1345: Petroglifos antigos revelam mapas estelares dos humanos pré-históricos

CIÊNCIA

Alistair Coombs

Algumas dos mais antigos petroglifos do Mundo revelam que os humanos pré-históricos tinham conhecimentos relativamente avançados sobre astronomia.

As obras de arte, em locais de toda a Europa, não são apenas representações de animais selvagens, como se pensava anteriormente. Em vez disso, os símbolos animais representam constelações estelares no céu nocturno e são usados ​​para representar datas e marcar eventos como chuvas de meteoros.

Estas pinturas revelam que, talvez há 40 mil anos, os humanos controlavam o tempo, usando o conhecimento de como a posição das estrelas lentamente muda ao longo de milhares de anos.

As descobertas, publicadas a 2 de Novembro na revista Athens Journal of History, sugerem que os povos antigos entendiam o efeito causado pela mudança gradual do eixo rotacional da Terra. O crédito da descoberta desse fenómeno, chamada de precessão axial, foi anteriormente dado aos antigos gregos.

A arte rupestre indica que as percepções astronómicas dos povos antigos eram muito maiores do que se acreditava. O seu conhecimento pode ter ajudado a navegação em mar aberto, o que poderá ter implicações na compreensão actual da migração humana pré-histórica.

Investigadores das Universidades de Edimburgo e Kent estudaram detalhes da arte paleolítica e neolítica com símbolos de animais em locais na Turquia, Espanha, França e Alemanha. Em todos os locais notaram que o mesmo método de manutenção de dados era sempre o mesmo: baseado em astronomia sofisticada. Isto é relevante uma vez que a arte aparece separada no tempo por dezenas de milhares de anos.

Os arqueólogos clarificaram descobertas anteriores de um estudo de esculturas de pedra num desses locais – Gobekli Tepe na Turquia moderna – que é interpretado como um memorial a um devastador ataque de meteoros por volta de 11 mil a.C. Acreditava-se que este fenómeno tenha iniciado uma pequena era do gelo conhecida como o período Younger Dryas.

Também descodificaram o que provavelmente é a mais antiga obra de arte conhecida – a cena de Lascaux em França. A pintura, que mostra um homem a morrer e vários animais, pode homenagear outro ataque de cometas por volta de 15.200 a.C.

A equipa de investigação confirmou as suas descobertas ao comparar a idade de muitos exemplos de arte rupestre – conhecidos a partir da datação química das tintas usadas – com as posições das estrelas nos tempos antigos, como previsto por softwares sofisticados.

Para os autores, estas descobertas suportam a teoria de múltiplos impactos de meteoros durante o desenvolvimento humano na Terra e irá, provavelmente, revolucionar a forma como as populações pré-históricas são vistas.

ZAP // EurekAlert!

Por ZAP
29 Novembro, 2018

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1097: Marcas pré-históricas indiciam a existência de uma civilização perdida na Índia

CIÊNCIA

Marathi Mayuresh Konnur / BBC
Entre as marcas encontradas, há figuras de tubarões, aves, rinocerontes e hipopótamos

Uma equipa de arqueólogos encontrou gravuras rupestres pré-históricas no estado de Maharashtra, no oeste da Índia. De acordo com os cientistas, estes achados podem evidenciar uma antiga civilização até agora desconhecida.  

De acordo com a BBC, foram descobertas milhares destas gravuras rupestres – conhecidas como petróglifos – na região de Konkan, no estado indiano de Maharashtra.

As marcas pré-históricas, maioritariamente encontradas nas cidades de Ratnagiri e Rajapur, estavam gravadas em colinas rochosas e planas, tendo passado despercebidas durante milhares de anos.

Os cientistas ficaram surpreendidos com a diversidade de gravuras encontradas, que vão desde animais, pássaros, figuras humanas e até desenhos geométricos. Grande parte das figuras estava escondida sob camadas de terra e lama, mas também havia algumas a céu aberto – estas eram consideradas sagradas, sendo pelos habitantes da região.

No entanto, a variedade das esculturas não foi o que mais surpreendeu os arqueólogos. A forma como os petróglifos foram desenhados e a sua semelhança como os demais já encontrados noutras partes do mundo levam os cientistas a acreditar que as marcas foram criadas durante o período pré-histórico e são, possivelmente, dos mais antigos até agora encontrados.

“A nossa primeira dedução após analisar estes petróglifos aponta que estes tenham sido criados por volta de 10.000 a.C”, disse o director do departamento de arqueologia do estado de Maharashtra, Texas Garge, em declarações à BBC.

Com a ajuda dos habitantes e anciãos locais, os arqueólogos encontraram petróglifos em cerca de 52 vilas da região – mas apenas cinco destas sabiam da sua existência.

Evidências de uma sociedade de caçadores-colectores

De acordo com Garge, as imagens evidenciam ter sido desenhadas por uma comunidade de caçadores-colectores que ainda não estava familiarizada com a agricultura. “Nós não encontramos imagens de actividades agrícolas, mas as marcas mostram animais caçados e há uma descrição bastante detalhadas das suas formas”, sustentou.

Shrikant Pradhan, investigador e historiador de arte da Faculdade Deccan de Pune, na Índia, estudou os petróglifos e disse que as figuras eram claramente inspiradas em actividades observadas na época.

“A maioria dos petróglifos mostra animais domésticos, mas há também imagens de tubarões e baleias, bem como anfíbios e tartarugas”, acrescenta Garge.

No entanto, os petróglifos recém-descobertos levantam questões ainda mais intrigantes para os arqueólogos. Os especialistas indagam por que motivo as gravuras retratam animais como hipopótamos e rinocerontes que não se encontram nesta região da Índia. A comunidade que as criou terá migrado da África para a Índia? Ou será que estes animais já habitaram a Índia?

As marcas, que passaram despercebidas durante milénios, continuam a intrigar os cientistas. Para resolver o mistério, o governo da Índia reservou um fundo de 3,2 milhões de euros para continuar a estudar os cerca de 400 petróglifos encontrados.

ZAP // BBC

Por ZAP
3 Outubro, 2018

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