2763: Micro-plásticos detestados pela primeira vez em pinguins da Antárctida

CIÊNCIA

slobirdr / Flickr

A poluição por micro-plásticos já chegou à Antárctida, de acordo com um estudo da Universidade de Coimbra (UC) publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature.

Uma equipa de investigadores do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC) “encontrou, pela primeira vez, micro-plásticos em pinguins da Antárctida, confirmando que este tipo de poluição já entrou na cadeia alimentar marinha”, foi hoje anunciado.

“Ao analisarem a dieta de pinguins ‘gentoo Pygocelis papua’ em duas regiões da Antárctida, os investigadores observaram que 20% das 80 amostras de fezes das aves continham micro-plásticos”, afirma a FCTUC numa nota enviada hoje à agência Lusa.

As partículas de plástico, com comprimento inferior a cinco milímetros, têm “diversas tipologias, formas e cores, o que indica uma grande variedade de possíveis fontes destes micro-plásticos”, acrescenta.

“A poluição marinha por plásticos é reconhecidamente uma ameaça aos oceanos em todo o mundo, mas só recentemente tem havido um aumento do esforço científico sobre micro-plásticos”, sublinha a FCTUC.

“Em zonas mais remotas do planeta, como a Antárctida, esperava-se que a presença de micro-plásticos fosse muito reduzida, embora estudos recentes já tenham encontrado micro-plásticos em sedimentos e nas águas do Oceano Antárctico”, destaca a Faculdade.

Para Filipa Bessa, autora principal do artigo, “é alarmante que micro-plásticos já tenham chegado à Antárctida”. Este estudo é “o primeiro a registar micro-plásticos em pinguins e na cadeia alimentar marinha Antárctica”, refere a investigadora, citada pela FCTUC.

“A variedade de micro-plásticos encontrados nos pinguins poderá indicar diferentes fontes de poluição, indiciando uma difícil solução para este problema”, sublinha ainda Filipa Bessa.

José Xavier, autor sénior do artigo, afirma, por seu lado, que “este estudo vem na altura certa, pois os micro-plásticos podem causar efeitos tóxicos nos animais marinhos e nada se sabe sobre o que eles poderão provocar nos animais da região Antárctica”.

Por isso, conclui o docente do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC, “esta descoberta é de muita importância para desenvolver novas medidas para reduzir a poluição na Antárctida, particularmente relacionada com plásticos, podendo servir de exemplo para outras regiões do mundo”.

ZAP // Lusa

Por Lusa
3 Outubro, 2019

 

1884: Milhares de pinguins bebés morrem afogados na Antárctida

Colónia de pinguins imperador de Halley Bay desapareceu quase de um dia para o outro depois de a plataforma de gelo se partir. As consequências do degelo já estão a afectar uma espécie ameaçada de extinção.

Cientistas estimam que até ao final do século a população de pinguins imperador reduza drasticamente.
© REUTERS/Martin Passingham

Milhares de filhotes de pinguins imperador morreram afogados quando a plataforma de gelo onde estavam a ser criados, na Antárctida, se partiu. A catástrofe, que afecta uma espécie em vias de extinção, aconteceu em 2016 e foi agora revelada na revista Antarctic Science por uma equipa da British Antarctic Survey (BAS).

Os investigadores Peter Fretwell e Phil Trathan dizem que, para agravar a situação, as aves adultas não dão sinais de se reproduzirem e repor a população.

Foi através de imagens de satélite que a equipa de investigadores deu pelo desaparecimento dramático dos pinguins bebés – é possível ver os excrementos dos animais no branco do gelo a mais de 800 quilómetros.

O resultado desta catástrofe que atingiu a colónia de Halley Bay é que a população de pinguins imperador, que durante décadas esteve estabilizada numa média entre 14 mil e 25 mil casais (cerca de 5-9% da população global), desapareceu de um dia para o outro.

Os pinguins imperador pertencem a uma espécie de pinguins mais alta e pesada. Estes animais precisam de blocos de gelo seguros para se reproduzir – a plataforma gelada deve persistir, pelo menos, a partir de Abril (quando as aves chegam) até Dezembro (quando os seus filhotes deixam o ninho).

Se o gelo se quebrar mais cedo, os pinguins bebés não terão tempo para lhes crescerem as penas e começarem a nadar, logo acabam por morrer afogados – o que terá acontecido em 2016.

“O gelo marinho formado desde 2016 não tem sido tão forte. Os eventos de tempestade que ocorrerem em Outubro e Novembro agora vão acabar cedo. Portanto, houve algum tipo de mudança no sistema que anteriormente era estável e confiável e agora é apenas insustentável.”, disse Fretwell à BBC.

A equipa British Antarctic Survey acredita que muitos pinguins adultos evitaram reproduzir-se nestes últimos três anos ou então mudaram-se para novas zonas de criação no Mar de Wenddell. Uma convicção que ganha mais força quando uma das colónias a cerca de 50 Km de distância, próximo do Glaciar Dawson-Lambton, aumentou.

Os cientistas não conseguiram chegar às razões pelas quais a borda da Plataforma de Brunt não se regenerou, sobretudo porque, dizem, não houve alterações significativas em termos oceânicos e atmosféricos. Mas alertam que ao registarem-se alterações na regeneração do gelo marinho, isso é um sinal do impacto que o aquecimento da Antárctida poderá ter nos pinguins imperadores.

Um cenário assustador

Vários estudos alertam para os riscos de extinção da espécie: se o gelo derreter conforme está previsto, 50 a 70 por cento da população global de pinguins imperador podem desaparecer até 2100; há investigações que referem que até ao final deste século, 45 colónias poderão extinguir-se; outros estudos estimam uma redução de seis mil para 400 casais.

As alterações climáticas e o degelo daí decorrente são a grande ameaça à continuidade da espécie e não a cadeia alimentar.

Cientistas sugerem que uma forma de tornar o cenário menos assustador passaria por medidas provisórias como a criação de novas áreas de protecção onde os animais pudessem permanecer para capturar alimentos. Mas a solução seria mesmo diminuir a emissão de gases com efeito de estufa.

Diário de Notícias
DN
25 Abril 2019 — 13:39

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1421: Super-colónia com 1,5 milhões de pinguins esteve 3 mil anos escondida na Antárctida

CIÊNCIA

Mary Bomford / Flickr
A população de pinguins esteve “escondida” da vista humana durante milhares de anos

Uma equipa de cientistas descobriu uma super-colónia de pinguins-de-adélia (Pygoscelis adeliae) com mais de 1,5 milhões de espécimes nas remotas Ilhas Danger, no ponto mais a norte da península da Antárctida.  

A nova investigação, que foi apresentada no passado dia 11 de Dezembro num encontro da União de Geofísica dos Estados Unidos, descobriu que a enorme colónia permaneceu escondida da vista humana durante 2.800 anos, aponta o portal Live Science.

Em Março passado, os cientistas davam já conta da descoberta através de um artigo publicado na revista Scientific Reports, notando que a população era muito maior do que imaginavam. Agora, descobriram outro dado curioso: a população escondeu-se durante anos dos olhos do Homem.

A colónia foi descoberta graças a imagens de satélite, nas quais os cientistas detectaram manchas de fezes destas aves. De acordo com os relatos dos média internacionais, os cientistas tinham como objectivo de conduzir pesquisas sobre esta espécie e, para isso, decidiram recorrer a imagens de satélite capturadas do continente.

As imagens foram capturadas do programa de satélites Landsat, uma iniciativa da agência espacial americana em parceria com os Serviços Geológicos dos Estados Unidos (USGS), lançada no início dos 1970 e em curso até aos dias de hoje.

“Achávamos que sabíamos onde estavam todas as colónias”, disse Heather Lynch, ecologistas da Universidade norte-americana Stony Brook.

A pesquisa contou com a colaboração de cientistas da NASA que desenvolveram um algoritmo de detecção automática, que se revelou crucial para evidenciar que as Ilhas Danger estavam cobertas de excrementos. Os cientistas ficaram surpresos com a descoberta, nota a BBC.

Uma das imagens captada através de satélites

Os cientistas explicaram que este conjunto de ilhas é de difícil acesso, uma vez que está “quase sempre coberto por uma camada de gelo marinho que impede os censos regulares que são realizados na área”.

Apesar das dificuldades, os cientistas viajaram até ao local, onde contaram com a ajuda de drones para mapear a população dos pinguins nunca antes descrita. Segundo o ecologista, esta área “é tão pequena que, na maioria dos mapas da Antárctida, nem aparece”, contudo, disse, neste local vivem mais exemplares desta espécie do que em todo o continente.

Apesar de os 1,5 milhões ser um número bastante expressivo, os cientistas acreditam que a presença dos pinguins-de-adélia foi muito mais expressiva no passando, tendo vindo a diminuir nas últimas décadas devido às alterações climáticas.

“Agora que descobrimos este ‘ponto quente’ de abundância de pinguins-de-adélia nas ilhas de Danger, queremos ser capazes de protegê-los, o que significa tentar entender por que mas populações podem ter mudado”, disse Lynch.

Peter Fretwell, da equipa britânica de investigação na Antárctida, realçou ainda a importância de aliar as novas tecnologias à exploração destes locais de acesso remoto.

“Satélites modernos são ferramentas fantásticas para explorar e estudar estes locais de difícil acesso. Tenho certeza que muitas outras descobertas serão feitas usando estes nossos ‘olhos no céu’”, concluiu.

ZAP //

Por ZAP
16 Dezembro, 2018

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