3120: O Nemo poderá não conseguir salvar-se das alterações climáticas

CIÊNCIA

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O peixe-palhaço (Amphiprion), eternizado pelo filme da Disney À Procura de Nemo, poderá não conseguir salvar-se das alterações climáticas, uma vez que a sua capacidade de renovar a população está associada a um habitat de qualidade e não a uma adaptação genética.

Esta é a conclusão de uma equipa de cientistas internacionais que monitorizou a espécie durante mais de uma década na baía de Kimbe, na Papua-Nova Guiné.

Os resultados foram agora publicados na revista científica especializada Ecology Letters.

Através da análise genética do ADN dos peixes-palhaço em estudo, os investigadores conseguiram calcular o seu potencial de adaptação às mudanças de habitat e a sua capacidade de renovar os seus espécimes.

A equipa descobriu que as grandes famílias de peixes-palhaço que prosperaram durante muitas gerações estavam em grande parte associadas a habitats de grande qualidade e não a genes compartilhados – ou seja, o segredo da sobrevivência da população está ligado ao tipo de habitat e não ao factor genético.

“As descobertas relatadas [neste artigo] são fruto de um grande esforço na amostragem e de sequenciamento de ADN que não tinha sido tentado com nenhuma outra espécie antes”, começou por explicar o biólogo da Instituição Oceanográfica de Woods Hole (WHOI), Simon Thorrold, co-autor do estudo, citado em comunicado.

“Para nós, a maior surpresa foi também a mais preocupante: os esforços de conservação podem não depender da adaptação genética para proteger os peixes-palhaços dos efeitos das mudanças climáticas (…) Parece que o Nemo não poderá salvar-se“, disse.

De acordo com os cientistas, a qualidade da anémona – o lar do peixe-palhaço – contribuiu significativamente – 50%, em média – para a sua capacidade de sobreviver e renovar a sua população. Se as anémonas continuarem saudáveis, a população de peixes-palhaço resistirá; caso sejam afectadas pelas alterações do cima, a espécie enfrentará problemas.

“Portanto, o Nemo está à mercê de um habitat que se degrada cada vez mais a cada ano”, lamentou Benoit Pujol, geneticista evolucionário do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) na França, citado na mesma nota.

Marlin, o pai de Nemo, devia ter-se transformado na mãe (e chamar-se Marlene)

Ao contrário do que se viu no popular filme da Disney, “À procura de Nemo”, quando Nemo regressa a casa deveria…

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Por ZAP
30 Novembro, 2019

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1040: Acabou a procura. O genoma de Nemo foi descodificado

CIÊNCIA

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Uma equipa de cientistas esteve à procura dos genes do Nemo. Agora, foram publicados os resultados da sequenciação do genoma de qualidade do peixe-palhaço, eternizado pela Disney.

O peixe-palhaço é o peixe mais conhecido dos oceanos, graças ao filme de animação da Disney À Procura de Nemo. Agora, uma equipa internacional de cientistas procurou não o Nemo, mas os genes do peixe-palhaço – ou seja, mapeou o genoma desta espécie para que seja possível perceber a resposta dos peixes de recife às alterações climáticas.

O Público destaca uma das principais características do peixe-palhaço: a mudança de sexo. Estes peixes podem nascer machos, mas se a fêmea dominante do grupo morrer, um dos machos muda de sexo e assume o lugar dessa fêmea.

Estes peixes são importantes para estudos ecológicos e evolutivos na medica em que vivem nos recifes de coral. Assim, o peixe-palhaço é estudado como modelo de processos como a mudança de sexo, a organização social, a selecção do habitat e a longevidade.

Além disso, esta espécie é utilizada para se perceber os efeitos ecológicos dos distúrbios ambientais nos ecossistemas marinhos devido às alterações climáticas ou à acidificação do oceano. Segundo os cientistas, sob o efeito de um oceano mais acidificado, o peixe-palhaço é atraído pelo odor dos seus predadores, ficando mais exposto a este perigo.

Agora, a equipa conseguiu criar um dos mapas genéticos mais completos do peixe-palhaço (neste caso, da espécie Amphiprion percula).

“Este genoma dá-nos um modelo essencial para compreendermos todos os aspectos da biologia dos peixes de recife”, considera Robert Lehmann, da Universidade de Ciência e Tecnologia do Rei Abdullah (Arábia Saudita) e um dos autores do estudo, num comunicado sobre o trabalho.

No artigo científico, publicado recentemente na Molecular Ecology Resources, os cientistas apresentam uma montagem do genoma de referência com qualidade do peixe-palhaço. Este genoma “tem 26.597 genes que codificam proteínas. E, tal como o maior quebra-cabeças do mundo, levou-nos tempo e paciência para que montássemos as peças”, elucida Lehmann.

Segundo Timothy Ravasi, também autor do trabalho, o peixe-palhaço tem “aproximadamente 939 milhões de nucleótidos que precisaram de ser encaixados”. Os nucleótidos são os elementos químicos de base que constituem a molécula de ADN (a adenina, timina, citosina e guanina, representadas pelas letras A, T, C e G)

Esta sequenciação “é um esforço notável e representa uma montagem muito completa deste genoma”, diz Lehmann, acrescentando que o genoma do peixe-palhaço é compostos por 24 cromossomas.

A sequenciação do genoma agora publicada tem mais qualidade. “Este é um dos genomas de peixes mais completos alguma vez produzidos”, salienta David Miller, outro dos autores da investigação. Além disso, o peixe-palhaço é um “laboratório ideal para estudos genéticos e genómicos”.

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Por ZAP
19 Setembro, 2018

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