2914: Cientistas descobrem que as piranhas têm sempre dentes novos à espreita

CIÊNCIA

As piranhas perdem os seus dentes velhos em grupos, um lado da boca de cada vez, com novos dentes a crescer como substitutos simultaneamente.

De acordo com o Science Alert, uma nova investigação descobriu que os dentes novos das piranhas estão à espera em ‘criptas’ debaixo dos dentes velhos, permitindo que assumam instantaneamente o controlo assim que os outros caem.

Os investigadores que descobriram este fenómeno odontológico incomum — mas que acontece várias vezes na vida de uma piranha — dizem que pode ter evoluído das principais necessidades deste animal para se proteger contra a perda de dentes (e por estar sempre pronto para se alimentar).

Pesquisas anteriores já tinham mostrado que as piranhas perdiam os dentes de um lado da boca de cada vez, mas o mecanismo exacto de como estes eram substituídos continuava a ser um mistério. Até agora. O estudo foi publicado na revista Evolution & Development.

“Penso que, de certa forma, encontrámos uma solução para um problema óbvio, mas que ninguém havia articulado antes”, diz o biólogo Adam Summers, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.

“Os dentes formam uma bateria sólida que é trancada junta, e todos estão perdidos de uma só vez num lado do rosto. Os dentes novos usam os antigos como ‘chapéus’ até que estejam prontos para irromper. Por isso, as piranhas nunca ficam desdentadas, mesmo estando constantemente a substituir os dentes sem brilho por novos e afiados”.

Com uma dieta que pode ser capaz de mastigar carne, escamas, ossos e plantas, estes peixes não querem ficar sem um conjunto de dentes afiados — e este processo agora descoberto garante-lhes isso.

Ter os dentes entrelaçados provavelmente dá-lhes uma estabilidade extra ao mastigar, pois o stress espalha-se de forma mais uniforme. Porém, existe alguma variedade nos mecanismos de travamento usados por diferentes piranhas e pacus.

ZAP //

Por ZAP
27 Outubro, 2019

 

1175: “Piranha” da era dos dinossauros aterrorizou os mares do Jurássico

CIÊNCIA

M. Ebert and T. Nohl

Uma nova espécie de peixe, semelhante a uma piranha e que viveu há 150 milhões, no tempo dos dinossauros, é descrita na edição desta sexta-feira da revista científica Current Biology.

O peixe ósseo tinha dentes como uma piranha, pelo que os investigadores admitem que a espécie os usava como hoje usam as piranhas, para arrancar pedaços de carne de outros peixes, nota a publicação agora divulgada.

A ideia é sustentada, diz-se na revista, no facto de os investigadores terem encontrado as vítimas dessas “piranhas”, peixes que terão sido mordidos. As duas espécies foram encontradas nos mesmos depósitos de calcário do sul da Alemanha, na pedreira de Etting, na região de Solnhofen, na Baviera.

“Temos outros peixes do mesmo local com pedaços de barbatana em falta”, disse David Bellwood, da universidade australiana James Cook.

O investigador considerou haver um “paralelismo incrível” entre esse peixe e as actuais piranhas, que se alimentam predominantemente não de carne mas das barbatanas de outros peixes. “É uma decisão extremamente inteligente pois as barbatanas voltam a crescer, são um recurso renovável. Alimente-se de um peixe e ele está morto, morda-lhe as barbatanas e tem comida para o futuro”, diz David Bellwood.

Um estudo cuidadoso das bem preservadas mandíbulas da espécie fossilizada revelou dentes longos e pontiagudos, um osso formando o céu da boca, na frente das mandíbulas, e dentes triangulares com bordas em serrilha na mandíbula inferior.

O padrão e a forma do dente, a morfologia da mandíbula e a mecânica sugerem uma boca equipada para cortar carne ou barbatanas, segundo a equipa de investigadores.

“Ficámos impressionados que estes peixes tivessem dentes semelhantes a piranhas”, disse Martina Kolbl-Ebert, do museu de Eichstatt (também na Baviera), o Museu de História Natural onde estão expostos os fósseis do campo de Etting.

A responsável acrescentou que o peixe em questão provém de um grupo de peixes, os picnodontídeos, conhecidos por terem dentes fortes.

“É como encontrar uma ovelha que rosna como um lobo. Mas o que é mais impressionante é que era do período jurássico. Peixes como nós os conhecemos, peixes ósseos, simplesmente não mordiam a carne de outros peixes nessa altura” disse Martina Kolbl-Ebert, explicando que ao longo do tempo peixes houve que se alimentaram de outros peixes, que os engoliam inteiros, mas que morder as barbatanas só aconteceu muito mais recentemente.

“A nova descoberta representa o registo mais antigo de um peixe ósseo que mordia os outros peixes, e mais do que isso fazia-o no mar”, disse David Bellwood, lembrando que as piranhas de hoje vivem apenas em água doce.

Tal como nota o Gizmodo, não poderíamos esperar nada menos deste incrível e brutal período da história evolucionária que é o Jurássico.

ZAP // Lusa

Por ZAP
21 Outubro, 2018

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