1987: Descobertos três novos gigantes gasosos (e estão a escaldar)

NASA EXOPLANETS

A NASA acaba de descobrir três planetas gigantes, gasosos e quentes nas proximidades de estrelas distantes. Os mundos recém-descobertos, semelhantes a Júpiter e Saturno, têm órbitas cujos períodos variam entre 1,5 e 4 dias.

Por estarem tão perto das suas estrelas, os novos mundos, que foram baptizados de Qatar-8b, 9b e 10b, têm temperaturas que oscilam entre 791 e 1.698 graus Celsius.

Os exoplanetas foram descobertos em Março por cientistas do Qatar Exoplanet Survey e os resultado foram esta semana disponibilizados para pré-visualização no arXiv.org.

A agência espacial norte-americana detalha que Qatar-8b, 9b e 10b são todos gigantes gasosos semelhantes a Júpiter e Saturno. No entanto, os recém-descobertos têm órbitas apertadas em torno das suas estrelas “progenitoras”.

Qatar-8b tem pouco mais de um terço da massa de Júpiter e é considerado um “Saturno quente”. O planeta demora menos de quatro dias para orbitar a sua estrela, que se encontra a cerca de 900 anos-luz da Terra.

Por sua vez, Qatar-9b, um “Júpiter quente”, leva apenas um dia e meio para completar um órbita, um “ano” neste planeta. Este gigante gasoso, com 1,2 vezes a massa de Júpiter, orbita uma estrela a 688 anos-luz de distância.

Qatar-10b tem um período orbital muito semelhante ao seu irmão “9-b” (1,6 dias) e é também um Júpiter quente. Curiosamente, é significativamente menos denso do que Júpiter, com apenas três quartos da sua massa. O planeta orbita uma estrela a mais de 1.700 anos-luz da Terra.

De acordo com a informação disponibilizada no site da NASA, estes três novos mundos elevam para 3.949 o número de planetas já confirmados.

ZAP //

Por ZAP
15 Maio, 2019


 

1551: Colisões catastróficas podem explicar as diferenças nos grandes planetas rochosos

Robin Canup / Southwest Research Institute

Colisões catastróficas podem explicar diferenças em planetas rochosos gigantes em torno de outras estrelas, de acordo com um novo estudo.

O estudo sugere que o calor gerado pelo material que colide num planeta desempenha um papel importante na remoção de toda ou parte da atmosfera do planeta. Uma ampla variedade de tamanhos para os asteróides mortais explicaria as diferenças observadas nos mundos rochosos mais maciços.

O telescópio espacial Kepler, da NASA, revelou um número surpreendente de mundos com tamanhos que se situam entre a Terra e Neptuno em órbitas relativamente curtas. Calculando as densidades dos planetas, os astrónomos perceberam que muitos deles parecem ter enormes atmosferas de hidrogénio-hélio.

No entanto, estas atmosferas apresentam variações, sugerindo que algo tenha acontecido nos mundos após a formação planetária.

“Grandes impactos são muito efectivos para reduzir ou remover o hidrogénio ou hélio”, afirmou John Biersteker, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, que estudou como os impactos dos destroços rochosos afectaram a atmosfera de planetas jovens.

Após o nascimento de uma estrela, o anel de poeira e gás libertado inicia o processo de formação planetária.

Quando a gravidade é impulsionada, juntamente com os pedaços para criar um núcleo, o recém-nascido planetesimal recolher hidrogénio e hélio a partir dos restos de gás, construindo uma atmosfera primordial.

Porém, os plantas que estiverem nas proximidades de estrelas podem sofrer com a radiação estelar, que causaria um aquecimento nas camadas gasosas, consequentemente escapando para o espaço e deixando a atmosfera mais fina.

Além disso, quando grandes objectos atingem os planetas, a colisão pode golpear a atmosfera do planeta para o espaço – uma colisão assim ajudou a criar a Lua da Terra.Este estudo mostra que não é preciso um grande núcleo para remover completamente a atmosfera de um planeta.

Para Biersteker, a energia criada pelo impacto foi mais importante do que a grande colisão, mostrando que um pequeno e rápido movimento do asteróide poderia tirar mais hidrogénio e hélio do que um objeto médio e mais lento. Além disso, o ângulo também pode afectar a energia do impacto.

Tendo em conta que cada impacto remove uma percentagem diferente da atmosfera, colisões podem criar uma grande variedade de densidades de exoplanetas. O material com apenas um décimo da massa de um planeta pode remover metade do hidrogénio e hélio – ou até tudo.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
3 Fevereiro, 2019

[vasaioqrcode]

 

1164: PLANETAS GIGANTES EM REDOR DE ESTRELA JOVEM LEVANTAM QUESTÕES SOBRE A FORMAÇÃO PLANETÁRIA

Impressão de artista de CI Tau.
Crédito: Amanda Smith, Instituto de Astronomia de Cambridge

Investigadores identificaram uma jovem estrela com quatro planetas do tamanho de Júpiter e de Saturno em órbita, a primeira vez que tantos enormes planetas foram detectados num sistema tão jovem. O sistema também quebrou o recorde para o alcance mais extremo de órbitas já observado: o planeta mais exterior está mais de mil vezes mais distante da estrela do que o planeta mais interior, o que levanta questões sobre como tal sistema pode ter-se formado.

A estrela tem apenas dois milhões de anos – uma “criança” em termos astronómicos – e está rodeada por um enorme disco de poeira e gelo. Este disco, conhecido como disco protoplanetário, é o local onde se formam os planetas, luas, asteróides e outros objectos astronómicos.

O sistema já era famoso porque contém o primeiro Júpiter quente – um planeta massivo que orbita muito perto da sua estrela – a ser descoberto em torno de uma estrela tão jovem. Embora os Júpiteres quentes tenham sido o primeiro tipo de exoplaneta a ser descoberto, a sua existência há muito tempo que intriga os astrónomos porque muitas vezes se pensa estarem demasiado próximos das estrelas-mãe para se formarem “in situ” (isto é, no local onde se encontram).

Agora, uma equipa de investigadores liderada pela Universidade de Cambridge usou o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para procurar “irmãos” planetários deste jovem Júpiter quente. As imagens revelaram três lacunas distintas no disco que, segundo os seus modelos teóricos, foram provavelmente provocadas por três gigantes gasosos adicionais também em órbita da estrela jovem. Os resultados foram publicados na The Astrophysical Journal Letters.

A estrela, CI Tau, está localizada a cerca de 500 anos-luz de distância num “berçário” estelar altamente produtivo da Via Láctea. Os seus quatro planetas diferem muito no que respeita às suas órbitas: o mais próximo (o Júpiter quente) está no interior do equivalente à órbita de Mercúrio, enquanto o mais distante orbita a uma distância mais três vezes superior à de Neptuno. Os dois planetas mais exteriores têm aproximadamente a massa de Saturno, enquanto os dois planetas mais interiores têm, respectivamente, mais ou menos uma e 10 vezes a massa de Júpiter.

A descoberta levanta muitas questões para os astrónomos. Cerca de 1% das estrelas hospedam Júpiteres quentes, mas a maioria dos Júpiteres quentes são centenas de vezes mais velhos do que CI Tau. “Actualmente, é impossível dizer se a arquitectura planetária extrema vista em CI Tau é comum em sistemas com Júpiteres quentes porque a maneira como estes irmãos planetários foram detectados – através do seu efeito no disco protoplanetário – não funcionaria em sistemas mais antigos que já não têm um disco protoplanetário,” comenta a professora Cathie Clarke do Instituto de Astronomia de Cambridge, a autora principal do estudo.

De acordo com os cientistas, também não está claro se os planetas irmãos desempenharam um papel na condução do planeta mais interior até à sua órbita ultra-próxima, e se este é um mecanismo que funciona na produção de Júpiteres quentes em geral. E um outro mistério é saber como os outros dois planetas exterior se formaram.

“Os modelos de formação planetária tendem a concentrar-se em ser capazes de reproduzir os tipos de planetas que já foram observados, de modo que as novas descobertas podem não encaixar necessariamente nos modelos,” comenta Clarke. “Supõe-se que os planetas com a massa de Saturno formam-se primeiro, através da acumulação de um núcleo sólido e, em seguida, que puxam uma camada de gás no topo, mas esses processos devem ser muito lentos a grandes distâncias da estrela. A maioria dos modelos lutará para fabricar planetas desta massa a esta distância.”

A tarefa que os cientistas têm pela frente é o estudo deste sistema intrigante em múltiplos comprimentos de onda a fim de obter mais pistas sobre as propriedades do disco e dos seus planetas. Enquanto isso, o ALMA – o primeiro telescópio com a capacidade de fotografar planetas em formação – provavelmente descobrirá novas surpresas noutros sistemas, remodelando a nossa imagem de como os sistemas planetários se formam.

Astronomia On-line
19 de Outubro de 2018

[vasaioqrcode]