4156: Moradores das Maurícias estão a cortar o próprio cabelo para ajudar a evitar um desastre ambiental

CIÊNCIA/DESASTRES ECOLÓGICOS

Pierre Dalais / EPA

Moradores das Maurícias estão a cortar o seu próprio cabelo para para tentar minimizar os danos causados pelo derrame de petróleo de um navio japonês encalhado nos recifes de coral ao largo da ilha.

Estima-se que uma tonelada de petróleo da carga de um navio japonês de quatro toneladas já tenha escapado para o mar, segundo as autoridades.

O país declarou estado de emergência e em causa pode estar um desastre ecológico.

Enquanto o Governo tenta obter ajuda internacional, os moradores tentam ajudar de outra forma: estão a criar barreiras caseiras para conter o petróleo, usando palha, folhas de cana-de-açúcar E cabelos humanos que são depois colocados em sacos de tecido.

“Os cidadãos estão a construir quilómetros de barreiras flutuantes para conter o derrame de petróleo (…) estamos a fazê-lo com folhas de cana-de-açúcar, mas também com cabelo, uma vez que o cabelo é um óptimo absorvente de petróleo“, disse à BBC Joanna Berenger, parlamentar das Maurícias, que cortou o seu cabelo para ajudar.

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Bethan Govier
@Bethan_Govier
Fellow warden currently on the mainland sent this through. Free haircuts at the local mall to collect hair to help absorb some of the #oilspill in #mauritius. The official response may have been severely lacking but the community are coming together and it’s fantastic.

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Na verdade, o cabelo é uma ferramenta perfeita para ajudar a conter um derrame de petróleo, uma vez que é lipofílico, isto é, repele a água, mas é capaz de se ligar a qualquer outro composto feito a partir de petróleo ou outro óleo, sendo por isso útil na separação entre os dois – na prática, tem afinidade química com as gorduras.

Segundo Berenger, um quilograma de cabelo pode absorver 8 litros de petróleo.

Ao longo dos anos, vários cientistas sugeriram já utilizar cabelo, seja este de origem humana ou animal, para absorver derrames de petróleo, recorda o IFL Science.

Um estudo da NASA publicado no final da década de 1990 concluiu que 11.340 quilogramas de cabelo podem ser suficientes para absorver 170.000 barris de petróleo derramado e que um barril pode ser absorvido em menos de um minuto.

Os moradores locais estão agora a ser incentivos a cortar e a doar os seus cabelos à causa, havendo salões de cabeleireiro a oferecer os cortes de cabelo a quem quiser participar na iniciativa. França, antiga governante colonial da ilha, também se juntou à causa e prevê fazer chegar às Maurícias 20 toneladas de cabelo.

O primeiro-ministro, Pravind Jugnauth, declarou o estado de emergência e apelou à ajuda internacional, adiantando que o derrame “representa um perigo” para o país de 1,3 milhões de pessoas, que depende fortemente do turismo e foi já fortemente prejudicado pelas restrições de viagem causadas pela pandemia de covid-19.

Maurícias numa corrida contra o tempo para evitar desastre ambiental

Milhares de estudantes, activistas ambientais e residentes das Maurícias continuam a trabalhar para tentar minimizar os danos causados pelo derrame…

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ZAP //

Por ZAP
12 Agosto, 2020

 

 

4137: Maurícias numa corrida contra o tempo para evitar desastre ambiental

CIÊNCIA/DESASTRE AMBIENTAL

Pierre Dalais / EPA

Milhares de estudantes, activistas ambientais e residentes das Maurícias continuam a trabalhar para tentar minimizar os danos causados pelo derrame de petróleo de um navio encalhado nos recifes de coral ao largo da ilha.

Estima-se que uma tonelada de petróleo da carga de um navio japonês de quatro toneladas já tenha escapado para o mar, segundo as autoridades.

Os trabalhadores estavam a tentar impedir mais fugas de petróleo, mas com os ventos fortes e o mar agitado, registaram-se, este domingo, novas fissuras no casco do navio.

O primeiro-ministro, Pravind Jugnauth, declarou o estado de emergência e apelou à ajuda internacional, adiantando que o derrame “representa um perigo” para o país de 1,3 milhões de pessoas, que depende fortemente do turismo e foi já fortemente prejudicado pelas restrições de viagem causadas pela pandemia de covid-19.

“Esta é a primeira vez que enfrentamos uma catástrofe deste tipo e não estamos suficientemente equipados para lidar com este problema”, disse também Sudheer Maudhoo, o ministro da Pesca do país ao New York Times, citado pelo site Live Science.

Imagens de satélite mostram uma mancha escura a alastrar nas águas turquesa perto de zonas húmidas classificadas de “muito sensíveis” do ponto de vista ambiental.

Defensores da vida selvagem e voluntários transportaram, entretanto, dezenas de tartarugas bebé e plantas raras de uma ilha perto do derrame para a ilha Maurícia, a maior do país.

“Isto já não é uma ameaça para o nosso ambiente, é um desastre ecológico completo que afectou uma das partes mais importantes das ilhas Maurícias, a Lagoa de Mahebourg”, disse Sunil Dowarkasing, um consultor ambiental e antigo membro do Parlamento.

“O povo das Maurícias, milhares e milhares, têm estado a tentar evitar tantos danos quanto possível”, disse Dowarkasing.

De acordo com este responsável, foram criadas longas jangadas flutuantes para tentar abrandar a propagação do petróleo. Estão também a ser usadas faixas de tecido cheia com folhas e palha de cana de açúcar e mantidas a flutuar com garrafas de plástico. Estudantes universitários e membros de clubes locais estão entre os voluntários.

Estamos a trabalhar a todo o vapor. É um grande desafio, porque o petróleo não está apenas a flutuar na lagoa, está já a espalhar-se para a margem”, disse Dowarkasing, adiantando que os ventos constantes e as ondas espalharam o combustível pelo lado oriental da ilha. “Nunca vimos nada assim nas Maurícias” acrescentou.

A lagoa é uma área protegida, criada há vários anos para preservar uma zona da ilha Maurícia como há 200 anos.

“Os recifes de coral tinham começado a regenerar-se e a lagoa estava a recuperar os seus jardins de coral”, disse Dowarkasing. “Agora tudo isto pode ser novamente morto pelo derrame de petróleo”, acrescentou.

Residentes e ambientalistas questionam por que razão as autoridades não agiram mais rapidamente após o navio, o MV Wakashio, encalhar num recife de coral a 25 de Julho.

Essa é a grande questão“, disse Jean Hugues Gardenne, da Fundação Mauritian Wildlife Foundation. “Porque é que aquele navio estava há tanto tempo naquele recife de coral e nada foi feito”, insistiu.

No Japão, responsáveis da empresa proprietária do navio, a Nagashiki Shipping, e do operador do navio, Mitsui O.S.K. Lines, pediram desculpa pela fuga de petróleo.

Na sua primeira conferência de imprensa desde que o navio encalhou há duas semanas, os responsáveis disseram ter enviado peritos às Maurícias para se juntarem ao esforço de limpeza.

Os dirigentes adiantaram que o Wakashio deixou a China a 14 de Julho e estava a caminho do Brasil. O navio estava a cerca de uma milha da costa sudeste da Maurícia quando encalhou, embora fosse suposto estar a 10 a 20 milhas (16 a 32 quilómetros) de distância da ilha, estando em investigação a razão pela qual o navio se desviou da rota. Depois de o navio ter encalhado, a tripulação foi evacuada com segurança.

ZAP // Lusa

Por ZAP
10 Agosto, 2020

 

 

3200: A sede do petróleo está a levar os povos indígenas do Equador à extinção

AMBIENTE

Os povos indígenas do Equador estão sob ameaça dos interesses do território em que habitam. Quase metade das reservas equatorianas de petróleo estão debaixo do Parque Nacional Yasuní.

Os interesses dos políticos e dos grandes magnatas é uma força sobrenatural, capaz de derrubar qualquer boa intenção que por vezes possa surgir. Esse é o caso do Parque Nacional Yasuní, no Equador, que tinha como intenção inicial proteger o ambiente e os direitos dos povos indígenas.

Com mais de 10 mil quilómetros quadrados de área, o parque é rico em biodiversidade, mas é também casa para duas tribo indígenas: Tagaeri e Taromenane. Estes dois povos resistiram a todas as tentativas de os integrar na sociedade moderna, mas atravessam agora um desafio como outro nunca antes enfrentado.

O Parque Nacional Yasuní fica por cima de grandes depósitos de petróleo, que segundo o OZY, constituem cerca de 40% das reservas do Equador. Texaco, Petroamazonas, Repsol, Agip e Sinopec são as empresas que constituem o oligopólio que faz a exploração petrolífera em (e ao redor) de Yasuní.

Em 2007, o Governo equatoriano mostrou-se disposto a não avançar com a exploração do petróleo na zona leste do parque. Em troca, pedia 3,6 mil milhões de dólares à comunidade internacional para compensar pelas perdas.

Todos pareciam contentes com a proposta, mas os países que iam doar o dinheiro queriam saber em que é que ele ia ser usado. O então presidente equatoriano, Rafael Correa, recusou-se a responder, alegando que não lhes dizia respeito. Seis anos depois, o plano falhou e os países desistiram da ideia de “indemnizar” o Equador.

Em teoria, o plano tinha tudo para resultar, mas os interesses económicos acabaram por prevalecer. Como consequência, Correa deu luz verde às petrolíferas para começarem a exploração em Yasuní.

Em Fevereiro do ano passado, já com o actual presidente Lenín Moreno no cargo, os equatorianos foram convidados a votar num referendo. Este dava-lhes a hipótese de escolher se queriam aumentar a área de Yasuní que ficaria fora dos limites das petrolíferas, impedindo-as de continuar a explorar esse espaço. Dois terços votaram a favor.

No entanto, paralelamente, o Governo aprovou novos planos para aumentar a exploração em outras zonas de Yasuní. “Isto é uma farsa”, acusou Belén Paez, director da organização ambiental Fundação Pachamama.

Mas nem tudo é um pesadelo e as comunidades indígenas equatorianas conseguiram algumas vitórias contra a indústria petrolífera.

Os Waorani venceram um processo apresentado contra o Estado do Equador por não terem sido consultados antes de perfurarem as suas terras ancestrais. Esta foi uma decisão histórica, já que pode abrir precedentes para outros casos. “O petróleo é um mineral e sustenta o equilíbrio da Terra. Abaixo dele, os espíritos vivem. A terra tem vida”, disse Manari Ushigua, líder dos Sápara.

ZAP //

Por ZAP
15 Dezembro, 2019