3458: O regresso a Vénus e o que isso significa para a Terra

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Vénus esconde um tesouro de informações que podem ajudar-nos a entender a Terra e os exoplanetas. O JPL da NASA está a desenvolver conceitos de missões para sobreviver as extremas temperaturas e pressões atmosféricas do planeta. Esta imagem é uma composição de dados recolhidos pela sonda Magellan da NASA e pelo orbitador Pioneer Venus.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Sue Smrekar está desejosa de voltar a Vénus. No seu escritório no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, a cientista planetária exibe uma imagem com 30 anos da superfície de Vénus captada pela sonda Magellan, uma lembrança de quanto tempo passou desde que uma missão americana orbitou o planeta. A imagem revela uma paisagem infernal: uma superfície jovem com mais vulcões do que qualquer outro corpo no Sistema Solar, fendas gigantescas, cinturas montanhosas e temperaturas quentes o suficiente para derreter chumbo.

Agora super-aquecido por gases de efeito estufa, o clima de Vénus já foi mais parecido com o da Terra, com água equivalente, em quantidade, a um oceano raso. Pode até ter tido zonas de sub-ducção como a Terra, áreas onde a crosta do planeta afunda de novo na rocha mais próxima do núcleo planetário.

“Vénus é como um caso de controlo para a Terra,” disse Smrekar. “Pensamos que começaram com a mesma composição, a mesma água e dióxido de carbono. E seguiram dois caminhos completamente diferentes. Mas porquê? Quais são as principais forças responsáveis pelas diferenças?”

Smrekaer trabalha com o VEXAG (Venus Exploration Analysis Group), uma aliança de cientistas e engenheiros que investiga maneiras de revisitar o planeta que a Magellan mapeou há décadas atrás. Embora as suas abordagens variem, o grupo concorda que Vénus pode dizer-nos algo de vital importância sobre o nosso planeta: o que aconteceu com o clima super-aquecido do nosso gémeo planetário, e o que é que isso significa para a vida na Terra?

Orbitadores

Vénus não é o planeta mais próximo do Sol, mas é o mais quente do Sistema Solar. Entre o calor intenso (480º C), as corrosivas nuvens sulfúricas e uma atmosfera esmagadora 90 vezes mais densa do que a da Terra, aterrar uma nave é incrivelmente desafiador. Das nove sondas soviéticas que alcançaram este feito, nenhuma durou mais do que 127 minutos.

Da relativa segurança do espaço, um orbitador podia usar radar e espectroscopia no infravermelho próximo para penetrar por baixo das camadas de nuvens, medir mudanças na paisagem ao longo do tempo e determinar se o solo se move ou não. Podia procurar indicadores de água passada, bem como actividade vulcânica e outras forças que podem ter moldado o planeta.

Smrekar, que está a trabalhar numa proposta de um orbitador chamado VERITAS, não acha que Vénus tenha placas tectónicas como a Terra. Mas ela vê possíveis sugestões de sub-ducção – o que acontece quando duas placas convergem e uma desliza por baixo da outra. Mais dados iam ajudar.

“Sabemos muito pouco sobre a composição da superfície de Vénus,” disse. “Achamos que existem continentes, como na Terra, que podem ter-se formado através de sub-ducção passada. Mas não temos informações para realmente dizer isso.”

As respostas não apenas aprofundariam a nossa compreensão do porquê de Vénus e da Terra serem agora tão diferentes; podiam restringir as condições que os cientistas precisariam para encontrar um exoplaneta parecido com a Terra.

Balões de ar quente

Os orbitadores não são o único meio de estudar Vénus de cima. Os engenheiros Attila Komjathy e Siddharth Krishnamoorthy do JPL imaginam uma armada de balões de ar quente que voam ao vento nos níveis mais altos da atmosfera venusiana, onde as temperaturas são próximas das da Terra.

“Ainda não há nenhuma missão encomendada para um balão em Vénus, mas os balões são uma óptima maneira de explorar Vénus porque a atmosfera é tão espessa e a superfície tão dura,” disse Krishnamoorthy. “O balão é como o ponto ideal, onde estamos perto o suficiente para obter um monte de coisas importantes, mas também estamos num ambiente muito mais benigno onde os sensores podem realmente durar tempo suficiente para fornecer algo significativo.”

A equipa colocaria nos balões sismómetros sensíveis o suficiente para detectar sismos no planeta. Na Terra, quando o solo treme, esse movimento ondula na atmosfera como ondas de infra-som (o oposto de ultra-som). Krishnamoorthy e Komjathy demonstraram que a técnica é viável usando balões prateados de ar quente, que mediram sinais fracos acima de áreas da Terra com sismos. E isso nem é com o benefício da densa atmosfera de Vénus, onde a experiência provavelmente transmitiria resultados ainda mais fortes.

“Se o solo se move um pouco, sacode muito mais o ar em Vénus do que na Terra,” explicou Krishnamoorthy.

Para obter estes dados sísmicos, o balão precisaria de lidar com ventos tão velozes quanto os de um furacão. O balão ideal, conforme determinado pelo VEXAG, podia controlar os seus movimentos pelo menos numa direcção. A equipa de Krishnamoorthy e Komjathy ainda não chegou tão longe, mas propuseram um meio-termo: fazer os balões essencialmente voarem ao vento em torno do planeta a uma velocidade constante, transmitindo os seus resultados a um orbitador. É um começo.

Módulos de aterragem

Entre os muitos desafios enfrentados por um “lander” venusiano, estão as nuvens que bloqueiam o Sol: com pouca luz do Sol, a energia solar seria severamente limitada. Mas o planeta é demasiado quente para outras fontes de energia sobreviverem. “Em termos de temperatura, é como estar num forno de cozinha, no modo de auto-limpeza,” disse o engenheiro Jeff Hall, do JPL, que trabalhou nos protótipos de balão e módulo de aterragem para Vénus. “Realmente não há outro lugar, no Sistema Solar, como este ambiente de superfície.”

Para começar, a vida de um módulo de aterragem seria reduzida pelos componentes electrónicos, que começariam a falhar após algumas horas. Hall diz que a quantidade de energia necessária para alimentar um dispositivo de arrefecimento capaz de proteger o módulo exigiria mais baterias do que o “lander” podia transportar.

“Não há esperança de refrigerar um módulo para o manter fresco,” acrescentou. “Tudo o que podemos fazer é diminuir o ritmo a que se destrói.”

A NASA está interessada em desenvolver “tecnologias quentes” que podem sobreviver dias, ou até semanas, em ambientes extremos. Embora o conceito de módulo venusiano de aterragem de Hall não tenha chegado à próxima etapa do processo de aprovação, levou ao seu trabalho actual relacionado com Vénus: um sistema de perfuração e amostragem resistente ao calor que poderia recolher amostras de solo venusiano para análise. Hall trabalha com a Honeybee Robotics para desenvolver os motores eléctricos de próxima geração que perfuram em condições extremas, enquanto o engenheiro Joe Melko do JPL projecta o sistema de amostragem pneumática.

Juntos, trabalham com protótipos na Grande Câmara de Testes de Vénus do JPL, com paredes de aço, que imita as condições do planeta até uma atmosfera composta por 100% dióxido de carbono sufocante. A cada teste bem-sucedido, as equipas levam a humanidade um passo mais perto de forçar os limites da exploração neste planeta mais inóspito.

Astronomia On-line
21 de Fevereiro de 2020

 

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3445: Quantos planetas existem no universo?

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Vivemos numa era onde a tecnologia tem revelado imensos novos mundos, estrelas, buracos negros e até possíveis planetas capazes, teoricamente, de albergar vida. No entanto, com tanta tecnologia, será possível termos uma ideia de quantos planetas poderão existir no universo?

Os astrónomos estimam que existem milhares de milhões de mundos além do nosso sistema solar. Mas quantos?

A nossa estrela tem 8 planetas. Será uma média?

Os astrónomos estimam que exista aproximadamente um exoplaneta por estrela na nossa galáxia. É claro que algumas estrelas têm muitos planetas – o nosso próprio Sol tem oito. E algumas estrelas não têm nenhum. Contudo, se uma estrela viver o suficiente, a regra é formar planetas.

Isso não significa que os astrónomos possam mapear todos estes milhões de estrelas. Quando se trata de exoplanetas que foram medidos ou contados de alguma forma, os números são muito menores.

Contador de planetas continua a contar

O contador de exoplanetas conhecidos – até este momento – está em 4126 mundos confirmados. No entanto, os astrónomos são surpreendentemente bons a descobrir o que não podem ver através deste vasto Universo.

Na verdade, actualmente a tecnologia dos telescópios ainda é pouco poderosa e precisa para detectar e contar os planetas mais furtivos, aqueles que são muito pequenos, os que estão muito distantes das suas estrelas ou aqueles que orbitam estrelas muito distantes da Terra.

Além disso, há regiões do espaço em que os astrónomos estão bastante confiantes de que encontraram todos os exoplanetas dentro de um determinado intervalo.

Ao combinar o conhecimento do que eles podem ver – os exoplanetas conhecidos – com o conhecimento do que eles não podem ver – as partes do espaço actualmente além da nossa capacidade de investigar – os astrónomos determinaram que deve haver cerca de um planeta por estrela na nossa galáxia. Ou seja, milhares de milhões de planetas!

Astrónomos descobrem planeta bebé gigante que está a apenas 330 anos-luz da Terra

Sem dúvida que o tamanho de Júpiter e Saturno impressionam pela sua imponência, estes gigantes gasosos “perto” da Terra estabeleceram uma escala para o nosso sistema solar. Conforme os conhecemos, estes dois planetas são … Continue a ler Astrónomos descobrem planeta bebé gigante que está a apenas 330 anos-luz da Terra

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16 Fev 2020

 

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3444: NASA já escolheu a tecnologia para comunicar para Marte

CIÊNCIA/MARTE

A NASA está a preparar todos os pormenores para melhorar as comunicações entre Marte e a Terra. Desde que a agência espacial americana lançou o satélite Explorer 1 em 1958, as comunicações têm sido confiadas sobretudo às ondas de rádio. Estas viajam milhões – ou mesmo milhares de milhões – de quilómetros através do espaço. Contudo, à medida que a NASA se orienta para novos destinos em missões tripuladas, esta prepara um novo sistema de comunicações.

Um dos passos que está a ser dado é a inclusão da nova antena parabólica à Deep Space Network (DSN). Esta será equipada com espelhos e um receptor especial para permitir a transmissão e recepção de lasers da sonda no espaço profundo.

Ondas rádio viajam milhões de quilómetros até ao espaço profundo

A nova antena, segundo a Inverse, será apelidada de Deep Space Station-23 (DSS-23), faz parte de uma transição para uma comunicação mais rápida e eficiente enquanto a NASA se prepara para voltar à Lua até 2024. Além disso, esta tecnologia irá beneficiar a primeira missão humana a Marte em meados de 2030.

A solução que está por trás desta antena é simples. Se a NASA vai enviar humanos para Marte, estes precisam de ser capazes de comunicar com a Terra – e os lasers podem ajudar a garantir que os futuros astronautas marcianos tenham uma boa recepção a 58 milhões de quilómetros da Terra.

A construção da parabólica de 34 metros começou esta semana em Goldstone, Califórnia. É apenas uma de uma série de antenas DSN – perfazendo 13 pratos no total que ajudarão a transportar as mensagens transmitidas por laser de e para o espaço.

A DSN é a única linha telefónica da Terra para as nossas duas naves espaciais Voyager – ambas no espaço interestelar -, todas as nossas missões em Marte e a nave espacial New Horizons, que agora está muito além de Plutão.

Quanto mais exploramos, mais antenas precisamos para conversar com todas as nossas missões.

Explicou Larry James, vice-director do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA, em comunicado.

NASA fez os testes e… resultou!

A NASA tem usado as antenas da DSN para se comunicar com naves espaciais desde os anos 60. Por elas são enviados sinais para uma média de 30 naves espaciais por dia. As antenas transmitem e recebem ondas de rádio entre o controlo terrestre e a nave espacial. E embora as ondas de rádio tenham funcionado bem durante todos estes anos, estas têm sérias limitações.

As ondas de rádio tendem a ficar mais fracas em longas distâncias, e têm capacidade limitada. No caso das gémeas Voyager, as duas naves espaciais que percorrem o espaço interestelar que está longe, muito longe da Terra, isso significa que os sinais enviados da Terra para as suas antenas – e vice versa – são muito fracos. Na verdade, a potência que as antenas DSN recebem dos sinais da Voyager é 20 mil milhões de vezes mais fraca do que a potência necessária para rodar um relógio digital, de acordo com a NASA.

Voyager 1 chega ao “fim do Espaço”…

Está há 26 anos no espaço e acaba agora de chegar aos limites do nosso sistema solar, tendo conseguido ultrapassar com sucesso a região conhecida como “Choque Terminal” onde partículas eléctricas provenientes do Sol … Continue a ler Voyager 1 chega ao “fim do Espaço”…

É a vez dos Lasers comunicar com outros mundos

Os lasers são feixes de luz infravermelha. Viajam mais longe no espaço com muito mais potência do que as ondas de rádio.

Os lasers podem aumentar a sua taxa de dados de Marte em cerca de 10 vezes mais do que a obtida com o rádio. A nossa esperança é que o fornecimento de uma plataforma para comunicações ópticas encoraje outros exploradores espaciais a experimentar lasers em missões futuras.

Referiu Suzanne Dodd, directora da Rede Interplanetária, a organização que gere o DSN, em comunicado.

A NASA testou pela primeira vez a comunicação a laser no espaço no ano de 2013. Nessa altura foi enviada uma imagem da pintura de Mona Lisa para um satélite localizado a 386 mil quilómetros de distância da Terra.

A famosa pintura de Leonardo da Vinci foi dividida num conjunto de 152 pixeis por 200 pixeis, e cada pixel foi convertido num tom de cinza representado por um número entre zero e 4095. Cada um dos pixeis foi então transmitido através de um pulso laser que foi disparado numa das 4096 faixas de tempo possíveis.

A pintura foi então reconstruida pelo altímetro laser de órbita lunar (LOLA) a bordo do instrumento Lunar Reconnaissance Orbiter com base nos tempos de chegada de cada pulso laser.

Esta é a primeira vez que alguém consegue comunicação a laser unidireccional a distâncias planetária. Num futuro próximo, este tipo de comunicação laser simples poderá servir como apoio para a comunicação via rádio que os satélites usam. Num futuro mais distante, pode permitir a comunicação a taxas de dados mais elevadas do que as actuais ligações de rádio podem proporcionar.

Disse o principal investigador do LOLA, David Smith, do Massachusetts Institute of Technology, numa declaração na época.

A construção desta nova era de comunicações começou nesta semana. NASA / JPL-Caltech

Missão Psyche irá ser teste de fogo aos lasers

A comunicação por raio laser será posta à prova no ano 2022, quando a NASA lançar a sua missão Psyche, que viajará para estudar um asteróide metálico que orbita o Sol entre Marte e Júpiter.

Conforme foi referido, o orbitador levará a bordo um terminal de comunicação a laser de teste, projectado para transmitir dados e imagens para um observatório na Montanha Palomar, no sul da Califórnia. Para que o futuro das viagens espaciais humanas se mantenha nos trilhos, esperemos que funcione.

pplware
15 Fev 2020

 

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3440: Modelos apontam para uma formação mais longa de Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Uma equipa do SwRI realizou simulações de impacto de partículas suaves, em alta resolução, de vários grandes projécteis que atingiram Marte depois da formação do seu núcleo e manto. As partículas do núcleo e do manto dos projécteis têm cor castanha e verde, respectivamente, mostrando concentrações locais dos materiais assimilados no manto marciano.
Crédito: SwRI

O Sistema Solar primitivo era um lugar caótico, com evidências indicando que Marte provavelmente foi atingido por planetesimais, pequenos proto-planetas com até 1900 km em diâmetro, no início da sua história. Cientistas do SwRI (Southwest Research Institute) modelaram a mistura de materiais associados a estes impactos, revelando que o Planeta Vermelho pode ter sido formado numa escala de tempo mais longa do que se pensava anteriormente.

Uma importante questão em aberto na ciência planetária é a determinação de como Marte se formou e até que ponto a sua evolução inicial foi afectada por colisões. Esta questão é difícil de responder, dado que milhares de milhões de anos apagaram constantemente evidências de eventos iniciais de impacto. Felizmente, parte desta evolução está registada nos meteoritos marcianos. Dos aproximadamente 61.000 meteoritos encontrados na Terra, pensa-se que apenas mais ou menos 200 sejam de origem marciana, ejectados do Planeta Vermelho por colisões mais recentes.

Estes meteoritos exibem grandes variações de elementos que “gostam” de ferro, como tungsténio e platina, que têm uma afinidade moderada a alta por ferro. Estes elementos tendem a migar do manto de um planeta para o núcleo central de ferro durante a formação. As evidências destes elementos no manto marciano, amostrados por meteoritos, são importantes porque indicam que Marte foi bombardeado por planetesimais algum tempo após o fim da sua formação primária do núcleo. O estudo de isótopos de elementos específicos produzidos localmente no manto através de processos de decaimento radioactivo ajuda os cientistas a entender quando a formação do planeta ficou completa.

“Nós sabíamos que Marte recebeu elementos como platina e ouro de grandes colisões iniciais. Para investigar este processo, realizámos simulações hidrodinâmicas de impacto de partículas suaves,” disse a Dra. Simone Marchi, do SwRI, autora principal do artigo que descreve estes resultados, publicado na revista Science Advances. “Com base no nosso modelo, as colisões iniciais produzem um manto marciano heterogéneo, semelhante a um bolo de mármore. Estes resultados sugerem que a visão predominante da formação de Marte pode estar influenciada pelo número limitado de meteoritos disponíveis para estudo.”

Com base na proporção de isótopos de tungsténio nos meteoritos marcianos, argumentou-se que Marte cresceu rapidamente cerca de 2-4 milhões de anos após o início da formação do Sistema Solar. No entanto, grandes colisões precoces podem ter alterado o balanço isotópico do tungsténio, o que poderá suportar uma escala de tempo para a formação de Marte de até 20 milhões de anos, como mostra o novo modelo.

“As colisões de projécteis grandes o suficiente para terem os seus próprios núcleos e mantos podem resultar numa mistura heterogénea desses materiais no início do manto marciano,” disse a Dra. Robin Canup, vice-presidente assistente da Divisão de Ciência e Engenharia do SwRI. “Isto pode levar a interpretações sobre o momento da formação de Marte diferentes daquelas que assumem que todos os projécteis são pequenos e homogéneos.”

Os meteoritos marcianos que caíram na Terra provavelmente partiram de apenas alguns locais em redor do planeta. A nova investigação mostra que o manto marciano pode ter recebido adições variadas de materiais projectáveis, levando a concentrações variáveis de elementos siderófilos. A próxima geração de missões em Marte, incluindo planos para enviar amostras à Terra, fornecerá novas informações para melhor entender a variabilidade destes elementos nas rochas marcianas e a evolução inicial do Planeta Vermelho.

“Para entender completamente Marte, precisamos de entender o papel que as colisões mais antigas e energéticas tiveram na sua evolução e composição,” conclui Marchi.

Astronomia On-line
14 de Fevereiro de 2020

 

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3385: Colonizar Marte: Elon Musk sabe como enviar 1 milhão de pessoas

CIÊNCIA/TECNOLOGIA

Terra e Marte estão separados, em média, por cerca de 225 milhões de km. Nesse sentido, com a tecnologia actual, que equipa as naves espaciais, seriam necessários cerca de 200 dias para lá chegar. Elon Musk já pensa em colonizar o planeta vermelho.

O magnata do sector espacial revelou no seu Twitter os planos para transportar um milhão de pessoas a Marte até 2050.

O espaço é um ambiente agreste para o ser humano e não se sabe ainda que efeitos terá nos astronautas uma viagem tão longa. Embora sejam muitas as dúvidas e muito poucas as certezas, há algumas empresas que estão a projectar essa missão.

Elon Musk e a SpaceX, estão já com ritmados para levar o homem a Marte. Como tal, Musk deu a conhecer o plano para enviar ao espaço, em 10 anos, mais de mil naves espaciais, desenvolvidas pela SpaceX.

10 anos para fazer 1000 naves para levar 1 milhão

Recorrendo à sua conta do Twitter, Elon Musk deu a conhecer as linhas mestras para colonizar numa primeira fase Marte.

Elon Musk @elonmusk

Starship design goal is 3 flights/day avg rate, so ~1000 flights/year at >100 tons/flight, so every 10 ships yield 1 megaton per year to orbit

Elon Musk @elonmusk

Building 100 Starships/year gets to 1000 in 10 years or 100 megatons/year or maybe around 100k people per Earth-Mars orbital sync

Segundo Musk, é necessário construir 100 Starships por ano, 1000 naves em 10 anos. Além disso, o envio das pessoas, cerca de 100 mil, terá de aproveitar a sincronização orbital da Terra e de Marte.

Mas o que é a sincronização orbital da Terra e de Marte?

A sincronização orbital entre a Terra e Marte dá-se quando a distância entre os dois planetas é menor. Esse fenómeno ocorre durante 30 dias a cada 25 meses. Esta “boleia” permitiria a economia de combustível durante a viagem.

Conforme salientou, Musk disse que aproveitaria esta oportunidade para “carregar a frota de Marte na órbita da Terra” e enviar todos as mil naves em trajectória para Marte durante aquela janela de 30 dias a cada 26 meses.

Elon Musk @elonmusk

Myers @jameslin123321

But Elon, Earth-Mars transfer windows only occur every 26 months, what are the missions for these starships going to be during these 2 years waiting time?

Bom, neste último tweet, parece que o CEO se contradiz. No anterior revelou que a ideia era enviar mil naves por ano, neste último já serão mil naves a cada 26 meses. De qualquer forma, a SpaceX ainda tem um longo caminho a percorrer antes de atingir estes objectivos.

Protótipo de nave estelar pode ser lançado dentro de meses

Musk referiu que poderá ser lançado um novo protótipo da nave estelar antes do final de Março.

Esperamos que o primeiro voo seja daqui a 2 a 3 meses.

Twittou Musk  em 27 de Dezembro.

O desenvolvimento do protótipo atingiu atrasos após uma explosão acidental durante um teste de pressurização do tanque de combustível no dia20 de Novembro, que explodiu o primeiro protótipo da nave espacial StarsX de 16 andares da SpaceX.

Um protótipo do foguete Mk1 da nave espacial SpaceX para voar até Marte.

A empresa poderá construir até 20 protótipos diferentes antes da escolha dos engenheiros e da adopção do design “1.0” para transportar cargas e pessoas.

O sistema completo de lançamento da nave estelar também incluirá um foguete de 22 andares chamado Super Heavy. Assim, quando tudo for combinado, a estrutura terá cerca de 118 metros de altura.

Apesar de serem foguetões colossais, este hardware está a ser projectado para ser totalmente reutilizável.

Assim, se essa visão se concretizar, Musk estima que o custo de um único lançamento seria de apenas 2 milhões de dólares. Como resultado, estamos perante um valor centenas de vezes mais barato que o custo actual de lançar um número semelhante de pessoas e quantidade de carga no espaço.

Turismo espacial é o primeiro passo

Segundo as afirmações de Elon Musk em Setembro passado, este quer enviar uma nave espacial à órbita da Terra até meados de 2020.

Gwynne Shotwell, presidente e directora de operações da SpaceX, disse durante uma tele-conferência da NASA que a empresa “pretendia deixar a nave estelar na superfície lunar em 2022” e levar o empresário e multimilionário japonês Yusaku Maezawa ao redor da lua em 2022, ou 2023.

No entanto, todas estas declarações vieram antes da explosão do protótipo da nave estelar. Além disso, a SpaceX também terá de resolver vários obstáculos impostos pelas entidades reguladoras.

Teste de segurança à Crew Dragon da SpaceX foi adiado para hoje devido à meteorologia

De modo a preparar a sua ambiciosa missão com a NASA de levar astronautas até à ISS, a SpaceX tinha planeado para ontem um teste de segurança à cápsula Crew Dragon. No entanto, tal … Continue a ler

19 Jan 2020

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3383: Elon Musk diz querer enviar 10 mil pessoas a Marte até 2050

CIÊNCIA/FUTURO

“O objectivo é fazer vários voos por dia”, esclareceu o empresário. A cada 26 meses – altura em que a Terra e Marte se encontram mais próximos – deverão partir naves espaciais todos os dias, em horários diferentes.

Elon Musk
© EPA/CLEMENS BILAN

Os protótipos das naves espaciais Starship ainda estão a ser sujeitos a testes, mas o multimilionário e CEO da Space X, Elon Musk, já está a pensar na quantidade de pessoas que quer levar para Marte. Até 2050, quer colocar, pelo menos, dez mil pessoas no planeta vermelho. E dar-lhes trabalho lá.

O plano já está em marcha. Numa resposta a um seguidor no Twitter, Elon Musk, 48 anos, desvendou que tenciona construir cem naves por ano e enviar milhares de pessoas da Terra para Marte, quando as órbitas dos dois planetas se alinharem, reduzindo a distância e minimizando desta forma os custos das viagens. “O objectivo é fazer vários voos por dia”, escreveu.

Elon Musk @elonmusk

Starship design goal is 3 flights/day avg rate, so ~1000 flights/year at >100 tons/flight, so every 10 ships yield 1 megaton per year to orbit

A cada 26 meses – quando a distância entre a Terra e Marte é mais curta – Musk tenciona enviar mil naves a cada 30 dias, em horários diferentes. Chegarão ao destino alguns meses depois. E qualquer pessoa se pode candidatar a seguir na nave espacial, desde que pague a viagem. “Caso não tenham [dinheiro] podem sempre pedir um empréstimo”, diz o milionário, que não divulgou o preço do voo.

Elon Musk @elonmusk

Loading the Mars fleet into Earth orbit, then 1000 ships depart over ~30 days every 26 months. Battlestar Galactica …

O segundo modelo da Starship encontra-se em fase de testes, sendo que este já deverá ser muito fiel ao final. O foguetão, com capacidade para cerca de uma centena de passageiros, terá uma vida útil de 20 a 30 anos. “O Starship vai ser o foguetão mais poderoso da história, com a capacidade de levar humanos à lua, a Marte e mais além”, explicou o empresário, em Setembro, aquando da divulgação das primeiras imagens da montagem da nave espacial.

O foguetão que leva a Starship consegue atingir os 65 mil pés (cerca de 20 quilómetros), antes de regressar à Terra, para ser reutilizado. A primeira vez que a Space X lançou um foguetão para a órbita terrestre foi há 11 anos. Desde então, a empresa concluiu mais de 80 lançamentos espaciais.

A Starship deverá ter uma vida útil entre 20 a 30 anos.
© Twitter Space X

Elon Musk tem expressado vontade de construir bases na Lua ou em Marte. Segundo o multimilionário, esta pode ser a forma de garantir a sobrevivência da raça humana e, assim, promover a sua regeneração na Terra no caso de uma terceira guerra mundial. “Queremos garantir que o Homem permaneça noutro lugar (para além da Terra) como uma semente da civilização humana, para que possa trazer de volta a civilização e talvez diminuir a duração da idade das trevas”, afirmou em Março.

Diário de NotíciasDN

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Tem 17 anos, é fã de ‘Star Wars’ e descobriu um planeta com dois sóis

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Wolf Cukier integrou uma bolsa de voluntários da NASA e ao terceiro dia fez um brilharete: descobriu um planeta com dois sóis 6,9 vezes maior que a Terra, a 1300 anos-luz de distância.

Planeta com dois sóis fica a 1300 anos-luz da Terra e é 6,9 vezes maior.
© DR

O que mais pode desejar um jovem, fã de Star Wars, que aos 17 anos consegue um estágio na NASA? Em princípio muitos sonhos já estão cumpridos. Em princípio, porque Wolf Cukier conseguiu muito mais: logo no terceiro dia na agência espacial norte-americana descobriu um planeta com dois sóis a 1300 anos-luz da Terra e 6,9 vezes maior. Como Tatooine, o planeta onde vive Luke Skywalker, o protagonista da saga cinematográfica que tanto o apaixona.

A descoberta já tem alguns meses – aconteceu em meados do ano passado – mas foi necessário que os cientistas se certificassem da verdade da descoberta para a anunciar. Vamos por partes. Wolf Cukier ainda necessitava de andar mais um ano na escola, em Nova Iorque, para terminar o ensino secundário, mas conseguiu integrar um grupo de voluntários que iam fazer um estágio no Goddard Space Flight Center, instituto de pesquisa da NASA em Greenbelt, no estado do Maryland, no leste dos EUA.

O trabalho que lhe foi atribuído era a análise dos dados fornecidos pelo Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Transição, conhecido no mundo da ciência como TESS ou tão-só como “caça planetas”.

Não é de estranhar que esta função lhe tenha sido atribuída, porque uma das características do TESS é precisamente convidar leigos na matéria para assistirem à transmissão de dados online de padrões no brilho das estrelas que podem sugerir a existência de um novo planeta.

Ao terceiro dia no instituto, estava Wolf estava entretido a olhar para os brilhos das estrelas transmitidos pelo TESS quando viu algo de invulgar. Tinha-lhe sido pedido concretamente que atentasse como duas estrelas se cruzariam criando um eclipse no sistema solar TOI 1338, mas percebeu que havia ali qualquer coisa que bloqueava a luz.

O trabalho passou depois para a mão de especialistas e não durou dias, mas muitas semanas. Cientistas experientes confirmaram e voltaram a confirmar a descoberta do jovem de 17 anos até que chegaram à conclusão que tinha mesmo descoberto um planeta com dois sóis, 6,9 vezes maior que a terra e a 1300 anos-luz de distância. O terceiro deste tipo a ser identificado.

Wolf Cukier tem 17 anos mas vai ficar na história da NASA.
© DR

Wolf Cukier teve a honra de assinar um artigo com os membros da equipa da NASA, onde se explica melhor a descoberta. Ficou assim a saber-se que o TESS conseguiu descobrir o novo planeta devido à capacidade de monitorização permanente e às suas quatro câmaras que registam um pedaço do espaço a cada 30 minutos, ao longo de 27 dias.

Esta informação gera gráficos e detecta como e quando o brilho muda. “O olho humano é extremamente bom para encontrar padrões em dados, especialmente padrões não periódicos como as transições nesse sistema”, explicou o principal autor do artigo, o cientista Veselin Kostov.

Wolf Cukier até pode decidir não seguir astronomia, mas o certo é que o seu nome já fica gravado na história da exploração espacial e da NASA.

Diário de Notícias

DN

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3340: O exoplaneta “Frankenstein” está numa espiral da morte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

(dr) NASA / ESA / G. Bacon (STScI)
Impressão artística do exoplaneta WASP-12b

O exoplaneta WASP-12b, a 600 anos-luz de distância, está numa espiral em direcção à sua estrela hospedeira, ou seja, em direcção a uma destruição segura em apenas três milhões de anos.

O WASP-12b é conhecido como “Júpiter quente”, um planeta gasoso gigante como o nosso vizinho Júpiter, mas muito próximo da sua própria estrela, orbitando o Sol em apenas 26 horas.

“Desde a descoberta do primeiro ‘Júpiter quente’ em 1995, uma descoberta que foi reconhecida este ano com o Prémio Nobel da Física, questionamos quanto tempo estes planetas podem sobreviver”, disse Joshua Winn, um dos autores do artigo científico recentemente publicado na Astrophysical Journal Letters, citado pelo Europa Press.

“Tínhamos a certeza de que não poderiam durar para sempre. As fortes interacções gravitacionais entre o planeta e a estrela devem fazer o planeta girar para dentro e ser destruído, mas ninguém consegue prever quanto tempo demorará a acontecer. Agora que medimos a taxa para pelo menos um sistema, sabemos que se tratam de milhões de anos, e temos assim uma nova pista sobre o comportamento das estrelas como corpos fluidos.”

Mas há um problema: à medida que o “Frankenstein” orbita a sua estrela, os dois corpos exercem força gravitacional um sobre o outro, elevando “marés” – tal como as marés do oceano.

Dentro da estrela, essas ondas causam distorções e oscilações. Devido ao atrito, as ondas quebram e as oscilações diminuem, um processo que gradualmente converte a energia orbital do planeta em calor dentro da estrela.

Por sua vez, o atrito associado às marés também exerce um par gravitacional no planeta, fazendo o planeta entrar numa espiral para dentro. Medir a rapidez com que a órbita do planeta está a encolher revela a rapidez com que a estrela dissipa a energia orbital, o que fornece pistas astrofísicas sobre o interior das estrelas.

Samuel Yee, primeiro autor do artigo científico, explicou que se os cientistas encontrarem mais planetas como este – cujas órbitas se estão a deteriorar – “podemos aprender sobre a evolução e o destino final dos sistemas exoplanetários”.

“Apesar de este fenómeno ter sido previsto para planetas gigantes próximos, esta é a primeira vez que vemos este processo em acção”.

ZAP //

Por ZAP
9 Janeiro, 2020

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3336: Novo estudo mostra que Vénus ainda pode ter vulcões activos

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/VÉNUS

NASA

Uma equipa de cientistas diz ter encontrado evidências de que há vulcões activos na superfície de Vénus. Se isto se confirmar, é o único planeta no Sistema Solar, para além da Terra, que ainda está vulcanicamente activo.

Embora se saiba que Vénus tenha sido vulcanicamente activo há 2,5 milhões de anos, não foram encontradas evidências concretas de que ainda existam erupções vulcânicas na superfície deste planeta.

Porém, segundo o Science Alert, uma nova investigação do Lunar and Planetary Institute (LPI) mostra que Vénus ainda pode ter vulcões activos, tornando-o o único planeta no Sistema Solar, para além da Terra, que ainda está vulcanicamente activo.

A equipa de cientistas simulou a atmosfera do planeta em laboratório para investigar como é que os fluxos de lava de Vénus mudariam ao longo do tempo. Foi assim que descobriu que a olivina, um mineral que existe em abundância no basalto, reage rapidamente com uma atmosfera como a deste planeta e ficaria revestida por magnetita e hematita (dois minerais ricos em óxido de ferro) em poucos dias.

Os investigadores compararam estes resultados com os dados obtidos ao longo dos anos pela sonda Venus Express, que detectou sinais de olivina na superfície de Vénus, e descobriram que a assinatura de infravermelho emitida por estes minerais desapareceria em poucos dias.

A partir disso, os cientistas concluíram que os fluxos de lava observados em Vénus eram muito jovens, o que, por sua vez, poderá indicar que este planeta ainda possui vulcões activos na sua superfície.

“Se Vénus for realmente activo hoje, seria um óptimo lugar para visitar e entender melhor o interior dos planetas. Poderíamos estudar como é que os planetas arrefecem e porque é que a Terra e Vénus têm vulcanismo activo, mas Marte não”, afirma Justin Filiberto, o cientista que liderou a investigação e cujo estudo foi publicado na Science Advances.

Num futuro próximo, vamos ouvir falar sobre várias missões a Vénus para aprender mais sobre a sua atmosfera e condições da sua superfície. Falamos, por exemplo, do orbitador Shukrayaan-1, da Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO), e da sonda russa Venera-D, que têm lançamento previsto para 2023 e 2026, respectivamente.

ZAP //

Por ZAP
8 Janeiro, 2020

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3329: NASA anuncia descoberta de planeta do tamanho da Terra em zona considerada habitável

CIÊNCIA/ESPAÇO

Chama-se “TOI 700 d” e está relativamente próximo da Terra, a cem anos-luz de distância, sublinhou a agência espacial norte-americana.

Ilustração do planeta “TOI 700 d” do tamanho da Terra encontrado numa zona habitável
© YouTube

A NASA anunciou na segunda-feira a descoberta de um planeta do tamanho da Terra e a orbitar uma estrela a uma distância que torna possível a existência de água, numa zona identificada como habitável.

O planeta chama-se “TOI 700 d” e está relativamente próximo da Terra, a cem anos-luz de distância, sublinhou a agência espacial norte-americana.

A descoberta pertenceu ao satélite TESS, “projectado e lançado especificamente para encontrar planetas do tamanho da Terra e a orbitar estrelas próximas”, explicou o director da divisão de astrofísica da NASA, Paul Hertz.

Alguns outros planetas semelhantes foram descobertos antes, principalmente pelo antigo telescópio espacial Kepler, mas este é o primeiro do TESS, lançado em 2018.

O TESS descobriu três planetas a orbitarem a estrela, denominados ‘TOI 700 b’, ‘c’ e ‘d’. Somente o ‘d’ está na chamada zona habitável. É quase do tamanho da Terra (20% a mais), circula a estrela em 37 dias e recebe o correspondente a 86% da energia fornecida pelo Sol à Terra.

Astrónomos tentam obter novos dados sobre o planeta

Os pesquisadores geraram modelos baseados no tamanho e tipo da estrela, a fim de prever a composição da atmosfera e a temperatura da superfície.

Uma das simulações, disse a NASA, aponta para um planeta coberto por oceanos com “uma atmosfera densa dominada por dióxido de carbono, semelhante à aparência de Marte quando jovem, de acordo com as suposições dos cientistas”.

Uma face deste planeta está sempre voltada para a sua estrela, como é o caso da Lua com a Terra, um fenómeno chamado de rotação síncrona. Essa face estaria constantemente coberta de nuvens, de acordo com este modelo.

Outra simulação prevê uma versão da Terra sem oceanos, onde os ventos soprariam do lado oculto em direcção à face iluminada.

Vários astrónomos estão agora a observar o planeta com outros instrumentos, tentando obter novos dados que possam corresponder a um dos modelos previstos pela NASA.

Diário de Notícias

DN/Lusa
07 Janeiro 2020 — 08:07

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3326: Cientistas encontram evidências de que Vénus tem vulcões activos

CIÊNCIA/ESPAÇO

Esta figura mostra o pico vulcânico Idunn Mons (a 46º S, 214,5º E) na área de Imdr Regio de Vénus. A sobreposição colorida mostra os padrões de calor derivados dos dados de brilho da superfície recolhidos pelo instrumento VIRTIS (Visible and Infrared Thermal Imaging Spectrometer) a bordo da sonda Venus Express da ESA.
Crédito: NASA

Uma nova investigação liderada pela USRA (Universities Space Research Association) e publicada na revista Science Advances mostra que os fluxos de lava em Vénus podem ter apenas alguns anos, sugerindo que Vénus pode ainda hoje ser vulcanicamente activo – tornando-o o único planeta no nosso Sistema Solar, além da Terra, com erupções recentes.

“Se Vénus ainda for realmente activo, será um óptimo lugar para visitar a fim de melhor entender o interior dos planetas,” diz o Dr. Justin Filiberto, autor principal do estudo e cientista do LPI (Lunar and Planetary Institute) da USRA. “Por exemplo, poderíamos estudar como os planetas arrefecem e porque é que a Terra e Vénus têm vulcanismo activo, mas Marte não. As missões futuras devem conseguir ver estes fluxos e mudanças à superfície e fornecer evidências concretas da sua actividade.”

As imagens de radar da sonda Magellan da NASA, no início da década de 1990, revelaram que Vénus, o nosso planeta vizinho, é um mundo de vulcões e extensos fluxos de lava. Na década de 2000, o orbitador Vénus Express da ESA lançou nova luz sobre o vulcanismo de Vénus, medindo a quantidade de radiação infravermelha emitida por parte da superfície de Vénus (durante a noite). Estes novos dados permitiram que os cientistas identificassem fluxos de lava “fresca” vs. fluxos de lava alterados à superfície de Vénus. No entanto, até recentemente, as idades das erupções de lava e dos vulcões em Vénus não eram bem conhecidas porque o ritmo de alteração da lava “fresca” não estava bem determinado.

O Dr. Filiberto e colegas recriaram a atmosfera cáustica e quente de Vénus em laboratório para investigar como os minerais venusianos observados reagem e mudam com o tempo. Os seus resultados experimentais mostraram que um mineral abundante no basalto – olivina – reage rapidamente com a atmosfera e em poucas semanas fica revestido com minerais de óxido de ferro – magnetite e hematite. Eles descobriram ainda que as observações desta mudança mineralógica, pela Venus Express, levariam apenas alguns anos a ocorrer. Assim sendo, os novos resultados de Filiberto e co-autores sugerem que estes fluxos de lava em Vénus são muito jovens, o que implicaria que Vénus tem realmente vulcões activos.

Astronomia On-line
7 de Janeiro de 2020

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3306: Pistas para a água perdida de Marte

CIÊNCIA/MARTE

Imagem de uma encosta inclinada obtida pelo rover Curiosity e uma ilustração de moléculas de água pesada, chamada HDO em vez de H2O porque um dos seus átomos de hidrogénio possui uma partícula neutra extra. Observações no infravermelho podem estudar estas partículas que traçam a história da água líquida, porque as moléculas mais pesadas tendem a permanecer mais tempo do que a água líquida normal. As observações do SOFIA revelam que este indicador de água líquida não varia entre as estações marcianas, aproximando os cientistas da quantidade de água líquida que Marte já teve.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS/SOFIA

Marte pode ser um planeta rochoso, mas não é um mundo hospitaleiro como a Terra. É frio e seco, com uma fina atmosfera que possui significativamente menos oxigénio que a da Terra. Mas Marte provavelmente já teve água líquida, um ingrediente essencial para a vida. O estudo da história da água pode ajudar a descobrir como o Planeta Vermelho perdeu água e quanta água já teve.

“Nós já sabíamos que Marte já foi um lugar húmido,” disse Curtis DeWitt, cientista do Centro de Ciências SOFIA da USRA (Universities Space Research Association). “Mas apenas estudando como a água actual é perdida podemos entender quanto existia no passado distante.”

Parte desta investigação pode ser realizada sem sair da Terra usando o SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy). O maior observatório voador do mundo pode encontrar moléculas e átomos no espaço profundo e em planetas – como análise forense astronómica – porque voa acima de 99% do vapor de água da Terra que bloqueia a radiação infravermelha. Para aprender mais sobre como Marte perdeu a sua água e como o vapor de água moderno pode variar sazonalmente, o SOFIA estudou como o vapor de água evapora de maneira diferente durante duas estações marcianas.

A água também é conhecida pelo seu nome químico H2O porque é composta por dois átomos de hidrogénio e um átomo de oxigénio. Mas com instrumentos especiais, os cientistas podem detectar dois tipos: água normal, H2O, e água pesada (ou deuterada), HDO, que possui uma partícula neutra extra chamada neutrão num dos dois átomos de hidrogénio, tornando-a mais pesada. A água deuterada evapora menos eficientemente do que a água comum, de modo que permanece em mais quantidade à medida que a água líquida evapora. Portanto, o estudo da proporção de água pesada em relação à água normal, que os cientistas chamam de rácio D/H, no vapor de água existente, pode refazer a história da evaporação da água líquida – mesmo que já não exista à superfície. Mas não está claro se esta proporção é afectada por mudanças sazonais no Planeta Vermelho.

Marte tem calotes de gelo nos seus pólos. São compostas por gelo de dióxido de carbono e neve e expandem-se e encolhem com as estações marcianas. À medida que o hemisfério norte do planeta se aproxima do seu solstício de verão, a calote polar diminui com a temperatura quente – fazendo com que parte do gelo evapore e exponha água gelada. A calote polar sul, no entanto, está coberta com dióxido de carbono gelado mesmo durante o verão. Os cientistas não tinham a certeza se essas mudanças sazonais podiam afectar a proporção entre água pesada e a água normal na atmosfera marciana.

As medições anteriores da proporção da água D/H usaram instrumentos diferentes, resultando em medições ligeiramente diferentes ao longo de estações e locais marcianos. Os investigadores usaram o mesmo instrumento do SOFIA, o EXES (Echelon-Cross- Echelle Spectrograph), para obter medições consistentes ao longo de duas estações e locais: o verão no hemisfério norte do planeta e o verão no seu hemisfério sul. Até agora, depois de compararem observações entre os dois hemisférios, não encontraram nenhuma variação sazonal na proporção da água em Marte entre estações e locais. Isto está a ajudar os cientistas a rastrear com mais precisão a história da água em Marte.

“Se pudermos eliminar a dependência sazonal como um factor neste rácio, estaremos um passo mais perto de obter uma resposta sobre a quantidade de água originalmente presente em Marte,” disse DeWitt.

Os resultados foram publicados na revista Astronomy & Astrophysics. Estão em andamento outras observações para monitorizar diferentes estações marcianas. A análise da história e geologia de Marte é importante, pois a NASA está a avançar com planetas para enviar novamente seres humanos à Lua, com o objectivo final de missões tripuladas a Marte.

O SOFIA é um jacto Boeing 747SP modificado para transportar um telescópio de 106 polegadas. É um projecto conjunto da NASA e do Centro Aeroespacial Alemão, DLR.

Astronomia On-line
3 de Janeiro de 2020

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3299: Musk espera que a Starship faça o seu primeiro voo dentro de dois a três meses

CIÊNCIA/ESPAÇO

Space X / Flickr

O primeiro voo da nave espacial da Space X Starship, projectada para transportar cargas e pessoas para a Lua e Marte, deverá acontecer, “com sorte”, dentro de “dois ou três meses”, de acordo com Elon Musk.

O multimilionário e visionário norte-americano, que é também CEO da Tesla, voltou no fim do ano a recorrer à sua conta de Twitter para revelar mais alguns detalhes da Starship.

Na mesma rede social, Musk partilhou um vídeo no qual mostra a construção da cúpula da nave, dando conta que trabalhou durante toda a noite na sua produção, dizendo ainda que esta é a “parte mais complicada da estrutura primária”.

Elon Musk @elonmusk

Was up all night with SpaceX team working on Starship tank dome production (most difficult part of primary structure). Dawn arrives …

A Starship “será o veículo de lançamento mais poderoso do mundo já desenvolvido, tendo capacidade de transportar mais de 100 toneladas para a órbita da Terra”, pode ler-se no site oficial da empresa norte-americana de sistemas espaciais.

No passado mês de Novembro, recorde-se, a Space X sofreu um contratempo: o primeiro protótipo da nave espacial de tamanho real ((o Starship Mk1) explodiu durante um teste nas instalações da empresa no estado norte-americano do Texas.

Na altura, Musk revelou que a Space X vai agora concentrar-se no desenvolvimento de protótipos mais avançados e não vai reparar o Mk1.

Recentemente, Elon Musk revelou quanto custará operacionalmente cada missão da Starship. Segundo o empresário, o custo será menor do que o de um pequeno foguete.

De acordo com as estimativas do empresário, a nave gastará 900.000 dólares só em combustível para deixar a Terra e entrar em órbita. “Se considerarmos os custos operacionais, talvez sejam 2 milhões de dólares”, apontou Musk.

Musk revela o preço de uma viagem a Marte a bordo da Space X. O regresso é grátis

Elon Musk, que sonha fazer viagens interplanetárias através da sua empresa Space X, revelou agora o preço de um destes…

ZAP //

Por ZAP
2 Janeiro, 2020

 

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3290: Europa parte para Marte em 2020. E há portugueses na missão

CIÊNCIA/ESPAÇO

É segunda fase da missão Exomars, que já colocou em 2016 uma sonda na órbita marciana. No próximo ano, parte um robô móvel europeu que vai procurar vida na superfície de Marte. E também há portugueses na missão

Em teste num campo “marciano” simulado © ALTEC

A ExoMars, a missão conjunta da agência espacial europeia ESA e da Rússia a Marte, cujo ambicioso objectivo é procurar sinais de vida no subsolo daquele planeta, tem em 2020 o seu primeiro grande momento: o do lançamento. Se tudo correr como está previsto, a partida deverá acontecer entre 26 de Julho e 11 de Agosto, a partir de do centro espacial da agência espacial Roscosmos, em Baikonur, no Cazaquistão. A chegada a Marte tem data marcada para Março de 2021. Uma missão ambiciosa, na qual não falta também a participação portuguesa.

A pouco mais de meio ano da hora H para a partida, a ESA anunciou agora que os testes dos para-quedas – que serão cruciais para amortecer a aterragem do rover europeu e da plataforma científica russa que lhe está acoplada – passaram com sucesso os primeiros testes realizados nos Estados Unidos com a colaboração de equipamentos da NASA.

Descer em Marte é uma operação delicada e muitas vezes fatal, como mostra o extenso rol de missões falhadas que já se contam na curta história espacial da humanidade.

Na prática, contadas todas as missões ao Planeta Vermelho, incluindo as que se destinaram somente à sua órbita, a maioria, por um motivo ou por outro, saldou-se em falhanço, embora as mais recentes da NASA, que colocaram vários rovers na superfície marciana, tenham sido coroadas de êxito.

A própria ESA tem o seu quinhão de sucessos e fracassos em missões marcianas, incluindo, em 2016, a primeira fase da ExoMars, de resultado misto, que colocou sem mácula a sonda TGO na órbita marciana para estudar a sua atmosfera, mas não conseguiu fazer aterrar o módulo Schiapareli, que integrava a missão.

Soube-se semanas depois que o Schiaparelli, que servia sobretudo para testar a manobra de aterragem e cujos dados acabaram por ser importantes para esta segunda fase da missão, se tinha despenhado devido a uma avaria que comprometeu os dados do sistema de navegação.

Uma falha num sensor, levou o sistema a disparar o para-quedas e a activar os travões antes de tempo, quando o pequeno módulo ainda estava a 3,7 quilómetros da superfície do planeta. Foi um desaire para a ESA, que ocorreu 13 anos depois de o também europeu Beagle 2 se ter despenhado ali também.

“Aterrar em Marte é difícil”

Com duas tentativas falhadas de pisar Marte para trás, a ESA abalança-se agora a uma terceira e, desta vez, com ambições maiores. A ideia é fazer descer em Marte um rover, ou robô móvel, equipado com uma plataforma científica, capaz de se deslocar e de escavar o solo até à profundidade de dois metros para aí recolher amostras e depois as analisar. A ideia é procurar aí, em profundidade, a resguardo das radiações cósmicas que fustigam a superfície, sinais da existência de vida no planeta.

A existir, os cientistas pensam que essa vida, feita provavelmente de microrganismos, poderá estar no subsolo, a salvo das radiações cósmicas, e por isso esta segunda fase da Exomars foi concebida para aí a procurar aí e, quem sabe, talvez encontrá-la. Afinal, o nome da missão, ExoMars, cita expressamente esse propósito, porque exo refere-se a exobiologia, ou seja, a biologia fora da Terra.

Até lá, porém, há várias etapas ainda a vencer, com alguns dos derradeiros testes a decorrer, como aconteceu agora em relação aos para-quedas que vão amortecer a aterragem e que obtiveram bons resultados, segundo Thierry Blancquaert, chefe da equipa de engenharia da ExoMars.

“Aterrar em Marte é difícil e não nos podemos dar ao luxo de deixar pontas soltas”, disse Thierry Blancquaert, citado num comunicado da ESA, sublinhando que “depois de vários problemas, as modificações no sistema de para-quedas estão a avançar. Os resultados dos testes preliminares são muito promissores e abrem caminho aos próximos testes de qualidade”.

Também o robô móvel está nesta mesma altura em fase final de testes, para ficar pronto, com todos os sistemas e equipamentos integrados e operacionais, no final de Março de 2020.

Tal como aconteceu com a primeira fase da missão ExoMars, que embora não tenha conseguido fazer aterrar o Schiapareli colocou com sucesso na órbita marciana a sonda Trace Gas Orbiter, ou TGO, também esta segunda fase conta com a participação de portugueses.

Sediada em Coimbra, a Critical Software, nomeadamente, participou no desenvolvimento dos sistemas de controlo de bordo da TGO, que continua a recolher dados na órbita do planeta e que já produziu o retrato mais detalhado de sempre das manchas de água gelada na superfície e de minerais com sinais de água no subsolo. A empresa participa igualmente nesta segunda fase da missão.

Outras das empresas que participou nesta segunda fase da missão ExoMars, nomeadamente com a concepção de algumas das peças da estrutura do robô móvel, é a Activespace Technologies, também de Coimbra.

Diário de Notícias
Filomena Naves
29 Dezembro 2019 — 20:35

 

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3277: Novas descobertas que podem revelar a geologia de exoplanetas

CIÊNCIA

Investigadores da The Open University fizeram novas descobertas que podem revelar a geologia de planetas para lá do nosso Sistema Solar.
Crédito: Projecto DMPP

Os astrónomos anunciaram a descoberta de três exoplanetas como parte do projecto DMPP (Dispersed Matter Planet Project), usando o instrumento HARPS (High Accuracy Radial Velocity Planet Searcher) acoplado ao telescópio de 3,6 m do ESO em La Silla, Chile.

A equipa estudou as estrelas conhecidas como DMPP–1, DMPP–2 and DMPP–3. Os planetas descobertos DMPP-1b, DMPP-1c, DMPP-1d, DMPP-1e, DMPP-2b e DMPP-3Ab, estão muito próximos das suas estrelas e são aquecidos a temperaturas de 1100ºC – 1800º C. A estas temperaturas, a atmosfera e até a superfície rochosa do planeta podem desaparecer, e parte deste material dispersa-se para formar um fino manto de gás.

Esta nuvem filtra a luz estelar, produzindo pistas que permitiram à equipa captar a pequena fracção de estrelas com estes planetas invulgares e muito quentes. Com um estudo mais aprofundado, a composição química da nuvem pode ser medida, revelando o tipo de rocha à superfície do planeta quente.

Os planetas recém-descobertos, nomeadamente DMPP-1d, DMPP-1e e DMPP-3Ab, podem ser a chave para desvendar a geologia dos planetas rochosos para lá do Sistema Solar.

A professora Carole Haswell, do Departamento de Astronomia da Open University, Reino Unido, disse: “estas novas descobertas são muito promissoras para novos estudos. Devem permitir-nos medir as relações entre a massa, tamanho e composição dos planetas para lá do nosso próprio Sistema Solar.

“Agora podemos ver como os planetas em geral são construídos e se o nosso próprio planeta é típico. Por exemplo, ainda não sabemos se é coincidência que no Sistema Solar, a Terra e Vénus sejam os maiores objectos rochosos e possuam ferro como a sua maior fracção de massa.”

DMPP-1 tem três super-Terras com massas entre três e dez vezes a da Terra, orbitando a estrela a cada poucos dias. Também tem um planeta quente tipo-Neptuno que orbita a estrela a cada 20 dias.

O Dr. Daniel Staab, ex-aluno de doutoramento da mesma universidade, explicou: “DMPP-1 hospeda um sistema planetário realmente importante com três exoplanetas de baixa massa cuja composição podemos medir.”

DMPP-2b é um planeta gigante com quase metade da massa de Júpiter numa órbita de cinco dias. Tinha sido negligenciado em estudos anteriores porque a estrela pulsa, o que obscurece a assinatura da força gravitacional do planeta em órbita.

Comentando a mais empolgante destas novas descobertas, o Dr. John Barnes, investigador na Open University: “DMPP-3 foi uma grande surpresa, estávamos à procura de um sinal minúsculo indicando um planeta em órbita e de baixa massa, mas a primeira coisa que encontrámos foi um enorme sinal devido a uma estrela companheira que não esperávamos!”

A estrela companheira, DMPP-3B, é apenas massiva o suficiente para sustentar a fusão de hidrogénio, tem das massas mais baixas de todas as estrelas movidas pelo mesmo mecanismo que o Sol. Estas estrelas minúsculas são muito ténues e difíceis de encontrar. Depois de contabilizar esta estrela fraca, o Dr. Barnes e a sua equipa encontraram um planeta, DMPP-3Ab, com duas ou três a massa da Terra que completa uma órbita em torno da estrela mais brilhante a cada sete dias. O Dr. Barnes concluiu: “É difícil determinar como este planeta foi formado!”

Astronomia On-line
27 de Dezembro de 2019

 

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3274: Astrónomos encontraram novo exoplaneta a orbitar uma anã vermelha

CIÊNCIA

ESO / M. Kornmesser
Impressão artística de planetas a orbitar uma estrela anã vermelha

Uma equipa de astrónomos encontrou um novo exoplaneta, um pouco maior do que a Terra, a orbitar uma anã vermelha a apenas 66,5 anos-luz de distância.

Segundo o Science Alert, o estudo desta equipa de astrónomos já foi submetido na American Astronomical Society e pode ser visto no arXiv, estando agora à espera da sua revisão por pares.

“Aqui apresentamos a descoberta do GJ 1252 b, um pequeno planeta que orbita uma anã vermelha. O planeta foi inicialmente descoberto como um candidato a planeta em trânsito usando dados do TESS [Transiting Exoplanet Survey Satellite]”, lê-se.

“Com base nos dados do TESS e nos dados adicionais de acompanhamento, podemos rejeitar todos os cenários de falsos positivos, mostrando que é um planeta real”, dizem ainda os autores do estudo.

O GJ 1252 b tem cerca de 1,2 vezes o tamanho da Terra e cerca de duas vezes da sua massa (sendo um pouco mais denso do que o nosso planeta). Está a orbitar uma estrela anã vermelha chamada GJ 1252, que tem cerca de 40% do tamanho e massa do Sol.

O exoplaneta gira em torno da sua estrela uma vez a cada 12,4 horas — muito próximo para a habitabilidade e provavelmente um lado está sempre voltado para ela —, mas esta órbita estreita torna-a atraente por outro motivo, segundo o mesmo site.

A apenas 66,5 anos-luz de distância, este sistema está a uma distância suficientemente próxima para que a estrela seja brilhante o suficiente para as observações de acompanhamento. Além disso, a anã vermelha é incomummente calma para uma estrela deste tipo; e o facto de o planeta orbitar com tanta frequência significa que há muitas oportunidades para apanhá-lo a mover-se à sua frente.

Isto é chamado de trânsito e, se o planeta tiver uma atmosfera, será iluminado pela luz da estrela durante os trânsitos, permitindo que os astrónomos vejam o que há nele usando observações espectroscópicas.

E outra coisa importante: o GJ 1252 b é apenas a descoberta mais recente de um conjunto de planetas rochosos próximos encontrados pelo TESS: o Pi Mensae c e LHS 3844 b, a 60 e a 49 anos-luz, respectivamente, foram anunciados em Setembro do ano passado; o TOI-270b está a 73 anos-luz; o Teegarden b e o Teegarden c estão a 12,5 anos-luz; e o Gliese b, Gliese c e Gliese d estão a 12 anos-luz de distância.

Quantos mais destes encontrarmos, mais dados podemos compilar para descobrir quão comuns são e como se parecem.

ZAP //

Por ZAP
27 Dezembro, 2019

 

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3271: NASA desvenda mistério dos planetas de “algodão doce”

CIÊNCIA

NASA, ESA, and L. Hustak, J. Olmsted, D. Player and F. Summers (STScI)

Usando dados do Telescópio Espacial Hubble, da NASA, uma equipa de astrónomos confirmou uma nova classe de planetas com a densidade de algodão doce.

Há três exoplanetas jovens no sistema Kepler 51 que são 100 vezes mais leves do que o maior planeta do Sistema Solar. Novos dados do Telescópio Espacial Hubble, da NASA, acabam de fornecer as primeiras pistas sobre a química de dois destes planetas “super-inchados”, descobertos em 2012.

Os exoplanetas orbitam em torno de uma estrela jovem semelhante ao Sol, localizada a aproximadamente 2.600 anos-luz de distância do nosso Sistema Solar. As suas atmosferas de hidrogénio e hélio são tão inchadas que os exoplanetas são quase do tamanho de Júpiter.

De acordo com o comunicado da agência espacial, estes exoplanetas têm uma densidade inferior a 0,1 gramas por centímetro cúbico – e é por esse motivo que estes corpos espaciais são comparados a algodão doce.

Com a ajuda dos dados recolhidos pelo Hubble, a equipa de astrónomos procurou pela presença de alguns elementos, especialmente água, na atmosfera dos planetas Kepler-51 b e Kepler 51 d. O telescópio da NASA observou estes planetas enquanto passavam à frente da sua estrela, com o objectivo de observar a cor infravermelha do seu “pôr do sol”.

NASA / ESA / L. Hustak and J. Olmsted (STScI)

Segundo a Sputnik News, os astrónomos deduziram a quantidade de luz absorvida pela atmosfera sob luz infravermelha, o que permitiu encontrar indicadores dos constituintes químicos dos planetas. Desta forma, a equipa descobriu que os espectros de ambos os planetas não possuíam nenhuma assinatura química reveladora, possivelmente devido às altas nuvens de partículas nas suas atmosferas.

No entanto, ao contrário das nuvens de água da Terra, as nuvens destes planetas podem ser compostas por cristais de sal ou névoas fotoquímicas, como as que podemos encontrar em Titã, a maior lua de Saturno.

A equipa concluiu que as baixas densidades destes planetas seriam, em parte, consequência da juventude do sistema, isto porque é suposto que os planetas se tenham formado fora da “linha de congelamento” da estrela, a região de possíveis órbitas onde os materiais gelados podem sobreviver, movendo-se depois para o seu interior.

Em comparação com o Sol, que tem cerca de 4,6 mil milhões de anos, este sistema tem apenas 500 milhões de anos. “Este sistema oferece um laboratório único para testar as teorias da evolução inicial dos planetas”, afirmou Zach Berta-Thomson, da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos.

Segundo os cientistas, uma vez que os planetas estão muito mais próximos da estrela, é provável que as suas atmosferas de baixa densidade evaporem no Espaço nos próximos milhares de milhões de anos.

Nem tudo está perdido nesta luta para determinar a composição atmosférica destes dois planetas: o próximo Telescópio Espacial James Webb, também da NASA,deverá ser capaz de “espiar” através das nuvens, graças à sua sensibilidade e comprimentos de onda infravermelhos mais longos.

Observações futuras com este telescópio podem fornecer ainda mais pistas sobre de que são feitos estes planetas de algodão doce.

ZAP //

Por ZAP
26 Dezembro, 2019

 

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3268: Cerberus Fossae é a primeira zona sísmica activa identificada em Marte

CIÊNCIA

InSight_IPGP / Twitter

Cerberus Fossae, um conjunto de fissuras semi-paralelas formadas por falhas que separam a crosta de Marte, foi identificada como a primeira zona sísmica activa descoberta no Planeta Vermelho.

O sismómetro do InSight da NASA, chamado SEIS (Experiência Sísmica para Estruturas Interiores), concentrou-se nesta enorme estrutura tectónica, o epicentro de dois importantes MarsQuakes – tremores terrestres marcianos – detectados durante os sóis (dias marcianos) 173 e 235 da missão.

De acordo com o Europa Press, Cerberus Fossae mede 1.235 quilómetros de diâmetro. As magnitudes de ambos os tremores situavam-se entre os 3 e os 4 na escala Richter, de acordo com as informações antecipadas no Twitter pela equipa do SEIS, antes da publicação da pesquisa em revistas científicas. O primeiro “grande” terremoto ocorreu em maio e o segundo em Julho deste ano.

Devido a variações térmicas e ventos, Marte é um lugar barulhento. No entanto, entre as 17 horas e até pouco depois da meia-noite, o Planeta Vermelho torna-se muito silencioso. É nestes momentos que o sismómetro consegue monitorizar todas as frequências com uma nitidez cristalina, incluindo faixas invisíveis na Terra.

Mesmo que o Planeta Vermelho pareça petrificado, Marte continua a “bater”. A taxa de terramotos continua a aumentar, sem que os geofísicos entendam o motivo. Ainda assim, os terramotos verificados em Marte são muito fracos.

ZAP //

Por ZAP
26 Dezembro, 2019

 

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3267: NASA pode ter registado o primeiro abalo sísmico em Marte

CIÊNCIA

Sinais obtidos pela sonda InSight são semelhantes aos que foram registados na superfície lunar pelas missões Apollo

Imagem tirada a 19 de Março pela sonda InSight mostra a cobertura que protege o sismógrafo © NASA/JPL-Caltech

A NASA pode ter registado pela primeira vez o “tremor de Marte” – ou seja, um terramoto no planeta vermelho. Numa nota emitida esta terça-feira a agência espacial norte-americana aponta como “provável” que o registo detectado por um sismógrafo se deva a movimentos internos e não à acção de elementos exteriores, à superfície, como o vento. Os cientistas estão agora a examinar os dados para apurar uma explicação definitiva. E divulgaram entretanto um áudio com o som do sismo marciano.

O sinal foi registado a 6 de Abril, o 128º dia marciano, por um sismógrafo transportado pela sonda InSight da NASA, que instalou aquele instrumento na superfície do planeta através de um braço robótico, a 19 de Dezembro de 2018. De acordo com a nota da agência, a comparação dos sinais obtidos agora em Marte com os resultados das missões Apollo na superfície lunar apontam para a possibilidade de se tratar efectivamente de um abalo sísmico. “O tamanho e a duração correspondem ao padrão dos abalos sísmicos na Lua detectados durante as missões Apollo”, afirma Lori Glaze, director da divisão de Ciência Planetária da NASA.

“Temos vindo a recolher os ruídos e este novo passo lança oficialmente um novo campo: a sismologia de Marte”, diz, por sua vez, Bruce Banerdt, investigador principal da missão.

Para já, os dados detectados ainda são insuficientes para fornecer mais indicações sobre o interior de Marte, o grande objectivo da InSight, que procura informação que ajude a perceber a formação e evolução dos planetas rochosos do Sistema Solar.

A própria NASA explica que a superfície marciana é extremamente calma, em contraste com a da Terra, que regista vibrações constantes, resultado do barulho provocado pelos oceanos e pelos elementos climáticos. Um registo como aquele que foi obtido em Marte passaria despercebido num sismógrafo “terrestre”. Mas não no planeta vermelho. “Esperámos meses por um sinal como este”, diz Philippe Lognonné, geofísico do Institut de Physique du Globe de Paris (IPGP) e investigador principal da missão, que tem uma componente francesa – o sismógrafo que está em Marte foi desenvolvido pelo Centro Nacional de Estudos Espaciais francês. “É muito estimulante ter finalmente provas de que Marte é sismicamente activo”, acrescentou o cientista.

Ao contrário da Terra, Marte (tal como a Lua) não tem placas tectónicas. Mas um contínuo processo de arrefecimento e contracção acaba por ter o mesmo efeito nas camadas interiores do planeta, levando a uma libertação de energia que provoca então os abalos sísmicos.

Diário de Notícias
DN
24 Abril 2019 — 12:28

 

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Alguns planetas “comem” os seus próprios céus?

CIÊNCIA

Impressão de artista de um exoplaneta mais pequeno que Neptuno. Um novo estudo sugere uma razão para o porquê de tais planetas raramente crescerem mais que Neptuno: os oceanos de magma do planeta começam a “comer” o céu.
Crédito: NASA/ESA/G. Bacon (STScI)/L. Kreidberg; J. Bean (U. Chicago)/H. Knutson (Caltech)

Durante muitos anos, pelo que sabíamos, o nosso Sistema Solar estava sozinho no Universo. E depois, telescópios mais avançados começaram a revelar um tesouro de planetas em órbita de estrelas distantes.

Em 2014, o telescópio espacial Kepler da NASA entregou aos cientistas mais de 700 planetas distantes “novinhos em folha” para estudarem – muitos deles totalmente diferentes do que havia sido observado anteriormente. Em vez de gigantes gasosos como Júpiter, que as investigações anteriores haviam captado primeiro porque são mais fáceis de observar, estes planetas eram mais pequenos e, na maioria, rochosos em termos de massa.

Os cientistas notaram que existiam muitos destes planetas de tamanho idêntico ou pouco superior ao da Terra, mas que havia também um corte acentuado antes dos planetas alcançarem o tamanho de Neptuno. “É como se fosse um ‘precipício’ nos dados, e é bastante dramático,” disse o cientista planetário Edwin Kite da Universidade de Chicago. “O que temos discutido é o porquê de os planetas tenderem a parar de crescer além do triplo do tamanho da Terra.”

Num artigo publicado dia 17 de Dezembro na revista The Astrophysical Journal Letters, Kite e colegas da Universidade de Washington, da Universidade de Stanford e da Universidade Estatal da Pensilvânia fornecem uma explicação inovadora para esta queda: os oceanos de magma à superfície destes planetas absorvem rapidamente as suas atmosferas assim que os planetas atingem cerca de três vezes o tamanho da Terra.

Kite, que estuda a história de Marte e os climas de outros mundos, estava bem posicionado para estudar a questão. Ele pensou que a resposta podia depender de um aspecto pouco estudado de tais exoplanetas. Pensa-se que a maioria dos planetas um pouco mais pequenos do que a queda de tamanho tenham oceanos de magma às suas superfícies – grandes mares de rocha derretida como os que outrora cobriram a Terra. Mas, em vez de solidificarem como o nosso, são mantidos quentes por uma espessa camada atmosférica rica em hidrogénio.

“Até agora, quase todos os modelos que temos ignoram este magma, tratando-o como quimicamente inerte, mas a rocha derretida é quase tão líquida quanto a água e muito reactiva,” disse Kite, professor assistente no Departamento de Ciências Geofísicas da Universidade de Chicago.

A questão que Kite e colegas consideraram foi se, à medida que os planetas adquiriam mais hidrogénio, o oceano podia começar a “comer” o céu. Neste cenário, à medida que o planeta adquire mais gás, este acumula-se na atmosfera e a pressão em baixo, onde a atmosfera encontra o magma, começa a aumentar. A princípio, o magma absorve o gás adicionado a um ritmo constante, mas à medida que a pressão aumenta, o hidrogénio começa a dissolver-se muito mais facilmente no magma.

“Não apenas isso, mas o pouco gás adicionado que permanece na atmosfera faz subir a pressão atmosférica e, assim, uma fracção ainda maior do gás que chega mais tarde dissolve-se no magma,” explicou Kite.

Assim sendo, o crescimento do planeta para antes de atingir o tamanho de Neptuno (porque a maioria do volume destes planetas está na atmosfera, o encolhimento da atmosfera encolhe os planetas).

Os autores chamam a isto a “crise de fugacidade”, que pega no termo que mede quanto mais facilmente um gás se dissolve numa mistura do que seria de esperar com base na pressão.

Kite acrescentou que a teoria se encaixa bem com as observações existentes. Também existem vários marcadores que os astrónomos podem procurar no futuro. Por exemplo, se a teoria estiver correta, os planetas com oceanos de magma que são frios o suficiente para se cristalizarem à superfície devem exibir perfis diferentes, pois isso impediria o oceano de absorver tanto hidrogénio. As investigações actuais e futuras do TESS e de outros telescópios deverão fornecer aos astrónomos mais dados com que trabalhar.

“No nosso Sistema não há nada como estes mundos,” disse Kite. “Embora o nosso trabalho sugira uma solução para um dos quebra-cabeças dos exoplanetas sub-Neptuno, ainda têm muito para nos ensinar!”

Astronomia On-line
24 de Dezembro de 2019

 

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3252: O rover da NASA que vai a Marte em 2020 já tem “carta de condução”

CIÊNCIA

NASA

O rover Mars 2020 da NASA acabou de dar o seu primeiro passeio, navegando por pequenas rampas e rolando para frente e para trás dentro de uma sala no Jet Propulsion Lab (JPL) da NASA na Califórnia. Agora, está pronto para o Planeta Vermelho.

“O Mars 2020 ganhou a sua carta de condução”, afirmou o engenheiro de sistemas de mobilidade do Mars 2020 Rich Rieber, em comunicado, divulgado pelo Phys. “O teste provou inequivocamente que o rover pode operar com o seu próprio peso e demonstrou muitas das funções de navegação autónoma pela primeira vez. Este é um marco importante para Mars 2020”.

“Um veículo espacial precisa de se mover e o Mars 2020 fez isso ontem”, acrescentou John McNamee, gerente de projectos do Mars 2020. “Mal podemos esperar para colocar um pouco de sujidade marciana vermelha sob as suas rodas”.

O Mars 2020 é muito mais rápido do que os rovers anteriores da NASA em termos de tomada de decisão e navegação. As suas câmaras e computador de processamento de imagens também são muito mais sofisticados e de maior resolução.

Graças à actualização tecnológica, o Mars 2020 poderá mover-se, em média, 200 metros por dia marciano. O recorde anterior de um dia, estabelecido pelo rover Opportunity da NASA, era de 214 metros.

As rodas do Mars 2020 também duram mais do que as dos rovers do passado. No início do ano, foram descobertos buracos nas rodas do Curiosity da NASA, depois de bater nas rochas marcianas.

O veículo espacial será lançado no próximo verão para chegar ao Planeta Vermelho em 18 de Fevereiro de 2021. O seu principal objectivo será procurar sinais de vida microbiana passada, bem como colher amostras de rochas para trazer de volta para a Terra.

No início deste mês, a NASA exibiu o seu Sistema de Lançamento Espacial, o foguete que levará o veículo espacial para o Planeta Vermelho no próximo ano. O Mars 2020 não fará a jornada sozinho: levará consigo um pequeno helicóptero autónomo que o ajudará a explorar o ambiente marciano. O drone também pode ajudar a procurar zonas ideais de aterragem futura – e talvez até procurar sinais de vida.

ZAP //

Por ZAP
22 Dezembro, 2019

 

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3210: Em Marte, as auroras brilham durante todo o verão (e ajudam a explicar a perda de água do Planeta Vermelho)

CIÊNCIA

MAVEN / LASP / University of Colorado / NASA
Aurora global em Marte

Além de impressionantes, as auroras dos céus marcianos oferecem pistas importantes sobre como a água do Planeta Vermelho escapa para a atmosfera.

Este tipo de aurora – conhecida por “aurora protão” e identificada pela primeira vez em Marte no ano 2016 – ocorre durante o dia e produz luz ultravioleta (UV). Apesra de ser visível a olho nu, foi detectada pelo Imaging UltraViolet Spectrograph (IUVS) da MAVEN.

Recentemente, uma equipa de cientistas estudou estas auroras marcianas através da análise de dados acumulados ao longo de vários anos de observações. No novo artigo científico, publicado recentemente na JGR Space Physics, os cientistas referem que as aurora protão são as mais comuns em Marte, “com quase 100% de ocorrência no lado diurno do planeta, no sul durante o verão”.

Na Terra, as auroras aparecem quando ventos solares atingem o campo magnético do nosso planeta. Estas colisões de alta energia entre partículas solares e partículas atmosféricas de gás criam luzes no céu.

Segundo Andréa Hughes, investigadora da Universidade Aeronáutica Riddle, na Florida, as auroras protão também começam com ventos solares – mas, neste caso, os protões carregados colidem com uma nuvem de hidrogénio.

Depois, sugam os electrões dos átomos de hidrogénio, neutralizando os protões. Quando estes átomos neutros energéticos entram na atmosfera de Marte, as colisões com moléculas produzem brilhos ultravioletas – ou auroras de protões.

Estas auroras são muito comuns no verão marciano no sul do planeta porque os meses de verão são aqueles em que a nuvem de hidrogénio surge perfeitamente posicionada para interagir com os ventos solares e, desta forma, produzir auroras de protões quase constantes.

Os cientistas descobriram ainda que a temperatura aumenta durante o verão marciano e que as nuvens de poeira retiram o vapor de água da superfície do planeta. “Isso faz com que o hidrogénio se separe em hidrogénio e oxigénio, fazendo com que ele escape”, disse Hughe, citada pelo Live Science.

“Por causa desse fenómeno, sabemos que quando vemos uma aurora protão, a fonte não é apenas o vento solar, mas também a água que se separa e se perde no Espaço.”

ZAP //

Por ZAP
17 Dezembro, 2019

 

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