1482: Há uma nova ferramenta (online) para manter a vida alienígena debaixo de olho

SETI

Pela primeira vez, uma nova ferramenta na Internet permite acompanhar e actualizar todas as pesquisas de inteligência artificial não terrestre (SETI) realizadas pela comunidade científica desde 1960. 

Um pouco por todo o mundo, correm investigações que procuram vida alienígena e, por vezes, torna-se difícil acompanhar todos os avanços alcançados.

Foi com isto em mente que Jill Tarter, pioneira neste campo de investigação e co-fundadora do Instituto SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence), lançou o Technosearch, uma nova ferramenta disponível na Internet que compila todas as pesquisas do SETI publicadas nas últimas seis décadas. A plataforma permite ainda que os utilizadores enviem as suas próprias investigações, mantendo o banco de dados actualizado.

“Comecei a guardar este arquivo de pesquisa quando era ainda estudante”, explica Tarter citada em comunicado. “Alguns dos artigos originais foram apresentados em conferências, ou aparecem em revistas obscuras que são de difícil acesso para os recém-chegados ao campo do SETI. Estou muito contente por termos agora uma ferramenta que pode ser utilizada por toda a comunidade e com uma metodologia para mantê-la actualizada”.

Tarter desenvolveu a Technosearch em colaboração com estagiários da Research Experience for Undergraduates (REU), estudantes de pós-graduação que trabalham com o professor Jason Wright da Universidade Estadual da Pensivânia, nos Estados Unidos, e Andrew Garcia, estudante da REU em 2018 no Instituto SETI.

A Technosearch rastreia informações, incluindo dados básicos de cada observação e os seus autores, data e objectos observados e a instalação a partir da qual foi realizada. As características do telescópio utilizado são definidas, o tempo dedicado a cada objecto e o respectivo link para o artigo de investigação publicado originalmente.

Actualmente, a Technosearch conta com mais de 100 pesquisas de rádio e 38 pesquisas ópticas, totalizado cerca de 140 investigações científicas diferenciadas. No futuro, a comunidade SETI deverá colaborar para manter a Technosearch actualizada e precisa.

Desde a primeira pesquisa SETI levada a cabo por Frank Drake em 1960, astrónomos e amadores em todo o mundo têm procurado e esperam encontrar evidências de vida, especialmente vida inteligente, além do planeta Terra. Um desafio constante para os apaixonados por este tipo de investigação tem sido acompanhar as dezenas de pesquisas que já foram realizadas – a Technosearch visa colmatar esse mesmo problema.

ZAP // EuropaPress / LiveScience

Por ZAP
16 Janeiro, 2019

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1215: MIT desenvolve robôs tão pequenos como células (e em larga escala)

TECNOLOGIA

Felice Frankel / MIT

Pesquisadores do MIT desenvolveram uma tecnologia capaz de criar robôs tão pequenos como células — e em larga escala.

As células são unidades biológicas tão pequenas que só podem ser observadas ao microscópio. Elas compõem os nossos tecidos, órgãos e ossos. Agora, inspirados nas células de nosso organismo, investigadores do MIT desenvolveram uma tecnologia capaz de criar robôs tão pequenos como células — e em larga escala.

Os minúsculos robôs do MIT  foram chamados de syncells, uma abreviatura do termo em inglês para “células sintéticas”. De acordo com a equipa, estes robôs minúsculos podem ser usados por exemplo na monitorização das condições de funcionamento de oleodutos ou gasodutos, ou para procurar doenças na corrente sanguínea de animais e humanos.

Os nano-robôs podem operar em materiais atomicamente finos e quebradiços, que permitem o processo de auto-perfuração — que envolve direccionar linhas de fractura para criar pequenas bolsas de tamanho e formato específicos, em que há circuitos electrónicos para recolher, gravar e gerar dados.

Para que isso seja possível, é preciso adicionar uma camada de grafeno sobre uma superfície, em que pequenos pontos de um polímero contendo os fragmentos electrónicos são depositados usando impressão 3D. Então, uma segunda camada de grafeno é depositada em cima da das anteriores.

No fim do processo, a estrutura vai-se esticando até que haja a ruptura desejada, e as syncells entram então em acção. De acordo com os investigadores do MIT, este processo abre as portas para a criação de ferramentas para micro e nano-fabricação.

ZAP // CanalTech / MIT

Por CT
29 Outubro, 2018

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999: Arqueólogos revelam provas de que a Papisa Joana existiu

CIÊNCIA

Wikimedia
A Papisa Joana representada como o anti-cristo. “The Whore of Babylon”, óleo de Lucas Cranach (1534)

Arqueólogos conseguiram provas substanciais de que uma mulher ocupou o cargo mais importante da Igreja Católica. A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade de Flinders, na Austrália.

Para os pesquisadores, a história acerca da existência de uma papisa, alimentada desde a Idade Média, é real. Entre as provas que sustentam os argumentos está a produção de moedas em homenagem à papisa.

De um lado das moedas analisadas está o nome do imperador Luís II. Do outro, um monograma assinado pelo papa vigente que representa o nome “IoHANIs”. Segundo os pesquisadores, este nome pode ser lido como “Iohannes”, latim para João.

“Nessa época [850 d.C.], não existiu oficialmente nenhum papa com o nome de Iohannes. Mas há muitos registos de Iohannes Anglicus, a papisa”, afirmou Michael E. Habicht, autor do livro “Papisa Joana: O Pontificado Encoberto de uma Mulher ou uma Lenda?”, numa entrevista à AH.

De acordo com o escritor, a história oficial apresentada pela Igreja levantou sempre suspeitas. O autor destaca ainda que a ligação das moedas ao nome de João VIII, que reinou de 872 até 882, é bastante frágil.

“Esse papa tem um monograma diferente. E uma análise grafológica apoia a conclusão de que são diferentes assinaturas, de duas pessoas diferentes”, conclui.

Apesar de muito comentada durante a Idade Média, esta história e estas suspeitas acabaram por cair em esquecimento com o passar do tempo. Em 1099, o dominicano Jean de Mailly, ressuscitou a lenda, falando sobre a vida de Joana.

(dr) Michael Habicht

Pesquisadores dizem que Joana se disfarçou de homem para ascender na hierarquia católica, até conseguir ser eleita papa. A papisa teria reinado entre 885 e 857, sob o nome falso de João (Iohannes, em latim) e o disfarce foi descoberto durante uma procissão, quando o suposto papa João se sentiu mal e deu à luz no meio da rua.

A peripécia, por motivos óbvio, causou grande indignação e levou Joana para a prisão, onde, depois de ver o seu nome removido de todos os documentos da Igreja Católica, acabou por falecer, aos 42 anos, pouco tempo após o nascimento da sua criança.

Joana terá nascido na Idade Média, em Janeiro de 814. Proveniente de uma família de camponeses, seria filha de um missionário da Igreja Católica. Historiadores dizem ainda que a jovem tinha o hábito de questionar os cânones do seu tempo.

A história da papisa chamou atenção do cinema e em 1970, a actriz Liv Ullman protagonizou um filme sobre o assunto. Em 2009, a papisa voltou aos grandes ecrãs numa produção dirigida pelo cineasta alemão Sonke Wortmann. O filme baseou-se no livro “Papisa Joana”, da inglesa Donna Woolfolk Cross.

Até aos dias de hoje a Igreja Católica não permite mulheres em cargos de liderança.

Por HPN
11 Setembro, 2018

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971: Físicos procuram apanhar um “fotão escuro” para provar a existência da 5.ª força da natureza

B. Tafreshi / ESO

Um grupo de físicos italianos está a conduzir uma ambiciosa pesquisa em busca de uma “força negra” da natureza que, caso seja encontrada, abrirá portas para um vasto, desconhecido e invisível reino do Universo.

O Universo, tal como o conhecemos, possui cerca de um décimo de todas as coisas que pairam por aí. Tudo o resto é invisível ou, pelo menos, impossível de detectar – excepto os efeitos da sua gravidade na fracção de material que somos capazes de ver.

Os cientistas apelidam esta “força negra” de material escuro do sector ausente – classe de partículas energéticas e massivas que aparentemente existem algures, mas que não interagem com a matéria luminosa (aquela que nos compõe e que somos capazes de ver).

Um novo e ambicioso projecto do Instituto Nacional de Física Nuclear, em Itália, vai tentar desbloquear todo este material escuro através de um fotão escuro teórico – uma versão dos fotões normais que carregam a luz aplicado à matéria escura – como chave.

E, se o verdadeiro fotão escuro for encontrado, fornecerá evidências para a quinta força do Universo – o que seria uma notícia incrível para a Física e para a Ciência.

A procura pela matéria escura é um assunto já abordado na Física no entanto, esta nova experiência procura descobrir se a massa escura interage com a matéria regular através de uma espécie de “mensageiro” de partículas escuras.

“Se encontrarmos esta força, o paradigma que temos agora vai mudar completamente. A descoberta abriria todo um novo mundo e ajudaria a perceber as partículas e as forças que compõem o sector escuro”, disse o investigador Mauro Raggi, da Universidade Sapienza de Roma, em declarações ao Guardian.

Antimatéria vs Diamante

Para encontrar esta quinta força, os físicos planeiam bombardear um fragmento de diamante (conhecido com diamond wafer) com um feixe de partículas de antimatéria, os positrões – a anti-matéria “prima” dos electrões. O instrumento utilizado para a experiência é conhecido como PadmePositron Annihilation into Dark Matter Experiment.

Em circunstâncias normais, quando positrões e electrões chocam entre si acabam por se aniquilar, dando origem a um par de fotões regulares. No entanto, se os fotões escuros existirem realmente, esta colisão deverá produzir, de vez em quando, apenas um fotão regular. Ou seja, em vez da interacção produzir dois fotões regulares, deveriam surgir lado a lado um fotão escuro e um fotão normal.

Em declarações à Physics World, os investigadores disseram que esperam que o feixe de positrões utilizado no Padme colida com electrões suficientes do diamante de forma a originar um fotão escuro.

No entanto, e mesmo que a experiência seja bem sucedida, o Padme não será capaz de detectar o fotão escuro directamente. Em vez disso, o fotão desaparecido servirá como prova. Uma aniquilação electrão-positrão capaz de produzir um fotão escuro será identificado no Padme como uma parte da energia que desapareceu, porque já terá passado para o sector escuro da matéria.

Se tudo isto acontecer, os físicos esperam conseguir confirmar e medir a massa do fotão escuro – pois, ao contrário dos fotões regulares, os fotões escuros têm matéria. A confirmação não seria só a evidência de uma nova partícula, mas também de toda uma força completamente nova.

No Universo luminoso existem 4 forças, entre as quais: a electromagnética, que transporta energia luminosa e liga átomos a outros átomos (e garante que não caíamos de uma cadeira, por exemplo); a força forte, que mantém as partículas dentro dos átomos juntas; a força fraca, que faz com que os átomos caiam e se decomponha e, por fim, a força gravitacional, que nos prende à Terra e orienta os movimentos do Universo.

(dr) futurism.com
A quinta força fundamental da Natureza

A confirmar-se os fotões escuros, estes seriam a manifestação de uma 5.ª força, que ainda não está contemplada no nosso modelo actual – o electromagnetismo escuro.

“Estamos a atirar em todos os sentidos”, concluiu Rammi acrescentando que “se estamos a tentar temos, pelo menos, uma oportunidade de conseguir”.

Esta é desde logo uma pesquisa que se adivinha muito difícil – investigações levadas a cabo anteriormente não detectaram nenhuma partícula escura – no entanto, caso os físicos consigam finalmente “apanhar” o fotão escuro, serão então o momento de reescrever os livros de Física.

Por ZAP
6 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 18 erros ortográficos ao texto original)

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942: Descobertas três novas espécies de primatas extintas há 40 milhões de anos

CIÊNCIA

Os primatas seriam de pequenas dimensões, não chegando a pesar 1 quilo

Paleontólogos da Universidade do Texas, em Austin, identificaram três novas espécies de primatas que pesavam menos de um quilo e viveram há 42 ou 46 milhões de anos no Eoceno, a segunda época da era Cenozoica.

As três novas espécies descritas – Ekwiiyemakius walshi, Gunnelltarsius randalli e Brontomomys cerutti – pertencem à Omomyinae, uma subfamília dos primatas primitivos, de acordo com o estudo publicado na semana passada no Journal of Human Evolution. 

Os fósseis que levaram à identificação das espécies foram encontrados na Friars Formation, uma formação geológica localizada no sul da Califórnia que, na época, exibia vastos bosques tropicais, revela a Europa Press.

Desde da década de 1930, vários fósseis de primatas foram descobertos em arenitos e pedras argilosas que compõem a formação geológica no Condado de San Diego.

O paleontólogo Stephen Walsh e a equipa do Museu de História Natural de San Diego (SDNHM) construíram uma grande colecção de primatas fósseis da área, mas Walsh foi incapaz de descrever estes espécimes antes da sua morte, em 2007.

Uma década depois, Amy Atwater, estudante da Universidade de Austin, e o professor de antropologia Chris Kirk aceitaram o desafio e concluíram o trabalho iniciado por Walsh, descrevendo e nomeando os três primatas até agora desconhecidos.

Com a descoberta o número de primatas omomyne do Eoceno encontrados na formação de San Diego sobe de 15 para 18.

“Acrescentar estes três primatas fornece uma melhor compreensão sobre a diversidade dos primatas no Médio Eoceno”, explicou Atwater.

“Pesquisas anteriores nas bacias de Rocky Mountains sugeriam que a diversidade de primatas tinha diminuído durante este período contudo, nos defendemos que a diversidade aumentou simultaneamente noutros lugares”, sustentou a investigadora.

Através da análise dos dentes dos fósseis, os investigadores concluíram que estes seriam pequenos primatas, pensando entre 113 a 796 gramas – tamanho semelhante aos lémures.

“Os dentes podem dizer-nos muito sobre a história evolutiva e dão-nos uma noção sobre o tamanho e a dieta alimentar do primata extinto”, explicou Kurt, recordando que o “esmalte é o tecido mais duro do corpo”. E, também por isso, “é mais provável que os dentes se mantenham preservados no registo fóssil”, rematou.

ZAP //

Por ZAP
31 Agosto, 2018

(Foi corrigido 1 erro ortográfico ao texto original)

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919: Há um peixe que mata as suas crias (se não forem suficientemente boas)

 

CIÊNCIA

(CC0/PD) joakant / pixabay

O peixe macho da espécie Rhabdoblennius nitidus come as suas crias porque a presença dos ovos faz com que os seus níveis de androgénio caiam vertiginosamente, o que o impede de acasalar.

O canibalismo filial – no qual os espécimes adultos comem as suas crias – não é um fenómeno assim tão raro no reino animal: ursos, felinos, primatas, canídeos, roedores, insectos, peixes, anfíbios, repteis e pássaros são alguns dos exemplos que o fazem.

Agora, de acordo com o IFLScience, há mais um nome para acrescentar a esta lista: o peixe macho da espécie Rhabdoblennius nitidus, geralmente encontrado nos recifes de corais no Oceano Pacífico ocidental, no continente asiático.

Os casos de canibalismo filial variam um pouco entre as espécies mas, geralmente, o factor determinante é o mesmo: gestão de recursos. Todas as crias precisam de ser alimentadas, especialmente as que não são tão saudáveis. Se saírem da equação, deixam de ser um problema, digamos assim.

Tal como se explica num artigo publicado na semana passada na revista científica Current Biology, a principal hipótese de o canibalismo filial acontecer é conhecida por canibalismo baseado em energia – “energy-based (EB) cannibalism” em inglês – que explica que os benefícios nutricionais de comer as crias superam os de marcar o chamado “pool genético”.

Para muitos casos isso é verdade, mas foram registadas excepções em alguns peixes. Os investigadores da Universidade de Nagasaki notaram que, em algumas espécies, o macho que fica responsável por tomar conta dos ovos enquanto estes se desenvolvem decide comê-los quando o número total é pequeno e, assim, a reprodução recomeça.

Embora isto possa encaixar com a hipótese do canibalismo baseado em energia, os investigadores notaram que este é um fenómeno “intrigante”, já que o macho ainda pode cuidar dos ovos enquanto procura outras fêmeas.

No caso do Rhabdoblennius nitidus, os investigadores suspeitaram que o número de ovos controlava algo relacionado com o ciclo de acasalamento que ainda não havia sido observado de uma forma adequada. Para tentar descobrir, a equipa deixou os peixes fazerem o seu ritual de acasalamento, mas controlou sub-repticiamente o número de ovos que estavam presentes após a cópula.

De acordo com as conclusões da pesquisa, está tudo ligado com os níveis de andrógenos do macho, um grupo de hormonas ligadas ao crescimento e desenvolvimento do sistema reprodutor. A presença dos ovos faz com que os seus níveis de androgénio caiam vertiginosamente, o que os impede de acasalar. Nenhum ovo equivale a mais níveis de andrógenos, sejam estes comidos pelo macho ou tenham chocado todos.

Desta forma, a ideia é que estes machos comem pequenos números de ovos não pelo factor nutritivo, mas para que os seus níveis de andrógenos aumentem e possam acasalar novamente, podendo produzir uma ninhada maior. A explicação é corroborada pelo facto de terem comido os ovos, independentemente dos seus níveis de fome, e de até terem cuspido alguns deles depois de já os terem mastigado bem.

Por isso, neste caso não se trata de canibalismo, mas sim de infanticídio ou, mais tecnicamente, “embriocídio”.

ZAP //

Por ZAP
26 Agosto, 2018

(Foram corrigidos 4 erros ortográficos ao texto original)

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891: 200 mil bombas de Hiroxima, o poder do super-vulcão de Santorini

(PP0/PD) Gozitano / Pixabay
A erupção vulcânica foi a principal razão para a queda da cultura Minoica

Um novo estudo realizado com base em análises de anéis de árvores, pode definir com mais precisão o momento em que o super-vulcão de Santorini, na Grécia, entrou em erupção. A nova pesquisa ajudou a resolver contradições de investigações prévias.

A erupção do super-vulcão de Santorini, há mais de 3400 anos, dizimou a civilização Minoica que vivia na ilha de Tera, no sudeste da Grécia. Toda a colónia ficou enterrada sob uma camada de cinzas e pedra-pomes com mais de 40 metros de espessura.

A força da erupção é comparada à explosão de 200 000 bombas atómicas iguais às lançadas sobre Hiroxima. O vulcão expeliu cerca de 40 a 80 quilómetros cúbicos de rocha.

A erupção foi tão forte que fracturou a ilha em muitos fragmentos, dando origem ao moderno e turístico arquipélago de Santorini. Com o impacto, formou-se um tsunami que atingiu Creta e cobriu as outras ilhas com cinzas vulcânicas e pedras.

A explosão foi a principal razão para a queda da cultura Minoica – a primeira civilização europeia -, originando a lenda de Atlântida e do dilúvio. Os arqueólogos acreditam que a erupção ocorreu entre 1570 e 1500 a.C. Os cientistas chegaram até esta data sustentados em artefactos encontrados, como cerâmicas, e crónicas egípcias.

No entanto, os vestígios de cinzas vulcânicas encontrados no gelo da Gronelândia, assim como a datação por radio-carbono dos artefactos encontrados na ilha, indicam que o vulcão explodiu muito antes, aproximadamente no ano de 1628 a.C.

Para resolver estas contradições, os autores do estudo, combinaram dois métodos utilizados na arqueologia: a análise por radio-carbono e a contagem do número de anéis o interior do tronco das árvores. Esta investigação sou foi possível graças aos novos espectrómetros de massas e à existência de árvores únicas – os pinheiros da Califórnia e os carvalhos da Irlanda.

Através do carbono 14, os cientistas dataram 285 anéis, formados entre os séculos XVIII e XV a.C. Ao comparar estes dados com a escala clássica geo-cronológica, a equipa de investigação de Charlotte Pearson, da Universidade do Arizona, nos EUA, conclui que a idade dos artefactos encontrados na ilha de Santorini foi sobrestimada.

As conclusões do cientistas, publicadas na semana passada na revista Science Advances, revelam que, de facto, a explosão não ocorreu em 1628 a.C, como normalmente aceite, mas 30 a 40 anos depois, entre 1600 e 1580 a.C.

Este detalhe não só concilia a visão de arqueólogos, geólogos e físicos, mas também abre a porta para repensar muitas outros momentos históricos importantes, como a data do início do Novo Reino do Egipto.

Os autores do estudo esperam que pesquisas futuras ajudem a determinar a data da erupção com uma margem de erro de apenas um ano.

Por ZAP
19 Agosto, 2018

Foram corrigidos 11 erros ortográficos do texto original.

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597: Cientistas a um passo de descobrir a misteriosa origem dos Incas

Hostelworld.com
Caminho Inca – Machu Picchu (Peru)

Um grupo de pesquisadores do Peru acredita ter conseguido traçar as origens dos Incas através do DNA dos descendentes modernos dos seus imperadores.

Há centenas de anos que a civilização Inca fascina historiadores por todo o mundo, mas ainda muito pouco se sabe sobre a origem da maior civilização Pré-Hispânica das Américas. Um grupo de pesquisadores do Peru acredita agora ter conseguido traçar as origens dos Incas através do DNA dos descendentes modernos dos seus imperadores.

Todos os humanos carregam parte da codificação genética dos seus ancestrais e, frequentemente, os cientistas usam técnicas de genotipagem de DNA semelhantes às usadas neste estudo para determinar quais os genes herdados dos progenitores.

No caso da civilização Inca, esta análise foi estendida durante vários séculos. “É como um teste de paternidade, não entre pai e filho, mas entre os povos”, disse um dos pesquisadores, Ricardo Fujita, da Universidade de San Martin de Porres, no Peru, à AFP.

Existem duas lendas tradicionais comummente aceites sobre a origem desta civilização. A primeira acredita que os Incas são originários perto do Lago Titicaca, Puno, no sudeste do Peru; já a segunda, defende que a civilização descende de irmãos da região de Cusco, no centro do Peru.

Estes dois lugares, onde se acredita que possam ter surgido os primeiros Incas, foram fundamentais para a pesquisa. Os investigadores recolheram amostras de DNA dos habitantes de ambos os locais e, posteriormente, compararam a sua codificação genética com cerca de 3000 amostras de famílias actuais conhecidas como descentes de Incas.

De acordo com os investigadores, estes descendentes utilizados como amostra, também conhecidos como famílias “Panakas”, são a melhor ligação com o DNA da antiga nobreza Inca, pois a maioria dos cemitérios incas históricos e restos mumificados foram destruídos pelos conquistadores espanhóis que chegaram no século XVI.

Os resultados revelaram semelhanças genéticas entre as famílias Panakas e as que vivem em Puno e Cusco, mostrando que há alguma verdade nas lendas tradicionais. Mais do que isso: ambas as histórias podem até estar interligadas.

“Após três anos de rastreamento das impressões digitais genéticas dos descendentes, confirmamos que as duas lendas que explicam a origem da civilização Inca podem estar relacionadas”, explicou Fujita à AFP.

“Provavelmente a primeira migração veio da região de Puno e foi estabelecida em Pacaritambo por algumas décadas antes de ir para Cusco e fundar Tahuantinsuyo”, adiantou.

Tahuantinsuyo é o vasto império que os Incas governaram, estendendo-se desde o oeste da actual Argentina até ao norte da actual Colômbia – uma região com enormes dimensões para um povo que começou com pouco.

Algumas das conclusões preliminares foram publicadas em Abril, na Molecular Genetics and Genomics, mas os investigadores anseiam em voltar atrás  no tempo. Mesmo que as antigas múmias Incas tenham desaparecido para sempre, pode haver cemitérios onde restem ainda vestígios de DNA.

As novas técnicas de ponta hoje aplicadas no estudo do DNA – que pode ter até milhares de anos – estão a trazer uma nova visão do passado, permitindo melhor compreender a maneira como as civilizações se espalharam e migraram ao longos dos séculos.

Quanto mais dados os cientistas conseguirem recolher, quer em tamanho da amostra, quer em períodos de tempo cobertos, mais clara se tornará a janela do passado. Podemos ainda aprender muito mais sobre origem do grande império inca.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
1 Junho, 2018

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553: Polvos são extraterrestres que vieram para a Terra em ovos crio-preservados

Os polvos são criaturas tão misteriosas e extraordinárias que só podem ter vindo do espaço. É a conclusão de uma pesquisa que refere que estes animais marinhos evoluíram noutro planeta, em ovos “crio-preservados”, antes de chegarem à Terra há milhões de anos.

Esta pesquisa, publicada no Progress in Biophysics and Molecular Biology, envolveu 33 cientistas, incluindo Chandra Wickramasinghe, conceituado astrónomo e director do Centro de Astrobiologia da Universidade de Buckingham, no Reino Unido, que é considerado um dos proponentes da chamada Nova Panspermia – esta teoria atribui a origem e a evolução da vida a “esporos” lançados no espaço e disseminados pela Terra e por todo o Universo.

Contando com investigadores que vão das áreas da Biologia e Bioquímica, até à Astronomia e às Ciências Matemáticas, a investigação conclui que a evolução do polvo foi tão rápida que só pode ter tido origem num ambiente extraterrestre.

A pesquisa tenta explicar se o súbito aparecimento de formas de vida complexas na Terra durante a chamada Explosão Cambriana ou Explosão Câmbrica, há cerca de 530 milhões de anos, foi um evento “terrestre ou cósmico”. E a conclusão é de que tudo teve origem no espaço, graças ao bombardeamento de “nuvens de moléculas orgânicas”.

Os polvos são apontados como um exemplo desse processo, dada o seu súbito aparecimento na Terra, há cerca de 270 milhões de anos.

Os autores do estudo reparam que “o genoma do polvo demonstra um nível impressionante de complexidade, com mais 33.000 genes codificadores de proteínas do que os que estão presentes no Homo sapiens“.

Destacando o seu “cérebro grande e o sistema nervoso sofisticado, os olhos tipo câmara, o corpo flexível, a camuflagem instantânea”, os cientistas notam que estas características apareceram “de repente no cenário evolutivo” e que não se encontra um caso similar “em nenhuma outra forma de vida pré-existente”.

Assim, a “explicação plausível” é que “são, provavelmente, importações extraterrestres para a Terra”, fruto de “genes funcionais dentro de ovos de polvo fertilizados e crio-preservados”, aponta-se no estudo.

Os polvos são considerados os mais inteligentes animais não-vertebrados e já vinham sendo apontados como uma espécie de seres “extraterrestres”, dadas as suas características extraordinárias.

O cinema está repleto de filmes de ficção científica com polvos vindos do espaço, e muitos especialistas em fenómenos extraterrestres não duvidam que são formas de vida alienígena.

Em 2015, investigadores da Universidade de Chicago, nos EUA, conseguiram sequenciar o ADN do polvo, concluindo que não há outro animal igual no planeta e atestando as suas sofisticadas capacidades cognitivas. Características que levaram um dos autores do estudo, o neuro-biólogo Clifton Ragsdale, a salientar, num tom bem humorado, que se tratava do “primeiro genoma sequencial de algo como um extraterrestre”.

SV, ZAP //

Por SV
17 Maio, 2018

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489: Sem saída: as civilizações das super-terras estão presas nos seus planetas

20th Century Fox Prometheus, de Ridley Scott (2012)

As super-terras são versões gigantes da Terra, ou seja, planetas com condições similares ao nosso, mas muito maiores.

Algumas pesquisas científicas têm sugerido que as super-terras são ainda mais habitáveis do que os mundos do mesmo tamanho que o nosso. No entanto, um novo estudo alemão afirma que seria difícil para qualquer civilização alienígena explorar o espaço a partir desse exoplaneta.

Já descobrimos vários tipos de exoplanetas à volta de outras estrelas. A classe de exoplanetas chamados “super-terras” compreende planetas que podem atingir até dez vezes a massa do nosso.

Várias super-terras encontram-se nas zonas habitáveis das suas estrelas, onde teoricamente as temperaturas podem suportar água líquida à superfície e, assim, potencialmente, a vida como é conhecida na Terra.

Alguns artigos também sugeriram que essas super-terras poderiam ser ainda mais habitáveis que planetas mais semelhantes ao nosso, porque as suas massas maiores conferem-lhes uma atracção gravitacional mais forte e, por consequência, atmosferas mais espessas, que protegem melhor a vida dos raios cósmicos nocivos vindos do espaço.

Se de facto existe vida numa super-terra distante, os alienígenas poderiam ter desenvolvido uma civilização avançada capaz de viajar pelo universo. Só que a forte atracção gravitacional desses planetas também pode tornar mais difícil para os extraterrestres descolarem a partir desses mundos.

Segundo o autor do novo estudo, publicado no arXiv em Abril, Michael Hippke, investigador independente afiliado ao Observatório de Sonneberg, na Alemanha, em planetas mais massivos, o voo espacial seria exponencialmente mais caro.

Hippke calculou o tamanho necessário de um foguete, tendo como modelo um foguete convencional terrestre, para escapar de uma super-terra 70% maior que o nosso planeta, e dez vezes mais massiva.

Essas são aproximadamente as especificações do planeta alienígena Kepler-20b, que fica a cerca de 950 anos-luz da Terra. Nesse mundo, a velocidade de escape é cerca de 2,4 vezes maior que na Terra.

Entre outros cálculos feitos pelo cientista, Hippke descobriu que, para lançar o equivalente à missão Apollo, que foi da Terra à lua, um foguete numa super-terra precisaria de uma massa de cerca de 400.000 toneladas métricas, devido às exigências de combustível – essa é mais ou menos a massa da Grande Pirâmide de Gizé, no Egipto.

O problema do combustível

O desafio é certamente o peso do combustível que os foguetes convencionais utilizam. Lançar um foguete de um planeta requer muito combustível, o que os torna pesados, o que requer mais combustível, e assim por diante.

Assumindo que um foguete numa super-terra funcionaria tão bem como o Falcon Heavy da SpaceX, lançar uma carga como o Telescópio Espacial James Webb, da NASA, exigiria 60.000 toneladas de combustível, aproximadamente a massa dos maiores navios de guerra oceânicos.

Por isso, Hippke acredita que possíveis civilizações de super-terras sejam muito menos propensas a explorar as estrelas. “Em vez disso, os aliens estariam até certo ponto presos no seu planeta e, por exemplo, usariam mais lasers ou radiotelescópios para comunicação interestelar, em vez de enviar sondas ou naves espaciais”, argumentou.

Claro, podem existir outras maneiras de se alcançar a órbita que não seja através de foguetes convencionais.

Por exemplo, cientistas já teorizaram sobre o uso de elevadores espaciais, ou seja, elevadores que viajam por cabos gigantes que saem da atmosfera. Um dos principais factores limitadores dessa tecnologia é a resistência do material do cabo.

O material mais adequado conhecido hoje, o nanotubo de carbono, é apenas forte o suficiente para a gravidade da Terra, e não está claro se materiais mais fortes são fisicamente possíveis.

Outra possibilidade é a propulsão de pulso nuclear, que envolve a detonação de uma série de bombas atómicas atrás de um veículo para lançá-lo para o espaço. Esta estratégia oferece mais poder de elevação do que os foguetes convencionais, e pode ser uma das únicas possibilidades para uma civilização deixar um planeta com mais de dez vezes a massa da Terra.

Essa tecnologia, movida a energia nuclear, representaria desafios técnicos e políticos, no entanto, uma falha no lançamento poderia causar efeitos dramáticos no ambiente. De qualquer forma, aliens inteligentes poderiam estar dispostos a correr os riscos.

ZAP // HypeScience / Space

Por ZAP
26 Abril, 2018

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192: Manto de basalto pode explicar ausência de água em Marte

(PD/CC0) GooKingSword / pixabay

Um estudo apresentado nesta quarta-feira pela revista “Nature” sugere que as rochas de basalto da superfície de Marte podem armazenar mais água do que as da Terra e que isto poderia explicar a ausência deste elemento da camada superior do planeta vermelho.

A pesquisa, feita pelo especialista Jon Wade, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e um grupo de colegas, tenta explicar porque a água desapareceu da superfície de Marte pouco tempo depois de sua formação e, por outro lado, continua presente na Terra, gerando condições propicias para a vida.

Segundo esta descoberta, o basalto presente em Marte pode conter mais água do que os que existem no nosso planeta, por isso o líquido poderia estar enterrado sob a superfície.

Durante a maior parte do período geológico existiu água na superfície, mas Marte perdeu-a pouco tempo depois da sua formação.

As pesquisas anteriores revelaram que Marte perdeu grande parte da água depois do colapso do campo magnético, mas isto não equivaleria a toda a água que falta, diz o estudo.

Wade e a sua equipa calcularam os volumes relativos de água que poderiam ser retirados da superfície de cada planeta mediante a reacção com a lava para formar uma crosta basáltica.

Os cientistas descobriram que o basalto relativamente rico em ferro encontrado em Marte pode conter cerca de 25% mais água do que a rocha do mesmo tipo presente na Terra, e que estas levam a água para o interior de Marte, para o seu manto.

Os autores concluíram que, no início da história geológica da Terra, o planeta contava com uma crosta relativamente dinâmica e gradientes geotérmicos (a taxa de variação da temperatura do interior com a profundidade medida a partir da superfície do planeta) mais fortes que Marte.

Segundo os especialistas, isso impedia que a água ficasse enterrada no manto superior na Terra e continuasse próxima da superfície, favorecendo assim o desenvolvimento da vida.

ZAP // EFE

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