2110: Humanos antigos testemunharam uma erupção vulcânica na Turquia (e desenharam-na numa rocha)

CIÊNCIA

Um grupo de investigadores internacionais determinou a antiguidade de pegadas pré-históricas encontradas numa camada de cinza anterior à erupção do vulcão Cakallar, localizado em Kula, na Turquia.

De acordo com o comunicado da Universidade de Curtin, na Austrália, cujos especialistas participaram no estudo, junto às “impressões de pés de Kula”, descobertas na década de 1960, foi ainda encontrada uma pintura rupestre que ilustrava a erupção.

Os estudos anteriores estimavam que as pegadas tinham cerca de 250 mil anos, o que sugeria que as testemunhas do fenómeno natural foram os neandertais da época do Plistoceno. Embora, a nova análise, que utilizou dois métodos diferentes – hélio radiogénico e a exposição ao cloro cosmogénico – mostrou que as pegadas eram muito mais jovens.

“As duas abordagens de datação independentes mostraram resultados internamente consistentes e juntos sugerem que a erupção vulcânica foi testemunhada pelo Homo sapiens durante a Idade do Bronze pré-histórica, há 4.700 anos e cerca de 245 mil anos mais tarde do que o originalmente relatado”. disse o investigador Martin Danisik.

O estudo, publicado na revista Quaternary Science Reviews, sugere que os humanos se aproximaram lentamente do vulcão com os seus cães após a primeira erupção, deixando as suas pegadas na camada húmida de cinzas. Quando a actividade vulcânica continuou, a rocha vulcânica enterrou as cinzas e preservou os trilhos.

Estudos anteriores sugeriram, de acordo com o Live Science, que estas pessoas antigas estavam a fugir da erupção. Mas, depois de examinar as distâncias entre os passos, parece que quem os deixou estava a andar a uma velocidade normal.

Além disso, os autores acreditam que os humanos observaram a erupção a uma distância segura, o que, muito provavelmente, torna o Homo sapiens os autores da pintura rupestre próxima.

Segundo Danisik, a pintura “mostra como os seres humanos há 4,7 mil anos eram capazes de retratar processos naturais como uma erupção vulcânica, na sua própria forma artística e com ferramentas e materiais limitados”.

Isto poderá fazer do Homo sapiens o primeiro vulcanólogo do mundo – ou seja, as primeira pessoas a observar e a registar erupções vulcânicas.

ZAP //

Por ZAP
4 Junho, 2019



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1260: Encontradas as pinturas rupestres mais antigas do mundo

CIÊNCIA

(dr) Pindi Setiawan

Cientistas encontraram na Indonésia as pinturas rupestres que já são consideradas as mais antigas do mundo. Esta descoberta pode mudar completamente a história da expressão artística.

Nas cavernas das montanhas na província de Kalimantan, na parte indonésia da ilha de Bornéu, foram encontradas gravuras rupestres que podem ser as primeiras representações no mundo feitas pelo Homem, segundo um relatório publicado esta quinta-feira na revista Nature.

Estas pinturas rupestres retratam animais parecidos com vacas e mãos, muitas mãos.

Os investigadores adiantam que as pinturas de Bornéu têm entre 40 e 50 mil anos e esta datação pode mudar muito do que até agora se pensava sobre essa primeira arte figurativa humana.

Em primeiro lugar, contradiz a ideia de que as primeiras representações de figuras de animais e humanas surgiram na Europa Ocidental. Afinal, a história é bem mais complexa do que se pensava.

Segundo o Diário de Notícias, estas pinturas rupestres eram já conhecidas na década de 1990, mas a sua datação rigorosa ainda não tinha sido possível, devido ao acesso extremamente difícil. Mas, agora, tudo mudou.

Uma equipa de investigadores indonésios e australianos, liderada por Maxime Aubert, da Universidade de Griffith, em Queensland, na Austrália, foi até lá e recolheu uma série de amostras dos diferentes locais onde existem pinturas. Foi então que os cientistas foram surpreendidos: a idade das mais antigas suplanta a das outras, que já eram conhecidas, nomeadamente as que existem em diferentes zonas da Europa Ocidental.

A equipa de Aubert recorreu a uma técnica de datação radiométrica dos depósitos de carbonatos de cálcio. “A pintura mais antiga que encontrámos na gruta representa um animal não identificado, provavelmente uma espécie bovina selvagem da floresta do Bornéu, que tem pelo menos 40 mil anos e que é agora a pintura figurativa mais antiga que se conhece”, explica o investigador.

(dr) Kinez Riza

Já no que diz respeito às representações das mãos, a datação mostra que têm no mínimo uma idade idêntica, podendo chegar os 52 mil anos. Estas pinturas fazem lembras as pinturas de crianças, que pintam o papel à volta das suas mãos.

Estas são, então, as pinturas mais antigas conhecidas, que destronam as suas congéneres europeias. O especialista Adhi Oktaviana, do instituto indonésio de arqueologia Arkenas, de Jacarta, afirma que “esta descoberta mostra como a história do surgimento da arte rupestre é mais complexa do que se supunha”.

Além disso, toda a história é envolta em mistério, devido ao muito que ainda não se conhece. Desde logo, desconhece-se os autores destas primeiras pinturas. “Quem eram e o que lhes aconteceu, é um mistério“, confessa Pindi Setiawan, um dos autores do estudo e cientista do Instituto de Tecnologia de Bandung, na Indonésia.

O único detalhe que parece estar claro é que esta manifestação artística surgiu numa época em que o Bornéu era o extremo leste do grande continente da Eurásia, uma vez que aquele território ainda estava ligado na época ao grande continente.

“O que agora se percebe é que estas manifestações de arte surgiram paralelamente, e mais ou menos na mesma altura, nos dois pontos extremos da Eurásia do Paleolítico, ou seja na zona da Europa Ocidental e nesta região da Indonésia“, explica o arqueólogo Adam Brumm, coautor do estudo.

Além destas, as grutas do Bornéu escondem ainda outras representações, ainda que mais tardias, que datam de há cerca de 20 mil anos. Para os cientistas, aquele rede de grutas serviu de uma espécie de tela de sucessivas gerações desde os primeiros artistas humanos.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
9 Novembro, 2018

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