2691: Alguns planetas podem orbitar um buraco negro super-massivo em vez de uma estrela

CIÊNCIA

NASA Goddard

Estamos habituados à ideia de que um planeta orbita estrelas. No entanto, estes corpos celestes podem também existir em torno de buracos negros super-massivos.

Os cientistas já haviam adoptado a ideia de que há planetas a orbitar buracos negros mais pequenos, mas nada se sabe sobre a possibilidade de estes corpos espaciais orbitarem buracos negros super-massivos. Keiichi Wada, da Universidade de Kagoshima, no Japão, decidiu aplicar modelos de formação planetária para ver se esta hipótese pode ser real.

“Este é o primeiro estudo que afirma a possibilidade de formação” directa “de objectos semelhantes a planetas que não estão associados a estrelas, mas sim a buracos negros super-massivos”, afirmou a cientista, citada pelo New Scientist.

Os cientistas desconfiam que a formação de planetas começa com um disco de poeira e gás em torno de uma estrela. Gradualmente, este material agrupa-se e a gravidade atrai ainda mais material, construindo assim um planeta.

Wada e a sua equipa analisaram de que forma os discos conhecidos por cercar buracos negros super-massivos se comportariam e mostraram que este processo, muito semelhante ao da formação planetária, pode mesmo acontecer. “Basicamente, trata-se do mesmo processo que a formação de planetas normais ao redor das estrelas”, resume Wada.

Graças à sua enorme massa e força gravitacional, os buracos negros super-massivos distorcem o tempo espacial de maneiras estranhas. No entanto, os planetas em órbita podem não sentir efeitos estranhos, como a dilatação do tempo. Wada diz que, provavelmente, estes planetas orbitariam a uma grande distância – entre 10 e 30 anos-luz -, onde os efeitos extremos da relatividade geral seriam “desprezíveis”.

Os sistemas planetários em torno de um buraco negro super-massivo podem não ser como os sistemas estelares. “A quantidade de poeira é enorme”, o que significa que a massa dos planetas seria muito grande – cerca de 10 vezes mais massivos do que a Terra. Além disso, poderia haver até 10.000 planetas em torno de um único buraco negro. O artigo científico da equipa foi publicado no arXiv.org.

Sean Raymond, da Universidade de Bordeaux, diz que a lógica da equipa da universidade japonesa é plausível. Ainda assim, o cientista afirma que pode ser possível que os planetas se aproximem de um buraco negro super-massivo e existam em números ainda maiores.

Teoricamente, é possível que milhões de planetas orbitem um buraco negro super-massivo, mas isso exige que muitas coisas sejam perfeitas”, afirmou.

Detectar directamente estes planetas seria muito difícil por causa das vastas distâncias envolvidas. Ainda assim, através da astronomia infravermelha, pode ser possível observar o disco proto-planetário e, desta forma, conseguir provas indirectas de que planetas orbitam em torno de buracos negros super-massivos.

ZAP //

Por ZAP
23 Setembro, 2019

 

2684: Marte: Imagem incrível mostra o pólo norte marciano cheio de neve

CIÊNCIA

Uma imagem captada no mês de Junho aos pólos de Marte mostra o pólo do hemisfério norte cheio de gelo. Estas fotografias, nunca antes conseguidas, foram captadas pela câmara de alta resolução da sonda Mars Express. Segundo a ESA, esta é uma imagem impressionante que mostra o planeta vermelho com uma resolução raramente vista.

São muito raras as imagens do inverno marciano. No entanto, durante este inverno, “chove” bastante sobre o Polo Norte…

Marte de pólo a pólo com impressionante resolução

O topo desta impressionante vista global de Marte mostra o hemisfério norte com o Polo Norte ainda estendido no inverno. Na imagem de alta resolução é possível ver um véu fino e nublado que se estende sobre os vales baixos adjacentes, parcialmente cobertos de areia escura.

Com um olhar atento ao centro da imagem, verificamos que há uma fronteira terrestre. Segundo os especialistas, esta marca a fronteira entre as terras baixas do norte e as terras altas do sul de Marte. As areias escuras também cobrem áreas das terras altas cobertas de crateras.

Por outro lado, no extremo sul da imagem, podemos ver parte das nuvens brancas que pairam sobre esse pólo. A vista do planeta é ligeiramente “inclinada” para o sul, de modo que uma vista do Polo Norte é possível, mas não do Polo Sul. De pólo a pólo, Marte tem um diâmetro de 6.752 quilómetros e a imagem mostrada cobre cerca de 5.000 quilómetros.

O inverno marciano

Durante o inverno no hemisfério norte, o frio intenso causa a precipitação de quantidades significativas de dióxido de carbono para fora da atmosfera sobre o Polo Norte. Isto forma uma película fina no topo da camada polar permanente, que de outra forma consiste predominantemente em gelo de água.

Como resultado, esta camada de gelo estende-se até cerca de 50 graus norte. O conteúdo de vapor de água na atmosfera marciana, que poderia congelar para formar gelo de água e cair à superfície como neve ou gelo, é extremamente baixo.

Estes dados da imagem foram obtidos no início da primavera, no norte. Nesse sentido, a noite polar no Polo Norte acabou e a camada polar, que tinha crescido durante o inverno, começou a recuar gradualmente.

Este crescimento e contracção podem também ter sido observados na camada polar sul. A fina faixa branca de nuvens (provavelmente composta de cristais de gelo de água) é uma das muitas que aparecem no hemisfério norte nesta época do ano.

Planícies enormes

As planícies avermelhadas da Arábia Terra e Terra Sabaea, no centro da imagem, são notáveis pela presença de muitas crateras de grande impacto. Estas indicam que estão entre as regiões mais antigas de Marte.

Dessa forma, vemos ao longo da fronteira norte há uma escarpa surpreendente, com uma diferença de vários quilómetros de altura. Isto separa as planícies, com as crateras das terras baixas do norte das terras altas do sul. Estas últimas têm muitas mais crateras.

Assim, esta mudança notável no terreno, conhecida como a dicotomia marciana, marca uma divisão topográfica e regional fundamental em Marte.

Isto reflecte-se nas diferentes espessuras da crosta, mas estende-se também às propriedades magnéticas da crosta e ao seu campo gravitacional. Há ainda um debate científico sobre como surgiu essa dicotomia da crosta. Terão sido forças “endógenas” no interior de Marte ou serão “forças externas”, asteróides, as responsáveis pelo estado do solo marciano?

Um planeta congelado no tempo

Os processos geológicos (vulcanismo, tectónica, água e gelo) pararam em Marte. No entanto, actualmente, as mudanças que podem ser observadas na superfície são causadas principalmente pelo deslocamento induzido pelo vento das areias escuras.

Assim, enquanto estas areias, que são de origem vulcânica, formam vastos campos de dunas em depressões como crateras de impacto, elas também são frequentemente depositadas noutras grandes áreas, fazendo com que partes da superfície planetária pareçam escuras.

2682: Já se sabe o que colidiu com Júpiter em Agosto

CIÊNCIA

(cv)

No mês passado, recebemos a notícia de um raro flash de luz em Júpiter, suficientemente brilhante para ser visto através de telescópios.

De acordo com uma nova análise, a causa desse acidente foi um pequeno asteróide, com uma densidade consistente com meteoros que têm partes iguais de pedra e ferro.

O meteoro explodiu na atmosfera superior de Júpiter, cerca de 80 quilómetros acima do topo das nuvens, libertando energia equivalente a 240 quilo-toneladas de TNT – pouco mais da metade da energia da explosão de 440 quilo-toneladas de meteoro de Chelyabinsk em 2013.

Os resultados foram apresentados na Reunião Conjunta EPSC-DPS 2019 em Genebra. O impacto foi capturado inteiramente por acidente pelo astro-fotógrafo Ethan Chappel em 7 de Agosto de 2019. “Acredito que estava a olhar para o céu à procura de meteoros Perseidas quando aconteceu, não vi o flash durante a gravação”, disse Chappel. “Só percebi depois graças a um excelente software chamado DeTeCt, de Marc Delcroix, que foi projectado especificamente para encontrar estes flashes”.

@ChappelAstro

Imaged Jupiter tonight. Looks awfully like an impact flash in the SEB. Happened on 2019-08-07 at 4:07 UTC.

Acredita-se que as explosões atmosféricas de meteoros – chamadas bólidos – não sejam particularmente raras em Júpiter, já que o planeta é maciço e próximo de um cinturão de asteróides.

No entanto, Júpiter está longe e os flashes são fracos e breves. É aí que entra o software DeTeCt de código aberto. Desenvolvido pelo astrónomo amador Marc Delcroix e pelo físico Ricardo Hueso, o software é projectado especialmente para detectar flashes de impacto em Júpiter e Saturno.

“Fiquei emocionado quando Ethan entrou em contacto comigo”, disse Delcroix em comunicado. “Este é o primeiro flash de impacto encontrado em Júpiter usando o software DeTeCt. Essas detecções são extremamente raras porque os flashes de impacto são fracos, curtos e podem ser facilmente perdidos enquanto observamos os planetas durante horas”.

“No entanto, quando um flash é encontrado numa gravação de vídeo, pode ser analisado para quantificar a energia necessária para torná-lo visível a uma distância de 700 milhões de quilómetros”. Essa análise foi conduzida pelos astrónomos Ramanakumar Sankar e Csaba Palotai, do Instituto de Tecnologia da Florida.

Com base no flash, determinaram que o objecto tinha provavelmente 12 a 16 metros de diâmetro e uma massa de cerca de 450 toneladas. A curva de luz da explosão sugere uma composição de ferro pedregoso, com partes iguais de ferro meteórico e silicatos – com maior probabilidade de ser, portanto, um asteróide do que um cometa. Isso é consistente com o que Hueso encontrou, com base nas suas comparações com flashes de impacto anteriores detectados em Júpiter.

“Com seis flashes de impacto observados em dez anos desde que o primeiro flash foi descoberto em 2010, os cientistas estão a ficar mais confiantes nas suas estimativas da taxa de impacto desses objectos em Júpiter”, disse Hueso. “Muitos desses objectos atingem Júpiter sem serem vistos pelos observadores na Terra. No entanto, agora estimamos entre 20 a 60 objectos semelhantes a Júpiter a cada ano”.

No entanto, quando se trata de impactos de Saturno, ainda precisa de ser feito muito trabalho. Nos seus resultados, o par observou que o banco de dados DeTeCt actualmente possui 103 dias de observações de Júpiter, mas apenas 13 dias para Saturno – o que significa que ainda é muito cedo para estimar as taxas de impacto no planeta.

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21 Setembro, 2019

 

2669: Lua de Saturno Enceladus está a atirar bolas de neve contra as outras luas

CIÊNCIA

Saturno é um planeta rico em motivos de curiosidade cósmica. Este gigante gasoso tem mais de sessenta satélites naturais na sua órbita. Contudo, a maioria deles são corpos pequenos, sendo que somente nove luas possuem diâmetro superior a cem quilómetros. Uma delas, Enceladus, está a travar uma luta cósmica de bolas de neve.

Segundo os astrónomos, as luas internas do planeta são estranhamente brilhantes. Isso tem uma razão de ser e os investigadores pensam que se deve ao facto desta lua estar a atirar neve às demais.

NASA: Cassini morreu, mas ainda há muito para descobrir

Muitas das descobertas feitas neste planeta, a uma distância média da Terra de 1.280.4000.000 Km, são das imagens e das análises feitas pela nave espacial Cassini. Esta, como é sabido, terminou a sua missão a voar até ao interior de Saturno em 2017.

Além de imagens fantásticas, Cassini trazia consigo um instrumento de radar que usava ondas de rádio para examinar as luas geladas de Saturno.

Alice Le Gall da Universidade de Paris-Saclay, na França, e os seus colegas analisaram essas observações de radar e descobriram que três das luas, Mimas, Encélado e Tétis, parecem ser duas vezes mais brilhantes do que se pensava anteriormente.

Saturno: Porque será que tem uma Lua assim brilhante?

Há alguns dados que podem explicar essa candura da lua Enceladus. Esta lua tem enormes géiseres que lançam água do seu oceano subterrâneo para o espaço. Posteriormente, esta água congela e cai como neve nas luas próximas. Além disso, muita desta neve cai na superfície do Enceladus. Le Gall e os seus colegas calcularam que esta camada de gelo e neve deveria ter pelo menos algumas dezenas de centímetros de espessura.

Agora sabemos que a neve está realmente a acumular-se, não é apenas uma fina camada de revestimento, mas uma camada muito mais espessa de gelo de água.

Explicou a astrónoma Le Gall.

Isso ajuda a explicar a razão das luas serem são brilhantes em comprimentos de onda de rádio. Esta tecnologia permite penetrar mais fundo sob a superfície do que a luz visível. Contudo, mesmo a neve profunda não consegue explicar completamente o brilho das luas.

Isso sugere que algo mais deve estar enterrado sob a neve ou a descansar em cima dela. Isto porque as ondas rádio do radar da nave foram reflectidas.

Le Gall e a sua equipa estão em processo de modelagem de diferentes estruturas que poderiam responder a estas questões. Desta forma, a explicar uma destas realidades pode estar uma camada de bolas de neve, enormes picos de gelo ou fendas generalizadas. No entanto, estas várias probabilidades ainda não têm correspondência nas observações feitas para que seja geologicamente plausível.

Temos muitas estruturas para testar, e é realmente muito importante para missões futuras que podem pousar nessas luas.

Concluiu Le Gall.

Na verdade, este é um processo importante, pois se um dia quisermos pousar lá, precisamos saber primeiro como é a superfície.

pplware
19 Set 2019
Imagem: NASA/JPL/Space Science Institute

 

2668: Afinal, anéis de Saturno podem ser quase tão antigos como o Sistema Solar

CIÊNCIA

NASA/JPL/SSI
Imagem dos anéis de Saturno, pela sonda Cassini

Um novo estudo sugere que os anéis de Saturno podem ser quase tão antigos como o Sistema Solar, depois de uma pesquisa anterior ter dito que tinham apenas 100 milhões de anos.

Os anéis de Saturno são a característica mais marcante daquele que é o segundo maior planeta do Sistema Solar. Durante muitos anos, acreditou-se que estes anéis se formaram há mil milhões de anos, mas análises recentes da sonda Cassini sugeriram que tinham apenas 100 milhões de anos.

A Cassini mostrou que o material dos anéis está a chover no planeta e, dada a taxa, esse sistema de anéis só poderia realmente existir por um curto período de tempo. Embora este argumento seja convincente, outros investigadores mostram agora que este debate está longe de ser resolvido, escreve o IFLScience.

Num artigo publicado na revista científica Nature Astronomy, a equipa aponta evidências (também da sonda) que sugerem que os anéis são quase tão antigos como o Sistema Solar.

“Não podemos medir directamente a idade dos anéis de Saturno como se fossem um cepo de madeira, por isso temos de deduzir a sua idade através de outras propriedades, como a massa e a composição química”, afirma num comunicado Aurélien Crida, autor principal do estudo e investigador do Observatoire de la Côte d’Azur, em França.

“Estudos recentes fizeram suposições de que o fluxo de poeira é constante, a massa dos anéis é constante e que os anéis retêm todo o material poluidor que recebem. No entanto, ainda há muita incerteza sobre todos esses pontos e, quando analisados com outros resultados da missão Cassini, acreditamos que há um forte argumento de que os anéis são muito, muito mais antigos“, explica ainda.

Com base nos dados desta sonda, estima-se que os anéis pesem 15 biliões de quilogramas, semelhante a um asteróide ou a uma lua muito pequena. A equipa concentrou-se na massa e na viscosidade dos anéis para tentar estimar o tempo decorrido desde a sua formação até agora.

A ideia é que os anéis evoluem com o tempo. A borda interna chove no planeta, a borda externa é perdida para as luas e para o espaço. Anéis mais maciços perdem massa mais rapidamente. Curiosamente, os modelos empregados mostram que não importa qual seja a massa original, ao longo de mil milhões de anos convergirão para um valor consistente com o que a Cassini mediu.

“Do nosso conhecimento actual da viscosidade dos anéis, a massa medida durante a Cassini Grand Finale seria o produto natural de vários mil milhões de anos de evolução, o que é atraente. É certo que nada proíbe que os anéis tenham sido formados muito recentemente com essa massa precisa e mal tenham evoluído desde então. No entanto, isso seria uma coincidência”, acrescentou Crida.

No estudo, a equipa diferencia a idade da formação dos anéis, a idade das estruturas dentro dos anéis e, por fim, a idade da exposição dada pela presença de material estranho ao anel. A confusão entre essas idades pode estar a sugerir que os anéis são mais jovens do que realmente são.

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Por ZAP
19 Setembro, 2019

 

2662: Vulcão de lua de Júpiter prestes a entrar em erupção

CIÊNCIA

Os investigadores conseguiram determinar um padrão na actividade do Loki.

© NASA / JPL / USGS Os investigadores conseguiram determinar um padrão na actividade do Loki.

O maior vulcão da lua Io de Júpiter está prestes a entrar em erupção e os investigadores estão atentos para reunir todos os dados e detalhes do evento. O vulcão, de nome Loki, tem sido alvo de uma observação atenta da parte dos investigadores, que identificaram até um padrão nas erupções do vulcão.

De acordo com o ‘paper’ publicado pela cientista planetária Julie Rathburn do Instituto de Ciência Planetária, as erupções do Loki tinham um ciclo de 530 dias. O ‘paper’ em questão foi fruto de observações feitas entre 1988 e 2000, com os investigadores a notarem que, no início da erupção, o vulcão se iluminava e permanecia neste estado durante 230 dias até voltar a apagar-se.

Porém, como conta o Science Alert, o ciclo encurtou em 2013 e verificou que em vez dos 530 dias a duração era agora de 475 dias. É este novo ciclo que leva os investigadores a acreditarem que o Loki entrará em erupção ainda durante este mês.

“Os vulcões são tão difíceis de prever porque são muito complicados. Há muitas coisas que podem influenciar as erupções vulcânicas, incluindo a taxa de abastecimento de magma, a composição do magma – em particular a presença de bolhas no magma, o tipo de rocha em que o vulcão se encontra, o estado fracturado da rocha e muitas outras questões”, indica Rathburn. “Consideramos que o Loki pode ser previsível porque é tão grande. Devido ao seu tamanho, as físicas básicas provavelmente dominam-no quando entra em erupção, por isso as complicações pequenas que afectam os vulcões pequenos provavelmente não afectam muito o Loki.

msn notícias
Miguel Patinha Dias
18/09/2019

 

2661: Hubble acabou de captar uma imagem nova e impressionante de Saturno… nem parece real!

CIÊNCIA

Saturno é um planeta incrível. Para ter uma ideia “aproximada” do seu perfil, podemos dizer que tem de diâmetro cerca de 116 464 km, nove vezes o tamanho da Terra. O seu aspecto hipnotiza com os seus 32 anéis e 62 luas. Sim, faz frio, a sua temperatura média da superfície é de -178 graus Celsius. Contudo, o seu interior fervilha até aos até 11.700 °C. Portanto, é um astro supremo. De tal forma que o Hubble, da NASA, captou uma nova imagem de Saturno que nos faz pensar se será real ou não.

Se prestar bem atenção, verá que a imagem é tão nítida que parece que Saturno está apenas a flutuar no espaço. Na verdade… é isso mesmo!

Saturno é composto essencialmente de hidrogénio. Tem uma densidade de 0.687 g/cm³

Segundo estas imagens fantásticas captadas pelas lentes do Hubble, Saturno parece estar a flutuar. Além disso, dada a nitidez da imagem do planeta anelado, este parece estar próximo da Terra. Calma, na verdade, está a “apenas” 1,36 mil milhões de km de distância.

Esta imagem nítida foi captada pela Wide Field Camera 3. Este é o mais recente e mais tecnologicamente avançado instrumento do Telescópio Espacial Hubble a captar imagens no espectro visível.

Mais do que apenas uma imagem bonita: é científica

A imagem faz parte de um programa chamado Outer Planet Atmospheres Legacy (OPAL.) O objectivo da OPAL é acumular imagens de longa distância dos planetas gigantes de gás do nosso Sistema Solar. Dessa forma, as imagens servem para nos ajudar a perceber as suas atmosferas ao longo do tempo. Esta é a segunda imagem anual de Saturno como parte do programa OPAL.

Saturno parece sempre muito tranquilo e pacífico visto a milhões de quilómetros de distância. No entanto, com uma inspecção mais atenta, este revela muita actividade a acontecer no planeta.

Quando pensamos em tempestades e gigantes gasosos, geralmente pensamos em Júpiter, esse guardião da Terra. Vem-nos à ideia as suas faixas de tempestade horizontais proeminentes, e, é claro, no Grande Ponto Vermelho. Mas Saturno é um planeta muito activo e tempestuoso também.

Graças ao programa OPAL, sabemos que uma grande tempestade hexagonal na região polar norte do planeta desapareceu. E tempestades menores vêm e vão com frequência.

Há também mudanças subtis nas faixas de tempestade do planeta, que são em grande parte gelo de amoníaco no topo.

Esta imagem composta, obtida pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA em 6 de Junho de 2018, mostra o planeta Saturno com os seus anéis e com seis das suas 62 luas conhecidas

Algumas características insistem em permanecer ao longo dos tempos

A sonda Cassini avistou a tempestade hexagonal no Polo Norte de Saturno há alguns anos. Contudo,  essa tempestade ainda está lá. Na verdade, a nave espacial Voyager 1 foi a primeira a detectar essa característica em 1981. Esta nova imagem Hubble de Saturno é muito mais bonita.

Em virtude de ter sido recolhida mais informação, a NASA lançou uma versão anotada e mais informativa da imagem Hubble. Além disso, a agência espacial norte-americana também lançou um vídeo time-lapse de imagens Hubble de Saturno.

Só para ilustrar as imagens, podemos reparar nas suas, ou pelo menos algumas das mais de 60 luas de Saturno. Elas orbitam de forma majestosa em torno do gigante gasoso.

Conforme podemos ver, este vídeo é composto por 33 imagens separadas tiradas no dia 19 e dia 20 de Junho de 2019.

pplware
Imagem: NASA, ESA, Amy Simon and the OPAL Team, and J. DePasquale (STScI)
Fonte: Universe Today.

 

2655: Fotografia de Marte mostra dunas de gelo

CIÊNCIA

A imagem é do pólo norte do ‘Planeta Vermelho’.

© ESA / Roscosmos A imagem é do pólo norte do ‘Planeta Vermelho’.

A Agência Espacial Europeia (ESA) e a agência espacial russa Roscosmos partilharam uma fotografia da superfície do pólo norte de Marte, exibindo o uma estranha textura que parecem ser dunas de neve.

As imagens foram captadas pela câmara CaSSIS que se encontra a bordo da sonda ExoMars Trace Gas Orbiter, com a ESA a explicar que durante o inverno a superfície se encontra coberta por dióxido de carbono gelado. É durante a passagem para a primavera que o gelo se converte em vapor e forma as zonas mais escuras.

Por muito interessante que seja a explicação, a imagem serve para reforçar ideia que há paisagens variadas no ‘Planeta Vermelho’ muito além da conhecida superfície arenosa.

msn notícias
17/09/2019

 

2650: NASA pondera regresso da missão a Vénus baptizada em honra de Fernão de Magalhães

CIÊNCIA

A nave, feita com componentes de outras missões, foi lançada a 4 de Maio de 1989 e esteve activa até 13 de Outubro de 1994, momento em que cumpriu a ordem de se despenhar na atmosfera venusiana.

Vénus
© Arquivo Global Media

O Laboratório de Propulsão a Jacto (JPL) da NASA submeteu uma proposta para regressar a Vénus através do programa Discovery, trinta anos depois da missão Magellan, que foi baptizada em honra do explorador português Fernão de Magalhães.

A proposta irá competir com cerca de uma quinzena de outras missões potenciais, disse à Lusa a vulcanóloga e cientista sénior do JPL Rosaly Lopes, que fez uma revisão do projecto, das quais a NASA escolherá apenas uma para voar.

“A missão Magellan foi a primeira que mapeou a superfície e realmente viu abaixo das nuvens de Vénus, que tem uma atmosfera muito espessa”, explicou a cientista do laboratório sediado em Pasadena, no condado de Los Angeles. “Antes da Magellan, quase não se tinha conhecimento da superfície de Vénus”, acrescentou.

A nave, feita com componentes de outras missões, incluindo das Voyager, foi lançada a 4 de maio de 1989 e esteve activa até 13 de Outubro de 1994, momento em que cumpriu a ordem de se despenhar na atmosfera venusiana.

Segundo Rosaly Lopes, a comunidade científica tem agora muito interesse em retornar a Vénus, “porque a Magellan foi uma missão muito bem sucedida mas ela ainda tem muitas coisas para descobrir”.

Originalmente denominada “Venus Radar Mapper”, a missão de exploração do planeta vulcânico foi renomeada “Magellan” (a versão inglesa de Magalhães) em 1985, “porque foi a primeira missão justamente a fazer a circum-navegarão de Vénus”, entrando em órbita ao redor do planeta, explicou Rosaly Lopes.

Homenagem a Fernão Magalhães

A referência a Fernão de Magalhães, que em Setembro de 1519 partiu na primeira viagem histórica de circum-navegarão da Terra, espelha a continuada importância das descobertas feitas pelo explorador português há 500 anos.

“Foi um marco importantíssimo na história da Humanidade”, afirmou a cientista luso-brasileira. “Como os portugueses sempre tiveram”, sublinhou.

A viagem de Fernão de Magalhães comprovou que o planeta é redondo e mostrou aos europeus que a sua dimensão era muito superior ao que se pensava na altura, bases científicas que hoje são postas em causa por uma franja da sociedade que acredita que a Terra é plana.

Um retrocesso que “não tem explicação”, disse Rosaly Lopes. “Desde os últimos 500 anos nós temos tantas provas, temos imagens da Terra feitas do Espaço e basta entrar num avião para ver a curvatura da Terra”, afirmou, considerando tratar-se de uma “moda”.

Entre os auto-denominados “flat earthers” há algumas personalidades conhecidas, como a estrela da NBA Kyrie Irving, o rapper B.o.B. ou a estrela da MTV Tila Tequila. Em junho, o clube de futebol da terceira divisão espanhola Móstoles Balompié mudou de nome para Flat Earth FC, por decisão do ex-futebolista e presidente Javi Poles, que acredita na teoria da terra plana.

“Há pessoas que escolhem acreditar em coisas sem sentido”, disse Rosaly Lopes. “Não podemos convencer pessoas que têm uma mente fechada”.

A NASA está agora a analisar as propostas de novas missões e deverá anunciar quais passarão à próxima fase até ao final do ano.

Rosaly Lopes, que é co-investigadora de uma nova missão que vai estudar as luas de Júpiter, acredita que o regresso a Vénus acontecerá nos próximos dez a quinze anos. O JPL em Pasadena está também a trabalhar num novo Rover que vai a Marte, Mars 2020.

Diário de Notícias

DN /Lusa

 

2639: Podem chover pedras no “lado nocturno” dos exoplanetas de Júpiter

CIÊNCIA

(dr) McGill University
Nuvens de rocha condensadas

De acordo com um “relatório meteorológico astronómico”, os lados escuros dos exoplanetas de Júpiter podem ter um clima bastante rochoso. As nuvens espessas de minerais vaporizados podem estar a chover pedras.

Uma equipa de astrónomos da Universidade McGill usou os telescópios espaciais Spitzer e Hubble para estudar o clima em 12 “Júpiteres quentes” – exoplanetas gigantes de gás que orbitam muito perto das suas estrelas hospedeiras.

Estes planetas estão trancados. Isto significa que um lado fica sempre de frente para a estrela, enquanto que o lado oposto está envolto numa escuridão eterna. Como seria de esperar, o lado diurno destes planetas é extremamente quente. O lado nocturno, apesar de ser um pouco mais frio, ainda consegue ser suficientemente quente para derreter chumbo.

Segundo o New Atlas, o que surpreendeu esta equipa de investigadores foi a consistência das temperaturas nocturnas nos 12 exoplanetas analisados. A equipa descobriu que as temperaturas nestes planetas se situavam em torno dos 800 graus Celsius.

“Os modelos de circulação atmosférica previam que as temperaturas do lado nocturno deveriam variar muito mais do que variam na realidade”, disse Dylan Keating, autor principal do artigo científico, recentemente publicado na Nature Astronomy.

“Esta descoberta é verdadeiramente surpreendente, uma vez que todos os planetas que estudamos recebem quantidades diferentes de radiação das suas estrelas hospedeiras, e as temperaturas diurnas variam, entre elas, quase 1.700 graus Celsius.”

O mistério que faz com que estas temperaturas sejam tão consistentes ainda não foi resolvido, mas a equipa de cientistas sugere uma explicação: a cobertura das nuvens pode ser a culpada, ao formar uma espécie de cobertor grosso que impede o calor de irradiar para o Espaço.

De acordo com a equipa, as nuvens são feitas de rocha, vaporizadas pelas intensas temperaturas do lado diurno antes de o vento as soprar para o lado mais negro. Aí, as temperaturas mais baixas fazem-nas condensar e causam, possivelmente, as tais chuvas rochosas.

“A uniformidade das temperaturas nocturnas sugere que as nuvens são, provavelmente, muito semelhantes em termos de composição”, explica Keating. “Os nosso dados sugerem que estas nuvens são compostas por minerais como sulfeto de manganês, silicatos ou rochas.”

No futuro, as observações destes “Júpiteres quentes” em diferentes comprimentos de onda ajudarão os astrónomos a determinar de que são feitas estas nuvens.

ZAP //

Por ZAP
15 Setembro, 2019

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2638: Como salvar o planeta? Debate faz-se este fim de semana em Lisboa

CIÊNCIA

Face às crises climática e ambiental, urge encontrar soluções e pô-las em prática. As fundações Oceano Azul e Francisco Manuel dos Santos promovem o debate.

© Reuters

O ponto de partida é o planeta e a desordem que uma única espécie – a nossa – está a provocar no seu equilíbrio ambiental, climático e global. Em poucas décadas, que se contam pelos dedos de uma mão, as actividades humanas conduziram a Terra a um ponto que até recentemente era difícil imaginar, com problemas e crises que se acumulam em todas as frentes.

A biodiversidade terrestre está em queda abrupta, nos oceanos a sobre-pesca desertifica as águas e o lixo não degradável afoga os seres vivos, as alterações climáticas desorganizam os ecossistemas e causam fenómenos intensos e destrutivos, a exploração intensiva dos recursos naturais destrói habitats e equilíbrios ecológicos, a agricultura intensiva, com a utilização de herbicidas e pesticidas em excesso, envenena a água potável e, como se não bastasse, o desperdício alimentar a que nos damos ao luxo chega a atingir entre 25 e 30%, ou seja, um terço, dos alimentos produzidos. Mais parece um caminho traçado para o desastre. Mas como impedi-lo? E o que pode cada um de nós fazer?

É para equacionar estas questões e ensaiar respostas possíveis e concretas que a Fundação Francisco Manuel dos Santos e a Fundação Oceano Azul promovem neste fim de semana o encontro O Futuro do Planeta, que traz a Portugal alguns dos mais destacados nomes internacionais na área do ambiente, das alterações climáticas e da geopolítica, incluindo vários especialistas portugueses.

Durante dois dias – hoje (sábado) e amanhã (domingo), no Teatro Camões, no Parque das Nações, em Lisboa -, especialistas como o ecólogo e autor americano Carl Safina, a oceanógrafa e investigadora Sylvia Earle, o antigo secretário de Estado norte-americano John Kerry e cientistas portugueses ligados ao ambiente, oceanos, alterações climáticas, demografia ou consumo, como Viriato Soromenho-Marques, Filipe Duarte Santos, Luísa Schmidt, Iva Pires ou Noberto Serpa, vão debater os problemas que a humanidade e o planeta enfrentam no século XXI e propor caminhos para a sua resolução.

Mas o tempo urge e a janela de oportunidade é curta, acreditam hoje os especialistas. É o caso de Sylvia Earle, que estará no encontro de Lisboa, para quem tudo se jogará nos próximos dez anos, como afirmou em entrevista recente ao site de educação e ciência CoolAustralia. “Os próximos dez anos serão provavelmente os mais importantes dos próximos dez mil anos”, porque “há opções que vamos perder durante a próxima década, a menos que passemos já à acção”.

Em relação aos oceanos, para Sylvia Earle, um habitat tão natural como o terrestre, pois mergulhar é uma das suas actividades favoritas tanto em trabalho como nos tempos livres, é necessário travar a fundo em várias frentes: nas pescas e na sua utilização como caixote do lixo, mas também no que está a causar as alterações climáticas, porque elas estão a aquecer os mares. E, aí, descarbonizar a economia, reduzir drasticamente o consumo, mudar a produção dos alimentos e mudar a alimentação são os caminhos a trilhar, que estarão certamente em cima da mesa no encontro que hoje começa em Lisboa, e que pode tornar-se um marco na consciência para acção.

John Kerry, outra das figuras em destaque no encontro, deverá sublinhar igualmente em Lisboa a ideia que ainda há dias proferiu na Austrália, no âmbito da Global Table, uma conferência sobre agricultura e alimentação, de que as alterações climáticas são hoje uma emergência e que é preciso agir. Crítico da nova presidência do seu próprio país e de outros que adiam soluções para as alterações climáticas, John Kerry não poupou palavras na conferência na Austrália. “Não podemos permanecer sentados e deixar o processo político para os neandertais que não acreditam no futuro. Temos falta de liderança, mas isso vai mudar.”

Diário de Notícias
Filomena Naves
14 Setembro 2019 — 01:42

 

2634: Qual o tamanho mínimo para que um planeta possa ser habitável? Cientistas responderam

CIÊNCIA

NASA

Uma equipa de cientistas de Harvard revelou o tamanho crítico abaixo do qual um planeta nunca pode ser habitável, mesmo que esteja numa área com uma distância à sua estrela que permita a existência de água no estado líquido.

Os cientistas descobriram que o tamanho crítico é de, aproximadamente, 2,7% da massa da Terra. Se um objecto for menor do que 2,7% da massa do nosso planeta, a sua atmosfera escapará antes de ter a oportunidade de desenvolver água líquida superficial, tal como acontece actualmente com os cometas. Para colocar este número num contexto, a Lua corresponde a 1,2% da massa da Terra e Mercúrio a 5,53%.

A equipa foi também capaz de estimar as zonas habitáveis desses pequenos planetas em torno de certas estrelas. Para tal, modelaram dois cenários possíveis para dois tipos diferentes de estrelas: uma estrela do tipo G, como o nosso próprio Sol, e uma estrela do tipo M, inspirada numa anã vermelha na constelação de Leo.

Segundo o Europa Press, o efeito de estufa descontrolado ocorre quando a atmosfera absorve mais calor do que aquele que consegue irradiar para o Espaço, impedindo assim que o planeta arrefeça causando um aquecimento incontrolável que acaba por transformar os oceanos em vapor.

No entanto, quando os planetas diminuem de tamanho, algo de extraordinário acontece: à medida que aquecem, as suas atmosferas expandem-se, ficando cada vez maiores em relação ao tamanho do planeta. Essas grandes atmosferas aumentam a absorção de calor e a radiação, permitindo que o planeta mantenha uma temperatura estável.

A expansão atmosférica impede que os planetas de baixa gravidade sofram um efeito estufa descontrolado, permitindo, assim, que consigam manter a água líquida na superfície enquanto orbitam mais perto das suas estrelas.

Em sentido inverso, quando os planetas se tornam demasiado pequenos, perdem completamente a sua atmosfera e, consequentemente, a água líquida presente na superfície congela ou evapora.

Desta forma, a equipa de Harvard provou que existe um tamanho crítico abaixo do qual um planeta nunca pode ser habitável, o que significa que a zona habitável é limitada não apenas no Espaço, mas também no tamanho do planeta.

Nesta investigação, os cientistas resolveram outro antigo mistério do nosso próprio Sistema Solar. Há muito que a comunidade científica se questionava sobre se as luas de Júpiter seriam habitáveis caso a radiação solar aumentasse. Ora, segundo esta tese, estas luas são demasiado pequenas para manter a água líquida da superfície, mesmo estando mais próximas do Sol.

Quando as observações de mundos aquáticos de baixa massa forem possíveis, “será empolgante tentar testar estas previsões”, rematou Robin Wordsworth, principal autor do estudo, publicado recentemente no Astrophysical Journal.

ZAP //

Por ZAP
14 Setembro, 2019

 

2632: Não choveu em Marte. Mas há dunas de areia que parecem pingos de chuva

CIÊNCIA

NASA / JPL-Caltech / Univ. of Arizona

Não chove em Marte há muito tempo, mas o Planeta Vermelho tem dunas de areia muito semelhantes a pingos de chuva, repletas de produtos químicos feitos na água.

O planeta Marte é conhecido por ser um local árido e seco, onde predominam dunas de areia vermelha empoeirada e a água existe quase inteiramente na forma de gelo. Mas não é uma má notícia: estas condições são a razão pela qual muitas características da superfície do Planeta Vermelho são tão bem preservadas e isso permite aos cientistas fazerem algumas descobertas impressionantes.

A fotografia recentemente tirada pelo instrumento HiRISE (Curious Science Imaging Science Experiment), enquanto orbitava acima da Cratera Copernicus, revelou pingos de chuva em Marte. No entanto, estas gotas eram, na verdade, dunas de areia ricas em olivina.

Este tipo de dunas também existem na Terra, mas são muito raras, uma vez que este mineral desbota rapidamente. Além disso, em ambientes húmidos, a olivina transforma-se em argila.

Segundo o Science Alert, a olivina é usada por geólogos para descrever um grupo de minerais formadores de rochas que, normalmente, são encontrados em rochas ígneas. O mineral recebeu este nome graças à sua cor verde, que se deve à sua composição química à base de silicato (SiO4) ligado a magnésio ou ferro (Mg2SiO4; Fe2SiO4).

Na Terra, a olivina é encontrada em rochas ígneas de cor escura e é um dos primeiros minerais a cristalizar durante o lento arrefecimento do magma.

No entanto, é muito raro encontrar tantas dunas de areia ricas em depósitos de olivina na Terra, como foi encontrado recentemente pelo MRO. Isso deve-se ao facto de a olivina ser um dos minerais comuns mais fracos na superfície da Terra e rapidamente se transformar numa combinação de minerais argilosos, óxidos de ferro e ferrihidritos na presença de água.

Pelo contrário, em meteoritos, na Lua, em Marte e até no asteróide Itokawa já foram encontrados depósitos de olivina. Como os asteróides e os meteoritos são essencialmente material restante da formação do Sistema Solar, isso sugere que os minerais olivina já existiam naquela época.

Analisando os depósitos de olivina e os seus subprodutos, os cientistas podem determinar quando é que Marte passou de um planeta rico em água líquida para o local muito seco que é hoje. Mas até chegar a essa conclusão, a descoberta destas dunas marcianas é a prova do quão bem preservadas foram as características do Planeta Vermelho ao longo do tempo.

ZAP //

Por ZAP
14 Setembro, 2019

 

2629: Novos modelos sugerem que lagos de Titã são crateras de explosão

CIÊNCIA

Esta impressão de artista de um lago no pólo norte da lua de Saturno, Titã, ilustra orlas elevadas e parecidas a muralhas como aquelas vistas pela sonda Cassini da NASA em torno de Winnipeg Lacus.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Usando dados de radar da sonda Cassini da NASA, investigações publicadas recentemente apresentam um novo cenário que explica porque alguns lagos cheios de metano na lua de Saturno, Titã, estão cercados por orlas íngremes que atingem centenas de metros de altura. Os modelos sugerem que explosões de azoto aquecido criaram bacias na crosta da lua.

Titã é o único corpo planetário no nosso Sistema Solar, além da Terra, que possui líquidos estáveis à sua superfície. Mas, em vez de chover água das nuvens e de encher lagos e mares como na Terra, em Titã é o metano e o etano – hidrocarbonetos que consideramos gases, mas que se comportam como líquidos no clima gelado de Titã.

A maioria dos modelos existentes que expõem a origem dos lagos de Titã mostra o metano líquido a dissolver o leito de rocha e de compostos orgânicos sólidos da lua, escavando reservatórios que se enchem com líquido. Esta pode ser a origem de um tipo de lago em Titã que possui fronteiras íngremes. Na Terra, os corpos de água que se formam da mesma maneira, dissolvendo o calcário circundante, são conhecidos como lagos cársicos [ou cársticos].

Os novos modelos alternativos para alguns dos lagos mais pequenos (dezenas de quilómetros em comprimento) viram essa teoria de cabeça para baixo: propõem bolsas de azoto líquido na crosta aquecida de Titã, transformando-se em gás que explode para formar crateras, crateras estas que depois se enchem de metano líquido. A nova teoria explica porque alguns dos lagos mais pequenos próximos do pólo norte de Titã, como Winnipeg Lacus, parecem nas imagens de radar ter orlas muito íngremes que se elevam acima do nível do mar – bordas difíceis de explicar com o modelo cársico.

Os dados de radar foram recolhidos pelo orbitador Cassini – uma missão gerida pelo JPL da NASA em Pasadena, Califórnia – durante a sua última passagem por Titã, enquanto a sonda se preparava para o seu mergulho final na atmosfera de Saturno há dois anos. Uma equipa internacional de cientistas liderada por Giuseppe Mitri da Universidade G. d’Annunzio, na Itália, ficou convencida de que o modelo cársico não estava de acordo com o que viam nestas novas imagens.

“A orla sobe e o processo cársico funciona da maneira oposta,” disse Mitri. “Não estávamos a encontrar qualquer explicação que se encaixasse com uma bacia de lago cársico. Na realidade, a morfologia era mais consistente com uma cratera de explosão, onde a borda é formada por material ejectado do interior da cratera. É um processo totalmente diferente.”

O trabalho, publicado dia 9 de Setembro na revista Nature Geosciences, entrelaça-se com outros modelos climáticos de Titã para mostrar que a lua pode estar quente em comparação com o que era nas “eras glaciais” anteriores de Titã.

Ao longo dos últimos 500 milhões a mil milhões de anos em Titã, o metano na sua atmosfera actuou como um gás de efeito estufa, mantendo a lua relativamente quente – embora ainda fria pelos padrões da Terra. Os cientistas há muito que pensam que a lua passou por épocas de arrefecimento e aquecimento, já que o metano é esgotado pela química solar e depois reabastecido.

Nos períodos mais frios, o azoto dominava a atmosfera, chovendo e percorrendo a crosta gelada para se acumular em lagos logo abaixo da superfície, disse o cientista da Cassini e co-autor do estudo Jonathan Lunine da Universidade de Cornell, em Ithaca, Nova Iorque.

“Estes lagos com orlas íngremes, muralhas e bordas elevadas seriam um sinal de períodos da história de Titã em que havia azoto líquido à superfície e na crosta,” observou. Até o aquecimento localizado seria suficiente para transformar o azoto líquido em vapor, fazendo com que se expandisse rapidamente e explodindo para criar uma cratera.

“Esta é uma explicação completamente diferente para as bordas íngremes em redor destes pequenos lagos, que têm sido um tremendo quebra-cabeças,” disse Linda Spilker, cientista do projecto Cassini no JPL. “À medida que os cientistas continuam a explorar o tesouro de dados da Cassini, vamos continuar a juntar cada vez mais peças do puzzle. Durante as próximas décadas, entenderemos cada vez mais o sistema de Saturno.”

Astronomia On-line
13 de Setembro de 2019

 

2616: Investigação da NASA fornece novas informações sobre a perda atmosférica de Marte

CIÊNCIA

Esta impressão de artista ilustra o passado ambiente de Marte (direita) – que se pensa ter tido água líquida e uma atmosfera mais espessa – vs. o ambiente frio e seco visto em Marte hoje (esquerda).
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA

De acordo com novas observações de cientistas financiados pela NASA, um importante rastreador usado para estimar a quantidade de atmosfera perdida por Marte pode mudar dependendo da hora do dia e da temperatura da superfície do Planeta Vermelho. As medições anteriores deste rastreador – isótopos de oxigénio – discordam significativamente. Uma medição precisa deste rastreador é importante para estimar quanta atmosfera Marte já teve antes de se perder, o que revela se pode ter sido habitável e como teriam sido as condições.

Marte é hoje um deserto frio e inóspito, mas características como leitos secos de rio e minerais que só se formam na presença de água líquida indicam que, há muito tempo atrás, teve uma atmosfera espessa que retinha calor suficiente para que a água líquida – um ingrediente necessário para a vida – corresse à superfície. Segundo resultados de missões da NASA como a MAVEN e o rover Curiosity, indo até às missões Viking em 1976, parece que Marte perdeu grande parte da sua atmosfera ao longo de milhares de milhões de anos, transformando o seu clima de um que pode ter sustentado vida para o ambiente seco e frio do presente.

No entanto, permanecem muitos mistérios sobre a antiga atmosfera do Planeta Vermelho. “Sabemos que Marte tinha mais atmosfera. Sabemos que tinha água corrente. Além disso, não temos uma boa estimativa das condições – quão parecido com a Terra era o ambiente marciano? Durante quanto tempo?”, disse Timothy Livengood da Universidade de Maryland em College Park, EUA, e do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no mesmo estado norte-americano. Livengood é o autor principal de um artigo sobre esta investigação publicado dia 1 de Agosto na revista Icarus.

Uma maneira de estimar a espessura da atmosfera original de Marte é observando os isótopos de oxigénio. Os isótopos são versões de um elemento com massa diferente devido ao número de neutrões no núcleo atómico. Os isótopos mais leves escapam para o espaço mais rapidamente do que os isótopos mais pesados, de modo que a atmosfera que permanece no planeta é gradualmente enriquecida com isótopos mais pesados. Neste caso, Marte é enriquecido em comparação com a Terra no que toca ao isótopo mais pesado de oxigénio, 18O, vs. o mais leve e muito mais comum 16O. A quantidade relativa medida de cada isótopo pode ser usada para estimar quanto mais atmosfera havia no passado de Marte, em combinação com uma estimativa de quão mais depressa o isótopo 16O escapa, e assumindo que a quantidade relativa de cada isótopo na Terra e Marte já foi semelhante.

O problema é que as medições da quantidade do isótopo 18O em comparação com o 16O em Marte, a proporção 18O/16O, não têm sido consistentes. Diferentes missões mediram diferentes proporções, o que resulta em diferentes entendimentos da antiga atmosfera marciana. O novo resultado fornece uma possível maneira de resolver esta discrepância, mostrando que a proporção pode mudar durante o dia marciano. “Medições anteriores em Marte ou na Terra obtiveram uma variedade de valores diferentes para o rácio isotópico,” disse Livengood. “As nossas são as primeiras medições a usar um único método, de maneira que mostram que a proporção realmente varia num único dia, em vez de comparações entre elementos independentes. Nas nossas medições, a proporção de isótopos varia entre cerca de 9% esgotado em isótopos pesados ao meio-dia marciano a cerca de 8% enriquecido em isótopos pesados por volta das 13:30, em comparação com os rácios isotópicos normais para o oxigénio da Terra.”

Esta gama de rácios isotópicos é consistente com as outras medições relatadas. “As nossas medições sugerem que todo o trabalho anterior pode ter sido feito correctamente, mas discorda porque este aspecto da atmosfera é mais complexo do que pensávamos,” explicou Livengood. “Dependendo da posição marciana onde a medição foi feita, e da hora do dia em Marte, é possível obter valores diferentes.”

A equipa pensa que a mudança nas proporções ao longo do dia é uma ocorrência rotineira devido à temperatura do solo, no qual as moléculas isotopicamente mais pesadas “colam-se” mais aos grãos superficiais e frios à noite do que os isótopos mais leves, e depois são libertados (desabsorção térmica) à medida que a superfície aquece durante o dia.

Dado que a atmosfera marciana é principalmente dióxido de carbono (CO2), o que a equipa realmente observou foram isótopos de oxigénio ligados a átomos de carbono na molécula de CO2. Eles fizeram as suas observações da atmosfera marciana com o IRTF (Infrared Telescope Facility) da NASA em Mauna Kea, Hawaii, usando o HIPWAC (Heterodyne Instrument for Planetary Winds and Composition) desenvolvido em Goddard. “Ao tentar entender a ampla dispersão nas taxas estimadas de isótopos que recuperámos das observações, percebemos que estavam correlacionadas com a temperatura da superfície que também obtivemos,” acrescentou Livengood. “Foi este conhecimento que nos colocou neste caminho.”

O novo trabalho vai ajudar os cientistas a refinar as suas estimativas da antiga atmosfera marciana. Como as medições podem agora ser entendidas como consistentes com os resultados de tais processos nas atmosferas de outros planetas, isto significa que estão no caminho certo para entender como o clima marciano mudou. “Isto mostra que a perda atmosférica ocorreu por processos que mais ou menos entendemos,” realçou Livengood. “Os detalhes críticos ainda precisam de ser trabalhados, mas nós não precisamos de invocar processos exóticos que podem resultar na remoção de CO2 sem alterar as taxas de isótopos, ou na alteração de apenas algumas taxas de outros elementos.”

Astronomia On-line
10 de Setembro de 2019

 

2588: NASA captou momento de avalanche em Marte

© TVI24 NASA captou momento de avalanche em Marte

A NASA captou, no passado dia 3 de Setembro, imagens de uma avalanche em Marte. A agência explicou que este é um fenómeno recorrente durante a primavera do planeta, altura em que o pólo norte fica instável, originando a chamada “época das avalanches”.

HiPOD 3 Sept 2019: Avalanche Season

Every spring the sun shines on the side of the stack of layers at the North Pole of Mars and the ice destabilizes.

Read more: https://uahirise.org/ESP_060176_2640 

NASA/JPL/University of Arizona#Mars #science

A NASA explica que “o calor desestabiliza o gelo e os blocos soltam-se”, o que resulta em fortes nuvens de poeira uma vez que os blocos atingem o chão, em quedas de 500 metros.

A imagem foi captada pelo pólo da NASA na Universidade do Arizona.

msn notícias
Redacção TVI24
06/09/2019

 

2585: NASA vai levar um drone voador autónomo a Marte para fazer história

CIÊNCIA

A NASA está bastante mais à frente de qualquer outra agência espacial no que toca à exploração de Marte. Nesse sentido, esta já percebeu como colocar no solo do planeta vermelho os seus rovers e sondas. Os engenheiros do Jet Propulsion Laboratory, na Califórnia, anexaram um drone voador à barriga do rover Marte 2020. Este será lançado em Julho próximo.

Este veículo, totalmente autónomo, tem uma aparência de mini-helicóptero e terá uma missão de auto adaptação.

Que tipo de drone irá sobrevoar Marte?

O mini-helicóptero para Marte (Helicóptero Marte), será movido a energia solar. Apesar do seu tamanho, cerca de 80 centímetros de altura (quando aberto e pronto a voar), esta será a primeira aeronave a voar noutro planeta. O robô drone irá para o planeta vermelho com a sonda Mars 2020 da NASA.

Conforme foi avançado, a missão Mars 2020 está programada para ser lançada a 17 de Julho de 2020. A partir do Cabo Canaveral, o rover será então transportado pelo foguetão Atlas 5 da United Launch Alliance.

Missão Mars 2020 será um marco na história da exploração de Marte

A instalação do helicóptero para Marte será feita na parte inferior do rover Mars 2020. Actualmente, os engenheiros estão a conceber e a preparar a nave a uma série de verificações antes do voo. Para já, o veículo que aterrará no solo marciano está a ser submetido a um teste de vibração. O processo é assim idêntico ao que foi usado na aterragem que entregou o rover Curiosity em Marte em 2012.

Com esta união de duas grandes naves espaciais, posso dizer definitivamente que todas as peças estão prontas para uma missão histórica de exploração. Juntos, Marte 2020 e o Helicóptero Marte, ajudarão a definir o futuro da ciência e da exploração do Planeta Vermelho nas próximas décadas.

Referiu Thomas Zurbuchen, responsável da NASA em Washington.

Os principais objectivos da missão Mars 2020 incluem a procura de sinais de vida microbiana antiga em Marte. Nesse sentido, o rover irá recolher amostras de rocha para serem recuperadas e trazidas para a Terra numa futura missão. Além disso, será testado um dispositivo para gerar oxigénio a partir do dióxido de carbono na atmosfera marciana.

Helicóptero Marte – Uma inovação na atmosfera marciana

Equipado com um par de lâminas contra-rotativas, o mini-helicóptero é uma experiência de demonstração tecnológica. Depois do rover chegar a Marte em 18 de Fevereiro de 2021, este deixará cair o drone sobre a superfície marciana e afastar-se-á para uma distância segura. Posteriormente, o rover irá continuar com as suas próprias investigações científicas independentes do helicóptero.

O novo dispositivo voador, terá uma cobertura que o protegerá contra detritos durante a entrada, descida e aterragem do rover em Marte.

O nosso trabalho é provar que o voo autónomo e controlado pode ser executado na atmosfera marciana extremamente fina. Como o nosso helicóptero é projectado como um teste de voo de tecnologia experimental, ele não transporta instrumentos científicos. Mas se provarmos que o voo motorizado em Marte pode funcionar, estamos ansiosos pelo dia em que os helicópteros de Marte possam desempenhar um papel importante nas futuras explorações do Planeta Vermelho.

Comentou MiMi Aung, do JPL.

Helicóptero será autónomo e voará à sua vontade

O helicóptero voará autonomamente, sem entrada em tempo real de controladores terrestres que estão a milhões de quilómetros de distância. O drone transporta então duas câmaras e a telemetria do helicóptero será encaminhada através de uma estação base no rover.

A atmosfera na superfície marciana tem cerca de 1% da densidade da Terra. Dessa forma, o desempenho de uma aeronave de asa rotativa como o Helicóptero Marte é mais limitado.

Assim sendo, os rotores do Helicóptero Marte girarão entre 2400 e 2900 rpm. Este valor é cerca de 10 vezes mais rápido que um helicóptero a voar na atmosfera da Terra. O recorde de altitude de um helicóptero na Terra é de cerca de 12000 metros.

Estas máquinas voadoras poderão ser os batedores do futuro

A NASA diz que os futuros helicópteros de Marte poderão transportar instrumentos científicos e actuar como batedores de rovers e, eventualmente, humanos, explorando o Planeta Vermelho. Os drones poderiam examinar penhascos, cavernas e crateras profundas, lugares onde poderia ser muito arriscado enviar uma tripulação ou um rover caro, disse a NASA num comunicado.

Com toda a certeza, estas imagens aéreas também podem ajudar a localizar obstáculos para os rovers atravessarem a superfície marciana.

Lua de Saturno também vai receber um helicóptero da NASA

O Helicóptero Marte não é o único robô voador que a NASA está a desenvolver para enviar para outros mundos. Na verdade, no início deste ano, a NASA aprovou o desenvolvimento de uma missão chamada Dragonfly, que usará uma aeronave a rotor para voar através da atmosfera Titan, a maior lua de Saturno.

Ao contrário do Helicóptero Marte, a Dragonfly é uma missão de investigação completa com o seu próprio conjunto de instrumentos científicos. Titan é coberto por uma atmosfera mais espessa do que a da Terra, tornando-o um ambiente mais favorável para uma aeronave de asa rotativa do que Marte.

Contudo, Saturno está seis vezes mais distante do Sol do que Marte, por isso os projectistas planeiam contar com um gerador nuclear para alimentar a Dragonfly em torno de Titã.


pplware
Imagem: NASA
Fonte: Space Flight Now

 

2583: O antigo campo magnético de Mercúrio provavelmente evoluiu ao longo do tempo

CIÊNCIA

Imagem com cores melhoradas do terreno de Mercúrio, captada pela MESSENGER.
Crédito: NASA/JHUAPL/Instituto Carnegie

Um novo estudo diz que os antigos pólos magnéticos de Mercúrio estavam longe da localização dos seus pólos de hoje, implicando que o seu campo magnético, como o da Terra, mudou com o tempo.

Alguns planetas têm núcleos metálicos líquidos. Os cientistas geralmente pensam que o campo magnético de um planeta provém dos movimentos fluídos do seu núcleo metálico. O campo magnético cria uma magnetosfera que rodeia o planeta. A magnetosfera da Terra bloqueia grande parte da radiação cósmica e solar, permitindo que a vida exista.

Mercúrio é o outro corpo do Sistema Solar, além da terra, com um núcleo fundido confirmado capaz de gerar um campo magnético.

Uma nova investigação publicada na revista Journal of Geophysical Research: Planets descobriu que os antigos pólos magnéticos de Mercúrio, chamados paleopolos, mudaram ao longo do seu passado. O novo estudo também sugere que o legado magnético de Mercúrio pode ser mais complicado do que se pensava anteriormente.

O estudo dos campos magnéticos dos outros planetas ajuda os cientistas a entender como os campos magnéticos evoluem, inclusive na Terra. A observação do comportamento de outros núcleos metálicos ajuda os cientistas a entender mais sobre a formação inicial e subsequente maturação dos planetas no Sistema Solar.

Os cientistas sabem que Mercúrio evoluiu ao longo do tempo, mas não podem dizer definitivamente como, disse Joana S. Oliveira, astrofísica do ESTEC (European Space Research and Technology Centre) da ESA em Noordwijk, Países Baixos, autora principal do estudo.

Turbulência magnética no Sistema Solar

As alterações no campo magnético não são específicas a Mercúrio. O pólo norte magnético da Terra vagueia entre 55 e 60 km por ano enquanto o pólo magnético sul da Terra cerca de 10 a 15 km. A orientação do seu campo magnético já inverteu mais de 100 vezes ao longo dos seus 4,5 mil milhões de anos.

Os cientistas usam rochas para estudar como os campos magnéticos dos planetas evoluem. As rochas ígneas, criadas a partir do arrefecimento de lava, podem preservar um registo de como o campo magnético era no momento em que as rochas arrefeceram. O material magnético de arrefecimento das rochas alinha-se com o campo do núcleo. Este processo é chamado de magnetização termo-remanescente. Os geólogos analisaram rochas ígneas para determinar que a última inversão do campo magnético da Terra ocorreu há mais ou menos 780.000 anos atrás.

A Terra e a Lua são os únicos estudos de caso que os cientistas possuem para mudanças nos pólos magnéticos dos corpos planetários, porque não há amostras de rochas de outros planetas.

“Se queremos encontrar pistas do passado, fazendo uma espécie de arqueologia do campo magnético, as rochas precisam de ser magnetizadas de maneira mais permanente,” disse Oliveira.

Usando a arqueologia planetária para descobrir a história magnética de Mercúrio

Investigações anteriores já tinham estudado o campo magnético actual de Mercúrio, mas não havia como estudar o campo magnético da crosta sem observações a baixa altitude. Então, em 2015, a sonda MESSENGER começou a sua descida até à superfície de Mercúrio. Recolheu três meses de informações a baixa altitude sobre Mercúrio durante a sua descida. Algumas dessas informações revelaram detalhes sobre a magnetização crustal de Mercúrio. O novo estudo examinou essas diferentes regiões crustais para extrapolar a estrutura magnética do núcleo antigo de Mercúrio.

“Existem vários modelos da evolução do planeta, mas ninguém usou o campo magnético da crosta para obter a evolução do planeta,” disse Oliveira.

Os dados a baixa altitude da MESSENGER, durante o seu percurso de descida, detectaram crateras antigas com diferentes assinaturas magnéticas do que a maioria dos terrenos observados pela MESSENGER. Os investigadores pensavam que as crateras, formadas há cerca de 4,1 a 3,8 mil milhões de anos, podiam conter pistas sobre os paleopolos de Mercúrio.

As crateras são mais propensas a ter rochas magnetizadas termo-remanescentes. Durante a sua formação, a energia de um impacto faz com que o solo derreta, dando ao material magnético a hipótese de se realinhar com o actual campo magnético do planeta. À medida que esse material solidifica, preserva a direcção e a posição do campo magnético do planeta como um instantâneo no tempo.

Oliveira e colegas usaram observações de naves espaciais de cinco crateras com irregularidades magnéticas. Eles suspeitavam que essas crateras tinham sido formadas durante uma altura com uma diferente orientação de campo magnético da de hoje. Eles modelaram o antigo campo magnético de Mercúrio com base nos dados da cratera para estimar as possíveis localizações dos paleopolos de Mercúrio. A área que a MESSENGER sobrevoou e registou durante a sua queda fatídica foi limitada, de modo que os cientistas só puderam usar medições de parte do hemisfério norte.

Surpresas no paleopolo

Os investigadores descobriram que os antigos pólos magnéticos de Mercúrio estavam longe do actual pólo sul geográfico do planeta e podem ter mudado ao longo do tempo, o que foi inesperado. Eles esperavam que os pólos se agrupassem em dois pontos mais próximos do eixo de rotação de Mercúrio no norte e sul geográficos do planeta. No entanto, os pólos estavam distribuídos aleatoriamente e eram todos encontrados no pólo sul.

Os paleopolos não se alinham com o actual pólo norte magnético de Mercúrio ou com o pólo geográfico sul, indicando que o campo magnético dipolar do planeta se moveu. Os resultados reforçam a teoria de que a evolução magnética de Mercúrio foi muito diferente da da Terra ou até mesmo de outros planetas no Sistema Solar. Eles também sugerem que o planeta pode ter mudado ao longo do seu eixo, num evento chamado verdadeira caminhada polar, onde as localizações geográficas dos pólos norte e sul mudam.

A Terra tem um campo dipolar com dois pólos, mas Mercúrio tem um campo dipolar-quadrupolar com dois pólos e uma mudança no equador magnético. O seu antigo campo magnético pode ter sido parecido com um destes, ou até mesmo ser multipolar com “linhas de campo parecidas a esparguete,” finalizou Oliveira. Não há como saber sem várias amostras físicas de rochas de Mercúrio, concluiu.

Oliveira espera que a nova missão a Mercúrio, BepiColombo, recolha mais dados do campo magnético e potencialmente restrinja as conclusões do estudo.

Astronomia On-line
6 de Setembro de 2019

 

2579: O clima de Vénus está a mudar (e a razão está escondida nas suas nuvens)

(CC0) GooKingSword / Pixabay

Vénus, há muito considerada a gémea muito mais quente da Terra, guarda muitos mistérios dentro das suas nuvens, que também podem ser responsáveis pelas dramáticas mudanças climáticas do planeta.

Um novo estudo sobre uma década de observações ultravioletas de Vénus de 2006 a 2017 mostrou que o reflexo da luz ultravioleta no planeta diminuiu para metade antes de voltar a disparar.

Essa mudança resultou em grandes variações na quantidade de energia solar absorvida pelas nuvens de Vénus e na circulação na sua atmosfera, causando as mudanças no clima do planeta.

“As mudanças climáticas actuais em Vénus não foram consideradas antes”, disse Yeon Joo Lee, investigadora do Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade Técnica de Berlim e principal autora do estudo, à Space.com. “Além disso, o nível de variação de UV-albedo [reflectividade] é significativamente grande, suficiente para afectar a dinâmica atmosférica”.

Os cientistas combinaram observações da missão Venus Express da Europa, da japonesa Akatsuki Venus orbiter, da espaço-nave Messenger da NASA (que voou por Vénus a caminho de Mercúrio) e do Telescópio Espacial Hubble para o estudo.

O clima em Vénus, como o da Terra, é afectado pela radiação solar e pelas mudanças no reflexo das nuvens circundantes. Mas, ao contrário da Terra, as nuvens de Vénus são compostas de ácido sulfúrico e contêm manchas escuras que os cientistas chamam de “absorvedores desconhecidos”, uma vez que absorvem a maior parte do calor e da luz ultravioleta emitida pelo sol.

O novo estudo sugere que os absorvedores podem ser o que está a causar essas mudanças no clima de Vénus, embora a equipa de cientistas acredite que a única maneira de saber com certeza é através de observações adicionais. “Pelo menos mais uma década de observações. Isso abrangerá mais um ciclo de actividade solar e poderemos descobrir se essa mudança é cíclica”, disse Lee.

Sanjay Limaye, cientista da Universidade de Wisconsin–Madison e co-autor do novo estudo, sublinhou também que estas partículas super-absorventes se assemelham a microrganismos presentes na atmosfera da Terra.

O clima no planeta já é bastante extremo, com temperaturas a atingir 471ºC e ventos com velocidades de 724 quilómetros por hora.

Uma hipótese mais estranha faz com que os absorvedores sejam realmente de origem biológica. Enquanto a superfície de Vénus é infernal, o topo das nuvens é suficientemente suave para sustentar a vida. Essa ideia tem surgido desde o final da década de 1960.

Se mais observações provassem que a actividade solar está conectada a esta mudança no clima, poderia ser aplicada a todos os outros planetas com aerossóis, partículas sólidas ou líquidas que reflectem a luz solar, como Terra e Titã. No entanto, o grau de mudança seria diferente em cada um.

Lee disse que está a desenvolver planos para mais investigações sobre absorvedores desconhecidos nas nuvens de Vénus, acrescentando que uma missão futura em Vénus pode ajudar os cientistas a entender melhor as mudanças climáticas do planeta.

O estudo foi publicado a 26 de Agosto na revista especializada The Astronomical Journal.

ZAP //

Por ZAP
6 Setembro, 2019

 

2569: O interior de Saturno pode ser “viscoso” como mel (e encerrar um mistério)

CIÊNCIA

JPL / Space Science Institute / NASA

Uma nova investigação, levada a cabo por cientistas da Universidade Nacional Australiana (UNA), sugere que o interior de Saturno pode fluir de forma viscosa, tal como o mel, devido ao seu campo magnético.

A descoberta, que teve por base dados da missão espacial Cassini da NASA, pode ajudar a perceber por que motivo os seus ventos fortes acabam a uma profundidade de 8.500 quilómetros no interior do gigante gasoso.

Estes ventos fortes, conhecidos como correntes de jacto, formam as “riscas” no exterior de Saturno – semelhantes, mas menos notórias de que as de Júpiter.

Em comunicado a semana passada divulgado, a UNA recorda que Saturno não tem uma superfície sólida, sendo um planeta gasoso composto principalmente por hidrogénio e hélio que se movem de forma fluída e sem qualquer problema.

Ventos fortes, conhecidos como correntes de jacto, formam a aparência de listras no exterior de Saturno – semelhantes, mas menos severos do que os de Júpiter.

Depois de analisar os dados da Cassini, os cientistas descobriram que, a determinadas profundidades, onde a pressão é alta, o gás torna-se num líquido que conduz electricidade. Este líquido, que flui electricamente, pode distorcer o campo magnético, tornando o fluído mais viscoso, tal como mel, explicou o co-autor do estudo, Navid Constantinou.

“As medições da Cassini revelaram que estes fluxos de jacto [ventos forte] continuam até cerca de 8.500 quilómetros no interior de Saturno, o que representa aproximadamente 15% da distância em direcção ao centro do planeta (…) No fundo de Saturno, onde a pressão é alta, o gás torna-se num líquido que conduz electricidade e é mais fortemente influenciado pelo campo magnético do planeta”, sustentou.

“Um líquido que flui electricamente, dobra ou distorce um campo magnético. Mostramos que a distorção do campo magnético torna o fluído mais viscoso, como o mel”.

Segundo o cientista, este modelo teórico indica que o efeito viscoso do campo magnético pode ajudar a explicar o mistério dos ventos de Saturno. “Os mistérios que ocorrem no interior de Saturno e no interior de outros gigantes gasosos do nosso Sistema Solar começam agora a desvendar-se lentamente”, concluiu.

As descobertas podem oferecer uma melhor compreensão dos planetas que compõem o nosso Sistema Solar, bem como oferecer uma “forma promissora” e analisar e interpretar dados recolhidos por missões espaciais.

Os resultados da investigação foram publicados esta semana na revista científica especializada Physical Review Fluids.

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3 Setembro, 2019

 

2557: Elon Musk tem uma nova ideia para tornar Marte habitável

Bret Hartman, TED / Flickr
Elon Musk, CEO da Tesla e SpaceX

O multimilionário norte-americano Elon Musk tem uma nova ideia para tornar Marte habitável: instalar milhares de satélites solares reflectores para aquecer o Planeta Vermelho, revelou o também CEO da Space X e Tesla no Twitter.

Musk não revelou muito sobre a sua ideia, mas o mas o CNET avança que o projecto dos satélites solares está de alguma forma relacionado com o trabalho realizado pelo cientista Rigel Woida, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos.

Em 2006, Woida foi premiado pela NASA por estudar o “uso de grandes espelhos orbitais leves e de grande abertura para ‘terraformar’ uma área de superfície marciana para que os humanos pudessem colonizar o Planeta Vermelho de forma acessível”.

Tal como recorda o portal, tornar Marte mais habitável para humanos é um sonho antigo da ficção científica. O planeta pode ficar extremamente frio, exigindo investimentos significativos em habitats seguros, bem como em roupas espaciais desenhadas para enfrentar temperaturas extremas.

Na base da ideia de Musk estará o conceito de reflector. Em 2007, Woida publicou um relatório detalhando como é que um sistema deste poderia funcionar. A ideia do cientista passava por colocar uma série de satélites em órbita que reflectissem estrategicamente o calor do sol na superfície de Marte.

Agora, a ideia de Musk pode ser semelhante a de Woida.

“Pode fazer sentido ter milhares de satélites reflectores solares para aquecer Martes versus sóis artificiais”, escreveu o multimilionário, dando conta, contudo, que a melhor ideia está ainda “a ser determinada”.

Musk aproveitou ainda para esclarecer outra das suas ideias antigas para Marte, o Nuke Mars, que seriam uma espécie de explosões nucleares no Planeta Vermelho.

Nuke Mars refere-se a “um fluxo contínuo de explosões de fusão nuclear muito baixas sobre a atmosfera [de Marte] para criar sóis artificiais. Tal como acontece com o nosso Sol, estas explosões não fariam com que Marte se tornasse radioactivo”, assegurou.

Quando apresentada por Musk, esta ideia mais antiga gerou alguma controvérsia entre a comunidade científica. O multimilionário sugeriu criar um efeito estufa no Planeta Vermelho por meio de explosões nucleares, para que se gerasse uma quantidade suficiente do oxigénio e os humanos pudesse caminhar pela superfície do planeta sem trajes espaciais, tal como recorda a Sputnik News.

Contudo, alguns cientistas defenderam que estas explosões poderiam gerar nuvens na atmosfera marciana que, por sua vez, iria bloquear a luz do Sol, tornando-o mais frio. Ou seja, a ideia de Musk poderia ter o efeito contrário ao desejado.

A nova ideia pode, no entanto, não ser suficiente para tornar Marte “hospitaleiro” para futuros colonos no planeta. Em 2018, a NASA publicou um estudo no qual apontava que a transformação do meio marciano inóspito num lugar onde astronautas poderiam trabalhar sem suporte vital não é possível recorrendo às tecnologias modernas.

De acordo com um dos autores da investigação, Bruce Jakosky, da Universidade de Colorado, nos Estados Unidos, “não existe dióxido de carbono suficiente” para gerar um aquecimento significativo através do efeito estufa. “A maioria do dióxido de carbono não é acessível e não seria fácil mobilizá-lo”, defendeu.

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31 Agosto, 2019

 

2552: NASA procura nome para rover marciano. Sugestões reservadas a crianças

A NASA lançou uma competição de nomes para o seu rover que vai a Marte em 2020. O detalhe curioso é: apenas crianças podem participar.

A NASA lançou uma competição de nomes para o seu rover que vai a Marte em 2020. O detalhe curioso é: apenas crianças podem participar.

Com a intenção de dar ao robô explorador uma identidade própria, a NASA tem em vigor uma iniciativa que inclui a participação dos alunos do ensino básico e secundário. Os interessados devem enviar um texto com a sua sugestão de nome para o rover até o dia 1º de Novembro. Os textos serão avaliados consoantes a adequação, originalidade e relevância e vão ser seleccionados e separados em três grupos.

A competição terá 52 semifinalistas por grupo e cada um destes vai representar o seu Estado ou país. A decisão final será dada de acordo com a participação do público.

O voto popular terá a possibilidade de escolher nove finalistas. A votação está prevista decorrer em Janeiro de 2020. E, no dia 18 de Fevereiro de 2020, o resultado é revelado, um ano antes de o rover aterrar na superfície marciana.

Dinheiro Vivo
30.08.2019 / 00:29