2405: Há uma placa tectónica a “morrer” sob Oregon, nos Estados Unidos

CIÊNCIA

Ali McLure / Flickr

Uma equipa de cientistas da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, está a investigar a “morte” de uma placa tectónica sob Oregon.

Tal como noticia o portal Science Alert, em causa está a placa tectónica Juan de Fuca, que surgiu de uma placa muito maior, a placa Farallón, que desliza sob a placa da América do Norte há dezenas de milhões de anos.

Os especialistas William Hawley e Richard Allen debruçam-se especialmente sobre um área sob o estado de Oregon, onde uma parte da placa parece estar a faltar.

Na verdade, e segundo explicou a equipa, a área em “falta” pode ser, na verdade, um “rasgo” que divide a placa a pelo menos 150 quilómetros de profundidade. Esta característica, sustentaram, “não apenas causa o vulcanismo na América do Norte, como também causa a deformação das secções ainda não-deduzidas da placa oceânica no mar”.

“Esta falha pode eventualmente fazer com que a placa se fragmente e o que restar dos pequenos pedaços vai juntar-se a outras placas próximas”, completaram.

Para chegar a esta conclusão, a equipa estou informações de 217 terramotos e mais de 30 mil ondas sísmicas, criando depois uma imagem detalhada da zona de subdução de Cascadia, uma falha na costa do Pacífico. A partir destes dados, os cientistas conseguiram identificar quais as partes das rochas é que pertenceram à placa de Juan de Fuca.

Graças a este procedimento, os cientistas sugeriram que o movimento da placa ao afundar, através do qual se pode deformar e dobrar, provoca o descolamento e separação das suas partes, resultando depois no rasgo acima mencionado.

A equipa nota que é necessário levar a cabo mais investigações para confirmar o funcionamento e desaparecimento da placa. Ainda assim, defendem os especialistas, o seu comportamento está relacionado com a actividade sísmicas a sul de Oregon e no norte da Califórnia, bem como com os padrões incomuns de vulcanismo verificados nas High Lava Plains, a sul de Oregon.

“O que estamos a ver é a morte de uma placa oceânica“, concluiu Hawley.

“De várias formas, quando estamos a olhar para estas coisas, estamos a olhar para trás no tempo”, disse a sismóloga Lara Wagner, do Carnegie Institution for Science, que não esteve envolvida no estudo, em declarações à National Geographic.

“Se não entendermos como é que estes processos funcionaram [no passado], onde podemos ver toda a história e estudá-la, então as nossas possibilidades de ver o que está a acontecer hoje e entender como é que isto pode evoluir no futuro são zero”.

Os resultados da investigação foram esta semana publicados na revista científica especializada Geophysical Research Letters.

ZAP //

Por ZAP
5 Agosto, 2019

 

637: As placas tectónicas foram essenciais para a vida na Terra

esparta / Flickr

O arrefecimento rápido no interior do manto da Terra através das placas tectónicas teve um papel fundamental no desenvolvimento das primeiras formas de vida e da oxigenação da atmosfera.

Cientistas das Universidades de Curtin e Adelaide, na Austrália, e da Universidade da Califórnia, Riverside, recolheram e analisaram dados sobre rochas ígneas de repositórios de dados geológicos e geo-químicos na Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Suécia e EUA, avança a Europa Press.

A equipa de investigadores descobriu que, durante os 4.500 milhões de anos de desenvolvimento da Terra, rochas ricas em fósforo se acumularam na crosta terrestre e, assim, perceberam a relação desta acumulação com a do oxigénio na atmosfera.

O fósforo é essencial para a vida tal como a conhecemos. Os fosfatos, que são compostos que contêm fósforo e oxigénio, fazem parte das redes tronco do ADN e ARN, assim como das membranas das células.

Para descobrir como os níveis do fósforo na crosta terrestre aumentaram com o tempo, os cientistas estudaram como se formou a rocha à medida que o manto da Terra arrefecia. Para isso, fizeram modelos para descobrir como as rochas derivadas do manto mudaram a composição como consequência do arrefecimento a longo prazo.

Os resultados do estudo, publicado em maio na Earth and Planetary Science Letters, sugerem que durante um período inicial e mais quente na história da Terra, isto é, entre 4.000 e 2.500 milhões de anos, havia uma maior quantidade de manto fundido. O fósforo estava demasiado diluído nas rochas.

No entanto, com o passar do tempo, a Terra arrefeceu o suficiente, auxiliada pelo aparecimento das placas tectónicas, fazendo com que a crosta exterior mais fria do planeta fosse subduzida de novo pelo manto mais quente. Com este arrefecimento, o manto parcial derreteu e ficou mais pequeno.

O fósforo concentrou-se e cristalizou num mineral chamado apatita, que se transformou em parte das rochas ígneas que se criaram a partir do manto frio. Eventualmente, escreve o mesmo site, estas rochas alcançaram a superfície da Terra e formaram uma grande proporção da crosta. Quando os minerais de fósforo derivados da crosta se misturaram com a água em lagos, rios e oceanos, a apatita descompôs-se em fosfatos, que ficaram disponíveis para o desenvolvimento e nutrição da vida primitiva.

Os cientistas estimaram então a mistura dos elementos da crosta terrestre com a água do mar ao longo do tempo e descobriram que os níveis mais altos dos elementos bio-essenciais são paralelos aos mais velhos aumentos da oxigenação da atmosfera terrestre: o Grande Evento de Oxigenação (GOE) há 2.400 milhões de anos e o Proterozoico, há 800 milhões, depois dos quais se supõem níveis de oxigénio suficientemente altos para suportar a vida multicelular.

Para entender como estas reacções afectaram os níveis de oxigénio na atmosfera durante um período de quatro mil milhões de anos, os investigadores mediram as quantidades de enxofre e ferro nas rochas ígneas, descobrindo que as diminuições destes elementos e o aumento do fósforo eram paralelos aos dois eventos falados acima.

“É intrigante pensar que o oxigénio de que dependemos deve a sua origem às diminuições seculares na temperatura do manto terrestre, que se acredita terem descido cerca de 1550ºC há uns três mil milhões de anos ao redor dos 1350ºC da actualidade”, afirma Peter Cawood, da Universidade Monash, em Melbourne, à Astrobiology Magazine.

“Poderia ocorrer um cenário semelhante num exoplaneta?”, questiona a Europa Press.

Grant Cox, investigador da Universidade de Adelaide e co-autor do estudo, diz que “esta relação (entre o aumento dos níveis de oxigénio e o arrefecimento do manto) tem implicações em qualquer planeta terrestre. Todos os planetas arrefeceram, e aqueles com convecção tectónica de placas eficiente ainda arrefeceram mais rapidamente”.

“Podemos concluir que a velocidade deste arrefecimento pode afectar a velocidade e o padrão da evolução biológica em qualquer planeta potencialmente habitável“.

ZAP //

Por ZAP
11 Junho, 2018

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