2762: Novas gravuras rupestres descobertas junto ao rio Zêzere

CIÊNCIA

Pedro Dias / Flickr
Rio Zêzere

Um novo conjunto de gravuras rupestres foi descoberto no Poço do Caldeirão, junto ao rio Zêzere, na freguesia da Barroca, concelho do Fundão, distrito de Castelo Branco, disse à Lusa o director do Museu Arqueológico local, Pedro Salvado.

“Estamos a falar de um conjunto de novas gravuras que representam a cabeça de um cavalo, um caprino e figuras geométricas, e que estão enquadradas num complexo gráfico que remonta à pré-história. Aparentemente, são do período do Paleolítico Superior, mas esse estudo terá de ser aprofundado”, apontou Pedro Salvado.

Estas gravuras foram recentemente identificadas por uma equipa do Museu Arqueológico Municipal José Alves Monteiro, no âmbito de trabalhos de monitorização, e estão na mesma zona onde já se tinham descoberto outras gravuras, em 2003.

O conjunto agora identificado conta com diferentes figuras, sendo que uma dela desperta mais atenção pela conservação da rocha e pela nitidez da imagem, que representa um caprino.

“Também é uma rocha que está muito próxima da linha de água e que confirma a importância que o rio sempre teve nas comunidades, sendo que estamos perante um conjunto de mensagens milenares que confirma a importância daquele sítio fabuloso, que é o Poço do Caldeirão, que continua a comunicar e que está muito longe de estar esgotado do ponto de vista do estudo”, acrescentou.

Depois de identificadas as rochas, o Museu Arqueológico deu a conhecer as imagens a especialistas, designadamente a Primitiva Bueno e Rodrigo de Balbín, catedráticos de pré-história na Universidade de Alcalá (Madrid, Espanha), que, numa primeira abordagem, confirmaram a importância do achado por abrir a porta a “uma sequência completa do Paleolítico Superior” naquela região.

Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara do Fundão, Paulo Fernandes, garantiu que esse trabalho científico será “seguramente” realizado, até no âmbito da recém-criada Rede Nacional de Arte Pré-Histórica, promovida pelo Museu do Côa e da qual o Fundão é membro fundador.

Paulo Fernandes destacou ainda a relevância do achado e lembrou que, após as primeiras descobertas, o município apostou num programa de visitação e da criação de um espaço interpretativo, investimento que pretende agora intensificar de modo a incluir as novas figuras, quer nos programas, quer nos conteúdos do espaço.

São descobertas muito importantes que consolidam aquilo que é um lugar arqueológico de primeira linha e o que nos torna um ponto incontornável daquilo que são as rotas da arte pré-histórica em Portugal”, apontou.

Descobertas novas gravuras rupestres no Vale do Côa. E são uma surpresa

Uma equipa de arqueólogos colocou a descoberto uma nova rocha com gravuras rupestres, no sítio da Penascosa, no Parque Arqueológico…

ZAP // Lusa

Por Lusa
3 Outubro, 2019

 

2110: Humanos antigos testemunharam uma erupção vulcânica na Turquia (e desenharam-na numa rocha)

CIÊNCIA

Um grupo de investigadores internacionais determinou a antiguidade de pegadas pré-históricas encontradas numa camada de cinza anterior à erupção do vulcão Cakallar, localizado em Kula, na Turquia.

De acordo com o comunicado da Universidade de Curtin, na Austrália, cujos especialistas participaram no estudo, junto às “impressões de pés de Kula”, descobertas na década de 1960, foi ainda encontrada uma pintura rupestre que ilustrava a erupção.

Os estudos anteriores estimavam que as pegadas tinham cerca de 250 mil anos, o que sugeria que as testemunhas do fenómeno natural foram os neandertais da época do Plistoceno. Embora, a nova análise, que utilizou dois métodos diferentes – hélio radiogénico e a exposição ao cloro cosmogénico – mostrou que as pegadas eram muito mais jovens.

“As duas abordagens de datação independentes mostraram resultados internamente consistentes e juntos sugerem que a erupção vulcânica foi testemunhada pelo Homo sapiens durante a Idade do Bronze pré-histórica, há 4.700 anos e cerca de 245 mil anos mais tarde do que o originalmente relatado”. disse o investigador Martin Danisik.

O estudo, publicado na revista Quaternary Science Reviews, sugere que os humanos se aproximaram lentamente do vulcão com os seus cães após a primeira erupção, deixando as suas pegadas na camada húmida de cinzas. Quando a actividade vulcânica continuou, a rocha vulcânica enterrou as cinzas e preservou os trilhos.

Estudos anteriores sugeriram, de acordo com o Live Science, que estas pessoas antigas estavam a fugir da erupção. Mas, depois de examinar as distâncias entre os passos, parece que quem os deixou estava a andar a uma velocidade normal.

Além disso, os autores acreditam que os humanos observaram a erupção a uma distância segura, o que, muito provavelmente, torna o Homo sapiens os autores da pintura rupestre próxima.

Segundo Danisik, a pintura “mostra como os seres humanos há 4,7 mil anos eram capazes de retratar processos naturais como uma erupção vulcânica, na sua própria forma artística e com ferramentas e materiais limitados”.

Isto poderá fazer do Homo sapiens o primeiro vulcanólogo do mundo – ou seja, as primeira pessoas a observar e a registar erupções vulcânicas.

ZAP //

Por ZAP
4 Junho, 2019



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1260: Encontradas as pinturas rupestres mais antigas do mundo

CIÊNCIA

(dr) Pindi Setiawan

Cientistas encontraram na Indonésia as pinturas rupestres que já são consideradas as mais antigas do mundo. Esta descoberta pode mudar completamente a história da expressão artística.

Nas cavernas das montanhas na província de Kalimantan, na parte indonésia da ilha de Bornéu, foram encontradas gravuras rupestres que podem ser as primeiras representações no mundo feitas pelo Homem, segundo um relatório publicado esta quinta-feira na revista Nature.

Estas pinturas rupestres retratam animais parecidos com vacas e mãos, muitas mãos.

Os investigadores adiantam que as pinturas de Bornéu têm entre 40 e 50 mil anos e esta datação pode mudar muito do que até agora se pensava sobre essa primeira arte figurativa humana.

Em primeiro lugar, contradiz a ideia de que as primeiras representações de figuras de animais e humanas surgiram na Europa Ocidental. Afinal, a história é bem mais complexa do que se pensava.

Segundo o Diário de Notícias, estas pinturas rupestres eram já conhecidas na década de 1990, mas a sua datação rigorosa ainda não tinha sido possível, devido ao acesso extremamente difícil. Mas, agora, tudo mudou.

Uma equipa de investigadores indonésios e australianos, liderada por Maxime Aubert, da Universidade de Griffith, em Queensland, na Austrália, foi até lá e recolheu uma série de amostras dos diferentes locais onde existem pinturas. Foi então que os cientistas foram surpreendidos: a idade das mais antigas suplanta a das outras, que já eram conhecidas, nomeadamente as que existem em diferentes zonas da Europa Ocidental.

A equipa de Aubert recorreu a uma técnica de datação radiométrica dos depósitos de carbonatos de cálcio. “A pintura mais antiga que encontrámos na gruta representa um animal não identificado, provavelmente uma espécie bovina selvagem da floresta do Bornéu, que tem pelo menos 40 mil anos e que é agora a pintura figurativa mais antiga que se conhece”, explica o investigador.

(dr) Kinez Riza

Já no que diz respeito às representações das mãos, a datação mostra que têm no mínimo uma idade idêntica, podendo chegar os 52 mil anos. Estas pinturas fazem lembras as pinturas de crianças, que pintam o papel à volta das suas mãos.

Estas são, então, as pinturas mais antigas conhecidas, que destronam as suas congéneres europeias. O especialista Adhi Oktaviana, do instituto indonésio de arqueologia Arkenas, de Jacarta, afirma que “esta descoberta mostra como a história do surgimento da arte rupestre é mais complexa do que se supunha”.

Além disso, toda a história é envolta em mistério, devido ao muito que ainda não se conhece. Desde logo, desconhece-se os autores destas primeiras pinturas. “Quem eram e o que lhes aconteceu, é um mistério“, confessa Pindi Setiawan, um dos autores do estudo e cientista do Instituto de Tecnologia de Bandung, na Indonésia.

O único detalhe que parece estar claro é que esta manifestação artística surgiu numa época em que o Bornéu era o extremo leste do grande continente da Eurásia, uma vez que aquele território ainda estava ligado na época ao grande continente.

“O que agora se percebe é que estas manifestações de arte surgiram paralelamente, e mais ou menos na mesma altura, nos dois pontos extremos da Eurásia do Paleolítico, ou seja na zona da Europa Ocidental e nesta região da Indonésia“, explica o arqueólogo Adam Brumm, coautor do estudo.

Além destas, as grutas do Bornéu escondem ainda outras representações, ainda que mais tardias, que datam de há cerca de 20 mil anos. Para os cientistas, aquele rede de grutas serviu de uma espécie de tela de sucessivas gerações desde os primeiros artistas humanos.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
9 Novembro, 2018

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