Zerbi (INAF Brera).

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Este texto é a tradução da Nota de Imprensa do ESO eso2005, cortesia do ESON, uma rede de pessoas nos Países Membros do ESO, que servem como pontos de contacto local com os meios de comunicação social, em ligação com os desenvolvimentos do ESO. A representante do nodo português é Margarida Serote.

 

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3488: Marte: fotografia panorâmica incrível mostra o planeta vermelho “com outros olhos”

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A NASA cada vez conhece melhor o planeta vermelho e traz-nos algumas das imagens que consegue captar. Assim, desta vez, recorrendo à tecnologia do rover Curiosity, foi conseguida a melhor e mais impressionante vista de Marte. A composição desta imagem panorâmica do planeta foi composta por mil imagens da paisagem.

Vejam como se parece o solo marciano, algo que um dia os humanos irão testemunhar lá, pessoalmente.

Imagens como esta são uma janela para outro mundo

O rover Curiosity da NASA captou uma imagem panorâmica de Marte. Conforme podemos ver aqui, este é um impressionante mosaico composto por mais de 1000 imagens da paisagem (2,3 GB). Para tal, foi usada uma resolução incrível de 1,8 mil milhões de pixels. O mais fantástico de tudo é que uma ferramenta interactiva permite-nos “andar” no terreno e aproximar-nos de qualquer ponto que achemos interessante. É quase como estar lá!

A fantástica foto foi captada pela teleobjectiva Mastcam do veículo. Além desta, uma outra lente de ângulo médio produziu uma foto de menor resolução de quase 650 milhões de pixels, que inclui a plataforma do rover e o braço robótico.

Explorar Marte com os olhos de alta resolução o Curiosity

Ambas as panorâmicas mostram Glen Torridon, uma região próxima ao Monte Sharp que a Curiosity está a explorar. Estas imagens foram captadas entre 24 de Novembro e 1 de Dezembro, quando a equipa da missão estava em férias (feriado de Acção de Graças). Posteriormente, nos meses seguintes, as imagens foram reunidas e renderizadas.

A máquina, deixada no solo de Marte à espera da sua equipa, “tomou a liberdade” de ir captando imagens ao redor e com intervalos que permitiram a fantástica fotografia. Assim, o rover demorou mais de 6 horas e meia para fotografar cada imagem individualmente. Tal trabalho ocupou a sonda durante os 4 dias em que “não tinha trabalho”.

Um regalo para os olhos

Os operadores da Mastcam programaram a complexa lista de tarefas, que incluía apontar para o mastro do veículo e certificar-se de que as imagens estavam focadas. Para assegurar uma iluminação constante, limitaram as imagens entre o meio-dia e as 14h, hora local em Marte, todos os dias. Isto permite-lhes observar tudo desde os detalhes dos componentes do rover até às crateras e montanhas ao fundo.

Enquanto muitos da nossa equipa estavam em casa a saborear o peru, a Curiosity produziu esta festa para os olhos. Esta é a primeira vez que dedicamos as nossas operações a um panorama estéreo de 360 graus.

Explicou Ashwin Vasavada, cientista e líder do Projeto Curiosity no Laboratório de Propulsão a Jacto (JPL) da NASA.

Em 2013, a Curiosity produziu um panorama de 1,3 mil milhões de pixels com as duas câmaras Mastcam. As suas câmaras de navegação a preto e branco forneceram imagens do próprio veículo.

Portanto, utilizando as imagens, os especialistas conseguem montar cuidadosamente estes panoramas marcianos, como se fossem janelas para outro mundo.

Pplware
06 Mar 2020

 

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3487: Estudo descobre que moléculas orgânicas, encontradas pelo rover Curiosity, são consistentes com vida precoce em Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista de Marte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Compostos orgânicos chamados tiofenos podem ser encontrados na Terra em carvão, no crude e, curiosamente, em trufas brancas, o cogumelo amado por epicuristas e porcos selvagens.

Os tiofenos também foram recentemente descobertos em Marte, e o astro-biólogo Dirk Schulze-Makuch da Universidade Estatal de Washington acha que a sua presença seria consistente com a presença de vida precoce em Marte.

Schulze-Makuch e Jacob Heinz, da Universidade Técnica de Berlim, exploram algumas das possíveis origens dos tiofenos no Planeta Vermelho num novo artigo publicado na revista Astrobiology. O seu trabalho sugere que um processo biológico, provavelmente envolvendo bactérias e não uma trufa, pode ter desempenhado um papel na existência do composto orgânico no solo marciano.

“Nós identificámos vários vias biológicas para os tiofenos que parecem mais prováveis do que algumas químicas, mas ainda precisamos de provas,” disse Dirk Dirk Schulze-Makuch. “Se encontrarmos tiofenos na Terra, vamos pensar que são biológicos, mas em Marte, claro, o patamar para provar tal coisa precisa de ser um pouco mais elevado.”

As moléculas de tiofeno têm quatro átomos de carbono e um átomo de enxofre dispostas num anel, e tanto o carbono quanto o enxofre são elementos bio-essenciais. No entanto, Schulze-Makuch e Heinz não puderam excluir processos não biológicos que levaram à existência destes compostos em Marte.

Os impactos de meteoros parecem fornecer uma possível explicação abiótica. Os tiofenos também podem ser criados através de redução termoquímica de sulfato, um processo que envolve um conjunto de compostos que são aquecidos a 120º c ou mais.

No cenário biológico, as bactérias, que podem ter existido há mais de 3 mil milhões de anos atrás, quando Marte estava mais quente e húmido, poderiam facilitar um processo de redução de sulfato que resulta em tiofenos. Existem também outras vias em que os tiofenos são decompostos por bactérias.

Embora o rover Curiosity tenha fornecido muitas pistas, usa técnicas que quebram moléculas maiores nos seus componentes, para que os cientistas possam apenas olhar para os fragmentos resultantes.

Poderão surgir mais evidências do próximo rover, Rosalind Franklin, com lançamento previsto para Julho de 2020. Transportará o instrumento MOMA (Mars Organic Molecule Analyzer), que usa um método de análise menos destrutivo e que permitirá a recolha de moléculas maiores.

Schulze-Makuch e Heinz recomendam o uso dos dados recolhidos pelo próximo rover marciano para examinar os isótopos de carbono e enxofre. Os isótopos são variações dos elementos químicos que possuem números diferentes de neutrões que a forma típica, resultando em diferenças de massa.

“Os organismos são ‘preguiçosos’. Preferem usar variações isotópicas leves do elemento porque isso custa-lhes menos energia,” disse.

Os organismos alteram as proporções de isótopos pesados e leves nos compostos que produzem, que são substancialmente diferentes dos rácios encontrados nos seus blocos de construção, que Schulze-Makuch chama de “um sinal revelador de vida.”

No entanto, mesmo que o próximo rover descubra evidências isotópicas, ainda não serão suficientes para provar definitivamente que existe ou já existiu vida em Marte.

“Como Carl Sagan disse, ‘afirmações extraordinárias exigem evidências extraordinárias,” realçou Schulze-Makuch. “Acho que a prova realmente vai exigir o envio de pessoas a Marte, e um astronauta observar através de um microscópio e ver um micróbio em movimento.”

Astronomia On-line
6 de Março de 2020

 

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E se os misteriosos planetas de “algodão doce” tiverem na realidade anéis?

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista do modelo de Piro e Vissapragada de um anel com anéis a transitar em frente da sua estrela hospedeira. Os cientistas usaram estes modelos para restringir quais dos planetas super-inchados conhecidos podem ser explicados por anéis.
Crédito: Robin Dienel e cortesia do Instituto Carnegie para Ciência

De acordo com uma nova investigação publicada na revista The Astronomical Journal, por Anthony Piro do Instituto Carnegie para Ciência e Shreyas Vissapragada do Caltech, alguns dos exoplanetas de densidade extremamente baixa, chamados planetas de “algodão doce”, podem na realidade ter anéis.

Estes planetas super-inchados são conhecidos por terem raios extremamente grandes para as suas massas – o que lhes daria densidades aparentemente incrivelmente baixas. Os corpos com este nome adorável têm confundido os cientistas desde que foram descobertos, porque são diferentes de quaisquer planetas no nosso Sistema Solar e desafiam as nossas ideias do aspecto dos planetas distantes.

“Começámos a pensar, e se estes planetas não forem como algodão doce,” disse Piro. “E se estes planetas super-inchados só parecem muito grandes porque estão na verdade cercados por anéis?”

No nosso próprio Sistema Solar, todos os planetas gigantes de gás e gelo têm anéis, o exemplo mais conhecido sendo os majestosos anéis de Saturno. Mas tem sido difícil para os astrónomos descobrir planetas com anéis em órbita de estrelas distantes.

Os raios dos exoplanetas são medidos durante o trânsito – quando o exoplaneta cruza a frente da sua estrela hospedeira, provocando uma queda na luz estelar. Quanto maior a diminuição de brilho, maior o exoplaneta.

“Começámos a pensar: se olhássemos para o Sistema Solar, a partir de um mundo distante, será que conseguíamos reconhecer Saturno como um planeta com anéis, ou pareceria um planeta inchado para um astrónomo alienígena,” perguntou Vissapragada.

Para testar esta hipótese, Piro e Vissapragada simularam o aspecto de um exoplaneta com anéis para um astrónomo com instrumentos de alta precisão que observava o seu trânsito em frente da estrela-mãe. Também investigaram os tipos de materiais no anel que poderiam explicar as observações de super-inchados.

O seu trabalho demonstrou que os anéis podem explicar alguns, mas não todos, os planetas super-inchados que a missão Kepler da NASA descobriu até agora.

“Estes planetas tendem a orbitar em íntima proximidade as suas estrelas hospedeiras, o que significa que os anéis teriam que ser rochosos e não gelados,” explicou Piro. “Mas os raios dos anéis rochosos só podem ter um determinado tamanho, a não ser que as rochas sejam muito porosas, de modo que nem todos os super-inchados encaixariam nestas restrições.”

Segundo Piro e Vissapragada, três super-inchados são candidatos especialmente bons para anéis – Kepler-87c e 177c, assim como HIP 41378f.

As observações de acompanhamento para confirmar o seu trabalho só serão possíveis depois do lançamento do Telescópio Espacial James Webb da NASA, previsto para o ano que vem, porque os actuais telescópios terrestres e espaciais não têm a precisão necessária para confirmar a presença de anéis em redor destes mundos distantes.

Se alguns dos super-inchados forem confirmados como planetas com anéis, isto melhoraria a compreensão dos astrónomos de como estes sistemas planetários se formaram e evoluíram em torno das suas estrelas hospedeiras

Astronomia On-line
6 de Março de 2020

 

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3484: NASA descobre um estranho e incomum buraco no solo de Marte

CIÊNCIA

Marte brinda os cientistas com cenários selvagens e deslumbrantes. De tal forma que há novidades que conseguem inquietar quem estuda mais afincadamente o terreno do planeta. Conforme podemos ver numa imagem publicada no blogue de ciências da NASA e na Astronomy Photo of the Day desta semana, o solo marciano tem ainda muitos segredos por desvendar. A fotografia mostra o que parece ser uma montanha… mas completamente escavada.

A NASA partilhou esta imagem que parece ser uma montanha oca com um buraco incomum no centro.

Bolsa de lava cria buraco em Marte

Embora não seja um produto de alguma experiência estranha no âmbito da escavação mineira, a formação é realmente oca. Segundos os cientistas, o que estamos a ver é mesmo uma espécie de clarabóia de um tubo de lava, o produto da antiga actividade vulcânica abaixo da superfície de Marte.

A característica está nas encostas ocidentais de um vulcão chamado Pavonis Mons, cujas regiões circundantes mostram algumas características geológicas bastante impressionantes. Existem longos tubos serpenteantes de lava, características de falhas chamadas grabens e, é claro, a grande cratera vulcânica em si.

A imagem acima foi tirada pela sonda Mars HiRise em 2011 e chamou a atenção dos cientistas de Marte apenas por ser incomum.

Um olhar mais atento revelou que era uma clarabóia – ou seja, uma superfície que se abre para um tubo de lava abaixo. É oco porque às vezes os fluxos de lava podem solidificar na superfície enquanto o fluxo continua abaixo. Então, a lava que flui pode escorrer, deixando para trás cavernas de tubos de lava. Nesse sentido, com o passar do tempo, as secções do telhado podem entrar em colapso, dando origem à clarabóia.

Clarabóia que ilumina o interior marciano

A análise desta clarabóia revelou que a abertura tinha cerca de 35 metros de diâmetro. O topo da pilha de escombros recolhida que pode ver através da abertura está a uma profundidade de cerca de 28 metros.

Um mapa digital do terreno permitiu aos cientistas calcular o volume do material drenado para fora da característica cónica. Assim, isto, por sua vez, impunha restrições à profundidade do poço. Com base nestes cálculos, a pilha de entulho deve ter pelo menos 62 metros de altura, o que significa que o próprio poço deve ter pelo menos 90 metros de profundidade antes do colapso.

É muito maior do que qualquer tubo de lava encontrado na Terra.

Cratera poderá ser útil para os humanos que chegarem ao planeta

Cavernas de tubos de lava como esta são empolgantes porque oferecem alguma protecção contra a radiação severa que bombardeia Marte. Isso significa que estes sítios podem ser bons locais para estabelecer bases subterrâneas (se estiverem acessíveis; este em particular não parece fácil de entrar e sair). Além disso, estas estruturas podem ser importantes. Se vamos procurar sinais de vida em Marte, as cavernas podem ser a melhor opção.

Buracos como este são de particular interesse porque as suas cavernas interiores são relativamente protegidas da superfície dura de Marte, tornando-os candidatos relativamente bons para conter a vida marciana.

Explicou o post da APOD.

Portanto, estes poços são alvos principais para possíveis naves futuras, robôs e até exploradores interplanetários humanos.

Apesar de ser fácil de explicar o buraco, já a clarabóia tem ainda algum mistério. Isto porque aqui na Terra, as clara-boias dos tubos de lava tendem a parecer mais com a imagem acima (tem cerca de 6 metros de diâmetro). Contudo, esta clarabóia marciana tem uma cratera cónica ao seu redor, e ainda não está bem explicada essa formação.

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Imagem: Pavonis Mons. (NASA/JPL-Caltech/Arizona State University)

 

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3471: Estudante de astronomia descobre 17 planetas e um pode ser habitável

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Michelle Kunimoto, uma estudante de astronomia da Universidade da Colúmbia Britânica, descobriu 17 novos planetas. Na sua investigação, a jovem candidata a astrónoma poderá ter encontrado também um mundo potencialmente habitável, sensivelmente do tamanho da Terra. Estas descobertas foram conseguidas depois de analisados os dados recolhidos pela missão Kepler da NASA.

Durante a sua missão original de quatro anos, o satélite Kepler procurou mundos extras-solares, especialmente aqueles encontrados na chamada zona habitável das suas estrelas, onde a água líquida poderia existir na superfície.

Descoberto planeta com tamanho próximo da Terra

As novas descobertas, publicadas no The Astronomical Journal, incluem um daqueles planetas muito procurados e particularmente raros. Oficialmente chamado KIC-7340288 b, o planeta descoberto por Kunimoto é uma vez e meia o tamanho da Terra, pequeno o suficiente para ser considerado rochoso, em vez de gasoso como os planetas gigantes do Sistema Solar, e está localizado na área habitável da sua estrela.

Este planeta está a cerca de mil anos-luz de distância, então não chegaremos lá em breve! Mas esta é uma descoberta realmente empolgante, já que até agora apenas quinze pequenos planetas confirmados foram encontrados na zona habitável nos dados de Kepler.

Referiu Kunimoto,  candidata ao doutoramento no departamento de física e astronomia.

NDTV @ndtv

17 new planets including habitable Earth-sized world discovered. https://www.ndtv.com/science/17-new-planets-including-habitable-earth-sized-world-discovered-by-university-of-british-columbia-ub-2187518 

Para dar a volta ao seu sol, o planeta demora cerca de 142 dias (terrestres), tem, por isso, um ano curto, face à Terra. Isto porque a sua estrela é orbitada a 0,444 unidades astronómicas (AU, a distância entre a Terra e o Sol). Em termos comparativos, está um pouco além da órbita de Mercúrio no nosso Sistema Solar. No entanto, o planeta recebe aproximadamente um terço da luz que a Terra obtém do Sol.

Michelle Kunimoto analisou os dados recuperados pela missão Kepler da NASA – UCB

E os outros 16 planetaS?

Dos outros 16 novos planetas descobertos, o menor tem apenas dois terços do tamanho da Terra, um dos menores que já foram encontrados com o Kepler até agora. O resto varia até oito vezes o tamanho da Terra.

Mas não é a primeira vez que a talentosa Kunimoto descobre novos mundos. A estudante de facto tem queda para a ciência dos astros. Na sua caminhada, ela havia já descoberto 4 planetas durante a sua graduação na UBC. Como muitos outros astrónomos, usa o que é conhecido como “método de trânsito” para procurar candidatos entre as aproximadamente 200 000 estrelas observadas pela missão Kepler.

Sempre que um planeta passa na frente da estrela, ele bloqueia uma parte da luz e causa uma diminuição temporária no brilho. Assim, quando são detectados estes mergulhos, conhecidos como trânsitos, podemos começar a recolher informações sobre o planeta, como o seu tamanho e quanto tempo leva para orbitar.

Explicou Kunimoto.

Um mundo de novos planetas e estrelas para se descobrir

Além das novas descobertas, a jovem conseguiu observar milhares de planetas Kepler conhecidos. Na base do seu trabalho, está o método de trânsito, que ajudará a analisar novamente o vasto mundo de exoplanetas. Assim, poderá tentar perceber quantos planetas podem existir para estrelas com temperaturas diferentes, quantos são do tamanho da Terra e quantos estarão na chamada zona habitável.

Terra 2.0: astrónomos dizem que há um planeta semelhante ao nosso

A Humanidade terá um dia de sair deste planeta para outro, segundo já afirmaram vários especialistas. Contudo, a mudança será complicada se Marte for a opção, falta tudo. Nesse modo, a busca por uma … Continue a ler Terra 2.0: astrónomos dizem que há um planeta semelhante ao nosso

 

3469: Um ano de ciência surpreendente da missão InSight da NASA

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Nesta impressão de artista do “lander” InSight da NASA, podem ser vistas camadas subterrâneas do planeta e diabos marcianos no plano de fundo.
Crédito: IPGP/Nicolas Sarter

Graças ao primeiro ano da missão InSight da NASA, está a surgir uma nova imagem de Marte. As descobertas descritas num conjunto de seis artigos publicados esta semana revelam um planeta vivo com sismos, diabos marcianos e estranhos pulsos magnéticos.

Cinco dos artigos foram publicados na revista Nature Geoscience. Um artigo adicional na Nature Communications descreve o local de pouso do módulo InSight, uma cratera rasa apelidada de “Homestead hollow” situada na região Elysium Planitia.

A missão do InSight é a primeira dedicada ao interior profundo da superfície marciana. Entre as suas ferramentas científicas estão um sismómetro para detectar sismos, sensores para medir a pressão do vento e do ar, um magnetómetro e uma sonda de fluxo de calor desenhada para medir a temperatura do planeta.

Enquanto a equipa continua a trabalhar para colocar a sonda na superfície marciana como pretendido, o sismómetro ultra-sensível, chamado SEIS (Seismic Experiment for Interior Structure), permitiu que os cientistas “ouvissem” vários eventos sísmicos a centenas ou milhares de quilómetros de distância.

As ondas sísmicas são afectadas pelos materiais por onde passam, dando aos cientistas uma maneira de estudar a composição da estrutura interna do planeta. Marte pode ajudar a equipa a melhor compreender como todos os planetas rochosos, incluindo a Terra, se formaram.

Debaixo de terra

Marte treme com mais frequência – mas também com menos intensidade – do que o esperado. O SEIS detectou até à data mais de 450 sinais sísmicos, a vasta maioria dos quais são provavelmente terremotos (em oposição ao ruído de dados criado por factores ambientais como o vento). O maior foi de magnitude 4,0 em tamanho – não suficientemente grande para viajar para baixo da crosta até ao manto e núcleo do planeta. Estas são as “partes mais suculentas da maçã” quando se trata de estudar a estrutura interna do planeta, disse Bruce Banderdt, investigador principal do InSight no JPL.

Os cientistas estão prontos para mais: passaram-se meses, após a aterragem do InSight em Novembro de 2018, até que registasse o primeiro evento sísmico. No final de 2019, o SEIS estava a detectar cerca de dois sinais sísmicos por dia, sugerindo que o InSight simplesmente pousou numa altura particularmente calma. Os cientistas ainda estão com os dedos cruzados à espera do “Grande” sismo.

Marte não tem placas tectónicas como a Terra, mas possui regiões vulcanicamente activas que podem provocar agitações. Um par de sismos foi fortemente ligado a uma dessas regiões, Cerberus Fossae, onde os cientistas veem rochas que podem ter sido sacudidas falésias abaixo. Inundações antigas esculpiram canais com quase 1300 km de comprimento. Os fluxos de lava infiltraram-se nesses canais nos últimos 10 milhões de anos – um piscar de olhos em termos geológicos.

Alguns destes jovens fluxos de lava mostram sinais de terem sido fracturados por sismos há menos de 2 milhões de anos. “Trata-se da característica tectónica mais jovem do planeta,” disse o geólogo planetário Matt Golombek do JPL. “O facto de vermos evidências de tremores nesta região não é uma surpresa, mas é muito interessante.”

À superfície

Há milhares de milhões de anos, Marte tinha um campo magnético. Já não está presente, mas deixou “fantasmas” para trás, magnetizando rochas antigas que agora estão entre os 61 metros e alguns quilómetros abaixo do solo. O InSight está equipado com um magnetómetro – o primeiro à superfície de Marte para detectar sinais magnéticos.

O magnetómetro descobriu que os sinais em Homestead hollow são 10 vezes mais fortes do que o previsto, com base em dados de naves espaciais em órbita que estudam a área. As medições destes orbitadores são médias que abrangem algumas centenas de quilómetros, ao passo que as medições do “lander” InSight são mais locais.

Dado que a maioria das rochas à superfície do local de pouso do InSight são demasiado jovens para serem magnetizadas pelo antigo campo do planeta, “este magnetismo deve estar vindo de rochas antigas subterrâneas,” disse Catherine Johnson, cientista planetária da Universidade de Colúmbia Britânica e do Instituto de Ciência Planetária. “Estamos a combinar estes dados com o que sabemos da sismologia e da geologia para entender as camadas magnetizadas por baixo do InSight. Quão fortes ou profundas teriam que ser para detectarmos este campo?”

Além disso, os cientistas estão intrigados com a forma como estes sinais mudam ao longo do tempo. As medições variam de dia e de noite; também tendem a pulsar por volta da meia-noite. Ainda estão a ser formadas teorias sobre a causa destas mudanças, mas uma possibilidade é que estão relacionadas com a interacção do vento solar com a atmosfera marciana.

Ao vento

O InSight mede a velocidade, a direcção do vento e a pressão do ar quase continuamente, fornecendo mais dados do que as missões anteriores no solo. Os sensores meteorológicos do “lander” detectaram milhares de redemoinhos passageiros, chamados diabos marcianos quando levantam poeira e se tornam visíveis. “Este local tem mais redemoinhos do que qualquer outro lugar onde pousámos em Marte,” disse Aymeric Spiga, cientista atmosférico da Universidade Sorbonne em Paris.

Apesar de toda esta actividade e imagens frequentes, as câmaras do InSight ainda não viram diabos marcianos. Mas o SEIS pode sentir estes redemoinhos puxando a superfície como um aspirador gigante. “Os redemoinhos são perfeitos para a exploração sísmica subterrânea,” disse Philippe Lognonné do IPGP (Institut de Physique du Globe de Paris), investigador principal do SEIS.

Ainda por vir: o núcleo

O InSight possui dois rádios: um para enviar e receber dados regularmente, e um rádio mais poderoso, construído para medir a “oscilação” de Marte enquanto gira. Este rádio de banda-X, também conhecido como RISE (Rotation and Interior Structure Experiment), pode eventualmente revelar se o núcleo do planeta é sólido ou líquido. Um núcleo sólido faria Marte oscilar menos do que um líquido.

Este primeiro ano de dados é apenas o começo. Observar um ano marciano completo (dois anos terrestres) dará aos cientistas uma ideia muito melhor do tamanho e velocidade da oscilação do planeta.

Astronomia-On-line
28 de Fevereiro de 2020

 

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3462: Planeta com ano de 18 horas à beira da destruição

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista de um Júpiter quente orbitando muito perto de uma estrela.
Crédito: Universidade de Warwick/Mark Garlick

Astrónomos da Universidade de Warwick observaram um exoplaneta orbitando uma estrela em pouco mais de 18 horas, o período orbital mais curto já observado para um planeta do seu tipo.

Isto significa que a duração do ano para este Júpiter quente – um gigante gasoso semelhante em tamanho e composição com Júpiter, no nosso próprio Sistema Solar – é inferior a um dia terrestre.

O achado foi divulgado num artigo científico publicado dia 20 de Fevereiro na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e os cientistas pensam que pode ajudar a descobrir se os planetas deste género estão, ou não, numa espiral destrutiva em direcção aos seus sóis.

O planeta NGTS-10b foi descoberto a cerca de 1000 anos-luz de distância da Terra, como parte do NGTS (Next-Generation Transit Survey), um levantamento exoplanetário sediado no Chile que visa descobrir planetas do tamanho de Neptuno usando o método de trânsito. Isto envolve a observação de estrelas em busca de uma queda no brilho, indicativa da passagem de um planeta à sua frente.

A qualquer momento o levantamento observa 100 graus quadrados do céu, que inclui cerca de 100.000 estrelas. Dessas 100.000 estrelas, esta chamou a atenção dos astrónomos devido aos mergulhos muito frequentes no brilho estelar provocados pela rápida órbita do planeta.

O autor principal Dr. James McCormac, do Departamento de Física da Universidade de Warwick, disse: “Estamos empolgados em anunciar a descoberta de NGTS-10b, um planeta do tamanho de Júpiter com um período extremamente curto que orbita uma estrela não muito diferente do nosso Sol. Também estamos satisfeitos com o facto do NGTS continuar a empurrar as fronteiras da ciência terrestre de trânsitos exoplanetários através da descoberta de classes raras de exoplanetas.

“Embora, em teoria, os Júpiteres quentes com períodos orbitais curtos (menos de 24 horas) sejam os mais fáceis de detectar devido ao seu grande tamanho e trânsitos frequentes, provaram ser extremamente raros. Das centenas de Júpiteres quentes actualmente conhecidos, apenas sete têm um período orbital inferior a um dia.”

NGTS-10b orbita tão depressa porque está muito próximo do seu sol – a apenas o dobro do diâmetro da estrela que, no contexto do nosso Sistema Solar, a posicionaria 27 vezes mais perto do que Mercúrio está do nosso próprio Sol. Os cientistas notaram que está perigosamente perto do ponto em que as forças de maré da estrela acabariam por destruir o planeta.

É provável que o planeta sofra bloqueio de maré, de modo que um lado está constantemente virado para a estrela e constantemente quente – os astrónomos estimam que a temperatura média seja superior a 1000º C. A estrela, propriamente dita, tem mais ou menos 70% do raio do Sol e é 1000º C mais fria que o Sol, com cerca de 4000º C. NGTS-10b também é um excelente candidato para caracterização atmosférica com o Telescópio Espacial James Webb.

Usando fotometria de trânsito, os cientistas sabem que o planeta é 20% maior do que o nosso Júpiter e tem pouco mais de duas vezes a sua massa, de acordo com medições da velocidade radial, capturadas num ponto conveniente do seu ciclo de vida para ajudar a responder perguntas sobre a evolução deste tipo de planetas.

Os planetas massivos geralmente formam-se muito longe da estrela e depois migram por meio de interacções com o disco enquanto o planeta ainda está a formar-se, ou por meio de interacções com planetas adicionais muito mais tarde na sua vida. Os astrónomos planeiam solicitar tempo de observação para obter medições de alta precisão de NGTS-10b e continuar a observá-lo na próxima década para determinar se permanecerá nesta órbita por algum tempo – ou se entrará numa espiral da morte em direcção à sua estrela.

O co-autor Dr. David Brown acrescenta: “Pensa-se que estes planetas de período extremamente curto migram dos confins dos seus sistemas solares e acabam sendo consumidos ou perturbados pela estrela. Ou temos muita sorte de os avistar neste período orbital curto, ou os processos pelos quais o planeta migra para a estrela são menos eficientes do que imaginamos; nesse caso, poderá viver nesta configuração durante muito mais tempo.”

O co-autor Dr. Daniel Bayliss disse: “Nos próximos dez anos, pode ser possível ver este planeta a espiralar. Vamos poder usar o NGTS para o monitorizar ao longo de uma década. Se pudéssemos ver que o período orbital estava a começar a diminuir e o planeta a começar a espiralar, isso dir-nos-ia muito sobre a estrutura do planeta que ainda não sabemos.”

“Tudo o que sabemos sobre a formação planetária diz-nos que os planetas e as estrelas formam-se ao mesmo tempo. O melhor modelo que temos sugere que a estrela tem cerca de 10 mil milhões de anos e assumimos que o planeta também tem. Ou estamos a vê-lo nos últimos estágios da sua vida, ou de alguma forma é capaz de viver aqui por mais tempo do que devia.”

Astronomia On-line
25 de Fevereiro de 2020

 

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“Lander” InSight vai empurrar a “toupeira”

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

O InSight da NASA moveu recentemente o seu braço robótico para mais perto do dispositivo que escava a superfície marciana, chamado “toupeira”, em preparação para empurrar a sua tampa traseira.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Depois de quase um ano a tentar perfurar a superfície marciana, a sonda de calor pertencente ao módulo InSight da NASA está prestes a receber um empurrão. A equipa da missão planeia comandar a pá, situada na extremidade do braço robótico, para pressionar na “toupeira” auto-marteladora, projectada para se escavar até 5 metros de profundidade. Esperam que a parte superior da toupeira, também chamada de tampa traseira, a impeça de sair do seu buraco em Marte, como aconteceu duas vezes nos últimos meses depois de quase se enterrar.

Parte de um instrumento chamado HP3 (Heat Flow and Physical Properties Package), a toupeira é um espigão com 40 cm de comprimento equipado com um mecanismo interno que age como um martelo. Ao escavar o solo, foi projectado para arrastar com ele um cabo em forma de fita que se estende do módulo. Ao longo deste cabo estão incorporados sensores de temperatura que medem o calor que vem do interior do planeta a fim de revelar detalhes científicos importantes sobre a formação de Marte e de todos os planetas rochosos, incluindo a Terra. O HP3 fornecido pelo Centro Aeroespacial Alemão (DLR).

A equipa tem, até agora, evitado empurrar a tampa traseira para evitar qualquer dano potencial no cabo.

A toupeira ficou presa no dia 28 de Fevereiro de 2019, logo no primeiro dia em que começou a martelar. Desde então, a equipa do InSight determinou que o solo aqui é diferente do que foi encontrado noutras partes de Marte. O InSight pousou numa área com uma camada de solo invulgarmente espesso, quase cimentado. Em vez de solto e parecido com areia, como esperado, os grãos de poeira unem-se.

A toupeira precisa de fricção do solo para se escavar no solo; sem fricção, o recuo da sua acção auto-marteladora faz com que simplesmente salte no lugar. Ironicamente, é o solo solto, e não o solo cimentado, que fornece essa fricção à medida que cai em torno da toupeira.

Este verão passado, a equipa do InSight começou a usar a pá do braço robótico para pressionar a lateral da toupeira, uma técnica chamada “fixação” que adicionava fricção suficiente para a ajudar a escavar sem entrar em contacto com o frágil cabo científico ligado à parte de trás da toupeira.

Embora a fixação tenha ajudado, a toupeira saltou novamente do solo marciano por duas ocasiões, possivelmente devido a solo acumulado por baixo. Com poucas alternativas disponíveis, a equipa decidiu tentar ajudar a toupeira a cavar pressionando cuidadosamente a tampa traseira enquanto tentava evitar o cabo.

Podem ser necessárias várias tentativas para aperfeiçoar o empurrão na tampa traseira, tal como na fixação. Durante o final de Fevereiro e início de Março, o braço do InSight será posicionado em posição para que a equipa possa testar o que acontece quando a toupeira martelar brevemente.

Entretanto, a equipa também está a considerar usar a pá para mover mais solo para o buraco que se formou em redor da toupeira. Isto poderá adicionar mais pressão e fricção, permitindo que finalmente se escave. Esta estratégia está dependente de quão profundamente a toupeira será capaz de viajar após o empurrão da pá na tampa traseira.

Astronomia On-line
25 de Fevereiro de 2020

 

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3457: O regresso a Vénus e o que isso significa para a Terra

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Vénus esconde um tesouro de informações que podem ajudar-nos a entender a Terra e os exoplanetas. O JPL da NASA está a desenvolver conceitos de missões para sobreviver as extremas temperaturas e pressões atmosféricas do planeta. Esta imagem é uma composição de dados recolhidos pela sonda Magellan da NASA e pelo orbitador Pioneer Venus.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Sue Smrekar está desejosa de voltar a Vénus. No seu escritório no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, a cientista planetária exibe uma imagem com 30 anos da superfície de Vénus captada pela sonda Magellan, uma lembrança de quanto tempo passou desde que uma missão americana orbitou o planeta. A imagem revela uma paisagem infernal: uma superfície jovem com mais vulcões do que qualquer outro corpo no Sistema Solar, fendas gigantescas, cinturas montanhosas e temperaturas quentes o suficiente para derreter chumbo.

Agora super-aquecido por gases de efeito estufa, o clima de Vénus já foi mais parecido com o da Terra, com água equivalente, em quantidade, a um oceano raso. Pode até ter tido zonas de sub-ducção como a Terra, áreas onde a crosta do planeta afunda de novo na rocha mais próxima do núcleo planetário.

“Vénus é como um caso de controlo para a Terra,” disse Smrekar. “Pensamos que começaram com a mesma composição, a mesma água e dióxido de carbono. E seguiram dois caminhos completamente diferentes. Mas porquê? Quais são as principais forças responsáveis pelas diferenças?”

Smrekaer trabalha com o VEXAG (Venus Exploration Analysis Group), uma aliança de cientistas e engenheiros que investiga maneiras de revisitar o planeta que a Magellan mapeou há décadas atrás. Embora as suas abordagens variem, o grupo concorda que Vénus pode dizer-nos algo de vital importância sobre o nosso planeta: o que aconteceu com o clima super-aquecido do nosso gémeo planetário, e o que é que isso significa para a vida na Terra?

Orbitadores

Vénus não é o planeta mais próximo do Sol, mas é o mais quente do Sistema Solar. Entre o calor intenso (480º C), as corrosivas nuvens sulfúricas e uma atmosfera esmagadora 90 vezes mais densa do que a da Terra, aterrar uma nave é incrivelmente desafiador. Das nove sondas soviéticas que alcançaram este feito, nenhuma durou mais do que 127 minutos.

Da relativa segurança do espaço, um orbitador podia usar radar e espectroscopia no infravermelho próximo para penetrar por baixo das camadas de nuvens, medir mudanças na paisagem ao longo do tempo e determinar se o solo se move ou não. Podia procurar indicadores de água passada, bem como actividade vulcânica e outras forças que podem ter moldado o planeta.

Smrekar, que está a trabalhar numa proposta de um orbitador chamado VERITAS, não acha que Vénus tenha placas tectónicas como a Terra. Mas ela vê possíveis sugestões de sub-ducção – o que acontece quando duas placas convergem e uma desliza por baixo da outra. Mais dados iam ajudar.

“Sabemos muito pouco sobre a composição da superfície de Vénus,” disse. “Achamos que existem continentes, como na Terra, que podem ter-se formado através de sub-ducção passada. Mas não temos informações para realmente dizer isso.”

As respostas não apenas aprofundariam a nossa compreensão do porquê de Vénus e da Terra serem agora tão diferentes; podiam restringir as condições que os cientistas precisariam para encontrar um exoplaneta parecido com a Terra.

Balões de ar quente

Os orbitadores não são o único meio de estudar Vénus de cima. Os engenheiros Attila Komjathy e Siddharth Krishnamoorthy do JPL imaginam uma armada de balões de ar quente que voam ao vento nos níveis mais altos da atmosfera venusiana, onde as temperaturas são próximas das da Terra.

“Ainda não há nenhuma missão encomendada para um balão em Vénus, mas os balões são uma óptima maneira de explorar Vénus porque a atmosfera é tão espessa e a superfície tão dura,” disse Krishnamoorthy. “O balão é como o ponto ideal, onde estamos perto o suficiente para obter um monte de coisas importantes, mas também estamos num ambiente muito mais benigno onde os sensores podem realmente durar tempo suficiente para fornecer algo significativo.”

A equipa colocaria nos balões sismómetros sensíveis o suficiente para detectar sismos no planeta. Na Terra, quando o solo treme, esse movimento ondula na atmosfera como ondas de infra-som (o oposto de ultra-som). Krishnamoorthy e Komjathy demonstraram que a técnica é viável usando balões prateados de ar quente, que mediram sinais fracos acima de áreas da Terra com sismos. E isso nem é com o benefício da densa atmosfera de Vénus, onde a experiência provavelmente transmitiria resultados ainda mais fortes.

“Se o solo se move um pouco, sacode muito mais o ar em Vénus do que na Terra,” explicou Krishnamoorthy.

Para obter estes dados sísmicos, o balão precisaria de lidar com ventos tão velozes quanto os de um furacão. O balão ideal, conforme determinado pelo VEXAG, podia controlar os seus movimentos pelo menos numa direcção. A equipa de Krishnamoorthy e Komjathy ainda não chegou tão longe, mas propuseram um meio-termo: fazer os balões essencialmente voarem ao vento em torno do planeta a uma velocidade constante, transmitindo os seus resultados a um orbitador. É um começo.

Módulos de aterragem

Entre os muitos desafios enfrentados por um “lander” venusiano, estão as nuvens que bloqueiam o Sol: com pouca luz do Sol, a energia solar seria severamente limitada. Mas o planeta é demasiado quente para outras fontes de energia sobreviverem. “Em termos de temperatura, é como estar num forno de cozinha, no modo de auto-limpeza,” disse o engenheiro Jeff Hall, do JPL, que trabalhou nos protótipos de balão e módulo de aterragem para Vénus. “Realmente não há outro lugar, no Sistema Solar, como este ambiente de superfície.”

Para começar, a vida de um módulo de aterragem seria reduzida pelos componentes electrónicos, que começariam a falhar após algumas horas. Hall diz que a quantidade de energia necessária para alimentar um dispositivo de arrefecimento capaz de proteger o módulo exigiria mais baterias do que o “lander” podia transportar.

“Não há esperança de refrigerar um módulo para o manter fresco,” acrescentou. “Tudo o que podemos fazer é diminuir o ritmo a que se destrói.”

A NASA está interessada em desenvolver “tecnologias quentes” que podem sobreviver dias, ou até semanas, em ambientes extremos. Embora o conceito de módulo venusiano de aterragem de Hall não tenha chegado à próxima etapa do processo de aprovação, levou ao seu trabalho actual relacionado com Vénus: um sistema de perfuração e amostragem resistente ao calor que poderia recolher amostras de solo venusiano para análise. Hall trabalha com a Honeybee Robotics para desenvolver os motores eléctricos de próxima geração que perfuram em condições extremas, enquanto o engenheiro Joe Melko do JPL projecta o sistema de amostragem pneumática.

Juntos, trabalham com protótipos na Grande Câmara de Testes de Vénus do JPL, com paredes de aço, que imita as condições do planeta até uma atmosfera composta por 100% dióxido de carbono sufocante. A cada teste bem-sucedido, as equipas levam a humanidade um passo mais perto de forçar os limites da exploração neste planeta mais inóspito.

Astronomia On-line
21 de Fevereiro de 2020

 

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3444: Quantos planetas existem no universo?

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Vivemos numa era onde a tecnologia tem revelado imensos novos mundos, estrelas, buracos negros e até possíveis planetas capazes, teoricamente, de albergar vida. No entanto, com tanta tecnologia, será possível termos uma ideia de quantos planetas poderão existir no universo?

Os astrónomos estimam que existem milhares de milhões de mundos além do nosso sistema solar. Mas quantos?

A nossa estrela tem 8 planetas. Será uma média?

Os astrónomos estimam que exista aproximadamente um exoplaneta por estrela na nossa galáxia. É claro que algumas estrelas têm muitos planetas – o nosso próprio Sol tem oito. E algumas estrelas não têm nenhum. Contudo, se uma estrela viver o suficiente, a regra é formar planetas.

Isso não significa que os astrónomos possam mapear todos estes milhões de estrelas. Quando se trata de exoplanetas que foram medidos ou contados de alguma forma, os números são muito menores.

Contador de planetas continua a contar

O contador de exoplanetas conhecidos – até este momento – está em 4126 mundos confirmados. No entanto, os astrónomos são surpreendentemente bons a descobrir o que não podem ver através deste vasto Universo.

Na verdade, actualmente a tecnologia dos telescópios ainda é pouco poderosa e precisa para detectar e contar os planetas mais furtivos, aqueles que são muito pequenos, os que estão muito distantes das suas estrelas ou aqueles que orbitam estrelas muito distantes da Terra.

Além disso, há regiões do espaço em que os astrónomos estão bastante confiantes de que encontraram todos os exoplanetas dentro de um determinado intervalo.

Ao combinar o conhecimento do que eles podem ver – os exoplanetas conhecidos – com o conhecimento do que eles não podem ver – as partes do espaço actualmente além da nossa capacidade de investigar – os astrónomos determinaram que deve haver cerca de um planeta por estrela na nossa galáxia. Ou seja, milhares de milhões de planetas!

Astrónomos descobrem planeta bebé gigante que está a apenas 330 anos-luz da Terra

Sem dúvida que o tamanho de Júpiter e Saturno impressionam pela sua imponência, estes gigantes gasosos “perto” da Terra estabeleceram uma escala para o nosso sistema solar. Conforme os conhecemos, estes dois planetas são … Continue a ler Astrónomos descobrem planeta bebé gigante que está a apenas 330 anos-luz da Terra

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16 Fev 2020

 

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3443: NASA já escolheu a tecnologia para comunicar para Marte

CIÊNCIA/MARTE

A NASA está a preparar todos os pormenores para melhorar as comunicações entre Marte e a Terra. Desde que a agência espacial americana lançou o satélite Explorer 1 em 1958, as comunicações têm sido confiadas sobretudo às ondas de rádio. Estas viajam milhões – ou mesmo milhares de milhões – de quilómetros através do espaço. Contudo, à medida que a NASA se orienta para novos destinos em missões tripuladas, esta prepara um novo sistema de comunicações.

Um dos passos que está a ser dado é a inclusão da nova antena parabólica à Deep Space Network (DSN). Esta será equipada com espelhos e um receptor especial para permitir a transmissão e recepção de lasers da sonda no espaço profundo.

Ondas rádio viajam milhões de quilómetros até ao espaço profundo

A nova antena, segundo a Inverse, será apelidada de Deep Space Station-23 (DSS-23), faz parte de uma transição para uma comunicação mais rápida e eficiente enquanto a NASA se prepara para voltar à Lua até 2024. Além disso, esta tecnologia irá beneficiar a primeira missão humana a Marte em meados de 2030.

A solução que está por trás desta antena é simples. Se a NASA vai enviar humanos para Marte, estes precisam de ser capazes de comunicar com a Terra – e os lasers podem ajudar a garantir que os futuros astronautas marcianos tenham uma boa recepção a 58 milhões de quilómetros da Terra.

A construção da parabólica de 34 metros começou esta semana em Goldstone, Califórnia. É apenas uma de uma série de antenas DSN – perfazendo 13 pratos no total que ajudarão a transportar as mensagens transmitidas por laser de e para o espaço.

A DSN é a única linha telefónica da Terra para as nossas duas naves espaciais Voyager – ambas no espaço interestelar -, todas as nossas missões em Marte e a nave espacial New Horizons, que agora está muito além de Plutão.

Quanto mais exploramos, mais antenas precisamos para conversar com todas as nossas missões.

Explicou Larry James, vice-director do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA, em comunicado.

NASA fez os testes e… resultou!

A NASA tem usado as antenas da DSN para se comunicar com naves espaciais desde os anos 60. Por elas são enviados sinais para uma média de 30 naves espaciais por dia. As antenas transmitem e recebem ondas de rádio entre o controlo terrestre e a nave espacial. E embora as ondas de rádio tenham funcionado bem durante todos estes anos, estas têm sérias limitações.

As ondas de rádio tendem a ficar mais fracas em longas distâncias, e têm capacidade limitada. No caso das gémeas Voyager, as duas naves espaciais que percorrem o espaço interestelar que está longe, muito longe da Terra, isso significa que os sinais enviados da Terra para as suas antenas – e vice versa – são muito fracos. Na verdade, a potência que as antenas DSN recebem dos sinais da Voyager é 20 mil milhões de vezes mais fraca do que a potência necessária para rodar um relógio digital, de acordo com a NASA.

Voyager 1 chega ao “fim do Espaço”…

Está há 26 anos no espaço e acaba agora de chegar aos limites do nosso sistema solar, tendo conseguido ultrapassar com sucesso a região conhecida como “Choque Terminal” onde partículas eléctricas provenientes do Sol … Continue a ler Voyager 1 chega ao “fim do Espaço”…

É a vez dos Lasers comunicar com outros mundos

Os lasers são feixes de luz infravermelha. Viajam mais longe no espaço com muito mais potência do que as ondas de rádio.

Os lasers podem aumentar a sua taxa de dados de Marte em cerca de 10 vezes mais do que a obtida com o rádio. A nossa esperança é que o fornecimento de uma plataforma para comunicações ópticas encoraje outros exploradores espaciais a experimentar lasers em missões futuras.

Referiu Suzanne Dodd, directora da Rede Interplanetária, a organização que gere o DSN, em comunicado.

A NASA testou pela primeira vez a comunicação a laser no espaço no ano de 2013. Nessa altura foi enviada uma imagem da pintura de Mona Lisa para um satélite localizado a 386 mil quilómetros de distância da Terra.

A famosa pintura de Leonardo da Vinci foi dividida num conjunto de 152 pixeis por 200 pixeis, e cada pixel foi convertido num tom de cinza representado por um número entre zero e 4095. Cada um dos pixeis foi então transmitido através de um pulso laser que foi disparado numa das 4096 faixas de tempo possíveis.

A pintura foi então reconstruida pelo altímetro laser de órbita lunar (LOLA) a bordo do instrumento Lunar Reconnaissance Orbiter com base nos tempos de chegada de cada pulso laser.

Esta é a primeira vez que alguém consegue comunicação a laser unidireccional a distâncias planetária. Num futuro próximo, este tipo de comunicação laser simples poderá servir como apoio para a comunicação via rádio que os satélites usam. Num futuro mais distante, pode permitir a comunicação a taxas de dados mais elevadas do que as actuais ligações de rádio podem proporcionar.

Disse o principal investigador do LOLA, David Smith, do Massachusetts Institute of Technology, numa declaração na época.

A construção desta nova era de comunicações começou nesta semana. NASA / JPL-Caltech

Missão Psyche irá ser teste de fogo aos lasers

A comunicação por raio laser será posta à prova no ano 2022, quando a NASA lançar a sua missão Psyche, que viajará para estudar um asteróide metálico que orbita o Sol entre Marte e Júpiter.

Conforme foi referido, o orbitador levará a bordo um terminal de comunicação a laser de teste, projectado para transmitir dados e imagens para um observatório na Montanha Palomar, no sul da Califórnia. Para que o futuro das viagens espaciais humanas se mantenha nos trilhos, esperemos que funcione.

pplware
15 Fev 2020

 

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3439: Modelos apontam para uma formação mais longa de Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Uma equipa do SwRI realizou simulações de impacto de partículas suaves, em alta resolução, de vários grandes projécteis que atingiram Marte depois da formação do seu núcleo e manto. As partículas do núcleo e do manto dos projécteis têm cor castanha e verde, respectivamente, mostrando concentrações locais dos materiais assimilados no manto marciano.
Crédito: SwRI

O Sistema Solar primitivo era um lugar caótico, com evidências indicando que Marte provavelmente foi atingido por planetesimais, pequenos proto-planetas com até 1900 km em diâmetro, no início da sua história. Cientistas do SwRI (Southwest Research Institute) modelaram a mistura de materiais associados a estes impactos, revelando que o Planeta Vermelho pode ter sido formado numa escala de tempo mais longa do que se pensava anteriormente.

Uma importante questão em aberto na ciência planetária é a determinação de como Marte se formou e até que ponto a sua evolução inicial foi afectada por colisões. Esta questão é difícil de responder, dado que milhares de milhões de anos apagaram constantemente evidências de eventos iniciais de impacto. Felizmente, parte desta evolução está registada nos meteoritos marcianos. Dos aproximadamente 61.000 meteoritos encontrados na Terra, pensa-se que apenas mais ou menos 200 sejam de origem marciana, ejectados do Planeta Vermelho por colisões mais recentes.

Estes meteoritos exibem grandes variações de elementos que “gostam” de ferro, como tungsténio e platina, que têm uma afinidade moderada a alta por ferro. Estes elementos tendem a migar do manto de um planeta para o núcleo central de ferro durante a formação. As evidências destes elementos no manto marciano, amostrados por meteoritos, são importantes porque indicam que Marte foi bombardeado por planetesimais algum tempo após o fim da sua formação primária do núcleo. O estudo de isótopos de elementos específicos produzidos localmente no manto através de processos de decaimento radioactivo ajuda os cientistas a entender quando a formação do planeta ficou completa.

“Nós sabíamos que Marte recebeu elementos como platina e ouro de grandes colisões iniciais. Para investigar este processo, realizámos simulações hidrodinâmicas de impacto de partículas suaves,” disse a Dra. Simone Marchi, do SwRI, autora principal do artigo que descreve estes resultados, publicado na revista Science Advances. “Com base no nosso modelo, as colisões iniciais produzem um manto marciano heterogéneo, semelhante a um bolo de mármore. Estes resultados sugerem que a visão predominante da formação de Marte pode estar influenciada pelo número limitado de meteoritos disponíveis para estudo.”

Com base na proporção de isótopos de tungsténio nos meteoritos marcianos, argumentou-se que Marte cresceu rapidamente cerca de 2-4 milhões de anos após o início da formação do Sistema Solar. No entanto, grandes colisões precoces podem ter alterado o balanço isotópico do tungsténio, o que poderá suportar uma escala de tempo para a formação de Marte de até 20 milhões de anos, como mostra o novo modelo.

“As colisões de projécteis grandes o suficiente para terem os seus próprios núcleos e mantos podem resultar numa mistura heterogénea desses materiais no início do manto marciano,” disse a Dra. Robin Canup, vice-presidente assistente da Divisão de Ciência e Engenharia do SwRI. “Isto pode levar a interpretações sobre o momento da formação de Marte diferentes daquelas que assumem que todos os projécteis são pequenos e homogéneos.”

Os meteoritos marcianos que caíram na Terra provavelmente partiram de apenas alguns locais em redor do planeta. A nova investigação mostra que o manto marciano pode ter recebido adições variadas de materiais projectáveis, levando a concentrações variáveis de elementos siderófilos. A próxima geração de missões em Marte, incluindo planos para enviar amostras à Terra, fornecerá novas informações para melhor entender a variabilidade destes elementos nas rochas marcianas e a evolução inicial do Planeta Vermelho.

“Para entender completamente Marte, precisamos de entender o papel que as colisões mais antigas e energéticas tiveram na sua evolução e composição,” conclui Marchi.

Astronomia On-line
14 de Fevereiro de 2020

 

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3384: Colonizar Marte: Elon Musk sabe como enviar 1 milhão de pessoas

CIÊNCIA/TECNOLOGIA

Terra e Marte estão separados, em média, por cerca de 225 milhões de km. Nesse sentido, com a tecnologia actual, que equipa as naves espaciais, seriam necessários cerca de 200 dias para lá chegar. Elon Musk já pensa em colonizar o planeta vermelho.

O magnata do sector espacial revelou no seu Twitter os planos para transportar um milhão de pessoas a Marte até 2050.

O espaço é um ambiente agreste para o ser humano e não se sabe ainda que efeitos terá nos astronautas uma viagem tão longa. Embora sejam muitas as dúvidas e muito poucas as certezas, há algumas empresas que estão a projectar essa missão.

Elon Musk e a SpaceX, estão já com ritmados para levar o homem a Marte. Como tal, Musk deu a conhecer o plano para enviar ao espaço, em 10 anos, mais de mil naves espaciais, desenvolvidas pela SpaceX.

10 anos para fazer 1000 naves para levar 1 milhão

Recorrendo à sua conta do Twitter, Elon Musk deu a conhecer as linhas mestras para colonizar numa primeira fase Marte.

Elon Musk @elonmusk

Starship design goal is 3 flights/day avg rate, so ~1000 flights/year at >100 tons/flight, so every 10 ships yield 1 megaton per year to orbit

Elon Musk @elonmusk

Building 100 Starships/year gets to 1000 in 10 years or 100 megatons/year or maybe around 100k people per Earth-Mars orbital sync

Segundo Musk, é necessário construir 100 Starships por ano, 1000 naves em 10 anos. Além disso, o envio das pessoas, cerca de 100 mil, terá de aproveitar a sincronização orbital da Terra e de Marte.

Mas o que é a sincronização orbital da Terra e de Marte?

A sincronização orbital entre a Terra e Marte dá-se quando a distância entre os dois planetas é menor. Esse fenómeno ocorre durante 30 dias a cada 25 meses. Esta “boleia” permitiria a economia de combustível durante a viagem.

Conforme salientou, Musk disse que aproveitaria esta oportunidade para “carregar a frota de Marte na órbita da Terra” e enviar todos as mil naves em trajectória para Marte durante aquela janela de 30 dias a cada 26 meses.

Elon Musk @elonmusk

Myers @jameslin123321

But Elon, Earth-Mars transfer windows only occur every 26 months, what are the missions for these starships going to be during these 2 years waiting time?

Bom, neste último tweet, parece que o CEO se contradiz. No anterior revelou que a ideia era enviar mil naves por ano, neste último já serão mil naves a cada 26 meses. De qualquer forma, a SpaceX ainda tem um longo caminho a percorrer antes de atingir estes objectivos.

Protótipo de nave estelar pode ser lançado dentro de meses

Musk referiu que poderá ser lançado um novo protótipo da nave estelar antes do final de Março.

Esperamos que o primeiro voo seja daqui a 2 a 3 meses.

Twittou Musk  em 27 de Dezembro.

O desenvolvimento do protótipo atingiu atrasos após uma explosão acidental durante um teste de pressurização do tanque de combustível no dia20 de Novembro, que explodiu o primeiro protótipo da nave espacial StarsX de 16 andares da SpaceX.

Um protótipo do foguete Mk1 da nave espacial SpaceX para voar até Marte.

A empresa poderá construir até 20 protótipos diferentes antes da escolha dos engenheiros e da adopção do design “1.0” para transportar cargas e pessoas.

O sistema completo de lançamento da nave estelar também incluirá um foguete de 22 andares chamado Super Heavy. Assim, quando tudo for combinado, a estrutura terá cerca de 118 metros de altura.

Apesar de serem foguetões colossais, este hardware está a ser projectado para ser totalmente reutilizável.

Assim, se essa visão se concretizar, Musk estima que o custo de um único lançamento seria de apenas 2 milhões de dólares. Como resultado, estamos perante um valor centenas de vezes mais barato que o custo actual de lançar um número semelhante de pessoas e quantidade de carga no espaço.

Turismo espacial é o primeiro passo

Segundo as afirmações de Elon Musk em Setembro passado, este quer enviar uma nave espacial à órbita da Terra até meados de 2020.

Gwynne Shotwell, presidente e directora de operações da SpaceX, disse durante uma tele-conferência da NASA que a empresa “pretendia deixar a nave estelar na superfície lunar em 2022” e levar o empresário e multimilionário japonês Yusaku Maezawa ao redor da lua em 2022, ou 2023.

No entanto, todas estas declarações vieram antes da explosão do protótipo da nave estelar. Além disso, a SpaceX também terá de resolver vários obstáculos impostos pelas entidades reguladoras.

Teste de segurança à Crew Dragon da SpaceX foi adiado para hoje devido à meteorologia

De modo a preparar a sua ambiciosa missão com a NASA de levar astronautas até à ISS, a SpaceX tinha planeado para ontem um teste de segurança à cápsula Crew Dragon. No entanto, tal … Continue a ler

19 Jan 2020

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3382: Elon Musk diz querer enviar 10 mil pessoas a Marte até 2050

CIÊNCIA/FUTURO

“O objectivo é fazer vários voos por dia”, esclareceu o empresário. A cada 26 meses – altura em que a Terra e Marte se encontram mais próximos – deverão partir naves espaciais todos os dias, em horários diferentes.

Elon Musk
© EPA/CLEMENS BILAN

Os protótipos das naves espaciais Starship ainda estão a ser sujeitos a testes, mas o multimilionário e CEO da Space X, Elon Musk, já está a pensar na quantidade de pessoas que quer levar para Marte. Até 2050, quer colocar, pelo menos, dez mil pessoas no planeta vermelho. E dar-lhes trabalho lá.

O plano já está em marcha. Numa resposta a um seguidor no Twitter, Elon Musk, 48 anos, desvendou que tenciona construir cem naves por ano e enviar milhares de pessoas da Terra para Marte, quando as órbitas dos dois planetas se alinharem, reduzindo a distância e minimizando desta forma os custos das viagens. “O objectivo é fazer vários voos por dia”, escreveu.

Elon Musk @elonmusk

Starship design goal is 3 flights/day avg rate, so ~1000 flights/year at >100 tons/flight, so every 10 ships yield 1 megaton per year to orbit

A cada 26 meses – quando a distância entre a Terra e Marte é mais curta – Musk tenciona enviar mil naves a cada 30 dias, em horários diferentes. Chegarão ao destino alguns meses depois. E qualquer pessoa se pode candidatar a seguir na nave espacial, desde que pague a viagem. “Caso não tenham [dinheiro] podem sempre pedir um empréstimo”, diz o milionário, que não divulgou o preço do voo.

Elon Musk @elonmusk

Loading the Mars fleet into Earth orbit, then 1000 ships depart over ~30 days every 26 months. Battlestar Galactica …

O segundo modelo da Starship encontra-se em fase de testes, sendo que este já deverá ser muito fiel ao final. O foguetão, com capacidade para cerca de uma centena de passageiros, terá uma vida útil de 20 a 30 anos. “O Starship vai ser o foguetão mais poderoso da história, com a capacidade de levar humanos à lua, a Marte e mais além”, explicou o empresário, em Setembro, aquando da divulgação das primeiras imagens da montagem da nave espacial.

O foguetão que leva a Starship consegue atingir os 65 mil pés (cerca de 20 quilómetros), antes de regressar à Terra, para ser reutilizado. A primeira vez que a Space X lançou um foguetão para a órbita terrestre foi há 11 anos. Desde então, a empresa concluiu mais de 80 lançamentos espaciais.

A Starship deverá ter uma vida útil entre 20 a 30 anos.
© Twitter Space X

Elon Musk tem expressado vontade de construir bases na Lua ou em Marte. Segundo o multimilionário, esta pode ser a forma de garantir a sobrevivência da raça humana e, assim, promover a sua regeneração na Terra no caso de uma terceira guerra mundial. “Queremos garantir que o Homem permaneça noutro lugar (para além da Terra) como uma semente da civilização humana, para que possa trazer de volta a civilização e talvez diminuir a duração da idade das trevas”, afirmou em Março.

Diário de NotíciasDN

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Tem 17 anos, é fã de ‘Star Wars’ e descobriu um planeta com dois sóis

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Wolf Cukier integrou uma bolsa de voluntários da NASA e ao terceiro dia fez um brilharete: descobriu um planeta com dois sóis 6,9 vezes maior que a Terra, a 1300 anos-luz de distância.

Planeta com dois sóis fica a 1300 anos-luz da Terra e é 6,9 vezes maior.
© DR

O que mais pode desejar um jovem, fã de Star Wars, que aos 17 anos consegue um estágio na NASA? Em princípio muitos sonhos já estão cumpridos. Em princípio, porque Wolf Cukier conseguiu muito mais: logo no terceiro dia na agência espacial norte-americana descobriu um planeta com dois sóis a 1300 anos-luz da Terra e 6,9 vezes maior. Como Tatooine, o planeta onde vive Luke Skywalker, o protagonista da saga cinematográfica que tanto o apaixona.

A descoberta já tem alguns meses – aconteceu em meados do ano passado – mas foi necessário que os cientistas se certificassem da verdade da descoberta para a anunciar. Vamos por partes. Wolf Cukier ainda necessitava de andar mais um ano na escola, em Nova Iorque, para terminar o ensino secundário, mas conseguiu integrar um grupo de voluntários que iam fazer um estágio no Goddard Space Flight Center, instituto de pesquisa da NASA em Greenbelt, no estado do Maryland, no leste dos EUA.

O trabalho que lhe foi atribuído era a análise dos dados fornecidos pelo Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Transição, conhecido no mundo da ciência como TESS ou tão-só como “caça planetas”.

Não é de estranhar que esta função lhe tenha sido atribuída, porque uma das características do TESS é precisamente convidar leigos na matéria para assistirem à transmissão de dados online de padrões no brilho das estrelas que podem sugerir a existência de um novo planeta.

Ao terceiro dia no instituto, estava Wolf estava entretido a olhar para os brilhos das estrelas transmitidos pelo TESS quando viu algo de invulgar. Tinha-lhe sido pedido concretamente que atentasse como duas estrelas se cruzariam criando um eclipse no sistema solar TOI 1338, mas percebeu que havia ali qualquer coisa que bloqueava a luz.

O trabalho passou depois para a mão de especialistas e não durou dias, mas muitas semanas. Cientistas experientes confirmaram e voltaram a confirmar a descoberta do jovem de 17 anos até que chegaram à conclusão que tinha mesmo descoberto um planeta com dois sóis, 6,9 vezes maior que a terra e a 1300 anos-luz de distância. O terceiro deste tipo a ser identificado.

Wolf Cukier tem 17 anos mas vai ficar na história da NASA.
© DR

Wolf Cukier teve a honra de assinar um artigo com os membros da equipa da NASA, onde se explica melhor a descoberta. Ficou assim a saber-se que o TESS conseguiu descobrir o novo planeta devido à capacidade de monitorização permanente e às suas quatro câmaras que registam um pedaço do espaço a cada 30 minutos, ao longo de 27 dias.

Esta informação gera gráficos e detecta como e quando o brilho muda. “O olho humano é extremamente bom para encontrar padrões em dados, especialmente padrões não periódicos como as transições nesse sistema”, explicou o principal autor do artigo, o cientista Veselin Kostov.

Wolf Cukier até pode decidir não seguir astronomia, mas o certo é que o seu nome já fica gravado na história da exploração espacial e da NASA.

Diário de Notícias

DN

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3339: O exoplaneta “Frankenstein” está numa espiral da morte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

(dr) NASA / ESA / G. Bacon (STScI)
Impressão artística do exoplaneta WASP-12b

O exoplaneta WASP-12b, a 600 anos-luz de distância, está numa espiral em direcção à sua estrela hospedeira, ou seja, em direcção a uma destruição segura em apenas três milhões de anos.

O WASP-12b é conhecido como “Júpiter quente”, um planeta gasoso gigante como o nosso vizinho Júpiter, mas muito próximo da sua própria estrela, orbitando o Sol em apenas 26 horas.

“Desde a descoberta do primeiro ‘Júpiter quente’ em 1995, uma descoberta que foi reconhecida este ano com o Prémio Nobel da Física, questionamos quanto tempo estes planetas podem sobreviver”, disse Joshua Winn, um dos autores do artigo científico recentemente publicado na Astrophysical Journal Letters, citado pelo Europa Press.

“Tínhamos a certeza de que não poderiam durar para sempre. As fortes interacções gravitacionais entre o planeta e a estrela devem fazer o planeta girar para dentro e ser destruído, mas ninguém consegue prever quanto tempo demorará a acontecer. Agora que medimos a taxa para pelo menos um sistema, sabemos que se tratam de milhões de anos, e temos assim uma nova pista sobre o comportamento das estrelas como corpos fluidos.”

Mas há um problema: à medida que o “Frankenstein” orbita a sua estrela, os dois corpos exercem força gravitacional um sobre o outro, elevando “marés” – tal como as marés do oceano.

Dentro da estrela, essas ondas causam distorções e oscilações. Devido ao atrito, as ondas quebram e as oscilações diminuem, um processo que gradualmente converte a energia orbital do planeta em calor dentro da estrela.

Por sua vez, o atrito associado às marés também exerce um par gravitacional no planeta, fazendo o planeta entrar numa espiral para dentro. Medir a rapidez com que a órbita do planeta está a encolher revela a rapidez com que a estrela dissipa a energia orbital, o que fornece pistas astrofísicas sobre o interior das estrelas.

Samuel Yee, primeiro autor do artigo científico, explicou que se os cientistas encontrarem mais planetas como este – cujas órbitas se estão a deteriorar – “podemos aprender sobre a evolução e o destino final dos sistemas exoplanetários”.

“Apesar de este fenómeno ter sido previsto para planetas gigantes próximos, esta é a primeira vez que vemos este processo em acção”.

ZAP //

Por ZAP
9 Janeiro, 2020

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3335: Novo estudo mostra que Vénus ainda pode ter vulcões activos

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/VÉNUS

NASA

Uma equipa de cientistas diz ter encontrado evidências de que há vulcões activos na superfície de Vénus. Se isto se confirmar, é o único planeta no Sistema Solar, para além da Terra, que ainda está vulcanicamente activo.

Embora se saiba que Vénus tenha sido vulcanicamente activo há 2,5 milhões de anos, não foram encontradas evidências concretas de que ainda existam erupções vulcânicas na superfície deste planeta.

Porém, segundo o Science Alert, uma nova investigação do Lunar and Planetary Institute (LPI) mostra que Vénus ainda pode ter vulcões activos, tornando-o o único planeta no Sistema Solar, para além da Terra, que ainda está vulcanicamente activo.

A equipa de cientistas simulou a atmosfera do planeta em laboratório para investigar como é que os fluxos de lava de Vénus mudariam ao longo do tempo. Foi assim que descobriu que a olivina, um mineral que existe em abundância no basalto, reage rapidamente com uma atmosfera como a deste planeta e ficaria revestida por magnetita e hematita (dois minerais ricos em óxido de ferro) em poucos dias.

Os investigadores compararam estes resultados com os dados obtidos ao longo dos anos pela sonda Venus Express, que detectou sinais de olivina na superfície de Vénus, e descobriram que a assinatura de infravermelho emitida por estes minerais desapareceria em poucos dias.

A partir disso, os cientistas concluíram que os fluxos de lava observados em Vénus eram muito jovens, o que, por sua vez, poderá indicar que este planeta ainda possui vulcões activos na sua superfície.

“Se Vénus for realmente activo hoje, seria um óptimo lugar para visitar e entender melhor o interior dos planetas. Poderíamos estudar como é que os planetas arrefecem e porque é que a Terra e Vénus têm vulcanismo activo, mas Marte não”, afirma Justin Filiberto, o cientista que liderou a investigação e cujo estudo foi publicado na Science Advances.

Num futuro próximo, vamos ouvir falar sobre várias missões a Vénus para aprender mais sobre a sua atmosfera e condições da sua superfície. Falamos, por exemplo, do orbitador Shukrayaan-1, da Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO), e da sonda russa Venera-D, que têm lançamento previsto para 2023 e 2026, respectivamente.

ZAP //

Por ZAP
8 Janeiro, 2020

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3329: NASA anuncia descoberta de planeta do tamanho da Terra em zona considerada habitável

CIÊNCIA/ESPAÇO

Chama-se “TOI 700 d” e está relativamente próximo da Terra, a cem anos-luz de distância, sublinhou a agência espacial norte-americana.

Ilustração do planeta “TOI 700 d” do tamanho da Terra encontrado numa zona habitável
© YouTube

A NASA anunciou na segunda-feira a descoberta de um planeta do tamanho da Terra e a orbitar uma estrela a uma distância que torna possível a existência de água, numa zona identificada como habitável.

O planeta chama-se “TOI 700 d” e está relativamente próximo da Terra, a cem anos-luz de distância, sublinhou a agência espacial norte-americana.

A descoberta pertenceu ao satélite TESS, “projectado e lançado especificamente para encontrar planetas do tamanho da Terra e a orbitar estrelas próximas”, explicou o director da divisão de astrofísica da NASA, Paul Hertz.

Alguns outros planetas semelhantes foram descobertos antes, principalmente pelo antigo telescópio espacial Kepler, mas este é o primeiro do TESS, lançado em 2018.

O TESS descobriu três planetas a orbitarem a estrela, denominados ‘TOI 700 b’, ‘c’ e ‘d’. Somente o ‘d’ está na chamada zona habitável. É quase do tamanho da Terra (20% a mais), circula a estrela em 37 dias e recebe o correspondente a 86% da energia fornecida pelo Sol à Terra.

Astrónomos tentam obter novos dados sobre o planeta

Os pesquisadores geraram modelos baseados no tamanho e tipo da estrela, a fim de prever a composição da atmosfera e a temperatura da superfície.

Uma das simulações, disse a NASA, aponta para um planeta coberto por oceanos com “uma atmosfera densa dominada por dióxido de carbono, semelhante à aparência de Marte quando jovem, de acordo com as suposições dos cientistas”.

Uma face deste planeta está sempre voltada para a sua estrela, como é o caso da Lua com a Terra, um fenómeno chamado de rotação síncrona. Essa face estaria constantemente coberta de nuvens, de acordo com este modelo.

Outra simulação prevê uma versão da Terra sem oceanos, onde os ventos soprariam do lado oculto em direcção à face iluminada.

Vários astrónomos estão agora a observar o planeta com outros instrumentos, tentando obter novos dados que possam corresponder a um dos modelos previstos pela NASA.

Diário de Notícias

DN/Lusa
07 Janeiro 2020 — 08:07

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